Muito bom ter sua presença de novo por aqui, Izan.
Esse dilema tem certa relação com o que escrevi, sim. Dartaul pensa estar sozinho enfrentando o inimigo, mas esqueceu que sempre teve apoio e gente com quem contar. Não foi bem minha intenção dar uma reflexão pro leitor, mas você encaixou bem isso aí.
Vamos que vamos, quero ver suas impressões sobre os outros capítulos também. Espero que continue por aqui.
Eu só fui reparar que seu comentário foi há quatro meses depois de ter visto o comentário do Izan lol:
Obrigado pela presença, Neal, de verdade. Anda meio difícil se manter na estrada de ser um escritor, mas sempre dá pra achar uma razão pra continuar.
Referências sempre vai ter, mas o coitado vai continuar mortoCom o tempo você vai reparar nas mudanças e ver que o estilo de Bloodtrip ainda se mantém. Embora eu tenha salvado Zoe e Aika da morte (Zoe de League podia continuar no chão sempre que mato essa desgraça), bem como a rainha Heloise, aqui não vai ter mais curvas suficientes pra salvar personagens. Se morreu, morreu.
E o primeiro trecho, com a fonte diferente do usual, é uma lembrança. Vou passar a abordar esses flashbacks dessa maneira, e caso quem esteja lendo goste, eu continuarei com essa ideia nova. Ali, temos Dartaul e Aika de meia-idade, passando-se 7 anos após Bloodtrip. É o mesmo período que uma pequena história que eu estava planejando escrever no ano passado (Não é a que eu estava mostrando).
Bem, não sei se vou continuar tanto tempo por aqui, a seção ainda tá a mesma merda. Mas vamos ver.
Capítulo 8 – Caravana
Redeater estava quase dormindo, perdendo para a noite calma que o cercava, quando lembrou-se de um sonho recente. Ele lutava contra um dragão. Um dragão emplumado. Tudo que o detetive fazia era fantasioso, até mesmo as armas que usava. Não possuía tanto poder, e provavelmente aquele dragão era muito mais grandioso e ameaçador do que os que Tibia podia oferecer aos seus aventureiros.
Seus tempos de aventureiro foram muito simples. Ele se recorda de ter enfrentado um dragão, mas o grupo que o acompanhava era muito fraco, e ninguém conseguiu desferir um golpe fatal na criatura. Então, era um tanto quanto inimaginável para ele se imaginar numa armadura, lutando contra uma besta do tamanho de um castelo.
Esse não é seu tipo de trabalho, não é seu mundo. O mundo em que ele vive agora é totalmente diferente, e é bem mais podre.
Em parte, isso pode ser culpa do fato de Redeater não se banhar há duas semanas, mas coisas piores aconteceram, e outras prioridades surgiram. Além disso, ele não esteve com ninguém além de Ankari e Zidaya desde então. Mesmo agora, lá está ele, próximo delas, enquanto elas conversam com Gala, numa carruagem coberta. Ele está numa pequena carroça que está sendo puxada por essa carruagem, que por sua vez é puxada por dois corcéis bem cuidados. Sua carroça simples é onde se guarda equipamentos, bolsas e qualquer bagagem. Redeater não é bem uma bagagem, mas está apreciando o fato de estar sozinho, de certa forma.
Esse dragão de que está pensando é bem bonito.
A voz de Varmuda é uma das várias coisas que tiram seu ânimo em qualquer dia.
— O que quer? — Dispara o detetive, sem tanta paciência.
Traços de um espírito saem do corpo do detetive, que sente um incômodo notável sempre que isso acontece. Essas formas que o deixam formam uma segunda pessoa, que leva algum tempo pra deixar de ser algo disforme e se tornar humano, porém, laranja e transparente. E lá está Varmuda, com suas calças desérticas, sua túnica oriental, seu cachecol que cobre sua boca. Os cabelos dela são muito longos, e não há nada que se destaque em seu busto. Ela nem de longe possui uma forma atraente, pois isso não a faria diferente das fúrias e súcubos que tanto odeia.
— Conversar.
— Você tem um inferno inteiro para escolher e decide atazanar a mim?
— Estava pensando sobre nossa conexão.
É um tipo de conversa que eles não têm com frequência.
— Fomos para um mundo completamente desconhecido e ainda conseguimos lutar contra um bando de seres que imitam os humanos. Eu ouvi falar que eles são banidos da realidade em que vivemos pelos próprios criadores, e que até Zathroth os odeia.
— Jura? — Redeater não faz esforço em não mostrar seu desdém.
— Até o dragão do seu sonho é algo que Zathroth adoraria fazer em pedaços.
— Que sonho? Eu me lembro de ter enfrentado aquilo.
— Como é? Desde quando você, um mero detetive, caçador de criaturas imortais humanoides, consegue lutar contra um dragão daquele tamanho? E com aqueles poderes?
— Pare de bobagens, sua imbecil. Eu me lembro bem. O dragão era uma deusa, e...
Ele para por um instante e pensa. Sua história não possui coerência alguma. Embora ele tenha enfrentado meio-dragões num prédio extremamente moderno, ele nunca recebeu de Varmuda uma armadura como a daquele sonho, capaz de suportar tantos golpes diferentes, nem de usar uma lança. Suas armas são armadilhas programadas, balestras e bombas preparadas em esconderijos ligados a seu poder de se conectar a lugares distantes, suas magias de paladino, e sua pistola.
— Lá atrás, você matou uma mulher loira completamente desproporcional e avantajada, bem ao lado de uma humana, isso é verdade. Mas o que ela fez, antes de perder a vida, foi tentar mudar sua percepção de realidade pra tentar destruir sua mente, te deixando louco. Ankari te salvou disso. Foi um golpe e tanto.
Talvez a deusa dragão, intitulada de Quetzalcoatl, realmente tenha conseguido usar aquele golpe final. Mas não foi tão eficiente quanto ela esperava.
— E quanto a Gala? Eu a vi do alto de um prédio.
— Viu quando terminou de matar o meio-dragão que você achou que matou com um gancho. Aquele foi o verdadeiro desafio.
No fim, ele não se lembra da verdadeira luta que teve. Mas lembra de ter visto Gala, e aquilo não era ilusão. Ele respira fundo, decepcionado. De nada adiantou lutar tanto nos últimos dias, pois não recebera nenhuma informação útil. Aika ainda parece tão distante quanto a própria lua, em meio àquela noite silenciosa.
— A viagem está boa aí atrás, mascaradinho?
Ankari surge como um lampejo por trás da tenda. Tudo que vê é o detetive de braços cruzados, embora tenha achado que ele estava conversando com alguém.
— Gostou da minha máscara?
— Hmm... Bom, não é do meu gosto, mas admito que tem seu charme.
Redeater está com outra máscara, pois perdeu a última, de alguma maneira. Ainda vermelha, mas dessa vez, só há um olho nela, e ao redor deste, está muitos pequenos ornamentos de estilo venoreano, lembrando caules de rosas, algo que muito combina com Venore. Há um círculo pequeno e negro presente no lado onde deveria estar o olho esquerdo.
— A propósito, meus remédios não te deixaram caolho, deixaram?
O detetive preferiu se reservar da resposta. Meio deslocada, Ankari decide sentar-se onde Varmuda estava antes. Não teve uma chance ainda de saciar sua curiosidade a respeito do homem, e agora é a hora perfeita.
— Então, por que estamos indo para a capital?
— Reforços.
— Você tem reforços na capital do império? Aquele não parece lugar para detetives como você.
— Qualquer lugar é lugar para um detetive como eu. Não fico em qualquer lugar por muito tempo, pois o que busco pode estar em qualquer lugar.
— O Credo de Sangue... O que mais pode dizer sobre esses caras?
— Além do básico? São assassinos. Todas as suas mortes são por um motivo, e eles estão há muitos anos trabalhando nesse objetivo, e eu há anos tentando descobrir o que é.
— Uau! Eles devem ser realmente muito bons pra você não ter conseguido descobrir nada esse tempo todo.
Por algum motivo, Redeater sentiu que aquilo teve intenção de ofendê-lo.
— Eu tenho uma teoria.
— Sou sempre ouvidos. — Disse Ankari. Ela põe as mãos atrás dos ouvidos, num gesto como se quisesse ouvir tudo que for possível.
— Bom... Eles estão mais para uma seita religiosa do que para um mero grupo de assassinos. Suas mortes possuem homenagens. Há menos de um mês, um homem foi morto no meio da capital. Abriram sua barriga e retiraram seu intestino, e formaram uma suástica com ele. Deve saber do que elas se tratam.
— É... São de um dos deuses que os nativos das ilhas ao redor de Vandura cultuavam. Conheço a história.
— E o símbolo foi proibido por Thais. Foi uma provocação direta a capital. Por isso, estou há um bom tempo de olho neles.
Redeater volta a assumir uma pose normal. Há muito tempo não tem uma conversa assim, e Ankari parece não ter se assustado com a descrição da primeira vítima, o que o ajuda a continuar falando.
— Mas seu plano não é ir pra Rathleton? O que eles têm a ver com Thais?
— Estou de olho no que Thais está de olho.
A druida demorou dez segundos para entender a frase.
— Quando Thais começar a agir em Rathleton, o Credo também vai agir e frustrar suas ações. Tenho total certeza que eles odeiam o império por alguma razão. E isso provavelmente está relacionado ao objetivo deles.
— Que seria...? — Questiona ela, sem o mesmo ânimo de antes, por estar confusa.
— Reviver alguém. E este alguém poderá trazer a ruína do império.
As coisas parecem mais claras para a mulher, mas ainda confusas. Já pensava antes de se juntar a jornada dele que as coisas seriam complicadas, principalmente quando o assunto era entendê-las. Ankari sempre viveu sem se importar com grandes explicações para as coisas, nem em dá-las a alguém, pois simplesmente não conseguia. Ela quebrava toda a imagem de que druidas são cultos, filosóficos e capazes de passar horas discursando. Ela fez um juramento de ser uma com a natureza, mas só tem sido isso desde então, sem buscar mais.
— E, claro, não sei quem é. — Disse Redeater, tirando-a de seus pensamentos — Descobrir isso é impossível quando os próprios Sangrentos que tenho capturado não são nem capazes de falar direito. Eles já deixaram de ser humanos há muito tempo. Os que ainda conseguem conservar sua humanidade são as verdadeiras ameaças.
— Você tinha dito que eles são imortais, certo?
— Não totalmente. Eles simplesmente não tomam dano de nenhuma arma humana, nem de magia convencional. Somente coisas bem específicas são capazes de feri-los. E eu as tenho, por isso caço-os há anos.
— Então, como eu ou as meninas seremos capazes de matá-los? Vai nos dar alguma arma?
— No tempo certo.
A carruagem está chegando no rio Sternum, onde está a ponte que, por muitos anos, foi a fronteira entre Thais e Venore. Antes, era apenas uma ponte extensa, que todos utilizavam, uma vez que o rio era perigoso devido as suas correntezas poderosas; Hoje em dia, há uma muralha alta e larga ao redor dessa ponte, e um portão no meio, guardado por vários soldados. Mesmo naquela hora da noite, homens com mosquetes eram visíveis em diversos pontos, prontos para lutar contra qualquer ameaça.
Redeater lembra que, há apenas três anos, um cessar-fogo foi estabelecido entre as nações mundiais, mas mesmo assim, elas estão prontas para a guerra a qualquer momento para resolver os assuntos inacabados. O Credo de Sangue é a única razão para não haver dezenas de barracas ao redor das muralhas, bem como canhões ou quaisquer armas de defesa. Há apenas homens em guarda.
— É como se a guerra nunca tivesse acabado. — Comenta Ankari, observando a guarda acima dos muros.
— De fato, nunca acabou. O Credo, ironicamente, está salvando mais vidas do que as nações que deveriam ser protegidas do Credo. É uma grande piada de mau gosto.
— E por que você está caçando-os, então? Não é bom eles conseguirem manter a paz mundial?
O detetive pensa um pouco antes de continuar. Há coisas que Ankari não precisa ficar sabendo.
— Pois eles sequestraram a minha esposa.
A carruagem está diminuindo sua velocidade. Está próxima do portão para veículos, logo ao lado daquele para pedestres. Alguns homens estão aproximando-se.
— Por que diabos sequestrariam sua esposa?
— Isso eu não posso dizer.
— Hum.
Ankari, por alguma razão, não mostra decepção alguma, o que o detetive acha estranho. O pouco que conhece sobre ela confirma que ela tem uma reação exagerada para várias coisas, inclusive para quando alguém a nega algo. O que o leva para uma conclusão.
— Será que isso tem a ver com o seu passado... Dartaul?
A carruagem finalmente para. Há quatro soldados próximos do cocheiro, perguntando sobre a presença de armamentos ou qualquer coisa suspeita que poderia estar lá atrás, mas a resposta é a usual: Apenas passageiros, tranquilos e cansados, sem intenções maliciosas. O condutor conversou tanto com Redeater quanto com Ankari, notando que, embora o grupo pareça um tanto excêntrico, eles não ofereciam qualquer ameaça, então, sua fala é totalmente segura.
Até porque ele não imagina que o detetive está apontando sua pistola para a cabeça de Ankari, naquele instante.
Próximo: Capítulo 9 - Tiros de Aviso
Publicidade:
Jogue Tibia sem mensalidades!
Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR.
https://taleon.online







Curtir: 








Responder com Citação