Vou te falar que eu já estava esperando por isso. É uma pena que ele tenha partido, o cara era um personagem foda, digno de seu título de Norsir. Teve uma morte boa, e nórdicos que morrem em batalha vão para Valhalla, um lugar muito melhor. Liive está lá agora.
Intercalar os dois eventos - Nascimento da filha de Silfind e a batalha em Edron - foi uma boa tacada, o capítulo ficou mais dramático, tenso e emocionante. De longe um dos melhores capítulos da sua história.
Quanto a minha história, eu voltarei em breve com ela. To terminando o próximo capítulo devagar, mas indo. E esse capítulo ai me lembrou de um personagem que está marcado pra morrer. Talvez você saiba qual é.
Aguardo o próximo.
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NÃO FER
POOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
Eu acho que te odeio (((((
...
...
Não imaginava
Não gosto de spoilar no comentário, mas, apesar de triste, o suave desdém do último parágrafo tornou bem impactante...
Vou te perdoar por essa, mas não tão cedo. :'(
Venho aqui trazer mais um capítulo desse Pergaminho quase infinito... Ainda estou de luto pelo anterior, ainda estou um pouco chateada, mas... O show precisa continuar; a saga de Ireas e sua trupe precisa ser finalizada, e espero que vocês estejam acompanhando até o fim.
Pretendo, no mês de Abril, criar alguma coisa para movimentar essa Seção há tempos parada... Algo pra fazer os novatos e os veteranos interagirem e trocarem figurinhas com maior frequência. Entretanto, isso é algo ainda a ser pensado e trabalhado, até porque tenho um outro projeto para o fórum e que será postado em outra Seção (pode até não ser muito visto, mas é algo que tenho pensado em fazer anos a fio e nunca tive coragem nem PC próprio para tal).
Quando eu tiver mais detalhes do que farei para a Seção Roleplay, criarei um tópico dedicado a isso. Marcarei quem já vi dar as caras por aqui mais recentemente e quem se interessar por fora mande-me uma PM que entrarei com detalhes,
De qualquer forma, voltemos à pauta principal, a começar pelas Respostas aos Comentários.
Spoiler: Respostas aos Comentários
Postado originalmente por Kerrod
Champz
Funfou bem o lance de intercalar os dois acontecimentos o nascimento do bebê e a batalha em Edron deu mais dramaticidade
Opa! Fala, Kerrod! Saudades de ver teu nome por aqui, rapaz!
Fico feliz que tenha gostado... Eu estava receosa quanto a intercalar os dois acontecimentos, mas parece que o risco valeu a pena! Obrigada por comentar e eu espero que você goste desse próximo capítulo também.
Abração!
Postado originalmente por CarlosLendario
Vou te falar que eu já estava esperando por isso. É uma pena que ele tenha partido, o cara era um personagem foda, digno de seu título de Norsir. Teve uma morte boa, e nórdicos que morrem em batalha vão para Valhalla, um lugar muito melhor. Liive está lá agora.
Intercalar os dois eventos - Nascimento da filha de Silfind e a batalha em Edron - foi uma boa tacada, o capítulo ficou mais dramático, tenso e emocionante. De longe um dos melhores capítulos da sua história.
Quanto a minha história, eu voltarei em breve com ela. To terminando o próximo capítulo devagar, mas indo. E esse capítulo ai me lembrou de um personagem que está marcado pra morrer. Talvez você saiba qual é.
Aguardo o próximo.
Opa! Faaala, Carlos!
Fico felicíssima que tenha gostado do capítulo, e anseio pelo retorno da sua história. Eu vou ficar no aguardo dessa execução... Só pra ver o circo pegar fogo, as usual. Espero que goste desse capítulo também, e ficarei no aguardo de seu feedback e do capítulo novo de O Mundo Perdido.
Abração!
Postado originalmente por Bruttar
NÃO FER
POOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
Eu acho que te odeio (((((
...
...
Não imaginava
Não gosto de spoilar no comentário, mas, apesar de triste, o suave desdém do último parágrafo tornou bem impactante...
Vou te perdoar por essa, mas não tão cedo. :'(
Porran migo, me odeie não, plx...
Eu te confesso que também não imaginava.... Foi um desvio de percurso mais tenso do que eu previa...
Tudo bem, eu vou esperar o seu perdão a seu tempo, pois também estou com dificuldades para me perdoar... :'(
Para um "up" na leitura de hoje. Recomendo colocar para tocar a partir da segunda divisão de capítulo (****)
Bom proveito!
Capítulo 41 — Proposta Decorosa
Poderia a Alegria andar de mãos dadas com a Tristeza?
(Narrado por Jovem Brand, o Terceiro)
A dança de Yumi ficou muito tempo em minha cabeça... Assim como aquele cenário paradisíaco de Ashta’ Daramai. Naquela noite, fiquei pensando se havia tomado a melhor decisão ao apunhalar Malor pelas costas da forma como fiz. Apesar de minha filosofia concordar, na maior parte do tempo, com os valores defendidos pelos Efreet, há muito Malor já não representava o tipo de líder que eu gostaria de seguir e apoiar.
Ao final da festa de Djema, fui embora com a certeza de que tomei a decisão certa. A noite, que parecia ainda mais escura que o habitual, estranhamente concordava com a minha decisão; saí de braços dados com Yumi, preparado para dizer aquilo que já não podia mais guardar para mim mesmo.
Na realidade, estava enfrentando um dilema pessoal...Por um lado, queria aquele momento só para nós dois; por outro, queria dividir aquilo com meus amigos, principalmente Jack. Eu nunca estive em um patamar tão alto de felicidade, e me parecia errado manter aquilo para mim mesmo. Comecei a pensar em uma forma de dividir com eles aquilo que tanto queria.
Entretanto, uma questão ainda maior pairava no ar para mim: como falaria para Yumi? O que eu diria? Como faria?
Levei esse pensamento comigo e em silêncio até chegarmos em minha residência em Ankrahmun; felizmente para mim, as notícias dos meus feitos na Baía da Liberdade não repercutiram de forma severa na Cidade Eterna; sendo assim, pude desfrutar de um bom tratamento em meu retorno à cidade — afinal de contas, tinha que haver certas vantagens em ser amigo do salvador e remodelador da cidade.
— Foi uma ótima festa... — Comentei, abrindo a porta para Yumi passar. — Fico aliviado por ter sido recebido, mas... Espero que não tenham sentido o cheiro de açafrão emanando de mim...
Senti as mãos gentis dela pousarem em meus ombros.
— Se tivessem percebido, teriam te degolado ali mesmo. — Yumi replicou, estalando um beijo em minha bochecha. — Afinal de contas, era a festa de aniversário da filha de Gabel, e nunca deixariam um aliado dos Efreets chegarem perto dela.
Meneei com a cabeça — já havia enfrentado Marids o bastante para saber que Yumi estava coberta dos pés à cabeça de razão. Senti as mãos delas se deslocarem para minha cintura, envolvendo-me em um abraço. Ela recostou sua cabeça em meus ombros e aproximou mais seu corpo, aquecendo levemente minha pele.
— Mas fico feliz que você tenha vindo me acompanhar... — Ela sussurrou docemente ao pé do meu ouvido. — Sabe... Se alguém me dissesse que um dia eu estaria em um mesmo lugar que você, dessa maneira... — Ela riu baixinho um riso gostoso. — Eu não acreditaria.
— Não? — Repliquei com um sorriso melindroso, levando minhas mãos aos seus antebraços. — Pois eu acreditaria. Na realidade... — Inclinei minha cabeça para perto de seus cabelos, fechando os olhos em completo êxtase. — Eu nunca duvidei disso...
Girei meu corpo de forma a ficar de frente para Yumi, aproveitando para roubar-lhe um beijo de seus carnudos e doces lábios; ela retribuiu o gesto e abraçou-me mais apertado. Torcia para que cada segundo daqueles preciosos momentos fossem todos reais, e não apenas parte de sonhos loucos de minha mente; torcia, também, para que eles nunca acabassem.
— É... Não dá mais. — Falei, com um sorriso no rosto.
A Marid ergueu a sobrancelha, com o semblante tomado pela confusão.
— Não dá mais o quê? — Indagou.
Eu ri, tomado pelo nervosismo do que faria à seguir.
— Não dá mais para deixar quieto... O assunto que preciso lhe falar.
Yumi deslizou suas mãos para longe de meu corpo, colocando-as em sua cintura, olhando-me com desconfiança e desentendimento simultâneos; respirei fundo e me afastei um pouco a fim de criar coragem para dizer aquilo que tanto queria.
— Bem, Yumi... Eis o que eu estive pensando nesses últimos dias. — Comecei, um pouco nervoso. — Você é um ser incrível; uma moça maravilhosa, inteligente, bonita e poderosa... E, olha só, eu, de minha parte, me considero um cara incrível e... — Soltei um suspiro, tentando me acalmar. — Acho que fazemos uma dupla incrível juntos, e adoraria que isso durasse para sempre.
— O que você está tentando dizer, Brand? — Um meio sorriso começou a aparecer em seu rosto enquanto ela cruzava seus braços, e fiquei sem saber se era de nervoso ou de desdém.
— O que eu estou tentando dizer é... — Eu me ajoelhei e abri os braços, pronto para falar aquilo que a muito guardava em meu peito. — Yumi Yami, você me daria a honra de ser seu esposo nessa vida?
Ela arregalou os olhos e ficou de queixo caído, incrédula; e eu fiquei lá, ajoelhado, esperando por uma resposta.
— É sério? — Ela indagou vagarosamente.
— Extremamente sério. — Repliquei.
— Brand, não brinque comigo... — Ela parecia estar se comovendo na medida em que a ficha caía. — É sério isso?!
— Yumi, sei que nossa convivência foi breve, mas eu nunca estive tão certo na minha vida... Nunca achei que encontraria alguém que me faria sentir tão... Vivo, sei lá...
As palavras que eu estava para dizer foram cortadas por um grito agudo de felicidade da Darashiana; ela pulou em meus braços dizendo “sim” mais vezes do que pude contar; caí no chão e recebi mais um beijo de graça. Ah! Por Uman, eu havia tirado a sorte grande! Ainda que não estivesse com anel em mãos para formalizar meu pedido, encomendaria um assim que raiasse o dia; buscaria uma joia que pudesse captar a beleza dos olhos daquela mulher, e que deixasse claro para todos que eu era, sim, o mais afortunado dentre todos os filhos de Banor por ter conseguido tal companheira...
Fui dormir com o coração retumbando forte no peito, feliz por saber que teria Yumi para sempre em meus braços. Pensei em como contaria a cada um de meus amigos as boas novas, certos de que ficariam felizes por mim; naquela euforia toda, não me ocorreu em nenhum segundo que ainda poderiam estar atrás dos Tomos, e que tudo poderia estar caótico em meu círculo social. Mas, se Ireas e os demais já saíram de situações mais escabrosas, por que seria diferente dessa vez?
O que poderia dar de errado dessa vez?
****
[Três Semanas Depois]
(Narrado por Ireas Keras)
Em meus sonhos, aquela cena continuava a se repetir. Eu sonhava aquilo como se tivesse ocorrido no dia anterior, quando, na realidade, faziam semanas que eu havia respondido aquela sórdida pergunta...
— Pela ironia das circunstâncias, preciso perguntar... Ireas Keras, você quer se juntar à Irmandade dos Ossos?
— Sim. Eu quero. Não só quero, como vou me juntar à vocês de bom grado.
Lembro até agora do sorriso cínico do Mestre de Ossos quando ouviu minha resposta; lembro do quão gélidas eram suas mãos quando encostei nelas para receber mais um dos Tomos de minha mãe. Com aquele Tomo, eu agora teria quatro em mãos, e torcia para que os demais tivessem conseguido encontrar os outros antes de partirmos para Zao.
— Excelente. Seja bem-vindo à Irmandade dos Ossos, Larva* Keras. Para avançar em nossa categoria, espero que esteja preparado para enfrentar seus piores pesadelos enquanto está desperto... Mas, isso são outros quinhentos. No momento, você poderá usar a Torre** para caminhar pelo Reino dos Sonhos e alcançar outras cidades mediante o gasto de Pérolas de Oricalco a cada viagem. Espero que tenha acesso** a elas, Larvinha.
Tentava afastar da minha mente o som daquela risada sinistra, que me dizia constantemente que assinara um contrato para a eterna perdição da minha alma; meneava minha cabeça em meio àquele sono tortuoso a fim de esquecer de como tive que mentir para Wind e Jack a respeito de minhas intenções. Contudo, não vou esquecer do que Yami fizera por mim.
— Como assim, não havia ninguém lá?! — a voz de Wind continuava a soar indignada em meus sonhos. — Vocês foram fazer o quê lá atrás?! Caramba Ireas, fale a verdade de uma vez!
— A verdade é essa que Keras falou! — Yami interveio, vociferando para o Yalahari. — Não havia ninguém lá e o Tomo estava largado para qualquer um pegar! Goste você ou não, Keras está falando a verdade e tem o Tomo para provar.
Yami conseguiu silenciar Wind com aquele argumento, mas o resultado foi uma tensão no ar e um sentimento geral de desconfiança. Ficamos em silêncio até o fim de nossa jornada, enquanto eu torcia para que o assunto da Irmandade não fosse retomado.
— Keras! Keras!
Acordei sobressaltado; uma chuva fina estava caindo do céu nublado, e Yami estava ao meu lado; sentei e dei-me conta de que estava em um navio. O Djinn estava sentado em sua forma humana, olhando para mim sem entender o que acontecera durante meu sono.
— Mais um pesadelo? — Indagou.
— Sim... A mesma cena de antes... — Repliquei, massageando as têmporas de minha cabeça. — Onde estão os outros?
— Dormindo abaixo do convés. — Replicou o Efreet com um meio sorriso. — Você apagou aqui e Wind esfregou a Lâmpada para ter certeza de que teria alguém por perto caso você precisasse.
Meneei a cabeça, tentando manter-me desperto. Yami apoiou um de seus braços em seu joelho, olhando para o horizonte com um semblante melancólico.
— Minha irmã vai se casar... — Ele falou. — E com um humano. Sempre achei que seria Sírio... Ele sempre gostou dela... Nunca achei que um Paladino tomaria o coração dela de assalto... Tsc. Ela vai casar e bem na pior hora possível. — Ele olhou para mim com um meio sorriso nos lábios. — Timing maravilhoso, não?
— Oh!... — Repliquei, ainda descrente de que conseguiria manter uma conversa civilzada com aquele que outrora foi um adversário de peso. — Ao menos uma boa notícia nessa história toda...
Yami concordou com a cabeça e voltamos nossos olhares para o céu chuvoso e nublado; agora, além de um contrato de servidão, o Djinn compartilhava um segredo comigo, que nada mais era que um pacto de aliança. Somente eu e ele poderíamos aniquilar a Irmandade, e da maneira mais eficiente possível — de dentro para fora. Quisera eu apenas que esses eventos não estivessem ocorrendo às vésperas de um dos dias mais felizes de um amigo que eu considerava um irmão mais velho, principalmente quando eu havia acabado de perder outro. Quisera eu não estar sofrendo em silêncio com aquilo tudo... Mas, ao que parecia, não havia muita escolha senão engolir as mágoas e manter-me forte para os desafios que se desenhavam no horizonte.
****
Estávamos todos em Svargrond; dias após o Silêncio dos Sábios, o rei Tibianus III e a rainha Eloise entraram em acordo quanto aos arranjos finais para o enterro dos envolvidos, e o corpo de Liive fora liberado para ser sepultado conforme as tradições dos Norsir.
Eu soube da morte de Liive através de Icel, que encontrara a mim e aos demais em Venore; estávamos todos ainda muito afetados pelos eventos da Planície do Pavor e acabamos por adiar o retorno a Thais. O Thaiano de cabelos negros chegou até nós com o semblante mortificado e, após ele relatar o que acontecera, não tive dúvidas de que fora obra da Irmandade. Ele estava com o quinto Tomo, e entregara para mim sem hesitar.
Chegamos em Thais de luto, em uma viagem rápida de dois dias por terra; recebemos a carta de Brand contando de seu noivado, e eu recebi uma carta de Emulov quanto ao que precisaria ser feito para chegarmos a Zao. Sírio e Morzan ainda não haviam dado notícias à época, e achei prudente esperar mais três dias por notícias. Na exata dada que fixei, Sírio chegou com Morzan e o sexto Tomo; os dois haviam ganhado cicatrizes no tronco decorrentes dos eventos em Ramoa, os quais descreveram para mim em nosso ponto de encontro, enquanto descansávamos e discutíamos como recuperar os restos mortais de Liive. Nós partirmos para o Norte assim que o decreto de Thais e Carlin chegou ao nosso conhecimento.
A viagem foi pautada por um sentimento geral de descontentamento e tristeza; navegamos sob dias nublados, chuvosos e tristes. Assim que chegamos, demos de cara com uma cidade novamente de luto pela queda de mais um valoroso Norsir; Brand e Yumi já estavam lá, pois haviam vindo via Carpete após uma jornada pelo Deserto de Darama. Emulov chegara pouco depois, também tendo se utilizado de Carpete para tal. Estávamos todos juntos novamente, e, infelizmente, sob a circunstância mais trágica possível.
Assim que chegamos ao centro da cidade, Sven se aproximou de mim com um homem de meia-idade, trajado com vestes típicas de um xamã.
— Sven? — Indaguei, saudando-o.
— Bem vindo de volta, Ireas Keras. — Falou o Jarl, solene. — Esse é Kjesse, o guardião do Templo de Svargrond. Ele tem uma notícia urgente para você.
Reverenciei o velho xamã com respeito, e ele retribuiu com um aceno de cabeça.
— Qual? — Indaguei, ligeiramente ansioso.
— A esposa de seu falecido irmão deu à luz uma menina três, quase quatro semanas atrás. — Kjesse falou com alegre serenidade em sua voz. — Apesar de ser tradição a mãe dar o nome à sua cria, ela insiste que você a ajude a escolher o nome. Tudo bem para você?
— Sim. — Repliquei, atônito. — Uma pena que não pude estar aqui para... Você sabe, auxiliá-la na hora do parto...
— Entendo. A vida dá muitas voltas, Keras. — Falou o xamã, sereno. — Faremos o Rito de Reconhecimento de sua sobrinha após os ritos fúnebres de Liive.
Concordei com a cabeça e dirigi-me ao centro da multidão, onde estava o corpo de Liive; o bárbaro estava em uma canoa, a qual continha peles de mamute, lobo e algumas flores brancas, as quais adornavam as pelagens que forravam a embarcação. Eu, Brand, Jack e Icel nos prontificamos a carregar a canoa, sendo liderados por Kjesse e Sven; os demais nos seguiram em um comboio massivo. Alguns carregavam tambores em suas mãos, enquanto outros dispunham de chifres ocos.
Atravessamos a geleira até Nibelor, onde Nilsor nos esperava. Ele sinalizou para que parássemos enquanto ele fiscalizaria o preparo da barcaça de Liive; o xamã loiro adicionou pedaços de carne frescos e um reservatório de água, bem como colocou um amuleto com a pedra central esculpida no formato das pegadas de um urso, colocando-a sobre o peitoral de Liive.
Depois disso, ele sinalizou para pegarmos a canoa novamente; assim que voltamos a carregá-la, os portadores do chifre sopraram seus instrumentos e o som forte e grave preencheu o ar. Quase imediatamente após esse ato, alguns membros da comitiva começaram a entoar um canto ritualístico que, estranhamente, soava-me muito familiar.
Seguimos para o sul de Nibelor, para as margens do terreno em meio à chuva e o batuque dos tambores, que acompanhavam o canto dos demais Norsir. De repente, peguei-me cantando a canção, e entendi do que ela se tratava: era um canto de força, abençoando a alma eterna de Liive, na esperança que sua estada na Primavera Eterna fosse maravilhosa.
As moças que nos acompanhavam começaram a lacrimejar, mas recusavam-se a soluçar; elas mantinham as cabeças erguidas e rufavam os tambores cada vez mais fortes. Eram guerreiras como nós, e não se permitiam a fraqueza de forma alguma.
Entretanto, enquanto cantava junto àquela comitiva, senti lágrimas virem aos meus olhos; recordei das primeiras vezes que topei com Liive. Lembrava do quanto que me sentia intimidado perto dele, sentindo-me fraco e indefeso perante o ruivo; lembro-me de seus conselhos e de suas provocações, e de todas as alegrias e tristezas que passamos juntos. Meu maior arrependimento foi não ter ido nessa empreitada com ele; senti-me péssimo pela escolha que fiz, como se tivesse colocado todos os pregos em seu caixão.
Minhas lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto quando lembrei que Liive jamais me veria completar algum dos desafios de arena de Svargrond, tampouco veria o fim de minha saga pessoal contra minha mãe. Lembrei que ele não estaria ali para ver o casamento de Brand, tampouco o crescimento de minha sobrinha. Ele jamais veria Sírio e Morzan novamente; não poderia mais lutar com Wind, mesmo que fosse por diversão; não poderia mais beber com Jack e contar as piadas infames que sempre contavam quando estavam juntos, e jamais conheceria a terra onde Emulov nasceu e cresceu.
Chegando ao sul de Nibelor, Nilsor afastou as criaturas selvagens e pousamos a canoa no chão, empurrando-a para dentro do oceano gelado. Àquela altura eu cantava em coro com os olhos fechados, lágrimas descendo por meus olhos sem que eu as limpasse; eu me recusava a abaixar minha cabeça. Quando a canoa de Liive começou a tomar rumo a Leste, senti minhas pernas falharem e caí de joelhos. Ao final da canção, gritei o mais alto que pude; bradei aos céus a minha ira. Entretanto, meu brado não saíra nada humano.
Senti minhas cordas vocais modificadas, e foi como se o urro de um urso pardo tivesse saído de dentro de mim, alto, claro e furioso, ecoando céu afora. Eu estava furioso comigo, com minha mãe e com o mundo — em minha saga pessoal, havia mandado um amigo para o túmulo, e os responsáveis por sua morte ver-se-iam comigo mais cedo do que poderiam imaginar.
****
Somente quando a noite chegou que consegui me acalmar; estava tão furioso que foi necessário que Wind e Yami me contivessem a fim de não fazer nenhuma besteira em um dia tão triste. Quando senti minha mente um pouco mais centrada, fui até o lar de Silfind acompanhado por meus amigos, por Kjesse e Sven.
Silfind estava deitada em seu catre de palha e madeira com uma criancinha envelopada em pele de Lobo Invernal; eu fui em sua direção e abracei sua cabeça a fim de não causar-lhe nenhum desconforto a mais.
— Perdoe-me por meu atraso... — Falei, um pouco mais sereno que antes. — Eu queria ter estado aqui para te ajudar...
— Só de você estar aqui, fico mais tranquila... — Replicou Silfind com um sorriso doce. — Nem acredito que ela chegou... E ela parece com o Hjaern... Ela também herdou os cabelos esbranquiçados de vocês...
Olhei para a pequena nos braços da mãe; ela era perfeita, delicada e com os cabelos similares aos meus e aos de meu irmão. Fiquei um tempo olhando para ela sem saber que nome dar a ela; naqueles segundos que pareciam eternos, eu ouvia o Vento sussurrar um único nome para mim.
— Então, Ireas... Tem ideia de nomes para ela? — Indagou Silfind. — Eu havia pensado em alguns, mas nenhum deles pareceu ser a cara dela...
— No momento, tenho só uma sugestão. — Falei, decidindo aceitar a sugestão de Nurnor. — E eu espero que você goste. É um nome que soa forte, e força é o que todos nós precisaremos daqui em diante: Skadi.
Silfind arregalou seus olhos e ficou olhando para mim por um tempo; em seguida, ela olhou para sua cria e começou a sorrir.
— Skadi... Keras. — Ela repetiu. — Eu gostei desse nome... E ela também. Parabéns, Ireas... Você oficialmente ganhou uma sobrinha: Skadi Keras.
A neném começou a fazer uns burburinhos como se tivesse aprovado a escolha de seu nome. Com a confirmação, Kjesse pôde começar o Rito de Reconhecimento, para que a filha de Silfind e minha sobrinha pudesse ser tratada pelo seu próprio nome.
Ao menos uma boa notícia ao final de toda aquela saga.
Continua...
-----
Glossário:
(*): Tradução literal de "Maggot", o rank mais baixo da Brotherhood of Bones.
(**): Refere-se às missões da Explorer Society, cujos NPCs principais (Angus e Mortimer) passam a fornecer Orichalcum Pearls depois de um dado número de missões.
Bom, como eu disse, Liive teve uma boa morte, digna de um Norsir. É uma pena ele ter morrido assim, mas se tem algo que devo concordar é que a culpa é do Ireas por ter mandado ele pra Edron. Veremos se ele é capaz de lidar com a culpa. E também espero que a sobrinha dele não cresça e resolva ir matar os Aesir e acabar se casando com o cara errado e se separando dele logo depois.
Also, você se sente chateada por ter matado o Liive, mesmo dessa forma. Imagina quando você ver todas as mortes que eu já planejei pra saga do meu personagem, Comnyu, e como elas são cuzonas. Tu nem vai mais olhar pra minha cara.
Aguardo o próximo capítulo.
Última edição por CarlosLendario; 27-02-2016 às 17:57.
TADAIMA!
Guess who's back? It's Crazy yukie, baby!*
<Faz pose>
Desta vez em sua arthur version. Lamento não ter aparecido durante esses tempos, mas é que eu estive ocupada com uma "investigação" sobre um boato do fandom* que dizia que o autor de hetalia* himself, tinha publicado em seu twitter que usuk* era cannon. Foi um processo extremamente trabalhoso, e ainda assim não consegui provas o suficientes para confirmar esses boatos. TT-TT
Logo apos isso, teve o lançamento do trailer de super lovers, e eu fui afogada num mar de espectativa e ansiedade para a estreia do anime. (JAJAJAJAJA A LA MIERDA COM LA ONU, POR FIN TRIUNFARA EL MAL JAJAJAJAJA)*
E então eu acabei tomando uma chuva no caminho pro colegio, o que mais tarde resultou numa gripe ferrada que me deixou acamada por uns tempos ai. (Eu quase morri ×~× <exagera> )
Resumindo: aconteceram uma pá de coisas, e por isso não pude encontrar tempo pra vir ate aqui e comentar sobre essa historia tão maravilhosa. Espero conseguir tempo pra isso em breve, mas por enquando deixo uma justificativa.
<Vai sacrificar uns bodes pra conseguir mais tempo>
<Brinks>
<Talvez não>
<Mintira, é brinks sim.>
~~( - _ - )~~
Anyway, espero poder voltar logo pra ca, mas por enquanto encerro o falatorio por aqui.
Kissus, byebye
~ Yukie
E ~Artie-kun tambem
Mini-dicionario para comentarios da yukie (e do arthur)
Guess who's back? It's crazy yukie, baby = adivinhe quem esta de volta? É a yukie maluca, baby! (Segundo o meu caro amigo, google tradutor, kureiji significa doida, maluca, essas coisas, sabe?
Fandom =grupo de fãns de alguma coisa
Hetalia = anime que utiliza personificações humanas para relatar fatos historicos.
Usuk = ship que envolve os personagens america e inglaterra, do anime hetalia.
Cannon = quando um ship é oficializado na historia. Quando o proprio autor une os dois personagens de forma romantica na historia.
(JAJAJAJAJA A LA MIERDA COM LA ONU, POR FIN TRIUNFARA EL MAL JAJAJAJAJA) = o animanga super lovers possui conteudo meio que pedofilo.
( o celular deu erro e eu tive que escrever tudo de novo TT-TT
Espero não ter esquecido nada)
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Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR. https://taleon.online
Cara, que raiva KKKKKKKKKKKKKK, eu doido pra ler spoilers dos últimos capítulos, pois ainda não acompanhei a história toda (em breve acompanho o último XD). To gostando muito e aprendendo também com a maneira que trata seus personagens, e eu já vou votar na facção hahahaha
"O destino não está mais a nosso favor, esta terra não é mais nossa."
Acompanhe o que acontece após a Porta 999 ser aberta nesse roleplay de TIRAR O FÔLEGO!
Bem, venho trazendo mais um Capítulo para todos... Já estou trabalhando nos preparativos para a proposta de Abril (contando com uma ajudinha por fora, claro); quem estiver interessado, contate-me via inbox.
Spoiler: A Voz do Vento 2016, Extra #6 (06/03/2016)
Cara, que raiva KKKKKKKKKKKKKK, eu doido pra ler spoilers dos últimos capítulos, pois ainda não acompanhei a história toda (em breve acompanho o último XD). To gostando muito e aprendendo também com a maneira que trata seus personagens, e eu já vou votar na facção hahahaha
Aeeee! Te arrastei pra cá!
Muito obrigada por comentar! Fico feliz que esteja vendo bons pontos na minha história e aproveitando-os também. Espero que chegue logo ao Capítulo mais recente da história. Ela é grandinha, então vai te dar um trablahinho, rs. Mas, valerá à pena, pode ter certeza. Espero ver seu nome por aqui novamente e mais vezes.
Em breve, postarei a retrospectiva de ambos os Pergaminhos, a fim de facilitar a leitura daqueles que chegaram por agora.
Abração!
Postado originalmente por artie kun
TADAIMA!
Guess who's back? It's Crazy yukie, baby!*
<Faz pose>
Desta vez em sua arthur version. Lamento não ter aparecido durante esses tempos, mas é que eu estive ocupada com uma "investigação" sobre um boato do fandom* que dizia que o autor de hetalia* himself, tinha publicado em seu twitter que usuk* era cannon. Foi um processo extremamente trabalhoso, e ainda assim não consegui provas o suficientes para confirmar esses boatos. TT-TT
Logo apos isso, teve o lançamento do trailer de super lovers, e eu fui afogada num mar de espectativa e ansiedade para a estreia do anime. (JAJAJAJAJA A LA MIERDA COM LA ONU, POR FIN TRIUNFARA EL MAL JAJAJAJAJA)*
E então eu acabei tomando uma chuva no caminho pro colegio, o que mais tarde resultou numa gripe ferrada que me deixou acamada por uns tempos ai. (Eu quase morri ×~× <exagera> )
Resumindo: aconteceram uma pá de coisas, e por isso não pude encontrar tempo pra vir ate aqui e comentar sobre essa historia tão maravilhosa. Espero conseguir tempo pra isso em breve, mas por enquando deixo uma justificativa.
<Vai sacrificar uns bodes pra conseguir mais tempo>
<Brinks>
<Talvez não>
<Mintira, é brinks sim.>
~~( - _ - )~~
Anyway, espero poder voltar logo pra ca, mas por enquanto encerro o falatorio por aqui.
Kissus, byebye
~ Yukie
E ~Artie-kun tambem
Mini-dicionario para comentarios da yukie (e do arthur)
Guess who's back? It's crazy yukie, baby = adivinhe quem esta de volta? É a yukie maluca, baby! (Segundo o meu caro amigo, google tradutor, kureiji significa doida, maluca, essas coisas, sabe?
Fandom =grupo de fãns de alguma coisa
Hetalia = anime que utiliza personificações humanas para relatar fatos historicos.
Usuk = ship que envolve os personagens america e inglaterra, do anime hetalia.
Cannon = quando um ship é oficializado na historia. Quando o proprio autor une os dois personagens de forma romantica na historia.
(JAJAJAJAJA A LA MIERDA COM LA ONU, POR FIN TRIUNFARA EL MAL JAJAJAJAJA) = o animanga super lovers possui conteudo meio que pedofilo.
( o celular deu erro e eu tive que escrever tudo de novo TT-TT
Espero não ter esquecido nada)
Olá, sua doidinha!
Senti sua falta por aqui...
Fico feliz que esteja de volta. Sou familiarizada com o fandom de Hetalia. Inclusive, acompanho a série desde 2010 mais ou menos. Agora, acabei ficando afastada, nem estou mais tão ligada. É um bom anime, gostei da forma como trataram a geopolítica como um todo. Não sou muito fã dos shippings, apesar de ser uma Hungary x Prussia inveterada. Fica longe do conteúdo pedófilo, faz mal u.u
De toda forma, espero ver seu(s) nome(s) mais vezes por aqui. Só tome cuidado -- mais de uma conta em um mesmo IP já acarretou problemas para outros usuários e a situação no fórum anda... Tensa, por assim dizer. Não quero que você tenha nenhuma surpresa desagradável.
No mais, fiquei imensamente feliz por sua reaparição aqui. Suas, pelo visto. Espero que você esteja recuperada da gripe e passando muito bem. Um beijo e um abraço para você, e espero que goste desses últimos Capítulos (e não me odeie muito, por favor rs).
Abração!
Postado originalmente por CarlosLendario
Uma imagem define esse capítulo:
Feels intenso nesse capítulo, puta merda.
Bom, como eu disse, Liive teve uma boa morte, digna de um Norsir. É uma pena ele ter morrido assim, mas se tem algo que devo concordar é que a culpa é do Ireas por ter mandado ele pra Edron. Veremos se ele é capaz de lidar com a culpa. E também espero que a sobrinha dele não cresça e resolva ir matar os Aesir e acabar se casando com o cara errado e se separando dele logo depois.
Also, você se sente chateada por ter matado o Liive, mesmo dessa forma. Imagina quando você ver todas as mortes que eu já planejei pra saga do meu personagem, Comnyu, e como elas são cuzonas. Tu nem vai mais olhar pra minha cara.
Aguardo o próximo capítulo.
SHAUSHAUAHUSAHUSHAUSHAUSHAUS
Sofra como eu sofro, Carlos!
Brincadeira... Ainda não tenho muitos planos para a Skadi, mas com certeza o Ireas deu uma puta amadurecida, como já havíamos falado no Facebook. Não sou nenhuma George R.R. Martin, mas estarei lidando melhor com as mortes da galera. Como eu havia dito anteriormente, esse Pergaminho é para foder quem não havia se fodido no Pergaminho anterior. Eis o motivo de alguns rumos que foram tomados.
De qualquer forma, veremos o que acontece à seguir. Um ciclo se fecha e outro se inicia...
Abração!
Sem mais delongas, o Capítulo de Hoje! Pretendo trazer mais Extras em breve. Como estive ocupada com outro trabalho de ilustração por fora, não pude me dedicar aos demais desenhos como gostaria. Ainda assim, retomarei ao meu ritmo com esse mês de Março que se inicia. Ah! Dia 5 eu farei a minha primeira Pits of Inferno ever com o Ireas, e peço que mandem boas vibrações para a minha internet a fim de que eu não morra em um dia tão épico. Agradeço de antemão pela atenção!
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Spoiler: Auxílio da Autora
A fim de refrescar a memória de vocês quanto ao Culto a Nurnor, eis os Capítulos em que há mais informações:
Capítulo 42 — Esquecimento, a Eterna: A Verdade em Cada Tomo (Parte 1)
Você ou morre como heroi...
(Narrado por Rei Jack Spider)
Com a morte de Liive, sua casa foi à leilão; tibianos endinheirados de várias partes foram à luta por mais um pedacinho de terra Norsir; terra essa que não pertencia à grande maioria deles. Certamente os moradores de Carlin conseguiriam obter alguma sorte de preferência das autoridades, e aquilo me entristecia profundamente. Um heroi havia acabado de morrer e o mundo parecia não dar a mínima! Será que o errado era eu por me importar?
Preferi não ir ao centro da cidade para ver aquele atentado à memória de Liive; estava com os demais em Nibelor, na residência de Silfind, onde colocaríamos algumas das últimas peças no quebra-cabeças intricado que era a vida de Ireas e à de sua mãe, a responsável por estarmos naquela situação. Sentamo-nos no chão eu, Ireas, Yami, Wind, Brand, Yumi, Emulov, Icel, Sírio e Morzan, dispostos em um círculo com os seis Tomos no centro. Estávamos todos em silêncio, esperando por Ireas e alguma decisão por parte dele.
O Norsir olhava a pilha de livros com incerteza em seus olhos; ele parecia com medo de abrir ou até mesmo tocar algum daqueles livros na pilha. Ele fechou os olhos bem devagar, soltou um suspiro e, por fim, dirigiu-se ao meio da pilha.
— E então? — Indaguei, ansioso. — Está pronto, Ireas?
Ele me confirmou com a cabeça e pegou o Tomo encontrado em Carlin, onde a mulher um dia conhecida como Seline veio a existir e viver. Ele respirou fundo e abriu o livro, pronto para ler o conteúdo. De todos os Tomos, aquele parecia ser um dos menores.
— Vamos lá... — Falou o Norsir de cabelos azuis. — Hora da verdade.
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(Narrado por Ireas Keras)
Ao abrir aquele livro, tomei a decisão de não ver o monstro; queria ver, antes, a menina que um dia minha mãe foi. Queria encontrar a mulher pela qual meu pai se apaixonou e que veio a dar-lhe seu segundo filho. Comecei a leitura, determinado a saber a verdade e toda a verdade.
TOMO DA LIBERDADE DO VENTO
PROPRIEDADE DE SELINE KERAS
“Sempre quis escrever um livro... Sempre quis ter um local para esconder meus pensamentos mais íntimos e as minhas pesquisas mágicas. Mamãe não sabe ainda, mas eu e Lea estamos fazendo descobertas importantes e interessantes para todos os Filamentos. Vou documentar aqui tudo o que eu achar interessante e relevante para esses objetivos. Quero ser a melhor sarcedotiza que eu puder... Mesmo que isso signifique sacrificar meus sonhos...”
Vi algumas imagens pintadas, as quais mostrei para todos dispostos no círculo; eram imagens de símbolos antigos do culto a Nurnor, com cores leves que representavam a disposição do vento ao redor do mundo. As imagens eram todas organizadas e seguiam o mesmo padrão de moldura, ilustrando os eventos que eram parte da cultura da Teia da Neblina.
— Sua mãe parecia ser uma sonhadora... Uma visionária. — Sussurrou Yumi, impressionada. — E era uma artista talentosíssima!
— Sim... — Concordei com a cabeça, entristecido. — Mas, esperem... Ainda tem mais.
“Minha mãe e os outros anciões não parecem se importar muito com o que dizem os mais novos... São líderes teimosos e que não aceitam opiniões contrárias... Achei que mamãe seria diferente deles, que teria um carinho maior pelas minhas descobertas. Será que ela não vê mais valor nos sonhos e nas palavras que nos são ditas através dele... Acho que minha mãe está perdendo a... Capacidade de sonhar.”
O livro começou a mostrar outras imagens; imagens de feitiços. Um pouco da arte do Caminho dos Sonhos e das lendas sobre os Cavaleiros do Pesadelo. Entretanto, esses últimos pareciam ser representados como vilões... E não como herois.
“A Corte Thaiana vê nesses ‘Cavaleiros’ uma espécie de guardiões... Não passam de peões opressores. Ele se aproveitam das artes élficas para fazer terrorismo com nossos sonhos. Thais desaprova nossos ideais... Desaprova nossa aliança com os Druidas e desaprova a liberdade de Carlin... Mas nós nunca vamos deixar que esses usurpadores destrutivos corrompam nossos números... Nem que isso signifique guerra.”
Fechei o Primeiro Tomo impressionado.
— Personalidade forte, a da sua velha. — Morzan comentou com um meio sorriso.
— Então... Os Cavaleiros do Pesadelo não eram esses “herois” que pareciam ser... — Yami falou, cruzando os braços. — O que será que havia naqueles desafios que não conseguimos ver?
— Não sei... — Comentou Icel, levemente injuriado. — Só sei que... Só eu que não enxergo Thais como vilã dessa história? Já não basta toda a insanidade sobre Ferumbras?
— Não é insanidade se é verdade, Icel. — Replicou Brand. — Eu sou Thaiano como você e servi às forças de Thais contra Morgaroth, que nem você, e eu sei que aquele rei gordo e velho não se importa tanto assim com seus súditos. Basta ver a recepção feita àqueles que sobreviveram à batalha contra aquele demônio, bem como os outros paspalhos que se juntaram à resposta à Revolução Vandurana!
Icel encheu os pulmões de ar para retrucar, mas calou-se, irritado. Brand também se calou, e notei que Sírio e Morzan ficaram incomodados com o assunto, especialmente com o nome de Rei Tibianus. Eu voltei meus olhares para a pilha, pensando em que livro pegar em seguida.
— Bem... Suponho que seja hora de ler o Tomo de Thais... — Falei, receoso. — Deve ser a ordem correta.
O restante do grupo concordou com minha escolha. Silfind estava próxima, com Skadi a tiracolo; a pequena parecia dormir tranquila nos braços da mãe, e eu invejava aquela cena. Fui criado por um padre em uma abadia, sem nunca ter visto minha mãe. Supondo, sempre, que eu havia sido abandonado e apenas o coração generoso de Cipfried me havia aceitado. Abaixei minha cabeça e peguei o Tomo que Elena nos entregara quando eu, Jack e Wind estivemos na capital do reino de Tibianus III.
TOMO DO JURAMENTO DO FILAMENTO
PROPRIEDADE DE SELINE KERAS
“Estamos indo nos encontrar com os membros do Filamento de Thais... Pessoalmente, não estou muito animada... Acho que minha mãe percebeu que eu e Lea... Bem... Ela quer que eu me comprometa com outro Mancebo das Brisas. Um designado por Therion Sombra-Branca. Um Mancebo promissor... Mas ainda não sei o nome dele. Mamãe insiste para que eu aceite esse homem, quem quer que ele seja, para dar continuidade à agenda do culto... Para unir Thais aos demais Filamentos e torná-los ainda mais fortes... Mas eu queria que essa tarefa fosse para outra pessoa... Não para mim. Eu não quero. Eu não estou pronta ainda...”
Vi imagens dela e de outras Donzelas das Brisas; todas vestidas de branco, amarelo-claro e outros tons claros de roupa, em contraste com os cabelos escuros delas; havia o retrato de minha mãe, uma moça de olhos escuros e cabelos negros com discretas mechas azuis. Havia, também, o retrato de Therion Sombra-Branca; um Thaiano de aspecto nobre, cabelos claros e olhos de íris avermelhadas. Os Thaianos na roda olhavam-me com ansiedade, querendo saber mais dos eventos da Teia da Neblina na maior cidade de Tibia.
“Esse homem se chama Rowan, e é um dos sobrinhos de Therion. É um rapaz muito bonito, encantador, mas... Parece esconder um segredo. Um segredo terrível... Daqueles que podem acabar com a paz de uma comunidade inteira...”
Imagens de Rowan, Therion e outros membros do Filamento de Thais também apareceram no Tomo, junto a outros feitiços envolvendo Energia, mas com uma abordagem parecida com a que os Druidas tinham para com seus elementos de controle. Entretanto, uma imagem em particular saltou-me aos olhos, assim como saltou aos de meus amigos.
Lugri, o Necromante, estava em uma das ilustrações; entretanto, não estava trajado como um Necromante: ele estava vestido como um Feiticeiro qualquer de Thais, com o diferencial de já possuir um sorriso sinistro e um tenebroso brilho avermelhado em seus olhos.
“Esse homem tem aparecido para mim em meus sonhos... Ele traz consigo a marca da morte, apesar de não parecer tão corrupto. Ele veio com ideias novas... Com propostas novas de feitiços para meu culto... ideias que posso usar para tornar-nos mais fortes... Só não entendo porque ele me ajudaria, sendo que ele é um Feiticeiro tão promissor aos olhos da Guilda dos Feiticeiros de Thais... De qualquer forma, ele me parece mais interessante que seu irmão, e acho que ficarei de olho nele. Ele fala de Edron como se fosse uma ‘Carlin disposta a dar certo’, com conhecimento arcano cada vez maior e notório. Acho que irei para lá quando possível...”
— Opa, opa, opa! Lugri era real?! E ele tinha um irmão?! — Icel interpelou, incrédulo. — Parem o mundo, eu quero descer dessa carrugem.
— Não exagera, Icel! — Jack falou, revirando os olhos. — Lugri sempre foi uma... Lenda contestada, por assim dizer. A ovelha negra da academia de magia de Thais.
— Na visão de alguns, algo que Muriel queria ser, mas que não teve bolas para tal. — Brand comentou com um meio sorriso cínico. — Ao que parece, bem... Ele também ficou interessado na curiosidade e dedicação de Seline quanto às artes mágicas.
Concordei com a cabeça e continuei a leitura.
“Lugri continua a conversar comigo nas minhas horas vagas, quando conseguimos nos desvencilhar dos olhos do Filamento e de Rowan. Ele realmente é fascinante! Ele é um visionário, um grande pesquisador... Um Feiticeiro de primeira, e parece disposto a me ajudar... Só preciso acompanhá-lo até Edron... E então poderei dar à Teia a contribuição que tanto quero.”
Esse Tomo parecia ter páginas rasgadas entre ele; mostrei-as para todos, e começaram a murmurrar muitas coisas; aos poucos, começávamos a entender o que acontecera com a mulher que um dia minha mãe fora. Comecei a massagear a minha têmpora esquerda; era mais informação para digerir do que eu gostaria.
— Quer que eu leia o próximo? — Indagou Wind, notando meu cansaço.
— Não... — Repliquei, murmurrando. — Preciso apenas fazer uma pausa... Só isso. Já retomarei...
O Yalahari assentiu e eu sentei-me em meu lugar na roda, com o Tomo de Edron em mãos. Respirei fundo a fim de descansar um pouco, e me preparei para ler o Tomo que provavelmente seria o divisor de águas da vida de minha mãe.
— Prossiga, Keras. — Falou Yami, solene. — É melhor aproveitar enquanto temos ainda algum tempo antes de encontrarmos a Dama do Pavor de hoje.
Concordei com a cabeça; Yami estava certo. Eu precisava aproveitar a oportunidade que me havia sido dada e compensar os esforços de todos. Respirei fundo e abri o terceiro Tomo, decidido.
TOMO DA REVELAÇÃO
PROPRIEDADE DE S.K.
“Lugri estava certo. Ele sempre esteve certo! O conhecimento estava todo ao meu alcance, e agora posso enfim desfrutar dessas escrituras... Ah... E pensar que eu manteria os meios de minha mãe... Não mesmo. Se Thais nos dá armas para a subjugarmos, por que não? Por que não valer-nos da vingança contra uma cidade que nos força o asilo em nossos sonhos, desatenta à destruição que ela causa? Com esse conhecimento, poderei tirar o poder dos Thaianos e fazer com que nosso culto não mais tenha que se esconder da autoridade de Tibianus...”
Estava perplexo. Vingança? A saga de minha mãe começou com... Vingança?
As imagens assumiram um formato diferente; não eram mais claras, leves e sublimes. As cores agora estavam mais escuras e o traço das formas todas começou a se alterar. À medida em que mostrei as imagens para os meus amigos, vi uma mudança em seus semblantes: assim como eu, começaram a perceber a gravidade da situação em que minha mãe se colocara.
“Não acho que o poder daqui é suficiente... Os estudos desses Magos é limitado por seu conservadorismo e sua servidão à Coroa Thaiana. Tentarei obter mais poderes e favores com os Druidas, e acho que terei que rumar ao Sul para conseguir mais informações... Lugri fala de um lugar em Venore que poderia me dar auxílio, mas, não sei... Acho que estou me desviando demais de meu propósito... Vou esperar um pouco. Mas, não posso ficar em Thais... Precisarei ir para longe, não posso casar com Rowan... Não posso ficar com Lea também... Preciso encontrar uma solução para os meus dilemas...”
Aquele Tomo intercalava páginas vazias com imagens que imitavam a neve. Parecia ter registros de Svargrond ou de alguma outra das Ilhas Gélidas ao norte. Entretanto, ela havia citado o Sul antes de falar dessa rota, e comecei a ficar em dúvida quanto ao próximo Tomo a ser lido.
Ankrahmun, Ramoa ou aquele que obtive na Irmandade dos Ossos?
Continua…
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Bem, é isso aí, pessoal... A reta final tá chegando, e espero que todos vocês estejam por aqui para o fim de mais um ciclo! Fico no aguardo do feedback de todos vocês. Até a próxima!
Fala a verdade Fer... Esses capítulos foram só pra me relembrar da morte do Liive, pra eu voltar a te odiar né?
Poxa, eu até esqueci do que tava acontecendo na história pra me lamentar da morte do bárbaro.
As minhas aulas na faculdade recomeçaram, fora que fiz a The Pits of Inferno Quest durante o fim de semana então não tive tempo para postar. Aos que me mandaram good vibes, meus agradecimentos: EU FUI BEM-SUCEDIDA NA QUEST E COMPLETEI-A SEM PROBLEMAS! Graças aos meus amigos de guilda, realizei um dos meus maiores sonhos de Tibia. Agora, resta pegar mais níveis para ir à missão final da In Service of Yalahar, encarar o Mortal Kombat, as arenas de Svargrond (as duas últimas, que ainda não encarei) e algumas outras quests que tenho pendentes e estou para concluir.
Mas, antes de mais nada, umas Respostas:
Spoiler: Respostas aos Comentários
Postado originalmente por Kinahked
Senti uma dor no coração por vc ter me esquecido nessa bagaça toda :´(
Ooooh Ked! Eu não me esqueci de você não! Não fique assim! Eu fico é feliz por você ter lembrado de mim hahahahaha
Vai que você tem uma surpresa agradável...
Abraço!
Postado originalmente por Bruttar
Fala a verdade Fer... Esses capítulos foram só pra me relembrar da morte do Liive, pra eu voltar a te odiar né?
Poxa, eu até esqueci do que tava acontecendo na história pra me lamentar da morte do bárbaro.
Me perdoa, vei
Não fiz nada disso com essa intenção... A não ser de honrar o personagem. Agora, tá na hora de enxugar as lágrimas e seguir adiante...
Abraço!
Spoiler: A Voz do Vento 2016, Extras #7 (10/03/2016)
Capítulo 43 — Esquecimento, a Eterna: A Verdade em Cada Tomo (Parte 2)
...Ou viverá tempo o bastante para ver-se o vilão de sua história.
(Narrado por Sírio Snow)
Ireas parou por um tempo e sentou-se em seu lugar, visivelmente transtornado; ele ainda estava tentando digerir as informações que passara para nós também, e me parecia bem indisposto a continuar naquele momento.
— Quer que algum de nós continue por você? — Indaguei, solícito.
— De modo algum... — Replicou Ireas com cansaço, porém gentileza em sua voz. — Vocês todos já tiveram que ir até os vários cantos desse mundo para me ajudar... É minha vez de fazer um esforço legítimo, afinal.
Eu concordei com um meio-sorriso, apesar de achar que Ireas continuava a cobrar muito de si mesmo. Esses últimos meses que se passaram foram um verdadeiro inferno para o Norsir, e eu conseguia ver o reflexo disso em seu semblante: já não era mais o mesmo rapaz que conehci em Ankrahmun e que julgava ser apenas um Druida tentando achar seu lugar em meio a um Tibia que não mais respeitava a Natureza — e pensava isso com pesar, já que conhecia muitos de minha categoria que não tinham um pensamento lá muito correto sobre o mundo que os deuses nos haviam dado.
— Acho que deveríamos começar pelo livro da Irmandade. — Falou Brand. — Eu me lembro mais ou menos do que eu havia lido no Tomo de Ankrahmun, e não acho que, após a leitura desses últimos três, ele faça algum sentido agora.
— Tem certeza? — A voz baixa e sibilante de Emulov voltara ao recinto depois de tanto tempo sem nada dizer.
— Quase absoluta. — Replicou o Paladino de cabelos prateados. — O que havia naquele Tomo era... Havia mais citações sobre o passado de Ankrahmun e pesquisas dela do que qualquer outra coisa... E parecia ter citado o pai do Ireas ou o próprio Ireas, mas não tenho certeza.
Nisso, senti uma cotovelada em minha costela, dada por meu irmão. Eu estava prestes a retrucar quando vi Wind se esgueirando para perto da pilha com um olhar diferente. Era estranho; era como se não houvesse mais brilho em sua íris, e estivesse... Não sei... Fora de si, talvez.
— Quantos Tomos haviam, originalmente? — Indagou o Yalahari em um tom de voz estranho, que não lhe era costumeiro.
— Oito. Exatamente o número que temos aqui. — Replicou Ireas rapidamente, confuso com a pergunta de Wind.
— Não, Ireas. Não eram apenas oito. — Replicou Jack, arregalando os olhos.
— Como assim? — Ireas mostrou-se ainda mais confuso.
— Eram mais oito. — Replicou Jack, meneando a cabeça. — Eu me lembro das palavras de Nurnor... Ele havia falado que, após o de Ankrahmun, haviam mais oito. Só que ele perdeu a conexão espiritual com ela durante o processo de escrita.
— O que significa... — Ireas resmungou, esmurrando o chão em seguida. — Que perdemos uma peça do quebra-cabeças!
— Não necessariamente. — Brand replicou, visando acalmar Ireas. — Pode ser que os outros Tomos tenham alguma dica ou pista sobre a localização desse último que deixamos passar.
— Ou... Poderíamos perguntar à única pessoa que já a serviu. — Wind falou, virando seu rosto lentamente em direção a Yami.
Todos nós voltamos nossos olhares para o Djinn, inclusive Yumi; ele soltou um suspiro e meneou a cabeça, na tentativa de lembrar-se de algo. Ele olhou para Ireas, como se esperasse permissão ou aprovação dele. Após alguns instantes de silêncio, o Norsir concordou com a cabeça, dando-lhe a palavra.
— Bem... Não sei vou ser de muita ajuda agora. — Falou o Djinn de olhos dourados. — Vou-lhes contar o que eu sei, esperando que seja a verdade. Escutem-me até o final, se possível.
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(Narrado por Yami, o Primeiro)
Respirei fundo; nunca achei que fosse chegar a esse ponto. Talvez fosse a hora de finalmente contar a todos eles a verdade sobre a minha história e, consequentemente, a de Yumi. Ah, o timing não poderia ser mais... Odioso. Lá estava eu, novamente escravo a uma outra vontade – coincidentemente, relacionada por parentesco à minha ama anterior –, prestes a perder a única família que tive em minha vida para um cara que, sinceramente, poderia ter-se como roto falando do rasgado. Não havia outra saída: teria que contar-lhes tudo, mesmo correndo o risco de sofrer as consequências depois.
— Vou contar a vocês uma história, que é pertinente ao assunto e que faz todo o sentido. — Falei, olhando para todos ao meu redor. — É sobre mim, minha família e como vim a servir Esquecimento Eterno, e o que eu possivelmente sei sobre a trama dela.
— Possivelmente? — Keras indagou, com o semblante feroz.
— Fique tranquilo, Keras. — Falei, buscando manter-me calmo. — Sei mais que você pensa. Na realidade, estou na história da sua vida a mais tempo do que você imagina. — Olhei para minha irmã. — E você saberá o porquê.
Abaixei minha cabeça pela primeira vez em muito tempo; isso estava para ferir meu orgulho ainda mais.
— Minha família é parte de uma linhagem de Djinns que era meio-termo entre Efreets e Marids. — Comecei. — Por isso eu e Yumi somos diferentes não só em gênero, mas também em... Raça, por assim dizer. Nós existíamos bem antes da primeira guerra entre Malor e Gabel, e voltamos a esse plano quando Melchior fez... O que fez. Nossos pais estavam envolvidos diretamente com o que havia ocorrido em Drefia, tendo ficado presos lá. Quando eu e Yumi emergimos novamente, estávamos muito enfraquecidos. Nossa fonte de poder baseia-se nos sonhos das raças criadas por Uman. Somos seres que se alimentam de sonhos ainda que não possamos ter os nossos próprios sonhos.
Voltei meus olhares para Yumi, com expressão melancólica.
— Estávamos sem nossos pais, e não tínhamos muita força; a Humanidade havia se tornado numerosa mas havia nos esquecido; os sonhos que tinham com Djinns e seus desejos haviam sido enterrados em Drefia... E nossa raça estava morrendo. Enquanto Gabel buscava uma alternativa mais... Construtiva, por assim dizer, Malor decidira apelar para os pesadelos. Eu e Yumi estávamos começando a dar sinais de fraqueza... Nossa existência logo não seria mais que mera chama azul ou esverdeada, incapaz de assumir qualquer forma, e logo desapareceria no ar.
— Eu... Eu não me lembrava disso... — Minha irmã meneou a cabeça, triste. — Yami, o que você fez?
— O que precisava ser feito... Ou o que eu achava que tinha que ser feito. — Repliquei, melancólico. — Fui a uma expedição a mando de Malor para Drefia, na tentativa de instigar o horror no coração dos homens para que nunca mais fôssemos esquecidos... E foi quando eu conheci Esquecimento Eterno. Eu... Eu estava carregando a sua Lâmpada, Yumi. Você estava em péssimas condições e mal conseguia se materializar... E ela apareceu interessada no poder que tínhamos... Ela ajudou a libertar nossos pais mas forçou-me a fazer uma escolha.
— Que escolha? — Minha irmã estava ficando cada vez mais furiosa. — Yami...
— Nossos pais estavam quase mortos, já haviam virado chama... E ela me deu a escolha de absorver a energia deles, usar para salvar a sua vida e a minha ou deixar que ela pegasse aquele energia para si... Eu escolhi o que achava que dava para escolher...
— Eu não acredito nisso... — Yumi estava estarrecida, chocada.
— A história não pára por aí... — Falei, de cabeça baixa e totalmente humilhado. — Malor descobriu o esquema e quase nos matou! Deixei sua Lâmpada às portas de Ashta’daramai e fui atrás de Esquecimento Eterno para eliminá-la e acabei sendo enganado, e virei servo dela.
— Você matou os nossos pais... — Minha irmã tornou a falar, furiosa e ofegante. — Eu... Você disse... Você tinha falado... Que estávamos sozinhos... Você mentiu...
Eu vi as lágrimas descerem pelo rosto de minha irmã, e minha garganta começou a se fechar; sentia-me péssimo por aquilo. Não pela escolha que fiz, mas pela forma como fui forçado a fazê-la.
— Eu não espero que você me perdoe, irmã... — Falei, tentando controlar minha emoção. — Eu... Eu fui atrás de Esquecimento Eterno... Eu a enfrentei e ela conseguiu me enganar; achei que eu a tivesse na palma de minha mão quando ela conseguiu me aprisionar em uma Lâmpada e fazer de mim seu escravo, usando sua vida, Yumi, como garantia.
Minha irmã olhava para mim em um misto de descrença e raiva; nunca em minha vida eu quis magoá-la. Eu vivi todos os momentos de minha existência buscando mantê-la viva e feliz. Nunca me havia passado pela cabeça que um dia eu lhe traria tamanha dor; nunca achei que veria-me forçado a dividir com ela e com todos os demais essa parte do meu passado.
— Então, em troca da vida da sua irmã, você vendeu a sua para minha mãe. — Keras falou, tentando processar.
— Sim. — Repliquei. — Mas isso não foi tudo; eu te falei que minha história e a sua também estavam ligadas... E eu não menti sobre isso. — Voltei meus olhares para Keras. — Eu não era mau, mas nunca fui um santo. Eu não me importei em ser mau por que isso manteria Esquecimento longe de minha irmã. Preferi ser mais um daqueles “gêmeos maus” de que sua gente tanto fala para ver-me livre das ameaças dela... Mas, não adiantou de muita coisa. Submeti-me aos caprichos dela... Fui seu braço direito e fiz seu trabalho sujo pensando que talvez Malor estivesse certo sobre nós, que éramos seres maus de natureza e que o que eu estava fazendo era natural para a minha gente.
— Não! — Vociferou Yumi, levantando-se furiosamente. — Isso não é natural! Malor era um monstro, e você não era diferente dele!
Ela avançou em minha direção, sendo detida pelo noivo; ela se aninhou no peito dele, chorando e pronunciando ofensas em nossa língua nativa. Ofensas essas que nunca achei que ouviria dela; comecei a sentir-me cada vez mais miserável de alma.
— Eu vou levá-la para outro canto. — Brand falou para mim, sério e irritado. — Faço isso por ela, e não por você. Não tem tragédia que justifique o que você fez, seu bastardo desnaturado!
Dito isso, o Paladino saiu com minha irmã para outro recinto ainda em Nibelor. Os demais me olhavam confusos, sem saber como reagir ao que havia acabado de contar. Sentia, no fundo, que desconfiavam de minhas palavras, e eu não os culpava por isso. No lugar deles, pensaria o mesmo. Afinal, eu era o vilão. Eu havia me tornado o vilão sem me importar com as consequências. E eu achava, até Keras me incapacitar, que eu estava certo.
— Continue. — A voz baixa de Emulov fez-se ouvir no recinto. — Eu tenho meus motivos para não gostar de você... Mas, acho que você merece o benefício dessa dúvida.
Os demais concordaram com ele, e foi aí que notei o olhar do Andarilho do Vento. O ruivo parecia totalmente fora de si; seus olhos, que eram castanhos-claros, estavam visivelmente mais escuros e sem brilho. Sua pele parecia ligeiramente mais pálida, e ele parecia catatônico, em um estado sinistro de letargia. Meneei a cabeça a fim de não encará-lo por mais tempo, ainda que estivesse atento a qualquer mudança no comportamento do Yalahari.
— Eu fiquei afastado de Yumi durante alguns anos. — Continuei, melancólico, indo em direção à pilha de livros. — Nesse meio tempo, vi sua mãe se aproximar do xamã. Lembro-me de tê-lo abordado uma ou duas vezes.
— Kaisto? — Keras indagou, engolindo a revolta. — Você conheceu meu pai?!
— Como eu disse, falei com ele uma ou duas vezes, mas nunca o agredi. — Repliquei. — Sua mãe queria uma aproximação, talvez por culpa quanto ao que aconteceu com o culto dela. Naquele tempo, ela estava estranhamente mais gentil... As coisas estavam diferentes.
— Como assim? — Indagou o Norsir.
— Ela não parecia uma psicótica por poder. — Repliquei, pegando um dos Tomos que ainda estavam na pilha central. — Digo, ela já era uma Irmã de Ossos à época, mas não parecia movida à escuridão e medo como antes. Ela parecia...
—... Apaixonada. — Completou Jack. — Era isso?
— Sim... — Repliquei com um meio-sorriso. — Eu lembro que fiquei com ela em Svargrond do dia em que ela chegara com a premissa de tocar o terror lá até o dia em que o pai de Keras foi morto. Ele morreu e eu não pude intervir. Até porque eu ainda era subordinado à Lâmpada dela... Ainda faltava um último desejo a ser cumprido.
Eles já estavam no ápice do atordoamento e da indignação. Keras, então... Eu sentia de longe sua vontade em me transformar em uma torre de gelo. Infelizmente para eles, teriam que me dar ouvidos caso desejassem saber o que fazer.
— Keras, você já notou algo incomum em seu corpo? — Indaguei, tentando contar aquilo da melhor forma possível, se é que havia alguma restante. — Uma marca de nascença? Uma rosa, talvez?
Ele arregalou os olhos para mim, assustado e surpreso; os demais fizeram o mesmo, e Keras conferiu a marca que tinha no peito.
— Esse foi o último desejo de sua mãe. Foi o que me concedeu a liberdade... Parcial. — Falei com um meio-sorriso. — Em uma forma de se redimir, ela desejou que você tivesse uma marca para a vida inteira e que te protegesse. Ela escolheu a rosa por conta de uma situação entre ela e Kaisto... Seu pai venerava Bastesh e Pai Chyll*, algo assim... E as rosas azuis eram um símbolo dela. Inclusive, foram as mesmas rosas que a vi usar no casamento dela com seu pai.
— Então... — Keras murmurrou, com os olhos bem abertos. — A minha habilidade com as águas...
— Yami pode tê-la dado a você sem perceber. — Emulov completou, para meu total desentendimento da situação. — Djinns podem fazer isso, não podem?
— Talvez... — Repliquei, incerto. — Naquela época, eu não tinha ciência da extensão total dos meus poderes. Minha raça tem magia além da imaginação humana... Podemos fazer tanto que não sabemos ao certo. De qualquer forma, sua mãe pediu por uma proteção para você, Keras, como se eu fosse um tipo de patrono a te acompanhar... Entretanto, ela me libertou após eu terminar o conjúrio, e foi esse o dia em que...
— ...Ela me abandonou em Rookgaard, não foi? — Falou Keras, com a voz diminuída pelo choque. — Ela me deu uma espécie de...
— ... Última-bênção**, ou coisa do gênero. — Falei, com um dos Tomos em minha mão. — Olha... Keras, eu não achava que você sobreviveria... Digo, sua mãe te teve em uma situação de estresse e você mal conseguia respirar quando te vi à primeira vez. Eu sinceramente... Só sei que ela rumou a noroeste em busca de mais conhecimento.
— Ela foi à minha terra.
A voz de Wind fez-se presente, mas não em sua tonalidade normal. Ele estava mais pálido e parecima um vampiro, com o diferencial de ter fundas olheiras abaixo de seus olhos e a cor da íris modificada para um fantasmagórico tom de violeta. Sua voz soava etérea, como se ele não falasse nesse plano.
— Ela foi até a ilha a Noroeste... A terra onde me encontraram. A terra dividida em quarteis... Onde o conhecimento conheceu sua fronteira final. Lá estará o que vocês procuram... E esse ruivo, que compartilha o sangue daqueles que outrora me veneraram... Que outrora me serviram tão obedientemente... Ele guiará vocês.
Ireas se levantou, e eu fitei Wind com surpresa. Eu já havia ouvido falar de algo assim... De uma entidade restrita entre a existência e a não-existência, mas não achei que tal criatura existisse. Poderia ser... Variphor?
Continua...
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Glossário:
(*): Pai Chyll (Father Chyll) é o deus amplamente cultuado pelos Norsir de Svargrond. É o deus conhecido por seu hálito gélido, representando o gelo e o vento de Hrodmir.
(**): Conceito similar ao da extrema-unção, onde é concedida uma última oração ou bênção a um doente terminal por parte de um padre cristão.
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