Resultados da Enquete: Que Facção deveria Ireas Escolher?

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Tópico: A Voz do Vento

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  1. #1
    Avatar de Retsun
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    Muito bons os capítulos!

    Conseguiu postar dois grandes em um dia só, realmente você gosta de escrever hein? hehe. E não é atoa já que sua história é muito boa.

    Só estou achando meio estranho esse Ireas, no começo da história você falou que ele tem traços femininos, usa esmalte (isso ai dá até pra entender porque ele tá doente mas ainda assim...) ainda dormiu abraçado com um homem, ele é gay ou o que?

    Abraços!

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    Leia minha história clicando na frase abaixo:

    "A História de Gallas"

  2. #2
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Respondendo...

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Eu li e esqueci de comentar. Bom, críticas eu não tenha mais(o povo já o fez).


    Até que esse capítulo foi bom. Quando vai sair o próximo?
    Respondedo SUPER ATRASADA - hoje sai mais um, só estou terminando de escrever o seguinte...


    Citação Postado originalmente por Sombra de Izan Ver Post
    Poxa essa história me deixou intrigado, mas vi que você domina bem a história do Tibia, pois usou muitos elementos nela contida para apresentar a sua, as formas tratadas nos capítulos estão ótimos, vou acompanhar.
    Muito obrigada *.* eu fiz um esforço e um pouco de pesquisa pra trabalhar bem o Tibia em si, baseado no que experimente ao longo dos nos e no que vim descobrindo nesses últimos tempos


    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Olha gostei do capítulo. Agora sim foi ao ponto principal e colocou uma luta detalhada, sem enrolações do tipo "Ele cortou meu braço, senti muitíssima dor, congelei-o, porém vieram mais dois que me nocautearam, sorte que minha magia funcionou. Curei-me e segui em frente, até que 3 pularam na minha frente e...".


    Seu ritmo está bom. Até o final do mês já vai ter lançado uns 30 capítulos...
    Ai tomara kkkkk Que bom que ficou de seu agrado. Nessas quests do Arito e do Muhad é que eu comecei a divertir-me como premmy account Hoje sai mais capítulo!


    Citação Postado originalmente por Retsun Ver Post
    Muito bons os capítulos!

    Conseguiu postar dois grandes em um dia só, realmente você gosta de escrever hein? hehe. E não é atoa já que sua história é muito boa.

    Só estou achando meio estranho esse Ireas, no começo da história você falou que ele tem traços femininos, usa esmalte (isso ai dá até pra entender porque ele tá doente mas ainda assim...) ainda dormiu abraçado com um homem, ele é gay ou o que?

    Abraços!
    Na realidade, o Ireas não sabe bem; como ele nunca se permitiu amar e descobrir suas preferências afetivas, ele é muito inocente e um pouco ingênuo (vai dar para perceber isso nos próximos capítulos), e sendo o Jack, o Brand e o Wind um pouco sacanas, ele ficará com muita dúvida.

    Aliás, aquela cena do Ireas abraçado com o Wind terminou como terminou porque ele chorou até cair no sono hehehehe Mas vamos ver como tudo termina... Deixarei que a história se desenrole e vc tire as conclusõesacerca da orientação sexual de Ireas

    No mais, obrigada por acompanhar! Tem mais capítulo vindo ainda hoje!

  3. #3
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Capítulo 9

    Capítulo 9 – Os Dizeres de Tothdral (Parte 1 de 2)

    Dia em que Ireas Keras viu no astrólogo de Ankrahmun um guia em sua jornada.

    Retornei a Ankrahmun com excelentes novas a Arito. Quando contei a ele que havia sido perdoado por Muhad e que seus compatriotas não mais o procurariam (a não ser para negócios e suprimentos, essa foi a condição implementada por Muhad), ele pulou de alegria em seu balcão, e ofereceu-me a quantidade de bebidas que eu quisesse – e de graça.

    — O que vai querer? — Indagou Arito, empolgado — Cerveja, vinho, leite...

    — Uma bolsa cheia de limonada apenas — Respondi educadamente — Não quero questionar a qualidade de seus produtos, mas álcool não me agrada... O cheiro é muito forte, se é que me entende.

    — Entendo. É um druida bem radical em sua doutrina, não? — Comentou Arito, com um leve sorriso melindroso — É raro ver um druida que não tenha se esquecido de sua missão. Talvez sua decadente guilda ainda tenha esperanças...

    Dei de ombros quanto àquele comentário, e bebi a limonada com muito prazer; após tanto tempo no deserto tendo que viver à custa do gelo que conjurava, era bom sorver um líquido diferente para variar. Sem falar que Arito era um exímio coqueteleiro...

    Despedi-me do comerciante com um aperto de mão vigoroso, e recebi dele cinquenta moedas de platina – o equivalente a cinco mil peças de ouro. Agora, tinha que cumprir os desígnios de Muhad e recuperar o conjunto de joias de sua falecida esposa.

    Passei rapidamente pela banqueira Tesha a fim de deixar meus ganhos a salvo – queria evitar algum infortúnio que me fizesse perder a recompensa. Após um rápido bate-papo com a elegante ruiva dos olhos turquesa e bochechas rosadas, segui meu caminho em busca do estranho pilar mencionado por Muhad.

    Enquanto isso fiquei pensando em algumas coisas: o amor que Muhad mantinha por sua esposa, mesmo depois de falecida... Acho que nunca senti algo assim por alguém; acostumei-me a uma vida sem muito apego, sem muita afeição... Acho que nem mesmo por Annika senti-me assim. Ela foi apenas uma boa amiga, e nada mais.

    Minha distração era tamanha que nem percebi que havia me aproximado do pilar; simplesmente bati minha testa com tudo no construto de arenito. Para o meu azar, lá estavam Brand e Wind. Quando os dois me viram no chão, e concluíram por A mais B o que ocorrera, não conseguiram conter a risada. E eu não consegui conter a vermelhidão que tomou conta de meu rosto

    — Que desastre, garoto! — Disse Brand, rindo incontrolavelmente — A cabeça estava lá perto de Nurmor, não? — Ele apontou para os céus com a mão esquerda e apoiou seu braço direito sobre o ombro esquerdo de Wind, que ria tão incontrolavelmente quanto o paladino.

    — O nome dele é Ireas — Pontuou Wind, rindo um pouco menos — O que você está fazendo por aqui?

    Minha vergonha era tanta que não consegui proferir uma palavra sequer. A sensação de desconforto aumentou com o olhar de Wind... Eu não sabia o que estava sentindo, mas de uma coisa eu tinha plena certeza: tinha que dar o fora dali; entrei pela passagem secreta do pilar e não disse mais nada.

    — Eu, hein! — Exclamou Brand com um sorriso triste — Por que ele ficou tão transtornado assim?

    — Vai saber... — Disse Wind, com um sorriso sereno — ele deve ser um pouco tímido, só isso. Vamos; Jack está nos chamando. Ele disse que há um certo serviço para nós...

    ***

    A passagem do pilar levou-me ao depósito dos ladrões. Havia muita coisa lá: vários artigos de vestuário, armas, escudos e outras preciosidades, todas destinadas ao mercado negro. Eu sabia que havia muitos ladrões lá dentro, e que deveria ter cautela.

    Eu me conhecia bem o bastante para saber que era um desajeito de pessoa. Portanto, tive que me assegurar que não faria barulho algum. Havia caixas vazias perto de mim, e pus algumas delas a minha frente a fim de usá-las em um pequeno ataque de engenhosidade que tive.

    Como havia cacos de vidro e algumas poças em meu caminho, coloquei as caixas por cima do jeito mais delicado que pude, e passei por entre elas. Repeti o procedimento até chegar perto da cela de um tigre. Com algumas caixas em minha mochila, pensei em como atrair o bichano para sua jaula. Uma ideia me veio à mente; joguei um pedaço de presunto na jaula do animal, que correu desenfreadamente a ele, de tão faminto que estava. Rapidamente, puxei a alavanca e prendi o animal. Consegui passar por ele com tranquilidade, e repeti o procedimento de cobrir poças de água e outros objetos com as caixas.

    Tudo o que fiz foi com o intuito de encobrir meus rastros – coloquei caixas perto de janelas para impedir a entrada de luz, reergui cortinas e sequei poças de água, tudo para manter o local em silêncio – e obter o objeto requisitado por Muhad. Cheguei ao local onde mantinham a caixa de joias sem dificuldades, e saí de lá rapidamente, pronto para voltar ao covil de Muhad.

    ***

    — Obrigado, rapaz! — Disse Muhad ao receber a caixinha — Que o Deserto lhe abençoe e guarde, e que a vida te traga muita felicidade! Você não resgatou apenas um objeto da senhora dos nômades – mas sim da senhora de meu coração, e essa lembrança equivale a uma vida. Até algum dia, Keras, e aqui está sua recompensa — ele entregou-me um conjunto de cinquenta peças de platina e um ankh com uma reza a Nurmor.

    Despedi-me dele com um aperto de mão e segui meu caminho de volta à cidade. Tinha uma carta para ler...

    ***

    Como estava envergonhado demais para pedir a Brand ou Wind para que ficassem por perto enquanto lia a carta, decidi refugiar-me no único local onde meu coração conseguia a paz – na Guilda dos Druidas, junto a Rahkem. Aquele bondoso e prestativo sacerdote, tal como Cipfried, seria a companhia mais adequada para aquele momento.

    Adentrei no Templo de Ankrahmun, e lá estava ele – sereno e sorridente, como sempre.

    — Meu garotinho Ireas — Ele disse, referindo-se a mim de um modo carinhoso, como o fazia com todos os druidas que por ali passavam — Posso te ajudar em algo?

    — De certa forma, sim... — Comecei, tentando controlar meus nervos — Preciso da sua serenidade, Rahkem, pois estou passando por momentos difíceis... — Peguei a carta e a abri, mas não iniciei a leitura — É de minha mãe... Muhad disse conhecê-la, mas não me falou seu nome. Por acaso o senhor reconhece a letra? Se reconhecer, talvez saiba o nome dela...

    — Dê-me essa carta depois, meu jovem — Pediu o ancião, com um sorriso — Quero que você a leia primeiro. Assim, não estarei invadindo sua privacidade...
    Eu assenti e, com minhas mãos trêmulas, comecei minha silenciosa, contudo atenta leitura.

    “Ireas Keras, Ankrahmun.

    Chegou até meus ouvidos a notícia de que você falou com Muhad... Não confie muito naquele sujeito... É certo que antes eu convivi bem com ele, contudo peço que tenha cautela... E não acredite em tudo o que venha a ouvir.

    Vejo que você começou a encontrar em Ankrahmun um lar... Lembro-me bem de quando vivi nesse local... Quantas lembranças. Doces e ao mesmo tempo tristes...

    Acredito, filho, que você esteja traçando o caminho certo em sua vida – ajudando àqueles que necessitam de você. Porém, não se esqueça de que, para poder continuar ajudando, é necessário um ingrediente a mais: poder. Nunca deixe de buscar mais, de aprender mais...

    Você já deve estar bem grande, não? Suponho que tenha perto de seus vinte anos... E que já tenha feito amigos também. Aliados, Ireas, aliados; são peças fundamentais para manter-se bem nesse mundo em que vivemos. Contudo, se não os fez, não se sinta mal; nem sempre estaremos destinados às grandes multidões.

    Muitos de nós, com o dom da magia, preferimos a solidão de nossos refúgios, buscando conhecimento...”.


    Aquele discurso me trouxe animação e lágrimas de emoção – minha mãe também tinha dons mágicos, ou seja, havia a possibilidade dela ser uma Druidesa! Porém, seu discurso sobre poder... Soava-me contraditório à vocação que escolhi... Talvez ela fosse uma druidesa que havia perdido sua missão primária, faltando com os ensinamentos de Crunor... Fosse esse o caso, cabia a mim trazê-la de volta à gloria perdida dos Druidas.

    — Vejo que há algo bom nessa carta, garotinho — Disse Rahkem, com um sorriso sereno — Queria que eu fizesse o quê, mesmo?

    — Queria que você tentasse identificar a letra... — Pedi com certa introspecção — Quem sabe assim me aproximo de minha mãe...

    Rahkem assentiu e pegou minha carta. Ele observou com atenção os detalhes. Não se importando tanto com o conteúdo da carta. Ele soltou um suspiro de frustração – ele não conhecia minha mãe.

    — Eu tentei, garotinho... — Disse o ancião, frustrado — Eu não reconheço essa letra... Veja com Tothdral — Ele disse, indicando a Guilda dos Feiticeiros — Ele tem uma excelente memória, e acho que será capaz de te dizer quem é sua mãe...

    Eu olhei para a Torre Serpentina com repulsa – feiticeiros são seres desprezíveis, sempre pensei assim. No entanto, Tothdral era o único ali que poderia dar-me pistas sobre minha misteriosa mãe. Logo, teria que engolir minhas desavenças com essa vocação... E tentar encontrar as peças desse quebra-cabeça que era minha vida.

    Pus-me a andar em direção àquela torre. Só me mantive a caminhar graças à minha vontade de saber mais sobre minha mãe... Senão, teria dado meia-volta, tamanho era meu nojo por aquele local. Tudo o que levava ‘feiticeiro’ em seu nome era o bastante para dar-me náuseas. Seres destrutivos, doentes por poder e ganância. Podres por dentro... E por fora.

    Resmungando, silenciei-me ao entrar nos aposentos de Tothdral. Ele era não só o líder da Guilda dos Feiticeiros como também era Astrólogo e o segundo Grão-Vizir do faraó Arkhotep, (quando Ishebad não estava disponível) senhor meu e de toda a gente que residia em Ankrahmun. Ele estava entretido lendo pergaminhos de magias antigas que sequer notou minha presença — até que, em meu desajeito típico, esbarrei em uma pequena ânfora de topázio, que se espatifou no chão.

    — Boa tarde, Keras... Ou já seria noite? — Cumprimentou-me Tothdral, fechando o pergaminho lentamente, como de costume — O que te traz aqui?

    — Preciso de um favor teu... — Declarei no tom mais respeitoso que pude, entregando-lhe a carta — Por algum acaso você reconhece essa letra? Rahkem disse-me que você possui excelente memória, e que meu pedido seria tarefa fácil para você...

    A múmia virou seu rosto cheio de ataduras em minha direção. Seu único olho descoberto – o direito – fitava-me com curiosidade científica. Aquele brilho dourado causava-me certo desconforto. Ele observou a carta com calma, e percebi uma leve alteração em seu semblante. Naturalmente, ele conhecia minha mãe. A questão é se ele fornecer-me-ia a resposta que tanto queria...

    — E então? — Indaguei impaciente — Sabe quem é ela, não sabe?

    — Eu sei, Keras — Disse-me Tothdral em um tom misterioso.

    — O que ela é, ou era? — Estava ávido por informações — Digo, a que vocação ela pertencia? Aos Cavaleiros, Paladinos, Druidas ou... Feiticeiros? — Essa última possibilidade passou rasgando minha mente. E nada de Tothdral responder.

    — Não posso te fornecer essa informação, caro Keras. — Ele declarou solene — Você ainda não está preparado.

    Eu confesso que devia estar bem sentimental, pois senti uma onda de ir subir meu rosto. Meus olhos semicerraram-se em expressão de raiva, e senti meus punhos fecharem-se firmemente.

    — Eu e todos os membros da Guilda dos Feiticeiros e dos Druidas juramos jamais pronunciar seu nome novamente — Ele declarou, fitando-me com seu olho dourado descoberto — E digo que não está preparado considerando o domínio que tem sobre sua magia... É necessário que você se fortaleça mais, que se conheça melhor. É necessário que se prepare para o que virá.

    Eu respirei fundo e cerrei meus olhos. Por mais que odiasse admitir, Tothdral era um homem sábio e, se me estava dizendo o que dizia, então estava certo. Eu ainda não estava preparado, mas ele estava me oferecendo a preparação. E deveria aceitá-la, se quisesse ter o direito de conhecer minha mãe.

    — Que tenho que fazer? — Indaguei, controlando minhas emoções.

    — Primeiramente, mude seus armamentos — Declarou o grão-vizir de Ankrahmun, solene, sem piscar o olho dourado — Veja bem, não é de bom tom que você continue a andar com um Cajado da Luz da Lua se já tem condições de usar algo mais forte: um Cajado Necrótico. Ainda que usar maldições e energias negras não seja algo de gente de sua laia, convém que você tenha o domínio dela para entender como funciona a fonte primária de poder do tipo principal de inimigo enfrentado por você, aventureiro: os mortos-vivos. Além disso, seu Livro de Magias não mais te servirá como um escudo, já não é mais apropriado. Em vez dele, procure por um escudo leve e de defesa decente.

    Eu anotei tudo que Tothdral falara em um bloquinho de papel, e já estava ensaiando minha retirada quando a múmia me impediu.

    — Alto lá! — Ele bradou sério — Mais uma coisa: traga consigo, amanhã, duas Peças de Cristal para mim...

    Ao ouvir tamanha quantia, arregalei meus olhos em sinal de incredibilidade. Que faria aquele monte de ataduras com tanto dinheiro?

    — Trata-se de algo necessário a você, Keras: uma promoção de vocação. É a sua chance de provar a mim, a Arkhotep e a Ankrahmun o quanto você vale, ainda que seja Ishebad o que normalmente exerce essa função de promotor de vocações. Amanhã mesmo, após essa série de formalidades, fale com Rahkem e pergunte a ele quantas magias novas ele poderá te ensinar e quantas poderá pagar no momento. Por ora, é só. Tenha uma boa noite, Ireas Keras.

    Eu assenti com um aceno e saí da torre daquela múmia, deixando-o sozinho com seus pergaminhos de papiro e suas fórmulas mirabolantes. Por mais que a irritação tenha tomado conta de mim por alguns instantes, o grão-vizir estava certo: eu tinha que me atualizar. Ainda que poder não fosse meu objetivo primário, eu teria que me desenvolver mais como um Druida se quisesse achar minha mãe. Ela poderia estar em qualquer lugar, e somente Crunor e os demais deuses sabem o que há mundo afora. Nem todas as cidades são seguras como Ankrahmun...

    Eu vagueei um pouco pela cidade, pensativo; como conseguiria um novo escudo? Que escudo seria mais adequado? Eram tantas opções, mas muitos eram caros, ou pesados. Às vezes, eram os dois, tornando minha tarefa de escolher impossível.

    — Psh! Ei, você aí! — chamou-me uma voz masculina na escuridão — A que Guilda de Vocação pertence?

    Eu virei-me na direção do som com certa desconfiança. O homem tinha uma voz rouca e mantinha-se oculto nas sombras. Ele então saiu da escuridão, revelando seu rosto da cor da canela, com olhos castanhos e cabelos da mesma cor. Ele carregava consigo um Cajado que mais parecia o da Luz da Lua atualizado e um livro de magias bem interessante. Sua armadura era Elemental – um conjunto de temas da terra -, bem característico de um Druida. Ele sorriu para mim com ares de vendedor.

    — Desculpe por essa pergunta — respondeu-me irreverente —, mas notei que você ainda usa esse surrado livro de feitiços como defesa. Sem ofensas, mas posso te oferecer algo melhor: e de graça! — Ele declarou, mostrando-me um lindo escudo feito de casco de jabuti — Então, que me diz?

    — Aceito sua oferta — Respondi guardando meu livro na mochila e ajeitando o escudo em meu braço direito — Você perguntou minha vocação... Pois bem, sou um druida como você — Disse orgulhoso — Qual seu nome?

    — Meu nome há muito esqueci — Confessou-me o moreno, coçando a cabeça — Mas chamam-me de Pinga ou Pingagua. Gozado, não? Essa alcunha deveu-se ao fato de eu ter sido um beberrão há tempos atrás. Hoje, não bebo mais como antes, mas o apelido permaneceu. Bom, se precisar de um druida experiente que te ajude em sal jornada por esse mundo louco, basta me contatar que te ajudarei sem problemas. Até!

    Ele sumiu tão rápido quanto tinha desaparecido. A questão é que eu realmente tinha achado aquele Druida uma figura singular, e esperava encontrá-lo de novo nas ruas de minha amada cidade...

    Novamente aluguei um quarto para ficar pela noite. Não conseguia dormir; fiquei olhando para a lua, buscando respostas. Porque Tothdral não me dissera o nome de minha mãe, e porque as duas guildas mágicas decidiram que o nome dela jamais deveria ser pronunciado? O que teria minha mãe feito de tão terrível nesses tempos para merecer tal tratamento?

    Continua...

    ---

    Nota da Autoras: Pinga/ Pingagua é um tibiano real:

    Name: Pingagua
    Sex: Male
    Vocation: Druid
    Level: 104
    Achievement Points: 91
    World: Unitera
    Residence: Thais

    Além disso, tive que mudar um pouco a história de Tothdral... A fim de que ele possa servir à minha história, tive que alterar suas funções primárias, dando-lhe o cargo de segundo grão-vizir além de seus títulos iniciais =)

    Amantes da história tibiana, não me odeiem por favor =X

  4. #4
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    Ótimo capítulo. Bom, você destacou Nornur, eu não porque, mas eu já vi esse nome em algum lugar, não me lembro se era título duma história ou conto daqui da seção...



    Vale ressaltar também que você contou direitinho a quest, além de que contou sobre a história de Muhad...


    Enfim, bom capítulo. Erros eu não cheguei a ver, oque é ótimo!


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  5. #5
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    Aqui estou novamente.


    Gostei desse capitulo, eu não tinha feito essas missões de Arito e Muhad, mas eu já sabia que eram meio tensas, nem cheguei a fazer...

    Sua historia começa a ficar cada vez mais interessante, a mãe de Ireas é realmente um misterio, o que será que ela deve ter feito para ter tanto misterio assim? Poxa, realmente é muito bom ficar esse grande misterio na historia...

    Não percebi erros também, sua historia está muito bem feita, continue a escrever! Continuarei acompanhando quando posso!




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  6. #6
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    Ótimo capítulo, como sempre.

    Eu ia falar sobre isso no comentário passado mas esqueci, não é nada demais não, é que tipo, você botou: "Capítulo 6 - Crunor Salve os Ciganos (Parte 1 de 3)" e depois botou: "Capítulo 7 - Crunor Salve os Ciganos (Parte 2 de 3)" e ainda tem "Capítulo 8 - Crunor Salve os Ciganos (Parte 3 de 3)",mas ai na verdade era o capítulo 6 mesmo só que com 3 partes, não capítulo 6,7,8 a não ser que você tire as partes.

    A mãe já tá um mistério mas parei para pensar, e o pai? Nenhum momento da história tocou no pai, sei lá.

    Abraços!
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  7. #7
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    Citação Postado originalmente por Retsun Ver Post
    Ótimo capítulo, como sempre.

    Eu ia falar sobre isso no comentário passado mas esqueci, não é nada demais não, é que tipo, você botou: "Capítulo 6 - Crunor Salve os Ciganos (Parte 1 de 3)" e depois botou: "Capítulo 7 - Crunor Salve os Ciganos (Parte 2 de 3)" e ainda tem "Capítulo 8 - Crunor Salve os Ciganos (Parte 3 de 3)",mas ai na verdade era o capítulo 6 mesmo só que com 3 partes, não capítulo 6,7,8 a não ser que você tire as partes.

    A mãe já tá um mistério mas parei para pensar, e o pai? Nenhum momento da história tocou no pai, sei lá.

    Abraços!

    Bom, quanto ao pai ainda tocarei no assunto,mas ele será pouco importante aqui... E você descobrira o porquê em breve muahahahaha

    Só não mantive Crunor Salve os Ciganos como o mesmo capítulo porque há mudança de foco neles, então não se trata do mesmo capítulo, ainda que estejam relacionados de algum modo (não sei se fui muito clara,mas...)

    No mais, obrigada por comentar! Continue a se expressar acerca da história e divirta-se lendo! Beijos!

    Citação Postado originalmente por CarlosLendario Ver Post
    Aqui estou novamente.


    Gostei desse capitulo, eu não tinha feito essas missões de Arito e Muhad, mas eu já sabia que eram meio tensas, nem cheguei a fazer...

    Sua historia começa a ficar cada vez mais interessante, a mãe de Ireas é realmente um misterio, o que será que ela deve ter feito para ter tanto misterio assim? Poxa, realmente é muito bom ficar esse grande misterio na historia...

    Não percebi erros também, sua historia está muito bem feita, continue a escrever! Continuarei acompanhando quando posso!
    São algumas das missões mais divertidas que jáz fiz no jogo Que bom que está gostando. A mãe de Ireas realmente é um mistério, e pode apostar que ela aprontou umas e outras bem tensas por esse Tibiazão... Nada que Ireas não vá descobrir, claro!

    Abraços e obrigada pelo suporte!


    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Ótimo capítulo. Bom, você destacou Nornur, eu não porque, mas eu já vi esse nome em algum lugar, não me lembro se era título duma história ou conto daqui da seção...



    Vale ressaltar também que você contou direitinho a quest, além de que contou sobre a história de Muhad...


    Enfim, bom capítulo. Erros eu não cheguei a ver, oque é ótimo!
    Nornur é um dos Semi-Deuses do Panteão tibiano (é,se não me engano, filho de Farnos com o Ar... Ou filho de Uman com o ar,sei lá kkkk) e é o Criador das Aranhas e guardião do ar XD

    Essa do Muhad foi legal e me custou muito a escrever (dedos doendo!). Mais capítulos a caminho, abração!

  8. #8
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    Curtir Capítulo 10

    Capítulo 10 – Os Dizeres de Tothdral (Parte 2 de 2)

    Dia em que Ireas Keras adquiriu mais poder, elevou-se em sua classe e compreendeu a visão de mundo de Tothdral.

    Acordei no dia seguinte com um grande ânimo. Certamente observar a lua fora uma excelente decisão que tive. Aquela luz suave serve muito bem como um calmante...

    Assim que despertei, renovei a aplicação da resina em minhas unhas e pus-me a procurar por algum vendedor do novo Cajado de que necessitava. Encontrei uma moça que rapidamente me vendera o objeto por duas mil e quinhentas peças de ouro, bem como outro cajado de gelo, no caso de enfrentar um morto-vivo: o Cajado do Vento do Norte. Guardei meu Cajado da Luz da Lua em meu depósito e fui à banqueira Tesha retirar a quantia que necessitava para receber a promoção de que Tothdral me falara.

    Apesar de tudo, dos mistérios de Tothdral e de sua atitude, não pude deixar de perceber que tinha uma admiração por ele. Ele devia estar vivendo há séculos, e ter acumulado tamanho conhecimento era fascinante. Com meus novos armamentos, cumprindo o que me pedira a múmia, segui meu caminho para a torre Serpentina.

    Enquanto caminhava, observava os arredores com uma leve distração. Mais uma vez, meu desajeito natural impediu-me de perceber que havia uma pessoa andando em minha direção, e esbarrei nela com tudo, caindo de costas. E novamente envergonhado.

    — Ei, olhe por onde anda! — Exclamou o rapaz de vestes piratas e armas de Feiticeiro.

    Ainda que fosse um feiticeiro, eu sabia que tinha sido falta de educação e atenção minhas; portanto, tentei retratar-me da maneira mais cordial possível.

    — Desculpe, não quis derrubá-lo... — Comecei nervoso e um pouco tímido — Deixe-me ajudá-lo a levantar... — Ofereci minha mão direita ao rapaz, que a segurou com vigor e levantou em um pulo — É novo por aqui também? Meu nome é Sírio Snow e cheguei há pouco em Ankrahmun... Poderia dizer-me onde fica a Guilda dos Feiticeiros?

    — Claro! — Gaguejei levemente alterado — Eu estava indo para lá...

    — Mas você não é um druida? — Indagou-me Sírio, com estranheza, ao ver meu Cajado Necrótico — Que vai fazer lá?

    — Trata-se de uma Promoção de Vocação — Respondi com um ar de orgulho —Tothdral é o irmão de Ishebad, o Grão-Vizir dessas bandas, e também é o responsável por esse tipo de ação. É para isso que estou indo lá...

    — Interessante — Respondeu Sírio com um sorriso — Assim que eu tiver os meios, também farei isso...

    Nós dois seguimos rumo à Torre Serpentina. Sírio era um rapaz de pele bronzeada, olhos castanho-esverdeados, cabelos castanho-claros, cacheados e amarrados em um alinhado rabo-de-cavalo, trajando um chapéu cinza de pirata, uma blusa branca mais folgada, calças e botas de couro negro. Trazia sua Varinha de Draconia em sua cinta de couro bege, eu Livro de Feitiços normal em seu braço esquerdo. Sua família nascera no mar, assim como ele. Seus pais fugiram do trabalho escravo da Baía da Liberdade e conquistaram sua alforria como piratas, mas Sírio não tinha tanto interesse em seguir esse mesmo destino – ele queria tornar-se o mais conhecido e respeitado Feiticeiro que o mundo já teria visto. Era o primeiro feiticeiro que não citara uma busca desenfreada por poder e destruição. Talvez essa vocação não estivesse tão perdida quanto pensava...

    Ele me contou que o sonho dele era poder manipular o fogo e a energia, elementos pouco comuns em sua vida, por ter vivido no mar roubando o que conseguia para sobreviver.

    — Sei que muitos detestam piratas — Ele me disse com um sorriso triste —, mas o fazem por não saberem o quão difícil é nossa vida; tivemos que fugir de nosso lar graças aos figurões de Thais, e não tivemos outra opção senão roubar. Se a Baía fosse livre, contudo, meus pais não teriam virado piratas... E não teriam terminado enforcados pelos oficiais thaianos.

    De certo modo, eu me identificava com Sírio, pois a vida não fora doce ou boa para nenhum de nós. Ficamos em silêncio ao mesmo tempo em que chegamos à sala de Tothdral.

    — Quem de vocês virá falar comigo primeiro? — Perguntou a múmia com sua voz gutural e majestosa.

    — Sírio irá — Declarei de modo cavalheiro — Eu posso esperar.

    — Que seja — Respondeu cordialmente a múmia — Aproxime-se, jovem Sírio. Que deseja aprender?

    Tothdral levou Sírio a um local cheio de pergaminhos de feitiços direcionados à experiência que o rapaz tinha. Apesar das dificuldades da vida de pirata, Sírio tinha uma situação financeira estável, e até invejável para sua vocação. Era tão confortável que permitiu a ele adquirir vários feitiços em um só dia, enchendo Tothdral de trabalho. Não havia nada que aquela múmia não amasse mais que seu trabalho...

    Quando encerrou seus negócios com o líder de sua guilda, Sírio acenou para mim, despedindo-se. Eu sorri e acenei de volta. Era minha vez de falar com Tothdral.

    — Espero que sua mente não tenha sido consumida pelo ócio — Disse-me Tothdral no tom mais humorístico que conseguira — Vamos tratar dos negócios?

    — Sim — Respondi com um melindroso sorriso — Vamos...
    A múmia aproximou-se de mim com a mão esquerda próxima ao queixo, com o polegar, indicado e dedo médio acariciando-o em uma postura reflexiva. Ele examinou meu cajado, o meu escudo e as moedas.

    — Pois bem, você cumpriu sua parte — Ele declarou solene — Minha vez de cumprir meu trato... — Ele pegou as moedas de cristal e transformou-as em estranhos artefatos — A Promoção de Vocação consiste em um aumento em seu poder como Druida. Basicamente, você vai continuar a adquirir resistência e força mágica como seus companheiros não promovidos. Contudo, os melhores aprimoramentos estão nos menores detalhes — Ele se aproximou, e então eu percebi como ele era assustadoramente alto — Sua recuperação será aprimorada. Seu domínio em seus elementos primordiais (gelo e terra) será aprimorado, bem como você terá acesso a runas que nem mesmo seus conterrâneos de guilda sonham em poder fazer. Outros feitiços de ataque singular e de área estarão disponíveis, dando-lhe forças para combater até uma horda inteira de dragões: e sair vivo e ileso para contar a história...

    Ele ergueu os dois artefatos até a altura de meus ombros, entre meu pescoço e o músculo que une meu ombro direito ao meu tronco: um era uma agulha e o outro, um pequeno martelo. Senti meu coração disparar e suei frio. A múmia riu com leveza, e o grave de sua voz fez um frio percorrer minha espinha.

    — Tenha calma — Disse ele, examinando a musculatura em busca do ponto perfeito — Eu disse que os melhores aprimoramentos estão nos menores detalhes. Preciso que você remova essa parte superior de sua capa da Concentração, por favor.

    Eu obedeci. Minhas mãos tremiam muito. Puxa como aquela múmia me assustava! Ele pôs a agulhinha sobre minha pele, e eu só desejava que aquele ritual acabasse rapidamente. E lá se pôs a múmia a explicar novamente...

    — Além de mim, há outras pessoas que tem a habilidade de promover a vocação de cada aventureiro, e cada um marcará o indivíduo de modo diferente: meu irmão Ishebad de Ankrahmun, que faz a mesma marcação que farei em você, Eloise, a Rainha de Carlin, Tibianus Terceiro, Rei de Thais, Emperador Kruzak dos anões da cidade de Kazordoon e Imperador Rehal da cidade de Beregar. Ah, você ainda não conheceu Rehal? — Ele indagou ao ver minha reação ao último nome — Ah, pouco importa aqui. Você o verá mais tarde. Agora, vamos a esse serviço...

    A múmia usou o martelinho para romper minha pele, não consegui conter um grito de dor: sentia como se aquela agulhinha estivesse queimando-me ao mesmo tempo em que me perfurava. Tothdral estava fazendo um desenho em minha pele, gravando meu corpo como se fosse propriedade de Arkhotep. Ardia demais...

    — Quieto! — Ordenava Tothdral com sua voz grave e imperativa — Já vou acabar...

    A múmia fizera o desenho de um Ankh cercado de plantas, com a inscrição Druida Veterano no interior do objeto sagrado, bem como alguns arabescos abaixo do Ankh. Havia o desenho de uma rosa no canto superior direito, uma safira no canto superior esquerdo e uma esmeralda no centro do Ankh. Quando o astrólogo terminou seu trabalho, eu não conseguia mais sentir aquela área, visto que meus nervos haviam sido sobrecarregados pela sensação da dor. Tothdral vestiu minha capa, e eu senti minhas pernas falharem. Eu mal conseguia manter-me de pé.

    — Não se preocupe, logo passa — Disse-me a múmia, compadecida de minha dor — Suponho que essa tenha sido a maior dor que sentiu até agora. Bom, se quer saber, não será a pior de todas. Acredite, há coisas piores que a marcação de Promoção, mas o sacrifício valerá a pena, Keras. Pode ter certeza.

    Eu assenti vagarosamente, com meus olhos cerrados e a mão esquerda posicionada em minha capa no local onde me fora feito o desenho. Minha mão direita estava apoiada na parede, tentando me manter firme sobre minhas pernas.

    Tudo girava. A múmia tentava me ajudar a andar. Ele pôs um de meus braços em torno de seu pescoço e sentou-me em uma poltrona.

    — Realmente, você é a essência de um autêntico druida... — Comentou Tothdral, sentando-se na poltrona a minha frente, cruzando as pernas, entrelaçando os dedos das mãos e apoiando os cotovelos nas braçadeiras, além de fitar-me assustadoramente com seu olho dourado. — É fisicamente frágil como a grama sobre a qual caminhamos. No entanto, possui uma integridade mental semelhante à do carvalho que tanto veneram... Sua categoria é fascinante, devo dizer.

    Eu sorri lisonjeado. Ser assim elogiado por Tothdral me dava um ânimo renovado.

    — Com o tempo, Keras... — Disse o astrólogo — Você terá a verdade, encontrará sua mãe, esteja ela viva ou morta... E tudo se encaixará. O que pude fazer por você eu já fiz. Agora, vá renovar seu arsenal de feitiços com Rahkem. Ele deve estar ansioso para te ver. E, se vir meu irmão, diga que lhe mandei um olá.

    Eu assenti afirmativamente e sentia-me um pouco mais forte. Tothdral observou-me sair, seguindo meus passos com seu olho dourado. Eu saí da Torre Serpentina um pouco mais sereno ainda que estivesse sentindo um pouco de dor...

    Estava prestes a subir a pirâmide que me levaria ao comerciante de poções Mehkesh quando, novamente, esbarrei em um transeunte, e somente eu fui ao chão. Quando olhei para cima a fim de encarar o dito-cujo, era ninguém menos que o Andarilho do Vento, ou Wind, se preferirem.

    — Ireas! — Exclamou o cavaleiro ruivo, tirando-me do chão — Estava procurando por você; mas que coincidência, não?

    — Pois é... — Repliquei com as faces um pouco coradas — Que quer comigo?

    — Olha, sei que começamos com o pé esquerdo, e que você deve ter-se chateado com minhas brincadeiras — ele começou sem-graça —, mas gostaria de poder considerar-me seu amigo. Você é um magricelinha bacana, e não me sinto bem te vendo sozinho por aqui... — Ele sorriu, procurando quebrar o gelo — Um amigo meu está fazendo uma celebração na ilha de Folda, e eu ficaria imensamente feliz se você desse as caras por lá! Que me diz?

    — Verei se posso — Respondi um pouco tímido.

    O cavaleiro seguiu seu caminho e deixou-me na ruela de arenito de Ankrahmun. Folda trazia-me lembranças de Edron, quando iniciei minha jornada... Acho que amadureci de lá para cá, e sei que tenho um longo caminho a percorrer. Bem, eu era conhecedor do caminho àquela ilha. Decidi, portanto, ir até lá e prestigiar o convite de Wind...

    Continua...

    ---

    Nota da Autora: Décimo capítulo \o/ Que venham mais dez!!! Quero saber a opinião de vcs – está bom? Ruim? O que falta? O que está em excesso?

    Além disso, Sírio Snow é um tibiano real:

    Name: Sirio Snow
    Sex: Male
    Vocation: Master Sorcerer
    Level: 79
    Achievement Points: 24
    World: Unitera
    Residence: Edron
    House: Castle, 3rd Floor, Flat 01 (Edron) is paid until Jul 17 2012

  9. #9
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Capítulo 11

    Capítulo 11 – Celebração

    Dia em que Ireas Keras compreende um pouco mais sobre feitos heróicos... E conhece mais guerreiros...

    — Brrr! Que frio!

    Foi o que exclamei na medida em que me aproximava da ilha; apesar de gostar de um clima mais ameno, não estava acostumado aos ventos nórdicos que uivavam em meus ouvidos como um incessante lamento do mar.

    O marinheiro Nielson ria demais de minha cara; para ele, aquela brisa não era nada. Ele não sentia frio, pois era natural aquele clima para ele. Afinal, vivera a vida inteira fazendo o trajeto Tibia – Ilhas de Gelo, enquanto que seu amigo Svenson fazia o trajeto reverso em Folda, e revezavam suas posições nos pequeninos portos improvisados.

    De pernas cruzadas, sentado sobre o mogno da humilde embarcação, observei a ilha que surgia no horizonte. Folda era a preferida dos jovens aventureiros de poucas posses, pois era perfeita para conseguir dinheiro aos montes e com pouco risco.

    Chegando ao porto de Folda, agradeci a Nielson pelos serviços prestados, e vi Svenson pegar a outra pequena embarcação e seguir viagem em direção ao Grande Continente. Segui pela neve fofa, e logo encontrei Wind, que estava brincando com várias caixas que encontrara por lá.

    — Que bom que você veio! — Disse o cavaleiro, acenando vigorosamente para mim, e abrindo um largo sorriso ao ver que eu me movera em sua direção. — Você vai adorar conhecer Icel Emonebrin; ele acabou de completar seu Centésimo Grande Feito* e chamou várias pessoas para celebrar! Ele disse que quer te conhecer, pois seu nome já está se tornando famoso por essas bandas...

    — Quanta honra! — Respondi, lisonjeado e com as faces ligeiramente coradas.

    — Você se retrai e cora com facilidade, não? — Comentou Wind, rindo discretamente — Sente-se — Disse ele, chutando um caixa para perto de mim. Obedeci — Conte-me mais sobre você... — Ele apontou para as minhas mãos, especificamente para minhas unhas — Por que você pinta suas unhas?

    — É um medicamento — Respondi novamente corado — Eu tenho uma doença que degenera minhas unhas e, a fim de evitar que elas caiam e a carne de minhas mãos fique sujeita a infecções fatais, uso essa resina medicinal para tratar essa enfermidade. Bem, o caso vem melhorando, mas tenho que reaplicar diariamente para evitar que os agentes infecciosos fiquem resistentes a esse tratamento. Sem falar que virou hábito...

    — Ah, entendi... — Sorriu o ruivo — Agora sei por que você tem essa resina nas unhas... Outra coisa! — Ele pegou a caixa onde estava sentado e posicionou-a a minha direita — Por que você estava tão fraquinho ontem? Estava pálido até para seus padrões...

    — Ah, fui promovido! — Disse a ele, mostrando a marca feita por Tothdral — Não sabia que era um processo doloroso, e Tothdral é um poço de “delicadeza”... — Usei um tom fortemente sarcástico nessa expressão — Mas valeu à pena. Assim espero...

    Ele soltou uma discreta risada, que me fez rir logo em seguida. Era um sujeito tagarela e animado, e sua companhia era agradável demais. Certamente, era o equilíbrio entre a seriedade de Brand e o entusiasmo de Jack Spider. Ele parou de rir, fez um momento de silêncio e direcionar-me-ia outra pergunta quando fora interpelado pelo celebrante Icel.

    — Wind! — Disse o feliz rapaz — Que bom vê-lo aqui! Trouxe um amigo? Qual o nome dele?

    — Ireas Keras — Respondeu Wind por mim — E aí, como se sente?

    — Incrível, cara! — Respondeu Icel irreverente — Finalmente consegui! Você não sabe o quanto ralei para chegar aonde você chegou!

    Olhei para Wind muito surpreso; ele já havia conquistado seu Centésimo Feito? Para um homem irreverente e que não parecia ter gosto por batalhas — mesmo sendo um cavaleiro —, nunca me teria passado pela cabeça que ele já chegara tão longe.

    — Acho que Keras não sabia de suas glórias — Disse Icel, sorrindo discretamente para mim — Ainda não contou a ele de sua ida a Yalahar?

    O que eu sabia de Yalahar era baseado em histórias que ouvi por Ankrahmun – uma cidade requintada, presa em seus próprios domínios, sombra de seu glorioso passado. Cidade que vivia um presente incerto e decadente, com seus habitantes naturais mortos ou muito longe dali, e com os serviçais tentando tomar conta da pouca glória que restou àquela condenada, ainda que bela cidade.

    Mais pessoas começaram a chegar à ilhota gelada. Eram todos muito bem trajados, bem equipados... Pessoas que vivenciaram muito ao lado de Icel, e que estavam lá para presenciar esse mágico momento. Ele pediu a atenção de todos, pois ele começaria a organizar o espaço para o registro.
    Ele pegou runas de fogo e pediu a mim e outros que tivessem um bom domínio sobre magia que as atirassem conforme um desenho, procurando formar o número 100 no chão. Eu e outras duas pessoas nos encarregamos de fazer o trabalho.

    — Novo por aqui? — Indagou-me um homem de castanho-avermelhados, olhos de um brilho púrpuro e trajes de bárbaro nas cores azul e vermelho, com metade do rosto pintado de vermelho. Seu rosto era bem desenhado e de bons traços, ainda que, como todo o bárbaro que se preze, parecesse muito ameaçador — Meu nome é Liive do Inferno, mas todos me chamam de Liive. Você é amigo de Wind?

    — Sou — Respondi timidamente — Ele quem me chamou para vir à celebração... Eu estava de bobeira em Ankrahmun...

    O bárbaro sorriu e me ajudou a terminar o serviço. Ele me contou que estava com 180 Grandes Feitos até aquele ponto, e que conhecera Icel quando eles eram apenas pivetinhos sonhadores em Rookgaard. Ele me contou do dia em que chegaram ao Continente Principal e viveram juntos em Thais. Depois, Liive seguiu para Carlin após solucionar o mistério do Deserto de Jakundaf, e bem depois se tornou um Bárbaro Honorário em Svargrond. Ainda que essa última seja seu grande lar, ele decidiu residir em Yalahar por um tempo. E está lá desde então.

    Icel, por outro lado, teve em Thais um lar, e só depois se juntou ao seu amigo, também fixando residência em Yalahar. Achei a história fascinante, e me fiquei perguntando se algum dia também conseguiria ter uma amizade que durasse tanto...

    — Prefiro ter um único, porém verdadeiro amigo a cinquenta amigos momentâneos — Ele me disse, enquanto finalizava o desenho requisitado por Icel — Se não for desse modo, não há sentido. Não há graça.

    Liive deu um tapinha em meu ombro esquerdo e rapidamente saiu, juntando-se a Icel e aos demais, que já estavam prontos para o registro. O registro consistia em um feitiço evocado por um feiticeiro ou druida de grande habilidade, que o permitia gravar um momento no tempo e registrá-lo em uma tela. Era um trabalho mais veloz e realista do que fazer uma pintura. Sem falar que ficaria com um resultado plástico interessante. Sempre gostei de artes e, não fosse o fato de ser um Druida em tempo integral, com toda a certeza seria um pintor.

    Chegaram Icel, Liive e muitos outros. Alguns estavam montados, outros estavam a pé. Icel posicionou-se ao centro, e eu fiquei no canto inferior direito, próximo a Liive e Wind. Não vi Sírio por lá, mas vi Brand, Jack, Pinga e outro amigo deles: Mandarinn. Todos sujeitos interessantes. Poderia chamá-los de amigos?

    Após o registro, ouvi gritos de alegria de duas moças, que logo se acercaram de mim. Eu não sei o que me assustou mais — se fora os gritos agudíssimos delas, ou se fora a aparição repentina delas, uma de cada lado.

    — Ai, que fofinho! — Disse uma delas, que logo descobri chamar-se Viciosa KhantraEsposa do Kindim venha cá! — Ela chamou pela amiga, que logo me apertou em um forte abraço e cobriu meu rosto de beijos.

    — Que fooooofoooo!!! Registre-nos! — Disse ela ao mago ali presente, que as registrou me sufocando em seus braços. Ainda que toda aquela atenção tenha sido muito bacana, nunca fiquei tão vermelho em minha vida... Conseguiu superar o momento em que bati minha testa em Ankrahmun. Que bom que Brand não registrara aquilo...

    Icel trouxera várias comidas e bebidas e dividiu-as com todos. Sentados ao redor de uma fogueira, ouvimos histórias e piadas. Fiquei sentado entre Liive e Wind; Brand e Jack estavam logo à minha frente. De todos os presentes, fui o único que atacou as bebidas não alcoólicas, algo que Liive estranhou muito.

    — Você não bebe? — O bárbaro me indagou, estranho àquele comportamento.

    — Não gosto de álcool — Repliquei educadamente.

    — Beba isso — Ele me disse, exibindo um copo com uma bebida de cor dourada — É hidromel; em minha terra, bebemos isso. Não se preocupe, é fraquinha.

    Dei de ombros e peguei o copo; se eu recusasse, na certa o cavaleiro insistiria, então quis evitar o transtorno. Um gole do licor de mel foi o bastante para deixar-me zonzo, e Liive não pode conter a risada.

    — Coitado! — Repreendeu Wind — Liive, você não devia ter feito isso!

    — Ah, qual é! — Debochou o bárbaro, colocando a mão direita sobre meu ombro — Esse rapaz parece ser um cara legal. Além disso, se algum dia ele quiser conhecer as terras de Svargrond, terá que estar familiarizado com o gosto. E, quando vir outro novato, poderá divertir-se à custa dele! — Liive soltou um largo riso, e eu também comecei a rir. Acho que foi efeito do álcool pelo meu corpo... — Seu nome, qual é? — Ele me perguntou.

    — Ireas Keras — Respondi, tentando ficar sério.

    — Seja bem-vindo a esse grupo, Ireas — Disse o bárbaro, voltando seu olhar para os demais — Sinta-se em casa.

    Sinta-se em casa. Uma frase de confiança; senti uma felicidade dentro de mim. Sim, eu havia encontrado pessoas em quem confiar — amigos. Por um tempo, vi na solidão um recurso de sobrevivência. Agora, não precisaria mais contar com ela para me manter: tinha amigos, com os quais podia contar para o que desse e viesse...

    Pensei nas palavras de Liive acerca de Svargrond... Minha mãe dissera em uma das cartas que foi lá onde nasci! Será que meu pai estaria por lá? Se estivesse, teria pistas sobre minha mãe?

    Continua...

    ---

    Notas da Autora:
    Os acontecimentos desse capítulo referem-se ao dia em que Raphaazix (Icel Emonebrin) chegou ao nível 100 e tirou a Screenshot do feito. (O registro = Screenshot)

    *Grandes Feitos – na história, representam as passagens de nível do jogo. Ou seja, se você é, por exemplo, nível 35, isso significa que você fez, ao longo de sua jornada, 35 Grandes Feitos ou Feitos Heroicos. Fiz isso para não parecer estranho a mudança de equipamentos de Ireas e dos demais personagens. Não quero usar a mudança de nível como idade, ficaria estranho...

    Os Tibianos reais (todos de Unitera):

    Name: Raphaazix
    Former Names: Icel Emonebrin
    Sex: Male
    Vocation: Elite Knight
    Level: 138
    Achievement Points: 124
    World: Unitera
    Residence: Yalahar

    Name: Liive Of Hell
    Former Names: Liive, Deutreta Chamanois.
    Sex: Male
    Vocation: Elite Knight
    Level: 245
    Achievement Points: 289
    World: Unitera
    Residence: Yalahar

    Name: Khantra Vicious
    Sex: Female
    Vocation: Knight
    Level: 94
    Achievement Points: 45
    World: Unitera
    Residence: Thais

    Name: Mandarinn
    Sex: Male
    Vocation: Master Sorcerer
    Level: 126
    Achievement Points: 127
    World: Unitera
    Residence: Carlin
    House: Harbour Lane 2b (Shop) (Carlin) is paid until Jul 24 2012

    Observação: O personagem Esposa do Kindim já não existe mais. Sinto sua falta =*
    Última edição por Iridium; 08-07-2012 às 22:47.



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