Resultados 1 a 10 de 185

Tópico: Bloodtrip

Hybrid View

Post Anterior Post Anterior   Próximo Post Próximo Post
  1. #1
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.376
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão Capítulo 18 - Pecado

    Spoiler: Respostas aos Comentários



    Impressionante, mais um spoiler. Quando lancei o capítulo, senti falta de comentários por dois dias, e de repente vem vários. Continuem assim




    Bem galera, este capítulo é longo, porém, serve para anunciar que o clímax da história está bem próximo e que Bloodtrip não é e jamais será leve! Preparem-se e boa leitura!




    No capítulo anterior:
    Dartaul sonha com algo do seu passado, quando fazia parte de uma poderosa guilda de aventureiros e caçava aventuras com seu amigo, Charlew. Sua guilda ia atrás da Espada da Fúria quando uma guilda rival complica seus planos e os força a lutar, resultando em vários mortos. No final, Dartaul acaba sozinho numa parte da ilha enquanto dezenas de pessoas são mortas dentro da vila e ao redor da ilha. Após o sonho, Borges decide relembrar seu passado.




    Capítulo 18 – Pecado



    A Guarnição Thaiana possui vários setores no subsolo, inacessíveis para civis ou até mesmo pros tibianos mais poderosos. Existem quatro deles para a perícia, um deles analisa as armas de um crime de forma minuciosa e atenta, utilizando de artifícios diversos para tal.

    O setor é dividido em oito salas ao longo do corredor, além de uma sala no fundo, com um número de vinte mesas com funcionários recebendo Mensagens Rápidas Mentalizadas, ou MRM. É um dispositivo cujo lembra um rádio, porém mais largo, além de possuir fones para eles ouvirem. Os ouvintes, como são chamados, escrevem sobre livros o que ouviram, sempre no lado esquerdo. Em seguida, eles escrevem no lado direito o que precisam falar, e a mensagem vai para quem está no outro lado, que também possui um dispositivo do tipo. Apesar de complexo, é rápido, e para pessoas como os peritos da guarnição, é preciso agilidade.

    Há cinco escritórios no fundo da sala, são os chefes das mesas, bem como dos peritos analisadores dos crimes. Essas pessoas também podem ajudar os peritos com alguns dos casos, como o rapaz que está na terceira sala analisando a arma de um crime um tanto complicado.

    — Vocês falam desse caso como se fosse o do Eclipse Solar. Mostrem a arma do crime, se não me impressionar, boto um de vocês na rua. — Disse o rapaz, sério e de braços cruzados. De casaco marrom, camisa branca e gravata escura, calças e sapatos sociais e marrons, além de uma faca longa embainhada na cintura, Borges chefia o caso e ajuda-os como possível.

    Um rapaz de cabelos longos presos num rabo de cavalo, com uma barba rala e aparência jovial, chama alguém do lado de fora da sala. Este traz algo com certa dificuldade, ocultado por um pano. Ele coloca-o sobre a mesa no centro, iluminada por uma bola de cristal com uma magia de iluminação dentro, suspendida e presa por cabos de ferro nos cantos da sala.

    Borges retira o pano e se surpreende. É um escudo de aparência complexa, preto e branco.

    — Representações de caveiras... Um monstro no centro... — Disse Borges, enquanto pega duas luvas de pano num balcão logo atrás dele. Há dois balcões, um atrás dele e um atrás dos quatro rapazes na sala. Ao colocar, ele tenta analisar a superfície do objeto — Isso no centro é realmente um monstro, e isso são presas... Uma boca aberta, feita de ossos, uma superfície feita de um minério escuro... Espera, espera! Isso é um escudo! Como alguém mata outro com um escudo?
    — Bem, você mencionou aquele caso, então não deveria se surpreender. — Disse o rapaz de rabo de cavalo. — Além disso, tem essas pontas nas bordas, note que estão sujas de sangue.
    — Não me diga, Bert. — Caçoa Borges, levantando uma sobrancelha. Bert sorri de canto, mas mantém a atenção — Esse escudo é um Escudo de Necromante, prêmio para quem fecha o Desafio dos Sonhos e se junta a Irmandade dos Ossos. É um item raríssimo, devo dizer. É bem feito, apesar do gosto peculiar.

    Minutos de silêncio seguem enquanto Borges analisa a estrutura e faz algumas anotações num bloco de notas. Um dos peritos também faz anotações sobre o que está acontecendo em outro bloco. Este perito, assim como os outros, veste-se de uma camisa vermelho-escuro e calças cinza-escuras.

    — Bem, como eu disse, é um item raro da Irmandade dos Ossos. Essa irmandade mal existe mais, apenas alguns aventureiros malucos aceitam se juntar a ela. Como dá pra ver, as presas, bem como a estrutura do centro foi usada para acertar a vítima. A julgar pelo modo que o sangue foi espirrado, foram golpes no pescoço, fatais para qualquer pessoa. O mais impressionante é que este item segue intocável, provavelmente ele não é feito de ossos de fato.

    Um dos peritos, um homem com cabelo ralo, já na casa dos trinta anos, analisa com luvas a estrutura. Ele vira para a luz as regiões cobertas por sangue.

    — Este sangue indica que o assassinato foi cometido há alguns dias, talvez três ou quatro. O objeto foi coletado da cena do crime no mesmo dia que este ocorreu. — Disse Bert, sério — Além disso, nenhum corpo foi encontrado, o que torna tudo pior.

    O escuro é virado de lado devagar. Borges pega um frasco pequeno com um pó semelhante a enxofre, porém, bem mais claro. Ele pega um pouco e espalha levemente por trás do item. Após alguns instantes, marcas são reveladas em uma cor levemente azulada.

    — As digitais do assassino. — Disse o rapaz de rabo de cavalo, coçando o queixo.
    — Não, Bert. Se eu fosse o assassino e tivesse uma coisa dessas pra matar um cara indefeso no chão, eu o mataria segurando de outra forma. — Disse Borges, pegando do pó e jogando sobre os lados do item. Digitais são reveladas, em cor mais escura.
    — Oh... Desculpe, falha minha.
    — Você se concentra demais no lógico. E veja só, digitais mais recentes. Temos duas teorias aí: A que o dono do escudo teve ele roubado pelo assassino e que o assassino usou-o para matá-lo, ou que este escudo foi roubado e usado para um assassinato.
    — Bons palpites. — Disse um dos peritos, o que trouxe o objeto. Ele possui cabelos bem baixos, mas possui uma espessa barba ruivo-escura. — Alguns dos peritos acreditaram mais no primeiro palpite logo no dia do crime. Mas agora que você disse Borges, provavelmente é isso aí mesmo.
    — Tô te falando, Alfonso. Sei das coisas. Porém, ainda temos que investigar. Registrem as digitais e guardem o item, preciso ir.
    — Ah, a festa, né?
    — Isso aí.

    Borges sai da sala enquanto os peritos desejam-lhe uma boa festa. Ele sai do setor rapidamente, usando as escadarias até o andar térreo. Ele chega um tanto cansado, mas continua andando. Ele se despede de Gregor e alguns cavaleiros que estavam por ali e segue para fora, em direção do sul de Thais.

    Borges já possuía trinta e cinco anos. Sua vida adulta começou cedo, casando-se com dezenove anos e cuidando de sua esposa como pôde. Naquela época, ele ainda não era muito gordo, apenas um pouco cheio, dispensando a barriga cheia e sem calvície.

    Ele segue normalmente, passando por diversos aventureiros, civis e soldados em seu caminho. O centro do continente, Thais, é um local diversificado, de muitas pessoas, muitas culturas, muitos povos, todos almejando dinheiro e um lugar bom para viver. Naquela noite, o movimento é maior, com pessoas voltando para suas casas aos montes.

    O rapaz chega em sua casa num dos vários bairros residenciais da capital. Ela possui um andar, bem como as outras da rua, e cores bege-claras em suas paredes. Ele abre a porta de madeira e já nota seus dois filhos se preparando para a festa de aniversário.

    — Papai! — Grita os dois, correndo até o homem. — Feliz aniversário!

    Os dois o abraçam e ele retribui. Ele vai entrando e fecha a porta de casa, e logo é puxado pelos filhos para a mesa na sala, onde está um bolo relativamente grande com uma vela e algumas garrafas de suco ou cerveja.

    Seus dois filhos possuem mais de dez anos. O mais velho é um rapaz de quatorze anos, magro, mas possui marcas de trabalho nas mãos e braços, indicando que não é fraco. Tem cabelos castanho-escuros e baixos, olhos verdes e pele branca, um pouco escurecida pelo sol. A mais nova é uma garota de doze anos, igualmente magra, possui cabelos castanho-claros presos num rabo de cavalo, além de também possuir olhos verdes e nariz e boca finos.

    Juntos, eles cantam feliz aniversário para Borges, que assiste sorrindo. O estresse do trabalho raramente permitia que ele visse cenas assim. Seus dois filhos eram alegres e, enquanto o rapaz trabalha nos campos no leste, a filha estuda numa escola em Greenshore. Borges preferia trabalhar sozinho e deixar seus dois filhos na escola, mas como sua esposa morreu anos atrás, não podia mais se dar a esse luxo.

    — Faça um pedido, papai! — Disse sua filha, com um largo sorriso no rosto.

    Borges sorri e aproxima-se da mesa, em seguida soprando a vela.

    — Você não pediu nada!
    — Já tenho tudo o que preciso, Tessa. Não preciso de mais nada.
    — E o que é?
    — Ora, tá na cara! Meus filhos, minha casa, meu trabalho, dinheiro para alimentá-los e dar o que vocês precisam. Claro que gostaria que o Teo não precisasse mais trabalhar, mas eu apoio que ele continue por hora. É sua preparação como homem, filho.
    — Que papo estranho... — Balbucia Teo, um pouco cabisbaixo.
    — Com o tempo você entende. Agora, vamos comer. — Disse Borges, pegando um dos pratos da mesa e uma faca para cortar o bolo.

    Após algum tempo, Borges está com seus filhos na sala, num sofá azul, contando histórias que ouve na guarnição. Os dois se interessam muito sobre os casos que a perícia precisa resolver, e se interessam bastante por investigação policial, chegando até a tentar sugerir algumas coisas para Borges, algo que ele vez ou outra leva em consideração.

    — E o caso de hoje, bem, papai não achou muita coisa. Apenas um escudo feito de ossos usado para matar alguém. — Disse Borges. Seus filhos não se importam com palavras como “matar”, “homicídio” ou “suicídio”, dentre tantas outras. Eles lidam bem com a realidade.
    — Um escudo de osso? Eu nunca vi um... — Disse Teo, um tanto avoado.
    — Quando der, eu levo vocês lá para que vejam esses itens. São bem legais.
    — Sério? — Gritam as crianças, em uníssono.
    — Claro! Apenas verei um dia em que dê para levar vocês.

    Alguém bate na porta. Borges se levanta num instante e vai prontamente até ela, abrindo-a lentamente. Do lado de fora está Bert, com um fichário entre o braço direito. Lá fora, a noite cobre a capital, mas ela resiste com seus muitos postes de luz.

    — Bert? O que foi?
    — Boa noite, chefe. Desculpe te incomodar no seu aniversário, mas gostaria que visse algo. É rápido.
    — Pois fale, então.
    — Tenho plenas suspeitas a respeito do escudo. Um homem estranho vive numa cabana ao norte do Monte Sternum, e é amigo de Lubo, o rapaz que fica na estrada para a Ponte dos Reis. Parece que ele era o dono e foi roubado por alguém nas redondezas. Mas, sabe como é, não encontramos nem corpo nem responsável, então...
    — Entendo. — Disse Borges, pedindo o fichário com a mão estendida e recebendo-o. Ele começa a ler atentamente.
    — As características do escudo e a perícia chegaram num possível resultado, que pode ser do dono da cabana ao norte. O que sugere?

    No fichário, há um desenho do possível dono, um homem que vive de capuz e possui detalhes comuns de um cidadão.

    — Guarde isso, por enquanto. Quando os superiores permitirem, iremos fazer uma investigação no local e questionar o suspeito.
    — Não entendo, Borges... Você tem poder para isso, basta conversar com os outros chefes de escritório para tocar esse caso pra frente. Está tudo muito suspeito para demorarmos tanto...
    — E é justamente por estar muito suspeito que agiremos com cautela. Agora, vá para casa, Bert. Tenho certeza que Abigail está sentindo sua falta.
    — Não tenho tanta certeza disso...
    — Ah, garoto. Pare de ser tão frustrado. Apesar do ocorrido, tenho certeza que ela ainda está bem e te vendo com os mesmos olhos de sempre.
    — Gostaria que meu filho tivesse nascido... Eu estaria melhor do que agora, Borges. Muito melhor. Mais disposto. Mas esse caso está reacendendo minha chama, por isso, peço que você dê prioridade a ele, por favor!

    Borges sente uma pontada de pena e culpa. Não se sentiria tão bem fazendo o rapaz parar de se dedicar ao caso, mas ao mesmo tempo, sentia que deveria dar um limite para que não ocorresse outra fatalidade.

    — Pois bem, pode reunir três investigadores para o caso. Mas faça-o amanhã! Hoje você precisa finalizar alguns serviços e então ir até a sua esposa.
    — Certo, chefe. Obrigado!
    — De nada. Agora, até mais.
    — Até mais! Traz uns pedaços do bolo amanhã!

    Borges se despede do rapaz com um aperto de mão e um sorriso, e devolve o fichário. Ele fecha a porta e volta para os seus filhos.

    — Muito bem! Vão dormir, que amanhã há coisas para se fazer.
    — Ahh! Achei que íamos ficar até mais tarde hoje!
    — Não, sem exceções. Quem dorme cedo garante um futuro brilhante. Vamos lá!

    Apesar de decepcionadas, as crianças seguem para o andar acima, indo para o quarto deles. Lá, Borges cobre-os com cobertas em suas camas, ambas de madeira e bem resistentes e cuidadas. Ambas cobertas são brancas.

    — Boa noite, rapazinhos. Obrigado por hoje. — Disse Borges, com um sorriso no rosto.
    — Boa noite, pai! — Disse ambos, também alegres e sorridentes.

    Borges sai e fecha a porta, dirigindo-se para o banheiro ao lado do seu quarto, visando pegar um balde para um banho. Enquanto isso, os dois jovens dentro do quarto acendem uma vela, aparentemente querendo ficar mais tempo acordados.

    — Ei, Tessa. — Sussurra Teo, de olhos fixos na menina.
    — O que foi?
    — Podemos continuar aquela brincadeira?
    — Claro! Estava esperando... — Murmura a garota, sorrindo timidamente.


    ~*~


    Três dias se passam. Borges está em seu escritório, cujo possui paredes e teto de madeira maciça, uma mesa na ponta feita do mesmo material, piso de pedras laminadas, além de ser iluminado por uma lâmpada no teto com uma magia de iluminação dentro. O homem escreve relatórios apressadamente, com certa preocupação.

    Alguém abre a porta da sala. O mesmo homem de cabelo ralo de antes surge na sala, perplexo.

    — Senhor!
    — O quê? Acharam Bert?
    — Parece que sim! Venha comigo, tem cavalos a nossa espera!

    Borges parece bastante perplexo. Quando há cavalos esperando por investigadores, nunca é algo bom. Mesmo intimidado, ele se levanta e segue o rapaz até o lado de fora da guarnição, onde, de fato, há dois cavalos esperando-os.

    Em plena velocidade, a dupla passa a ser escoltada por alguns soldados thaianos. Eles seguem para o norte da capital, onde está o Monte Sternum. Borges começa a se lembrar de como Bert sempre foi esforçado e que certamente não descansaria sem conseguir descobrir mais sobre um caso em que ele está envolvido. O rapaz é um grande companheiro de Borges e o homem o conhece bem, inclusive sobre seu passado. E há três dias, o rapaz acabou sumido.

    Finalmente, após meia hora, eles chegam até o local. O que veem muda suas vidas para sempre.

    Dezenas de guardas estão em volta de uma cena brutal. Dez ciclopes estão empalados com lanças de corais vermelhos ao redor da cabana do antigo suspeito. Suas costelas foram arrancadas fora pelos lados, que estão abertos e com vermes alimentando-se da carne já um tanto podre. Os três primeiros, na entrada, possuem três cabeças presas com estacas abaixo da cintura, que pertenciam aos mesmos peritos que estavam naquela sala com Borges. Seus rostos horrorizados e mortos dão uma característica de terror muito mais viva a cena.

    Na porta da cabana, está Bert, também morto. Ele parece empalado, e seu corpo não possui os braços, possui uma perna e ela está ajudando-o a se empalar. Ele parece um espeto, sustentado por uma lança fina de pedras de coral ensanguentadas. A cabana está cheia de sangue e possui os corações dos peritos pregados em locais aleatórios com lanças de coral.

    Ao ver aquela cena, Borges desce de seu cavalo e se senta numa pedra próxima. Horrorizado, ele afunda o rosto em suas mãos, enquanto o rapaz que o acompanha se afasta da cena e evita olhar algo. Um soldado, aparentemente um tenente, aproxima-se de Borges.

    — Você é o investigador-chefe e chefe de escritório Borges Suzano, estou certo?
    — S-Sim...
    — Sou Aegherlaf Tios, Tenente de Guarda da 2º Guarnição Thaiana. O caso foi pior do que imaginamos. Não sei todos os detalhes, mas peço que me acompanhe até a entrada do Monte Sternum. Uma base foi formada ali para investigar o caso.

    Borges se levanta e segue até o local determinado, sem olhar para trás. O tenente o acompanha com uma mão em suas costas, incentivando-o a continuar andando. Ao chegar lá, encontram uma mesa de madeira com três cadeiras, contendo três sargentos, vestidos com casacos vermelhos e calças negras. Um detetive de sobretudo verde-claro e cabelos ruivos e longos, um tanto jovem, lê um pergaminho escrito por um dos sargentos sobre o caso, e nota a aproximação do tenente e do investigador-chefe, fechando o arquivo em seguida.

    — Borges, meu nome é Duzes Limorty, um detetive da 3º Guarnição. As duas guarnições estão unidas aqui para investigar o caso. Você conhecia os indivíduos mortos, não é?

    Borges assente com a cabeça, sem falar nada.

    — Pois bem. O caso não está plenamente resolvido, mas descobrimos algumas coisas que parecem ser parte da investigação da sua guarnição. Parece que Lubo e Lionel, o rapaz que morava naquela cabana, estão desaparecidos. Uma figura desconhecida confrontou os dois, e Lubo atraiu os ciclopes para cá para tentar matá-lo ao mesmo tempo em que os investigadores estavam aqui. Todos foram mortos, com exceção destes dois. A maior probabilidade é de sequestro.

    O homem coloca uma mão na testa, ainda horrorizado. Duzes parece notar que o rapaz não está bem.

    — Bem... Queríamos um testemunho seu, mas acho melhor você voltar pra casa. Está entardecendo, é livre para voltar. Deixarei o caso nas mãos de Orann, segundo investigador-chefe da sua unidade, mas apenas por enquanto.
    — Bert... Alfonso... Pedro... Todos eles eram valorosos peritos e investigadores...
    — Eu entendo. Reconheço a habilidade deles.
    — Você não entende, rapaz. Eles eram meus amigos. Depois do expediente, tínhamos o costume de ir tomar umas geladas, esfriar a cabeça. Aí agora os caras estão ali, mortos, servindo de arte pra sociopatas. — Balbucia Borges, com voz de choro. Estava no seu limite. O detetive se mantém quieto, bem como os sargentos. — E além de tudo, vocês me dizem que não sabem nem quem foi o filho da puta que os matou... Aqueles caras tinham um futuro brilhante, porra! Tinham esposa, filhos! Família! Eles sumiram por três dias e finalmente depois de tanta burocracia, vocês decidem procurar por eles e ainda me dizem que não sabem quem foi o responsável?
    — Sr. Borges, é de suma importância que você entenda que...
    — Entender o quê? — Gagueja Borges, já chorando — Entender o quê, seu cuzão do caralho? Que seu pai é chifrado todo santo dia quando sai pra trabalhar pela puta da sua mãe? Olha pra você! Um moleque prodígio que já é detetive, sendo que mal viveu a vida, tentando me fazer entender alguma coisa?

    O detetive fica calado novamente, assim como os sargentos. Eles entendiam o estado de Borges e não queriam impedi-lo.

    — Vivi e sofri muito nessa vida pra chegar onde estou! Perdi minha esposa, quase fui morto pelo meu irmão, tentei dar inúmeras lições pros meus colegas de trabalho para não serem que nem eu! E olha lá, olha lá, seu arrombado! Olha pra aquela cabana, para aqueles ciclopes! Pros meus companheiros mortos cobrindo o pau daqueles gigantes com o que restou do corpo deles e do meu amigo parecendo um espetinho de carne! Quer dizer que, depois de tudo isso, ainda tenho que entender que vocês são incompetentes demais pra resolver um crime em aberto já tem uma semana?

    Alguns oficiais e investigadores se reúnem ao redor deles para ouvir o desabafo profundo de Borges. Ele continua chorando e tentando segurar o choro, em vão.

    — Foda-se essa merda... Tô de saco cheio. — Murmura Borges, dando as costas para eles e indo embora dali. Ele abre caminho pelos oficiais aos empurrões e segue até o cavalo que deixaram para ele, monta-o e vai para Thais. O tenente tentou pará-lo, mas foi em vão.

    Ele segue até a guarnição, no leste da cidade. Lá, ele deixa o cavalo aos cuidados de um cabo e alguns recrutas nas proximidades e segue caminho para a sua casa, sem olhar para trás. Em passos largos, ele segue até a sua casa, e ao chegar nela, sente o cansaço e nota como está horrível. Ele limpa suas lágrimas usando sua camisa e tenta não parecer triste, para não preocupar seus filhos, que já haviam chegado em casa.

    O investigador pega sua chave e abre a porta. Ao entrar, ele não encontra seus filhos, e decide surpreendê-los, para não parecer que está abalado, por mais que esteja. Um sentimento ruim cobre seu coração e o aperta, mas ele luta contra isso para não demonstrar aos seus filhos. Borges fecha devagar a porta e sobe com calma as escadas, indo até o quarto deles. Ao entrar, ele nota que seu dia não acabou ainda.

    Borges encontra-os abraçados por debaixo das cobertas, se beijando. Eles param subitamente ao notar seu pai na porta, ainda com a chave na mão, deixando-a a cair. Naquela altura, ele já não sentia mais nada. Apenas fita-os com um olhar sombrio e aterrorizante.

    — O... Q-Que vocês... Estão fazendo... — Tartamudeia Borges, sem conseguir terminar direito a frase.
    — O que sempre quisemos, pai! — Disse Teo, determinado, afastando-se para o lado. O investigador repara que ambos estão nus.
    — O que vocês sempre quiseram... Timóteo?
    — Ficarmos juntos! — Responde rispidamente Tessa, também determinada, ficando mais próxima do rapaz — Somos namorados, papai! E nada do que você disser irá mudar isso!

    O mundo de Borges desaba. Mais uma vez uma sequência de eventos destrutivos se inicia em sua vida. Sem conseguir resistir, ele ajoelha-se e abaixa a cabeça. As lágrimas caem de seu rosto involuntariamente, enquanto seu coração se aperta e bate rápido, e seu estomago se revira. Seus olhos estão bem abertos e fixos no chão, enquanto ele desembainha uma faca na sua cintura, característica dos investigadores thaianos.

    Mas ele não conseguiu fazer nada, senão assistir seus filhos pegarem duas malas prontas há tempos e fugirem daquela casa, deixando-o sozinho.

    ~*~


    —... E foi isso. O pior dia da minha vida resumido para você, Nightcrawler.

    O detetive fica quieto por uns instantes. E então, puxa um copo do seu lado do balcão, a garrafa de uísque que tinha pegado enquanto ouvia a história, e enche o copo novamente. Ele toma um gole rápido e coloca o copo de volta no balcão, suspirando forte.

    — Caralho. Digno de um best-seller de drama.
    — Concordo. Hoje em dia já não ligo mais pra isso.
    — Tá, mas e aí? O que você fez depois que pegou a faca?
    — Só peguei e fiquei olhando para ela. Me mataria? Mataria meus filhos? Eu não sabia o que fazer. Eu estava destruído, em choque. Sei é que os dois pegaram duas malas que tinham preparado antes e fugiram. Eu fiquei duas horas pensando no que ia fazer enquanto estava no escuro do quarto dos meus filhos. Eu nunca mais os vi.

    Nightcrawler se levanta com o copo de uísque e liga um rádio no armário atrás dele. O dispositivo é mediano, parecido com o que se encontra no quarto de Dartaul.

    — Porra... Que diabo, hein, Borges Suzano. Eu soube desse caso dos ciclopes empalados. O responsável é provavelmente um membro da Irmandade do Caminho de Sangue. Parece que esse Lionel tentou matá-lo e ele fez sua provação pra se juntar a eles fazendo aquilo. Não sei quem é, mas é um dos melhores. E não me leve tão a sério, é um palpite.

    Borges parece surpreso, mas não demonstra isso direito.

    — De qualquer forma, deixe que eu mate esse filho da puta quando ele aparecer.
    — Com certeza. Tenho uma suspeita, no dia do plano provavelmente veremos ele.

    O rádio é sincronizado numa estação de notícias. Uma delas parece roubar a atenção de ambos.

    Atenção! Movimento forte da Guarnição Thaiana no Monte Sternum! Exército mobilizado! O monte está sendo pintado de sangue, ciclopes mortos como se fossem insetos! O que será que está acontecendo?

    Nightcrawler abaixa o volume do rádio e olha para Borges. Os dois pensam a mesma coisa.

    — Mudança de planos. Começaremos amanhã.





    Próximo: Capítulo 19 – Ratos Relutantes

    Publicidade:


    Jogue Tibia sem mensalidades!
    Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR.
    https://taleon.online
    Última edição por CarlosLendario; 16-02-2017 às 02:29.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ YouTube ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉



Permissões de Postagem

  • Você não pode iniciar novos tópicos
  • Você não pode enviar respostas
  • Você não pode enviar anexos
  • Você não pode editar suas mensagens
  •