Saudações!
Perdoem a demora... algumas coisas muito chatas ocorreram na RL recentemente e me tiraram toda a concentração para escrever. Mas... Aqui vamos nós! Com o capítulo de hoje, faltarão apenas dois capítulos para o fim! Brace yourselves... The end is coming!
Spoiler: Respostas aos Comentários
Sem mais delongas, o Capítulo de hoje!
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Spoiler: Bônus Musical
Capítulo 13 — Domo dos Sonhos Eternos
O que fazer quando se está diante de uma batalha praticamente impossível de se vencer?
(Narrado por Icel Emonebrin)
— Soem o alarme! O alarme! — Um dos sacerdotes-guerreiros gritou ao longe, com armas em punho.
— Evacuem os Teshial, agora! — Ouvi outro gritar de outro canto, em um misto de desespero e coragem tiradas do absoluto desconhecido.
Os céus estavam escuros e as nuvens luziam como carvão em brasa; O ar estava cada vez mais denso e difícil de respirar, e o suor estava correndo livre de minha testa; das brumas que cercavam a porção sul, estranhos, escamosos, úmidos e aterradores tubarões alados singraram pelos céus vermelhos de ira e medo.
Os sinos soavam altos em suas badaladas retumbantes; membros da casta Teshial acordavam, desesperados, de um sonho que rapidamente se converteu em pesadelo. A cada badalada, mais sacerdotes, Cavaleiros, Paladinos, Druidas ou Feiticeiros, corriam até a ala principal para me auxiliar naquela missão.
Os tubarões começaram a vir em minha direção, talvez sentindo o cheiro de meu suor ou, quem sabe, o medo que eu percebia cada vez maior dentro de mim.
— Exevo Mas San! — Gritei, erguendo meus braços para o alto.
A luz tomou forma do símbolo sagrado de Uman e Banor: a cruz eterna, o ankh divino, que rasgou a carne suada, escamosa e nojenta de alguns deles; três caíram ali e dois recuaram, rosnando, enquanto deslizavam suas barrigas lisas e de peixe pela terra antes imaculada.
Um batalhão disforme, saído dos cantos escuros e horríveis da mente de qualquer criatura capaz de sonhar, marchava devagar em direção ao pátio; seres feitos de carne, com perninhas atarracadas e musculosas e nada além de uma arcada dentária sustentada em uma bola de carne e pele saíam aos montes, liderando a horda horrenda.
Os sacerdotes mais fracos eram vítimas fáceis dessas criaturas carnívoras, cujos dentes enormes e afiados laceravam facilmente sua carne; Jack tomou a frente e, com um sopro, criou uma rajada de vento dourado que feriu fortemente algumas dessas criaturas, que recuaram quase tão rápido quanto haviam outrora avançado.
Com meu arco em mãos, comecei a atirar todas as flechas que eu podia. Contudo, pareciam ser fortes a tudo; fogo, gelo, terra, energia e ataques comuns nada faziam contra elas. De repente, duas delas se invocaram comigo e vieram em minha direção.
— Exevo Mas San! — Urrei novamente, assustado com a velocidade daqueles seres hediondos.
Mais gritos de dor; um daqueles seres que era apenas mandíbula pulou em minha direção, escapando de meu ataque; mordeu-me o ombro e eu tentei espetá-lo com a minha lança. Senti, então, um halo de luz se aproximar de meu corpo e acertar a criatura com tudo. Olhei para trás, e era Jack que estava ali.
— Exori Gran Con! — Gritou o Vento do Sul, conjurando lanças etéreas e auxiliando no abate às feras.
Ele respirou fundo e soprou uma corrente de vento quente e abrasiva, corroendo a carne flácida e vil dos Bichos-Papões; Sírio e Morzan surgiram em meio à multidão de sacerdotes em frenesi, e o ataque continuou. Morzan pulou em direção aos tubarões famintos, e sua espada cortou-lhes profundamente a carne profana, atraindo a atenção deles para si.
— Exeta Res! — Ele gritou, tentando mover-se o mais rápido que podia para dar conta daquela multidão.
— Exura Sio: Morzan Snow! — Ouvi alguns druidas gritarem ao longe.
Os druidas faziam o que podiam: conjuravam pequenas tempestades de gelo enquanto os feiticeiros faziam os raios descerem dos céus para ajudar naquele combate. Entretanto, quanto mais matávamos, mais apareciam em seu lugar. Aqueles seres que eram só boca e dentes, inicialmente pequenos e em grande número, começaram a ser substituídos por versões maiores, mais fortes e mais vorazes.
— É muito Bicho-Papão! — Ouvi alguém gritar na multidão antes de ser empalado e perder a vida.
— Precisamos de ajuda! — Uma voz feminina e desesperada gritou antes de outro Bicho-papão pular em cima dela, mordendo seu pescoço e separando cabeça do restante do corpo.
— Droga… — Sírio resmungou, olhando ao seu redor. — EXEVO GRAN MAS VIS!
Sírio ergueu as mãos em direção aos céus e o tempo fechou; nuvens negras descarregaram raios ferozes e certeiros contra os alvos mais próximos; as crias de Roshamuul sentiram o forte açoite dos céus e muitas recuaram, indo de encontra à minha mira e à de Jack.
— Cento e um! Dois! Três! — Gritei, contando as flechas que eu atirava para finalizar os Pesadelos mais próximos!
— Noventa e cinco! Noventa e seis! — Gritou Morzan mais à frente, sentindo o cansaço afetar seus golpes de espada, cada vez mais lentos. — Cadê o Ireas?! O Brand?! Kinahked e Maximus?! Vamos morrer aqui se não tivermos ajuda!
De repente, vi um outro tipo de Bicho-Papão aproximar-se pelas costas de Morzan; um ser fino, de membros alongados, dedos finos e compridos e ausência completa de cabeça sob os ombros. Morzan teve tempo apenas de olhar para trás e sentir as mãos poderosas e sádicas da criatura apertando seu pescoço; Jack usou o vento com suas mãos para poder cortar a criatura determinada, mas os cortes não pareciam ser capazes de impedi-la.
— Merda de Bicho-Papão! — Urrei, atirando minhas flechas cristalinas contra ela, mirando em seu antebraço. — Solta meu amigo, bicho desgraçado!
Morzan soltou sua espada no chão e levou as mãos aos dedos poderosos do Pesadelo, desesperado por uma lufada de ar; ele tentava arranhar a pele espessa daquele ser horrendo, incapaz de mover sua cabeça para baixo para morder seus dedos.
— UTORI SAN! — Jack urrou, e a raja de vento assumiu uma cor dourada, acertando a criatura e a fazendo tontear com a luz que ofendia a sua existência.
— EXORI GRAN CON! — Deixei o arco um pouco de lado para usar minha mana, e a lança etérea veio certeira no oco onde deveria ficar a cabeça daquela aberração.
— EXEVO MAS SAN! — Jack combinou vento e luz em uma única magia, direcionando a rajada para aquela coisa asquerosa.
A criatura começou a recuar; os açoites de vento combinados com as flechas que perfuravam continuamente seus antebraços causaram-lhe dor e sangramentos suficientes para soltar Morzan e cambalear para trás. Dois sacerdotes com as vestes ensaguentadas apareceram naquele momento e empalaram o corpo vil, acabando com sua existência de uma vez.
— Se a gente está assim… Imagino a porção Norte… — Falei, ofegante.
Jack correu até Morzan, que tossia com extrema dificuldade para respirar, estendendo seus braços para cima desesperado por ar para encher seus pulmões. O Vento do Sul levou suas brancas mãos ao seu rosto e soprou soprou em suas palmas, criando um bolsão de ar. Calmamente, ele levou a bolha de ar a Morzan, cuja agonia foi encerrada em grande arfadas que logo expandiram suas vias respiratórias.
— Eu… Quase… — Balbuciou o cavaleiro, tremendo em choque.
— Eu sei… — Replicou Jack calmamente, ajudando-o a levantar. — Você está lutando bem, meu amigo…
O Vento do Sul conseguiu, com uma técnica similar, usar o vento para revitalizar Morzan, cuja força foi, aos poucos, retonando ao seu ser, ao ponto do antigo mercenário pegar em armas novamente e correr atrás do irmão caçula, cujos raios e trovões abriam caminho para os refugiados Teshial escaparem pela Ponte dos Sonhos em direção à liberdade e salvação.
Os tubarões suados e de dentes afiados ganharam tamanho e asas maiores e mais virulentas, que espalhavam toxicidade por onde andavam; os mais próximos, sentiram os efeitos imediatos do febril bater de asas daqueles seres horrorosos; uma nuvem tóxica, densa e pestilenta, trazendo efeitos imediatos para os corpos dos sacerdotes mais expostos, cuja pele e carne começaram a se dissolver e borbulhar.
Naquele momento, um portal luminoso apareceu perto dos limites daquela nuvem. Uma Djinn azul, com o torso nu e de musculatura definida, com os seios, pescoço e pulsos cobertos por adornos prateados, cabelos negros espetados e com duas longas mechas presas por adornos de prata e olhos bem brilhantes apareceu dele. Com um sopro gélido, ela afastou as nuvens dos sacerdotes e curou aqueles que ainda respiravam.
Era Yumi Yami em sua forma mais verdadeira e gloriosa.
— É hora dessas criaturas encararem uma adversária à altura! — Sua voz soou mais forte e sublime do que jamais havia sido. — BONS DESEJOS APARECEM APENAS EM CONTOS DE FADAS! DESAPAREÇAM!
Das mãos da Djinn saiu uma rajada de gelo e energia varrendo a área à frente dela, matando os Bichos-Papões que insistiam em estar ali. Os mais fracos bateram em retirada, e Yumi foi adiante atrás deles, a fim de vingar aqueles que haviam caído e curar os guerreiros que ainda respiravam e tinham vontade de lutar.
Jack pegou sua trombeta e tocou-a com toda a força de seus pulmões, instigando maior ânimo aos nossos aliados; o som foi, também, manipulado pela mana do Vento do Sul, e a magia tornou, mesmo que temporariamente, os adeptos do culto de Nornur mais fortes do que nunca antes haviam sido em suas vidas.
Um grito estridente e feroz rompeu da massa e, no momento em que subiram os fachos de luz que rasgaram a carne daquelas criaturinhas horrorosas, senti o ar ficar mais gelado, e eu não pude conter o sorriso que veio involuntário a mim.
— LÁ VAI MACHADO!
Era o Vento do Norte. Ireas Keras chegara, e machados começaram a voar em meio aos Bichos-Papões que não queriam dar trégua ou sossego; os combatentes da porção Norte vinham com as pinturas faciais dos bárbaros de Hrodmir e a fúria e o frenesi que Liive sempre tivera em vida e em combate.
— Agora vai ficar bom, heim! AGORA VAI PRESTAR! EXEVO GRAN VIS LUX! — Sírio gritou de longe, lançando uma linha de energia que acertou os Pesadelos à sua frente, ferindo-os gravemente e gerando desorganização entre as linhas inimigas.
Seres esverdeados, bípedes e de caras alongadas que mais lembravam Drakens deformados continuavam com seus berros estridentes, enlouquecidas com os sons do combate e, talvez, funcionando como um suporte moral para os Bichos-papões, assumiram a frente, indo de encontro às tropas que Ireas trouxera consigo.
E o Norsir de cabelos azuis não parava de sorrir.
— POR NORNUR E OS SONHOS DOS VIVOS! — Urrou o Vento do Norte enquanto conjurava uma machadinha feita de gelo e a arremessava em direção às criaturas que se aproximavam.
Os sacerdotes que vieram com ele estavam com machados e maças em punho, correndo tresloucados atrás das criaturas que queriam silenciá-los. Em conjunto, pulavam nelas como feras famintas, estraçalhando seus corpos, espalhando tripas, sangue, couro e carne pelo chão outrora imaculado da Sociedade das Teias Infindas.
Ireas tomava a frente, dando tapas na terra que, em retorno, prendia os seres vis em vinhas fortalecidas, dando tempo suficiente para os grupos de cinco a seis guerreiros se aproximarem com a ferocidade de Lobos de Guerra, desmembrando e cessando a vida de cada Bicho-papão em seu caminho.
Naquele meio tempo, Morzan saíra do patio e subira até o campanário mais próximo, onde havia a trombeta de alarme intocada e exposta aos ares e ao combate. O cavaleiro da Baía da Liberdade subiu o mais rápido que pode para fazer o que precisava ser feito
— VAMOS TRAZER MEDO AO CORAÇÃO DOS FILHOS DE ROSHAMUUL! — Gritou Morzan lá do alto, empolgado, soando a trombeta com toda a força de seus pulmões.
O som da trombeta veio grave, sublime, forte e de longo alcance, e o combate começou a ficar claramente mais favorável aos seguidores de Nornur. Muitas das criaturas de Roshamuul jaziam sem vida no chão, com os cadáveres decompondo-se rapidamente, derretendo como se ácido tivesse sido jogado em sua carne, restando nada além de poças podres malcheirosas e escuras no chão.
Com números cada vez menores, os Bichos-Papões sentiram a pressão dos herdeiros do Vento, e a Ponte dos Sonhos continuou incólume e com um número cada vez maior de refugiados cruzando sua estrada feita de teias douradas e nuvens sólidas e edificadas, mas macias ao toque dos pés descalços que corriam para a imagem da Árvore Eterna de Ab’dendriel.
— Continuem! — Gritava Jack, atirando lanças a frente e usando as mãos para guiar o vento como arma. — Eles estão recuando! Eles estão desistindo!
O druida soprava em seus machados, e Nornur permitia que seu filho mais decidido ganhasse mais força, e seus machados giravam rápidos e leves no ar, cortando braços, pernas, dedos, pescoços e troncos como se fossem feitos de manteiga derretida e disforme.
Aos protestos, berros e feitiços pestilentos, os filhos de Roshamuul começaram a bater em retirada. Os que sobraram deixaram para trás as carcaças caídas de seus companheiros de estirpe. Quando vimos, os Bichos-Papões haviam deixado a Sociedade por completo. Entretanto, seus gritos e gemidos não pareciam de seres derrotados e amuados.
— Gaz’Haragoth… Gaz’Haragoth...
Eram risinhos. Gorgolejos. Grunhidos estranhamente alegres.
— Em Yalahar os mortos não descansam em solo que se possa enterrar…
Algo estava muito olhado; eu olhei ao redor, para o chão onde todos jaziam mortos. Então, eu entendi.
— Jack… Ireas… — Eu falei, aterrorizado.
Havia muitos corpos no chão, tanto das nossas forças quanto das deles. Entretanto, a proporção não era a esperada. Estava longe de ser.
— E nem em Ab’dendriel as estrelas podem nos abrigar… — A voz dos que restaram soava casa vez mais distante, como se zombassem de nós.
No chão, havia cerca de seiscentos dos nossos caídos, sem vida e totalmente destroçados.
— Na cidade de Roshamuul onde o Eterno pode para sempre vingar… — Os ecos ainda restavam, e vi Ireas e Jack taparem suas bocas ao constatarem a mesma coisa que nós.
Das forças deles, havia pelo menos uns cinquenta. No máximo.
— E em eras estranhas… Onde até a Morte pode definhar… — A última estrofe sumiu no ar como um sonho inacabado e fragmentado.
Cada um dos Bichos-Papões abatidos custou doze vidas nossas. Doze. Para cada Pesadelo. Estávamos em plena desvantagem. Eles poderiam substituir facilmente esses números. Nós, não.
Aos poucos, todos começaram a se dar conta da mesma conclusão à qual eu havia chegado. Os ânimos, outrora triunfantes, orgulhosos e esperançosos, esmiuçaram desesperança de uma tentativa suicida de barrar a chegada dos Pesadelos ao mundo físico.
— Eles mandaram um batalhão pequeno para reconhecimento. — Ireas falou, baixinho, tentando racionalizar e esconder o horror em seu olhar. — Agora eles sabem os nossos números…
— Agora… Que a gente faz? — Sírio indagou, olhando para as Vozes do Vento.
Jack e Ireas se entreolharam por um tempo, e eu pude ver uma dúvida cruel e triste passar pelo semblante deles. Pela primeira vez em muito tempo, os filhos de Nornur não faziam a menor ideia do que deveria ser feito para evitar um massacre. Até que Ireas arregalou o olho sadio e sua expressão mudou subitamente.
— A porção Norte… Yami! — O Norsir lembrou de imediato. — Eu preciso passar lá! Deixei muitos para trás para defender! Eu voltarei em breve!
Apressado, o druida de cabelos azuis abriu um portal dos sonhos e atravessou para o outro lado quase tão rápido quanto o portal sumira de nossas vistas. Eu vi Jack levar a mão ao pescoço, receoso, sem saber o que dizer.
— Vamos aos ritos fúnebres, pessoal. — Falei no tom mais firme que eu consegui. — É hora de nossos companheiros descansarem eternamente. Temos muito a fazer.
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(Narrado por Ireas Keras)
Cheguei às pressas à porção que eu regia; como suspeitava, os filhos de Roshamuul também pisaram lá. Entretanto, nossas perdas pareciam ter sido menores, assim como o número de demônios presentes. Yami já havia tomado as providências fúnebres necessárias. Eu fui correndo até ele, ainda horrorizado com o que eu havia testemunhado na porção Sul. Eu estava todo coberto de sangue; meu torso estava nu, e o sangue parecia uma camisa colada ao meu corpo forte para os padrões de um druida.
— Keras! — Yami anunciou a minha presença, e os demais sacerdotes olharam para mim sem saber como reagir.
— Yami… O que houve? — Falei, exausto, sentindo minhas pernas falharem comigo.
Yami me amparou e impediu minha queda, e os demais começaram a se aproximar.
— Os Pesadelos vieram em baixo número, mas estávamos preparados. — Replicou o Efreet, tentando manter os ânimos controlados. — Era um aviso, provavelmente um grupo de patrulha.
— Fora os que caíram… Estão todos bem? — Indaguei para todos no ambiente, um pouco mais centrado e deixando de apoiar em Yami.
— Estamos, senhor. — Replicou um dos sacerdotes. — Foi apenas o susto… Não esperávamos seres tão fortes!
— Pesadelos são tão fortes quanto Sonhos… Principalmente se o mundo está cada vez mais cruel com quem o habita. — Repliquei, sem desmerecer a preocupação do adepto. — Agora, precisamos reagrupar e treinar mais. A porção Sul também pensará em uma forma de fortificar as nossas defesas.
Na medida em que os ânimos começaram a se acalmar, eu pude, enfim, me concentrar nos pensamentos que vinham em minha cabeça.
— Onde estão meus filhos? — Indaguei a Yami.
— Brand está cuidando deles em Ankrahmun. — Falou o Efreet de olhos dourados. — Eu já pretendia buscá-los. Eu os levei a ele por uma rota que apenas eu e você temos acesso. Quer que eu os busque?
— Eu adoraria… — Repliquei, cansado.
— E se… Sonharmos mais?
Virei em direção à voz. Era Tameran, que ainda tinha um pequeno grupo de Teshiais armados até os dentes com ele.
— Esses aqui decidiram ficar para auxiliar na defesa do único lar fixo que tivemos em eras. — Falou o Teshial para nós. — Era o mínimo que poderíamos fazer por vocês, que decidiram arriscar tudo por nós.
— Eu normalmente me oporia, mas… — Olhei para os lados, cansado. — Precisamos de todos os seres aptos para o combate que tivermos à disposição. Você falou algo sobre… Sonhar mais?
— Sim… — Falou o Teshial. — Sonhos são a matéria-prima de tudo aqui… Para poder aumentar suas defesas, vocês precisam sonhar mais.
Assim que Tameran terminou de falar, uma ideia me passou rapidamente pela cabeça, tempo o suficiente para ser marcante, e talvez sólida o suficiente para valer a tentativa.
— Não há como aumentar o número de tropas, Vento do Norte. — Tameran continuou a falar. — E eu não sei se dá para evacuar todos a tempo… Provavelmente, a Sociedade será destruída de novo.
— Não se eu puder evitar. — Repliquei, com a ideia em mente. — Acho que tenho uma possibilidade.
— E qual seria? — Yami indagou, curioso.
— Uma realocação. — Falei, ainda pensativo. — Uma proteção fixa. Uma barreira intransponível. Um domo.
— Um domo?! Enlouqueceu, Keras?! — Protestou Yami, com os olhos arregalados. — Como você espera manter uma estrutura dessa magnitude de pé, contra as forças de Roshamuul?! O que você sugere?! Drenar as forças oníricas de todos?!
— Não, é claro que não! — Repliquei, franzindo o cenho rapidamente. — Eu e Jack faremos isso. Usaremos as nossas forças oníricas para erguer esse Domo. Ao menos, será o suficiente para garantir que todos os Teshial saiam… E que possamos realocar a Sociedade inteira para alguma outra área dentro do Reino dos Sonhos à qual Roshamuul não tenha acesso.
— Ireas, isso é loucura! — Protestou o Efreet, horrorizado com a ideia.
— Pode funcionar. — Tameran falou, levemente esperançoso. — Tem uma grande chance de funcionar!
Os sacerdotes olharam uns para os outros e, aparentemente, começaram a comprar a ideia.
— Senhor, podemos doar parte de nossas forças para você, se quiser. — Um deles falou para mim, sorrindo. — É o mínimo que podemos fazer.
Eu olhei para todos lentamente, sentindo que aquilo era o certo a se fazer. Voltei meu olhar para Yami, que transparecia o aperto no coração que ele estava sentido.
— Yami… Eu preciso tentar. — Falei calmamente, com um sorriso no rosto. — É a única chance que temos de podermos sonhar livremente de novo. De acordo?
— Como? — Indagou o Efreet, confuso.
— Você me permite tentar? — Repliquei de forma dócil.
— Eu… Permito. Não que minha permissão valha de algo. — Replicou Yami em meio a um quase resmungo, envergonhado.
— Passarei a mensagem a Jack. — Falei, decidido. — Quem estiver muito ferido para lutar, eu sugiro que siga para a Ponte dos Sonhos junto aos outros refugiados. Não quero derramamento de sangue desnecessário. Roshamuul não terá essa vitória!
Os sacerdotes concordaram e os que estavam mais feridos obedeceram meu comando, amparados por aqueles que estavam mais sadios. Eu fui a cada casa e cada núcleo familiar prestar minhas homenagens a cada guerreiro caído, que lutou bravamente em nome de Nornur e da Sociedade. Tempos depois, as tropas que vieram comigo ao auxílio de Jack retornaram sãs e salvas, e eu escolhi um deles, Bjorn, para ser o emissário de minha vontade.
Quando tudo se acalmou e todos os planos haviam começado a se encaminhar, pedi a Yami que abrisse o caminho para a casa de Brand e Yumi em Ankrahmun. Uma vez que chegamos lá, agradeci ao casal por toda a gentileza e nobreza de espírito que tiveram em acolher minhas crianças em uma hora tão crítica.
Eu os levei de volta à Sociedade com Yami. Cuidei deles. Dei-lhes um bom jantar. Brinquei com as meninas enquanto embalava em caçula no colo. Um a um, dei um bom banho, vesti-os com as roupas mais confortáveis e quentes para a noite e os coloquei para dormir como se fosse a última vez que o faria, mas com a sensação de primeira noite como pai.
Depois disso, esperei Yami ir dormir para poder ir até meus aposentos e dormir, provavelmente, o último sono tranquilo de minha vida.
Continua...
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Nota da Autora: nesse Capítulo, foram introduzidos [CRIATURA]Frazzlemaw[/CRIATURA]s, [CRIATURA]Guzzlemaw[/CRIATURA]s, [CRIATURA]Silencer[/CRIATURA]s, [CRIATURA]Terrorsleep[/CRIATURA]s, [CRIATURA]Feversleep[/CRIATURA]s e [CRIATURA]Choking Fear[/CRIATURA]s. Optei por não dar-lhes nomes por uma questão de combate: ninguém ali perderia tempo com nomenclatura para cada Bicho-Papão. Portanto, foi mais fácil tentar diferenciar cada uma delas por suas descrições mais marcantes e mecânicas de combate.
A tia não estava com preguiça: só optei por uma coerência situacional, até porque ninguém fica teorizando em meio a um combate extremamente mortal.
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E é isso aí! Demorou, mas chegou!
Vai ter ainda mais pancadaria ao final, minha gente! Até o próximo e eu aguardo os comentários de vocês ANSIOSAMENTE!
Abraço,
Iridium.
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(Só para você: acho que você terá uma surpresa muito agradável no epílogo, just saying...)
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