CAPÍTULO VI - Novos Horizontes, Parte II— Acho que já é seguro pararmos de correr. Agora somos só nós dois, e temos de tratar da sua perna. — Disse Jonas rasgando uma perna da calça do anão na altura do joelho.
— Argh! Mais cuidado seu bardo inútil!
— Cale a boca e beba isso Nevrok, irei estancar o sangramento. — Xingou o bardo entregando uma garrafa de hidromel ao anão.
O anão deu um grito tão alto quanto o barulho das cachoeiras de lava nos Portões do Inferno.
— Silêncio seu tolo, ou você quer que eles nos encontrem aqui e nos matem igual fizeram ao mago?
Nevrok somente assentiu com a cabeça e bebeu mais alguns goles da bebida.
— O que faremos agora sem Mirzig para nos orientar, ele era o cérebro do grupo, e eu a força, e você... bem, você é você! — Disse ele quase caindo em lagrimas.
— Primeiro teremos de arranjar alguns disfarces, mudar nossa aparência e ir a Ab’Dendriel, o mago tinha assuntos a tratar lá, ouvi ele pensando sozinho enquanto fumava sobre, falava sobre um pirata, um tal de Scot Mão-de-cegonha, acho que é com ele que ele iria falar. — Disse o bardo pensando no que fazer depois disso.
— Então tratemos de agir logo! — Respondeu Nevrok bebendo mais hidromel.
— Chega de hidromel por hoje, e fique parado, temos de cortar essa barba ou os ciclopes saberão que somos nós, há essa hora eles já devem estar espalhados por todos os lugares. — Disse Jonas empunhando um pequeno punhal e puxando a barba do anão.
— Está louco! Garoto estúpido! Quem pensa que é para desonrar a mim e a minha barba? Eu, Nevrok, O Guardião do Martelo, não deixarei que faças isso, ouviu bem? — Disse Nevrok levantando seu tom de voz, a ponto de quase gritar.
— Cale a boca, sua honra e a de sua barba não nos servirão de nada depois de mortos.
Com um único corte a barba de Nevrok despencou. Aquele engomado de cabelo caindo aos pés dos dois marcou o início de uma nova era na vida dos dois, novos horizontes se abririam para os dois, e era dever deles expulsar aqueles ciclopes de onde estavam, não faziam mais isso por honra nem por glória, faziam isso para vingar um amigo, faziam isso para vingar Mirzig, O Mago.
— Seu bastardo inútil! Veja o que você fez! Agora eu pareço um bebezinho! Se meu pai visse isso me daria para os sacerdotes e todos me olhariam como se fosse uma menininha sem barba! — Nevrok xingava, recolhendo os restos da sua longa barba.
O bardo também se desfez de suas características, cortou seu longo cabelo loiro e fez em si mesmo um grande e fundo corte no rosto, daquele dia em diante passou a ser chamado de Jonas, O Bardo Renegado.
Após se disfarçarem, ambos seguiram estrada rumo a Ab’Dendriel, a cidade dos elfos.
---Depois de mais duas horas de caminhada eles finalmente chegaram aos portões da cidade.
Dezenas de elfos andavam pelas ruas vívidas da cidade de Ab'Dendriel, alguns estavam sentados ao lado de grandes árvores escrevendo canções ou poemas, outros falavam com os pássaros que pousavam em seus ombros.
A cidade parecia ter uma espécie de magia sobre os elfos, algo que os deixava dourados e ainda mais belos e vivos, o mesmo afetava Jonas.
— Então é um elfo? Sempre suspeitei das suas orelhas pontudas. — Perguntou Nevrok.
— Na verdade um meio-elfo, meu pai era humano, um ferreiro em Thais, e minha mãe era da vila dos elfos, perto de Venore. Ambos se conheceram certa vez que alguns revolucionários atearam fogo em Shadowthorn, e meu pai, por sorte do destino foi enviado até lá para salvar o vilarejo. — Explicou Jonas.
— Bela história, mas agora temos de encontrar o Mão-de-cegonha. Com licença senhora, onde fica o porto daqui?
Os dois seguiram para onde a mulher havia indicado, passaram por uma plantação de trigo e viram uma grande torre abandonada, onde outrora viveu o ferreiro ciclope que forjava metais especiais, hoje perdidos pela civilização.
Aproximando-se do porto avistaram dois grandes navios, um grande e belo, feito do mais nobre carvalho da região, aquele era um dos navios comerciais que navegavam os mares, haviam dezenas deles pelo mundo todo. O outro jogado às traças, velho, negro e feio, parecia ser tão antigo quanto aquela cidade, e o pior de tudo, fedia, com certeza era o barco que procuravam.
Os dois aproximaram-se do barco velho e podre, subiram a bordo e encontraram uma pequena tripulação de dois homens limpando o convés.
— Estamos procurando por Scot Mão-de-cegonha, vocês o conhecem? — Perguntou Jonas.
— E quem é você, elfo? — Perguntou um dos marujos.
— Eu sou Jo... Jorb, venho do sul, e este é meu amigo Warf, ele teve problemas de crescimento na infância, por isso a baixa estatura. — Respondeu o bardo, dando de ombros quando encontrou o olhar de censura do seu amigo.
— Hah, sim, agora tudo faz sentido... nunca ouvi falar de vocês, dêem o fora daqui. — Disse o marujo apontando uma foice aos dois.
— Pra que a pressa, meu bom e velho Mqlor, vamos ouvir o que eles têm a me dizer. — Disse uma voz que vinha da cabine do capitão.
Um homem alto e careca, trajado com vestimentas azuis e pretas, que trazia em vez de um papagaio em seu ombro, um sapo.
— Acreditamos que nosso amigo Mirzig queria falar com você, mas agora ele está morto. — Começou o bardo.
O pirata olhou-os dos pés à cabeça, andou por alguns instantes em volta dos visitantes e por fim falou: — Então o velho está morto? Bem, não é de se espantar, falei com ele alguns meses atrás, ele havia me dito algo sobre um anão — o pirata voltou seu olhar arregalado diretamente a Nevrok — que estava indo a Carlin procurá-lo, e que em breve eu teria um papel nessa história. E parece que esse maldito momento chegou, devo levá-los imediatamente ao Porto Esperança, e lá, talvez eu acompanhe-os. — Scot acariciou o verde sapo que carregava e seguiu o discurso — Porém, sempre tem um porém, não é elfo? Vocês terão de trabalhar pra mim durante a viagem, coisas simples, limpar o chão, içar velas, lustrar o mastro, coisas fáceis.
Os dois olhavam fixamente para o sapo que recebia carícias de seu dono.
— Então, o que me dizem? — Perguntou, por fim o Mão-de-cegonha.
— Huh? Hah, sim, aceitamos. Mas por que você é chamado assim, mão-de-cegonha. — Perguntou tímido o anão.
O pirata levantou sua mão direita, retirou a luva de couro que usava e sua morena, cheia de calos e sujeira envolta em pêlos foi revelada. Na sua palma estava uma tatuagem de uma grande cegonha ao lado de três papagaios menores.
O anão engoliu em seco e somente disse um breve “Bela tatuagem senhor” e desviou seu olhar da mão do capitão.
—Então, vamos indo senhores. Mqlor, içar velas! — Gritou o capitão aos marujos. — Hah, e vocês não precisam usar esses nomes feios aqui, eu sei quem vocês são, Nevrok e Jonas.
O anão e o bardo trocaram olhares arregalados.
— Cantemos então senhor. Conheço uma bela canção sobre navios e viagens ao mar. — Sugeriu o bardo.
“Até o fim dos tempos, vamos navegar pelos mares
com sabres na mão
vamos aterrorizar a região.
Embora as mãos do destino possa nos abater
Nós vamos lutar até cairmos
ferrabrás até morrer!”
E assim, entoando essa canção a tripulação abandonou a bela Ab’Dendriel e partiu rumo ao Porto Esperança.
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A canção no final do capítulo não é de minha autoria, eu fiz a devida tradução para encaixar as devidas rimas.
A canção verdadeira pode ser conferida aqui.
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