Resultados da Enquete: Que Facção deveria Ireas Escolher?

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Enquete de Múltipla Escolha.
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Tópico: A Voz do Vento

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  1. #1
    Avatar de Motion Flamekeeper
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    Acho que todo mundo que acompanha A Voz do Vento concorda que já está na hora de fazer uma animação, né?

    Capítulo muito bom, Yami finalmente se declarou...

    Aguardo ansiosamente pela batalha da Sociedade das Teias Infindas.

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  2. #2
    Avatar de Gabriellk~
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    (Calma, não vim para comentar sobre a história... ainda.)

    Mas, como a história está chegando ao fim, está na hora de eu começar a aparecer por aqui de novo, afinal, no meu horizonte está a hercúlea tarefa de cumprir minha promessa e ler toda a sua história, Fer.
    Brincadeiras a parte, vai ser um prazer fazer isso. Como eu já dizia nos meus primeiros comentários aqui lá por 2012, sua história foi uma das melhores que já apareceram por essas bandas, e sem dúvida foi importantíssima para a seção. O Roleplaying não seria o mesmo se você não tivesse aparecido por aqui.

    E, mesmo sem ter lido um capítulo d'A Voz do Vento em anos, tenho certeza de que você só melhorou com o amadurecimento e a experiência acumulada de anos, e estou ansioso para voltar a comentar aqui como um leitor da sua história. E o fim dela vai cair bem próximo às férias, o que já une o útil ao agradável.

    Beijos, e até daqui um tempo! ^^
    “The big questions are really the only ones worth considering, and colossal nerve has always been a prerequisite for such consideration”.
    - Alfred W. Crosby

    Gosta de fics tibianas? Leia a minha aqui!

  3. #3
    Avatar de Edge Fencer
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    E aí!

    A essa altura do campeonato acho que já esgotei meu estoque de elogios pra história, então vou ter que ser repetitivo nos comentários dos capítulos finais kkkk

    Mais um capítulo lindo, Iridium. Adorei as descrições das crianças, me deixaram bem curioso sobre como você as imaginou (pedir pra vc desenhá-las seria muita cara de pau? ). Ainda bem que você já avisou que não vai acontecer nada com elas, pq se acontecesse eu perderia de vez minha fé na humanidade rs

    Bom, a parte da declaração do Yami (qui djinnão da PORRA) era algo que eu estava esperando bastante, e não me decepcionou. Acho que veio no momento certo, naturalmente; como ele mesmo disse, o Ireas sempre estava fora do "clima" pra isso, mas nessa hora em que ele estava bem com os filhos... Era a hora kkkk. Interessante ver como o Keras percebeu todos os vacilos que ele deu na convivência com o Yami só com essas palavras do djinn; a gente dá um desconto grande pela vida sofrida do cara, mas não foi nada legal da parte dele. Espero que mesmo não dando certo o relacionamento deles como um casal (pelas razões q já foram explicitadas no capítulo), o Yami receba o reconhecimento e a amizade que ele merece muito não apenas do Ireas, mas de todos os que os acompanharam nesses anos. Junto com os filhos, é o que, ao meu ver, vai fazer a vida do druida valer apena daqui pra frente (a não ser q vc traga uma surpresinha nesses últimos capítulos rs).

    Pra manter a tradição, não poderia faltar mais problemas aparecendo na vida do Ireas. Estou com grandes expectativas para essa batalha final da história, vamos ver quais consequências ela trará.

    Tá acabando. Fica a ansiedade pra ler os capítulos finais, mas ao mesmo tempo a tristeza pelo fim tão próximo. Negócio é aproveitar enquanto ainda dá kkkk.

    Abraço!
    Son of a submariner!

  4. #4
    Avatar de Shirion
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    Naaaaaaaaaaaaaao

    Iridiummm vc matou a Lisette Iridium

    Por que????????????? Por que???????????????? Por que???????????????

  5. #5
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Terceiro Pergaminho, Capítulo 13

    Saudações!


    Perdoem a demora... algumas coisas muito chatas ocorreram na RL recentemente e me tiraram toda a concentração para escrever. Mas... Aqui vamos nós! Com o capítulo de hoje, faltarão apenas dois capítulos para o fim! Brace yourselves... The end is coming!


    Spoiler: Respostas aos Comentários


    Sem mais delongas, o Capítulo de hoje!


    -----

    Spoiler: Bônus Musical


    Capítulo 13 — Domo dos Sonhos Eternos

    O que fazer quando se está diante de uma batalha praticamente impossível de se vencer?

    (Narrado por Icel Emonebrin)



    — Soem o alarme! O alarme! — Um dos sacerdotes-guerreiros gritou ao longe, com armas em punho.

    — Evacuem os Teshial, agora! — Ouvi outro gritar de outro canto, em um misto de desespero e coragem tiradas do absoluto desconhecido.

    Os céus estavam escuros e as nuvens luziam como carvão em brasa; O ar estava cada vez mais denso e difícil de respirar, e o suor estava correndo livre de minha testa; das brumas que cercavam a porção sul, estranhos, escamosos, úmidos e aterradores tubarões alados singraram pelos céus vermelhos de ira e medo.

    Os sinos soavam altos em suas badaladas retumbantes; membros da casta Teshial acordavam, desesperados, de um sonho que rapidamente se converteu em pesadelo. A cada badalada, mais sacerdotes, Cavaleiros, Paladinos, Druidas ou Feiticeiros, corriam até a ala principal para me auxiliar naquela missão.

    Os tubarões começaram a vir em minha direção, talvez sentindo o cheiro de meu suor ou, quem sabe, o medo que eu percebia cada vez maior dentro de mim.

    — Exevo Mas San! — Gritei, erguendo meus braços para o alto.

    A luz tomou forma do símbolo sagrado de Uman e Banor: a cruz eterna, o ankh divino, que rasgou a carne suada, escamosa e nojenta de alguns deles; três caíram ali e dois recuaram, rosnando, enquanto deslizavam suas barrigas lisas e de peixe pela terra antes imaculada.

    Um batalhão disforme, saído dos cantos escuros e horríveis da mente de qualquer criatura capaz de sonhar, marchava devagar em direção ao pátio; seres feitos de carne, com perninhas atarracadas e musculosas e nada além de uma arcada dentária sustentada em uma bola de carne e pele saíam aos montes, liderando a horda horrenda.

    Os sacerdotes mais fracos eram vítimas fáceis dessas criaturas carnívoras, cujos dentes enormes e afiados laceravam facilmente sua carne; Jack tomou a frente e, com um sopro, criou uma rajada de vento dourado que feriu fortemente algumas dessas criaturas, que recuaram quase tão rápido quanto haviam outrora avançado.

    Com meu arco em mãos, comecei a atirar todas as flechas que eu podia. Contudo, pareciam ser fortes a tudo; fogo, gelo, terra, energia e ataques comuns nada faziam contra elas. De repente, duas delas se invocaram comigo e vieram em minha direção.

    — Exevo Mas San! — Urrei novamente, assustado com a velocidade daqueles seres hediondos.

    Mais gritos de dor; um daqueles seres que era apenas mandíbula pulou em minha direção, escapando de meu ataque; mordeu-me o ombro e eu tentei espetá-lo com a minha lança. Senti, então, um halo de luz se aproximar de meu corpo e acertar a criatura com tudo. Olhei para trás, e era Jack que estava ali.

    — Exori Gran Con! — Gritou o Vento do Sul, conjurando lanças etéreas e auxiliando no abate às feras.

    Ele respirou fundo e soprou uma corrente de vento quente e abrasiva, corroendo a carne flácida e vil dos Bichos-Papões; Sírio e Morzan surgiram em meio à multidão de sacerdotes em frenesi, e o ataque continuou. Morzan pulou em direção aos tubarões famintos, e sua espada cortou-lhes profundamente a carne profana, atraindo a atenção deles para si.

    — Exeta Res! — Ele gritou, tentando mover-se o mais rápido que podia para dar conta daquela multidão.

    — Exura Sio: Morzan Snow! — Ouvi alguns druidas gritarem ao longe.

    Os druidas faziam o que podiam: conjuravam pequenas tempestades de gelo enquanto os feiticeiros faziam os raios descerem dos céus para ajudar naquele combate. Entretanto, quanto mais matávamos, mais apareciam em seu lugar. Aqueles seres que eram só boca e dentes, inicialmente pequenos e em grande número, começaram a ser substituídos por versões maiores, mais fortes e mais vorazes.

    — É muito Bicho-Papão! — Ouvi alguém gritar na multidão antes de ser empalado e perder a vida.

    — Precisamos de ajuda! — Uma voz feminina e desesperada gritou antes de outro Bicho-papão pular em cima dela, mordendo seu pescoço e separando cabeça do restante do corpo.

    — Droga… — Sírio resmungou, olhando ao seu redor. — EXEVO GRAN MAS VIS!

    Sírio ergueu as mãos em direção aos céus e o tempo fechou; nuvens negras descarregaram raios ferozes e certeiros contra os alvos mais próximos; as crias de Roshamuul sentiram o forte açoite dos céus e muitas recuaram, indo de encontra à minha mira e à de Jack.

    — Cento e um! Dois! Três! — Gritei, contando as flechas que eu atirava para finalizar os Pesadelos mais próximos!

    — Noventa e cinco! Noventa e seis! — Gritou Morzan mais à frente, sentindo o cansaço afetar seus golpes de espada, cada vez mais lentos. — Cadê o Ireas?! O Brand?! Kinahked e Maximus?! Vamos morrer aqui se não tivermos ajuda!

    De repente, vi um outro tipo de Bicho-Papão aproximar-se pelas costas de Morzan; um ser fino, de membros alongados, dedos finos e compridos e ausência completa de cabeça sob os ombros. Morzan teve tempo apenas de olhar para trás e sentir as mãos poderosas e sádicas da criatura apertando seu pescoço; Jack usou o vento com suas mãos para poder cortar a criatura determinada, mas os cortes não pareciam ser capazes de impedi-la.

    — Merda de Bicho-Papão! — Urrei, atirando minhas flechas cristalinas contra ela, mirando em seu antebraço. — Solta meu amigo, bicho desgraçado!

    Morzan soltou sua espada no chão e levou as mãos aos dedos poderosos do Pesadelo, desesperado por uma lufada de ar; ele tentava arranhar a pele espessa daquele ser horrendo, incapaz de mover sua cabeça para baixo para morder seus dedos.

    — UTORI SAN! — Jack urrou, e a raja de vento assumiu uma cor dourada, acertando a criatura e a fazendo tontear com a luz que ofendia a sua existência.

    — EXORI GRAN CON! — Deixei o arco um pouco de lado para usar minha mana, e a lança etérea veio certeira no oco onde deveria ficar a cabeça daquela aberração.

    — EXEVO MAS SAN! — Jack combinou vento e luz em uma única magia, direcionando a rajada para aquela coisa asquerosa.

    A criatura começou a recuar; os açoites de vento combinados com as flechas que perfuravam continuamente seus antebraços causaram-lhe dor e sangramentos suficientes para soltar Morzan e cambalear para trás. Dois sacerdotes com as vestes ensaguentadas apareceram naquele momento e empalaram o corpo vil, acabando com sua existência de uma vez.

    — Se a gente está assim… Imagino a porção Norte… — Falei, ofegante.

    Jack correu até Morzan, que tossia com extrema dificuldade para respirar, estendendo seus braços para cima desesperado por ar para encher seus pulmões. O Vento do Sul levou suas brancas mãos ao seu rosto e soprou soprou em suas palmas, criando um bolsão de ar. Calmamente, ele levou a bolha de ar a Morzan, cuja agonia foi encerrada em grande arfadas que logo expandiram suas vias respiratórias.

    Eu… Quase… — Balbuciou o cavaleiro, tremendo em choque.

    — Eu sei… — Replicou Jack calmamente, ajudando-o a levantar. — Você está lutando bem, meu amigo…

    O Vento do Sul conseguiu, com uma técnica similar, usar o vento para revitalizar Morzan, cuja força foi, aos poucos, retonando ao seu ser, ao ponto do antigo mercenário pegar em armas novamente e correr atrás do irmão caçula, cujos raios e trovões abriam caminho para os refugiados Teshial escaparem pela Ponte dos Sonhos em direção à liberdade e salvação.

    Os tubarões suados e de dentes afiados ganharam tamanho e asas maiores e mais virulentas, que espalhavam toxicidade por onde andavam; os mais próximos, sentiram os efeitos imediatos do febril bater de asas daqueles seres horrorosos; uma nuvem tóxica, densa e pestilenta, trazendo efeitos imediatos para os corpos dos sacerdotes mais expostos, cuja pele e carne começaram a se dissolver e borbulhar.

    Naquele momento, um portal luminoso apareceu perto dos limites daquela nuvem. Uma Djinn azul, com o torso nu e de musculatura definida, com os seios, pescoço e pulsos cobertos por adornos prateados, cabelos negros espetados e com duas longas mechas presas por adornos de prata e olhos bem brilhantes apareceu dele. Com um sopro gélido, ela afastou as nuvens dos sacerdotes e curou aqueles que ainda respiravam.

    Era Yumi Yami em sua forma mais verdadeira e gloriosa.

    — É hora dessas criaturas encararem uma adversária à altura! — Sua voz soou mais forte e sublime do que jamais havia sido. — BONS DESEJOS APARECEM APENAS EM CONTOS DE FADAS! DESAPAREÇAM!

    Das mãos da Djinn saiu uma rajada de gelo e energia varrendo a área à frente dela, matando os Bichos-Papões que insistiam em estar ali. Os mais fracos bateram em retirada, e Yumi foi adiante atrás deles, a fim de vingar aqueles que haviam caído e curar os guerreiros que ainda respiravam e tinham vontade de lutar.

    Jack pegou sua trombeta e tocou-a com toda a força de seus pulmões, instigando maior ânimo aos nossos aliados; o som foi, também, manipulado pela mana do Vento do Sul, e a magia tornou, mesmo que temporariamente, os adeptos do culto de Nornur mais fortes do que nunca antes haviam sido em suas vidas.

    Um grito estridente e feroz rompeu da massa e, no momento em que subiram os fachos de luz que rasgaram a carne daquelas criaturinhas horrorosas, senti o ar ficar mais gelado, e eu não pude conter o sorriso que veio involuntário a mim.

    LÁ VAI MACHADO!

    Era o Vento do Norte. Ireas Keras chegara, e machados começaram a voar em meio aos Bichos-Papões que não queriam dar trégua ou sossego; os combatentes da porção Norte vinham com as pinturas faciais dos bárbaros de Hrodmir e a fúria e o frenesi que Liive sempre tivera em vida e em combate.

    — Agora vai ficar bom, heim! AGORA VAI PRESTAR! EXEVO GRAN VIS LUX! — Sírio gritou de longe, lançando uma linha de energia que acertou os Pesadelos à sua frente, ferindo-os gravemente e gerando desorganização entre as linhas inimigas.

    Seres esverdeados, bípedes e de caras alongadas que mais lembravam Drakens deformados continuavam com seus berros estridentes, enlouquecidas com os sons do combate e, talvez, funcionando como um suporte moral para os Bichos-papões, assumiram a frente, indo de encontro às tropas que Ireas trouxera consigo.

    E o Norsir de cabelos azuis não parava de sorrir.

    POR NORNUR E OS SONHOS DOS VIVOS! — Urrou o Vento do Norte enquanto conjurava uma machadinha feita de gelo e a arremessava em direção às criaturas que se aproximavam.

    Os sacerdotes que vieram com ele estavam com machados e maças em punho, correndo tresloucados atrás das criaturas que queriam silenciá-los. Em conjunto, pulavam nelas como feras famintas, estraçalhando seus corpos, espalhando tripas, sangue, couro e carne pelo chão outrora imaculado da Sociedade das Teias Infindas.

    Ireas tomava a frente, dando tapas na terra que, em retorno, prendia os seres vis em vinhas fortalecidas, dando tempo suficiente para os grupos de cinco a seis guerreiros se aproximarem com a ferocidade de Lobos de Guerra, desmembrando e cessando a vida de cada Bicho-papão em seu caminho.

    Naquele meio tempo, Morzan saíra do patio e subira até o campanário mais próximo, onde havia a trombeta de alarme intocada e exposta aos ares e ao combate. O cavaleiro da Baía da Liberdade subiu o mais rápido que pode para fazer o que precisava ser feito

    — VAMOS TRAZER MEDO AO CORAÇÃO DOS FILHOS DE ROSHAMUUL! — Gritou Morzan lá do alto, empolgado, soando a trombeta com toda a força de seus pulmões.

    O som da trombeta veio grave, sublime, forte e de longo alcance, e o combate começou a ficar claramente mais favorável aos seguidores de Nornur. Muitas das criaturas de Roshamuul jaziam sem vida no chão, com os cadáveres decompondo-se rapidamente, derretendo como se ácido tivesse sido jogado em sua carne, restando nada além de poças podres malcheirosas e escuras no chão.

    Com números cada vez menores, os Bichos-Papões sentiram a pressão dos herdeiros do Vento, e a Ponte dos Sonhos continuou incólume e com um número cada vez maior de refugiados cruzando sua estrada feita de teias douradas e nuvens sólidas e edificadas, mas macias ao toque dos pés descalços que corriam para a imagem da Árvore Eterna de Ab’dendriel.

    — Continuem! — Gritava Jack, atirando lanças a frente e usando as mãos para guiar o vento como arma. — Eles estão recuando! Eles estão desistindo!

    O druida soprava em seus machados, e Nornur permitia que seu filho mais decidido ganhasse mais força, e seus machados giravam rápidos e leves no ar, cortando braços, pernas, dedos, pescoços e troncos como se fossem feitos de manteiga derretida e disforme.

    Aos protestos, berros e feitiços pestilentos, os filhos de Roshamuul começaram a bater em retirada. Os que sobraram deixaram para trás as carcaças caídas de seus companheiros de estirpe. Quando vimos, os Bichos-Papões haviam deixado a Sociedade por completo. Entretanto, seus gritos e gemidos não pareciam de seres derrotados e amuados.

    Gaz’Haragoth… Gaz’Haragoth...

    Eram risinhos. Gorgolejos. Grunhidos estranhamente alegres.

    Em Yalahar os mortos não descansam em solo que se possa enterrar…

    Algo estava muito olhado; eu olhei ao redor, para o chão onde todos jaziam mortos. Então, eu entendi.

    — Jack… Ireas… — Eu falei, aterrorizado.

    Havia muitos corpos no chão, tanto das nossas forças quanto das deles. Entretanto, a proporção não era a esperada. Estava longe de ser.

    E nem em Ab’dendriel as estrelas podem nos abrigar… — A voz dos que restaram soava casa vez mais distante, como se zombassem de nós.

    No chão, havia cerca de seiscentos dos nossos caídos, sem vida e totalmente destroçados.

    Na cidade de Roshamuul onde o Eterno pode para sempre vingar… — Os ecos ainda restavam, e vi Ireas e Jack taparem suas bocas ao constatarem a mesma coisa que nós.

    Das forças deles, havia pelo menos uns cinquenta. No máximo.

    E em eras estranhas… Onde até a Morte pode definhar… — A última estrofe sumiu no ar como um sonho inacabado e fragmentado.

    Cada um dos Bichos-Papões abatidos custou doze vidas nossas. Doze. Para cada Pesadelo. Estávamos em plena desvantagem. Eles poderiam substituir facilmente esses números. Nós, não.

    Aos poucos, todos começaram a se dar conta da mesma conclusão à qual eu havia chegado. Os ânimos, outrora triunfantes, orgulhosos e esperançosos, esmiuçaram desesperança de uma tentativa suicida de barrar a chegada dos Pesadelos ao mundo físico.

    — Eles mandaram um batalhão pequeno para reconhecimento. — Ireas falou, baixinho, tentando racionalizar e esconder o horror em seu olhar. — Agora eles sabem os nossos números…

    — Agora… Que a gente faz? — Sírio indagou, olhando para as Vozes do Vento.

    Jack e Ireas se entreolharam por um tempo, e eu pude ver uma dúvida cruel e triste passar pelo semblante deles. Pela primeira vez em muito tempo, os filhos de Nornur não faziam a menor ideia do que deveria ser feito para evitar um massacre. Até que Ireas arregalou o olho sadio e sua expressão mudou subitamente.

    — A porção Norte… Yami! — O Norsir lembrou de imediato. — Eu preciso passar lá! Deixei muitos para trás para defender! Eu voltarei em breve!

    Apressado, o druida de cabelos azuis abriu um portal dos sonhos e atravessou para o outro lado quase tão rápido quanto o portal sumira de nossas vistas. Eu vi Jack levar a mão ao pescoço, receoso, sem saber o que dizer.

    — Vamos aos ritos fúnebres, pessoal. — Falei no tom mais firme que eu consegui. — É hora de nossos companheiros descansarem eternamente. Temos muito a fazer.


    ****


    (Narrado por Ireas Keras)


    Cheguei às pressas à porção que eu regia; como suspeitava, os filhos de Roshamuul também pisaram lá. Entretanto, nossas perdas pareciam ter sido menores, assim como o número de demônios presentes. Yami já havia tomado as providências fúnebres necessárias. Eu fui correndo até ele, ainda horrorizado com o que eu havia testemunhado na porção Sul. Eu estava todo coberto de sangue; meu torso estava nu, e o sangue parecia uma camisa colada ao meu corpo forte para os padrões de um druida.

    — Keras! — Yami anunciou a minha presença, e os demais sacerdotes olharam para mim sem saber como reagir.

    — Yami… O que houve? — Falei, exausto, sentindo minhas pernas falharem comigo.

    Yami me amparou e impediu minha queda, e os demais começaram a se aproximar.

    — Os Pesadelos vieram em baixo número, mas estávamos preparados. — Replicou o Efreet, tentando manter os ânimos controlados. — Era um aviso, provavelmente um grupo de patrulha.

    — Fora os que caíram… Estão todos bem? — Indaguei para todos no ambiente, um pouco mais centrado e deixando de apoiar em Yami.

    — Estamos, senhor. — Replicou um dos sacerdotes. — Foi apenas o susto… Não esperávamos seres tão fortes!

    — Pesadelos são tão fortes quanto Sonhos… Principalmente se o mundo está cada vez mais cruel com quem o habita. — Repliquei, sem desmerecer a preocupação do adepto. — Agora, precisamos reagrupar e treinar mais. A porção Sul também pensará em uma forma de fortificar as nossas defesas.

    Na medida em que os ânimos começaram a se acalmar, eu pude, enfim, me concentrar nos pensamentos que vinham em minha cabeça.

    — Onde estão meus filhos? — Indaguei a Yami.

    — Brand está cuidando deles em Ankrahmun. — Falou o Efreet de olhos dourados. — Eu já pretendia buscá-los. Eu os levei a ele por uma rota que apenas eu e você temos acesso. Quer que eu os busque?

    — Eu adoraria… — Repliquei, cansado.

    — E se… Sonharmos mais?

    Virei em direção à voz. Era Tameran, que ainda tinha um pequeno grupo de Teshiais armados até os dentes com ele.

    — Esses aqui decidiram ficar para auxiliar na defesa do único lar fixo que tivemos em eras. — Falou o Teshial para nós. — Era o mínimo que poderíamos fazer por vocês, que decidiram arriscar tudo por nós.

    — Eu normalmente me oporia, mas… — Olhei para os lados, cansado. — Precisamos de todos os seres aptos para o combate que tivermos à disposição. Você falou algo sobre… Sonhar mais?

    — Sim… — Falou o Teshial. — Sonhos são a matéria-prima de tudo aqui… Para poder aumentar suas defesas, vocês precisam sonhar mais.

    Assim que Tameran terminou de falar, uma ideia me passou rapidamente pela cabeça, tempo o suficiente para ser marcante, e talvez sólida o suficiente para valer a tentativa.

    — Não há como aumentar o número de tropas, Vento do Norte. — Tameran continuou a falar. — E eu não sei se dá para evacuar todos a tempo… Provavelmente, a Sociedade será destruída de novo.

    — Não se eu puder evitar. — Repliquei, com a ideia em mente. — Acho que tenho uma possibilidade.

    — E qual seria? — Yami indagou, curioso.

    — Uma realocação. — Falei, ainda pensativo. — Uma proteção fixa. Uma barreira intransponível. Um domo.

    — Um domo?! Enlouqueceu, Keras?! — Protestou Yami, com os olhos arregalados. — Como você espera manter uma estrutura dessa magnitude de pé, contra as forças de Roshamuul?! O que você sugere?! Drenar as forças oníricas de todos?!

    — Não, é claro que não! — Repliquei, franzindo o cenho rapidamente. — Eu e Jack faremos isso. Usaremos as nossas forças oníricas para erguer esse Domo. Ao menos, será o suficiente para garantir que todos os Teshial saiam… E que possamos realocar a Sociedade inteira para alguma outra área dentro do Reino dos Sonhos à qual Roshamuul não tenha acesso.

    — Ireas, isso é loucura! — Protestou o Efreet, horrorizado com a ideia.

    — Pode funcionar. — Tameran falou, levemente esperançoso. — Tem uma grande chance de funcionar!

    Os sacerdotes olharam uns para os outros e, aparentemente, começaram a comprar a ideia.

    — Senhor, podemos doar parte de nossas forças para você, se quiser. — Um deles falou para mim, sorrindo. — É o mínimo que podemos fazer.

    Eu olhei para todos lentamente, sentindo que aquilo era o certo a se fazer. Voltei meu olhar para Yami, que transparecia o aperto no coração que ele estava sentido.

    — Yami… Eu preciso tentar. — Falei calmamente, com um sorriso no rosto. — É a única chance que temos de podermos sonhar livremente de novo. De acordo?

    — Como? — Indagou o Efreet, confuso.

    — Você me permite tentar? — Repliquei de forma dócil.

    — Eu… Permito. Não que minha permissão valha de algo. — Replicou Yami em meio a um quase resmungo, envergonhado.

    — Passarei a mensagem a Jack. — Falei, decidido. — Quem estiver muito ferido para lutar, eu sugiro que siga para a Ponte dos Sonhos junto aos outros refugiados. Não quero derramamento de sangue desnecessário. Roshamuul não terá essa vitória!

    Os sacerdotes concordaram e os que estavam mais feridos obedeceram meu comando, amparados por aqueles que estavam mais sadios. Eu fui a cada casa e cada núcleo familiar prestar minhas homenagens a cada guerreiro caído, que lutou bravamente em nome de Nornur e da Sociedade. Tempos depois, as tropas que vieram comigo ao auxílio de Jack retornaram sãs e salvas, e eu escolhi um deles, Bjorn, para ser o emissário de minha vontade.

    Quando tudo se acalmou e todos os planos haviam começado a se encaminhar, pedi a Yami que abrisse o caminho para a casa de Brand e Yumi em Ankrahmun. Uma vez que chegamos lá, agradeci ao casal por toda a gentileza e nobreza de espírito que tiveram em acolher minhas crianças em uma hora tão crítica.

    Eu os levei de volta à Sociedade com Yami. Cuidei deles. Dei-lhes um bom jantar. Brinquei com as meninas enquanto embalava em caçula no colo. Um a um, dei um bom banho, vesti-os com as roupas mais confortáveis e quentes para a noite e os coloquei para dormir como se fosse a última vez que o faria, mas com a sensação de primeira noite como pai.

    Depois disso, esperei Yami ir dormir para poder ir até meus aposentos e dormir, provavelmente, o último sono tranquilo de minha vida.


    Continua...

    ------

    Nota da Autora: nesse Capítulo, foram introduzidos [CRIATURA]Frazzlemaw[/CRIATURA]s, [CRIATURA]Guzzlemaw[/CRIATURA]s, [CRIATURA]Silencer[/CRIATURA]s, [CRIATURA]Terrorsleep[/CRIATURA]s, [CRIATURA]Feversleep[/CRIATURA]s e [CRIATURA]Choking Fear[/CRIATURA]s. Optei por não dar-lhes nomes por uma questão de combate: ninguém ali perderia tempo com nomenclatura para cada Bicho-Papão. Portanto, foi mais fácil tentar diferenciar cada uma delas por suas descrições mais marcantes e mecânicas de combate.

    A tia não estava com preguiça: só optei por uma coerência situacional, até porque ninguém fica teorizando em meio a um combate extremamente mortal.


    -----

    E é isso aí! Demorou, mas chegou!

    Vai ter ainda mais pancadaria ao final, minha gente! Até o próximo e eu aguardo os comentários de vocês ANSIOSAMENTE!




    Abraço,
    Iridium.




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    Última edição por Iridium; 30-05-2017 às 07:45.

  6. #6
    Avatar de Edge Fencer
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    E aí!

    A pancadaria começou, e não foi pouca kkkk

    A narração das lutas ficou excelente, Iridium; intensa, dinâmica, chegando a fazer com que eu prendesse a respiração em alguns momentos... Com certeza minhas expectativas foram superadas por muito

    Como era de se esperar, a força dos bichos-papões é avassaladora, e o estrago foi feio pro pessoal da irmandade. A parte logo depois que o Ireas aparece deu a impressão de que eles estavam em vantagem, mas o choque de realidade depois ao ver a quantidade de corpos... Foi uma cena bem impactante. Se fosse pra bater de frente com a força principal dos bichão, seria um massacre sem precedentes na história. Negócio é torcer pra essa estratégia maluca do Ireas funcionar kkkk

    Quando o Ireas correu desesperado de volta pro norte deu até um aperto aqui, mas felizmente o Yami e os outros se viraram bem. Também foi bem legal ver o Keras conseguindo agir como pai pelo menos um pouquinho, além de poder descansar um pouco antes da hora decisiva. Os últimos capítulos tem tudo para serem altamente épicos, dando um fim digno pra essa grande história.

    Ansiedade segue firme e forte pro finalzinho, agora não tem pra onde fugir kkkk

    Abraço!
    Son of a submariner!

  7. #7
    Avatar de Motion Flamekeeper
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    Que capitulo foda, pqp!!!!!!!!!!!!!

    Basicamente concordo com tudo que o Edge falou, a sensação de alívio com a chegada do Ireas, o choque de realidade ao ver os corpos no chão... Todas as descrições dos combates ficaram fodas. E com certeza meu coração doeu com a chegada do Ireas no norte, achei que alguém tinha morrido D:

    Eu sou meio suspeito pra falar, já que gosto de todos os capitulos kkkkkkk Mas esse ficou foda pra caralho!!

    Será que rola um contra-ataque em roshamuul? kkkkkk

    P.S.: Adorei a musica.
    We bury what we fear the most, approaching original violence, is the silence, where you hide it? 'Cause I don't recognize you anymore
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  8. #8
    Avatar de Kinahked
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    Como sempre!
    Muito Bom!
    Já pensou em mandar o roteiro e uma proposta de venda de direitos para a Netflix?
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  9. #9
    Avatar de Kerrod
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    Champz

    Quando finalmente aparece uma coxuda pro lesk se esfregar ele volta a ficar chupando o dedo?

    Assim ele nunca será resgatado do lado rosa da força

    Mas vem treta ai

    Vem treta

    E treta is all 0/


    By the way pretende iniciar outra fic ou ficara definitivamente retired? Espero que tenha planos de iniciar outra esse seu estilo de variar de narrador é foda da gosto ler. A outra fic que eu costumava ler entrou em estado letárgico de hibernação vou ficar órfão se vc pendurar as chuteiras aqui na seção.
    o morcego perguntou ao outro ambos pendurados de cabeça para baixo

    _qual a pior situação que vc ja viveu dormindo de cabeça para baixo?

    o outro morcego respondeu:

    _caganeira



  10. #10
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Terceiro Pergaminho, Capítulo 14

    Saudações!

    Hoje, venho até vocês com o penúltimo capítulo d'A Voz do Vento após duas semanas longe desse tópico; por conta do TCC, não pude postar antes como gostaria, e, nessa reta final, estou tentando ao menos fechar tudo para entregar um projeto completo. Me desejem sorte, estou precisando kkkk

    Vamos aos Comentários:

    Spoiler: Respostas aos Comentários



    Sem mais delongas, o Capítulo de Hoje!


    -----

    Spoiler: Bônus Musical


    Capítulo 14 — Nada é Para Sempre (A Lápide do Sul)

    Você, Vento do Sul, que sopra do Sotavento, é Primavera e Verão… E sua energia traz a estabilidade da mudança tão esperada…

    (Narrado por Rei Jack Spider)



    — Ireas, você endoidou de vez!

    Um domo. Um domo cristalino, translúcido, feito de toda a matéria de sonhos que conseguíssemos angariar; uma esfera de energia pura dos Sonhos para repelir os Pesadelos e deslocar a Sociedade das Teias Infindas para uma área do Reino dos Sonhos que não houvesse ainda sido infestada pela praga de Roshamuul.

    Eu olhava para o olho azul de Ireas, tentando vasculhar sua mente e entendê-lo. Um plano daqueles tinha um grande potencial suicida. Seria provavelmente nossa última cartada, nosso ato final.

    — É a nossa única alternativa, Jack! — Falou o Norsir, sério.

    E não era apenas isso… Havia uma outra parte desse plano. Uma parte mais sombria. Mais perigosa. Possivelmente mais letal.

    — Ireas… É preciso muita energia para isso! — Repliquei, ainda pasmo. — Eu não sei se… Já pensou que as pessoas podem acabar morrendo de exaustão? Um plano desses pode drenar todo mundo até à morte e deixar a Sociedade vazia e indefesa! Do que adiantaria um plano desses se Roshamuul ficaria livre para nos bombardear e infectar o que sobrasse das nossas forças?!

    Construir duas áreas para nós dois, uma em cada ponta da Sociedade. Dois locais para usarmos como canalizadores de energia de Sonho. Encerramos nós dois lá dentro e torcer pelo melhor.

    — Isso tudo pode ser evitado se nós dois formos as fontes primárias de energia! — Replicou Ireas, um pouco bravo. — Jack, se nós dois nos concentrarmos e criarmos um sifão de matéria dos Sonhos pura, não precisaremos de fontes externas! Vai dar para fazer ambas as coisas: proteger a Sociedade e escondê-la para sempre de Roshamuul!

    Duas tumbas para as Vozes do Vento.

    — A gente pode morrer nessa brincadeira! — Esbravejei, aborrecido com a teimosia do Vento do Norte. — Seu teimoso! Você tem filhos, caramba! Para pra pensar nisso!

    Ireas esmurrou a mesa à nossa frente e eu recuei. Na depressão deixada na madeira, havia flocos de gelo e neve; eu estava forçando a barra com Ireas Keras.

    — A gente não vai morrer, caralho! — Respondeu o Norsir, olhando-me com determinação. Ele respirou fundo antes de continuar a falar. — Vamos canalizar o suficiente para realizar as duas ações… Uma vez que estivermos seguros…

    Os anos realmente haviam mudado o druida; não era apenas uma questão física, mas também mental: Ireas não costumava chamar para si todo esse protagonismo. Ele nunca quis ser famoso. Eu também. Essa tarefa nos havia sido imposta e, ao longo dos anos, ele havia ganhado muito em coragem e força. Ele havia renascido das cinzas das mortes de todos os entes queridos que ele um dia teve. Entretanto, ele pagou um preço muito alto por isso: sua inocência. E, naquele momento, talvez o Vento do Norte estivesse querendo fazer valer todo aquele sacrifício que fora feito.

    — Não vai funcionar assim, Ireas. — Falei, respirando fundo e ficando mais calmo. — Vamos fazer o seguinte: para garantir que haverá sempre um fluxo para manter o Domo, precisamos de um objeto que possa manter esse ciclo.

    Vento do Norte olhou-me com mais calma; ele estava começando a entender.

    — Talvez… Se criarmos um cristal feito de matéria de sonhos pura e que seja capaz de pulsar por si só… — Pensou Ireas. — Como se fosse uma Estrela Congelada*... É isso! — Ele estalou os dedos, eufórico. — Vamos usar Estrelas Congeladas para isso! Uma já tem energia para a eternidade, mas… Se juntarmos duas, cada um de nós, e fizermos uma infusão com matéria de sonhos…

    Era ambicioso, mas razoável. Ireas realmente estava inspirado. E louco. Uma mistura desconcertante de ambos. Abri um leve sorriso, pois senti nele um ânimo que eu não via desde o primeiro ano em que nos conhecemos.

    — Teremos nosso pulsar eterno e não morreremos de exaustão. — Concluí, satisfeito com aquilo. — Fale com Don e veja o que ele consegue nos arranjar e em quanto tempo. Enquanto isso, volta pra sua parte da Sociedade. Vamos ter que preparar todas as nossas defesas.

    — Certamente, meu irmão. — Replicou Ireas, sorrindo. — Você vai ver… Vamos fazer isso funcionar!

    Dito isso, o Vento do Norte saiu correndo em direção a uma Ponte dos Sonhos, levando diretamente para a porção norte da Sociedade. Respirei fundo e procurei por pergaminhos. Coloquei alguns sobre a minha mesa, junto a alguns materiais para desenho. Aos poucos, concentrado, comecei a imaginar como seria o local onde ficaria para realizar a louca ideia da outra Voz do Vento.

    Para o bem ou mal, eu sabia que estava construindo a minha lápide. Queria apenas ter o controle garantido disso.


    *****


    Alguns dias depois.

    (Narrado por Icel Emonebrin)



    EU QUERO UM MALDITO AUMENTO POR ISSO!

    Minhas flechas acertaram mais daquelas bocas nervosas, explodindo em vários pedaços a carne nojenta e demoníaca; na medida em que vinham mais em minha direção, uma saraivada de milhares de flechas determinadas vinha em meu socorro, disparadas pelos devotos da Sociedade que ainda viviam, determinados a manter os Sonhos vivos.

    Minhas flechas acertaram mais daquelas bocas nervosas, explodindo em vários pedaços a carne nojenta e demoníaca; na medida em que vinham mais em minha direção, uma saraivada de milhares de flechas determinadas vinha em meu socorro, disparadas pelos devotos da Sociedade que ainda viviam, determinados a manter os Sonhos vivos.

    Eis que então, de uma Ponte dos Sonhos que antes brilhava timidamente, um sem-número de seres bípedes, escamosos e de línguas bifurcadas e corações ardentes começou a surgir. Estavam eles comandados por Emulov, sua esposa Solstícia e seus irmãos. Até a mãe dele estava lá!

    MAS NINGUÉM TE PAGA POR ISSO! — Replicou Emulov, gritando do meio da multidão furiosa dos Bichos-Papões. — EXEVO GRAN MAS VIS!

    Logo soaram os tambores e trombetas profanas de Roshamuul; não tardou muito para que os Bichos-Papões começassem a aparecer em peso por detrás das neblinas que cercavam a Sociedade das Teias Infindas. Dessa vez, vinham com um batalhão maior e de mais respeito; apesar de terem saído zombeteiros, algo neles havia mudado. Eles haviam sentido algo que nunca sentiram antes.

    O amargo gosto da derrota.

    É MUITO PESADELO, PELOS DEUSES! — Gritou um dos sacerdotes, empunhando uma espada e partindo para o combate mais próximo.

    Em Yalahar os mortos não descansam em solo que se possa enterrar… — O coro começava novamente, provocativo. — E nem em Ab’dendriel as estrelas podem nos abrigar…

    AH, CALEM ESSAS BOCAS! — Sibilou a mãe de Emulov furiosamente, arremessando lanças incendiadas com fogo divino em direção às hordas de pesadelos, explodindo alguns dos demônios e deixando outros em chamas que eles não conseguiam curar.

    Os Lagartos usaram o fogo para castigar e o veneno revertido em antídotos poderosos para nos curar; enquanto os filhos de Zao abriam caminho em meio à balbúrdia, até mesmo os pequeninos Dworcs pareciam mais fortes e mais poderosos, com suas zarabatanas fazendo estragos nunca antes vistos em criaturas muito, mas muito maiores e, em tese, infinitamente mais fortes que eles.

    — Quanto tempo Jack precisa?! — Indagou Emulov, esbaforido.

    — Ele deve estar quase terminando de forjar o Pulsar dos Sonhos! — Repliquei, atirando mais flechas ao final da sentença. — Só que eu não sei quanto tempo a gente dura aqui! E… Quem tá cuidando do pirralho de vocês?!

    Meu pai. — Replicou Emulov. — Achamos uma forma, graças aos poderes dos Sonhos, de reverter a Corrupção que o transformara em um Chosen, mas ele tá fraco demais pra lutar… EXEVO GRAN MAS VIS!

    Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, Emulov fez chover uma tempestade de raios impiedosos dos céus, danificando os demônios que já estavam em chamas e encerrando o desespero que tomara suas podres existências.

    Olhei para trás, para o ponto mais alto da parte Sul da Sociedade das Teias Infindas; o enorme Ankh já estava completamente construído, mas não havia sinal algum do sifão de energia onírica que tanto precisavámos.

    — Vamos Jack… — Sussurrei para mim mesmo, olhando o monumento. — As nossas forças não vão durar pra sempre…


    ****


    (Narrado por Rei Jack Spider)


    Eu estava suando frio. Meu olhar estava fixo em minha obra. Eu mal conseguia respirar, receando perder a concentração e destruir tudo que havia conseguido fazer. Uma esfera grande, de brilho ora azul, ora amarelado, gelada por fora e quente por dentro, com algumas imagens diferentes perpassando por dentro dela, como um conjunto de pinturas e quadros bem detalhados e passando em sequência.

    — Foco, Vento do Sul… Foco. Fé. Força.

    Era um pequeno mausoléu, uma pequena tumba o local onde eu estava; a entrada estava selada por uma cerca de mithril**, que somente eu conseguiria abrir para sair. A parede à minha esquerda continha um pequeno altar para preces, onde deixei minhas oferendas a Nornur, na esperança de que o deus apoiasse nossa decisão, por mais louca e potencialmente mortal que ela fosse. A parede à minha direita continua um espaço vazio reservado ao material em minhas mãos, o qual começara a pulsar. O Pulsar dos Sonhos estava pronto, e eu não podia parar.

    — Ufa… Vai dar tempo… — Sussurrei, contente e um tanto cansado. — Agora… É guardar aqui… E deitar no altar… E rezar para a ideia louca do Ireas funcionar.

    Guardei o Pulsar delicadamente no espaço reservado e selei, vedando a parede com matéria de sonhos. No centro do mausoléu estava o altar em que eu tinha que me deitar. Acima de minha cabeça, estava a abertura para os céus do Reino dos Sonhos, por onde passaria o sifão de energia onírica que eu deveria criar.

    Respirei fundo e me sentei no altar; eu conseguia sentir o chão tremer com o combate; apesar de estar abaixo do solo, eu conseguia ouvir parte dos sussurros dos Filhos de Roshamuul sem ser capaz de distinguir suas exatas palavras, apesar de conhecer bem o cântico que entoavam.

    Fechei meus olhos, pensando em tudo que havia vivido até então. Pensei em minha infância em Thais, tão ordinária quanto poderia ser; lembrei de quando conheci Brand e salvei sua vida, e como ele veio, anos mais tarde, a me ajudar a escolher minha vocação em Rookgaard. Lembrando-me da ilhota, enfim pude distinguir que, de todos os órfãos que lá estavam, Ireas estava entre eles. Entretanto, ele, Àquele tempo, era nada além de um vulto escondido no campanário, cujas notas do que eu viria a descobrir que eram de seu alaúde ecoavam pelo centro da cidade de forma quase mágica e onipresente. O Vento do Norte sempre esteve lá. Eu sorri um meio sorriso, tentando lembrar se alguma vez nossos olhares haviam se cruzado. Não encontrei tal lembrança.

    Deitei no altar de pedra, já de olhos fechados; lembrei de minhas primeiras aventuras com Brand logo depois de sairmos de Rookgaard. Lembrei de quando investigamos as Terras Fantasmas***, e de quando, diante de uma aposta feita por Icel, paramos em Svargrond e demos de cara com Liive, que era metade do homem que viria a ser ao fim de sua vida. Lembrei de quando enfim conheci Ireas… E do quanto que, por algum motivo estranho e instintivo, sentia-me completo com ele por perto, como se eu tivesse encontrado um pedaço de um quebra-cabeças que eu não sabia que estava montando.

    Com essas memórias em mente, fechei meus olhos e deixei os Sonhos tomarem conta de meu corpo; se Ireas estivesse certo, eu poderia salvar a porção Sul em questão de segundos...


    ****


    (Narrado por Sírio Snow)


    O Caçador de Almas singrava os mares etéreos o mais rápido que podia; a porção Sul da Sociedade estava mais próximo de nós, e foi para lá que nos direcionamos; agarrei-me às cordas livres que pendiam do mastro, assustado com a assombrosa velocidade do navio.

    Olhei para trás; Kinahked, nosso capitão, estava sério, compenetrado; certamente, o rum fizera efeito e ele não tirava o olhar do horizonte. No entanto, havia preocupação em seu olhar. A despeito de seus contratos com Bastesh que conseguira através de sua esposa, Unna, ele não parecia estar satisfeito com a velocidade que a embarcação atingira.

    Para piorar, os olhares vigilantes de meu irmão, auxiliados pela luneta que tinha, logo piorariam ainda mais o clima.

    TERRORES NOTURNOS! FEBRES NOTURNAS!**** — Berrou meu irmão, do alto da vela principal. — ELES ESTÃO VINDO PELO MAR!

    Empunhei meus equipamentos o mais rápido que pude, e vi outros membros da tripulação fazerem o mesmo.

    — QUÊ?! — Kinahked esbravejou, incrédulo. — Os demônios ganharam acesso aos Mares Etéreos?!

    Naquele momento, Unna pulou das águas agitada, e mal conseguiu assumir sua forma humana completa. Sua cauda estava ferida, mordida em uma das barbatanas e com arranhões feios na parte esquerda.

    — Eles conseguiram burlar as proteções de Bastesh! — Ela falou, em meio à dor. Em seguida, virou para todos nós, sangrando, mas de pé, em forma completamente humana. — NÃO TENTEM LUTAR AQUI! ELES TÊM VANTAGEM! AS SEREIAS AINDA VÃO CHEGAR! TODA A VELOCIDADE PARA A PRAIA!

    Kinahked, em meio aos avisos de suas esposa e já munido de uma garrafa de rum, aproximou-se da popa para ver o movimento; eu me aproximei da parte esquerda do navio e constatei o óbvio e horrível: o mar estava infestado com aqueles Bichos-Papões com corpos de tubarão e asas em carne viva, nadando ferozes em direção à praia.

    — Puta que pariu… Essas pragas voam e nadam! — Reclamou o pirata, bebendo a garrafa inteira em poucos goles. — Bom… Minha abordagem vai ter que ser criativa. TODOS VOCÊS, PRESTEM ATENÇÃO! SAQUEM SUAS ARMAS E SONHEM! — Ele ergueu os braços para cima, desembainhando sua espada com o movimento — SONHEM GRANDE, SONHEM ALTO! VAMOS DISTRAIR A ATENÇÃO DESSES BICHOS! SONHEM E ARREMESSEM AS FORÇAS ONÍRICAS NA ÁGUA!

    Hesitantes, obedecemos. Fechei meus olhos e comecei a sonhar; meu sonho foi misturado às minhas lembranças da infância; meus pais… Minha mãe, uma exímia doceira e meu pai, que trabalhava nos canaviais dia e noite quase que sem parar, com as marcas de chibata nas costas como prova de seu expediente insano. Lembrei de quando brincava com meu irmão, aprendendo a lutar com pedaços de pau que, com a nossa imaginação, viravam espadas. “Meu sonho é ser um pirata!”, eu bradava para meu irmão, confiante como todo caçulinha. “Eu vou navegar os sete mares e ter montes e montes de ouro! Eu vou libertar a Baía da Liberdade… E papai e mamãe nunca mais vão ter que trabalhar um único dia de suas vidas!”.

    Uma lágrima começou a se formar em meus olhos enquanto as memórias tomavam conta de mim e se transformavam e matéria onírica pura. “Eles serão ricos, velhinhos e felizes! E eu, cheio da grana e das aventuras! Ninguém de Thais vai me pegar!”. Comecei a chorar enquanto sentia o poder queimar e sair de meu corpo, sendo todo direcionado ao mar à minha frente. Lembrei-me de meus pais: minha mãe morrera de doença e meu pai morrera chicoteado até a morte, e a Revolução Vandurana acontecera anos após a morte deles. Eles nasceram e morreram escravos, enquanto eu e Morzan teríamos a chance de morrermos livres.

    As lágrimas desciam de meus olhos e eu direcionei a linha energética furiosamente para longe do navio, com força tal que, assim que abri meus olhos marejados, vi muitos daquele tubarões horrendos queimando e gritando em agonia. Atrás de mim, quando dei um olhar de relance, pude ver que Morzan fazia o mesmo: e com mais lágrimas em seus olhos do que eu havia visto em toda a minha vida.

    Ele era o realista. O pé-no-chão. O que não sonhava e só fazia. Ele se vendera para Thais não por gosto, mas por falta de opções. E lá estava ele: livre, como eu… E com todas as opções para encontrar belas formas de viver e gloriosas maneiras de morrer.

    Kinahked e Unna, assim como o resto da tripulação, concentraram-se na tarefa de distrair as feras. Súbito, ouvimos um som alto e estridente vindo da praia; olhei para frente, perdendo a concentração. Vi um enorme facho de matéria onírica vindo da Sociedade das Teias Infindas subindo aos céus e se projetando em um enorme domo; Kinahked olhou para trás, e o Caçador passou para dentro da barreira: e o que havia restado dos Terrores foi bloqueado e começou a queimar com tamanha sobrecarga de sonhos.

    — JACK CONSEGUIU! — Gritou o pirata, bebendo outra garrafa de rum. — VAMOS CHEGAR À PRAIA! EMPUNHEM SUAS ARMAS, TEMOS MUITA DIVERSÃO À FRENTE!


    ****

    (Narrado por Rei Jack Spider)


    Com meus olhos fechados e os braços sobre meu corpo, eu sentia minha Mana e meus sonhos saírem de mim; sentia meu corpo cada vez mais leve e os sons da batalha cada vez mais distantes de mim. No entanto, eu sentia que meu alcance havia aumentando consideravelmente.

    Eu podia sentir os passos de todos os sacerdotes sobre o chão da Sociedade; eu conseguiu sentir o cair dos corpos sem vida dos Bichos-Papões que, diante da altíssima quantidade de matéria onírica, eram incapazes de lidar com tanta força e morriam da sobrecarga em seus corpos decrépitos.

    Sentia que a Sociedade das Teias Infindas tinha chance de sobreviver; a parte Sul estava, agora, protegida.

    Cabia ao Vento do Norte fazer sua parte.



    Continua...

    ------

    Glossário:

    (*): Tradução livre de "Frozen Starlight".
    (**): Metal mitológico mais forte que aço e de origem divina; junto ao oricalco, seria uma das ligas mais poderosas e resistentes do mundo. Mithril aparece pela primeira vez em O Hobbit, de J.R.R. Tolkien, como sendo o material do qual é feito a armadura de Bilbo Bolseiro, que foi reclamada como sua parte dos espólios de Erebor após a morte do dragão Smaug.
    (***): Tradução livre de "Ghostlands".
    (****): Tradução livre de Terrorsleeps e Feversleeps.


    -----

    O fim tá muito perto, galeraaaaa :'( :'( :'( :'(

    Já estou ficando saudosa....

    Aguardo ansiosamente pelos feedbacks de vocês! Até o próximo!



    Abraço,
    Iridium.

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