Capitulo 7 – A partida. Parte 1.
Por mais esquisito que pareça, foi realmente em uma masmorra que saiu o plano de invasão do Mt Sternum. Mesmo sendo longe de um lugar agradável, havia o básico para se viver, tirando o fato de não se ver o sol nunca, talvez seja esse o motivo de sempre ser servido peixes para Pedro. Seu espaço era amplo, até mesmo para um guerreiro de dois metros e muito corpulento, parecia ele ter se acostumado a se recolher no próprio chão, certamente uma cama era algo que nunca ouvira falar.
Whitelottus disse brevemente as habilidades de cada um, Marcus entregou detalhes de como aqueles ciclopes se portavam. Tudo foi anotado em um pergaminho que o capitão trazia consigo, as espiãs pareciam já ter contato com aquele tipo de criatura e pouco se assustaram. Diferentemente de Derek que logo recuo buscando uma das úmidas paredes, mas logo foi amparo ironicamente por Philip que desejava vingança mais do que tudo.
A estratégia parecia ser bem simples, entrar pela entrada ao lado do forte de Thais nas redondezas do monte, enquanto sorrateiramente outra equipe entrava pela abertura próxima a antiga casa de Lubo. A partir dessa segunda equipe já lá dentro, o foco seria chegar o mais rápido num possível trono ao norte, aonde era possível sentir uma magia emanar daquele local. Que sem dúvidas deveria ser aonde o selo era mantido.
Depois da breve reunião sem muitas brincadeiras, ou rusgas como de costume. Foi confirmado que todos iriam partir a noite, onde que as ruas já estariam vazias, e apenas os guardas iriam avistar os guerreiros que partiriam de encontro ao desconhecido.
Com o pouco tempo restante, alguns resolveram fazer o que poderia ser as ultimas ações, Larsson não muito diferente bebeu tudo o que podia, mas sua parte demoníaca não se sujeitava a cair para um mero liquido. Não muito distante do bar em que Larsson matava sua sede, Stella e Jessica conferiam os últimos itens para viagem, não só para as ameaças que encontrariam como também para a própria equipe.
Porém Ralph parecia perdido, sem saber como explicar para sua filha o teor de sua viagem, para ele era fácil dizer que vai sair quando sabe que não vai morrer para alguns guardas ou mercenários treinados. Porém isso muda bastante quando o inimigo é algo que nunca imaginava enfrentar, se fossem gigantes por si só não haveria problemas. Porém aquela aura envolvendo aqueles seres e aquele arqueiro misterioso ainda o atormentava, e passando pelas vielas de Thais via o medo estampado na face de seus habitantes, guardas temerosos com o que poderia vir, pois aquelas coisa poderiam atacar a cidade a qualquer momento.
Mas por hora tudo ficou para trás ao chegar à luxuosa casa, em que o bandido que se passava por mercador habitava, mas não era a casa que o fazia esquecer os problemas e sim o sorriso de Kendra. A não tão pequena garota o recepcionou como havia séculos que não via o pai, entretanto o sorriso durou pouco até saber que novamente estaria separada do mesmo.
Ralph — Bom dia pequena!
Kendra — Booom dia! Dessa vez é pra ficar, não é?
Ralph — Princesa... Terei de me ausentar mais um pouco, mas dessa vez é a trabalho, o Larsson estará comigo. – Disse brevemente, ajeitando o cabelo da pequena.
Kendra — Mas você mal chegou, e ultimamente cada vez menos te vejo. – Dando um abraço em Ralph pretendendo o prender ali.
Ralph — Meu amor você tem tudo aqui, preciso manter essa estrutura e sua segurança. É por você que terei de ir, estarei bem amparado não tenha duvidas de minha volta. – Seguindo até uma mesa, onde que já estava um bolo preparado pela sua filha.
Kendra — Ao menos podemos passar essa tarde tendo um ao outro como companhia? – Separando em fatias o que poderia ser a ultima refeição juntos.
Ralph — Claro. Desculpe-me por ter de ser assim... Mas quando se vive de negócios, nada se torna fácil. Farei o impossível para voltar a ficar mais tempo com você. – Fazendo o possível para não deixar um córrego correr por seus olhos.
Se por um lado havia um sentimento de despedida, nas instalações de Marcus o silêncio pairava dentro da fortaleza repleta de cartazes com detalhes de projetos. No meio de toda a quinquilharia que qualquer pessoa acharia que era. O cientista traz consigo quatro cajados aprimorados para os garotos, dizia ele que eles potencializavam o estrago por dano mágico proferido pelo usuário. Derek aceitou de cara, Timothy colocou na sua mochila, entretanto Philip relutou e ficou a encarar aquela coisa. As ultimas horas ali pareciam ser demoradas para os garotos, menos para Marcus que parecia se despedir de um filho, visitando cada dispositivo que se lembrava, realmente parecia que aquele galpão tinha mesmo as tantas histórias que os habitantes de Thais diziam.
Já o capitão da equipe tinha de ir ao rei informar a decisão tomada, diferente das ultimas vezes aonde que Cando se fez de toda a burocracia para ouvir Whitelottus, dessa vez não se fez de muitas formalidades. Podendo ser por ter voltado a ter o poder mais assegurado, ou pela importância do capitão para seus planos... Pouco importava para Ron, que entregou com certa indiferença ao rei a informação.
Rei Cando — Muito bem capitão! Conto com sua eficácia, e sabe que aprecio muito do que tem feito por mim. – Tentando se livrar logo de Ron, enquanto observava algumas mulheres que pareciam o esperar.
Whitelottus — O que tenho feito não é por você, mas para que essa muralha não caia! Resolvendo isso sabe que serei o primeiro a remover você desse posto. – Se aproximando de Cando tentando intimidar o mesmo.
Rei Cando — Está vendo que não estou com guardas aqui? Sabe o motivo? Ele é bem simples. É porque você só fala, você subiu de forma suja, teme por quem governe essa cidade. E quem quer que seja tem que ser no mínimo grato a você, ou então tão sujo quanto... E como eu sei bem ninguém se encaixa na lista. – Deixando o salão, e indo em direção as mesmas que o esperava.
Whitelottus — Melhor curtir enquanto pode... – Disse para si, enquanto analisava o quão majestoso era o palácio, para alguém tão sujo como Cando. Por mais que tivesse histórico de alguém que não se importava com sua cidade natal, Ron tinha a torpe ideia de que ele era necessário para ela, que ele tinha de fazer tudo para chegar a uma posição de poder, e assim defender os interesses dela e de seus cidadãos.
Enquanto todos se dirigiam para algum local, resolviam os seus interesses, se despediam de alguma pessoa querida, ou até mesmo abraçando pela última vez alguns vícios. Pedro apenas apreciou o mar, de cima do farol que escondia a sua masmorra, enquanto pensava no quanto que perdeu estando na mesma, o mar revolto parecia dizer a ele que havia algo de podre na história que lhe foi contada. Porém agora era tempo de aproveitar as poucas horas restantes antes de partir, apreciando o sol que o castigava, por não ter sua grandiosidade apreciada pelo desmemoriado.