CAPÍTULO 1
Fafnar raiou forte naquela manhã, logo após seus primeiros raios, o primeiro soar do berrante. Boa parte dos prisioneiros se pôs em pé, ainda sonolentos. As noites no Deserto eram muito frias, com grande potencial de temperaturas abaixo de zero, porém seus dias eram longos e calorosos.
Gareth foi o primeiro dos recrutas a sair das barracas de peles de carneiro. Parou do lado de fora e pôs-se a observar o lugar onde estava.
A Guilda dos Mercenários era um grande complexo arquitetônico, muito parecido com um castelo, porém mais sombrio e fortificado. Possuía três torres, uma central onde ficavam os aposentos do Senhor Comandante e o Grande Conselho, haviam ainda duas torres nas extremidades norte e sul, numa delas se encontravam os refeitórios, as despensas e a sala de armas, noutra os aposentos dos instrutores.
Era um lugar muito amplo, pouco parecido com uma prisão, visto que os enviados até ali não eram tratados como prisioneiros nem eram acorrentados ou aprisionados. Havia ainda um campo de treinamento onde se encontravam os bonecos de treino, alvos, toras de madeira, espadas,machados e clavas sem fio e alguns poucos escudos jogados ao chão.
As muralhas eram bem fortificadas, espessas, negras, praticamente impossíveis de serem trespassadas. E o silêncio, a essa hora da manhã, era sem igual.
Porém logo o barulho começou, os outros recrutas começaram a se movimentar, logo logo teriam de fazer as primeiras tarefas, dentre elas rachar lenhas e limpar os celeiros.
O berrante soou novamente. O segundo aviso significava que todos já deveriam estar em pé e se dirigindo ao campo de treinamento, e assim se procedeu.
Quando todos os doze recrutas se reuniram no centro do campo, Arstar surgiu entre eles dando rápidas boas vindas e passando as ordens. A primeira semana de treinamentos era leve, nada que exigisse muito esforço.
Os rapazes se dividiram em duplas e se puseram a rachar lenhas.
— Lugar sinistro esse, não é? — Sugeriu o rapaz que dividia o serviço com Gareth. Um garoto de apenas dezoito anos que se chamava Hammill, tinha cabelos rubros, era fraco e magro, branco como leite de cabra. — Esse silêncio me atormenta, o vento não uiva, não há pássaros cantando, à noite eu podia ouvir meu coração bater de tão quieto que estava!
— É s...s...s...só o lululugar onde estamos. Nnnnno meio do desssserto é comum que ssseja assim. — Gaguejou Gareth.
— Isso foi pavor ou você gagueja mesmo? — Perguntou Hammill.
Gareth não respondeu.
— Que seja, esse lugar cheira a morte e a mijo, me arrependo de ter estuprado aquela garotinha em Venore, uma foda me enviou para a morte. E você, por que foi parar aqui?
— S...s...sou fifilho d’A Rainha, ela fificou com desgosto quando me vi...viu falando e me man...man...mandou pra cá. — Gareth fazia força para falar, fechava os olhos, inspirava fundo, as veias de sua garganta saltavam, e mesmo assim não consegui falar.
— Ora, ora, uma celebridade entre nós. Bem que eu notei algumas semelhanças. — Gareth era alto e esbelto, podia-se notar que era bem alimentado e bem cuidado, porém era careca e tinha uma cicatriz na testa, o que o tornava feio. — Nem os cupins gostam desse lugar, olha só para essa madeira, está intacta, estamos todos condenados! — Hammill colocou outra tora de lenha para que Gareth golpeasse com o machado.
— Silêncio rapazes. Quero suor escorrendo, não palavras ao vento, voltem ao trabalho. — Bradou Arstan, que apesar de ser amigável, sabia ser duro. Arstan era o mais jovem dos instrutores, daí a simpatia com os novatos.
— Se é suor que o senhor quer, nós nem precisamos trabalhar, Fafnar faz isso por nós, deve estar uns quarenta graus aqui! — Retrucou Hammill.
— Eu disse para fazer silêncio, rapaz. E caso isso sirva de consolo, dentro de seis meses tende a piorar, estamos recém no inverno, no verão Zathroth vêm até aqui por que faz frio no inferno!
— Senhor Arstan, o Senhor Comandante lhe chama, eu assumo daqui. — Humgolf, o único anão que lecionava na Guilda, avisou o comandante.
— Mandou me chamar, Senhor? — Indagou Arstan.
— Claro que lhe chamei, como anda a vinda dos seus informantes? — O Senhor Comandante se levantou, com seus mais de dois metros de altura (o maior homem da Guilda) e se dirigiu a um barril de carvalho nobre onde ficava armazenada parte da cerveja. — Aceita um caneco, Arstan?
— Não senhor, agradeço. Recebi uma carta nesta madrugada, é provável que leve cerca de vinte e cinco dias para que cheguem até aqui, a viagem é inviável de barco, muitos piratas e contrabandistas ficam à espreita nessa rota, o caminho a pé pareceu mais viável, porém eles pretendem tomar cuidado, os goblins de Femor Hills estão muito agitados, todo o cuidado é pouco. — Explicou Arstan.
— É muito tempo, quantos eles são?
— Apenas três, Senhor, dois deles foram seus alunos quando lecionaram aqui, Ralf, O Bonito e Dannard Wew, o Indomável, o terceiro deles é meu amigo de infância, aprendemos juntos a combater e matar.
— Entendo. Arstan, quero que vá de encontro a eles, pegue dois cavalos e traga-os até aqui o mais rápido que puder.
— Mas, senhor, o treinamento, como que esses recrutas vão aprender a serem verdadeiros mercenários sem treinamento militar e disciplina? — Perguntou Arstan, nunca antes havia sido dispensado do serviço, nem quando sua filha morreu, dois anos atrás.
— Eu me encarrego disso, daqui a três dias o treinamento deles começará. Daqui a três dias você partirá. — O Senhor Comandante apontou para a porta, Arstan estava dispensado por hora.
Arstan saiu resmungando e xingando, o Comandante não poderia fazer isso, não com ele, não com Arstan, o Bravo. Parou por um tempo e pensou melhor, talvez tirar um tempo fora fosse melhor. Agora Arstan via a ordem do Senhor Comandante com olhos diferente, como uma oportunidade.
Os dias se passaram monótonos na Guilda dos Mercenários, muita poeira, Hammill reclamando do calor e insistindo na ideia de que o lugar fosse amaldiçoado e Arstan ordenando que os rapazes fizessem silêncio.
Mas no quinto dia amanheceu diferente, uma grande tempestade de areia acordou os recrutas em vez do berrante. Dirigiram-se todos para fora das barracas que ameaçavam se soltar com a força dos ventos, as roupas de um recruta foram vistas voando, ele teria que se apresentar somente com as roupas de baixo.
— Mas que merda é essa? — Perguntou um brutamonte que atendia por Ossos Fortes, careca e musculoso, beirando os dois metros de altura e os cento e vinte quilos de puro músculo.
— É o início do treinamento, Ossos. Todos temos que ir para o campo de treinamento ouvir o Senhor Comandante. — Respondeu um rapaz franzino que fizera dupla com ele nas tarefas do dia-a-dia, o nome dele era Robbert, mas todos acostumaram por chamá-lo de Piolho
— O Comandante que se foda. — Ossos foi em direção ao campo de treinamento mesmo assim.
A tempestade cada vez piorava, recrutas caíam e outros não enxergavam direito devido à poeira nos olhos, mas todos conseguiram chegar inteiros ao campo de treinamento onde o Senhor Comandante, Gaar, Humgolf e os outros três instrutores que os rapazes ainda não conheciam. Um elfo alto e belo, com longos cabelos loiros e trajado em seda. Um venoreano do pântano que tinha os dedos e os dentes verdes, com poucos fios de cabelo e com olhos sempre esbugalhados. O outro era um yalahari misterioso e quieto, coberto por um longo manto e um turbante que deixava somente seus olhos vermelhos a vista. Arstan não estava presente.
O Comandante deu um passo à frente.
— Saudações, bastardos, ladrões, estupradores e a escória em geral. Bem vindos à Guilda dos Mercenários, que a sua estadia no inferno seja proveitosa!
Aí está o primeiro capítulo, espero que gostem =D
@Necronoise
Aquela torre é a Triangle Tower, existe até uma questzinha ali dentro
http://www.tibiawiki.com.br/wiki/Triangle_Tower
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