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Tópico: Bloodoath

  1. #1
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    Padrão Bloodoath


    JOGA NO GOOGLE TRADUTOR SE NÃO ENTENDER TROXA AQUI É BILINGUE CARAIO




    Salve quebrada.


    Achei algum tempo pra dar sequência pra história, mas acredito que ela ainda esteja vulnerável a alguns hiatos, devo dizer. Recebi apoio pra começar e irei, pois preciso continuar escrevendo.

    Bloodoath é sequência direta à Bloodtrip. Mas como há um tempo entre uma história e outra, elas não terão muitas semelhanças. Bloodtrip será necessário apenas para entender o que aconteceu antes dessa história aqui. Você pode encarar a história anterior como uma "prequel" se preferir. Se estiver lembrado dos eventos, não será necessário ler de novo.




    Vamos que vamos:





    Spoiler: Prólogo




    Em breve postarei o primeiro capítulo, acompanhado de um prefácio, para esclarecer melhor a história.

    Publicidade:
    Última edição por CarlosLendario; 04-08-2018 às 16:22.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  2. #2
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    Padrão

    Thank you, God! Tanta insistência e, finalmente, o desgraçado iniciou a continuidade de Bloodtrip. Que momento das nossas vidas.

    O prólogo diz pouco, mas já demonstra que Bloodoath será uma continuação cabulosa desde o nascituro. Como aspecto fundamental de prosseguimento de Blootrip ou não, o importante é que tu és um grande escritor e que seus trabalhos acrescentam pra nós da forma como você sabe que acrescentam. Este é um grande momento.

    A respeito da expressão "doente mental": pelo visto, não sou só eu quem traz ao texto traços da própria personalidade, né não? Quase deu pra imaginar você pronunciando isso.

    Aguardando o primeiro capítulo. Pau!
    O Exorcismo de Alyssa Amber
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  3. #3
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    Padrão Capítulo 1 - A Teoria do Anjo Cruel

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Thank you, God! Tanta insistência e, finalmente, o desgraçado iniciou a continuidade de Bloodtrip. Que momento das nossas vidas.

    O prólogo diz pouco, mas já demonstra que Bloodoath será uma continuação cabulosa desde o nascituro. Como aspecto fundamental de prosseguimento de Blootrip ou não, o importante é que tu és um grande escritor e que seus trabalhos acrescentam pra nós da forma como você sabe que acrescentam. Este é um grande momento.

    A respeito da expressão "doente mental": pelo visto, não sou só eu quem traz ao texto traços da própria personalidade, né não? Quase deu pra imaginar você pronunciando isso.

    Aguardando o primeiro capítulo. Pau!
    Salve Neal. Estava bem incerto sobre começar a sequência ou não, mas, realmente, sua insistência fez a diferença, agora não hesito em continuar. Agradeço por isso.

    O prólogo engloba a história inteira como um todo. Não é de fácil entendimento entretanto, é algo que só será melhor entendido lá pro final, o que vai demorar. E sim, vai ser cabuloso mesmo, até porque eu planejo escrever uma história maior que Bloodtrip. Mais violenta também.

    Você comentou sobre a expressão e rapidamente não achei uma boa ideia usá-la, mas você já explicou melhor o que quis dizer, então permanecerá lá. Afinal, isso é coisa do personagem que está narrando o prólogo.


    Agradeço a presença constante e conto contigo no futuro.










    Normalmente eu não demoro pra jogar o primeiro capítulo depois de ter lançado o prólogo, mas hoje é um dia especial: Sexta-feira 13. Que dia melhor para dar início à história?

    Bem, vamos lá. Devo dizer apenas que a história ainda se passa em Tibia, mas com diferenças e criações minhas, que serão pouco visíveis nesse primeiro capítulo. Mas vocês vão se acostumando, não mandarei tudo de uma vez só.

    Primeiro, uma introdução melhor para a história:



    Spoiler: Prefácio






    Capítulo 1 – A Teoria do Anjo Cruel




    Thais. A capital do império fora lançada a uma noite sombria neste dia.

    Embora luzes não faltem naquele que era apenas mais um dos quatorze distritos residenciais localizados na capital, que permanece crescendo a cada ano que passa, seja com a ajuda da magia ou da engenharia inteligente e da genialidade dos seus arquitetos, qualquer valorização àquele distrito é inútil agora, considerando o que está diante dos vários policiais cercando e fechando a área.

    Um corpo. Este humano fora morto de maneira inexplicavelmente ágil, como se já tivesse aparecido morto. Seu abdômen está aberto, seus intestinos espalhados de forma a lembrar de algum símbolo específico, desconhecido para as autoridades. Seu sangue está espalhado pelo asfalto e é possível notá-lo mesmo nas paredes das casas ao redor, o que fez os habitantes correrem para outros distritos, e os mais abastados para hotéis. Não são muitos os que ousam chegar perto dessa cena brutal, então reforços foram chamados.

    Ao redor do corpo, há várias carroças, e nos postes de luz e energia, vários cavalos amarrados. Ambos meios de locomoção foram usados para trazer ao menos vinte e seis policiais, cujas fardas modernas, compostas de um casaco vermelho de comprimento comum, que vai até a cintura, frontalmente dividido em dois, fechado por uma abertura para um botão na lateral superior direita do peito. Este casaco, as calças brancas e os sapatos de cor escura, acompanhados de um chapéu de aba curta de mesma cor do casaco, e com seu distintivo de prata na lateral direita, tudo isso busca ser um destaque que lembre bem quem são eles, e o que farão se você estiver fazendo algo contra as leis.

    Mesmo que eles não saibam exatamente como reagir frente ao que está diante deles.

    Da entrada oeste para a rua principal daquele distrito, onde o crime ocorreu, surgem oito cavaleiros. Ao chegarem próximos da cena, eles descem de seus cavalos e deixam aos cuidados dos policiais que não estão cuidando diretamente da cena, mas em assegurar o perímetro.

    O líder deles é um homem relativamente jovem, sem barba, de queixo alto, com um capacete característico dos cavaleiros comuns de Thais. Chifres nas laterais e com a proteção indo até próximo do queixo, ele foca em não expor muito a parte mais importante de um cavaleiro. Armadura padrão de ferro, e diferenças no visual: As ombreiras estão menores, e agora a capa xadrez é mais larga, cobrindo os ombros e escondendo parte do peito do cavaleiro. O usual pano no centro do cinto não está mais presente.

    Eles estão armados com espadas, mas a capa as oculta de forma quase mágica, o que aumenta a sensação de perigo que eles passam. Esse líder passa ainda mais: Ele tem uma faixa no braço direito, com três estrelas: Duas de prata e uma púrpura. O lado direito de sua capa está puxado para trás, para que a faixa fique visível.

    É um Tenente Especial. E ao lado dele, há outro com uma faixa incomum também, levando três estrelas de seis pontas, todas de prata. Este é um Inspetor.

    O Inspetor é um homem velho, mas ainda em forma. Vestido de um longo casaco vermelho-escuro semelhante ao dos policiais, mas com diferenças na gola e em todas as bordas, dobradas precisamente e cuidadosamente de forma a não estragar o uniforme. Esse casaco está aberto e revela um gibão irregular que vai um pouco além da sua cintura, de cor branca, marcado com vários hexágonos. Usa um óculos branco de armação quadrada.

    Os cavaleiros passam a andar pelo perímetro com cuidado, enquanto ambos Tenente e Inspetor chegam perto da cena. Os policiais e peritos antes analisando a cena entreolham-se e se retesam frente as autoridades superiores.

    Um homem um pouco gordo, branco e com uma faixa de duas estrelas de prata, mas parte da polícia, aproxima-se dos dois. O inspetor coloca as mãos atrás das costas, como se quisesse evitar contato. Apenas o cavaleiro percebe isso.

    — Santo Fardos. Não é como se precisássemos do exército toda vez que um crime bizarro desses acontece.
    — Boa noite para você também, Primeiro-Tenente Scharvel. — Cumprimenta o cavaleiro, oferecendo sua mão. O policial não recusa, entretanto.
    — Tenente Especial Arthur. A cena está sob controle.
    — Agradeço o comprometimento Tenente, mas eu preciso do máximo de informações a respeito do caso. A cidade logo vai estar um caos, a informação já está escapando para civis de outras áreas.
    — Além disso, simples policiais não conseguirão lidar com algo desse nível. É melhor apenas manter distância. — Dispara o inspetor, visivelmente incomodado com a chegada do policial.
    — Pra que tudo isso? Não é um caso tão feio assim. Lembra até o que as gangues de Fibula e Ulna* costumam fazer com traidores.
    — Ora, tenente de araque. Saia do caminho de uma vez. Jovens retardados e imaturos como você não podem ficar encarregados de situações desse porte.
    — O que disse, velho? — Vocifera Scharvel, irritado.
    — Os dois, por favor, silêncio. — Disse Arthur calmamente, o que acalma os ânimos de imediato. É um homem respeitado por ali, afinal. — Scharvel, precisarei que os seus policiais somente guardem o distrito junto dos meus cavaleiros. A Primeira Delegacia Distrital da Capital encarregou a mim e ao Inspetor Mirladan o caso, pois tenho algum conhecimento sobre os possíveis verdadeiros responsáveis.
    — Entendo. A PDDC fez isso, pois como envolve o primeiro distrito residencial da cidade, é muito importante. Afinal, esse morto é um diplomata e há vários burocratas vivendo por aqui. Tem que agilizar pra eles não voarem nos pescoços dos nossos superiores, não é?
    — Não. É um humano morto brutalmente. Estamos analisando o caso para evitar que outros seres humanos sejam mortos da mesma maneira.
    — Não faz sentido você considerar gente dessa laia como seres humanos.
    — Não faz sentido você me impedir de descobrir como um ser humano foi morto desta maneira.

    Arthur aproxima-se do rosto do policial, que luta para não recuar.

    — Será que é você o culpado?

    Scharvel engole em seco. Seus olhos expressam medo, embora ele não tenha feito nada de ruim.

    — Será que você... É um deles?
    — O-O q-quê? O q-que por tudo que é mais sagrado você está dizendo, Tenente Especial?

    Arthur dá um sorriso reservado.

    — Para permitir que o inspetor analise a cena. Não irá demorar e você não perderá a chance de subir na PDDC. Ainda pensa em comandar todo o distrito leste da capital, não é?

    Scharvel não responde, mas recompõe a postura, acompanhada de um olhar hostil.

    — Filho da aristocracia. Você pode ser esse corretinho por fora, mas sei que é um monstro cruel e traidor por dentro. Conheço seu tipo, e estou de olho.

    Arthur não pensa em responder, até porque o tenente já se afastou da dupla e foi de encontro a alguns policiais próximos.

    — Finalmente. Odeio esses infelizes que acham que só porque não têm rugas no rosto que podem bancar os sabidos.

    Arthur faz menção de rir, mas mantém-se em silêncio. Mirladan aproxima-se, tira luvas marrons de algum material elástico de um saco transparente cuidadosamente colocado nos bolsos, coloca-as e põe-se a analisar a cena, sem se agachar. Ele também aproveita para pegar outra coisa dentro desse saco: Um dispositivo estranho, composto por três lentes, pequenas, uma menor que a outra. Ele conta com presas nas quatro pontas, que o homem usa para integrá-lo a seu óculos. Tanto Arthur quanto os policiais parecem curiosos.

    Finalmente, após um bom tempo circundando o corpo, ele parece achar algo relevante. Ele se abaixa e por pouco não começa a revirar suas entranhas, e por pouco não faz um dos policiais vomitar o almoço. Ele põe uma mão no queixo enquanto analisa um objeto estranho retirado do corpo.

    Parece sangue. Mas ele está endurecido e possui um formato que lembra mais um coral, com cores brancas e azuis aqui e ali. Ele acha mais desse material em tamanhos menores dentro do corpo. Infelizmente, um dos policiais acaba vomitando. Mirladan revira os olhos.

    — Veja, Arthur. Deve ser algo que te interesse. — Disse o inspetor, dando a volta pelo corpo e indo até o tenente, com o maior dos materiais em mãos. — Isso tem o formato de sangue, mas nem de longe a textura. Mas é como se já tivesse sido antes. Isso seria...?

    O tenente se põe a pensar. A expressão que toma mostra que aquilo certamente não é bom.

    — Peço que guarde isso. Irei precisar fazer algumas investigações a respeito. Te chamarei quando der. Diga para os policiais começarem a ajeitar os relatórios e a papelada para expedir o corpo ao Necrotério.
    — O homem foi morto por algum daqueles malucos?
    — É o que eu penso.
    — Mas... Eles não... Desapareceram?
    — Óbvio que não! Você não lembra que a guerra só parou por causa deles?

    Mirladan começa a olhar para os lados enquanto engole em seco. Está ficando um tanto desesperado.

    — Não é como se desejassem invadir essa cidade e destruí-la. Eu não acho que eles tenham capacidade pra fazer isso.
    — Você não viu o que fizeram antes com Darashia?
    — Darashia já está de pé de novo, o povo do deserto não pode ser derrotado com tanta facilidade. Vamos, Mirladan, coragem! Se ficarmos intimidados, não conseguiremos resolver essa crise em que Tibia se encontra.

    O inspetor respira fundo.

    — Pode ir, mas pelo amor dos deuses, tome cuidado. Se você morrer, jovem...
    — Não se preocupe. Tem outros onze Tenentes Especiais nessa cidade.
    — E nenhum deles sabe lhufas sobre esses assassinos.

    Arthur sorri, dá alguns tapas no ombro de Mirladan e vai até o seu cavalo. Ele informa aos policiais o que fará, e leva consigo o sangue endurecido, dentro de um pacote de papel, dado por um dos investigadores na área. Com aquilo, a cena deve ser limpada em breve.

    O Tenente segue cidade adentro, seguindo por alguns becos. Ele chega a uma área residencial que já está sob o toque de recolher estipulado pelas autoridades, e nenhuma das casas possui iluminação dentro delas. Há uma praça pequena por ali, mas estranhamente, não há iluminação nela.

    Arthur achou quem procurava. Um homem de chapéu e sobretudo negros, usando uma máscara vermelha pouco visível, surge de dentro das sombras. Com as mãos no bolso, afastado das luzes dos postes na rua principal, ele não chega nem a encarar o cavaleiro.

    — Boa noite, detetive. Acredito que não preciso dizer que desejo sua ajuda.
    — Não preciso das suas formalidades. Seja direto. — Responde o homem de chapéu, estendendo uma das mãos na direção do cavaleiro, exigindo algo.

    Arthur atira o saco de papel para o detetive, que o toma no ar sem problemas e guarda dentro de suas roupas.

    — O homem morto formava um símbolo estranho com os... Intestinos. Acho que você me disse que aquele símbolo de quatro pontas era...
    — Uma suástica. É um símbolo de paz e religiosidade, vindo dos nativos de Porto Esperança. Também existe entre uma antiga tribo de Vandura que já deixou de existir há algumas décadas. É um símbolo também presente no Palácio Asura.
    — O que um símbolo de religiosidade tem a ver com eles?
    — Significa que um dos Órgãos principais de Porto Esperança agora está nesse continente. Aquilo foi um aviso.

    Arthur começa a ficar aterrorizado.

    — Fará algo a respeito?
    — Não. Eu vou atrás do monstro por trás disso aqui. — Disse ele, abrindo o saco e revelando a si mesmo o sangue endurecido. — Sei quem é. Ele não deveria estar vivo, mas está.
    — Espere. E quanto a Thais?
    — Ora, rapaz, o Império se vira sozinho. Não é como se eles não conseguissem fazer mágica com seus mosquetes.
    — Mas...
    — Estamos em 507, Arthur. A magia e o mistério de Tibia já morreram. É claro que o inimigo já se adaptou as mudanças, mas os imperiais não são fracos ao ponto de não conseguirem fazer nada contra os vermelhos. E estou tentando ser otimista.

    Arthur não consegue deixar sua preocupação de lado. Ele volta a encarar a estrada adiante para o quarteirão onde está a sede do PDDC, com um olhar mais sério.

    — Que seja. Investigar essas coisas é o seu dever, não é? Faça isso. Se possível, traga as informações que conseguir para mim, e continuarei garantindo sua segurança e invisibilidade dentro da capital.
    — Pois bem.

    O detetive some nas sombras de novo, como se nunca tivesse pisado naquele lugar antes e não passasse de uma ilusão. Arthur guia seu cavalo adiante, e a praça volta a seu silêncio noturno habitual.



    ~*~




    Não existe mais paz naquela ilha gelada. Nem caos. Nem humanos ou animais.

    Mas ainda resta uma única vida.

    Sentada sobre uma placa de boas vindas para a ilha de Senja, ela observa o cavaleiro de ouro que acaba de chegar na praia. Ela ajeita seu anel de topázio em formato de losango, de coloração alaranjada, que brilha fortemente assim como seu colar, de mesmo formato. Sua roupa branca e seu capuz igualmente branco disfarça qualquer sinal que um dia aquilo já foi um humano.

    O cavaleiro faz uma prece rápida a qualquer deus que estiver observando sua luta, desembainha sua espada e observa.

    — Últimas palavras? — Disse o demônio sobre a placa.
    — Não se preocupe, Implacável do Massacre. Logo serei eu quem estará dizendo isso.

    Ela sorri, mostrando dentes afiados como os de um animal.






    Próximo: Capítulo 2 – St. Olias







    Notas:

    *: Ulna é uma pequena cidade como Fibula, criação minha. O nome foi tirado de um dos ossos do antebraço, semelhante ao nome Fibula, que é um osso da perna.
    Última edição por CarlosLendario; 14-04-2018 às 15:13.



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  4. #4
    Avatar de Neal Caffrey
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    Que Deus tenha piedade de nós. Que capítulo formidável.

    Antes, gostaria de fazer uma ressalva para quem possa interessar, e peço perdão pelo fato de que o seu tópico é o receptáculo disso: a seção Roleplay está abandonada. Está terminantemente longe de ser o que conheci, há 10 anos, mas isso é compreensível, afinal, muitos de nós deambularam para outra posição. O que não consigo aceitar é que a seção esteja como está. Sinto por aqueles que passam aqui diariamente e que não se manifestam sobre os contos que têm tanta qualidade e são continuamente objeto de atualização. Além de desincentivarem os excelentes escritores que temos (afinal, todos gostam de ver comentários sobre suas obras), acabam por fadar histórias magníficas ao insucesso. Mesmo considerando o que você me disse pessoalmente, a respeito do seu desânimo para a publicação de Bloodoath, peço que prossiga postando os capítulos. Se houver um único ser aqui que se disponha a te incentivar, vale a pena escrever para esse único ser. Considere-o a mim. Como sempre deixei claro.

    De volta ao tópico: secretamente, tomei uma decisão pessoal. Meus comentários abordarão alguns pontos da sua gramática. "Matheus, você quer me foder?", não, longe disso. Como a sua criatividade é ímpar, minha intenção é a de ajudá-lo a aprimorar sua escrita, que só tem melhorado. Então, antes de adentrar nos pontos específicos a respeito da história em si, gostaria de destacar alguns aspectos importantes.

    Primeiro: decida-se. A norma culta da língua portuguesa nos permite escrever os numerais por extenso antes de 10, e por numerais, após 10. Por exemplo: um, cinco, sete, 10, 14, 20. Há um ponto em que você aponta "vinte e seis" e, após, "Somos 507". Entende a discrepância? Faça esse ajuste. É uma idiotice, mas leitores chatos, imbecis e sádicos, como eu, varrem textos procurando por falhas e, se estamos procurando por elas, elas saltam aos olhos. Sabe como é.

    Mais:

    Odeio esses infelizes que acham que só porque não tem rugas [...]
    Quem "não tem rugas" não são os "infelizes"? Então, podemos livremente odiar esses infelizes, já que eles não têm rugas. É uma questão de concordância. Singular/plural.

    O Tenente segue cidade adentro, seguindo por alguns becos [...]
    Isso não é um erro, é uma chatice minha. Ele "segue" cidade adentro, "seguindo" por alguns becos. Saca a questão da repetição? E sabe o que é o pior? O seu vocabulário é vasto. Essas coisas passam mesmo pelas mais minuciosas revisões. Faz parte, mas fica a dica.

    Quanto à história, eu tô um pouco... abismado. Seria o detetive em Thais Nightcrawler? Ou será Dartaul? Teria Nightcrawler sobrevivido no embate contra Senzo? E, mais: a Irmandade, tida como extinta, retornou? Faz vítimas? Manda mensagens. Caralho. Que mindblow. Achei top demais.

    As vestimentas dos cavaleiros (perdão) me lembraram as dos cavaleiros templários. Aliás, com que riqueza de detalhes você é capaz de descrever alguma coisa. Sinceramente. Os policiais e o investigador foram desenhados diante dos meus olhos através das suas palavras. Sensacional. Pena que o tal do Scharvel, aparentemente, é um arrombado de primeiríssima monta. Apesar disso, na nossa nação, a Polícia Militar tem muito respeito pelas técnicas do Exército. É bom retornar a um ponto em que as instituições conflitam entre si. Gostei disso.

    Aliás, é importante pontuar uma coisa: este capítulo parece sofrer uma influência (positiva, não me entenda mal) de Death Note e Monster, dois animes... razoáveis, considerando a natureza de cada um. Mais Monster do que Death Note. Sim, cara, eu já assisti isso. Achei bom na medida do que podia ser. Obviamente, seu conto é um enredo melhor pra um anime do que a cabeça de qualquer produtor.

    Oportunamente:

    — Uma suástica. É um símbolo de paz e religiosidade, vindo dos nativos de Porto Esperança. Também existe entre uma antiga tribo de Vandura que já deixou de existir há algumas décadas. É um símbolo também presente no Palácio Asura.
    Essa é uma abordagem interessante. Como o pentagrama de Vênus, poucos conhecem a origem da suástica nazista. Ela tinha um certo fundo antes de se tornar um símbolo de ódio. Agora, de forma bisonha, lembrei-me do pessoal que tem espalhado gold coins no chão, dispondo-as e fazendo-as assumir a forma da suástica. Muita gente nas lives fica puto com isso.

    O capítulo é excelente e o enredo começou bastante bem. Fico feliz de, apesar de ser vinculada a Bloodtrip, Bloodoath visivelmente ter sua cara própria. Isso mostra o quão capaz você é como escritor.

    No guardo do próximo, Carlinhos! Abraço.
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  5. #5
    Avatar de Edge Fencer
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    Padrão

    E ai Carlos. Como eu fui bem negligente com a leitura de Bloodtrip e deixei acumular uma penca de capítulo pra ler, acho justo pelo menos dar um sinal de vida aqui nesse novo tópico. Primeiramente, fico bem feliz por você ter conseguido terminar Bloodtrip; tendo acompanhado a história por um bom pedaço eu já sabia que aquilo era algo que merecia ser concluído, e ver que, apesar de tudo, você conseguiu fazer isso dá uma boa sensação e um ânimo a mais pra ler o que eu perdi dela.

    Dito isso, já vi que levei uns spoilers nesse prefácio aí hahaha (nada mais justo, inclusive), mas nada que vá atrapalhar a experiência de leitura. Até porque a melhor parte das suas histórias é justamente a forma como são narradas, além da explosão de criatividade que você mostra todo capítulo. Tava com saudades desse seu ritmo de escrita bem característico, principalmente dos diálogos (sem dúvidas a sua especialidade). Como tem um bom tempo que eu só tô lendo mangás e textos acadêmicos, acabei ficando um pouco enferrujado pra ler narrativas desse estilo, mas mesmo assim consegui notar que sua escrita melhorou desde Bloodtrip. Boa!

    Por fim, peço desculpas por ter deixado de acompanhar o outro tópico. Sei bem que é difícil se animar quando não há retorno dos leitores, ainda mais numa história tão complexa e planejada como essa, mas é como o Neal disse: se você tem pelo menos uma pessoa te dando força, vale a pena continuar. Vou terminar de ler Bloodtrip o mais rápido que der, e assim que fizer isso irei acompanhar essa sequência aqui, que pelo começo já mostra que vai ser excelente!

    Segue firme ai, cara. Abraços!





    Son of a submariner!

  6. #6
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    Padrão Capítulo 2 - St. Olias

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Que Deus tenha piedade de nós. Que capítulo formidável.

    Antes, gostaria de fazer uma ressalva para quem possa interessar, e peço perdão pelo fato de que o seu tópico é o receptáculo disso: a seção Roleplay está abandonada. Está terminantemente longe de ser o que conheci, há 10 anos, mas isso é compreensível, afinal, muitos de nós deambularam para outra posição. O que não consigo aceitar é que a seção esteja como está. Sinto por aqueles que passam aqui diariamente e que não se manifestam sobre os contos que têm tanta qualidade e são continuamente objeto de atualização. Além de desincentivarem os excelentes escritores que temos (afinal, todos gostam de ver comentários sobre suas obras), acabam por fadar histórias magníficas ao insucesso. Mesmo considerando o que você me disse pessoalmente, a respeito do seu desânimo para a publicação de Bloodoath, peço que prossiga postando os capítulos. Se houver um único ser aqui que se disponha a te incentivar, vale a pena escrever para esse único ser. Considere-o a mim. Como sempre deixei claro.

    De volta ao tópico: secretamente, tomei uma decisão pessoal. Meus comentários abordarão alguns pontos da sua gramática. "Matheus, você quer me foder?", não, longe disso. Como a sua criatividade é ímpar, minha intenção é a de ajudá-lo a aprimorar sua escrita, que só tem melhorado. Então, antes de adentrar nos pontos específicos a respeito da história em si, gostaria de destacar alguns aspectos importantes.

    Primeiro: decida-se. A norma culta da língua portuguesa nos permite escrever os numerais por extenso antes de 10, e por numerais, após 10. Por exemplo: um, cinco, sete, 10, 14, 20. Há um ponto em que você aponta "vinte e seis" e, após, "Somos 507". Entende a discrepância? Faça esse ajuste. É uma idiotice, mas leitores chatos, imbecis e sádicos, como eu, varrem textos procurando por falhas e, se estamos procurando por elas, elas saltam aos olhos. Sabe como é.

    Mais:



    Quem "não tem rugas" não são os "infelizes"? Então, podemos livremente odiar esses infelizes, já que eles não têm rugas. É uma questão de concordância. Singular/plural.



    Isso não é um erro, é uma chatice minha. Ele "segue" cidade adentro, "seguindo" por alguns becos. Saca a questão da repetição? E sabe o que é o pior? O seu vocabulário é vasto. Essas coisas passam mesmo pelas mais minuciosas revisões. Faz parte, mas fica a dica.

    Quanto à história, eu tô um pouco... abismado. Seria o detetive em Thais Nightcrawler? Ou será Dartaul? Teria Nightcrawler sobrevivido no embate contra Senzo? E, mais: a Irmandade, tida como extinta, retornou? Faz vítimas? Manda mensagens. Caralho. Que mindblow. Achei top demais.

    As vestimentas dos cavaleiros (perdão) me lembraram as dos cavaleiros templários. Aliás, com que riqueza de detalhes você é capaz de descrever alguma coisa. Sinceramente. Os policiais e o investigador foram desenhados diante dos meus olhos através das suas palavras. Sensacional. Pena que o tal do Scharvel, aparentemente, é um arrombado de primeiríssima monta. Apesar disso, na nossa nação, a Polícia Militar tem muito respeito pelas técnicas do Exército. É bom retornar a um ponto em que as instituições conflitam entre si. Gostei disso.

    Aliás, é importante pontuar uma coisa: este capítulo parece sofrer uma influência (positiva, não me entenda mal) de Death Note e Monster, dois animes... razoáveis, considerando a natureza de cada um. Mais Monster do que Death Note. Sim, cara, eu já assisti isso. Achei bom na medida do que podia ser. Obviamente, seu conto é um enredo melhor pra um anime do que a cabeça de qualquer produtor.

    Oportunamente:



    Essa é uma abordagem interessante. Como o pentagrama de Vênus, poucos conhecem a origem da suástica nazista. Ela tinha um certo fundo antes de se tornar um símbolo de ódio. Agora, de forma bisonha, lembrei-me do pessoal que tem espalhado gold coins no chão, dispondo-as e fazendo-as assumir a forma da suástica. Muita gente nas lives fica puto com isso.

    O capítulo é excelente e o enredo começou bastante bem. Fico feliz de, apesar de ser vinculada a Bloodtrip, Bloodoath visivelmente ter sua cara própria. Isso mostra o quão capaz você é como escritor.

    No guardo do próximo, Carlinhos! Abraço.
    Salve Neal. A seção só está refletindo a situação do Tibia atual. Embora os bots tenham sido neutralizados de forma massiva, ainda temos o fato de que Tibia não é mais tão atrativo e muitos se renderam ao powergamming, lutando por mais e mais levels, e deixando os elementos tão ricos desse game para trás. Não é a toa que a nossa seção está tão parada.

    Eu agradeço por ajudar na gramática, alguns desses erros passaram pela revisão, mas assumo que o dos números é um mal costume que eu tenho. Vou corrigir isso nos próximos capítulos.

    Devo pontuar que tudo aqui é novo. Esqueça Nightcrawler, esqueça Dartaul. É um novo conto, mas ainda tem suas conexões e referências ao conto passado. Com o tempo, as dúvidas serão respondidas.

    E agradeço por todos os elogios. Me esforcei para detalhar tudo aqui, pois é uma história nova num outro período, que você entenderá melhor aqui nesse capítulo. Explicações sobre as coisas novas virão no futuro. Gostei dos animes que você pontuou que teriam uma influência aqui, mas devo dizer que esse começo tem um pouco de Ergo Proxy (baita dum anime por sinal) e, de fato, Death Note. O clima mais "animesco" de Code Geass já morreu, então eu diria que Bloodoath seguirá como algo mais sério e realista, na medida do possível. Sobre a suástica, é, acho que todo mundo descobriu a suástica distorcida antes da verdadeira e original, mas aqui eu não joguei ela de forma maligna, mas sim com um propósito. Não posso explicar ainda sobre o que é, entretanto.

    Agradeço a presença constante cara, espero que esse capítulo aqui esteja do seu agrado.


    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    E ai Carlos. Como eu fui bem negligente com a leitura de Bloodtrip e deixei acumular uma penca de capítulo pra ler, acho justo pelo menos dar um sinal de vida aqui nesse novo tópico. Primeiramente, fico bem feliz por você ter conseguido terminar Bloodtrip; tendo acompanhado a história por um bom pedaço eu já sabia que aquilo era algo que merecia ser concluído, e ver que, apesar de tudo, você conseguiu fazer isso dá uma boa sensação e um ânimo a mais pra ler o que eu perdi dela.

    Dito isso, já vi que levei uns spoilers nesse prefácio aí hahaha (nada mais justo, inclusive), mas nada que vá atrapalhar a experiência de leitura. Até porque a melhor parte das suas histórias é justamente a forma como são narradas, além da explosão de criatividade que você mostra todo capítulo. Tava com saudades desse seu ritmo de escrita bem característico, principalmente dos diálogos (sem dúvidas a sua especialidade). Como tem um bom tempo que eu só tô lendo mangás e textos acadêmicos, acabei ficando um pouco enferrujado pra ler narrativas desse estilo, mas mesmo assim consegui notar que sua escrita melhorou desde Bloodtrip. Boa!

    Por fim, peço desculpas por ter deixado de acompanhar o outro tópico. Sei bem que é difícil se animar quando não há retorno dos leitores, ainda mais numa história tão complexa e planejada como essa, mas é como o Neal disse: se você tem pelo menos uma pessoa te dando força, vale a pena continuar. Vou terminar de ler Bloodtrip o mais rápido que der, e assim que fizer isso irei acompanhar essa sequência aqui, que pelo começo já mostra que vai ser excelente!

    Segue firme ai, cara. Abraços!
    Então você tá vivo mesmo, Edge. Agradeço a presença.

    Cara, já vou adiantando pra você uma boa explicação: A visão do narrador do prefácio é a que os outros civis fora do ciclo "time do Nightcrawler" e "Irmandade" possuem. Eles pensam que tanto Nightcrawler quanto Dartaul morreram, mas a história é outra. Pra você saber o que de fato aconteceu, leia Bloodtrip até o final; Quando chegar aqui e pegar as referências, cagará tijolos ficará tudo mais claro e interessante pra você.

    Estou lutando pra melhorar minha escrita de forma que ela fique simples e fácil de se ler, ainda não acho que consegui isso, já que sempre há muito a se descrever, e não quero deixar isso massante. Mas, ao mesmo tempo, parece ter muita informação pra se ler. É complicado. Devo me encontrar aqui nessa história, talvez. Mas fico feliz em saber que ela melhorou.

    Fica de boa e leia no seu ritmo, quando tiver terminado Bloodtrip, deixa um comentário lá com suas impressões. E bem vindo de volta.















    Esse capítulo demorou mais que o habitual pra ser escrito, mas saiu um bom resultado, no fim. Ao menos eu acho. Digam vocês o que acham.

    Espero que gostem.






    No capítulo anterior:
    Um crime bizarro ocorre na capital de Thais, o que move muitos membros da Primeira Delegacia Distrital da Capital para o caso, incluindo membros do exército, como Arthur. Ele e um inspetor, Mirladan, recolhem provas estranhas que são dadas a alguém que conhece bem a respeito.





    Capítulo 2 – St. Olias



    Do terceiro andar de um apartamento, construído há sete anos, mas mostrando inúmeros sinais de malcuidado, ele lê um dos muitos livros finos que estão espalhados pelo apartamento. Em sua capa, está escrito “Ressurreição” e parece ter sido feito a mão, assim como os outros.

    Iluminado por apenas duas lâmpadas, ele para sua leitura para observar algo vindo diretamente de algo parecido com uma ponte, a uns bons metros de distância de sua janela. Da esquerda, ele, lembrando mais uma minhoca gigante de ferro furiosa em alta velocidade, corta o silêncio da noite, e revela gatunos na escuridão.

    O aerotrem, criação dos yalaharianos*, existe em alta quantidade dentro da capital de Thais, com várias estações espalhadas pela capital para tomá-los. Os trilhos elevados de ferro e aço que os sustentam foram criadas com magia e um alto suprimento de mana, mas com um esforço considerável e um alto número de trabalhadores. O objetivo era transferir recursos e suprimentos entre as regiões e distritos da cidade com mais facilidade no período de guerra, mas agora, todas as plataformas são usadas para transporte público, cujo é abusivamente caro.

    Ainda assim, quando a máquina passa e lança as luzes fortes de dentro dela no apartamento parcialmente iluminado, é possível ver muitas pessoas dentro dela. Alguns empregos costumam dar passagens mais baratas para andar nessas minhocas gigantes, mas esses empregados normalmente ficam nos primeiros ou nos últimos vagões. Os vagões centrais são os melhor trabalhados, com suas próprias cabines, para os mais abastados. Apesar de tudo, são muitos detalhes para se analisar pra algo que se move tão rápido, e necessitando apenas de mana líquida para alimentar seus motores relativamente simples.

    Mana líquida. O detetive na janela lembra a revolução que foi a criação dos gnomos em união com os yalaharianos. Algo que pudesse alimentar qualquer máquina e fosse capaz de fazê-la funcionar de qualquer maneira só poderia ser coisa de um mundo mágico.

    Mas isso não é o importante para o detetive, no momento. Seu livro fino, assim como os outros, apenas relembram e confirmam que sua missão naquela noite foi um sucesso.

    Ele, vestido apenas de uma calça preta e botas relativamente altas, desce para os andares logo abaixo. Não há ninguém para observar sua invejada musculatura nem comentar sobre a falta de modos, até porque o detetive tomou o prédio inteiro. Ao terminar de descer as escadas, ele se dirige por um corredor de paredes alaranjadas. O saguão do prédio possui apenas uma luz fraca no gabinete próximo da entrada, mas não possui ninguém atrás dele. Tudo isso para sinalizar que o prédio não está aberto para ninguém naquele dia.

    Há uma porta de madeira no final do corredor. Ele abre-a e desce as escadas, indo para o escuro. Ao terminar de descer, ele liga um interruptor logo ao lado da escada, e luzes de algumas lâmpadas pequenas revelam algo chocante no escuro.

    Há um homem preso num poste de aço curto. Adiante, lado a lado, estão painéis dentro de estruturas grossas de ferro, com canos grossos de metal atrás deles, de cada lado oposto aos painéis, ligados à caixas semelhantes a reservatórios de água nas paredes de ambos os lados. Há fios vindos desses painéis conectados a alguns dispositivos colocados no corpo deste homem, sustentados pela mana dentro de ambos os painéis. Esses painéis estão protegidos por uma porta de vidro do mesmo tamanho, que o detetive não hesita em abrir e acionar uma das suas seis alavancas.

    Um choque elétrico severo contorce o homem preso, que não grita. Leva alguns segundos para o detetive peculiar puxar a alavanca e parar o choque.

    — H-Hehe... Boa noite para você também, homem amaldiçoado.

    O torturado não parece exatamente um homem. Sua cabeça possui algo que lembra um capacete esquisito e sombrio, que retira sua visão, mas protege quase toda a sua cabeça. Há vários espinhos negros formando algo parecendo uma coroa, e dois maiores se destacam, indo na direção contrária ao seu rosto, com algo em torno de quatorze centímetros. Seus dentes são horríveis, banhados em sangue, bem como a parte visível do seu rosto, e o resto do corpo, que possui várias aberturas aqui e ali com corais saindo de dentro deles. Não há sangue nessas áreas, entretanto.

    Está com uma calça também, bastante surrada e suja. Há muita água e sangue no chão abaixo dele, e o poste onde ele está amarrado também está banhado em sangue. Aparentemente, ele esteve sofrendo com aquela tortura por um bom tempo.

    O detetive não parece estar tão paciente. Ele cruza os braços e encara o homem estranho com um olhar vazio.

    — Me pergunto quando que você finalmente irá se desfazer em água que nem o resto dos putos do seu Credo. — Disse o detetive, com um olhar sério e uma voz sombria e gelada.
    — Heh. Heheheh. Nunca. — Responde o homem estranho, com uma voz um pouco aguda, por pouco animalesca, digna de um psicopata em meio a uma crise sem fim.
    — Vamos, Stanni’al. Não tenho o dia todo. Explique-me melhor de onde você surgiu. Era pra você ter morrido junto com todo o resto, mas você está aqui ainda, vivo, e fazendo assassinatos a céu aberto no meio de cidades imensas.
    — Ora. Ora ora ora... Quer me exigir respostas... Sendo que nem responde as minhas? Além disso, eu lembro de ter te pedido um café.
    — O Credo de Sangue, a segunda geração da Irmandade, tem feito ressureições, uma atrás da outra, na tentativa de jogar os locais onde vocês não estão atacando em caos. É uma tática realmente covarde, mas não tenho tempo para saber como funciona. Quero saber porque não pensaram nem mesmo em ressuscitar Senzo.
    — Por que ele era um merda. — Responde rispidamente Stanni’al, sem hesitar.
    — E você era o amigo mais próximo dele.
    — Tá louco? Eu só não queria morrer. Senzo não era maluco, mas era perigoso. Ele tinha uma conexão com alguma maluquice de outra dimensão, e eu não faço ideia do que era.
    — E você escapou pois fugiu da visão dele antes do fim de tudo?
    — Fim do quê? Eu mal lembro da porra da minha vida antes de ser ressuscitado por aqueles moleques.

    O detetive põe uma mão no queixo. Finalmente começou a fazer suas perguntas ganharem respostas. Stanni’al está apenas fazendo um jogo com ele, e para conseguir o que quer, precisa jogar também.

    — Não lembra? Eles não te explicaram nada?
    — Não, ué. Me jogaram como responsável de um Órgão no norte de Carlin junto de três outros esquisitos. Quando percebi, eu já era o Coração deles.

    Ele lembra-se do termo como algo semelhante a um líder. E do Órgão como uma base.

    — E mesmo sendo o Coração, você simplesmente os deixou pra trás e decidiu vir para Thais?
    — Eles nos deram ordens. Fomos largados em Porto Esperança. Depois, em Thais.
    — E onde estão os sobreviventes?
    — Eles simplesmente desertaram e foram para o norte de Carlin de novo. Eles mencionaram o nome de um herói de guerra chamado de Olias, mas não me contataram mais nada. Agora, e o meu café?

    O detetive vira-se de costas e começa a refletir. Isso prova mais uma vez que os Órgãos não são formas de comunicação, e que eles utilizam outra coisa para planejar seus próprios objetivos, já que eles não possuem mais uma região central para se concentrarem como antes. Poucas são as coisas que ele pode fazer no momento com essas informações, mas aparentemente, o Império não é mais lugar para ele permanecer.

    — Ahh é. De vez em quando, eles trocam alguns nomes, e já vi mencionarem um detetive chamado de Redeater. É você? Digo, você tem aquela máscara vermelha e tal... E o nome combina com o que você faz. Quer dizer, reflita. Não é como se qualquer ser humano conseguisse matar um Sangrento agora, que nem antigamente. Heheh.
    — Acertou.

    O homem ativa uma alavanca diferente das outras, presente em cada painel, e sai do lugar a passos largos, enquanto um dispositivo estranho é ativado no teto. Algo grosso, pontudo e brilhante surge do escuro.

    — Ei... Não estava esperando por isso.

    Uma grande estaca de metal surge, presa e auxiliada por suportes de ferro, que a levam diretamente para o rosto de Stanni’al. Redeater continua seu caminho para o andar superior, subindo as escadas com alguma pressa, ignorando o som grotesco que a cabeça do seu prisioneiro faz ao ser atingida pelo objeto.




    ~*~




    Com uma mala verde-escura na mão esquerda, e um papiro relativamente pequeno na outra, ele encara o grande prédio diante dele. Logo depois, ele olha de volta para a anotação.

    — Hm... Manicômio São Olias. É aqui.

    No norte da capital de Carlin, há um vilarejo construído durante o período de guerra para enviar e receber suprimentos e armamentos com mais velocidade e melhor organização, mas agora, ele está praticamente abandonado. Poucas almas são corajosas de viverem nele, pois mesmo que seja uma comunidade recentemente construída, o lugar parece mais antigo do que deveria.

    Ainda há marcas da violenta guerra de anos atrás naquele lugar, com uma das torres de observação próximas do pequeno porto com um buraco gigante na lateral direita, provavelmente um feito de uma bola de canhão. O telhado das casas possuem muitas folhas, e parecem ter sido estragados com o tempo pela chuva e pela neve que nunca fora retirada, que derretia e estragava mais os telhados com o tempo.

    As várias casas ficam um pouco abaixo do morro onde o manicômio foi construído. É a única área realmente ativa do vilarejo de Olieri, ao oeste de Northport. A construção lembra a grande casa próxima do cemitério de Carlin, construída com tijolos escuros e estendendo-se para até seis andares, com um pequeno pátio na entrada após os muros. Ao lado da entrada, há um grande letreiro de metal com o nome do manicômio e uma pequena escultura de um guerreiro. O edifício bem largo, então provavelmente é fácil esconder alguma coisa lá.

    Redeater entra. Está com sua roupagem padrão, vestindo um sobretudo negro e aberto, mostrando uma camisa social cinza-escuro e calças de mesma cor. Suas botas e luvas são negras, assim como o chapéu relativamente largo na cabeça, mas sua máscara é vermelha. Ele é uma presença certamente peculiar, ao ponto de faltar apenas um corvo acompanhando-o em seu ombro.

    Ele se dirige ao saguão com passos calmos e intimidadores. O assustado recepcionista por trás de um balcão precisamente feito em madeira maciça, assim como o piso, as paredes e o teto, recebe-o a contragosto.

    — Redeater, detetive independente. Gostaria de conversar com o gerente.

    O recepcionista sai a passos largos sem dizer uma palavra sequer, entrando por uma porta bege na parede atrás do balcão. O detetive não se incomoda.

    O gerente do lugar surge pela mesma porta após algum tempo, e passa pela portinhola do balcão com velocidade e naturalidade. Tem um sorriso no rosto e um jaleco sobre o gibão marrom.

    — Coveiro! Como está?

    Redeater odeia profundamente esse apelido, mas seu assunto é de maior prioridade. E precisa que o gerente coopere.

    — Bem, gerente... — Disse, lendo rapidamente seu nome gravado em seu jaleco — Uldin. Gostaria de conversar em particular.
    — Claro, claro. Acompanhe-me.

    O detetive o segue até o andar seguinte, indo pelo corredor da entrada e subindo um lance de escadas. Mais um lance de escadas no outro andar e quase quarenta segundos e eles já estão numa sala relativamente pequena, com três estantes cheias de livros e uma mesa de escritório larga ocupando a parede com a janela simples de correr, junto de uma cadeira atrás. Uldin senta atrás da mesa e Redeater toma o outro lugar.

    Iluminados por uma única lâmpada no teto, a atmosfera mostra-se tensa e curiosa. Redeater está impassível, e Uldin mal sabe como começar, passando a mão pelo cabelo curto, fortemente atingido pela calvície, e também pelo pescoço, a mais vezes que pode contar. Está de frente para um detetive conhecido e temido, e o que mais o preocupa é que esse detetive sabe muito bem que ele está nervoso.

    Com isso, ele prefere quebrar o silêncio.

    — O manicômio está em boas condições pelo que observei até aqui. Os doentes ficam no terceiro andar e acima?
    — Ah, bom... — Balbucia levemente Uldin, agradecendo por ter sido salvo daquela situação a tempo — Há alguns aqui no segundo, mas aquele corredor é especificamente para aqueles com uma condição mental mais saudável.
    — Entendo. Bem, vamos ao assunto principal, se não se importa. — Disse o detetive, colocando os cotovelos sobre a mesa e juntando as mãos. Uldin assente com alguma hesitação. — Como informei-lhe no passado, quando te encontrei no leste da capital imperial, estou caçando o Credo. Mas conforme eles se separam e se espalham mais e mais, eu fico mais e mais sem informações. Mas recebi dados e rumores fortes a respeito desse manicômio estar servindo de esconderijo para dois ou três deles.

    Uldin engole em seco. Reação suspeita, no mínimo.

    — O que quer dizer? Coveiro, se tivesse qualquer um daqueles monstros aqui, eu saberia. — Defende-se fracamente Uldin, um pouco nervoso.
    — Fala como se você e seus vinte e sete funcionários soubessem o que acontece em cada canto desse manicômio. — Contra-ataca Redeater, sem rodeios, incentivado pelo apelido.
    — É, mas eu saberia! Meus funcionários são pagos para isso!
    — Está defendendo de forma podre seu próprio manicômio falho construído num vilarejo praticamente abandonado. Vamos lá, Clark Uldin. Não estou lhe acusando de nada. Eu quero me infiltrar aqui dentro e investigar. Se não tiver nada, eu irei embora sem que você perceba.

    Uldin encara-o de forma apreensiva.

    — Eu sei. Mas o quão ruim seria para mim e para a minha reputação se escapasse que esses assassinos e comedores de gente estavam escondidos aqui? Ninguém internaria mais ninguém nesse manicômio, eu sairia totalmente no prejuízo.
    — Você não irá perder nada. Minhas investigações são sigilosas.
    — Não sei se posso confiar totalmente em você. Além disso... Como vai se infiltrar? Precisa tirar essas roupas, e... Revelar sua face.

    Uldin sente que não deveria ter dito aquilo, mas Redeater não reage.

    — Mas já estou disfarçado.
    — O qu...

    Instantaneamente, alguém diferente surge na cadeira onde o homem estava sentado. Um rapaz com cabelos e olhos castanho-claros, não passando dos vinte anos. Tem olheiras enormes contrastando com seu rosto cansado. Também está com a roupagem comum dos pacientes do manicômio, com calça e camisa simples e de cor bege.

    — Quando... Você...
    — Pois bem. Tenho sua permissão? — Apesar do disfarce, ele permanece com a voz pesada.

    Uldin para pra raciocinar o que acabou de acontecer por alguns segundos, ao mesmo tempo que se esforça para encontrar uma boa resposta para o detetive.

    — É... Sim. Eu irei apenas criar um registro pra você e arranjar um quarto também. Preciso classificar seu nível psicológico também, e...
    — Apenas coloque o nome de Joseph Kamina. Alguém que passou por aqui antes, mas... “Desapareceu”.

    Uldin começa a ficar cada vez mais chocado com o tanto de informações que ele tem em mãos, mas decide fazer o que o homem diz. Não demora muito tempo até Redeater sumir da sala, como se não passasse de uma ilusão.


    Redeater agora é Joseph. O vislumbre do rapaz desaparecido parece chocar os funcionários, mas ele não dá importância, pois, naquele momento, ele é apenas um paciente. Um que não consegue conversar direito, e quando quer falar, fala um monte de baboseiras e fantasias. Combina com um detetive excêntrico.

    Na sala de estar do terceiro andar, o detetive permanece sentado num dos quatro sofás, divididos entre a sala de dois ambientes, um de frente para o outro, também contando com poltronas nas outras pontas, todas ao redor de uma mesa simples de madeira para cada sala. Há sofás menores encostados próximos de janelas, estes sempre ocupados por alguns pacientes específicos. Alguns simplesmente perambulam pela sala, ignorando os cinco funcionários, como se não fossem parte de seus mundos particulares.

    Há apenas um guarda na sala. Ele usa um uniforme semelhante ao dos policiais de Thais, e usa um quepe pequeno e simples, sem decorações ou qualquer outra coisa visível. Parece mais um segurança do que um policial.

    Redeater fica sentado por horas, analisando cada individuo. Durante esse tempo, ele já foi registrado novamente como Joseph, e que fora encontrado recentemente e internado de novo. É dito que Joseph agora tem condições mentais melhores, mas ainda é difícil de se interagir. O que é conveniente para o homem, que não deseja ser incomodado pelos médicos.

    Após uma longa espera, algo chama sua atenção. Algo surpreendentemente bonito.

    Uma mulher de pelo menos trinta anos, mas mais nova do que aparenta, segue para fora da sala. Ele não acredita ter visto ela antes, e isso o surpreende, pois ele já sabe o rosto de cada pessoa que está ou esteve ali com ele. Seus cabelos longos e negros, sua pele branca e bonita, e sua aparência levemente oriental o lembram de alguém, então ele opta por segui-la e ver se ela tem algo interessante para mostrá-lo.

    O homem mantém uma boa distância do alvo, que não chega a notar sequer alguma presença no corredor fora da sala. Ela caminha calmamente, com passos calculados e precisos, de alguém totalmente são. Ela parece mais diferente e atrativa que uma pessoa comum, principalmente pelas curvas precisas mostradas de vez em quando pelos reflexos de sua roupa de paciente, conforme ela se move. Algo assim não deveria estar tirando a concentração de Redeater, mas ele não consegue segurar seus próprios instintos.

    Que mulher. É o pensamento mais forte que teve nas últimas horas. Certamente há algo de errado com ela.

    Ela vai até o quarto andar e navega da mesma maneira pelos corredores, seguida de longe por ele. Os corredores tem paredes com design dividido, sendo a parte inferior aparentando ser feita de madeira, e a superior de algo mais forte, pintado de branco e com várias linhas pretas retas para o teto. Vez ou outra, ela passa uma mão por essas paredes, como se estivesse em paz com o ambiente.

    Quando ele nota um banco de madeira num dos corredores, seu raciocínio leva a crer que a moça irá parar ali, e logo iniciarão um diálogo. Mas, ao invés disso, ela decide surpreendê-lo.

    O braço esquerdo dela cai. Seguido do direito. Logo, a perna direita cai, seguida da esquerda, segundos depois, trazendo o torso ao chão. Um líquido de um azul muito claro, mais lembrando uma gosma, começa a sair dos ferimentos, e Redeater, parado, não sabe o que fazer.

    A cabeça, a última parte que deveria cair, ao invés de o fazê-lo, vira para trás. A mulher encara-o com olhos abertos ao limite, e com um sorriso. Um sorriso insano e assassino. O sorriso de um Sangrento.

    Os corredores tremem e começam a despencar, e a própria realidade ao seu redor parece estar falhando, como um reflexo sendo feito na água. Tudo dura pouco menos de trinta segundos.

    As coisas voltam ao normal rapidamente, mas a mulher não está mais ali, nem suas partes ou seu sangue esquisito. O corredor está vazio, e o detetive realiza que a perdeu.

    Há algo de errado com o manicômio.





    Próximo: Capítulo 3 – Akumonogatari





    Notas:

    *Na história passada eu chamava os cidadãos de Yalahar de Yalahari normamente, mas preferi mudar isso por causa do governador e do povo de Yalahar original não serem humanos, então eu estabeleci uma diferença entre eles: Os humanos são chamados de Yalaharianos ou Yalahariano, e o povo original de Yalaharis ou Yalahari. O governante é O Yalahari e sempre O Yalahari.
    Última edição por CarlosLendario; 18-04-2018 às 11:51.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  7. #7
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    Carlão Carlão...

    Enfim, devo parabenizá-lo por começar mais uma história. Saiba que estarei acompanhando esta, e que mesmo que eu não comente uma vez ou outra, estarei sempre lendo.

    Primeiro, eu iria começar o post respondendo o @Neal Caffrey , mas acho que você já cuidou da questão. Eu só gostaria de acrescentar, em minha defesa, que estou na mesma situação do @Edge Fencer , só que ressalto que nem mangas eu estou lendo. Não sei se é o cagaço da faculdade, mas caceti, como isso drena o tempo. Quero nem me imaginar fazendo isso e trabalhando

    Quanto à história em si, ainda está cedo para comentar. Só gostaria de acrescentar que não esperaria encontrar o Stanni’al no estado deplorável em que se encontrava, mas vai saber né...

    Btw:

    O objetivo era transferir recursos e suprimentos entre as regiões e distritos da cidade com mais facilidade no período de guerra, mas agora, todas as plataformas são usadas para transporte público, cujo é abusivamente caro.
    Cuidado com esse "cujo", ele não se encaixa como conjunção. Um simples "que", ou substituir a frase por "algo abusivamente caro" já seria o suficiente pra corrigir este trecho.

    Quanto ao detetive e o Manicômio... Me fora despertada a curiosidade. A história ainda está muito no começo, e não sei dizer muito quais rumos tomar; não creio que você vá fazer um outro jogo de "gato e rato" que nem fizera na história passada... Pelo menos não na mesma intensidade/intencionalidade.

    E enfim, é isso. Saiba que estou acompanhando, pois embora o meu corpo esteja na facul, a minha alma aqui está, perdida e jogada no mundo, com somente você e esta seção como meu refúgio


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  8. #8
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    Interessante a inserção do manicômio neste segundo capítulo. Parece-me que se tornará um ambiente chave no deslinde da história.

    As questões envolvendo a escrita do capítulo foram resolvidas, Carlos, só tome cuidado com a pressa e especialmente com a extensão de cada capítulo. Vou-te dar um exemplo: se tens a ideia de que a sua história tenha 30 capítulos de 10 folhas, não fará mal se ela tiver 60 capítulos de 5 folhas. Aconteceu comigo neste episódio: fui perdendo a atenção durante o capítulo e, em alguns momentos, precisando retornar para me lembrar do que já havia lido. Isso aconteceu mais ou menos no início do diálogo entre Redeater e Uldin. Deve servir-lhe de referência para o futuro. Sempre ocorreu comigo quando tinha que lidar com textos excepcionalmente longos. Excepcionalmente, não maçantemente, entenda a diferença.

    No mais, como já ressaltado antes, repito: a inserção de St. Olias, da forma como você fez, é interessante. Como não lembrar da famigerada "Ilha do Medo", de Martin Scorsese, com interpretação fantástica por Leonardo di Caprio? Como não elogiar o que Scorsese fez com uma história singela, talvez até clichê, simplesmente porque inseriu um ambiente adequado para ela?

    Finalmente, prossiga com a mesma pegada. Sei o que cada um dos elementos significa para você e a importância que você dá para eles individualmente e todos, coletivamente. Sei, também, que é detalhista nos seus máximos extremos, e sei que é o seu estilo. Considere, assim, considerando a sua habilidade mais importante, que é a de conceder detalhes aos seus elementos, ampliar a duração da história e, nesse sentido, produzir episódios mais curtos. Compreendo que alguns de nós tenham mais tempo e possam se debruçar sobre os capítulos sem grandes preocupações, mas, para alguém como eu, que tenho tempo escasso, sobrevivo para trabalhar e trabalho para sobreviver, pode acabar dificultando um pouco.

    Keep going, irmão. A pegada está excelente e, apesar de ligeiramente dissociados um do outro, os dois primeiros capítulos dão a tônica do que pretende ser (mais) uma excelente história de sua autoria.

    []'s
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  9. #9
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    Padrão Capítulo 3 - Akumonogatari I

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Carlão Carlão...

    Enfim, devo parabenizá-lo por começar mais uma história. Saiba que estarei acompanhando esta, e que mesmo que eu não comente uma vez ou outra, estarei sempre lendo.

    Primeiro, eu iria começar o post respondendo o @Neal Caffrey , mas acho que você já cuidou da questão. Eu só gostaria de acrescentar, em minha defesa, que estou na mesma situação do @Edge Fencer , só que ressalto que nem mangas eu estou lendo. Não sei se é o cagaço da faculdade, mas caceti, como isso drena o tempo. Quero nem me imaginar fazendo isso e trabalhando

    Quanto à história em si, ainda está cedo para comentar. Só gostaria de acrescentar que não esperaria encontrar o Stanni’al no estado deplorável em que se encontrava, mas vai saber né...

    Btw:



    Cuidado com esse "cujo", ele não se encaixa como conjunção. Um simples "que", ou substituir a frase por "algo abusivamente caro" já seria o suficiente pra corrigir este trecho.

    Quanto ao detetive e o Manicômio... Me fora despertada a curiosidade. A história ainda está muito no começo, e não sei dizer muito quais rumos tomar; não creio que você vá fazer um outro jogo de "gato e rato" que nem fizera na história passada... Pelo menos não na mesma intensidade/intencionalidade.

    E enfim, é isso. Saiba que estou acompanhando, pois embora o meu corpo esteja na facul, a minha alma aqui está, perdida e jogada no mundo, com somente você e esta seção como meu refúgio
    Diga aí Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    A história não vai ser parecida com a anterior, terá várias mudanças, mas gostaria de ir apresentando tudo aos poucos para situar o leitor nesse universo. Como foi visto nesse capítulo, eu adicionei uma nova era tibiana com mais tecnologias e afins, e preciso explicar aos poucos como ela funciona. Acredito que logo todos entenderão como tudo funciona.

    Bom, antes de você comentar, havia vários outros erros como esse que você mencionou que eu corrigi as pressas, acabei deixando esse passar, obrigado pelo toque. Meio que me empolguei um pouco escrevendo, ao ponto de deixar besteiras como essa passarem.

    Agradeço a presença e conto contigo nos próximos.

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Interessante a inserção do manicômio neste segundo capítulo. Parece-me que se tornará um ambiente chave no deslinde da história.

    As questões envolvendo a escrita do capítulo foram resolvidas, Carlos, só tome cuidado com a pressa e especialmente com a extensão de cada capítulo. Vou-te dar um exemplo: se tens a ideia de que a sua história tenha 30 capítulos de 10 folhas, não fará mal se ela tiver 60 capítulos de 5 folhas. Aconteceu comigo neste episódio: fui perdendo a atenção durante o capítulo e, em alguns momentos, precisando retornar para me lembrar do que já havia lido. Isso aconteceu mais ou menos no início do diálogo entre Redeater e Uldin. Deve servir-lhe de referência para o futuro. Sempre ocorreu comigo quando tinha que lidar com textos excepcionalmente longos. Excepcionalmente, não maçantemente, entenda a diferença.

    No mais, como já ressaltado antes, repito: a inserção de St. Olias, da forma como você fez, é interessante. Como não lembrar da famigerada "Ilha do Medo", de Martin Scorsese, com interpretação fantástica por Leonardo di Caprio? Como não elogiar o que Scorsese fez com uma história singela, talvez até clichê, simplesmente porque inseriu um ambiente adequado para ela?

    Finalmente, prossiga com a mesma pegada. Sei o que cada um dos elementos significa para você e a importância que você dá para eles individualmente e todos, coletivamente. Sei, também, que é detalhista nos seus máximos extremos, e sei que é o seu estilo. Considere, assim, considerando a sua habilidade mais importante, que é a de conceder detalhes aos seus elementos, ampliar a duração da história e, nesse sentido, produzir episódios mais curtos. Compreendo que alguns de nós tenham mais tempo e possam se debruçar sobre os capítulos sem grandes preocupações, mas, para alguém como eu, que tenho tempo escasso, sobrevivo para trabalhar e trabalho para sobreviver, pode acabar dificultando um pouco.

    Keep going, irmão. A pegada está excelente e, apesar de ligeiramente dissociados um do outro, os dois primeiros capítulos dão a tônica do que pretende ser (mais) uma excelente história de sua autoria.

    []'s
    Salve Neal, agradeço a presença constante.

    Esses capítulos de agora serão especialmente longos. Mas acho que preciso simplificar melhor as coisas, e é o que tenho tentado buscar ultimamente, já que meus capítulos só tem ficado mais e mais longos. Isso é um pouco incômodo, levando em conta que não há muita coisa acontecendo.

    Minha abordagem com St. Olias é baseada numa história que li há muito tempo, também com um pouco do que você mencionou e outro filme parecido. Certamente deixará de ser meio chato em breve. Espero também que com esse capítulo as coisas fiquem mais interessantes, pois não planejo tomar muito tempo nisso, não seria justo com os leitores.














    Vamos desenvolvendo o mistério desse início. Não sei se vocês tem dúvidas a respeito do detetive, mas talvez esse capítulo gere mais algumas.





    No capítulo anterior:
    Redeater captura um membro da antiga Irmandade, Stanni'al, e descobre que pode haver alguns deles escondidos no manicômio São Olias, então ele se dirige para lá, se disfarça e vira um dos pacientes. E rapidamente ele descobre coisas estranhas por lá, como a ilusão de uma mulher muito bonita.





    Capítulo 3 – Akumonogatari
    Parte 1




    O jovem Joseph seguiu o toque de recolher do manicômio sem pensar em escapadas no meio da noite para investigação, pois dedicou o resto do dia para tentar achar algo a respeito daquela mulher, mas não encontrou nada. É como se ela fosse um fantasma.

    Ele acordou de forma perturbada no dia seguinte. Sabe que o Credo não se trata exatamente de um grupo de fantasmas, então aquele foi um tanto peculiar. Um caso que normalmente ele não lida, e não encontra. Mesmo usando os momentos de fazer os remédios matinais sumirem da sua vista e de se organizar para mais um dia de investigações, ele não conseguiu pensar em nada parecido com o que viu no dia anterior.

    Com isso, o detetive permanece em total alerta pelo resto do dia. Seja na hora do café da manhã, almoço ou eventuais tempos livres para andar no pátio dos fundos do manicômio e tomar sol com os outros pacientes, seus olhos correram todas as pessoas que passaram perto dele, sem resultados.

    A mulher realmente parecia uma ilusão.

    Então, ele deve retornar para onde viu a ilusão.

    Ele vai até a sala do terceiro andar que esteve no dia anterior, e aguarda. Ficou algumas horas no mesmo sofá do dia anterior, atento a movimentos e observando as pessoas. Sua vigília pode dar algum fruto, ou pode ser novamente um fracasso, principalmente pelo cheiro de ervas que insistentemente o distrai.

    Felizmente, uma mulher como a do dia anterior surge. Ela deixa a sala onde esteve antes, do mesmo jeito curioso, e atraindo o detetive da mesma maneira. Mas agora ele tenta suprimir os estranhos sentimentos que surgem ao aproximar-se dela. Precisa ter controle para evitar um erro grave.

    Ele observa os passos da mulher ao longo dos corredores que levam até o quarto andar, aonde eles novamente chegam ao mesmo lugar de antes. Ela para novamente, mas pra sentar-se no banco. Ela olha para os lados, com alguma curiosidade.

    Redeater finalmente foi descoberto pelos olhos verdes e brilhantes daquela moça. Ele, no entanto, não mostra reação.

    — Boa tarde. Eu acredito que seu nome seja Joseph, não é?

    Redeater assente de forma indiferente. Não está surpreso dela conhecê-lo.

    — Sou Lana. Perdão se meu comportamento parece um pouco estranho para você, mas sou alguém que está próximo de sair desse lugar.
    — Oh. Está recuperada, então?
    — Felizmente. Ou infelizmente. O que seria melhor, passar minha vida nessa pequena prisão a frente de um litoral tranquilo, ou me aventurar no mundo sombrio e mecânico do lado de fora?
    — Depende do que lhe deixar mais confortável. Se prefere ficar aqui, respirando o cheiro de ervas e remédios, convivendo com surtos de seus companheiros ocasionalmente, encarada como mais uma problemática e nunca descobrindo sequer o que é liberdade, bem, que seja.
    — Eu não sinto que minha liberdade foi retirada, mas tem razão. — Lana direciona um sorriso tão bonito para o detetive que ele quase perde sua conduta. — A propósito, você já está aqui há um bom tempo, mas sei que não conversa com ninguém. Você deveria tentar. As pessoas daqui são tão honestas, tão bondosas e criativas, sempre com algo novo a mostrar, ou um novo ponto de vista para as coisas. São indivíduos melhores que aqueles que me esperariam lá fora.
    — Então você não está recuperada.

    Lana é tingida rapidamente por um tom melancólico.

    — Quem sabe... Estou há tanto tempo esperando para poder andar um pouco em Olieri...
    — Não encontrará nada senão ruínas e algumas casas para os funcionários.
    — Oh, verdade. Você esteve lá antes, não é?
    — Não olhei muita coisa. Não passa de um lugar praticamente abandonado.
    — Ao menos não está totalmente abandonado.

    Joseph suspira. Ele ia perguntar alguma coisa, mas Lana o interrompe.

    — Bem, você gostaria de sentar-se um pouco aqui? — Disse Lana, apontando para um lugar livre no banco. — Não se preocupe, esse lugar é tranquilo e não há muita gente aqui.

    Ele não vê porque recusar, já que a mulher é seu alvo no momento.

    Ao sentar-se no banco, ele nota melhor a área ao seu redor. O banco fica próximo de uma bifurcação que segue para o lado direito, enquanto o banco fica no corredor para uma direção reta, seguindo exatamente o caminho iniciado da escada para o andar em que estão. O barulho é mínimo, quase inexistente. Para Joseph, é como se ele tivesse entrado em um mundo próprio onde apenas ele e Lana existiam.

    Algo muito estranho considerando que eles acabaram de se conhecer. Ainda assim, ela parece estranhamente familiar.

    — Bem, Joseph... — Disse Lana, ainda um pouco melancólica — O que acha de estar aqui?

    Lana possui um cheiro doce, um pouco forte, apesar de não haver sequer frascos de perfume por ali. Até seu hálito é doce e notável, embora tenham uma relativa distância um do outro. Apesar de tudo, o detetive mantém seu papel, apenas aprofundando-se um pouco mais num personagem que nem mesmo conhece; Ele apenas precisa não parecer estranho próximo dela.

    — Ruim. Não gosto do ambiente, nem da comida, nem das pessoas ao meu redor.
    — Imagino. Deve ser o que te levou a fugir daqui.
    — Não exatamente. Só não gosto daqui, mas, ao mesmo tempo, não gosto de lá fora. Não há nada que me espere, assim como não encontrarei muito se decidir ir atrás.
    — Bem, ao menos você encontrará alguma coisa... Certo?
    — Você é sempre tão otimista?
    — É... Talvez seja um defeito meu. — Disse, serenamente, mas com certa tristeza. Joseph sente-se um pouco mal por isso.
    — Só será um defeito se você decidir ser assim o tempo todo, mas, ao mesmo tempo, ajudará pessoas perdidas a encontrarem seu caminho. Você parece ser do tipo que daria cor a uma alma cinzenta e vagante.

    Por algum motivo, Lana sente que aquele comentário é mais particular do que aparenta.

    — Eu nunca consegui fazer isso, de qualquer maneira. As pessoas continuam se perdendo em ilusões fabricadas por elas mesmas. De qualquer maneira, fico feliz em ter sido de ajuda para elas, ao menos uma vez. É o que me importa.
    — Mesmo que elas nunca mais se encontrem novamente?
    — Eu... Não gosto de pensar nisso, sinceramente.
    — Bom, eu não acho que seja algo relevante de se pensar. Você deve ser uma pessoa realmente boa para se preocupar tanto.

    Lana sorri triste.

    — Então... Talvez você esteja consciente?
    — Defina “consciente”.

    Lana dá uma pausa antes de começar o que pode ser uma longa contemplação.

    — Consciente... Da visão dos médicos, dos funcionários, da sociedade atrás dos muros altos, de dentro das grandes cidades lançando poluição aos céus, do povo que estraga a criação de Tibiasula a cada dia... Não passa de um “estou controlado”. De um “não sou um empecilho”. De um “estou sobre o comando dos poderosos e deles nunca duvidarei”. Você já viu como as amazonas tratam os homens? Você já viu como as guerreiras carlinídeas os desprezam e tratam como lixo? Notou que acontece o contrário em Thais? E nós, que queremos dar uma visão diferente para o mundo, que não queremos desprezar ninguém, que queremos assegurar que pessoas ruins não tomem o controle de tudo, por que somos jogados, colocados aqui? Somos empecilhos? Somos... Pessoas?

    “Será que merecemos estar no mesmo mundo que essas pessoas que nos colocaram? Talvez alguns de nós precisem de fato de tratamento por mal conseguirem falar ou dialogar normalmente, mas e aqueles que conseguem, mas ainda são obrigados a ficar aqui? Afinal, por que diabos eles ainda estão aqui?”

    “A consciência pode ser relativa. Mas se avaliarmos pelo lado das pessoas comuns, da sociedade em si, pode-se dizer que não passa de aceitação sobre a própria miséria e ignorância, Joseph. Aceitar que você nascerá, viverá e morrerá sendo apenas mais uma alma num mundo imenso e vasto, cheio de oportunidades que serão constantemente retiradas de você por pessoas mais abastadas e capacitadas do que você.”

    “É por isso que eu não gostaria de deixar esse lugar. Eu sinto bem mais que minha alma está iluminada do que lá fora, onde basta uma fagulha para que a guerra comece de novo. Não quero isso.”

    Joseph encara-a por alguns segundos, sem ter uma resposta clara para dar a mulher.

    — Você não está recuperada, então.

    Agora é Lana quem o encara da mesma maneira, mas pouco depois, ela começa a rir.

    — É, não estou.

    Após dar para Joseph mais um belo sorriso, eles conversam sobre coisas comuns, tentando entender e conhecer melhor o outro. Um longo tempo de conversa se segue, sem muitos sinais de que algum dos dois deseja parar aquele momento. No fundo, Redeater, o detetive sombrio, sente algo depois de muito tempo no escuro. Não é um sentimento pela mulher, mas um sentimento bom para si mesmo, talvez alegria, talvez satisfação. A positividade da mulher poderia facilmente entrar em conflito com ele, mas não é o que está acontecendo.

    Quando o sol está finalmente se pondo, iluminando as janelas na parte superior do corredor esquerdo e lançando luzes quase vermelhas dentro do edifício, eles percebem que passaram tempo demais ali. Mesmo que Joseph não dê importância, Lana parece incomodada.

    — Veja, o sol já está se pondo... Terei de ir.
    — Para onde? Falta muito para o toque de recolher.
    — Possuo alguns testes psicológicos para serem feitos sempre no começo das noites, todos os dias... Não posso faltar. São compromissos importantes.
    — Se importaria em dizer do que se trata?
    — Um pouco. Talvez eu te conte futuramente. — Disse, levantando-se do banco e espreguiçando-se levemente — Verei você amanhã aqui?
    — Não é como se eu tivesse uma agenda cheia. Afinal, veja onde estou.

    Ele entende, e decide deixá-la ir. Ela se despede rapidamente e segue pelo outro corredor à direita, que provavelmente a levará para o quinto andar. Ele não diz uma palavra, simplesmente a deixa partir. Ele também tem seus próprios compromissos.


    ~*~


    Joseph entra na sala do gerente apenas para vê-lo lendo um livro estranhamente grosso em sua cadeira, enquanto a janela aberta deixa a brisa do fim do dia dar-lhe a atmosfera que precisa para imergir no assunto deste, seja lá qual for.

    — “Vagamente Vivo”, de Gand Villiarda, um escritor vanduriano que se popularizou com a depressão surgida do último ano da guerra, escrevendo... Contos eróticos. Que gostos peculiares, Sr. Uldin. — Disse Redeater, parado em frente da porta fechada da sala, com seu traje habitual e as mãos nas costas.

    Obviamente, o gerente se assusta, mas consegue se controlar e não perder toda a compostura.

    — Coveiro! Diabo, me assustou. Bata na porta antes.
    — Quando eu a abri, você teve tempo suficiente para esconder esse livro, mas nem notou minha presença. Acredito que isso aconteça com certa frequência, estou errado?

    Uldin fita-o nervosamente e guarda o livro.

    — De qualquer maneira, eu sei que esse livro não é erótico. É uma filosofia um tanto cômica sobre a morte por trás de uma história bonita de um casal burguês. Leitura simples se não reparar nesses pontos.
    — É, é, talvez. Mas o que você quer? Eu sei que não veio aqui pra conversar sobre livros. Além disso, seu disfarce...
    — É provindo de uma runa criada com referência a Runa Chameleon*. Peguei um dos seus registros mais próximos do balcão de entrada e repliquei na runa. As próximas continuarão imitando ele.
    — Então isso significa que preciso proteger melhor meus registros.
    — Não se preocupe com isso, gerente. Estão bem protegidos. Só não de mim.

    Uldin cruza os braços, impaciente em sua cadeira.

    — Certo. Eu gostaria que arranjasse quaisquer informações sobre uma paciente conhecida como Lana.
    — Lana? Tem várias aqui, acho que isso vai tomar algum tempo. Não pegou o sobrenome dela, ao menos? Talvez o número de registro na camisa dela?

    Redeater mal podia acreditar que deixou algo tão importante passar.

    — Apenas me informe sobre testes de melhoria e recuperação psicológicos que existem por aqui e os que contam com alguém agora mesmo fazendo. Encontraremos ela dessa maneira.
    — Uh... Agora mesmo?

    Redeater não gosta da resposta.

    — Segundo o regulamento principal de hospitais de recuperação mental e psicológica dentro do estado do Grão-Reinado de Carlin e Amaza, todos os responsáveis pela administração destes respectivos-
    — Tá bom, eu já sei! — Interrompe furiosamente Uldin, não gostando de como o detetive duvida dele ou de seu hospital — Acontece que eu sou um gerente e o verdadeiro fundador desse hospital morreu há tempos, então sobra tudo para mim. Eu coloquei horários certos para receber todos os relatórios dentro de um intervalo de cinco horas pra melhorar minha própria situação aqui. Não recebi o que cobre o final da tarde, então logo receberei. Na verdade, acredito que será daqui a pouco.

    Um clique. Redeater assume a identidade de Joseph em menos de um segundo, enquanto uma enfermeira entra na sala. Vestido branco, indo até um pouco além dos joelhos, com uma pequena jaqueta cinza cobrindo os braços, os ombros e um pouco além do busto notável, esse é o uniforme padrão de muitas das enfermeiras da região, que raramente são atraentes por culpa da Rainha Eloise.

    Ela entrega uma pasta azul relativamente pequena para Uldin, que agradece. Ela faz alguns comentários irrelevantes para o detetive e então logo vai embora, praticamente ignorando a presença de Joseph. Menos mal para ele.

    — Pronto, agora, se me der algum tempo, vou procurar algo relacionado nos últimos minutos.
    — Seja rápido.

    Joseph senta-se na cadeira em frente da mesa do gerente, aguardando pacientemente sua checagem um pouco lenta dos últimos relatórios. Ele nota, entre os olhares sérios e concentrados que Uldin lança aos pergaminhos, algum receio. Dúvida. Estranheza.

    Ele já tem sua resposta.

    Joseph se levanta rapidamente e se dirige para a porta de saída, surpreendendo o gerente.

    — O quê? Já vai? Não achei ainda o que precisa!
    — Não tem nada aí sobre nenhuma Lana. Eu vejo no seu olhar.
    — Como assim? Eu ainda não chequei tudo!
    — Não entendeu ainda, Uldin? — Indaga com seriedade e irritação o detetive — Eu não estou aqui para perder tempo. Tem algo errado com o seu maldito manicômio. E eu preciso resolver isso.

    Sem falar mais nada, Joseph sai da sala. Uldin está preocupado, afinal, de fato, não há nenhum teste programado para as próximas horas. Lana mentiu para ele. E levando em conta a primeira visão que teve ao ir atrás dela, sabe que há algo de errado com ela, e isso pode ser somado à inquietação que ela demonstrou ao notar que o sol estava se pondo. Mesmo que já esteja anoitecendo, ele precisa, ao menos, achar alguma coisa sobre ela.

    Com passos ágeis, ignorando olhares estranhos dos funcionários e médicos e menções de pará-lo por pensarem que ele está em alguma crise, ele chega rapidamente ao quarto andar e toma o mesmo caminho que Lana usou antes. Seguindo pelos corredores, ele checa pra que cada uma das salas e quartos servem através das placas do lado de fora, mas não hesita em abrir a porta de alguns deles. Encontra algumas salas vazias, armários, depósitos, mas nada que corresponda a “testes psicológicos”, como ela mencionara antes.

    Ele está indo para o quinto andar quando ouve um som estranho. Baixo, distante, mas audível e preocupante. Lembra uma música, tocada de maneira estranha e rebarbativa.

    Enquanto desce as escadas, ele continua ouvindo o som. Usando sua audição de guia, ele ignora sua visão e concentra-se nos sons, seu segundo melhor sentido. Conduzindo-se de forma precisa pelo corredor mesmo com os olhos fechados, ele chega até uma porta dupla de correr fechada. Feita de bambu, é diferente das outras e bem curiosa. O suficiente para Joseph abri-la sem hesitar.

    Escuro. Ele simplesmente procura um interruptor nas paredes dos lados, alheio à música e aos sons estranhos daquela sala.

    Antes de achar um e ligar, ele reconhece os sons. Um piano suave. Dentes. Carne. Encontram-se, se unem, mas não se tornam nada. Um existe para ser destroçado pelo outro, desconhecendo a piedade. Não há cena para ser vista, mas há um cenário belamente bizarro para ser imaginado pelas mentes mais criativas, somado pela música que parece sair de uma caixinha de som.

    Utevo Max Lux. — Pronuncia Redeater, irritado e alheio a chance de ser atacado por ter feito isso.

    Eu continuo gritando para Deus...

    Bem o que ele imaginava.

    Na sua frente, está Lana, morta, sendo destroçada por um cão enorme, preto e amarelo. Não há terror ou dor em seu rosto, mesmo após a morte.

    Na verdade, há um pequeno sorriso nele, que contrasta com a sua mão que permanece repousada sobre a caixinha de música ao seu lado. A única coisa que combina ali.


    Redeater respira fundo.




    Próximo: Capítulo 3 – Akumonogatari II
    Última edição por CarlosLendario; 02-05-2018 às 12:14.



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    Padrão

    Caralho, que desgraça. Quando eu tinha começado a gostar do personagem, você o matou. Infeliz.

    Este é um capítulo bastante reflexivo, afinal. Redeater deambula por alguns aspectos interessantes da própria consciência e consegue extrair algumas boas informações de Lana, mas ela é muito vaga, mesmo assim. Fica um quê melancólico nesse final. No fim das contas, parece a estadia do detetive em St. Olias vai se estender por mais tempo do que ele gostaria, ainda mais agora que ele se afeiçoou com uma das pacientes e, repentinamente, ela apareceu morta.

    No mais, parece um capítulo que cumpre com as suas expectativas. Ainda introdutório, como os demais, mas parece já fornecer feições para a história.

    Em tempo: sua escrita com relação ao capítulo anterior evoluiu. Apenas alguns pequenos pontos com relação à norma culta, mas, afinal, é bom não engessar o texto. Fluido no que precisava ser e preciso no que dependia dele. Dou-lhe os parabéns pela evolução.

    Mais: existe uma certa qualidade nos seus textos que gostaria que os meus tivessem também. É que, sempre que formulo uma fala, sinto a necessidade de descrever a reação dos personagens em tempo real. Por exemplo:

    - Não, não, não - responde Jason, revirando os olhos, ao que Leonard pareceu ligeiramente ofendido. - Agora não, Leonard.
    Entende o que quero dizer? Teria sido suficiente se fosse tão somente:

    Não, não não. Agora não, Leonard.
    O problema é que não consigo fazer isso. O fato de que você consegue me faz refletir sobre como, especificamente. Gostaria de ter essa habilidade.

    No mais, aguardo pelo próximo, irmão.

    Abraço!

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