Fiquei uns dias sem visitar o fórum e hoje vi que tinha mais 2 capítulos de A Voz do Vento. Kazordoon é uma das cidades que eu mais gosto do tibia, talvez por ser baseada no universo de tolkien, e é sempre bom ler algo sobre ela, agora que o Ireas sabe quem é o verdadeiro autor das cartas ele tem mais um motivo para não gostar da mãe, e já pode considerar o Liive como um amigo denovo.
Mas o capítulo 13 que chamou minha atenção, bem legal o discurso e a maneira com que você adaptou uns trechos do poema, essa revolução de vandura promete ser empolgante, mais uma vez ótimos capítulos, obrigado por escrever e até mais.
Publicidade:
Jogue Tibia sem mensalidades!
Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR. https://taleon.online
Well, estou no capítulo 4 (quando o pessoal tá de luto pelas mortes na missão no mino) e estou gostando bastante...
Uma única coisa que me incomodou é o fato do texto ser tão corrido, os fatos acontecerem tão rápido, que alguns personagens ficam com um carisma muito forçado, as características não muito definidas (vide o vilão que esqueci o nome)...
De resto está bem legal, as falas e as descrições estão bacanas, de pouco em pouco vou tocando seu texto que é gigante.
Iridium, você recompensa cada minuto de leitura com a graciosidade do seu texto, incrível.
Além de você fazer todo um esquema especial para a história, você mistura a linguagem coloquial e costumes de cada personagem e a escrita culta, palavras refinadas e aquele ar de livro de verdade. O resultado dessa misturança toda é uma história muito leve e gostosa de ler.
Outro ponto que eu gosto bastante quando leio sua história são as alusões e referências a outros fatos que, geralmente, passam em branco para outros escritores. No último capítulo por exemplo, quando bati o olho em Liberdade, Igualdade e a Fraternidade já me veio à mente o lema francês, o que foi confirmado no final. Muito bom!
Enfim... se eu continuar a elogiar (o que deveria) vou passar a impressão de paga-pau, então, vamos às críticas, rsrs. Acredito que com o seu atual ritmo de escrita você deixa passar alguns erros bobos... por exemplo terminações de palavras, falta de pontuação ou espaçamento. Nada que uma corrida de olhos pelos capítulos não resolva.
Então, acredito que é isso. Até mais!
Última edição por Lacerdinha; 04-08-2013 às 20:36.
Éééé, tem Torneio Roleplay na área! Finalmente! Mal posso esperar para começar a escrever. Bom, e nesse clima todo de disputa, estou postando novo Capítulo e terminando de preparar o texto para minha disputa com o caríssimo Gabriellk~. Já estamos um pouco... Atrasados, mas acho que conseguiremos vir com algo bem bacana =D
E aos participantes do Torneio, desejo muita boa sorte, e que tragam à arena seus melhores textos — eu farei meu melhor para trazer minhas mais belas joias literárias (assim espero).
Mas antes, vamos responder à galera que sempre comenta:
Spoiler: Respostas aos Comentários
Postado originalmente por Valeth
Fiquei uns dias sem visitar o fórum e hoje vi que tinha mais 2 capítulos de A Voz do Vento. Kazordoon é uma das cidades que eu mais gosto do tibia, talvez por ser baseada no universo de tolkien, e é sempre bom ler algo sobre ela, agora que o Ireas sabe quem é o verdadeiro autor das cartas ele tem mais um motivo para não gostar da mãe, e já pode considerar o Liive como um amigo denovo.
Mas o capítulo 13 que chamou minha atenção, bem legal o discurso e a maneira com que você adaptou uns trechos do poema, essa revolução de vandura promete ser empolgante, mais uma vez ótimos capítulos, obrigado por escrever e até mais.
Salve, salve, Valeth!
Novamente, agradeço o comentário! Que bom que você apareceu, eu havia ficado preocupada, viu? Rsrsrs
Esse Pergaminho promete demais! Vai ser bem empolgante sim, te garanto! Continue acomapanhando, e esperarei pelo seu comentário!
Abraço,
Iridium.
Postado originalmente por Mano Mendigo
Well, estou no capítulo 4 (quando o pessoal tá de luto pelas mortes na missão no mino) e estou gostando bastante...
Uma única coisa que me incomodou é o fato do texto ser tão corrido, os fatos acontecerem tão rápido, que alguns personagens ficam com um carisma muito forçado, as características não muito definidas (vide o vilão que esqueci o nome)...
De resto está bem legal, as falas e as descrições estão bacanas, de pouco em pouco vou tocando seu texto que é gigante.
Abraços!
Fala, Mano!
Pois é, quero ver a hora que você chegar no Segundo Pergaminho... Modéstia à parte, você vai se surpreender com a mudança no enredo e no jeitão do Ireas (se bem que nem tanto — para algumas coisas, os tempos de Rook não passaram pra ele)...
Nessa parte, eu quis me demorar pouco em Rook — isso reflete mais ou menos como foi minha mais recente experiência em Rook. Tão rápida que nem sinto que passou. Ao contrário, é claro, do Ireas, que guarda (alguns dos eventos) (d)esse tempo com carinho... (Em tese hehehehehe)
Espero que continue — estou ansiosa para ver mais comentários teus por aqui!
Abraço,
Iridium.
Postado originalmente por Lacerdinha
Iridium, você recompensa cada minuto de leitura com a graciosidade do seu texto, incrível.
Além de você fazer todo um esquema especial para a história, você mistura a linguagem coloquial e costumes de cada personagem e a escrita culta, palavras refinadas e aquele ar de livro de verdade. O resultado dessa misturança toda é uma história muito leve e gostosa de ler.
Outro ponto que eu gosto bastante quando leio sua história são as alusões e referências a outros fatos que, geralmente, passam em branco para outros escritores. No último capítulo por exemplo, quando bati o olho em Liberdade, Igualdade e a Fraternidade já me veio à mente o lema francês, o que foi confirmado no final. Muito bom!
Enfim... se eu continuar a elogiar (o que deveria) vou passar a impressão de paga-pau, então, vamos às críticas, rsrs. Acredito que com o seu atual ritmo de escrita você deixa passar alguns erros bobos... por exemplo terminações de palavras, falta de pontuação ou espaçamento. Nada que uma corrida de olhos pelos capítulos não resolva.
Então, acredito que é isso. Até mais!
Falaê, Lacerdinha!
Puxa, estou muito lisonjeada, de verdade! Fico feliz que tenha te agradado tanto assim os Capítulos!
De fato, com esses últimos, o Notepad me traiu (sim, eu ainda estou #xatiada com o Word — e com pen drives — por terem feito sumir o backup que eu tinha de A Voz do Vento. Eu vou dar um jeito nisso ainda...), mas acho que já resolvi. Se persistirem os problemas, me avise, ok?
Como já falei antes, esse Pergaminho promete MUITO, e espero que você continue por aqui!
Abraço,
Iridium.
Sem mais delongas, ao Capítulo de hoje!
-------
Capítulo 14 - Dois Oásis no Deserto: Por Ashta' Daramai! (Parte 2)
... Pela honra Marid, em nome de Gabel e de Daraman, o Homem Santo...
(Narrado por Emulov Suv)
Como são estranhos, esses seres a quem chama de anões! Como são barulhentos, peludos e tão desengonçados! Que bom que Ireas decidiu interceder, pois não estava nem um pouco confortável com tudo isso. De onde vim, o silêncio, a disciplina e a ordem são lei. Não falamos mais (alto) do que precisamos, nem ficamos em redundância por termos nada a dizer.
Não sei se Ireas algum dia já foi uma pessoa mais alegre, mas espero que tenha sido, pois vi que mais uma parte feliz dele se perdeu. Não sei se é mera brincadeira do Destino, mas parece que Uman às vezes escolhe quem merece ou não ser feliz... E parece que tanto eu quanto Ireas não entramos na parcela dos bem-afortunados...
O ar estava um pouco pesado para mim em Kazordoon — o calor das fornalhas e o cheiro entorpecente do álcool faziam daquilo um suplício para mim. A minha garganta arranhava, e meus pulmoes pareciam querer ceder aquele ambiente tóxico e nocivo; por causa disso, tive que atrasar Keras em algumas horas... As quais seriam o bastante para garantir minha recuperação.
— Desculpe por isso... — Falei a Keras, um pouco sem jeito.
— Não faz mal. — Respondeu-me o Norsir, ajeitando os catres dos quais o quarto dispunha. — De qualquer maneira, eu não estava disposto a viajar hoje. O caminho até os Carpetes é longo, e também estou exausto. Tenho certeza de que Bo' Ques aguentará esperar mais uma noite...
Assenti e me deitei no catre que se encontrava junto à parede à minha esquerda, enquanto Ireas deitou no outro, que estava na direção oposta ao meu. O rapaz logo deu-me as costas e pôs-se a dormir. Quando repousava, a respiração de Ireas parecia tão leve que era como se ele estivesse... Morto. Era peculiar e... Assustador.
Esquecimento Eterno... Aquele nome ecoou em minha mente por um bom tempo... A minha curiosidade acabou crescendo, bem como a minha não compreensão dos sentimentos de Ireas. Era fato que eu não era íntimo dele o bastante para saber, mas aquela fúria não fazia sentido para mim — Esquecimento Eterno, sendo mãe de Ireas, deveria ser alguém venerada, amada por ele... Ao menos, assim vejo a relação com nossos pais. Eles nos trazem ao mundo, e devemos tudo a eles. Posso não ter conhecido meus geradores, mas tive dois seres escamados a quem chamo de 'pais' com muito orgulho — e a quem devo tudo.
Procurei afastar esse pensamento de minha mente, e me vi em um tranquilo sono.
Mal sabia eu o que me aguardaria no despertar da manhã seguinte...
*** (Narrado por Ireas Keras)
Nunca houve uma noite mais mal dormida em toda minha vida; todo meu ódio e minha frustração haviam se somado ali. Como alguém conseguia ser tão desprezível, ainda mais com a carne de sua carne, o sangue de seu sangue? Como podia alguém ser tão pérfido e cruel? Como podia Esquecimento Eterno existir... E conseguir lidar bem com sua existência? Quanto ódio, quanta repulsa, quanto nojo senti — e ainda sinto — daquela mulher!
Ajeitei o quarto alugado de modo que a saúde de Emulov não seria ainda mais debilitada. O Zaoano parecia ter uma constituição muito frágil — mais até do que a minha, quando ainda era novo nas terras do Grande Continente, quando o deserto de Darama quase me ceifara a vida... Quando conheci Brand, Rei Jack... E Wind. Quando vi aquele Yalahari, já deveria ter suspeitado que algo ocorreria entre nós, mas nunca suspeitei que seria um romance, tampouco tão complicado quanto o que temos atualmente...
Deixei minhas pálpebras cerrarem-se lentamente, deixado o sono tomar conta de mim. Não ouvi um barulho sequer vindo de Emulov — ele dormia como um réptil, silencioso e discreto. Concentrei-me em meu sono, buscando descansar. Tinha que estar em meu melhor para poder iniciar a caçada aos Nove Tomos Pessoais de minha... Mãe. Dormi.
Comecei a sonhar. Sonhei que estava em um local do Grande Continente, em uma região que eu desconhecia; ela era uma larga planície com árvores podres e negras no chão, e com o solo úmido e fedido como o de um pântano. Esqueletos estavam em todas as partes, bem como restos de metais retorcidos e armas quebradas. A morte tomava conta daquele local. Novamente, eu estava no meio do local, com o semblante mais melancólico do mundo. Eu estava tão absorto em meus pensamentos que por muito pouco não me desvencilhei de um par de gigantescas quelíceras, as quais vinham com tudo em minha direção.
Olhei com certo pavor para a criatura — trata-va de uma mostruosa aranha! Com certeza portava mais de três metros, e suas patas eram fortes e afiadas. A despeito de seu enorme porte, mantinha a agilidade de suas menores (e normais) irmãs. Eu havia conseguido me esquivar, mas a infeliz dera uma cusparada de veneno que queimou minha perna esquerda, fazendo surgir bolhas no local, as quais estouravam rapidamente, fazendo-me ter a sensação de que meu corpo estava entrando em combustão.
— Maldição! — Urrei ao virar-me com fúria para o aracnídeo — Por que eu?!
A aranha avançava, usando suas patas como armas, tentando ferir meu corpo com a parte mais pontiaguda delas. Eu desviava e arremessava enormes estacas de gelo contra ela, buscando estraçalhar seu exoesqueleto. A cada vez que ela fincava uma de suas patas monstruosas no chão maculado pela pestilência e praga, uma de minhas estacas a atravessava, até ouvir dela mais nada senão um estridente e agonizante urro, seguido de sua queda no chão, com as patas para cima e se encolhendo sob o exoesqueleto inerte.
Minhas pernas ainda doíam; minha garganta estava seca, e minha respiração estava pesada, graças ao ar fétido e podre daquele local. Restava a grande pergunta: com mil diabos, onde eu estava?
— Bem vindo às Planícies do Pavor... — Uma voz feminina soava no vento, e eu a conhecia bem.
— Por que não mostra seu rosto de uma vez?! — Indaguei, urrando como o Norsir que eu era — Por que força criaturas com menos poder que você a fazer seu trabalho sujo?!
Por acaso é covarde?!
— Se você não ficasse metendo o nariz onde não é chamado... — Retrucou a voz com escárnio — ...Não estaria passando por nada disso.
— E se você não ficasse revirando meu subconsciente, não estaríamos tendo essa conversa! — Urrei, retrucando em igual valor — Para onde me arrastou dessa vez?! O que pretende?!
— Eu quero saber o que você pretende... — Respondeu-me com escárnio, a despeito da voz melodiosa que encantaria a qualquer homem — Já falei para você ficar longe... Bem, parece que Djema não soube ficar quieta... Achei que os Djinns ajudariam a manter meu segredo, mas me enganei...
Olhei para os céus com espanto; o que antes era um céu claro e sem nuvens converteu-se em uma abóbada celeste cinzenta com nuvens negras, cujos relâmpagos açoitavam as massas de ar assustadoramente, seguidas de trovões tão fortes quanto o rugido de cem leões em coro. Ela apreceu, mas não em forma humana — Esquecimento Eterno parecia uma massa sombria, da qual eu podia distinguir apenas os olhos, de cor magenta e bem brilhantes. A fúria e a cólera pareciam transbordar do olhar da Feiticeira, que pairava no ar, com as mãos estendidas para o céu em fúria.
— Exevo... Gran...
Meus olhos se arregalaram; as nuvens pareciam ainda mais negras, e mais relâmpagos singravam os céus! Eu estava em péssimos lençóis, e só havia uma coisa que eu poderia fazer.
— Utamo Vita! — Eu tinha que me defender contra o que quer que fosse aquilo que Esquecimento conjuraria contra mim.
— Mas... VIS!
A luz era tão intensa quanto a infernal sinfonia de trovões; eu cerrei meus olhos e esperei pelo pior. Eu gritava em agonia, debatendo-me contra a luz que se apoderara de mim. Senti um par de mãos sobre meus ombros, sacudindo-os; em seguida, ouço uma voz familiar: a de Emulov.
— Acorde, Norsir! — Falava o Zaoano, desesperado — Acorde! Você está em Kazordoon! Você está seguro!
Abri meus olhos rapidamente; a luz vinha do candelabro que outrora compramos, horas antes de irmos dormir. Eu estava ofegante, suando frio enquanto a cicatriz em meu peito brilhava fortemente — aquele tom de azul nunca fora tão claro e brilhante. Cerrei meus olhos e sentei-me no catre, apoiando meus cotovelos em meus joelhos, e enterrando minha cabeça entre minhas mãos. Queria que aquela sensação horrível fosse embora.
— Qua horas são? — Indaguei, um pouco mais calmo, mas ainda ofegante.
— São... Três da manhã... — Replicou Emulov, visivelmente cansado.
— Certo... — Repliquei, respirando fundo. — Queira me perdoar, meu amigo, mas estamos de saída...
— Tem certeza? — Indagou-me o Feiticeiro, preocupado — Você não parece nada bem...
— Acredite, eu já estive em dias piores... — Repliquei, frustrado — A maioria dos humanos deve estar repousando. Vamos aproveitar esse momento para usarmos os "Vagões".
— Vagões? — Emulov indagou, confuso. — O que são?
Sorri para o rapaz, semicerrando os olhos. Decerto não havia transporte como aquele de onde Emulov vinha. Sinalizei com a mão esquerda para que me seguisse; pegamos nossos pertences, tranquei a porta e fomos até o Depósito e Banco da cidade, onde fui falar com Lokur, o anão de cabelos e olhos negros que me havia cedido as chaves.
— Mais alguma coisa, senhor? — Indagou o anão, gentil.
— Gostaria de dois passes para os Vagões de Minério. — Falei, apontando para mim e Emulov — Ele nunca ouviu falar no sistema, e gostaria de mostrar a ele.
O anão arregalou os olhos, rindo levemente logo em seguida.
— Está aí uma novidade! — Exclamou, alegre — Um humano que não conhece nosso sistema! Isso é formidável, mais propaganda positiva! Vamos, vamos! Estendam para mim seus braços e cem moedas de ouro cada*!
Joguei duas sacolas com a quantia para o anão, e estendi meu punho esquerdo para ele, e instruí Emulov a fazer o mesmo. O anão sacou um carimbo com a face do Imperador Kruzak e o nome da cidade, e prensou a tinta de encontro às nossas alvas peles, deixando-nos com a estampa nas costas de nossas mãos.
— Bem, o passe tem validade de uma semana — Disse Lokur com um sorriso —, e ele lhes dará acesso ao sistema completo de vagões e trilhos de nossa cidade. Peço apenas que não brinquem com os vagões: alguns anões causaram... problemas nesses "rachas" corriqueiros.
Sorri para o anão, concordando com seus termos. Em seguida, guiei Emulov pelos corredores de basalto e mármore até onde estavam os vagões.
— Bom... — Comecei, relativamente sorridene a despeito de meu cansaço — É só você sentar neles, puxar a alavanca e pronto: chegaremos ao nosso destino bem rapidamente...
O Zaoano estava hesitante, mas logo entrou no vagão, esperando-me acionar a alavanca. Baixei-a com um pouco de esforço e, com um som rouco, ela desceu, e impulsionou as rodas do vagão, fazendo-nos disparar trilhos afora. Emulov agarrou-se na beirada do vagão, apavorado. Eu, por um outro lado, sorria que nem uma criança.
A cada curva, descida e subida daquele veículo, partes de minha infância voltavam; lembrava-me de quando era bem moleque, uma criança franzina, a quem muitos tomavam por menina, que corria pelos corredores de pedra da pequena abadia de Rookgaard.
Uma descida, e lembrei-me de quando galguei todo o caminho até o topo da pequena abadia, e acabei por escorregar na dobradiça do telhado — nunca havia visto tantas telhas de pedra voando. Cipfried ficara furioso! Naquele dia, deixou-me de castigo, rezando inúmeros Uman-Nossos, ajoelhado no milho...
Outra alavanca; dessa vez, ela nos levaria ao topo da montanha. Com um sorriso malicioso, daqueles que eu costumava ostentar quando criança, baixei rapidamente a alavanca, e o solavanco fora mais bruto que o anterior, e soltei uma risada gostosa.
Lembrava-me das noites que o padre me punha para dormir; lembrei-me das histórias, dos contos e canções... Seu rosto, com aquele sorriso doce, ainda que os anos não lhe tivessem sido piedosos — Cipfried já era um pouco ancião quando me acolheu em seus braços... Quando Esquecimento Eterno abandonou-me em Rookgaard, privando-me de uma família, de uma história... De uma identidade.
Ao chegarmos no topo, no mesmo local onde Chemar nos havia deixado, eu estava com lágrimas em meus olhos — e me recusava a limpá-las.
— Tudo bem? — Indagou Emulov em seu semblante sereno e um pouco melancólico.
— Sim... — Respondi, saindo de meu transe, enquanto uma tímida lágrima saía de meu olho direito— Está tudo bem. Apenas... Lembranças. Gostou da viagem
Emulov fizera que sim com a cabeça, ainda que estivesse visivelmente tonto. Eu abafei um riso e fui falar com Gewen, cujo sorriso maroto já mostrava saber o que queríamos.
***
Enquanto voávamos, consegui barganhar com Gewen uma viagem um pouco maior — fi-la levar-nos até a entrada de Ashta' Daramai, a fim de poupar Emulov de mais desgaste. Afinal, dormíramos tão pouco que não seria nenhuma surpresa se desmaiássemos em pleno deserto.
Cumprimentamos Uman rapidamente e logo disparamos escadaria acima — queria falar com Bo' Ques o quanto antes, a fim de conseguir cair nas graças de Fah' rahdin.
Logo encontramos o cozinheiro, que estava esbaforido e desesperado. Ao ver-nos com o livro em mãos, começou a gritar de alegria, abraçando-nos fortemente, o que fez com que Emulov tossisse de leve.
— Oh, desculpe, pequenino! — Disse Bo' Ques, eufórico — Ótimo, ótimo, vocês conseguiram o livro! Estou muito, muito satisfeito! Ah, falei de vocês para Fah' rahdin, e ele quer vê-los! Ele está naquela sacada, basta falarem com ele.
Assentimos com a cabeça como forma de agradecimento e seguimos adiane. Fah' rahdin parecia mais guerreiro que Uman ou Bo' Ques, ostentando uma linda cimitarra, que cintilava sob a luz do Sol. Seu olhar parecia perdido, voltado para o mar ao longe.
— São vocês... — Ele disse antes que pudéssemos nos pronunciar — Sejam bem-vindos ao meu local de meditação. Sou Fah' rahdin, comandante das forças Marid, antigo braço direito do infame traidor Malor... — Essa última frase parecia doer-lhe muito.
— Djanni' hah. Sou Ireas Keras... — Falei em tom firme, mas controlado — E esse é Emulov Suv.
— Bo' Ques falou-me de vocês ontem, no jantar. — Replicou o Djinn friamente, sem sequer nos olhar — Vocês conquistaram minha curiosidade, mas ainda não tem meu respeito. Para consegui-lo, e assim caírem, por consequência, nas graças de Gabel, nosso verdadeiro senhor e rei, preciso que façam algo potencialmente fatal para mim... Estão... Aptos?
Emulov trocou um olhar e um sorriso maroto comigo.
— Sim. — Respondemos em uníssono — O que quer de nós?
— PIEDPIPER. — Falou o general Marid, austero e sério — Lembrem-se bem dessa palavra, pois é o que dirão a Rata' Mari, um de nossos melhores espiões. Ele se encontra em Mal' Ouquah, nos porões daquela pocilga. Encontrem-no e peçam a ele o relatório, pois há muito ele não nos manda nada, e isso já está começando a me preocupar. Agora, vão; se bem-sucedidos, tenham certeza de que falarei de vocês a Gabel. Djanni' hah!
Fizemos uma reverência e saímos do local; somente quando chegamos à porta, que percebemos a complexidade da tarefa diante de nós.
— Invadir... Mal' Ouquah? — Indagou Emulov retoricamente, com certo medo em seu semblante.
— Já passamos por coisa pior, Emulov... — Repliquei, melancólico. Referia-me à Drefia. — Garanto-lhe que conseguiremos passar por isso tranquilamente.
— Tomara... — Suspirou o Zaoano de olhos bicolores — Bem, temos que regressar à cidade. Precisaremos de suprimentos e uma boa noite de descanso.
— Sim... — Repliquei, olhando para as estrelas acima de nós — E torço para que encontremos Brand e Wind em Ankrahmun...
O vento soprava em meu rosto, e me fazia lembrar de tudo que eu havia vivido até aquele dia. Custasse o que custasse, eu encontraria Esquecimento Eterno, e acabaria com aquela onda de sofrimentos e angústias de uma vez por todas.
Continua...
---
Notas da Autora:
*Cem moedas de ouro cada: Não tenho certeza do preço dos Ore Wagon Tickets de Kazordoon. Quem lembrar de cor, me fale, por favor!
É isso aí, gente! Meu aquecimento pro Torneio, haahaha XD
Espero que tenham gostado do Capítulo. Comentem! Digam o que acharam! Adorarei receber feedbacks de todos!