Saudações!
Passando para dar continuidade aos trabalhos. A II Justas Tibianas entrou em fase de Finais, e dia 16/02 devo receber os textos da Final e Disputa de Terceiro Lugar xD
Vamos aos Comentários:
Spoiler: Respostas aos Comentários
Sem mais delongas, o Capítulo de hoje!
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Spoiler: Bônus Musical
Capítulo 3 — Solidão e Acalento
Às vezes, somos prisioneiros de nós mesmos.
(Narrado por Ireas Keras)
Uma vez que tudo entre mim e Don foi estabelecido, chamei por Brand para a Sociedade das Teias Infindas; o Thaiano, agora trabalhando como mercenário para as forças do Faraó Arkhotep (sob minha recomendação), conseguira uma folga para atender ao meu chamado através do Templo de Ankrahmun, de onde gerei uma das primeiras Pontes do Sonho com a ajuda de Rahkem, Tothdral e Jack.
Havia acabado de terminar de dar as instruções aos membros da Sociedade quanto aos ritos novos de Ano-Novo, os quais foram relativamente bem-aceitos. Com um número pequenino mas crescente de refugiados vindos de Zao, a novidade pareceu descer melhor aos veteranos. Alguns Sacerdotes, mais receosos, tentaram me convencer do contrário, mas acabei por persuadi-los. Nesse meio tempo, a presença de Brand foi anunciada.
Ele chegou com as vestes de um guerreiro nobre de Ankrahmun: túnica branca por baixo de uma armadura resistente, escamada, leve e feita de aço e outras ligas mágicas, coberta por tinta dourada, sandálias de ouro com uma proteção mágica para os dedos e tornozelos, com um arco entalhado em madeira de palmeira, como se fosse uma versão melhorada de seu antigo Arco Micológico, com uma temática surreal. Uma verdadeira obra de Sonhos… Ou Pesadelos.
— Ireas! — Chegou o Paladino de cabelos brancos, animado, fazendo uma reverência para mim antes de vir me abraçar. — Como vai?
— Vou bem, na medida do possível. — Respondi, um pouco mais animado por vê-lo. — Sinto muito por chamá-lo em sua folga, imagino que queria passar um tempo com as suas crias.
— Que isso! — Sorri o Paladino. — Não é como se eu estivesse muito longe deles… Só não me prenda aqui pela semana que estará tudo certo!
Yami, que havia entrado na minha residência para pegar algumas coisas pareceu paralisar ao ver Brand ali sem Yumi; o Paladino, ao ver o Efreet, fez uma reverência a ele e sorriu.
— Eu consegui, Yami. — Falou Brand, para a minha surpresa. — Consegui convencer Yumi a te deixar ver seus sobrinhos.
Ao ver o rosto do Efreet se iluminar, não pude deixar de sentir uma pontada de inveja; claro, sempre torci pelo dia em que Yumi conseguiria perdoar Yami por suas más escolhas e dar a chance do gêmeo de se redimir e perder o título de “gêmeo mau”. No entanto, tal situação me fazia lembrar de uma triste verdade à qual eu estava submetido a anos.
Eu havia sido proibido de ver minha sobrinha.
— Keras, posso ter folga hoje? — Yami me perguntou com os olhos brilhando, por mais que tentasse esconder o quão exultante estava com a novidade.
— Claro… — Respondi, atordoado. — Aproveite a oportunidade. Sabe onde pegar a Ponte dos Sonhos.
Yami me fez uma reverência e, extremamente agradecido, me deu um abraço. Toda vez que ele fazia isso, eu me sentia estranho; era uma estranheza boa e ruim ao mesmo tempo. Boa por ser um contato humano necessário e que me fazia sentir melhor. Ruim por ser ou parecer íntimo até demais. O Efreet se afastou de mim com um sorriso e seguiu viagem. Fiquei uns momentos observando ele sair, ainda bem desconcertado.
— Bem… — Pigarreei, tentando ficar sério. — Brand, podemos?
— Claro. — Replicou o Paladino, abafando um riso — Você tem que parar de negar algum tipo de afeto, Ireas. Isso vai te fazer mal.
Brand continuou a rir e eu abaixei a cabeça. Eu já tinha outra pessoa, e gostava muito dela. Não havia a necessidade de colocar tudo a perder. Não agora que eu finalmente estava em um relacionamento estável, mesmo com a incerteza da vida profissional de Lisette.
*****
(Narrado por Yami, o Primeiro)
Esperei anos por isso; corri para a Ponte dos Sonhos que ligava a Sociedade a Ankrahmun como uma criança diante de um pote de doces; passei por ela de um salto, deixando a luz dos Sonhos me guiar. Apareci no Templo de Ankrahmun renovado e alegre. Cumprimentei o velho Rakhem como se fosse um velho amigo, e saí da pirâmide com um sorriso em meu rosto.
Passei pelas ruas de arenito rapidamente e fui ao norte da cidade, onde a casa de banho renovada por Ireas continuava ali a pleno funcionamento; quatro pirâmides à esquerda e lá estava ela, na porta da casa a me esperar.
Yumi Yami, minha irmã. Respirei fundo, tentando me acalmar e parecer menos retardado de tão alegre. Ela vestia um vestido longo, suas ancas pareciam mais largas e seus seios, que já eram grandes, um pouco maiores do que a última vez que eu a havia visto. Ainda assim, continuava lindíssima como sempre fora.
— Irmão. — Yumi falou à frente da porta, séria. — Você sabe porque está aqui.
— Sim… Eu sei. — Repliquei, um pouco mais sério.
— Eu não me esqueci das coisas que você fez e disse ao longo dos anos. — Continuou Yumi, cruzando os braços. — Eu não me esqueci da maldade, das mentiras, das tramas, de tudo.
Engoli em seco. Talvez Brand não tivesse sido tão convincente como ele fizera parecer.
— No entanto… — Ela pausou a própria fala com um suspiro, descruzando os braços. — Eu perdoo você.
Eu fiquei surpreso; as três palavras que mais esperei para ouvir soavam surreais aos meus ouvidos. Foi preciso o abraço dela para me trazer de volta à realidade. Retribuí o abraço, meio sem graça mas infinitamente feliz.
— Senti muita saudade de você, Yami. — Falou minha irmã com a voz trêmula e me dando um abraço apertado. — Nunca mais faça esse tipo de coisa! Ande na linha e nunca mais me dê motivos para ficar com ódio de você!
Concordei com a cabeça; nunca mais faria acordos escusos ou questionáveis. Não venderia mais minha alma por motivos totalmente bizarros sem motivo algum. Aquele Yami era passado. Eu estava renovado, e devia parte disso, senão tudo, à intervenção de Ireas Keras. Não fosse por ele, não estaria aqui agora. Senti, então, algo puxando o tecido de minha calça.
Olhei para baixo e vi três criancinhas de olhos e cabelos prateados a me olhar; a mais velha ali teria não mais de cinco anos e a mais nova, pelo menos um ano. A criança do meio, que parecia ter três anos, era a única menina.
— Yami, esses são Seti, Ahmosamun e Osirian, seus sobrinhos. — Falou Yumi, enquanto eu parava para ver as carinhas alegres dos novos membros da minha vida. — Eles queriam muito te conhecer.
— Tio Yami! Tio Yami! — Gritavam as crianças em uníssono com suas vozes pueris, estendendo as mãozinhas gordas e pequeninas em minha direção, pedindo por atenção.
Peguei Osirian, o mais novo, no colo; o rapazinho de cabelos e olhos prateados ria e estendia as mãos para mim. Ele era bem leve até, e me abraçou o pescoço assim que eu o ajeitei em meus braços. Ahmosamun e Seti me seguiam de lá para cá enquanto eu fazia cada um deles flutuar e brincar com pequenas esferas de mana. Minha irmã, sempre atenta, observava a cena com alegria.
Era muito bom ser parte de uma família. Eu sorria como nunca antes em todos esses meus anos de existência.
****
(Narrado por Jovem Brand, o Terceiro)
— Tem certeza, Ireas?!
Eu estava pasmo com a informação dada pelo druida de cabelos azuis. Como assim os Teshial estavam voltando?! Eram uma lenda, histórias contadas às crianças mais sonhadoras… E em um estado de calamidade, então… Não eram boas novas.
— Absoluta, e Jack pode confirmar também. — Replicou o rapaz, sério — Os Filhos do Sonho estão voltando e precisam da ajuda da Sociedade; acho que era isso que Nornur queria o tempo todo para se fortalecer e promover união novamente.
— Entendo… — Falou Brand, cruzando os braços. — O que vai precisar de nós dessa vez?
— Eu não sei ao certo. — Falou Ireas, desconcertado. — Vou precisar falar com Jack cara a cara e ver o que fazer. Preciso reencontrar Tameran também… Estou receoso quanto a isso, Brand. Não sei como agir, não sei que planos fazer.
— Talvez os livros de sua mãe tenham alguma pista… — Falei, pensativo. — Digo, depois da morte dela, eles foram purificados. Talvez aqueles mais… Ilegíveis sejam, agora, legíveis. É só um chute, mas acho que vale a pena tentar.
Ireas concordou, hesitante; falar em sua mãe despertava no rapaz lembranças terríveis, as quais eu entendia muito bem. Pensar na possibilidade que a nossa maior adversária, responsável pelas mortes de Liive, Wind e tantos outros, teria a resposta para esse enigma, era agoniante para dizer o mínimo.
— Farei o que for necessário. — Falou Ireas, sério. — Irei à porção Sul da Sociedade falar com Jack… E ver o que fazer. Se puder, avise aos demais dessa situação. Precisamos nos preparar: haverá guerra.
Concordei com a cabeça, engolindo em seco; estava gostando daquele clima de paz e tinha medo do que poderia acontecer a seguir. Só de pensar que meus filhos e minha esposa poderiam estar em perigo iminente… Não queria sequer imaginar isso.
Saí dos aposentos de Ireas com o coração pesado. Vi o druida se sentar e enterrar a cabeça entre os papeis de sua mesa, indeciso, cansado e muito frustrado.
Ele já não era mais o Ireas de outrora. Assim como o mundo não era mais o que já havia sido.
E eu achando que Morgaroth foi uma das piores coisas que Tibia teve que enfrentar...
Continua...
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Pessoal, esse capítulo saiu curto e eu não estou cem por cento satisfeita, mas espero de coração que gostem e me perdoem pela demora! Farei meu melhor para não demorar tanto do próximo e entregar um Capítulo ainda melhor!
Até o próximo!
Abraço,
Iridium.
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