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Tópico: Bloodtrip

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    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Padrão Capítulo 17 - Promessa

    Citação Postado originalmente por Thomazml Ver Post
    Ufa, finalmente consegui ler tudo! Fiquei atarefado no final de janeiro, pisquei o olho, e você postou uns 6-7 capítulos! hahahahah

    Acho que a pausa na ação foi fundamental para dar mais fôlego para a história. Eles pararem para pesquisar, descansar e se recuperar encaixa muito bem na historia. Acho que você pode dar mais peso nas personagens, ir com mais calma ainda, para a gente sentir mais empatia por elas e chorar quando você matá-las de forma violenta e cruel, hehehe. O número de personagens é bem grande, o que faz com que um leitor possa se perder entre elas, e não relacionar as descrições aos nomes. Além do mais, quanto mais personagem, mais conteúdo e peso o texto deve ter, para a personagem ser relevante a trama. Gostei do romance entre os dois pombinhos no final desse capítulo, embora me pareça pueril demais, algo meio anime japonês. Amor é uma palavra muito forte, talvez você tenha corrido com a relação entre os dois. Ou vai ver eles são dois adolescente bobos apaixonados? Não sei se sou eu que estou virando um velho cético :O

    Fiquei bem curioso sobre o Dartaul e seu passado, assim como sobre Rookgaard. Nightcrawler me pareceu um personagem melhor, com os flashbacks do passado e como caiu na pegadinha do Trevor. Ele cair na pegadinha significa que ele REALMENTE acha que ser preso seria algo possível, o que me faz pensar sobre seus possíveis crimes. Uma coisa que me deixou encucado, porém, é um trecho sobre as patentes thaisenses: você diz que o tenente virou capitão pulando o posto de sargento. Mas, ao menos nos postos militares do mundo real (nos quais você parece ter se inspirado com os nomes), sargento é uma das patentes mais baixas, sendo inclusive NCO (Oficial não comissionado, ou seja, não precisa nem ter feito curso de oficialato). Fiquei confuso.

    Uma coisa que me incomoda, porém, é o exagero no poder da Irmandade. Quero dizer: se eles tão matando todo mundo em todos os lugares, a população tibiana deveria estar se reduzindo drasticamente. E, acredito eu, que mais gente iria estar interessada no desenrolar da brincadeira sangrenta, tanto em oposição quanto favorável. Não sei. Essa irmandade me parece muito onipotente.


    Desculpa se o comentário ficou confuso, é que eu li muitos capítulos ao mesmo tempo. Continue postando, vou continuar acompanhando!
    Grande Thomaz, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Gosto de quem fica atento sobre as coisas nas minhas histórias, então vou te explicar algumas coisas.

    Bem, eu planejo estender por vários capítulos ainda essa parte tranquila até chegar na hora certa. O plano já está sendo armado, então, por hora, me atentarei a dar utilidades e fundos diferentes para cada personagem, para que assim o leitor fique atento sobre quem cada um deles é.

    Sobre o romance, devo dizer: Nunca escrevi cenas do tipo. Eu sou um escritor dinâmico, curto mais a ação e a aventura, mas nos últimos tempos estive com uma forte vibe para o drama e gêneros ao redor, isso me ajudou a fazer essa história e deixá-la boa. Essa cena teve realmente a intenção de mostrar que temos um casalzinho aí, mas ao mesmo tempo, queria saber se sou capaz de escrever uma. E pra me inspirar, cheguei até a assistir um pouco um anime de romance que consegue mergulhar mais intensamente no assunto; Isso me deixou mais confiante na hora de escrever. Mas não consegui disfarçar a semelhança com a obra, então, perdão.(O anime em questão é Kuzu no Honkai)
    E não dá pra dizer que são adolescentes bobos apaixonados, eu meio que corri as coisas, mas de fato durante essas semanas em que eles ficaram próximos foi formando uma relação. Creio que não ia dar tempo de desenvolver isso direito.

    Essa cena do Nightcrawler teve a intenção de mostrar que todos estão em perigo nessa história, não importa quem seja. Eu não tenho muita pena com protagonistas e posso fazer eles se ferrarem sem aviso prévio, como foi o caso desse capítulo. Então, já espere algo acontecendo com os personagens do nada.

    E sobre as patentes: Eu recriei elas para o mundo tibiano, por isso tenente de guarda está abaixo de sargento. O sargento é um estrategista com experiência em campo e em escritório, então eles tem mais importância, digamos assim. Eu formei um rank de como funciona a hierarquia lá:

    Recruta
    Soldado
    Cabo
    Tenente
    Tenente de Guarda
    Sargento
    Capitão de Guarda
    Comandante
    Major
    Comandante-em-Chefe
    General
    Marechal

    Espero que assim tenha ficado melhor pra entender como funciona as Guarnições e a hierarquia do exército em si. Este rank vale tanto pras guarnições quanto pro exército, na falta de uma força aérea para equilibrar; Há também a hierarquia dentro da marinha tibiana, mas isso não vai ter importância na história, então deixo de lado.

    Por fim, a Irmandade não é onipotente. Ela apenas trabalha em intervalos e mata um número calculado de pessoas. Se elas realmente acabassem com com tudo, Carlin inteira teria, de fato, morrido, o que não foi o caso. Lá no capítulo 5 eu mostrei como esses membros podem ser derrotados, mas o motivo deles serem "imortais" assim eu explicarei mais pra frente conforme a história caminha. Mas, de fato, tem várias pessoas que conhecem a Irmandade, elas apenas tem medo de ir contra ela. E acredite, muuuita gente já tentou.

    Enfim, espero que continue acompanhando, Thomaz, e que eu tenha explicado direito. Se não entendeu algo, só comentar.

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    E aí, Carlos. Foi mal pela demora, só parei pra ler o capítulo novo agora.

    Um capítulo inteiro com o Dartaul (melhor personagem), aí sim

    Gostei bastante do capítulo, você não estava exagerando quando disse que ficou foda. A narração do sonho (?) ficou interessante, principalmente por causa da intercalação entre os acontecimentos e a som do rádio. Outra coisa que achei bacana foi o duplo sentido da palavra "monte" ali, foi uma boa sacada.

    Fiquei ainda mais curioso com a Aika e o pulsante. Parece que ela já era meio estranha antes mesmo do ataque da irmandade. Agora que ela e Dartaul aparentemente ficarão juntos será interessante acompanhar como essa história vai se desenrolar.

    E esse Dartaul safadão aí no final? Imagino o Nightcrawler chegando lá de surpresa e vendo essa cena kkkkk.

    Parabéns pelo capítulo, ficou muito bom. Aguardo a sequência.

    Abraço!
    Diga aí Edge, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    É, não foi um sonho, foi um pesadelo, hehe. Essa é uma cena que achei que só daria certo na minha cabeça, acabei conseguindo executá-la bem.

    Aika era só um pouco estranha mesmo, tem coisas que ela conhece que ninguém mais conhece e tal. Mas no geral acho ela normal, só é quieta. E, bom, os dois são um casal agora, e com tempo isso irá se desenvolver como possível. E eu realmente pensei em fazer o Nightcrawler aparecer ali no final, mas deixei pra lá. Ele tem outros assuntos a tratar.

    E bom, você curtiu esse capítulo com o Dartaul, então, irá gostar desse também.










    E aí pessoal, venho trazer-lhes mais um capítulo. Eu bem que estava esperando mais comentários para dar uma avaliada no último capítulo, mas não faz mal. Vamos continuar seguindo o trem.

    A propósito, há várias dicas sobre algumas coisas nesses últimos capítulos(Mais especificamente 15, 16 e 17) com relação ao mundo onde se passa a história e também à história. Não sei se vocês vão perceber, mas espero que consigam.



    No capítulo anterior:
    Dartaul tem um pesadelo envolvendo um ataque da Irmandade à Meriana. Após isso, Aika surge no quarto, e revela ter colocado o pesadelo nele pois ela estava sofrendo com aquilo. Um breve romance acontece entre eles, bem como para salvar Dartaul de uma ilusão que poderia ser uma sequela do pesadelo anterior.




    Capítulo 17 – Promessa



    Sentado sobre uma rocha, um jovem loiro observa algo ao longe. A chuva castiga a grama ao redor, assim como a terra daquele lugar, que parece não ver água a dias. Ela molha todo o seu corpo, mas ele não se importa. Está esperando algo, alguém.

    Seu corpo está coberto de sangue, bem como alguns locais ao redor dele. Talvez ele tenha combatido alguém antes de chegar ali, talvez estivesse ferido, mas ele não se importa.

    O jovem não sairá de lá. Ele continuará esperando.


    ~*~


    Numa loja de armas, alguns rapazes vendem algumas que acham em suas jornadas por alguma quantia de ouro. Eles são recebidos por Obi, um homem de cabelos grisalhos e sempre vestido de sua armadura conseguida em Thais em tempos longínquos.

    Dois desses rapazes se destacam levemente dentre os demais da ilha de Rookgaard. Dentre eles está Dartaul, vestido com uma camisa longa e negra com uma armadura de couro por cima e lanças numa aljava personalizada nas costas. Usa uma calça de correntes, além de dois equipamentos raros na ilha: Um elmo da legião e um escudo de cobre.

    Seu amigo é um rapaz mais alto que ele, usa uma katana e possui equipamentos de bronze, como a armadura, a calça, o capacete e o escudo. Suas botas são amarelas para combinar com o restante. Ele possui cabelos ruivo-escuros e um porte físico levemente maior que o de Dartaul.

    Por onde passam, atraem atenção. Cochichos, olhares admirados ou invejosos, elogios. A verdade é que os dois rapazes eram insanos e buscam o perigo a qualquer custo. Atualmente, eles, junto de outros rapazes, ajudam os necessitados de apoio em Rookgaard, mas antes, eles caçavam todos os mistérios da ilha, uma vez que tinham uma rincha com um grupo rival de aventureiros. Eles eram capazes de virar a ilha de cabeça pra baixo apenas para encontrar seus mistérios, mas não fazem mais isso.

    Dessa vez, os dois rapazes estão determinados a resolver uma das maiores lendas de Rookgaard: A Espada da Fúria. Soluções foram encontradas, e, logo ao saírem da loja de Obi, foram recebidos por uma multidão enaltecida. O vilarejo, nesta época, é muito bem habitado, e ali há pelo menos cem pessoas esperando com que a dupla se reúna com seu grupo para começar a operação: Precisam matar o Minotauro Vigia, mais conhecido como Minwatcher, a criatura que fica numa torre de pedra no norte da ilha.

    Todos elogiam e clamam por uma boa missão para os rapazes. Entretanto, a maioria dessa admiração vai para o rapaz ruivo, que é conhecido por ser um dos melhores guerreiros da ilha e estando pronto pra sair dela. Entretanto, quer resolver aquilo antes de ir consultar o Oráculo. Já Dartaul tinha certa relevância, mas não tanto quanto seu amigo.

    A multidão abre passagem para a dupla passar. Eles chegam até a escadaria ao norte e sobem retribuindo toda a afeição do público. Ao atravessar a ponte, notam que seu grupo, composto por quatro pessoas, está presente logo abaixo. Os rapazes descem as escadas para se encontrar com seus parceiros e os cumprimentar.

    Dartaul parece sorridente. Neste período, ele possui apenas dezesseis anos. Os outros rapazes possuem de dezesseis a dezoito anos. A maioria está equipada de equipamentos de couro, alguns cravejados com metais*.

    — Muito bem, pessoal. — Começa o ruivo, postando-se a frente do grupo — Fizemos o que era necessário para a ilhota parar de pegar fogo e as pedras voltarem pro chão, dessa forma, podemos pegar a espada. Mas para que ela não derreta nossas mãos, precisamos matar o Minwatcher antes.
    — Então está tudo pronto, Charlew? — Questiona um dos rapazes. Ele usa uma armadura, calças e botas de couro, mas possui também um elmo da legião e lanças nas costas.
    — Sim. O Minwatcher está na torre, mas descerá assim que chegarmos perto. Vamos lá, antes que os Baltas tentem algo. Avante, Grimuar!

    O grupo concorda e saúda o seu nome, levantando os braços. Com sorrisos e muito animo, eles caminham alegremente até o norte da ilha, visando chegar num monte próximo. Em seu caminho, eles lidam apenas com algumas cobras ou aranhas, algo irrelevante para aventureiros como aqueles. O céu está claro e limpo e a brisa de verão acalma seus espíritos e revigora seus corpos. Seus olhares parecem indicar que estão preparados para tudo, mesmo que um demônio surgisse do chão para pará-los.

    Após pelo menos vinte minutos de caminhada, eles chegam ao monte em questão. O grupo sobe uma escadaria de pedra artesanal até chegar no topo do monte, onde veem a grande torre de pedra onde Minwatcher fica. Ao olhar pra cima, o grupo nota a criatura observando-os logo abaixo, com seu machado comum em mãos. Ele salta dali, indo direto ao chão, pousando com uma perna ajoelhada. Ao se levantar, consegue intimidar o grupo mais do que eles imaginavam.

    O minotauro vigia é igual aos outros minotauros comuns, mas ele possui pelos mais grossos e escuros, chegando a um vermelho escuro. Possui muitas cicatrizes pelo corpo, além de ser musculoso e ter um olhar imponente. Seus olhos parecem poder ver tudo, assim como diz seu nome. Entretanto, acredita-se que ele tenha mudado muito devido aos atos dos aventureiros para permitir que a espada possa ser pega.

    — É a última vez que digo. Voltem pras suas casas. Deixem a espada onde ela está. Se tomarem ela, esta ilha estará perdida. — Disse o minotauro, com uma voz grossa e rígida.
    — Hã? O que quer dizer? — Questiona um dos membros do grupo, um rapaz encapuzado.
    — Se me matarem e pegarem a espada, vocês quebrarão o equilíbrio deste lugar. Logo ele não poderá mais servir para treinar jovens como vocês. Por favor, entendam. Deixem a Espada da Fúria onde ela sempre esteve, em nome dos deuses.
    — Desculpe, mas não. — Disse Charlew, desembainhando sua espada — Eu quero chegar ao continente com todas as glórias possíveis. Eu serei uma lenda de Tibia. Eu desbravarei tudo que existir nesse mundo. E meu próximo passo é tomar aquela espada para mim.
    — Se é assim... — Balbucia a criatura, girando o machado e tomando posição de luta — Terei que te impedir.
    — Grimuaras! Em posição!

    Charlew e outro rapaz, vestido de uma armadura e capacete de correntes, correm pra frente, atraindo a atenção do minotauro. Os outros quatro se espalham, colocando lanças em mãos. O encapuzado está com um arco e flechas, mas a estratégia consiste em utilizar lanças; Dessa forma, todos estão prontos para atirar quantas for preciso.

    Charlew dá o primeiro golpe de cima pra baixo, mas a criatura defende o golpe aparando-o na superfície da arma. O outro espadachim dá um golpe vertical, mas o monstro se abaixa, avança e dá uma cotovelada em seu peito. Os atiradores lançam suas lanças, mas o minotauro dá um giro completo com o machado levantado e rebate todos os projéteis.

    O outro rapaz tenta um golpe vertical, mas ele é defendido com facilidade. O ruivo golpeia ao mesmo tempo, mas o minotauro consegue segurar sua mão. Ele gira e afasta os rapazes, enquanto mais lanças são lançadas. Ele defende a primeira girando o machado, desvia da segunda saltando, rebate a terceira no ar com um golpe horizontal e caiu no chão para a quarta passar direto, quase acertando um dos atiradores. Minwatcher levanta rapidamente e atropela Charlew antes dele dar um golpe e acerta seu machado na coxa do outro, em seguida socando o seu rosto. Lanças são jogadas novamente, mas o monstro defende-as girando e fazendo fogo com as mãos, transformando-as em pó instantaneamente.

    A criatura para, assim como os aventureiros. Não imaginavam que seria tão difícil derrotá-lo. Felizmente, o rapaz espadachim não foi ferido, apenas foi um golpe para aturdi-lo.

    — É isso. Vocês não podem me derrotar, não importa o que façam. Esqueçam a maldita Espada da Fúria!

    Antes que um dos rapazes pudesse respondê-lo, uma flecha é disparada e atinge a região próxima de seu olho esquerdo, derrubando-o. A flecha em questão foi disparada pelo encapuzado, que simplesmente conseguira sair do monte sem ninguém notá-lo. Minwatcher cai no chão, derrotado, deixando seu machado alcançar o chão, bem como seu orgulho como protetor daquela espada lendária.

    O arqueiro abaixa o capuz e revela-se uma garota de cabelos loiros e curtos. Ela usa uma armadura de couro e calças de metal cravejado, além de botas e luvas de couro. Há um símbolo na parte superior direita de seu rosto, em sua testa, que foi tatuado: Um pequeno olho semelhante ao de um cavalo.

    — Símbolo dos Baltas... Maldição, uma espiã? — Vocifera Charlew, enquanto vê a garota sorrir e começar a correr — Vamos! Eles tentarão pegar a espada!

    Começa uma perseguição desenfreada para capturar a garota. Na frente, está Dartaul e um rapaz de cabelos longos e negros, ambos aspirantes a paladinos. Eles jogam algumas lanças com o puro objetivo de acertá-la ou atrasá-la, e ela cada vez mais toma um caminho diferente do da espada, atravessando a ponte e se dirigindo ao sudoeste ao invés do noroeste.

    Ao chegarem num monte nas proximidades próximo de um lar de ursos, a garota sobe-o e desaparece em seguida. O grupo continua seguindo-a, mas Charlew manda eles se separarem e cercarem o monte enquanto ele, Dartaul e o espadachim sobem. Eles encontram uma escadaria para o lar dos ursos, porém, ao descer, são cercados de todos os lados por outros aventureiros encapuzados com arcos. Alguém surge descendo o monte pelo outro lado junto da garota.

    O local é uma clareira dentro do monte, cercada por grama e arbustos. Pelo menos quatro ursos viviam ali, mas eles não se encontram mais lá. Ao invés disso, há seis humanos, Baltas, inimigos do trio.

    — Tsc. Emboscada... — Disse Charlew, enquanto passa os olhos pelas pessoas ali.
    — Não me diga, gênio. — Caçoa o rapaz no centro com a garota. Ele também possui todos os equipamentos de bronze e uma katana. É um pouco mais baixo que Charlew, mas é mais forte e careca — Foi fácil colocar a Alina entre vocês. Bem, que eu saiba, vocês adoram sangue novo, não importa de onde venha, não é mesmo?
    — Costumamos ser mais confiáveis do que ratos como vocês.
    — É exatamente por isso que somos mais fortes. Grimuar não tem poder suficiente em Rookgaard. Aqui é o ponto de partida para os Baltas se tornarem a guilda mais poderosa de Tibia, lembre-se disso. Isso é um espetáculo, e nós somos os atores.
    — Força não significa nada frente a inteligência. Lembre-se disso também, cabeça de laranja.
    — O que você disse, seu-
    — Dartaul!

    O rapaz entende e joga uma lança com agilidade contra o rapaz na direita. Logo em seguida, eles se abaixam e as flechas dos restantes por pouco não os alcançam. Dartaul corre até o arqueiro abatido enquanto Charlew avança contra os dois logo a frente e o espadachim joga sua espada contra o arqueiro na esquerda.

    — Por um momento eu esqueci porque vocês são tão conhecidos...

    Alina desembainha uma espada curta, mas Charlew desarma-a rapidamente. O suposto líder dá alguns passos pra trás enquanto assiste sua companheira ser abatida, mas não morta, recebendo um poderoso golpe do cabo da espada na testa. Entretanto, outros inimigos aparecem armados com lanças, enquanto nada de aparecer seus companheiros de guilda.

    Charlew teme pelo pior e recua, enquanto algumas lanças quase o alcançam. Dartaul e o outro espadachim também notam o perigo e recuam para a subida do monte enquanto recuperam algumas coisas. Ao chegarem no topo, o loiro é atingido por uma lança no ombro, mas eles não param de correr. O espadachim decide não continuar a segui-los e fica para segurá-los.

    — Ei, Baldt! Vem logo! — Grita Charlew, enquanto ainda correm. O rapaz não fala nada, apenas sorri para eles e se coloca ao lado do monte.

    Dartaul consegue ver o rapaz desferir um golpe fatal no pescoço de um dos lanceiros e um corte letal no braço de outro. Porém, ele recebe uma lança no braço esquerdo de raspão e por pouco uma no rosto, defendida por seu escudo. O rapaz continua lutando enquanto eles correm.

    A dupla segue ao norte, em direção da ilhota da espada. Ao menos sete dos Baltas seguem eles em alta velocidade. Os Grimuar, seus companheiros, desapareceram; Pareciam já terem sido capturados. O céu começa a ficar nublado quando eles passaram pela montanha onde há trasgos comandados por um único orc, onde memórias pareciam voltar por um instante para a mente dos dois.

    Eles já derrotaram aqueles seres em combate, mas eles sempre retornam, quase que por mágica. As aranhas que tinham no caminho para a ilhota sempre reapareciam também, assim como os lobos. Na mente de Dartaul, uma das frases de Minwatcher martela em sua mente, a respeito do equilíbrio da ilha. O fato de alguns monstros retornarem após sua morte teria algo a ver com isso, talvez.

    Mais três inimigos surgem na frente da dupla. Todos eles usam armaduras de bronze, porém, vestem calças de metal cravejado, não usam capacetes e portam espadas comuns. Para Dartaul, aquilo parece o fim, mas para Charlew, não.

    Um trovão dificulta por alguns instantes a visão deles. Um segundo após ele sumir, Charlew aparece na frente do trio num arriscado salto adiante, com a katana preparada e com uma estranha aura azulada e fraca. Ele facilmente localiza um ponto fraco em seus pescoços e corta cada um, jorrando muito sangue. Quando termina, ele está atrás dos três, que caem ao mesmo tempo, enquanto ele limpa a espada lançando-a para o lado e espirrando o sangue na grama.

    — Dartaul, vá embora. Não vai ser mais necessário que você me siga.
    — Mas... E a espada? Nós devíamos pegá-la juntos, não é?
    — Não mais. Agora estamos em um jogo de sobrevivência. Ou melhor, eu estou. Mas você não estará se fugir.
    — Está me chamando de fraco, por acaso?
    — Estou! — Grita Charlew, com um olhar irritado — Mas você pode ser forte. Não precisa morrer aqui, nessa ilha. Apenas vá embora e consiga o tempo necessário para você se tornar forte. Sei que é capaz.
    — Não. Isso se chama covardia, Charlew, e eu não aceito isso!

    Charlew aproxima-se do rapaz. Seus olhos que antes eram castanho-escuros estavam azuis. Ele suspira e tenta ficar mais calmo.

    — Veja bem. Tenho alguns truques na manga, que nem antigamente. Uma estratégia, pois os Grimuar são os melhores estrategistas do Tibia. Por que eu quero que você fuja? Para flanquear o outro lado da ilha. Eu e você somos fortes, isso é verdade, mas se você ficar aqui, só vai atrapalhar a estratégia! Entendeu?

    Dartaul fica em silencio por alguns instantes. Ele duvida um pouco do amigo.

    — Você quer que eu fique na ponte, então?
    — Exato. Vai logo, eles estão vindo. Prometo que logo estarei lá te ajudando com a espada.
    — Certo... Mas promessa é dívida!

    Charlew sorri e dá alguns tapas amigáveis no amigo.

    — Com certeza. E irei cumprir essa, bem como as outras quando eu aparecer com a espada.
    — Sim! Seremos os maiores de Grimuar! E de Tibia!
    — Esse é o espírito! Te vejo em breve!

    Ele corre até a ilhota, enquanto Dartaul vai à direção oposta, em direção da ponte, enquanto uma chuva forte se inicia. Ele contorna a região onde os Baltas podem estar presentes, conseguindo chegar na ponte por cima. Estranhamente, não encontra oposição no lugar.

    O rapaz senta numa pedra próxima, enquanto deixa uma lança de prontidão e usa o escudo para proteger a cabeça da chuva. Ele permanece ali por minutos, esperando o rapaz voltar e observando os arredores.

    A chuva continua forte e extensa por pelo menos uma hora. Dartaul começa a ficar preocupado. O vilarejo esteve silencioso até aquele minuto, quando um grito é ouvido de dentro dele. Os próximos minutos são seguidos de muita gritaria, golpes de espadas e sons estranhos. O lanceiro consegue notar uma pessoa tentando fugir de lá, mas em resposta, seu peito explode e ela cai sobre a mureta da ponte, numa cena grotesca e sangrenta.

    Dartaul não sai do lugar. Ele precisa continuar esperando pelo amigo, mesmo que isso custasse a vida do vilarejo de Rookgaard. Outras pessoas tentaram escapar, mas tiveram destinos parecidos, seja com regiões dos seus corpos explodindo, seja por facas lançadas contra elas. O sangue parece já dominar as áreas mais altas da cidade, além de tingir regiões da ponte de saída de vermelho.

    Passam-se duas horas. O vilarejo volta a ficar em silêncio. Seu amigo não retornou. Ninguém nas redondezas. A chuva continua.

    Três horas. A chuva mudou. Ao invés de cair água, está caindo sangue. Ele está sujo de sangue, tremendo de frio e com um mínimo de esperança. Sua lança está no chão, seu escudo também, assim como sua coragem. Ninguém mais apareceu durante todo aquele tempo. Dartaul possui a sensação de que era o único vivo naquela ilha.

    Sete horas. A noite assola aquelas terras, mas a chuva já havia passado. Dartaul está caído no chão, coberto de sangue que não é seu. Alguém com uma capa longa cobrindo o corpo, e encapuzado, se aproxima dele. Então, num instante, ele nota o que está acontecendo.

    Ele está sonhando.

    Dartaul abre os olhos. Ele vê que está dentro de seu quarto, no Arsenal dos Ratos, deitado de lado. Junto a ele, está Aika, que se encontra adormecida.

    — De novo esse sonho... — Sussurra Dartaul, voltando a fechar os olhos para tentar adormecer novamente.


    ~*~


    Já havia se passado pelo menos uma hora desde que todos debandaram e foram para seus quartos, com exceção da jornalista Zoe, que voltou para sua casa escoltada por alguns soldados. Na cozinha, em frente ao balcão, estão sentados Nightcrawler e Borges, bebendo. O lugar possui um balcão branco, onde por trás dele há vários armários pequenos na parede. Do outro lado, há algumas mesas com cadeiras, e na direita de onde estavam, estava dois fogões, uma pia com uma torneira e mais armários de madeira guardando comida.

    O detetive está usando bandagens pelo rosto, elas estão levemente sujas de sangue. Há apenas uma abertura para a região ao redor da sua boca até o pescoço, onde sua pele parece um pouco queimada e escura. Sua barba rala não foi feita ainda. Borges não parece curioso sobre isso, apenas está bebendo sua cerveja enquanto observa o prato onde comeu tempos atrás com o mascarado.

    — Ei, descobri umas coisas sobre o rapazinho que te acompanha. — Comenta Nightcrawler, quebrando o silêncio — Estou impressionado, de verdade.
    — Hm? Tipo o quê?
    — Tipo que ele era de uma guilda famosa quando esteve em Rookgaard e saiu nove anos atrás. O nome dela é Grimuar.

    Borges toma um semblante sério.

    — Grimuar não foi a guilda que virou Thais de cabeça pra baixo quando entrou em guerra com a Rosa Vermelha?
    — Essa mesma. Depois disso, eles venceram e a guilda perdedora se dividiu em várias. Uma delas era a Baltas, que causou problemas pros representantes de Grimuar em Rookgaard.
    — Porra... Pra ele ter sido parte dessa guilda, quer dizer que é verdade que ele é um paladino de mão cheia.
    — E se é. Ele lutou ao lado de Charlew Iyark Frotesis, que é conhecido por ser um dos mais habilidosos tibianos que já passou em Rookgaard. Eles eram amigos, creio eu. Mas essa briguinha entre grupos acabou quando alguém pegou a Espada da Fúria e 202 pessoas morreram no vilarejo. Isso seria 95% da população da ilha na época.

    Borges toma uma expressão de horror, mas a desfaz rapidamente e toma um gole longo de sua bebida.

    — Dartaul estava lá? Como ele sobreviveu?
    — Não faço ideia. Mas só o fato dele ter sobrevivido trouxe reputação forte para ele. Mas ele recusou a proposta de se tornar um paladino em serviço de Thais e se graduou na universidade de Fibula para entrar na perícia anos depois... Como investigador.
    — Entendo... Como descobriu essas coisas?
    — Tsc. Eu sou a noite, e ela é cheia de mistérios. — Disse o detetive, sorrindo.
    — Arrogante de merda.
    — Só não achei muita coisa sobre você, Borges. Está ocultando identidade também?
    — Lógico que não, senão eu nem seria chefe de escritório.

    O homem termina de beber sua cerveja e coloca-a no balcão. Então, cruza os braços sobre ele.

    — Mas se quiser, eu conto um pouco pra você.







    Próximo: Capítulo 18 – Pecado



    Notas:
    * Tradução livre para Studded Legs, bem como os outros itens mencionados da mesma forma.

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    Última edição por CarlosLendario; 15-02-2017 às 12:13.



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