Resultados da Enquete: Que Facção deveria Ireas Escolher?

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Enquete de Múltipla Escolha.
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Tópico: A Voz do Vento

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  1. #1
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Gostei do capitulo, não teve nada de mais, apenas a apresentação da Nova Ankrahmun para os leitores, e te digo, fiquei impressionado.



    Nunca imaginei ankrahmun de outro jeito, nunca pensei em algo além da cidade desertica; fiquei supreso com tudo que planejou. Ficou quase parecido com a cidade da minha história, Darksand.



    O sistema de escaravelhos-correio foi bem bolado, imagina você de boa na lagoa e aparece um escaravelho segurando uma carta na boca pra dar pra você. O.o
    E a parte que eu achei mais interessante foi Ireas estar mais forte, com mais músculos. Ireas não entende o porque das garotas desejarem ele? Simples: Elas acham ele gostoso e querem fazer coisas selvagens com ele e.e
    E quando se referiu à amêndoas se referiu a seios, certo?






    Bom, é só isso mesmo

    Espero que não demore tanto para escrever o proximo capitulo. Ainda sou seu fã!

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  2. #2
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    Como o Carlos, posso dizer que este capítulo "não teve nada demais", e isso pra mim foi muito bom.

    Eu gostei muito deste capítulo, de cada detalhe da reconstrução de Ankrahmun, das divagações do Ireas sobre os amigos em Goroma, sobre o Wind, tudo.
    O capítulo novamente começou meio sombrio com o PoV do Wind, mas depois mudou pro Ireas e ficou mais "light". Talvez um pouco leve e idealista demais pros meus gostos (que são um pouco bizarros, admito), mas parece bem o tipo de coisa que você gosta - e sabe - escrever.
    Sua história ao meu ver é a melhor em questão de personagens em atividade atualmente. Eu não costumo classificar histórias em melhor ou pior porque isso é muito subjetivo, mas realmente não encontro nenhuma outra que se compare a esta neste quesito. Nem falarei sobre escrita, pois é mais questão de estilo, alguns preferem uma mais simples, outros um pouco mais refinada.

    Não tenho críticas a fazer no momento, e desculpe ter demorado tanto para comentar.
    Espero que não desanime, porque parece que (novamente ) esqueceram-se de sua história.

    Ta osso esse Histórias, viu. :/
    Última edição por Gabriellk~; 10-11-2012 às 08:20.
    “The big questions are really the only ones worth considering, and colossal nerve has always been a prerequisite for such consideration”.
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  3. #3
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Capítulo 29

    Olá pessoal!

    Primeiramente, quanto tempo! Ufa! Finalmente consegui escrever... A vida anda complicada... Estudar, vestibular, provas, provas... Enfim...

    Sem mais delongas, o capítulo, senhores e senhoras!

    -----

    Capítulo 29 – Diplomacia?

    O pôr-do-sol indicava que a comitiva de sobreviventes logo chegaria. Eu, Ireas Keras, Grão-Vizir (temporário) de Ankrahmun, trajava uma túnica branca com leve tonalidade azul, sandálias prateadas e braceletes dourados com pequenas safiras nas extremidades. Eu havia renovado a camada de resina sob minhas unhas – aparentemente, todo o nervoso que passei nos dias anteriores fizeram a doença piorar um pouco. Sentia-me tonto e com leve febre, e receava arruinar a noite.

    A cidade estava iluminada por lamparinas piramidais brancas, que traziam um pouco do luar para nós; contudo, esses pequenos dispositivos luminosos faziam da Lua a protagonista da noite. Eu sorri leve e espontaneamente, e há muito eu não sorria assim... Sentia falta da alegria.

    Os ventos do deserto sopravam bem convidativos. A noite tinha tudo para ser boa; eu estava torcendo, é claro, para não estragar tudo como de costume...

    — O oásis do Deserto! Terra à vista! — Era Sírio quem gritava; sua voz era inconfundível; era sinal de que a comitiva chegara.

    Meu coração retumbara forte como trovão; eu estava perto de uma pequena pirâmide habitacional, próximo do cais. Eu não sabia se ficava esperando ou se corria para a pirâmide do Faraó; não sabia, também, se me aproximaria de meus amigos ou se aguardaria o jantar. Sírio, diferentemente de mim, os recebia calorosamente.

    Eu só podia vê-lo gesticular; tentando vencer minha timidez e medo, aproximei-me do cais, escondendo-me sob uma das pilastras das docas; Sírio ria e parecia guiar-lhes até a casa de banhos que eu redesenhara. Perguntava-me: por acaso ele falara de mim?

    Respirei fundo e tentei controlar meus sentimentos; eu não poderia estragar aquele momento. Eu estaria prestes a conseguir contatos, pessoas que pudessem me ajudar na busca por minha mãe e entender o ataque feito a Ankrahmun pela Irmandade dos Ossos. Com passadas curtas e ligeiras, segui meu caminho à pirâmide faraônica.

    Lancei um olhar para a comitiva de Sírio. Um a um, eles se dirigiam à casa de banhos: Rei Jack, Brand, Mandarinn, uma elfa que aparentava ser esposa ou amante dele, Icel...e Wind.

    Meus pés pararam e meu coração também; o Yalahari estava lá, com feridas horrendas nas costas, pernas e braços; para minha sorte, ele estava de costas e não me vira. Para meu azar, porém, ele era o último dos sobreviventes a chegar ao aposento e conversava com Sírio. Eu temia que eles estivessem falando de mim.

    De repente, uma das pequenas lamparinas passou por Wind, fazendo o ruivo cavaleiro voltar seus belos olhos castanhos para a direção em que eu me encontrava.

    — Ireas? — Ouvi sua bela voz sussurrar no vazio das ruas de arenito e mármore imaculado.

    O pavor tomou conta de mim; meu corpo estava oculto pelas sombrar, dificultando minha identificação. Não pensei duas vezes: saí correndo do local. Se meus ancestrais pudessem me ver além dos ventos do Norte, com toda certeza sentiriam vergonha de minha atitude; um bárbaro correndo de um homem que em momento algum fora adversário, mas que ferira mais que qualquer guerreiro habilidoso, experiente e sedento de sangue proveniente de minha terra, Svargrond.

    Só parei de correr quando cheguei às portas da residência do Faraó.

    ***

    — Seja bem-vindo, Grão-Vizir — Disse-me um dos guardas do Faraó— Os ilustres convidados de vossa Majestade o esperam.

    Eu meneei com a cabeça de forma afirmativa, buscando livrar-me daquela horrível sensação de pavor, impotência e medo, bem como do rubor que tomara conta de minhas faces. Um dos guardas guiou-me até a sala de jantar; creio que foi o lugar mais belo em que já pisei.

    O aposento era bem iluminado, com uma mesa dourada ricamente entalhada. As cadeiras possuíam arabescos e gravuras típicos da cidade, e eram de madeira escura com almofadas de rubro veludo sobre elas. Os pratos eram prateados, bem como os vários talheres dispostos ao lado deles. As cortinas eram brancas com bordados de bronze. Havia armários e alguns instrumentos musicais ao final da sala.

    Os pratos na mesa eram tão suntuosos quanto a decoração do recinto. Assados, massas, deliciosas e delicadas sobremesas, bebidas espumantes e fumegantes... Ah, que água na boca! Meu estômago estava reclamando de tanto sofrimento, pobrezinho.

    Um clique na porta à minha direita tirou minha atenção da refeição que estaria por vir. Um elfo de longos cabelos louros,belos olhos prateados, túnica amarela-clara sobre uma longa camisa lilás entrou no recinto, seguido de um anão ruivo de olhos verdes e belo sobretudo esmeralda, um homem moreno, com traços orientais e com terno rubro e um outro que, obviamente, era Norsir: seus trajes eram de pele de mamute, a julgar pela pelagem, e havia adereços de conchas entre seus cabelos negros. Um a um, eles vieram me cumprimentar.

    — É você o rapaz que fez essa obra-prima? — Disse-me o elfo com um sorriso impressionado nos lábios — Meu nome é Eriel; sou Embaixador de Ab'Dendriel, pertencente à classe Chelabdil. — Então, ele passou a me analisar com seus olhos prateados — Ora, disseram-me que você era Norsir... Te imaginava um pouco... Mais alto.

    De fato, eu entendia a decepção do ilustre embaixador; meus conterrâneos mediam por volta de 1.80m. O Embaixador, com seus 1.90m, deveria estar rindo em seu interior ao ver um bárbaro de menos de 1.70m e traços mais femininos à sua frente. Corei levemente, ainda que sentisse leve raiva.

    — Não ligue para o Eriel — Era o anão quem me falava — É acostumado a ver as pessoas de cima, se é que me entende... Heh, sou Marziel, principal engenheiro, arquiteto e supervisor de obras de Kazordoon. — Ele me deu um vigoroso aperto de mão — Será um prazer ter sua mente algum dia a serviço de Kruzak, camarada.

    O cumprimento dele elevou-me o humor, e logo vieram os humanos a me cumprimentar.

    Hammoud, embaixador de Darashia, não se engane — Disse-me o moreno com um olhar misterioso — O sultão ficaria mais que lisonjeado com sua presença — Ele se aproximou e sussurrou em meu ouvido esquerdo — Cá entre nós, ele mal pode esperar para ver uma Nova Darashia.

    O bárbaro veio logo em seguida com um sorriso e vigoroso aperto de mão.

    — Sou Hekki, irmão de Sirik. Puxa, não esperava vê-lo tão depressa!

    — E como vai seu irmão? — Indaguei, preocupado com os Norsir. Desde o ataque, não pisei mais em Svargrond.

    — Bem, na medida do possível — Respondeu-me com pouco entusiasmo — Somos fortes, Keras. Já fomos sitiados diversas vezes, e nem mesmo o domínio de Carlin isso mudou. — Então, o Faraó entrou no recinto — Bem, devemos nos sentar. Por favor, sente-se perto de mim; é muito incômodo ser o único Norsir aqui presente...

    Eu ri levemente e cumpri o pedido dele: o Faraó sentava-se na ponta da mesa; Sentei-me ao lado esquerdo dele, e Hekki sentou-se ao meu lado. Caso Wind viesse a entrar, seria mais fácil evitá-lo. Ver suas costas tão profundamente cortadas, a carne tão ferida e maltratada perturbou-me demais, bem como recordou-me das apunhaladas em meu coração que foram as cartas por ele escritas.

    — Agradeço aos seus representantes por os terem mandado aqui — A voz do Faraó trouxe-me de volta ao recinto — Gostaria de dizer-lhes que a reunião de hoje é uma celebração, a abertura de uma nova era em Ankrahmun. Tudo graças a esse rapaz singular e leal — O Faraó lançou um olhar de gratidão para mim — Ireas Keras. Rapaz esse que parecia mais um cidadão comum, um transeunte de Ankrahmun, provou-se mais do que capaz de assumir suas responsabilidades quando a cidade mais precisou. Além disso, esse rapaz é o Grão-Vizir de meu reino, meu representante quando não posso fazer-me presente...

    Eis que o elfo Eriel pôs-se a falar, autorizado pelo Faraó.

    — Nos portos dessa linda cidade, chegaram convidados muito especiais, aos quais devemos muito: nossas vidas, nossa segurança. — A porta principal abriu lentamente — Senhores, os sobreviventes da empreitada contra o desprezível e temido Morgaroth!

    Meu coração parou naquele instante, e senti a palidez tomar conta de minhas faces. Hekki me olhou assustado, e eu não percebi.

    Todos vestiam lindas túnicas amarelas. Brand entrou primeiro, ostentando as condecorações de guerra com orgulho em seu rosto; Rei Jack entrou seguido por Icel e Khantra, a linda moça que vi quando o paladino completara Cem Grandiosos Feitos. Sírio também entrou no recinto tão bem vestido quanto os demais, seguido por Mandarinn e sua esposa elfa – percebi que o era pelo lindo anel que ostentava e pelas juras de amor que sussurrava ao pé do ouvido do mago. Ao ver o casal, Eriel ergueu a sobrancelha esquerda em sinal de pejorativa surpresa.

    Quando achei que poderia ficar tranquilo, não só minhas estranhas tontura e febre começaram a me atacar bem como Wind entrou no recinto. Sua túnica era esverdeada, e havia uma larga ombreira de ouro sobre ela; um cinto branco pendia de sua cintura,e seu rosto, de tão limpo, nem parecia o de um homem recém-chegado da guerra.

    — Grão-Vizir, Keras? — Indagou-me com um sorriso de alegria em seu rosto; parecia contente demais em me ver — Que novidade boa!

    Os demais me fitaram como que esperando minha reação. Eu estava tão travado, apavorado, enraivecido e estranhamente emocionado que não sabia o que fazer senão olhá-lo com surpresa. Eu simplesmente meneei minha cabeça afirmativamente, e ele foi sentar-se entre Jack e Brand... Bem à minha frente. Não havia escapatória.

    Acho que só consegui comer alguns minutos. Não que a comida estivesse ruim, claro que não: estava divina, tão gostosa quanto sua aparência dizia. Contudo, passei boa parte do tempo tentando evitar os olhares do Yalahari, que insistia em chamar-me a atenção. Aquilo certamente me importunava.

    — Seu Faraó está me dizendo que você talvez deixe a cidade — Era Marziel quem falava, fazendo minha mente voltar ao recinto — Por que motivo?

    — Bem... — Comecei, bebendo um gole de chá — Tenho um compromisso... Um dever em Svargrond. Pretendo encontrar um Grão-Vizir à altura de Ishebad para me substituir. Infelizmente, não tenho ideia de onde começar.

    Djanni — Falou Hammoud, atraindo minha atenção — Os Gênios são eloquentes, trabalhadores e de bela caligrafia. Se você conseguir fazer algum deles sair da fortaleza, considere sua missão muito bem cumprida.

    Eu acenei afirmativamente. Excelente ideia! Anotei os dizeres de Hammoud em um guardanapo. Apesar do ânimo renovado, ainda sentia muita dor de cabeça e minha febre tendia a aumentar cada vez mais. Meus olhos começaram a arder, e Eriel percebera isso.

    — Você está bem, Keras? — Indagou-me com a sobrancelha esquerda erguida.

    — S-sinto muito... — Gaguejei — Vossa Majestade, com a sua licença... — Levantei-me de meu assento e rapidamente dirigi-me à saída. Naquele momento, Brand fitava-me com desconfiança.

    — Vou até ele — Sussurrou nos ouvidos de Wind.

    — Não — Protestou o Yalahari — Eu vou. Com a sua licença, Majestade.

    ***

    Minha cabeça doía. Meu coração batia forte... E a febre não queria ceder. Apoiei meus cotovelos no parapeito da sacada, tentando manter-me consciente. Então, ouvi passos em minha direção. Espiei com o canto do olho, e percebi formas muito familiares.

    — Isso tudo é saudade, é? — Disse uma voz muito conhecida — E aquele moreno, quem é? Do jeito que ele se engraçou com você... Fiquei até com ciúmes. — Maldição, era ele. Wind.

    O ruivo aproximou-se timidamente, a passos lentos, porém constantes. Minha mente entrou em conflito: ele me havia ferido com aquelas cartas, com as mentiras que dissera...Contudo, parte de mim parecia querê-lo. A cada passo que ele dava, eu recuava metade.

    — Afaste-se de mim — Eu disse incomodado — Já não me basta as dores que me causou?

    —Como assim? — Indagou-me o confuso Yalahari.

    —Não se faça de inocente! — Bradei quase inconsciente — Você... Você sabe... o que fez... — senti-me desfalecer.

    —Como assim? Keras...Keras?Keras! — Desfaleci nos braços do Yalahari que, assustado, só pode fazer uma coisa: gritar — Ajudem! — Ele urrou — O Grão-Vizir desmaiou! Guardas! Guardas!

    Continua...

  4. #4
    Avatar de Senhor das Botas
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    Nuss, seria épico o Ireas deixar o Wind na Friendzone Parei, isso não foi um comentário sério...


    Sério.



    Enfim, história bolou boladamente bem aqui na seção. Começou boa, seguiu boa e continuou boa. Não comentei o último pois não vi(+Vício em LoL e escola, duas coisas que não combinam )

    De resto, nenhum erro que possa ter percebido. Continue do seu jeito (E volte a reescrever mais, férias é a época MAIS movimentada de todas, onde novos/velhos usuários vem e vão... E com uma bom história dessas, vish )


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  5. #5
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Demorou hein Iridium!


    Ótimo capitulo, só as reações de Ireas foram um tanto estranhas para mim. No minimo eu achava que o Wind ia cumprimentá-lo no porto, daí o Ireas ia pegar ele pelo colarinho, dar um soco na cara dele, jogar ele no chão, chutar forte a barriga dele e depois o saco e chamar ele de cachorro

    Mesmo assim foi legal, boas descrições do jantar, só o Wind tava muito safado com as graças dele... E o Ireas muito fraco... Tá muito complicado pro Ireas na minha opinião tudo isso, tu podia baixar um pouco a poeira do Ireas, ele já tem uns músculos mas ainda é fraco



    E como o botas disse, prepare-se para a invasãochegada de muitos novos usuários e velhos usuários nesse fim de ano. Sua história está muito boa, pode acabar ficando melhor do que Dan da cidade de Carlin, se pá. E boa sorte com sua vida extremamente complicada de atualmente...



    Abraços e até mais.




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  6. #6
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    Eu nunca vou entender como alguém pode ter tantas provas e ter que estudar tanto no EM.


    Capítulo: Ótimo como sempre. Realmente não tenho nada de relevante para falar, que os colegas já não tenham dito. Eu descobri que só consigo fazer posts grandes quando eu tenho coisas à criticar, e não encontro nada para criticar neste capítulo.
    Caso ocorra a votação para melhor história este ano, provavelmente a sua levará o meu voto.

    É só isso mesmo, fazer o que.
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  7. #7
    desespero full Avatar de Iridium
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    Curtir Capítulo 30

    Inicialmente, gostaria de agradecer a todos q leem e acompanham a história. Saibam q seus comentários fazem da escrita desse roleplay ainda mais gratificante.

    Bom, faz um bom tempo que nada posto...Então, vou aproveitar esse ritmo de férias e postarei mais uma parte da saga do Elder Druid Ireas Keras...

    Boa leitura! Comentários e críticas são sempre bem-vindos aqui!

    -----***-----***----

    Capítulo 30 – Orgulho

    Quando os pesadelos de Ireas voltam a atormentá-lo...

    Tudo estava tão escuro... Quieto...Apavorante. Eu tentava abrir meus olhos, mas minhas pálpebras simplesmente não respondiam; a escuridão parecia bruxulear sob a presença de pontos cinzentos. Estaria sonhando?

    Os pontos cinzentos passaram a ganhar maiores dimensões a tomar forma. Logo, um descampado ermo, com grama marrom, árvores de médio porte com cascas grossas,fendidas e mortas. Animais rastejando, agonizando, esperando sua morte, e restos esqueléticos de seus companheiros ao chão.

    A cena me encheu de angústia. Ainda que a morte fosse parte da ordem natural da vida, como Yandur me ensinara na guilda dos Druidas da Ilha do Destino, ver a face mais cruel da Morte me apertava o coração.

    Tentei falar a magia de Cura Massiva na esperança de salvar àquelas pobres criaturas, mas nada saía de minhas cordas vocais. Por mais que eu me esforçasse para pronunciar as palavras, esbravejar, gritar, nada acontecia; nem um som, nem um ruído. Nada.

    Então, o primeiro som de meu sonho ou pesadelo: uma trovoada; vi o clarão de um trovão e ouvi mais outro. O céu tingiu-se de cinza escuro, quase preto, e nuvens macabras projetaram-se na abóbada celeste, aninhando com sinistro carinho suas crias luminosas e barulhentas, os raios. Cobri meus ouvidos; estranhamente, eu não temia tempestades,mas elas me causavam grande desconforto. Lágrimas involuntárias saíram de meus olhos,principalmente quando um dos feixes de luz acertou o que parecia ser uma Pantera da Meia-Noite.

    O animal desfaleceu diante de meus olhos e não tive sequer tempo de reagir. Mais animais começaram a aparecer e morrer do mesmo modo e rapidez quanto o raro espécime de outrora. As lágrimas saíam de forma torrencial, e eu era incapaz de soltar o grito de cólera que tanto queria. Urrar me fora negado; minha única saída era manter-me de joelhos e chorar. Nada pude fazer.

    Então, um relâmpago rasgou os céus, e algo saiu dele. Uma criatura, que julguei ser feminina com base nos contornos que se formavam contra a luz. Seus pés era pequenos, delicados e assustadoramente brancos. Quando tocaram o chão, seu corpo se materializou; estava coberto por um manto negro, e dos pés só pude ver as pontas dos dedos. Suas mãos eram delicadas, porém cadavéricas. Havia um par de brilhos rosados onde supus serem seus olhos.

    De repente, a matança cessou. Os cadáveres tornaram-se ossos quase que instantaneamente; só pude levar minha mão direita à minha boca em sinal de pavor. Eu continuava a fitar o fenômeno tão curiosa e horrorizadamente quanto sua algoz.

    — Vê os animais? — Ela disse com tom de voz sinistro e estranhamente angelical —Não passam de meras fontes de energia para minha Irmandade... Irmandade essa que dominará esse mundo leniente, abandonado por todos os Deuses que dizem os eclesiásticos nos protegerem.

    Eu tentei protestar; nada.

    — Em breve você estará conosco, Keras. O ódio que sinto em sua alma é mais poderoso que tudo. Você consegue amar na mesma medida em que odeia, e esse sentimento é o alimento de nossa organização...

    As sombras que cercavam a moça começaram a projetar-se em minha direção, como se estivessem vivas... E sedentas de sangue. Sem poder conjurar um feitiço sequer e sem arma alguma disponível, não tive outra alternativa senão correr. E foi o que fiz. Que meus ancestrais Norsires me perdoem...

    — Junte-se a nós... — Sussurrava sua voz de sereia e serpente — Junte-se a nós...

    — Não! Não!

    Enfim, pude ouvir minha voz. As sombras se foram... A mulher se foi. E comecei a ouvir outro conjunto de vozes.

    — Keras? Você está bem? — Creio que era Brand...

    — Ireas?! Calma, parceiro! — Definitavamente era Rei Jack quem falava...

    — Keras? — Deveria ser a esposa de Mandarinn...Era a única mulher de que me lembrava no jantar...

    Meus olhos enfim cederam ao meu comando, e lentamente se abriram. O ambiente estava embaçado, minha cabeça doía, tudo girava...E minha febre parecia pior. Olhei para cima, e constatei, pelos entalhes no telhado, estar no hospital que construí em Ankrahmun. Pisquei com lenta aflição, e os entalhes assumiram sua melhor resolução: eu estava consciente.

    Olhei à minha direita e lá estavam Brand, Rei Jack, Mandarinn e sua esposa cujo nome desconhecia. Meneei minha cabeça lentamente, cansado e aflito pelos eventos mais recentes.

    —Ireas? Indagou-me a élfica esposa de Mandarinn — Creio que ainda não nos conhecemos... Sei que você está muito debilitado, e peço perdão por trazer-lhe novas informações, mas permita-me que me apresente: Sou Solária Brisa-da-Neve, noiva de Mandarinn. — Ela lançou-me tímido sorriso — Meu noivo falou-me bem de você,e é um prazer conhecê-lo.

    — Igualmente — Respondi com fraqueza — Perdoe-me por estar assim...

    A garota pôs uma compressa gelada em minha cabeça; Crunor, que febre! Há tempos não me sentia assim... A última vez que ficara tão doente fora em RookGaard, quando falecera Khaftos. Há muito tempo atrás...

    Então, ouvi gritos do lado de fora de meu quarto. Parecia ser Sírio e Wind; conseguia distinguir-lhes as vozes, porém não entendia o que esbravejavam.

    — Ah, eles ainda estão nisso?! — Resmungou Brand — Quanta criancice!

    —Do que se trata? — Indaguei

    Brand sinalizou para que os demais saíssem pela porta à direita, deixando-nos a sós.

    — Trata-se de alguma coisa de que você acusa Wind de ter feito. Replicou-me Brand em tom seco — Por que você o tem tratado assim? Desde que ele chegou a Ankrahmun, tudo o que você faz é evitá-lo e trancafiá-lo em um caixão de gelo, por assim dizer!

    Apertei o lençol de linho fortemente em minhas mãos.

    — Você não faz ideia do que passamos lá, Keras — Brand continuava seu sermão —, e você também não faz ideia de como Wind sentiu sua falta!

    — Você não diria isso... — Tentei replicar — Se tivesse visto o que ele me escreveu!

    Naquele instante, ouvimos o som de algo se chocando contra a parede e quebrando-a. Ouvi gritos e urros quase que simultâneos aos sons anteriores.

    — Ah, cara! — Resmungou Brand — O que aqueles dois fizeram?! — Ele se levantou e foi até à porta. Com dificuldade, fiz o mesmo.

    Minhas pernas tremiam e pareciam teimar em responder aos meus comandos. Apoiei-me nos objetos mais próximos e, cambaleante, dirigi-me à porta aberta. Brand e os outros estavam apartando Sírio e Wind, que haviam trocado bofetadas enquanto estive adormecido; Sírio estava com arranhões na testa e um olho roxo. Wind, por outro lado, não aparentava estar ferido. Seu orgulho, contudo, deveria estar nocauteado.

    Afaste-se de Ireas! O sotero-libertino gritava a plenos pulmões Você já o feriu demais!

    — O meu relacionamento com Keras não é de sua conta, e desconheço o assunto de que tanto fala! — Rugiu Wind. Eu jamais o havia visto com tanta raiva — Não sei o quê você ouviu, mas garanto que foram mentiras ditas por alguém que não me quer bem!

    — Só você aparenta não querer bem a alguém, Yalahari! — Bradou Sírio.

    — Parem, vocês dois! — Intervieram Jack e Brand.

    Meu sangue Norsir começou a borbulhar em minhas veias. Eu tinha que fazer algo. Sentia minha saúde se recobrar aos poucos. Aproveitando que ninguém parecia ter percebido que saíra de meu leito, corri até minha mochila e abri-a. Havia víveres, equipamentos e outros objetos dentro dela. As cartas também estavam ali. Não houve um dia sequer em que não as li, na esperança de haver algo diferente escrito. Na esperança de não ser verdade. Entretanto, cada vez mais que as lia, mais reais, verdadeiras e ferinas elas pareciam ser. E a minha raiva crescia cada vez mais.

    Os ânimos pareciam ter-se acalmado do lado de fora, pois nada mais ouvi. Ao que parecia, um dos funcionários do estabelecimento expulsara os dois brigões e os demais foram para fora buscando impedir um sangrento duelo na nova cidade. Sentei no leito e pus-me a pensar: será que deveria encará-los? Deveria enfrentar Wind assim, de uma vez? Meu coração e sangue do Norte diziam um sonoro “sim”, mas minha mente, cautelosa, dizia “não”.

    Olhei pela janela, e Sírio não estava mais lá. Decerto voltara ao seu navio ancorado; olhei para o porto, e lembrei-me de mais um item de minha lista de afazeres: encontrar um capitão para o porto de Ankrahmun. Sem ele, não poderia sair da cidade sem ter que ir a Darashia, cidade com a qual era pouco familiar e contava apenas com Hammoud como contato.

    Wind estava conversando com Brand e Mandarinn lá embaixo. Sem pensar duas vezes, decidi sair pela porta frontal de meu quarto e buscar pela porta dos fundos do hospital. Caminhei com passos silenciosos, minha marca registrada, sem saber, contudo, que não estava só em minha caminhada.

    Estava prestes a chegar ao portão dos fundos e sair sem maiores complicações quando alguém segurou meu braço.

    — E mais essa agora?! — Era Wind quem segurava meu braço — O que houve enquanto estive fora?! Com quem esteve e o que andou fazendo?!

    — Por que quer saber? — Repliquei com frieza — Não tive notícias de você durante o tempo em que esteve fora — Desvencilhei-me do braço musculoso do Yalahari em um forte solavanco — Eu que deveria estar fazendo tais perguntas a você, e não o contrário!

    — Como ousa?! — Ele bradou, claramente ofendido — Arrisquei minha vida por você e por nosso mundo, por tudo o que acredito... Eu quase perdi minha vida naquele antro, Keras! Fiz isso por muitos, principalmente por você! Voltei todo estropiado, esperando ser recebido como o soldado ferido que sou e que, após anos de solidão e incompreensão, tenho alguém para quem voltar e por quem lutar... E é assim que você me trata?!

    — Deveria ter pensado em tudo isso antes de me escrever essas coisas odiosas! — bradei, mostrando-lhe as cartas que há muito mantive escondidas — Deveria ter freado sua mão antes de fazer da pena sua espada! — Meus olhos começaram a marejar, mas não deixei lágrimas saírem de meus olhos — Você... Você... Pegue-as e vá embora!

    Wind abriu as cartas com confusão em seu semblante; uma a uma, ele lera os odiosos documentos, que atestavam sua traição. Continham suas palavras ferinas acerca de ter-me seduzido e enganado, aproveitando-se de um ser inexperiente e isento da malícia do mundo. Seus olhos ficaram cada vez mais arregalados, e eu não soube exatamente pelo quê tomaria tal expressão em seu rosto.

    — Essas cartas... Não são minhas... — Ele disse ao baixar o braço que tinha as cartas em mãos — Ireas, essa caligrafia...

    — ...É idêntica à sua! — Interrompi-o com lágrimas que me custavam a não sair dos olhos — Quando estive em seus aposentos em Svargrond, não pude deixar de notar o diário de bordo que você possui... Olhei cada página de forma tão cautelosa que sou capaz de saber exatamente como você desenha cada letra do alfabeto.

    — Pode até ser parecida com minha caligrafia, mas não lhe escrevi nada dessa natureza! — Ele insistia em sua inocência, é claro — Ireas, eu jamais escreveria algo para te ferir... — Ele soltou as cartas e pôs suas mãos em meus ombros. Havia um lampejo triste e desesperado em seus olhos, bem como eles se apresentavam úmidos — Você sabe de meus sentimentos... Por que você age assim? Por que não consegue acreditar em mim? Eu estou dizendo a verdade, nada além disso...

    Ele tentou me beijar, mas virei meu rosto para evitar seus lábios.

    — Eu não sei se posso acreditar em você... — lágrimas tímidas saíram de meus olhos — Eu não sei se consigo... Deixe-me em paz... — Tentei desvencilhar-me dele, mas o Cavaleiro conseguiu arrancar um beijo meu, deixando-me sem reação.

    — Quem lhe entregou isso? — Indagou-me por fim.

    Fitei-o com susto e demorei-me a responder.

    — Liive... — sussurrei — Ele entregou-me as cartas um tempo depois de você ter ido. Disse que você o pedira para entregá-las...

    A ira brotou nas faces de Wind. O Yalahari, contudo, conteve seu ímpeto.

    — Sabia que havia algo relacionado a ele nessa tramoia toda! — Ele soltou meus ombros e eu me preparava para sair dali — Espere! Keras, onde vai?

    — Vou em busca dos Djinnis como Hammoud me sugeriu... — Não sei porque disse a ele onde iria, mas não havia como desfazer o que eu disse — Tenho que achar um Grão-Vizir o mais rápido possível.

    — Já sabe qual lado escolher? — Indagou-me Wind.

    — Como assim? — Repliquei confuso.

    — Você não pode achar que transitará pelas duas fortalezas incólume, ou acha? — Ele me respondeu — Djinns demoram para confiar em humanos, por terem uma natureza mais reservada e focada em seus próprios conflitos. Contudo, podem ser bem cruéis e bárbaros se descobrem a traição de um humano que julgaram confiável. Então, meu doce Ireas, torno a te perguntar: de que lado você está, Marid ou Efreet?

    Continua...

    ***----****

    Nota da Autora: Enfim, um novo capítulo! Que reviravolta, não?

    Quem me conhece, sabe o lado que escolhi com Ireas... Espero poder mostrar um pouco de cada pequeno universo dos seres que acho mais fascinates em Tibia: os Djinns.

    Marid ou Efreet: De que lado vocês, leitores, são? E por quê? Gostaria de ouvir o lado de vocês nesse conflito eterno como o deserto de Darama...

  8. #8

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    Fala ai Iridium, como prometi estou lendo sua história, cheguei no capitulo 20. Gostei muito mesmo, mas eu tenho que falar a minha surpresa no lance do Ireas ser gay. Espero que segure um pouco a decisão do Ireas, de escolher um dos lados, para que eu possa votar com o conhecimento da história como um todo, e não pela metade.

    E outra essa mãe do Ireas é toda estranha também, acho que ela sofre de bipolariedade. Mas eu tenho certeza que pelos temas abordados, e principalmente sobre o tão esperado encontro de Ireas e a mãe, vai aumentar ainda mais os leitores dessa história.

  9. #9
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    E aí Iridium!




    Desculpe não ter comentado mais. Estou sem internet a um bom tempo e uso o wifi do meu celular.



    Bom, quanto ao capítulo, ótimo em escrita e sombrio no começo, com a Brotherhood sinistrona de antes(Que até acho que sei quem é) e esse mistério das cartas... Coitado do Sirio, apanhou feio


    Bom, acho que agora a história vai ficar até mais legal com a entrada dos Djinns nela. Gosto dos Djinns, e acho que escolheria os Efreet(Azuis, né? Não me lembro mais D: ) por parecem um pouco mais amigáveis e úteis.


    Bom, de resto, nada a criticar. Espero que continue escrevendo mesmo tendo alguns leitores que abandonaram a história e a invasão que não ocorreu






    Bom, até mais e feliz natal e ano novo atrasados pra você!



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ YouTube ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  10. #10
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    Padrão Capítulo 31

    Olá, pessoal! É, não ocorreu invasão aqui na minha história, mas tudo bem.

    Vou dar prosseguimento à história do Keras, e tenho um anúncio importante a fazer: o primeiro pergaminho está no fim! Isso mesmo, a primeira fase da história de Ireas se encerra, mas não quer dizer que a jornada desse rapaz acabou!

    @Carlos: Vc se confundiu ^^ Os Efreet são os verdinhos; os azuis são os Marid

    @Maark: Muito obrigada *.* Continuare com certeza XD

    Bom, feliz Ano Novo para todos (atrasado, mas vale)!

    Sem mais delongas, vamos ao capítulo de hoje.

    ----

    Capítulo 31 – Darama

    Ireas tem um lado a escolher...

    Djinns. Espíritos livres, fortes, com poderes além de nossa imaginação. São capazes de trazer nossos mais loucos desejos e piores pesadelos à vida com um estalar de dedos. Existem ao todo seis castas de Djinns, mas duas se destacam: Marid e Efreet.

    Os Djinns cujas peles ostentam o tom das safiras e tuquesas são os Marid, bondosos, poderosos, arrogantes e vaidosos em mesma medida. São responsáveis pelas tempestades e bravas marés. Muitos navegantes, pescadores e mercadores escolhem os Marid como protetores, e sua lealdade é bem recompensada com prosperidade e felicidade eternas.

    Gênios de pele esmeralda ou rubra são os Efreet. Diferentemente de seus contraparentes, são seres cruéis, malignos, sociopatas e agressivos, que dificilmente dariam valor à ajuda de um humano. Contudo, seu ímpeto e desejo por poder e vingança contra os Marid os faz aceitar ajuda oriunda de qualquer procedência.

    Entretanto, partilham o poder da transfiguração e sedução como semelhanças. Podem facilmente converter-se em quaisquer raças e usar algum deles a seu favor. Apesar de serem mestres nessa arte, não é incomum um Gênio cair de amores por alguém que não podem conquistar.

    Por eras, essas duas raças, tão semelhantes e tão distintas, se vêem em uma batalha interminável e incansável, tudo em nome de seus senhores: Gabel, rei dos Marid, e Malor, autoproclamado senhor dos Efreets e, em seus maiores momentos de loucura e ganância, de todos os Djinns.

    Somente um homem soube jogar o jogo dos gênios melhor que eles. Apenas um brincou com ambos, manipulando as peças do comércio e contratos de aliança a seu favor. Quando sua farsa fora descoberta, sua punição fora cruel e praticamente fatal. Contudo, conseguiu se salvar. Hoje, guarda consigo o passado, pois do presente nada pode ver. Seus olhos se foram, mas não suas memórias... Ele é o único que pode dar-lhe a primeira pista de como interagir com esses majestosos seres.

    Melchior, o mendigo cego de Ankrahmun. Sombra de seu passado, incerteza de seu futuro, renegado em seu presente.

    ***

    (Narrado por Ireas Keras)

    Vaguei pelas ruas de minha cidade por incontáveis minutos. Minha cabeça fervilhava com os acontecimentos mais recentes. A abordagem de Wind...O beijo do Yalahari... Seus pedidos, suas súplicas, suas juras de amor... E sua pergunta. De que lado estou... Efreet ou Marid?

    A verdade é que eu desconhecia a cultura e corte dos Djinns. Não sabia como eram, o que comiam, como se cumprimentavam e quais eram suas opiniões acerca dos humanos. Não sabia de seus conflitos, de nada. Tudo o que sabia era do quão trabalhadores, eloquentes eram, bem como possuíam escrita bonita. Só dispunha das informações de Hammoud.

    Wind decerto estava na casa de Brand. Eu ainda estava magoado demais para vê-lo, para perdoá-lo. Uma parte de mim queria crer em sua inocência, mas outra parte gostaria de vê-lo trancafiado em um esquife de gelo. Meus olhos olhavam errantes para os prédios que ajudei a erguer, para as estradas que montei, pedra sobre pedra.

    Eu voltei ao escritório de Grão-Vizir para assumir os compromissos do dia. Havia pautas para redigir, compromissos para confirmar, contratos a acertar, mil coisas a fazer.

    Minha mão arrastou-se veloz e precisa sobre o papel; assinei, carimbei e confirmei o que era preciso. Sempre fui veloz com leitura e burocracia; livrar-me da papelada desorganizada e acumulada do Faraó não era desafio para mim. Ouvi uma batida em minha porta enquanto estava realizando minha temporária tarefa.

    — Pode entrar — Disse com seriedade.

    — Eram Jezzara e Sírio. Meus olhos se arregalaram levemente ao vê-los. Sorri e ofereci-lhes assento.

    — O que os traz aqui? — Indaguei.

    — Motivos diferentes — Disse Sírio — Jezzara está aqui para lhe fazer uma oferta, e eu tenho informações a lhe oferecer. Tem um tempo para nós?

    — Todo o tempo do mundo — Respondi com um sorriso — Pois bem, falem.

    — Você sabe que tenho um filho, Akbar — Disse Jezzara com seu tom sério e firme de comerciante experiente — Ele é um rapaz requintado e trabalhador. Ele pode não ser tão veloz com a pena como você, mas ele tem carisma e sabe lidar com o trabalho. Você disse que não poderá ficar para sempre... Por mais que me doam suas palavras, por considerar você como filho meu, é o mínimo que posso fazer para facilitar sua vida. Enquanto você não encontrar outro Grão-Vizir, meu filho Akbar poderá assumir seus deveres... — Ela fez uma pausa para respirar profundamente — Então? Que me diz?

    Eu sorri para ela.

    — Traga-o aqui — Falei —, e traga-o rápido, pois tenho que ensinar-lhe o ofício.

    Jezzara beijou minhas faces e saiu rapidamente atrás de seu filho. Agora, éramos eu e Sírio. Eu estava extremamente envergonhado por ter sido a causa das feridas no rosto do vandurano. Um silêncio mortal instalou-se em meu escritório.

    — Eu...Sinto muito... — Disse, tentando quebrar o gelo — Sinto muito mesmo. Não queria tê-lo feito passar por tudo isso, Sírio.

    — Ah, não tem problema — Disse-me o Feiticeiro de dreadlocks castanhos — Já levei tantas chibatadas em meu lombo que, por mais forte que o Yalahari seja, os socos dele não doeram nada.

    — Bom, o que te traz aqui? — Indaguei ao oferecer-lhe um manjar de fruta-do-dragão.

    — Pelo visto, você seguirá o conselho de Hammoud... — Começou Sírio — E buscará os Djinns. Você por algum acaso sabe como falar com eles? Está ciente de que não respondem de cara aos nossos cumprimentos?

    — Bem, disso eu não sabia... — Respondi encabulado.

    — Para isso estou aqui! — Respondeu-me Sírio com um sorriso — Conheço um homem cuja maior parte da vida esteve relacionada a eles. Ele sabe todos os códigos dessa raça nobre e milenar. Ele vaga pelas ruas dessa cidade... Basta darmos esmola a ele que ele cumprirá a sua parte do trato.

    — Maravilha! — Respondi com alegria — Onde podemos encontrá-lo?

    ***

    O mendigo cego e velho estava repousando sob a sombra de uma frondosa acácia poucos metros da casa de banho. Com cautela, acerquei-me do ancião e sussurrei em seu ouvido:

    — O senhor é Melchior?

    O velho acordou, espreguiçou e coçou a branca cabeleira antes de me responder:

    — Sim, sou eu. Que deseja?

    — Queremos falar sobre os Djinns... — Sirio disse em um tom gentil. Ao falar a última palavra, provocou no velho uma profunda tristeza.

    — Ah...Djinn... — O velho sussurrou — Quanto tempo já faz? Cinquenta? Sessenta anos? Como estarão Gabel...E Malor? Será que já se resolveram?

    — Aparentemente, não — Respondeu Sírio com tristeza — Humanos interessados nos gênios ainda têm que escolher seus lados.

    O velho soltou um suspiro decepcionado.

    — Bem, ao menos fui o menor dos problemas deles... — Ele soltou um riso triste — Pois bem, os senhores devem estar interessados nas facções... Prestem muita atenção, pois o que vou lhes falar pode salvar suas vidas.

    Sentamo-nos, de pernas cruzadas, sob o chão de arenito e mármore, prontos para ouvir aquele antigo aventureiro.

    Djanni'hah — Ele falou lenta, mas firmemente — Esse é o cumprimento tradicional de Djinn. Qualquer um deles. Se você pronunciar essa palavra, um Djinn pode parar para ouvi-lo, mas não adiantará nada se ele estiver extremamente irritado e prestes a cortar-lhe fora a cabeça. Bem, são duas facções: Marid e Efreet. Uma vez escolhida, não se pode voltar atrás. Cada facção terá suas próprias regras e testes para provar se você é ou não de confiança. Nunca, nunca, jamais, nunquinha em suas vidas tentem transgredir a primeira regra, ou vocês terminarão cegos como eu.

    Assentimos afirmativamente, mostrando ao ancião que entendíamos o que queria dizer.

    Pois bem — Ele continuou — Os Marid são comandados por Gabel, seu rei; ele outrora foi o senhor de todos os Djinns, mas um incidente envolvendo a ele e seu general, Malor, fez com que se separassem as facções.

    — Que incidente foi esse? — Indaguei.

    Daraman — Respondeu-me Melchior — Antes de conhecê-lo, Gabel era igualmente cruel como Malor, desprezando totalmente as outras formas de vida. Um dia, porém, eles capturaram nosso bom profeta e, após submetê-lo a várias formas de tortura sem obter dele um único grito, uma única súplica por misericórdia, apenas seu sorriso sereno e piedoso, Gabel sentiu-se tocado pela força de vontade do homem e o libertou, causando a fúria de Malor, que tentou aprisioná-lo em uma lâmpada mágica que Fah'rahdin, o braço direito de Malor, portava.

    Eu e Sírio queríamos ouvir mais, e nos inclinamos para perto do velho.

    — Preciso tomar cuidado ao falar, sabe? Tenho receio de que eles descubram que ainda vivo e que partilho com outros tudo o que sei. — Ele fez uma pausa para beber um pouco de água — Onde eu estava? Ah, sim! A lâmpada! Sim, a guerra entre os Djinns fora deflagrada, e os Marid passaram a combater seus contraparentes, os Efreet, quando Malor tentara trocar a lâmpada de Gabel pela lâmpada amaldiçoada de Fah'rahdin. Por sorte, a tramoia fora descoberta no ato, e Fah'rahdin fora instruído a entregar a lâmpada ao Rei dos Ogros, que nutria, e ainda nutre, ódio dessa raça mágica.

    — E por quê? — Indagou Sírio — Se o rei os odeia, por que decidiu ajudar?

    Porque ele tem o mundo dos Djinns nas mãos — Respondeu Melchior com sinistro sorriso — Sem perceberem, os Djinns deram ao rei dos Ogros o artefato que ele precisava para realizar sua vingança contra eles, que o transformaram naquela poça de limo e gosma disforme. A lâmpada está com o Rei, e ele só entregará a uma das facções se a guerra voltar ao seu terreno.

    — Como assim? — Confuso, indaguei.

    — Psssh! — Melchior sinalizou para que fizéssemos silêncio — Falem mais baixo! Eles podem nos ouvir!

    O velho fez um sinal para que nos afastássemos dele. O homem se levantou e nos deu um sorriso triste.

    — Desejo-lhes sorte, rapazes — Ele disse com melancolia — E que esses gênios não lhes destruam a vida. Por causa de minha cobiça, perdi minha esposa, filhos e netos. Perdi tudo aquilo que um homem tem de mais precioso; hoje, perto do meu leito de morte e imerso na eterna noite, eu consigo enxergar melhor que em meus tempos de juventude. Que vocês consigam reverter essa situação... Para o bem de todos nós, que seja feita a vontade de nosso bom senhor Daraman.

    Nós apertamos a mão do bom velho e o deixamos com seus pensamentos. Meu coração doía, pois me compadeci com a dor do velho. Ele era a prova viva de que poder e posses não deveriam ser tudo na vida de um ser humano. Meu semblante tornou-se ligeiramente melancólico, e Sírio percebeu.

    — Tudo bem com você, Ireas?

    — Hã? — Perguntei saído do transe — Sim...Sim! Estou bem. — soltei um discreto suspiro — Estou bem...

    Estava pensando naquele Yalahari, não é? — Ele me fitou nos olhos e meu rosto enrubesceu.

    — Não... — Menti — Estava pensando em como deveria ter sido a família de Melchior... Pobre homem.

    — De fato... — Assentiu Sírio — Bom, as informações que ele nos deu são vitais, mas ainda faltam algumas peças nesse quebra-cabeças do deserto. E eu acho que sei quem pode nos fornecer mais respostas.

    — Tothdral? — Indaguei.

    — Não! — Sírio disse em tom debochado e brincalhão, buscando arrancar de mim um sorriso — O Califa de Darashia, Kazzan! Eu já conhecia a história dos Djinns antes de chegar a essas bandas, e sei do interesse que o califa tem em um apaziguamento entre as raças. Vamos falar com ele; talvez algo bom resulte de tudo isso.

    Assenti afirmativa e animadamente. Como não havia ainda um capitão para levar-nos de navio, a saída encontrada foi andar deserto acima e atravessar a passagem que havia pelas montanhas ao norte, no horizonte a perder de vista. O vento soprava gentilmente em minha nuca a medida em que andávamos. Estranhamente, tal fenômeno produzia em mim a sensação de estar sendo observado...

    ***

    Nossa viagem a Darashia fora relativamente tranquila. /desde os tratados de apaziguamento que promovi, assaltos e ataques de nômades tornaram-se muito mais raros, ainda que alguns continuassem escondidos e resistentes quando a Ankrahmun.

    Darashia era uma cidade interessante, um verdadeiro souk; não havia muros a rodear a cidade, e as casas seguiam um mesmo desenho, onde tinham de dois a quadro andares com telhados de folhas de coqueiro secas e entrelaçadas sob as paredes de tijolo e calcário com vigas de madeira a sustentar o interior.

    Ouvi gritos de ofertas, preços e mercadorias de todos os tipos. Pessoas conversavam perto do centro da cidade, algumas sentadas na beira da fonte que lá havia, funcionando como um oásis artificial.

    O palácio de Kazzan não era menos belo que o restante da cidade; havia belas pinturas, móveis e arabescos em seus vários aposentos. Sírio guiou-me até o salão do califa, que parecia já nos esperar.

    — Ireas Keras! — Bradou com alegria — Que prazer tê-lo conosco! Em que posso ajudá-lo?

    — Na verdade, quem lhe indaga isso sou eu — Respondi com um sorriso — Gostaria de oferecer meus serviços como diplomata. Sei de sua preocupação em relação aos Djinns e a constante ameaça de uma guerra total. Sendo esse o caso, e sabendo que não escolhi um lado ainda, gostaria de sua permissão para interceder em seu nome.

    — Certamente! — Respondeu-me com alegria — As fortalezas deles ficam para o lado de Ankrahmun, dentro de cavernas no lado oeste das montanhas, nas cordilheiras que nos separam de Tiquanda. Falem com cada um e vejam o que têm a dizer sobre minha oferta de paz.

    Eu e Sírio assentimos e demos meia-volta. Quando estávamos para sair do palácio, ele me cutucou o ombro.

    — Não poderei ir com você — Ele me disse.

    — Por que? — Indaguei, levemente desapontado.

    Sabe a questão da falta de um capitão em Ankrahmun? — Ele indagou de forma retórica — Eu consegui resolver. Hoje mesmo chega o novo capitão do porto de Ankrahmun, e eu preciso recebê-lo. É um amigo de longa data, que conseguiu um novo navio recentemente. Espero que entenda.

    Assenti afirmativamente e o deixei partir. Nos separamos no deserto; ele foi para o sul, retornando a Ankrahmun e eu fui para o oeste em direção às fortalezas. Por um momento, fiquei admirando as entradas, que eram simples como as de qualquer caverna. De uma delas, um cheiro de açafrão e jasmins podia ser sentido, causando um pouco de ardência em meu nariz, e acabei por espirrar. No que fiz isso, senti uma mão forte encostar-me o ombro.

    — Enfim, sós. Não acredito no tanto que você me fez esperar!

    Virei-me e vi Wind atrás de mim. Ele sorria para mim; o vento do deserto gentilmente acariciava seus cabelos. Meu rosto se avermelhou uma vez mais.

    — O cheiro de açafrão vem da fortaleza dos Efreet — Ele disse — Eu não sabia que você era alérgico a isso. — Ele soltou uma discreta risada — Sei que você ainda acredita que eu lhe quis mal e que escrevi toda aquela sorte de maldades, mas, apesar da minha inocência, estou disposto a me “redimir”.

    Eu o olhei com um pouco de raiva. Como ele ousava brincar com aquilo? Ele se ajoelhou aos meus pés e fitou-me o rosto.

    — Conheço essas fortalezas como ninguém — Ele declarou — E estou oferecendo meus serviços como guia. Em uma delas, eu tenho livre acesso; na outra, há muito não posso mais pisar. Em todo caso, posso te mostrar o caminho e até revelar uma coisa ou outra...

    — Qual seu preço? — Indaguei-lhe com um sorriso sinistro.

    — Meu preço... Meu preço... — Ele pôs-se pensativo — Deixe-me ver: seu perdão, talvez.

    — É justo... — Para a surpresa dele, assim repliquei — Mas não lhe será dado prontamente. Você terá que passar por outras provações além dessa para mostrar que merece meu perdão. No momento, não estou tão certo de que você seja confiável.

    — Aceito seus termos — O Yalahari respondeu —Então, vamos começar por quem? Pelos Efreet?

    — Sim, claro! — Repliquei — Esse cheiro está me deixando nauseado. O quanto antes me livrar dessa parte da tarefa, melhor.

    Wind ergueu-se da areia e guiou-me pelas escadarias; eu andava atrás dele com a finalidade de vigiá-lo. O vento do deserto soprava gentil sobre nós; creio que Daraman estava nos observando, e era a favor de nossa missão.

    Olhei para o homem que estava a minha frente; pro mais mágoa que tivesse me causado, ele simbolizava uma nova etapa da minha vida, que acabava de se iniciar. Apesar do meu receio, busquei não temer entrar no domínio dos Gênios...

    Fim do Primeiro Pergaminho

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