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Tópico: Bloodtrip

  1. #61
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Padrão Capítulo 14 - Manchas

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    Eita, dois capítulos seguidos sem lutas sanguinárias? Tô prevendo uma treta daquelas nos próximos kkkk.

    Interessante o capítulo, Carlos. Não consigo gostar do Nightcrawler de jeito nenhum, mesmo quando concordo com ele... Bom, talvez mude de ideia quando conhecer mais de seu passado, traumas e motivações; esperarei um pouco pra julgá-lo.

    O Alayen, que conversa igual os mano da quebrada, teve uma participação interessante no capítulo, estando em vários dos diálogos do texto. Desconfio muito da relação dele com o Crawler, além dos efeitos do pulsante que se manifestaram levemente nele... Aí tem coisa.

    Já a Aika, ficou ainda mais misteriosa. Achei bacana ela desenvolver técnicas tanto de druidas quanto de sorcerers, mostra que é uma personagem bem promissora. As frases que ela disse durante a possessão, esse "me ajude!" aí no final... Se pensei certo, vieram mais dicas sobre o funcionamento do pulsante aí. Vou esperar um pouco mais pra tirar conclusões.

    Continue animado a escrever, tô gostando bastante da história até aqui. Ela tem tudo pra se tornar uma grande obra.

    Abraço!
    Dá-lhe Edge. Agradeço pela sua presença constante, o post ficou vazio por dois dias e achei que ninguém mais se interessava por essa história.paranoic intensifies

    Você deu suas impressões até o momento dos personagens que tem sido mais importantes até agora na trama. Nightcrawler terá seu passado revelado ainda e talvez você consiga gostar mais dele; Alayen ainda terá mais utilidades na história; E Aika está servindo para dar dicas sobre a Irmandade e sobre o pulsante, como você disse. acertou miseravi

    Bem, obrigado pelos elogios e espero que goste desse capítulo. Tentarei manter a frequência o máximo possível.

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Bom, em minha ausência o Carlão já procede com mais 2~3 capítulos. Que coisa heim, só me falta a animação pra escrever no mesmo ritmo que você

    Ótimos capítulos. Não pensei na possibilidade da Zoe, de Aika ter uma irmã gêmea... Faz sentido. Nightcrawler já prevendo a m*rda toda, mandando cercar o fuckin quarteirão; tenho certeza que você imaginou muitas coisas mirabolantes pros próximos capítulos, e peixe grande indo pra Yalahar com sangue nos zóios( em todos os sentidos, se me perdoar a piada)...

    O passado de Dartaul em Rookgaard... De cabeça só me lembro de uma história que não tenha dado uma m*rda grande em Rookgaard( Dan, da Cidade de Carlin); pela recusa de Dartaul de falar sobre, no mínimo aconteceu algo ruim do nível Voz do Vento... Ou te conhecendo, algo nível Character´s History

    MUITO INTERESSANTE essas frases da Aika:



    Depois eu edito com minhas impressões...

    Enfim, só para finalizar: atente para as palavras empregadas. Pode ser birra minha( como foi em diversos comentários meus na história), mas:



    Cuidado. Talvez substituir boiola por algo mais... Bem colocado, ainda mais se tratando do Nightcrawler, seria melhor.

    É isso aí. Abração Carlão.
    Diga aí Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    O futuro da história está planejado, então só me resta escrevê-lo. Dessa forma, terminarei ela mais rápido, conseguindo atingir meu objetivo de ser uma história rápida, de uns 30 capítulos.(30 capitulos é rapido sim não fode)

    O passado de Dartaul será tratado em um ou dois capítulos futuros, creio que dará tempo de mostrar o passado dos personagens mais importantes em diversos cortes, dependendo das situações. Parecido com o que eu fiz com o Nightcrawler.

    Alayen falou um termo pouco colocado mesmo, mas a intenção é que ele seja parecido com o Borges, um cara mais descolado, malandro e tal. Por isso me dei a liberdade de colocar algo assim nessa linha.

    Espero que goste desse capítulo!

    Citação Postado originalmente por Manteiga Ver Post
    HÁ, dessa vez perdi só dois, não três. Estou ficando bom nisso.

    Bom, como de praxe, vou me focar mais no último capítulo que você postou, já que o anterior já recebeu mais atenção. Acho que você ficará feliz em saber que não vou quotar o capítulo inteiro e fazer o doido que aponta todos os erros que nem da última vez HAHAHA, por que este capítulo teve uma quantidade subtancialmente menor de errinhos, então não acho que compense quotar tudo. A maioria dos erros são uns acentos que faltam, palavras repetidas, letras que foram comidas ou adicionadas onde não deveriam e alguns verbos com conjugação estranha, mas acho que se você reler o capítulo com mais calma deve conseguir identificar todos. Não tem nada muito gritante e nem que atrapalhe a leitura.

    Achei esses últimos capítulos meio mornos... Acabei me acostumando com a ação presente nos capítulos anteriores, então acho que comecei a sentir um pouco de falta do excesso de sangue e de geral morrendo. Mas tenho a impressão que estamos na calmaria antes de uma tempestade, certo? Pelo que entendi dessa 'profecia' aí, muitas cabeças ainda vão rolar lol Tô doido pra ver.

    Enfim, no mar: bom trabalho com o Dartaul. Desde o começo ele tinha me chamado a atenção, e estou bastante contente por ele estar aparecendo mais e nos mostrando um outro lado dele. Acho que é um dos personagens com mais potencial da tua história, e gostaria muito de ver mais interações dele com o Crawler no futuro. Bom ver o Alayen interagindo com todo mundo também, gosto da personalidade dele. Só me pergunto se acabarmos sabendo mais sobre a Zoe ou se ela ao menos terá mais destaque no futuro; por enquanto estou sentindo ela meio solta no meio de todos eles. Talvez seja só impressão minha mesmo.

    Aguardando o(s) próximo(s) capítulo(s)! Quando você tiver postado uns 3-4 eu devo conseguir parar pra ler de novo HAHAAHSUYD
    Abraços!
    Grande Manteiga, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Eu fico feliz mesmo que não tenha um quote enorme falando de todos os meus erros eu estou tentando melhorar a escrita e me livrar desses errinhos.

    Fico feliz também que você esteja gostando tanto do Dartaul quanto do Alayen, são personagens que terão sua importância futuramente. A profecia de Aika também está indicando que muita merda vai acontecer nos próximos capítulos, e esses capítulos mornos estão apenas preparando os leitores pro que está por vir. Então, recomendo ficar pronto!

    Quanto a Zoe, ela também terá sua importância, pois tenho coisas planejadas pra ela e até pra filha dela. Então, aguarde e verá.

    Espero que goste do capítulo

    Citação Postado originalmente por Iridium Ver Post
    Saudações!

    Não curto muito o uso da palavra "shipp", mas aquela hora acabou saindo. Eu não curto muito fazer isso não, então relaxa que não vai ter e relaxa, eu não sou fujoshi. Por mais irônico que seja, eu não costumo imaginar casais gays em histórias que eu leio, e nem os faço em fanfics a não ser que a orientação sexual de um dado personagem tenha sido explicitada pelo autor de modo a me dar sinal verde. HAUEHUAEHAUHUEUHUA Mas, não costuma ser minha primeira opção. Fujoshis são MEIO perturbadoras pra mim kkkk. Prefiro ver se você fará os pares ou não. AHUEHAUEAHUEHU

    Puta, achei q tivesse perdido um cap, mas não perdi. Tudo está na normalidade HAEUEHUEHUHEAHEUEHU a tia tá meio loca do finds ainda, me ignore pfvr Segue jogo forístico!

    Enfim , o pessoal acima já falou o que eu tinha pra falar, então vou pro início do capítulo: a discussão sobre guerras e pontos de vista. Cara. Amei isso. Eu gosto MUITO do Nightcrawler por essa "crueza" que ele tem (que é diferente de crueldade); ele é realista, prático, crítico e levemente ácido. Ele é extremamente REAL, mesmo com habilidade surreais. Eu gosto dele por não querer "bancar o heroi", mesmo sendo o heroi em muitos momentos. De fato, ele e Borges são os personagens que eu mais gosto. Se o Nightcrawler é a face sombria da realidade, o Borges meio que é a escrachada, e as duas se complementam muito bem. Sem falar que eu adoro a sonoridade do nome "Borges" AHUEHAUEHUEHAEUHUEHUEH

    No mais, é isso. Até o próximo capítulo!



    Abraço,
    Iridium.
    Iri! Agradeço pelo comentário e pelos elogios.


    Acho bom que você não curta torcer por casalzinho. Não que eu não goste, mas vai que um deles morre. Não será bom, né? Então, recomendo não fazer isso, pois eu não tenho piedade.(E sim, fujoshis são perturbadoras e estranhas)

    Muito legal que você realmente goste do Nightcrawler e que tenha gostado dessa pequena discussão de pontos de vista. A propósito, você idealizou muito bem o detetive e Borges, não tinha pensado neles dessa forma. E o Borges, bem, ele é um cara mais "terceiro mundo" por assim dizer, faz piada das situações, adora beber e tira sarro de muitas coisas. Esse ponto dele ser a visão mais escrachada da realidade é realmente bem colocado, curti isso.

    Bem, os outros personagens também ganharão destaque, então espero que você goste deles também. Um deles é o Dartaul, que o pessoal já está curtindo e pensando no que ele fará no futuro.

    Bem, espero que você goste desse capítulo

    (Eu tenho te chamado de Iri por causa do modo que o Kiritsugu chama a Irisviel em Fate/Zero. Ele fala "Airi" e soa muito bem. O dublador dele é foda, mas não lembro o nome)







    Bem galera, vamos ao próximo capítulo! E lembre-se: A tempestade ainda não começou!



    No capítulo anterior:
    Aika rouba a atenção de todos com sua discussão com Nightcrawler e as frases que falou anteriormente. Enquanto isso, Alayen propõe que o pulsante não funciona em magos. Além disso, mais informações são descobertas sobre a maga, e mais uma coisa relacionada ao pulsante ocorre.




    Capítulo 14 – Manchas




    Baía da Liberdade. A noite é silenciosa e calma, mas o calor assola seus habitantes como as chibatas dos escravocratas da região.

    Próximo das extremidades da colônia thaiana, ao oeste, leste e norte, há vastos campos de cana-de-açúcar que tem sustentado a colônia, a vida das muitas pessoas do local, mas não sendo de bom beneficio para os escravos. Em sua maioria, homens, morenos e sem opções. Moram nos estábulos das casas espalhadas por aquela região, tendo como propriedade somente as calças surradas dos seus corpos.

    Próximo do litoral, no leste, jaz um destes supostos trabalhadores, com seu patrão de pé a sua frente. Ele ainda está vivo, porém, severamente machucado. Suas costas estão cheias de marcas de chibata, longas e profundas. O homem que o oprime veste-se de uma camisa branca e colete cinzento, ambos sociais, uma calça de boca de sino de tecido cor de salmão e um olhar de desprezo no rosto. Porta barba e bigode de moda entre os mais abastados da cidade, além de um cabelo bem penteado. O chapéu que costuma usar está em sua outra mão, e ele está suado o suficiente ter largado seu casaco que tem a mesma cor da calça no chão.

    — Que sirva-lhe de lição pelo seu trabalho porco. — Disse o homem, colocando o chapéu de volta na cabeça e enrolando o chicote — Se isso se repetir, farei pior, seu lixo. Tenha certeza disso.

    Ele vira o olhar para o mar. Subitamente nota um barco de madeira, um pouco podre, se aproximando do local. A neblina na área impede que ele veja quem está ali, mas quando o barco chega até a areia, ele se assusta, pois não há ninguém nele.

    Com certo medo, ele olha os arredores. Olhando para a sua cara logo atrás e o pequeno estábulo ao lado, nota-se algo estranho também: As luzes das tochas estão tremendo e estão um pouco vermelhas. Um vulto passa dentro da construção e depois nos estábulos, e após sua passagem, as tochas voltam ao normal.

    O dono de escravo suspira, aliviado, pensando que o pior pode ter passado. Ao olhar de volta para o escravo, a sensação vai embora, pois ele desapareceu. Logo ao virar para trás, ele dá de cara com o homem socando-o no rosto, em seguida tentando mordê-lo. Ele o afasta com toda a força que tem, sem entender o que o escravo está fazendo e de onde tirou tamanha força. Então, ele olha nos seus olhos, apenas para notar que eles estão com as veias pulando de tanto sangue passando por eles, além das pupilas terem sumido. A raiva está estampada em seu rosto como um cão que não come há dias.

    O patrão usa ao máximo sua chibata para puni-lo, chegando a fazê-lo cair no chão. Ele nota que há outros escravos saindo dos estábulos, armados com as armas que possuía dentro de um alçapão atrás do edifício, entretanto, sua movimentação é estranha. O homem ofegante começa a ficar desesperado e tira uma faca de dentro de seu colete para tentar matar o escravo caído.

    — Você! Você e sua laia conduziram uma rebelião contra mim! Mas mesmo que eu morra, Mão de Prata irá puni-los em nom-

    Abruptamente, o patrão para de falar. Isso porque ele foi atingido por um tiro praticamente a queima-roupa de um bacamarte*, de outro escravo, a sua direita, do qual ele não notou a aproximação. Toda a região acima de seu nariz foi explodida, jorrando sangue e miolos para todos os lados. Os escravos, antes parecidos com zumbis, agora entram num estado de pura fúria. Eles começam a se atacar, sem saber o que estão fazendo, usando de uma força inumana e habilidade altíssima.

    O escravo que caiu no chão se levanta e começa a berrar enquanto avançando sobre outro logo atrás dele. Este revida com uma garrucha, dando um tiro certeiro na sua cabeça. Entretanto, ele não cai, apenas dá alguns passos pra trás e continua avançando, tomando outro tiro no peito, mas conseguindo pular sobre o homem mesmo assim, socando seu rosto sem parar.

    Perto do estábulo, um escravo surge e atira uma faca sobre outro. Este em questão está próximo do que porta a bacamarte, e o mesmo tenta recarregá-la a todo custo, colocando a pólvora e socando-a com os dedos. Ao terminar, ele atira contra o que atirou a faca, que saia com um machete em mãos; O tiro dispara múltiplas balas e acerta outros dois homens no caminho, mas o dano maior foi no seu alvo.

    Outro em fúria, com um olho pra fora de seu rosto e inúmeros cortes de faca pelo corpo, além de muito ensanguentado, avança sobre o rapaz de bacamarte. Vendo que não tem tempo para recarregar, ele usa a parte de trás da arma para golpeá-lo, jogando-o no chão. Uma vez caído, ele recebe inúmeros golpes sobre a cabeça, estourando seu olho restante, abrindo mais a ferida no rosto e espalhando mais sangue, que, certamente, é o que menos falta naquele lugar.


    De cima da grande montanha ao lado da cidade, eles observam. Os responsáveis, vestidos de vermelho, com um capuz sobre o rosto e o corpo protegido por uma cobertura inteiramente feita para um manequim, veem o teatro de horrores no quintal daquela casa. Eles estão em dupla e olham com os braços cruzados a cena.

    — Certamente isso não é uma rebelião. — Comenta um deles. — Entretanto, devo intervir?
    — É claro que não, Redchain. — Responde o outro. Ele possui um símbolo de alma tribal na região do olho direito, brilhando em uma cor azulada, e o mesmo símbolo maior ainda no peito. Soulslayer. — Deve apenas observar. Observe, Redchain. Veja a natureza humana, nua e crua, sob o luar, em cores vivas. Veja o sangue deles jorrarem por culpa de seus próprios companheiros. Veja seus planos de se libertarem ir por água abaixo, pois eles não conhecem aliados além de si mesmos.

    Redchain possui um visual diferente dos outros. O tecido de seus braços é negro, assim como nas pernas. Ela usa uma saia longa e negra, além de seus pés parecem não existir de tão negros. Sua saia possui um visual peculiar, parecendo feita de papel dobrado. Suas mãos também parecem feitas de papel, com muitas pontas soltas, mas aquilo é uma manifestação de seu poder que ela própria faz. Seu capuz é mais longo e é vermelho, assim como toda a região do tronco.

    Ela olha para a cena logo abaixo dela e percebe que nenhum deles está morrendo – Ao menos, não ainda. Há, pelo menos, oito escravos se matando, tingindo o gramado de sangue. Percebendo que é inútil fazer alguma coisa, ela faz sua mão voltar ao normal.

    — Você fez um ótimo trabalho. Sua dominação está perfeita. Você pode, facilmente, conduzir viagens.
    — Obrigada, meu senhor.
    — Seu senhor é o seu sangue. Me chame de Souslayer.
    — Perdão.
    — Vamos indo. Há mais coisas para fazer.

    Os dois desapareceram em sangue.

    A mansão do norte da cidade é uma das mais características do lugar. Isso porque é a mansão do governante, o regente Percy Silverhand, a mais característica dos edifícios abastados da região, composta por paredes de mármore branco e limpo e ornamentos constituídos por joias nas entradas. Em seu interior, o governador já se encontra dormindo em sua cama, e sua filha, Eleonore, se encontra conversando com uma serviçal e uma guarda-costas particular antes de ir dormir.

    Eleonore possui cabelos negros e presos num coque, é magra, branca, tem olhos castanhos e nariz e boca finos e bem cuidados. No momento, está usando um vestido simples, de um rosa muito leve, quase branco, e pantufas brancas. A serviçal é morena e magra, alta, um tanto forte para seu porte, usa um vestido cinzento com um cinto de couro, seus cabelos negros são presos num rabo de cavalo. Já a guarda-costas é loira, alta, forte, branca, tem olhos castanhos e sérios e usa uma armadura de cavaleiro roxa com ombreiras e botas púrpuras. Usa uma espada de aço negro, no momento, embainhada. Ela é Isolda, a líder da guilda dos paladinos da cidade.

    O assunto que tratam parece descontraído, sem imaginar o que está acontecendo fora daquela harmoniosa mansão branca.

    — E então, ele escorregou e caiu! — Disse Eleonore, rindo junto das duas moças — Aquele cachorrinho é tão engraçado...
    — Eu queria um cachorro, sabe... Gostaria de viver em Svargrond com ele. — Comenta a cavaleira, distante.
    — Com Tristan, você diz?

    Isolda cora fortemente as faces, virando o rosto para o lado.

    — N-Não! Com o c-cachorro! Um h-h-husky! Não entendeu, E-Eleonore?

    A moça gargalha alegremente, divertindo-se com a situação.

    — Sei, sei. Um husky. Não precisa negar, Isolda. Só lhe falta uma oportunidade. Mas você é muito dura...
    — Preciso ser! É minha postura como paladina e foi o que me trouxe até aqui, para proteger a senhorita. Inclusive, creio que já seja hora de dormir, não é?
    — É verdade... — Disse a serviçal, também um pouco distante — Melhor ir dormir, senhorita. As responsabilidades de seu pai aumentaram desde aquele caso em Carlin por causa dos refugiados e isso o tornou mais irritado do que ele já é. Ele não irá gostar de vê-la aqui...
    — Concordo. Irei partir, se me derem licença, senhoritas. Até amanhã.

    As duas se despediram e partiram. Eleonore vai para seu quarto e fecha a porta com um pequeno sorriso no rosto. Quando ela se vira, ele desaparece para dar lugar a uma feição de horror. Mas antes que ela pudesse fazer algo, sua boca é tapada por um papiro em formato retangular. E atrás de sua cama, no escuro, ao lado de uma janela com a luz da lua iluminando levemente o recinto, está Redchain.

    O quarto possui um largo guarda-roupa a esquerda da porta de entrada, além de possuir outra porta próxima da mobília. O lugar é grande, possui uma cama de solteiro de ótima qualidade visualmente, um criado-mudo ao lado e uma cômoda próxima do quarto e outra da janela, ambas feitas de mármore, exceto o guarda-roupa, de madeira maciça. Frutos de uma vida próspera como a que Eleonore levava.

    — Preciso falar um pouco com você... Senhora. — Disse a membro. Sua última palavra fora sarcástica, chegando até mesmo a fazê-la dobrar o pescoço.

    O papiro se parte em múltiplos pedacinhos e vão para baixo até seu pescoço, na região da garganta, entrando dentro dela sem feri-la e inibindo algumas atividades de suas linhas vocais.

    — Não pode mais gritar, tampouco escapar. Agora, vamos ao diálogo.

    Redchain levanta um pouco seu capuz e acende a luz de um abajur próximo da cama de Eleonore, mostrando um rosto naquela cobertura de manequim; Entretanto, ele é desenhado e se move como um desenho. No momento, retrata um sorriso, com olhos grandes e assustadores.

    — Me responda, Eleonore Silverhand, filha de Percy Silverhand. Por que fecha os olhos para a realidade de sua cidade?
    — O qu... O que você quer dizer? Q-Quem é você?
    — Os cortadores de cana, quero dizer. Nunca notou que de um dia para o outro eles passaram a ser homens negros que vivem em estábulos, cheios de marcas nas costas e rostos depressivos? Nunca notou porque eles fogem? Por que eles se rebelam? Ou será que aqui, no norte da cidade, não é possível ver a situação deles?

    Eleonore fica chocada, sem responder. O rosto de Redchain agora é sério.

    — Deixe-me pensar... Não imaginava que isso acontecia aqui, não é?
    — N-Não... Q-Quer dizer... Eu raramente vou para o distrito do sul... Não sei o que acontece nos campos de cana... Mas eu já s-sabia disso. — Balbucia Eleonore, cabisbaixa.
    — Entendo. Seu povo está sofrendo, Eleonore. Você é como uma princesa, e nos tempos atuais, princesas não podem ficar paradas tomando chá sobre um guarda-sol e conversando sobre cachorrinhos.
    — Mas... Meu pai é só um regente... Não posso fazer nada quanto a isso.
    — Então você prefere que aqueles homens e mulheres continuem sofrendo, cortando cana sobre um sol escaldante, sendo tratados como animais, recebendo apenas um teto e comida para continuarem trabalhando em troca?
    — Não! Não me entenda errado, por favor. Você é daquela Irmandade que desolou Carlin, não é?

    Redchain não responde.

    — Se sim, por favor, entenda. Não sou uma princesa. Não tenho poder político. Mas tenho tentado ajudá-los com a ajuda de uma amiga, o nome dela é Charlotta. Eu sei da situação do meu povo e estou tentando ajudá-los! Mas... Não posso fazer nada demais sendo filha de um regente.

    Novamente, Redchain fica em silencio. Ela abaixa o capuz, ocultando seu rosto desenhado.

    — Quando foi a última vez que viajou, Eleonore?
    — Hã? É... Bem... Creio que na semana passada, para Porto Esperança. Por quê?
    — Considere aquela sua última viagem. Você não é digna de ser morta assim.

    Eleonore arregala os olhos. De ambos os lados do corpo, duas correntes vermelhas de sangue se prendem em cada parede. Outras duas correntes saem de dentro de seus olhos e se prendem no teto, levantando-a e deixando-a suspensa. Entretanto, ela ainda está viva, contorcendo-se fortemente, como se estivesse sofrendo chibatadas nas costas.

    — Isso é uma demonstração do que eu originalmente ia fazer. Você não vai morrer até que todo o seu sangue saia de seu corpo. Talvez possa ser salva, talvez não. Quanto ao povo que você pouco é capaz de ajudar por ser fraca demais, eu lhes darei uma nova luz, uma nova esperança. A esperança da Irmandade.

    A janela se abre e Redchain desaparece em centenas de papéis, indo diretamente pra fora. Ela volta a sua forma perto do fim do monte onde a mansão foi construída. Lá, Soulslayer está sentado, esperando sua aprendiza.

    — Excelente, Redchain. Vamos voltar.
    — Para Nargor?
    — Sim. Eleonore provou-se ineficiente. O sistema provou-se ineficiente. Vamos dar uma nova luz para eles.

    Os dois explodem em sangue, sumindo na noite.


    ~*~

    No Arsenal dos Ratos, a madrugada avança. Tem uma semana e dois dias desde que Aika foi capturada e presa, apesar dela não demonstrar nenhuma mudança relevante.

    A maga encontra-se sentada no chão, cabisbaixa. Dartaul está num banco de madeira, comendo macarrão num pote de vidro, usando um garfo. Há um pote parecido do lado dela, mas ela pouco se importa. Os dois se olham como se fossem conectados de alguma forma, apesar de seus pensamentos e opiniões sobre o outro não serem iguais.

    — Sente algo, Aika? — Disse Dartaul, quebrando o silêncio do lugar. Ele reuniu muita coragem para fazer isso, a julgar pelo seu rosto.
    — É a quinta vez que você pergunta isso. — Responde a moça, com uma voz suave e baixa.
    — Eu quero te tirar logo daqui. Quanto antes Nightcrawler se convencer de que você está bem, melhor.

    Aika não responde. Eles seguem quietos por alguns minutos até o próprio Nightcrawler aparecer da porta da sala dos documentos, com as mãos nos bolsos de sua roupa, aproximando-se dos dois.

    — Aika Danguian. — Sibila duramente o detetive, fitando fixamente a garota, cuja está sem expressão no rosto — Nestes dias, você tem se mostrado mais calada e menos direta que antes, quando me enfrentou num duelo de palavras ágil. Algo te perturba?

    A garota fita o mascarado, com um semblante peculiar. Parece em dúvida.

    — Eu... Não me lembro disso. Tem certeza que eu fiz isso... Detetive?

    Nightcrawler cerra as mãos dentro do bolso.

    — Está se fazendo de sonsa ou está me fazendo de idiota? Como você não se lembra de algo que você fez tem só alguns dias?
    — Me desculpa... — Balbucia a moça, abaixando a cabeça — Não sei o que dizer. Na verdade, não faço ideia de como conseguiria enfrentá-lo dessa forma... Minha cabeça está uma bagunça.

    Nightcrawler tira as mãos do bolso e fica parado por algum tempo. Dartaul olha para ele, temendo que ele faça algo e se preparando de imediato para se levantar. Ele, então, levanta a mão e estala os dedos, com um semblante eufórico.

    — Ah...! Finalmente eu entendi.







    Próximo: Capítulo 15 - Sentido



    Notas:

    * Bacamarte é uma arma do século 17-18 que seria semelhante a uma garrucha, mas maior e mais comparada as espingardas atuais. Ela dispara múltiplos tiros e serve até mesmo na luta contra navios inimigos. Ela era usada em embarcações piratas para alvejar marinheiros inimigos. A que aparece naquela cena foi inspirada numa das que são usadas por Adewalé em Assassin's Creed IV: Freedom Cry.

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    Última edição por CarlosLendario; 29-01-2017 às 20:49.



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  2. #62
    Avatar de Edge Fencer
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    Padrão

    Sabia que você tava guardando um capítulo sangrento depois daqueles mais calmos

    Interessante sua abordagem de Liberty Bay, Carlos. Gostei de como descreveu a relação do patrão com os escravos, deu pra visualizar bem o sofrimento que eles passam naqueles campos de cana. Também foi legal mostrar como a "realeza" da cidade fica distante da suja realidade logo a sua frente, e como a Irmandade pretende resolver isso kkkk. Foi muito boa essa parte da narração, sem dúvida.

    Voltando ao Arsenal dos Ratos, o que será que o Nightcrawler percebeu ali no final com a Aika? Parecia um diálogo até um pouco despretensioso...

    A escrita ficou legal, só alguns erros acabaram passando pela revisão. Só ler com calma que é tranquilo de resolver.

    Fiquei curioso pela sequência, aguardo pelo próximo.

    Abraço!
    Son of a submariner!

  3. #63
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    Padrão Capítulo 15 - Sentido

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    Sabia que você tava guardando um capítulo sangrento depois daqueles mais calmos

    Interessante sua abordagem de Liberty Bay, Carlos. Gostei de como descreveu a relação do patrão com os escravos, deu pra visualizar bem o sofrimento que eles passam naqueles campos de cana. Também foi legal mostrar como a "realeza" da cidade fica distante da suja realidade logo a sua frente, e como a Irmandade pretende resolver isso kkkk. Foi muito boa essa parte da narração, sem dúvida.

    Voltando ao Arsenal dos Ratos, o que será que o Nightcrawler percebeu ali no final com a Aika? Parecia um diálogo até um pouco despretensioso...

    A escrita ficou legal, só alguns erros acabaram passando pela revisão. Só ler com calma que é tranquilo de resolver.

    Fiquei curioso pela sequência, aguardo pelo próximo.

    Abraço!
    Diga aí Edge, meu fiel leitor. Obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Eu descrevi Liberty Bay me baseando no Brasil colonial. É um dos períodos que mais me envergonho da nossa história, então eu tentei passar o sentimento e justamente o jeito que eu queria que aqueles escravocratas se fodessem. Então, fico feliz que tenha saído bom.

    O que o Nightcrawler entendeu não dá pra ser explicado em um só capítulo, então talvez demore um pouco.

    E bom, obrigado por falar dos erros, vou dar uma conferida. Se esse capítulo tiver também, avise. E, claro, espero que goste dele.







    Bem pessoal, aqui lhes trago um novo capítulo! Também devo dizer que o 16 está pronto, então, se quiserem dois capítulos na mesma semana de novo, só falarem nos comentários.



    No capítulo anterior:
    Soulslayer e Redchain conduzem um ataque fatal a Baía da Liberdade, matando vários escravos e seu dono. A nova membro também mata Eleonore, filha do regente da cidade. Enquanto isso, Nightcrawler teoriza sobre a mudança súbita de comportamento de Aika.





    Capítulo 15 – Sentido




    Há duas semanas e três dias, Aika Danguian foi capturada.

    Dartaul e a prisioneira tem nutrido um forte sentimento de amizade. Apesar da garota ser calada, o investigador sempre arranja um assunto para conversar, ou alguma atividade. Todos estão cada vez mais convencidos que, de fato, Aika não sofreu nada ao ser atingida pelo pulsante, apesar de que o espírito que apareceu há uma semana deixar dúvidas.

    Naquele instante, os dois estão jogando xadrez dentro da cela, iluminada por um abajur em meio àquela noite escura. A moça parece estar perdendo, mas se divertindo. Nightcrawler e o resto do time está na sala de documentos, novamente tratando de assuntos de suma seriedade.

    O detetive está sentado na mesa próxima do elevador, numa cadeira de madeira, e o restante está em outras cadeiras ao seu redor. Zoe porta um livro e tem algumas fichas no chão ao seu lado além de um lápis na orelha direita, Alayen está cochilando e Borges tem uma ficha numa mão e um frasco de metal com bebida alcoólica nele.

    — Atenção! — Silva Nightcrawler, acordando todos de seus devaneios rapidamente. Alayen quase cai da cadeira, o livro cai da mão de Zoe e Borges treme muito, mas não deixa nada cair — Preciso de atenção. Temos que repassar os fatos.

    Zoe pega o livro do chão com um rosto melancólico.

    — Nightcrawler, estava lendo um pouco dos registros feitos em Venore... São estranhos. Parecem que foram resultados de pessoas reagindo a roubos, mas com mortes exageradas.
    — Por isso inclui nas fichas. — Disse Nightcrawler, pegando um pergaminho na mesa e abrindo-o — Também tem alguns pouco relatados nas redondezas de Carlin parecidos. Mas com muito, muito sangue. Enfim, me ouçam. A Baía da Liberdade foi atacada tem alguns dias pela Irmandade.

    Todos parecem surpresos.

    — É o quê? Como assim? — Grita Borges, pasmo.
    — Sim, foi o que você ouviu. E não, você não está bêbado. Houve um ataque no leste da cidade, uma casa próxima de alguns campos de cana. Nove mortos, o campo ficou pintado de sangue. Depois disso, alguém matou Eleonore brutalmente.
    — Como você ficou sabendo disso? — Questiona Alayen, com um olhar sério.
    — Zoe me falou. Ela é jornalista, as noticias chegam rápido pra alguém que trabalha nessa área em Yalahar.
    — Bem... Eu não diria rápido. — Comenta Zoe, um pouco cabisbaixa, seus olhos entreabertos e postos no chão — A notícia já circulava dentro da Guarnição Thaiana por ser um assunto secreto. Mas logo os jornalistas ficaram sabendo e a notícia veio até nós, A Clarividência, em Yalahar.

    Nightcrawler parece atento ao pergaminho. Há mais coisas para se falar.

    — Eu estive analisando as frases. Notei, com certa dificuldade, que elas estão apontando coisas. Esse ataque à Baía confirmou o que eu imaginava... — Disse o detetive, ajeitando o chapéu — “Os oprimidos sangrarão em fúria”. Soube que oito dos mortos eram escravos cortadores de cana e o restante o dono dos campos e proprietário dos escravos. A frase se aplica bem a isso aqui.

    Todos engolem em seco. Borges parece o mais incomodado.

    — A segunda frase tem a ver também?
    — Tem. “Mas sua opressora cega também sangrará”. Eu não imaginei que fosse Eleonore, mas veja bem. Havia muitos escravos que viraram piratas ou acabaram morrendo na Baía. Outros fugiram para Meriana e ilhas da região. Quem conseguiu fugir foi ajudado por gente do gueto da cidade, o sul, e por contatos, soube que Eleonore dava uma pequena ajuda a eles através de uma mulher que já não me lembro mais do nome.
    — Em que sentido ela era opressora pra falarem assim dela? — Indaga Borges, fitando seriamente o detetive.
    — Ela não era. O povo a via como opressora por não fazer nada. A verdade é que ela não tinha contato com nenhum deles, apenas com algumas pessoas. Não sei das conexões de Eleonore, mas havia muito sendo feito por debaixo dos panos. Entretanto, ela acabou morrendo para um membro, pois provavelmente a Irmandade não sabia de nada.
    — A morte dela foi realmente brutal, pelo que me disseram... — Disse Zoe, ainda de cabeça baixa — Disseram que tinha correntes vermelhas pingando sangue saindo de suas costelas e dos seus olhos...
    — E isso é um ponto. — Disse Nightcrawler, balançando o indicador direito — Nunca antes eu vi um membro com essas habilidades. É um dos bons. Não é um figurante como aqueles que enfrentaram Trevor em Thais.
    — É... E eu recebi uma carta, falando nisso. Do próprio Harkath. Ele disse que Trevor está vivo e bem. Mas não faço ideia do porque ele se deu ao trabalho de enviar uma carta pra mim. Sou só um chefe de escritório, apesar de ele chefiar minha guarnição...

    Nightcrawler parece agitado. Ele pega o pergaminho e joga sobre a mesa, se levanta e anda rapidamente para a sala ao lado.

    — Ei, tio! Algum problema? — Silva Alayen, vendo o detetive partindo.
    — Vai se fuder com essa merda de tio! Você sabe meu nome, imbecil! — Grita Nightcrawler, abrindo a porta aos empurrões.
    — Ih... Ficou maluco de novo.
    — Falei alguma coisa? — Disse Borges, confuso.

    Nightcrawler se dirige até a cela apressadamente, seus passos altos atraem a atenção da dupla dentro da cela. Ao chegar perto dela, ele soca o botão vermelho, abrindo a porta.

    — Dartaul, saia.
    — Aconteceu alguma coisa?
    — Sim. Saia.

    Dartaul se levanta e Aika olha para ele, triste.

    — Desculpa, mas logo voltarei para terminar a partida. Se você é boa de memória mesmo, grave esse jogo. — Disse Dartaul, com um sorriso no rosto. Aika fecha os olhos e sorri.

    O investigador sai da cela e a porta rapidamente se fecha. Em seguida, Nightcrawler soca o botão azul, eletrocutando Aika por três segundos. Em seguida, a porta se abre de novo.

    — De pé também, maga.
    — Ei! O que você pensa que está fazendo?
    — O que estou fazendo? O chefe das guarnições thaianas mandou alguém na minha cola, acha que ficarei procrastinando, sentado numa cadeira lendo arquivos enquanto você fica aí brincando de casal?

    Dartaul fica em silêncio, confuso com a forma que o mascarado está agindo. Enquanto isso, Aika aproxima-se da cela, ajeitando sua camisa branca que passou a usar enquanto presa. Passos baixos podem ser ouvidos da sala de documentos.

    — Serei direto. Tem mais de uma quinzena que nada de relevante acontece contigo. Você passou a ser idiota de uma hora pra outra, além de que não consigo pensar em algo coerente pra justificar tanto as frases quanto o espírito que Dartaul disse que apareceu aqui. Agora, entenda, você e Alayen são as forças principais daqui, eu sou apenas um detetive.

    Aika fita-o, também confusa. Um som confuso de passos é ouvido no alto da torre.

    — Não quero te usar como uma arma porque eu não sou um filho da puta, mas você precisa ser útil para nós e nem mesmo eu tenho certeza se te deixar parada numa prisão é uma boa escolha. Então, você vai sair e junto com Alayen me ajudará a reforçar esse lugar. Estamos de acordo?
    — Não, detetive Nightcrawler.

    Uma voz rígida e séria corta o ar antes que Aika possa dizer alguma coisa. Enquanto isso, muitos passos são ouvidos chegando até o lugar onde estavam. Do escuro, por trás das estantes de ferro próximas da entrada, surge Trevor, com dez soldados acompanhando-o, junto de mais vinte soldados vindos de cima da torre e descendo as plataformas. Nightcrawler olha-o com um misto de medo e surpresa, enquanto arcos são posicionados contra ele, de cima da segunda plataforma.

    — Primeiro Tenente Trevor Van Aknimathas. Estou impressionado. Muito impressionado. Você sobreviveu, trouxe uma tropa pra Yalahar, conseguiu autorização do governante, passou pelos meus olheiros e vigias de alguma forma sem que eles me notificassem e conseguiu entrar aqui, sem eu notar, no meio da noite.
    — Pra você, detetive, é Capitão Trevor. — Disse o cavaleiro, colocando as mãos nas costas enquanto seus soldados ficam posicionados logo atrás dele. Seu bracelete com duas estrelas é visível — Você cometeu crimes contra a pátria thaiana, começando pela sua conexão suspeita com a Irmandade do Caminho de Sangue, seguida de dano moral aos cidadãos que quase foram vítimas daqueles indivíduos.

    Nightcrawler cruza os braços. Parece hesitante, mas se esforça em não mostrar isso.

    — Francamente... Foi promovido a capitão e seu poder já subiu a cabeça? Não se esqueça que esse ataque foi, provavelmente, o motivo pra você estar com esse bracelete e essa moral toda em frente desses soldados.
    — Não se complique mais, detetive. Nossas relações não vêm ao caso frente ao meu trabalho. Devo cumprir a lei. E você, Nightcrawler, é muito, digamos, controverso. Questionável. Fez bons atos para as guarnições thaianas, mas nunca revelou seu nome. Sua ocultação de identidade também é um crime, pois não existe nenhum registro a seu respeito em nenhum lugar.
    — Você gastou essas semanas procurando sobre mim, então?
    — Gastei. Joguei meu tempo fora, devo dizer. Mas sua localização não foi difícil de ser descoberta. Afinal, você é famoso aqui, Conde Mascarado de Yalahar. Você se esconde por trás de uma máscara como um vigilante, resolve crimes sem ser chamado e até mesmo comete crimes para resolver outros, mas é perdoado pelos sargentos, capitães e comandantes corruptos das guarnições thaianas. Isso não vai mais acontecer.
    — Então, por favor, me aponte algum caso onde eu tenha cometido um crime. Talvez eu concorde contigo.

    Um soldado dá para Trevor um pergaminho, do qual ele o toma. Ele tira o lacre e abre-o para ler seu conteúdo.

    “20 de Outubro de 483. Um alquimista nomeado de Saul Imada criava clones seus para roubar bancos do continente. O real não foi encontrado por meses, até que algumas pistas a seu respeito vazaram do domínio da guarnição. Após isso, o detetive mascarado intitulado de Nightcrawler apareceu com soluções para o caso, apontando resultados de testes com um dos clones desse alquimista, dizendo que eram todos feitos a base de eletricidade e que ele precisava de um local com muita água para fazer isso e que ele pudesse fazer no subterrâneo. O responsável foi encontrado em Greenshore drenando água do rio que vai até o oceano, na região conhecida por Golfo dos Reis. Nightcrawler foi acusado dos crimes de tortura e roubo de arquivos, mas não foi preso. Saul Imada foi capturado e preso e seus materiais, confiscados.” Satisfeito, senhor detetive?

    Nightcrawler engole em seco. Seu olhar procura formas de escapar daquela situação vivo.

    — Você tem um mandato, ao menos?

    Trevor pega um papel dobrado no seu cinto e joga pra ele. O detetive rapidamente pega e abre, ficando mais e mais assustado.

    Mandato de prisão... Ordenado por Harkath Bloodblade e... Harsky? Que palhaçada é essa? O que a 3º Guarnição tem a ver comigo?
    — Coisas que serão tratadas em breve, detetive. Por hora, devo avisar-lhe de sua condição atual. — Disse Trevor, seriamente. Ele se aproxima a passos lentos do homem, enquanto o próprio começa a traçar desesperadamente linhas de fuga com os olhos.

    Se eu eletrocutar Aika, será que ela reagirá lançando alguma magia? Pensa Nightcrawler, tentando se manter são. O ataque dela certamente atingiria os soldados... Mas ainda tem os que estão na plataforma, eles me atacariam assim que eu movesse um dedo.

    — Com os poderes concedidos a mim, e em nome das cinco guarnições de Thais...

    Me resta as bombas de fumaça que... Ah não... Eu deixei elas lá em cima, merda. Só tenho umas duas runas de Terremoto, não vai ser o suficiente pra chegar até a escotilha ali...

    — Eu, Capitão de Guarda, Trevor...

    Eu também não vou ter tempo de usá-las... Eu estou ouvindo as cordas daqueles arcos, aquelas flechas estão a um passo de serem disparadas...

    — Declaro que você, Nightcrawler... — Trevor está há apenas três passos do detetive.

    Merda, pego no meu próprio esconderijo. Não, não posso aceitar isso. Só me resta usar... Aquilo.

    Não seja tolo, mascarado!

    Nightcrawler ouve uma voz diferente no interior de sua mente. As mãos de Trevor pousam em seus ombros.

    — Não está preso.

    A tensão do lugar repentinamente desaparece. Um silêncio se instaura por alguns segundos, enquanto Nightcrawler parece tentar entender aquilo.

    — É O QUÊ? — Berra Nightcrawler, inclinando seu corpo pra frente e levantando os braços.
    — É isso aí. Você não está preso. — Disse Trevor, sorrindo.

    Todos os soldados começam a gargalhar, de todos os lados. Alguns deixam suas armas caírem e outros chegam a sentar no chão para rir. Até mesmo seu time surge por trás dos soldados e ri da cara do detetive, sendo Alayen e Borges os que mais riem, assim como Dartaul ri logo atrás dele. Até Aika está sorrindo. Nightcrawler parece ser o único que não entende.

    — Desculpa, Crawler. Um dia você me disse que eu era tão sério que jamais conseguiria fazer uma pegadinha em alguém, até riu da minha cara quando eu disse que nunca fiz pegadinhas. Então, decidi vir aqui fazer isso.

    Nightcrawler olha para Trevor, boquiaberto. Ele endireita sua postura pouco depois, e pigarreia.

    — Inadmissível... Você abusou muito de minha bondade.
    — Bem... Foi o melhor jeito de dizer que estamos aqui pra te proteger e principalmente pra mostrar o quão somos competentes. Eu te conheço tem um ano Crawler, somos praticamente amigos. Sua arrogância sempre foi seu ponto fraco. Você se entocou dentro dessa torre e ficou botando homens ao redor da cidade, acreditando que ninguém tentaria invadir esse lugar. Aproveitei-me disso para entrar aqui e, de quebra, ainda subornei todos os seus olheiros usando os que tinham na minha tropa.
    — Você queria me proteger?
    — Sim. Veja. — Disse Trevor, pegando o papel, passando o dedo nele e mostrando para o detetive em seguida — É um mandato de proteção. Harkath quer que eu o proteja, pois é a única forma de pegar a Irmandade. Ele conversou com Harsky, Skunky e o próprio rei pra chegar nessa conclusão. É rapaz, você é importante.

    Ao invés de estar escrito “prisão”, está escrito “proteção”. Era uma ilusão.

    — Como você... Fez isso? — Indaga Nightcrawler, com peso na fala.
    — Harkath mandou uma solicitação de entrada de soldados para Yalahari, o governante. Ele autorizou e eu passei lá pra confirmar. Sugeri fazer uma pegadinha em você, uma vez que ele já te conhecia e te considerava um amigo. Ele concordou e trocou a palavra.
    — Impossível... Yalahari jamais faria isso...
    — Faria. Ele estava num bom dia hoje. Enquanto isso eu parei e comprei todos os seus olheiros, passei pelos soldados, ganhei autorização dos soldados daqui, desci com esses dez pelo seu elevador e os outros pelas escadarias daquela prisão e falei pros seus ajudantes que ia pregar uma peça em você.

    Nightcrawler abaixa a cabeça e põe a mão no rosto, mas sem tirar a máscara.

    — Mal dá pra acreditar... Que cai numa brincadeira tão banal. Tão... Infantil.
    — Crianças não idealizariam isso. — Disse Trevor, juntando as pernas — SENTIDO!

    Todos os soldados se recompõem e ficam em formação, juntando as pernas e os braços. Borges e Alayen percebe a seriedade do ar e param de rir, se afastando. Zoe os acompanha.

    — Todos esses homens estão aqui para te proteger. Eles ficarão nos arredores desse distrito, assim como meus olheiros. Há olheiros meus em todos os quarteirões no momento, que despachei de Thais e Venore antes mesmo de chegar aqui. Yalahar é sua, Nightcrawler. Decida agora seu próximo passo, não se importe em nos soltar.

    Nightcrawler também se recompõe e volta sua postura ao normal. Ele observa todos os trinta soldados e abre um sorriso por trás da máscara, cruzando os braços com confiança.

    — Meus parabéns pela pegadinha, Trevor. Ajudou a colocar minha mente em ação devidamente. — Disse Nightcrawler, olhando para a direita, onde estão Aika e Dartaul. Os dois estão estranhamente próximos, fazendo o mascarado levantar uma sobrancelha — Aika, você está livre. Só espero que não apronte nenhuma gracinha. E Dartaul, pode ficar de olho nela, mas tenho certeza que a garota sabe se virar.

    Aika assente, assim como Dartaul, que suspira aliviado.

    — Trevor, seus soldados devem voltar. Ficará aqui essa noite. Devemos discutir seriamente hoje... Pois eu tenho um plano.


    ~*~


    De cima de uma rocha, olhando para o oceano, está Redchain. A noite está avançada e a ilha silenciosa. Muito silenciosa.

    A grama tropical coberta por areia aponta que é Meriana. Soulslayer está vindo logo atrás dela, em passos lentos.

    — Redchain. Algo lhe perturba?
    — Sim... Sinto algo ruim. Um pressentimento ruim sobre o futuro. Mas não sei o que é.
    — Se sente insatisfeita conosco?
    — Não. Eu encontrei a filosofia certa a seguir e todos os que a seguem são meus irmãos de alma e meus companheiros de guerra. Eu apenas temo alguma coisa, mas não parece ser algo relevante.
    — Ótimo.

    Soulslayer olha para os lados, apenas para notar as inúmeras piscinas de sangue na ilha e o chão quase tingido de vermelho. Ao lado da pedra, está a sereia que costuma ficar ali, mas partida ao meio, sem os olhos no rosto e o corpo seco, porém, podre de sangue.

    — Está pronta?
    — Sim. Vamos para o monte.






    Próximo: Capítulo 16 – Encarando as Trevas
    Última edição por CarlosLendario; 30-01-2017 às 17:41.



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  4. #64
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    Esse últimos capítulos tem tido um clima, assim assim, analítico, o Crowler botando a cachola para funcionar.

    Esse moleque Dartaul ainda vai aprontar to pressentindo isso. Ta se descontrolando e ta paradão na sorcerer ali.

    Tenho sentido falta da Lea. Gosto de mulheres como ela, corajosas, mulheres de peito!

    E que voltem as tretas naruteiras!

  5. #65
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    Gostei bastante do clima desse capítulo. Foi tenso a parte em que o Trevor chegou e encurralou o Nightcrawler, parecia que ia dar ruim pro detetive dessa vez. Agradavelmente, era tudo zoeira, e das boas

    O capítulo trouxe uma mudança considerável nos rumos da história. Até aqui, o Crawler parecia estar vários passos a frente dos outros personagens detetives/policiais/investigadores, e a guarnição de Thais parecia bem ineficiente. Com essa invasão ao esconderijo dele, ficou claro que não dá pra desconsiderar a presença dos caras; sem dúvida serão ótimos aliados pro mascarado. Outro ponto interessante foi a Aika, agora livre e solta para, em tese, somar forças com a equipe. Algo ainda está muito estranho com ela, e acho que o Dartaul está bem propenso a tomar as dores da moça em uma eventual traição dela. Só resta esperar pra ver onde isso vai parar...

    A escrita melhorou, notei bem menos erros de revisão do que na última vez. O que me saltou aos olhos foi a forma como você usa a palavra "tem" em algumas frases, como "A Baía da Liberdade foi atacada tem alguns dias pela Irmandade", acho que "há alguns dias" soaria melhor. Mas acho que do jeito que você fez nem tá errado, citei mais pela estética mesmo

    É isso aí, a história continua crescendo a cada capítulo. Por mim, pode mandar o próximo

    Abraço!




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  6. #66
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    Padrão Capítulo 16 - Encarando as Trevas

    Citação Postado originalmente por Skirt Underdome Ver Post
    Esse últimos capítulos tem tido um clima, assim assim, analítico, o Crowler botando a cachola para funcionar.

    Esse moleque Dartaul ainda vai aprontar to pressentindo isso. Ta se descontrolando e ta paradão na sorcerer ali.

    Tenho sentido falta da Lea. Gosto de mulheres como ela, corajosas, mulheres de peito!

    E que voltem as tretas naruteiras!
    Opa Skirt, obrigado pelo comentário.

    Esses capítulos serviram para mostrar as habilidades de Nightcrawler em investigação. Logo será mostrado ele em ação de novo, o que será melhor ainda.

    Dartaul tá de olho, mas pode acabar se dando mal. Ou talvez se dê bem, quem sabe. E quanto a Lea, ela retornará, não se preocupe.

    Espero que continue voltando aqui sempre. e para de falar de naruto nao tem naruto aqui nao mano

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    Gostei bastante do clima desse capítulo. Foi tenso a parte em que o Trevor chegou e encurralou o Nightcrawler, parecia que ia dar ruim pro detetive dessa vez. Agradavelmente, era tudo zoeira, e das boas

    O capítulo trouxe uma mudança considerável nos rumos da história. Até aqui, o Crawler parecia estar vários passos a frente dos outros personagens detetives/policiais/investigadores, e a guarnição de Thais parecia bem ineficiente. Com essa invasão ao esconderijo dele, ficou claro que não dá pra desconsiderar a presença dos caras; sem dúvida serão ótimos aliados pro mascarado. Outro ponto interessante foi a Aika, agora livre e solta para, em tese, somar forças com a equipe. Algo ainda está muito estranho com ela, e acho que o Dartaul está bem propenso a tomar as dores da moça em uma eventual traição dela. Só resta esperar pra ver onde isso vai parar...

    A escrita melhorou, notei bem menos erros de revisão do que na última vez. O que me saltou aos olhos foi a forma como você usa a palavra "tem" em algumas frases, como "A Baía da Liberdade foi atacada tem alguns dias pela Irmandade", acho que "há alguns dias" soaria melhor. Mas acho que do jeito que você fez nem tá errado, citei mais pela estética mesmo

    É isso aí, a história continua crescendo a cada capítulo. Por mim, pode mandar o próximo

    Abraço!
    Diga aí Edge, obrigado pelo comentário e pelos elogios. Acabei tendo que mandar o capítulo hoje mesmo.


    Minha intenção não era desmerecer a guarnição e dizer que ela era ineficiente, porém, acabou que não consegui passar a impressão de que eles eram fortes, mas não tão inteligentes quanto o Crawler. Com esse capítulo, deixei claro o que eles podem fazer se forem bem comandados, ainda mais com Trevor no comando, que conhece o detetive e sabe como ele age devido ao convívio que teve por ele por uns tempos.

    Aika talvez seja uma boa adição a equipe, mas ainda há coisas planejadas para ela, então, aguarde e verá. Ela os trairá? Ela se juntará a eles? Só o futuro irá dizer.

    O uso do "tem" nessa frase está correto, mas devo dizer que talvez haja alguns problemas mesmo com essa palavra. Nesse caso, irei olhar.


    Espero que goste do capítulo!











    Pessoal, não aguentei. Tive que postar esse capítulo.

    O motivo é simples: No meu ver, ele está foda. Raramente digo que um capítulo meu está assim, então, talvez vocês consigam perceber o nível da coisa.

    Espero que gostem dele assim como eu gostei!



    No capítulo anterior:
    Enquanto planejam os próximos passos, Nightcrawler é surpreendido por Trevor, que o embosca e por pouco não o captura, afinal, ele estava brincando. Com isso, ele soma forças com o seu time para seu próximo ato contra a Irmandade. Enquanto isso, os vermelhos estão em Meriana e irão se dirigir para outro lugar para causar um novo massacre.




    Capítulo 16 – Encarando as Trevas



    Naquela noite, Dartaul se intrigava com algo que descobriu dias atrás no seu quarto: Um rádio.

    O equipamento utiliza uma fonte desconhecida de energia, pois não possui cabos. Tem apenas um, feito de alumínio e com estrutura espessa, do qual Nightcrawler chama de antena. Sua estrutura é feita de madeira, possui regiões metálicas como duas metades de uma esfera de cada lado usadas para sintonizar em uma rede e aumentar o som – ou volume – para entender melhor o que está sendo dito pelas pessoas naquela sintonia. As vozes saem por um buraco no centro do aparelho, protegido por uma camada fina de alumínio forrada de buraquinhos.

    As sintonias podem ser vistas através de um retângulo de vidro, que possui um forro de material desconhecido, descrevendo as sintonias por números. A que Dartaul usa para ouvir algumas notícias é a de número 10.5, dentre as 14 existentes, espalhadas pelo mundo tibiano, em centros jornalísticos. A tecnologia pouco a pouco evoluía dentro do Tibia.

    ...Perseguição e busca de um mau elemento que assassinou um homem doente em Venore. Descreve-se que a doença esteja se espalhando pelas áreas do oeste da cidade agora que o individuo foi morto. Seu corpo foi encontrado em estado de decomposição avançada e seu ceifador está escondido no Pântano Garra-Verde*.

    Dartaul escuta notícias como essas enquanto deitado. Naquele dia, pouco se fala sobre algo de fato relevante, e também não há mais sintonias comentando sobre o massacre na Baía. Mas, dias atrás, é o que mais se falava nas rádios, principalmente porque a morte de Eleonore poderia incitar uma rebelião geral na Baía da Liberdade. Os piratas restantes que fugiram de Nargor se aproveitariam disso para se aliar aos rebeldes e destruir a influência thaiana no lugar, e então partir para Porto Esperança fazer o mesmo.

    Apesar das preocupações, Meriana se mantém quieta sobre o assunto. Por isso, Dartaul tem se mantido atento, pois ele seria capaz de descobrir algo relevante para a investigação e o plano discutido horas atrás. Enquanto isso, novas notícias vão surgindo.

    ...Informações novas na Baía da Liberdade. A morte de Eleonore Silverhand segue um mistério assim como a ausência de reação dos piratas de Meriana. Percy Silverhand, regente da cidade, planeja algo a respeito sobre Sabrehaven, pois suspeita que o responsável esteja se escondendo lá. Seria esse um possível estopim para uma guerra definitiva entre os piratas e as forças thaianas?

    Aquilo parece preocupar Dartaul, principalmente a parte onde Meriana está quieta. Piratas raramente se calam nesses casos. Piratas raramente se calam.

    Dartaul se levanta e pega um bloco de notas ao lado do seu criado-mudo e começa a escrever algo. Ele anota, detalhadamente, as possibilidades de algo ter acontecido em Meriana e a Irmandade estar por trás disso.

    ”O formoso monte, o capitólio humano, antes cinza, será vermelho.”

    A mente do investigador é martelada por essa frase e seu corpo esquenta. Por que a Irmandade deixaria de olhar para Yalahar para pousar os olhos sobre o sudoeste de Tibia, o outro lado do planeta? As coisas parecem não fazer sentido para ele, tanto que seu olhar oscila entre pasmo e preocupado.

    O que seria o capitólio humano? De que monte Aika se referia? Aika realmente falou essas coisas? Ele então começa a pensar sobre o que pode ser o capitólio humano, deitando-se em sua cama e deixando o bloco ao lado, se concentrando. A resposta parece óbvia demais, mas ele demora pra entender. A resposta vem após um tempo de vazio mental.

    — Thais. — Sussurra Dartaul, cada vez mais espantado.

    Thais já é vermelha, visto sua bandeira e seus telhados levemente avermelhados. O que seria cinza e subitamente seria pintado de vermelho?

    Antes que a resposta viesse, a porta do seu quarto se abre, seu corpo é paralisado e sua mente falha. Então, após alguns instantes, ele adormece.


    A visão de Dartaul está distorcida, como num filme antigo. Ele não parece estar vendo a si mesmo, mas sim os atos de outra pessoa. Ele conclui estar sonhando.

    Um homem vê alguns papéis enquanto bebe um pouco de água. Está sentado em frente pra uma mesa larga de madeira grossa, concentrado. A casa onde está é feita de madeira de palmeiras, amarradas com barbantes de bambu. O teto é feito por folhagens igualmente amarradas e presas. O chão é de bambu, com um tapete sobre ele.

    Alguém aparece correndo. Usa trajes semelhantes aos de um pirata, mas com algumas diferenças. Ele alerta o homem sobre alguma coisa, mas a voz não é audível. O cenário está completamente sem som, despertando certa agonia sobre Dartaul.

    O rapaz levanta e pega seu sabre numa armaria numa parede próxima, apenas para olhar para o lado e ver uma faca brilhante atravessando o peito de seu companheiro. Ela subitamente desaparece e o pirata parece completamente diferente, com veias saltando nos olhos e começando a soltar sangue pelas narinas e pela boca, avançando sobre o amigo. Ele reage rápido, cortando sua garganta e dando-lhe um chute, derrubando-o no chão. O rapaz aparenta estar gritando, mas o som não vem. Ao invés disso, outra coisa corta o silêncio no ar.

    Há rumores sobre a tal Irmandade do Caminho de Sangue... Rumores a cerca dos locais que eles atacaram nos últimos anos.

    O som é de rádio, vindo de um narrador oculto. Ele parece estar contando sobre algo com relação à Baía, pois a voz é semelhante a da sintonia que o investigador estava ouvindo.

    No sonho, o homem com o sabre corre para fora em busca de ajuda, apenas para ver a população correndo confusamente de um lado para o outro. A chuva de fim de tarde dá uma característica sombria àquele cenário, enquanto algumas pessoas uniformizadas de vermelho perambulam pelas extremidades da vila de Sabrehaven.

    Eles já lançaram um ataque sobre Nargor há quatro anos atrás e um sobre Porto Esperança há cinco anos. Agora, esse assassinato de Eleonore parece ter dedo deles no meio.

    Uma mulher pega uma garrucha de um dos dois coldres ao lado das coxas e atira contra um dos vermelhos. O membro explode em sangue, então ela se vira para atirar em outro, que também tem a mesma reação. Subitamente, todos os outros explodem, levantando a dúvida sobre os habitantes.

    O homem que Dartaul está encarnado começa a se mover em direção da mulher, parece fazer questões do que aconteceu e também pede ajuda. Quando a mulher pirata vira-se para ele, algo surge do chão; Um formato semelhante a pedras de coral levantando do chão, muitas delas tingidas de sangue. Aquilo toma o formato de uma estalagmite afiada, perfurando o peito da mulher.

    Aqueles homens... Todos foram encontrados sem sangue no corpo e completamente mutilados de todas as formas imagináveis. Apenas seu patrão foi encontrado de forma... Normal, digamos assim. Mas também foi morto brutalmente.

    Ao virar para o lado, outras pessoas parecem gritar enquanto pedaços de papiro começam a perfurar as pessoas. Subitamente, eles se transformam em correntes e puxam duas pessoas até um membro de saia longa, que, ao ver as pessoas vindo em sua direção, levanta suas mãos. Elas passam pelo peito destas pessoas e tiram seus corações do lugar, abrindo buracos em seus peitos. Outra estalagmite de corais passa pelo peito do homem com o sabre, tornando sua visão escura.

    A visão de Dartaul pula para a de um homem barbado que tenta esconder seus livros numa escotilha para então entrar nela. Quando ele entra nela, uma luz estranha se encontra no corredor, iluminando-o. Ela se expande e explode em cor âmbar, próxima do vermelho, tornando a visão do homem muito clara para se enxergar, para em seguida ficar escura.

    Desconhecemos a habilidade deles e suas intenções. Mas tenho a mais absoluta certeza de que planejam algo... E não se resume só ao sudoeste de Tibia.

    Depois, ela passa para um homem que combate um deles, cujo está usando uma adaga longa e branca. Este indivíduo é jogado para longe subitamente, caindo no chão de areia. Subitamente, ao tentar levantar, seu corpo é coberto por um fogo vermelho intensamente vivo. Sua visão demora mais para sumir, enquanto ele tenta apagar o fogo com as mãos, em vão, sendo carbonizado rapidamente.

    Por fim, sua visão pousa sobre o provável único sobrevivente: O gênio azul que vive nas montanhas. Ele vê tudo aquilo acontecendo e se desespera, mas decide ir ajudar, virando-se e puxando seu sabre. Logo ao sair de sua casa, ele nota uma presença logo atrás dele. Por reflexo, ele se vira rapidamente, apenas para ver um membro lançando um número imenso de agulhas escarlates contra ele, ocultando sua visão.

    Eles atacaram o sudoeste de Tibia. Atacaram Ab’Dendriel no passado. Também direcionaram ataques aqui, em Venore, dois anos atrás! Até mesmo o Forte dos Orcs ao norte foi atacado por eles... E Rookgaard também, e isso tem nove anos, ambos os ataques. São mais de dez anos de terror, ouvintes. Dez anos de Irmandade.

    A última pessoa está na doca, observando tudo. O olhar de Dartaul se pousa sobre ela, apenas para ver sua morte rápida. Ao virar para tentar fugir no navio ancorado próximo dele, ele é surpreendido por um membro com um desenho de um rosto na face, feito numa superfície de madeira lisa. Seu olhar é ocultado por muitas folhas de papiro, enfim ceifando o último humano em Meriana.

    Seus ataques são confusos e raramente sabemos se são eles ou não. Mas de uma coisa tenho certeza: Algo próximo de Thais será atacado por eles. E pode ser o prelúdio de algo muito maior, meus ouvintes... Um monte de vezes maior.

    Um monte de vezes maior.

    Monte de vezes maior.

    Monte maior.

    Monte.

    Dartaul acorda como se tivesse saído debaixo da água, tamanho a quantidade de suor no seu rosto e sua busca sedenta por ar. Ele começa a ofegar, enquanto se senta devagar, apoiando seu corpo na cabeceira da cama, enquanto o rádio toca uma música, uma combinação de piano com violino. Ele nota alguém no quarto, sentado do outro lado do colchão.

    Aika olha para ele sem esboçar reação, vestida apenas de uma camisa preta larga. O investigador está surpreso com sua presença repentina ali.

    — Desculpe pela invasão... — Murmura Aika, visando falar o mais baixo possível para ninguém notar, pois ainda há pessoas acordadas na torre — Eu... Não consigo dormir. O pesadelo que você teve agora é o que eu estive sofrendo tem alguns dias... Ao passar para você, acho que posso voltar a dormir e me concentrar naquele plano.

    Dartaul não responde. Ele parece paralisado, mas o motivo não é mágico e sim a garota.

    — Mas claro... Você não ficará sonhando com isso por dias e dias. A Irmandade não pode fazer nada contigo, Dartaul. Mas desde que aquele pulsante me atingiu... — Disse Aika, envolvendo seus braços em seu corpo — Tudo tem sido estranho. É como se eles tivessem uma conexão comigo.

    Os dois ficam calados por pelo menos um minuto. Nenhum som pode ser escutado na torre, nem nos arredores. O barulho do distrito não chega ali, afinal. Apenas o que acontece no edifício é que pode ser ouvido, algo que Nightcrawler fez questão de deixar preparado. Entretanto, aquilo parece incomodar a maga. Ela deita na cama, mas fica desconfortável com isso, então ela logo senta novamente e tira suas pernas do chão para ficar na cama, e então, fita Dartaul, com um pequeno sorriso de canto.

    O investigador fica apreensivo, cerrando as mãos e puxando o lençol. Despreocupada, Aika se aproxima dele, engatinhando na cama, passando pelas suas pernas e chegando mais perto.

    Tudo ao redor do rapaz começa a ficar esquisito. As paredes começam a derreter e tomar o formato de sangue, seus braços derretem, suas pernas derretem, tornando-se um puro e avermelhado sangue. A garota está presa a correntes vindas dos lados da sala, mas continua se aproximando, apesar de algumas áreas de seu rosto também estar perdendo a pele e sendo substituído por músculos e veias, e, em seguida, por algo semelhante a papel.

    Num piscar de olhos, a ilusão cessa e tudo volta ao normal. Aika está muito próxima, suas mãos tocam as dele, suas pernas estão repousando em parte sobre as dele, seus seios levemente visíveis devido ao decote da camisa. Seus rostos estão a apenas dois metros de distância. A maga sorri, vendo o nervosismo de Dartaul, apesar de o rapaz ser mais velho do que ela. E, involuntariamente, ela vai até ele e o beija.

    Alguns segundos se passam com os dois daquela forma. A maga recua, olhando-o com um pouco de afeição.

    — A ilusão passou? — Indaga a maga. Sua voz é a mesma de sempre, mas seus sentimentos não.
    — B-Bem... Ela passou antes de você fazer isso.

    Aika cora as faces e vira para o lado, com um sorriso tímido.

    — D-Desculpe. — Balbucia Aika, rindo um pouco — Uma vez, alguém me ensinou que pessoas sobre o efeito de ilusões podem ser curadas dessa forma. Um sentimento sobrepõe o outro e quebra as plataformas que a sustenta.
    — Como você sabia que eu estava sobre uma ilusão?
    — Foi uma magia visual que me ensinaram. Eu não consigo apagar ela, por isso meus olhos são azuis. Entretanto, consigo enxergar tudo normalmente e notar distúrbios ao meu redor.
    — E qual é a cor real dos seus olhos?
    — Vermelho.

    Os dois ficam calados por um instante. Aika desaba sobre o corpo de Dartaul, ocultando sua face sobre o peito do investigador e o fazendo corar e seu coração bater mais rápido.

    — Você... Bem... Er...
    — Sim. Eu aprendi beijando alguém. Mas só funciona se houver amor entre os dois.
    — Espera... Então, você...
    — Assim como você.

    Aika envolve seus braços nas costas dele, o abraçando. Dartaul não consegue entender como aqueles sentimentos se nutriram tão rápido entre os dois, mas sabe que, dentre todos que estavam no arsenal, apenas ele se importava e a protegia. Ele preparava e dava comida para ela, assim como a dava outras peças de roupa e um balde d’água com um pano para se limpar.

    Eles conversavam, riam, se entretinham com algumas atividades como damas, xadrez ou cartas. E Dartaul foi o primeiro a intervir, de forma involuntária, quando ela foi capturada por Nightcrawler sem ele falar absolutamente nada sobre. Ele apenas foi lento demais pra entender que ele não estava mais de olho nela ou cuidando dela, mas sim se importando com ela como uma pessoa real.

    O rádio para de tocar aquela música e passa para outra, com uma flauta transversal tocando de inicio.

    — Posso dormir aqui hoje? Esse lugar me incomoda muito...
    — Pode... Mas não foi só pra isso que você veio aqui, não é?
    — Bem, mais ou menos. — Disse a garota, pegando algo de dentro da camisa — Você tinha esquecido seu distintivo lá embaixo. Sei que ele é importante pra você.
    — Ah sim... Obrigado. — Disse o rapaz, pegando o objeto e colocando sobre o criado-mudo — Durma aqui. Só espero que o chapeleiro não se importe.

    Aika ri, assim como ele e passa a aceitar aquele sentimento, abraçando-a e a forçando contra seu corpo. Segue-se um clima de paz, com uma música baixa e simples na rádio. Entretanto, a feiticeira parece se incomodar com algo.

    — E-Ei... Isso aí e-embaixo é o que estou pensando?

    Dartaul arregala os olhos e cora fortemente seu rosto.







    Próximo: Capítulo 17 – Promessa
    não, não é o dartaul pedindo a aika em namoro, aquieta o rabo que eu nao sou romantico assim


    Notas:

    * Tradução livre para Green Claw Swamp.
    Última edição por CarlosLendario; 30-01-2017 às 17:52.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ YouTube ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  7. #67
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    Ufa, finalmente consegui ler tudo! Fiquei atarefado no final de janeiro, pisquei o olho, e você postou uns 6-7 capítulos! hahahahah

    Acho que a pausa na ação foi fundamental para dar mais fôlego para a história. Eles pararem para pesquisar, descansar e se recuperar encaixa muito bem na historia. Acho que você pode dar mais peso nas personagens, ir com mais calma ainda, para a gente sentir mais empatia por elas e chorar quando você matá-las de forma violenta e cruel, hehehe. O número de personagens é bem grande, o que faz com que um leitor possa se perder entre elas, e não relacionar as descrições aos nomes. Além do mais, quanto mais personagem, mais conteúdo e peso o texto deve ter, para a personagem ser relevante a trama. Gostei do romance entre os dois pombinhos no final desse capítulo, embora me pareça pueril demais, algo meio anime japonês. Amor é uma palavra muito forte, talvez você tenha corrido com a relação entre os dois. Ou vai ver eles são dois adolescente bobos apaixonados? Não sei se sou eu que estou virando um velho cético :O

    Fiquei bem curioso sobre o Dartaul e seu passado, assim como sobre Rookgaard. Nightcrawler me pareceu um personagem melhor, com os flashbacks do passado e como caiu na pegadinha do Trevor. Ele cair na pegadinha significa que ele REALMENTE acha que ser preso seria algo possível, o que me faz pensar sobre seus possíveis crimes. Uma coisa que me deixou encucado, porém, é um trecho sobre as patentes thaisenses: você diz que o tenente virou capitão pulando o posto de sargento. Mas, ao menos nos postos militares do mundo real (nos quais você parece ter se inspirado com os nomes), sargento é uma das patentes mais baixas, sendo inclusive NCO (Oficial não comissionado, ou seja, não precisa nem ter feito curso de oficialato). Fiquei confuso.

    Uma coisa que me incomoda, porém, é o exagero no poder da Irmandade. Quero dizer: se eles tão matando todo mundo em todos os lugares, a população tibiana deveria estar se reduzindo drasticamente. E, acredito eu, que mais gente iria estar interessada no desenrolar da brincadeira sangrenta, tanto em oposição quanto favorável. Não sei. Essa irmandade me parece muito onipotente.


    Desculpa se o comentário ficou confuso, é que eu li muitos capítulos ao mesmo tempo. Continue postando, vou continuar acompanhando!
    Quer participar de uma alta aventura com essa turma do barulho? Quer escrever sobre Tibia, ser enganado por um monge pra lá de pestinha? Achas que tens o que é preciso para esma... digo, para entrar no Hall da fama? Passa lá na Biblioteca-imensa-cheia-de-coisa-e-mundialmente-conhecida!

    Escritos no TebeaBeerre

    -=R.I.P =-
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    Eterno troll

  8. #68
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    E aí, Carlos. Foi mal pela demora, só parei pra ler o capítulo novo agora.

    Um capítulo inteiro com o Dartaul (melhor personagem), aí sim

    Gostei bastante do capítulo, você não estava exagerando quando disse que ficou foda. A narração do sonho (?) ficou interessante, principalmente por causa da intercalação entre os acontecimentos e a som do rádio. Outra coisa que achei bacana foi o duplo sentido da palavra "monte" ali, foi uma boa sacada.

    Fiquei ainda mais curioso com a Aika e o pulsante. Parece que ela já era meio estranha antes mesmo do ataque da irmandade. Agora que ela e Dartaul aparentemente ficarão juntos será interessante acompanhar como essa história vai se desenrolar.

    E esse Dartaul safadão aí no final? Imagino o Nightcrawler chegando lá de surpresa e vendo essa cena kkkkk.

    Parabéns pelo capítulo, ficou muito bom. Aguardo a sequência.

    Abraço!
    Son of a submariner!

  9. #69
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    Padrão Capítulo 17 - Promessa

    Citação Postado originalmente por Thomazml Ver Post
    Ufa, finalmente consegui ler tudo! Fiquei atarefado no final de janeiro, pisquei o olho, e você postou uns 6-7 capítulos! hahahahah

    Acho que a pausa na ação foi fundamental para dar mais fôlego para a história. Eles pararem para pesquisar, descansar e se recuperar encaixa muito bem na historia. Acho que você pode dar mais peso nas personagens, ir com mais calma ainda, para a gente sentir mais empatia por elas e chorar quando você matá-las de forma violenta e cruel, hehehe. O número de personagens é bem grande, o que faz com que um leitor possa se perder entre elas, e não relacionar as descrições aos nomes. Além do mais, quanto mais personagem, mais conteúdo e peso o texto deve ter, para a personagem ser relevante a trama. Gostei do romance entre os dois pombinhos no final desse capítulo, embora me pareça pueril demais, algo meio anime japonês. Amor é uma palavra muito forte, talvez você tenha corrido com a relação entre os dois. Ou vai ver eles são dois adolescente bobos apaixonados? Não sei se sou eu que estou virando um velho cético :O

    Fiquei bem curioso sobre o Dartaul e seu passado, assim como sobre Rookgaard. Nightcrawler me pareceu um personagem melhor, com os flashbacks do passado e como caiu na pegadinha do Trevor. Ele cair na pegadinha significa que ele REALMENTE acha que ser preso seria algo possível, o que me faz pensar sobre seus possíveis crimes. Uma coisa que me deixou encucado, porém, é um trecho sobre as patentes thaisenses: você diz que o tenente virou capitão pulando o posto de sargento. Mas, ao menos nos postos militares do mundo real (nos quais você parece ter se inspirado com os nomes), sargento é uma das patentes mais baixas, sendo inclusive NCO (Oficial não comissionado, ou seja, não precisa nem ter feito curso de oficialato). Fiquei confuso.

    Uma coisa que me incomoda, porém, é o exagero no poder da Irmandade. Quero dizer: se eles tão matando todo mundo em todos os lugares, a população tibiana deveria estar se reduzindo drasticamente. E, acredito eu, que mais gente iria estar interessada no desenrolar da brincadeira sangrenta, tanto em oposição quanto favorável. Não sei. Essa irmandade me parece muito onipotente.


    Desculpa se o comentário ficou confuso, é que eu li muitos capítulos ao mesmo tempo. Continue postando, vou continuar acompanhando!
    Grande Thomaz, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Gosto de quem fica atento sobre as coisas nas minhas histórias, então vou te explicar algumas coisas.

    Bem, eu planejo estender por vários capítulos ainda essa parte tranquila até chegar na hora certa. O plano já está sendo armado, então, por hora, me atentarei a dar utilidades e fundos diferentes para cada personagem, para que assim o leitor fique atento sobre quem cada um deles é.

    Sobre o romance, devo dizer: Nunca escrevi cenas do tipo. Eu sou um escritor dinâmico, curto mais a ação e a aventura, mas nos últimos tempos estive com uma forte vibe para o drama e gêneros ao redor, isso me ajudou a fazer essa história e deixá-la boa. Essa cena teve realmente a intenção de mostrar que temos um casalzinho aí, mas ao mesmo tempo, queria saber se sou capaz de escrever uma. E pra me inspirar, cheguei até a assistir um pouco um anime de romance que consegue mergulhar mais intensamente no assunto; Isso me deixou mais confiante na hora de escrever. Mas não consegui disfarçar a semelhança com a obra, então, perdão.(O anime em questão é Kuzu no Honkai)
    E não dá pra dizer que são adolescentes bobos apaixonados, eu meio que corri as coisas, mas de fato durante essas semanas em que eles ficaram próximos foi formando uma relação. Creio que não ia dar tempo de desenvolver isso direito.

    Essa cena do Nightcrawler teve a intenção de mostrar que todos estão em perigo nessa história, não importa quem seja. Eu não tenho muita pena com protagonistas e posso fazer eles se ferrarem sem aviso prévio, como foi o caso desse capítulo. Então, já espere algo acontecendo com os personagens do nada.

    E sobre as patentes: Eu recriei elas para o mundo tibiano, por isso tenente de guarda está abaixo de sargento. O sargento é um estrategista com experiência em campo e em escritório, então eles tem mais importância, digamos assim. Eu formei um rank de como funciona a hierarquia lá:

    Recruta
    Soldado
    Cabo
    Tenente
    Tenente de Guarda
    Sargento
    Capitão de Guarda
    Comandante
    Major
    Comandante-em-Chefe
    General
    Marechal

    Espero que assim tenha ficado melhor pra entender como funciona as Guarnições e a hierarquia do exército em si. Este rank vale tanto pras guarnições quanto pro exército, na falta de uma força aérea para equilibrar; Há também a hierarquia dentro da marinha tibiana, mas isso não vai ter importância na história, então deixo de lado.

    Por fim, a Irmandade não é onipotente. Ela apenas trabalha em intervalos e mata um número calculado de pessoas. Se elas realmente acabassem com com tudo, Carlin inteira teria, de fato, morrido, o que não foi o caso. Lá no capítulo 5 eu mostrei como esses membros podem ser derrotados, mas o motivo deles serem "imortais" assim eu explicarei mais pra frente conforme a história caminha. Mas, de fato, tem várias pessoas que conhecem a Irmandade, elas apenas tem medo de ir contra ela. E acredite, muuuita gente já tentou.

    Enfim, espero que continue acompanhando, Thomaz, e que eu tenha explicado direito. Se não entendeu algo, só comentar.

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    E aí, Carlos. Foi mal pela demora, só parei pra ler o capítulo novo agora.

    Um capítulo inteiro com o Dartaul (melhor personagem), aí sim

    Gostei bastante do capítulo, você não estava exagerando quando disse que ficou foda. A narração do sonho (?) ficou interessante, principalmente por causa da intercalação entre os acontecimentos e a som do rádio. Outra coisa que achei bacana foi o duplo sentido da palavra "monte" ali, foi uma boa sacada.

    Fiquei ainda mais curioso com a Aika e o pulsante. Parece que ela já era meio estranha antes mesmo do ataque da irmandade. Agora que ela e Dartaul aparentemente ficarão juntos será interessante acompanhar como essa história vai se desenrolar.

    E esse Dartaul safadão aí no final? Imagino o Nightcrawler chegando lá de surpresa e vendo essa cena kkkkk.

    Parabéns pelo capítulo, ficou muito bom. Aguardo a sequência.

    Abraço!
    Diga aí Edge, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    É, não foi um sonho, foi um pesadelo, hehe. Essa é uma cena que achei que só daria certo na minha cabeça, acabei conseguindo executá-la bem.

    Aika era só um pouco estranha mesmo, tem coisas que ela conhece que ninguém mais conhece e tal. Mas no geral acho ela normal, só é quieta. E, bom, os dois são um casal agora, e com tempo isso irá se desenvolver como possível. E eu realmente pensei em fazer o Nightcrawler aparecer ali no final, mas deixei pra lá. Ele tem outros assuntos a tratar.

    E bom, você curtiu esse capítulo com o Dartaul, então, irá gostar desse também.










    E aí pessoal, venho trazer-lhes mais um capítulo. Eu bem que estava esperando mais comentários para dar uma avaliada no último capítulo, mas não faz mal. Vamos continuar seguindo o trem.

    A propósito, há várias dicas sobre algumas coisas nesses últimos capítulos(Mais especificamente 15, 16 e 17) com relação ao mundo onde se passa a história e também à história. Não sei se vocês vão perceber, mas espero que consigam.



    No capítulo anterior:
    Dartaul tem um pesadelo envolvendo um ataque da Irmandade à Meriana. Após isso, Aika surge no quarto, e revela ter colocado o pesadelo nele pois ela estava sofrendo com aquilo. Um breve romance acontece entre eles, bem como para salvar Dartaul de uma ilusão que poderia ser uma sequela do pesadelo anterior.




    Capítulo 17 – Promessa



    Sentado sobre uma rocha, um jovem loiro observa algo ao longe. A chuva castiga a grama ao redor, assim como a terra daquele lugar, que parece não ver água a dias. Ela molha todo o seu corpo, mas ele não se importa. Está esperando algo, alguém.

    Seu corpo está coberto de sangue, bem como alguns locais ao redor dele. Talvez ele tenha combatido alguém antes de chegar ali, talvez estivesse ferido, mas ele não se importa.

    O jovem não sairá de lá. Ele continuará esperando.


    ~*~


    Numa loja de armas, alguns rapazes vendem algumas que acham em suas jornadas por alguma quantia de ouro. Eles são recebidos por Obi, um homem de cabelos grisalhos e sempre vestido de sua armadura conseguida em Thais em tempos longínquos.

    Dois desses rapazes se destacam levemente dentre os demais da ilha de Rookgaard. Dentre eles está Dartaul, vestido com uma camisa longa e negra com uma armadura de couro por cima e lanças numa aljava personalizada nas costas. Usa uma calça de correntes, além de dois equipamentos raros na ilha: Um elmo da legião e um escudo de cobre.

    Seu amigo é um rapaz mais alto que ele, usa uma katana e possui equipamentos de bronze, como a armadura, a calça, o capacete e o escudo. Suas botas são amarelas para combinar com o restante. Ele possui cabelos ruivo-escuros e um porte físico levemente maior que o de Dartaul.

    Por onde passam, atraem atenção. Cochichos, olhares admirados ou invejosos, elogios. A verdade é que os dois rapazes eram insanos e buscam o perigo a qualquer custo. Atualmente, eles, junto de outros rapazes, ajudam os necessitados de apoio em Rookgaard, mas antes, eles caçavam todos os mistérios da ilha, uma vez que tinham uma rincha com um grupo rival de aventureiros. Eles eram capazes de virar a ilha de cabeça pra baixo apenas para encontrar seus mistérios, mas não fazem mais isso.

    Dessa vez, os dois rapazes estão determinados a resolver uma das maiores lendas de Rookgaard: A Espada da Fúria. Soluções foram encontradas, e, logo ao saírem da loja de Obi, foram recebidos por uma multidão enaltecida. O vilarejo, nesta época, é muito bem habitado, e ali há pelo menos cem pessoas esperando com que a dupla se reúna com seu grupo para começar a operação: Precisam matar o Minotauro Vigia, mais conhecido como Minwatcher, a criatura que fica numa torre de pedra no norte da ilha.

    Todos elogiam e clamam por uma boa missão para os rapazes. Entretanto, a maioria dessa admiração vai para o rapaz ruivo, que é conhecido por ser um dos melhores guerreiros da ilha e estando pronto pra sair dela. Entretanto, quer resolver aquilo antes de ir consultar o Oráculo. Já Dartaul tinha certa relevância, mas não tanto quanto seu amigo.

    A multidão abre passagem para a dupla passar. Eles chegam até a escadaria ao norte e sobem retribuindo toda a afeição do público. Ao atravessar a ponte, notam que seu grupo, composto por quatro pessoas, está presente logo abaixo. Os rapazes descem as escadas para se encontrar com seus parceiros e os cumprimentar.

    Dartaul parece sorridente. Neste período, ele possui apenas dezesseis anos. Os outros rapazes possuem de dezesseis a dezoito anos. A maioria está equipada de equipamentos de couro, alguns cravejados com metais*.

    — Muito bem, pessoal. — Começa o ruivo, postando-se a frente do grupo — Fizemos o que era necessário para a ilhota parar de pegar fogo e as pedras voltarem pro chão, dessa forma, podemos pegar a espada. Mas para que ela não derreta nossas mãos, precisamos matar o Minwatcher antes.
    — Então está tudo pronto, Charlew? — Questiona um dos rapazes. Ele usa uma armadura, calças e botas de couro, mas possui também um elmo da legião e lanças nas costas.
    — Sim. O Minwatcher está na torre, mas descerá assim que chegarmos perto. Vamos lá, antes que os Baltas tentem algo. Avante, Grimuar!

    O grupo concorda e saúda o seu nome, levantando os braços. Com sorrisos e muito animo, eles caminham alegremente até o norte da ilha, visando chegar num monte próximo. Em seu caminho, eles lidam apenas com algumas cobras ou aranhas, algo irrelevante para aventureiros como aqueles. O céu está claro e limpo e a brisa de verão acalma seus espíritos e revigora seus corpos. Seus olhares parecem indicar que estão preparados para tudo, mesmo que um demônio surgisse do chão para pará-los.

    Após pelo menos vinte minutos de caminhada, eles chegam ao monte em questão. O grupo sobe uma escadaria de pedra artesanal até chegar no topo do monte, onde veem a grande torre de pedra onde Minwatcher fica. Ao olhar pra cima, o grupo nota a criatura observando-os logo abaixo, com seu machado comum em mãos. Ele salta dali, indo direto ao chão, pousando com uma perna ajoelhada. Ao se levantar, consegue intimidar o grupo mais do que eles imaginavam.

    O minotauro vigia é igual aos outros minotauros comuns, mas ele possui pelos mais grossos e escuros, chegando a um vermelho escuro. Possui muitas cicatrizes pelo corpo, além de ser musculoso e ter um olhar imponente. Seus olhos parecem poder ver tudo, assim como diz seu nome. Entretanto, acredita-se que ele tenha mudado muito devido aos atos dos aventureiros para permitir que a espada possa ser pega.

    — É a última vez que digo. Voltem pras suas casas. Deixem a espada onde ela está. Se tomarem ela, esta ilha estará perdida. — Disse o minotauro, com uma voz grossa e rígida.
    — Hã? O que quer dizer? — Questiona um dos membros do grupo, um rapaz encapuzado.
    — Se me matarem e pegarem a espada, vocês quebrarão o equilíbrio deste lugar. Logo ele não poderá mais servir para treinar jovens como vocês. Por favor, entendam. Deixem a Espada da Fúria onde ela sempre esteve, em nome dos deuses.
    — Desculpe, mas não. — Disse Charlew, desembainhando sua espada — Eu quero chegar ao continente com todas as glórias possíveis. Eu serei uma lenda de Tibia. Eu desbravarei tudo que existir nesse mundo. E meu próximo passo é tomar aquela espada para mim.
    — Se é assim... — Balbucia a criatura, girando o machado e tomando posição de luta — Terei que te impedir.
    — Grimuaras! Em posição!

    Charlew e outro rapaz, vestido de uma armadura e capacete de correntes, correm pra frente, atraindo a atenção do minotauro. Os outros quatro se espalham, colocando lanças em mãos. O encapuzado está com um arco e flechas, mas a estratégia consiste em utilizar lanças; Dessa forma, todos estão prontos para atirar quantas for preciso.

    Charlew dá o primeiro golpe de cima pra baixo, mas a criatura defende o golpe aparando-o na superfície da arma. O outro espadachim dá um golpe vertical, mas o monstro se abaixa, avança e dá uma cotovelada em seu peito. Os atiradores lançam suas lanças, mas o minotauro dá um giro completo com o machado levantado e rebate todos os projéteis.

    O outro rapaz tenta um golpe vertical, mas ele é defendido com facilidade. O ruivo golpeia ao mesmo tempo, mas o minotauro consegue segurar sua mão. Ele gira e afasta os rapazes, enquanto mais lanças são lançadas. Ele defende a primeira girando o machado, desvia da segunda saltando, rebate a terceira no ar com um golpe horizontal e caiu no chão para a quarta passar direto, quase acertando um dos atiradores. Minwatcher levanta rapidamente e atropela Charlew antes dele dar um golpe e acerta seu machado na coxa do outro, em seguida socando o seu rosto. Lanças são jogadas novamente, mas o monstro defende-as girando e fazendo fogo com as mãos, transformando-as em pó instantaneamente.

    A criatura para, assim como os aventureiros. Não imaginavam que seria tão difícil derrotá-lo. Felizmente, o rapaz espadachim não foi ferido, apenas foi um golpe para aturdi-lo.

    — É isso. Vocês não podem me derrotar, não importa o que façam. Esqueçam a maldita Espada da Fúria!

    Antes que um dos rapazes pudesse respondê-lo, uma flecha é disparada e atinge a região próxima de seu olho esquerdo, derrubando-o. A flecha em questão foi disparada pelo encapuzado, que simplesmente conseguira sair do monte sem ninguém notá-lo. Minwatcher cai no chão, derrotado, deixando seu machado alcançar o chão, bem como seu orgulho como protetor daquela espada lendária.

    O arqueiro abaixa o capuz e revela-se uma garota de cabelos loiros e curtos. Ela usa uma armadura de couro e calças de metal cravejado, além de botas e luvas de couro. Há um símbolo na parte superior direita de seu rosto, em sua testa, que foi tatuado: Um pequeno olho semelhante ao de um cavalo.

    — Símbolo dos Baltas... Maldição, uma espiã? — Vocifera Charlew, enquanto vê a garota sorrir e começar a correr — Vamos! Eles tentarão pegar a espada!

    Começa uma perseguição desenfreada para capturar a garota. Na frente, está Dartaul e um rapaz de cabelos longos e negros, ambos aspirantes a paladinos. Eles jogam algumas lanças com o puro objetivo de acertá-la ou atrasá-la, e ela cada vez mais toma um caminho diferente do da espada, atravessando a ponte e se dirigindo ao sudoeste ao invés do noroeste.

    Ao chegarem num monte nas proximidades próximo de um lar de ursos, a garota sobe-o e desaparece em seguida. O grupo continua seguindo-a, mas Charlew manda eles se separarem e cercarem o monte enquanto ele, Dartaul e o espadachim sobem. Eles encontram uma escadaria para o lar dos ursos, porém, ao descer, são cercados de todos os lados por outros aventureiros encapuzados com arcos. Alguém surge descendo o monte pelo outro lado junto da garota.

    O local é uma clareira dentro do monte, cercada por grama e arbustos. Pelo menos quatro ursos viviam ali, mas eles não se encontram mais lá. Ao invés disso, há seis humanos, Baltas, inimigos do trio.

    — Tsc. Emboscada... — Disse Charlew, enquanto passa os olhos pelas pessoas ali.
    — Não me diga, gênio. — Caçoa o rapaz no centro com a garota. Ele também possui todos os equipamentos de bronze e uma katana. É um pouco mais baixo que Charlew, mas é mais forte e careca — Foi fácil colocar a Alina entre vocês. Bem, que eu saiba, vocês adoram sangue novo, não importa de onde venha, não é mesmo?
    — Costumamos ser mais confiáveis do que ratos como vocês.
    — É exatamente por isso que somos mais fortes. Grimuar não tem poder suficiente em Rookgaard. Aqui é o ponto de partida para os Baltas se tornarem a guilda mais poderosa de Tibia, lembre-se disso. Isso é um espetáculo, e nós somos os atores.
    — Força não significa nada frente a inteligência. Lembre-se disso também, cabeça de laranja.
    — O que você disse, seu-
    — Dartaul!

    O rapaz entende e joga uma lança com agilidade contra o rapaz na direita. Logo em seguida, eles se abaixam e as flechas dos restantes por pouco não os alcançam. Dartaul corre até o arqueiro abatido enquanto Charlew avança contra os dois logo a frente e o espadachim joga sua espada contra o arqueiro na esquerda.

    — Por um momento eu esqueci porque vocês são tão conhecidos...

    Alina desembainha uma espada curta, mas Charlew desarma-a rapidamente. O suposto líder dá alguns passos pra trás enquanto assiste sua companheira ser abatida, mas não morta, recebendo um poderoso golpe do cabo da espada na testa. Entretanto, outros inimigos aparecem armados com lanças, enquanto nada de aparecer seus companheiros de guilda.

    Charlew teme pelo pior e recua, enquanto algumas lanças quase o alcançam. Dartaul e o outro espadachim também notam o perigo e recuam para a subida do monte enquanto recuperam algumas coisas. Ao chegarem no topo, o loiro é atingido por uma lança no ombro, mas eles não param de correr. O espadachim decide não continuar a segui-los e fica para segurá-los.

    — Ei, Baldt! Vem logo! — Grita Charlew, enquanto ainda correm. O rapaz não fala nada, apenas sorri para eles e se coloca ao lado do monte.

    Dartaul consegue ver o rapaz desferir um golpe fatal no pescoço de um dos lanceiros e um corte letal no braço de outro. Porém, ele recebe uma lança no braço esquerdo de raspão e por pouco uma no rosto, defendida por seu escudo. O rapaz continua lutando enquanto eles correm.

    A dupla segue ao norte, em direção da ilhota da espada. Ao menos sete dos Baltas seguem eles em alta velocidade. Os Grimuar, seus companheiros, desapareceram; Pareciam já terem sido capturados. O céu começa a ficar nublado quando eles passaram pela montanha onde há trasgos comandados por um único orc, onde memórias pareciam voltar por um instante para a mente dos dois.

    Eles já derrotaram aqueles seres em combate, mas eles sempre retornam, quase que por mágica. As aranhas que tinham no caminho para a ilhota sempre reapareciam também, assim como os lobos. Na mente de Dartaul, uma das frases de Minwatcher martela em sua mente, a respeito do equilíbrio da ilha. O fato de alguns monstros retornarem após sua morte teria algo a ver com isso, talvez.

    Mais três inimigos surgem na frente da dupla. Todos eles usam armaduras de bronze, porém, vestem calças de metal cravejado, não usam capacetes e portam espadas comuns. Para Dartaul, aquilo parece o fim, mas para Charlew, não.

    Um trovão dificulta por alguns instantes a visão deles. Um segundo após ele sumir, Charlew aparece na frente do trio num arriscado salto adiante, com a katana preparada e com uma estranha aura azulada e fraca. Ele facilmente localiza um ponto fraco em seus pescoços e corta cada um, jorrando muito sangue. Quando termina, ele está atrás dos três, que caem ao mesmo tempo, enquanto ele limpa a espada lançando-a para o lado e espirrando o sangue na grama.

    — Dartaul, vá embora. Não vai ser mais necessário que você me siga.
    — Mas... E a espada? Nós devíamos pegá-la juntos, não é?
    — Não mais. Agora estamos em um jogo de sobrevivência. Ou melhor, eu estou. Mas você não estará se fugir.
    — Está me chamando de fraco, por acaso?
    — Estou! — Grita Charlew, com um olhar irritado — Mas você pode ser forte. Não precisa morrer aqui, nessa ilha. Apenas vá embora e consiga o tempo necessário para você se tornar forte. Sei que é capaz.
    — Não. Isso se chama covardia, Charlew, e eu não aceito isso!

    Charlew aproxima-se do rapaz. Seus olhos que antes eram castanho-escuros estavam azuis. Ele suspira e tenta ficar mais calmo.

    — Veja bem. Tenho alguns truques na manga, que nem antigamente. Uma estratégia, pois os Grimuar são os melhores estrategistas do Tibia. Por que eu quero que você fuja? Para flanquear o outro lado da ilha. Eu e você somos fortes, isso é verdade, mas se você ficar aqui, só vai atrapalhar a estratégia! Entendeu?

    Dartaul fica em silencio por alguns instantes. Ele duvida um pouco do amigo.

    — Você quer que eu fique na ponte, então?
    — Exato. Vai logo, eles estão vindo. Prometo que logo estarei lá te ajudando com a espada.
    — Certo... Mas promessa é dívida!

    Charlew sorri e dá alguns tapas amigáveis no amigo.

    — Com certeza. E irei cumprir essa, bem como as outras quando eu aparecer com a espada.
    — Sim! Seremos os maiores de Grimuar! E de Tibia!
    — Esse é o espírito! Te vejo em breve!

    Ele corre até a ilhota, enquanto Dartaul vai à direção oposta, em direção da ponte, enquanto uma chuva forte se inicia. Ele contorna a região onde os Baltas podem estar presentes, conseguindo chegar na ponte por cima. Estranhamente, não encontra oposição no lugar.

    O rapaz senta numa pedra próxima, enquanto deixa uma lança de prontidão e usa o escudo para proteger a cabeça da chuva. Ele permanece ali por minutos, esperando o rapaz voltar e observando os arredores.

    A chuva continua forte e extensa por pelo menos uma hora. Dartaul começa a ficar preocupado. O vilarejo esteve silencioso até aquele minuto, quando um grito é ouvido de dentro dele. Os próximos minutos são seguidos de muita gritaria, golpes de espadas e sons estranhos. O lanceiro consegue notar uma pessoa tentando fugir de lá, mas em resposta, seu peito explode e ela cai sobre a mureta da ponte, numa cena grotesca e sangrenta.

    Dartaul não sai do lugar. Ele precisa continuar esperando pelo amigo, mesmo que isso custasse a vida do vilarejo de Rookgaard. Outras pessoas tentaram escapar, mas tiveram destinos parecidos, seja com regiões dos seus corpos explodindo, seja por facas lançadas contra elas. O sangue parece já dominar as áreas mais altas da cidade, além de tingir regiões da ponte de saída de vermelho.

    Passam-se duas horas. O vilarejo volta a ficar em silêncio. Seu amigo não retornou. Ninguém nas redondezas. A chuva continua.

    Três horas. A chuva mudou. Ao invés de cair água, está caindo sangue. Ele está sujo de sangue, tremendo de frio e com um mínimo de esperança. Sua lança está no chão, seu escudo também, assim como sua coragem. Ninguém mais apareceu durante todo aquele tempo. Dartaul possui a sensação de que era o único vivo naquela ilha.

    Sete horas. A noite assola aquelas terras, mas a chuva já havia passado. Dartaul está caído no chão, coberto de sangue que não é seu. Alguém com uma capa longa cobrindo o corpo, e encapuzado, se aproxima dele. Então, num instante, ele nota o que está acontecendo.

    Ele está sonhando.

    Dartaul abre os olhos. Ele vê que está dentro de seu quarto, no Arsenal dos Ratos, deitado de lado. Junto a ele, está Aika, que se encontra adormecida.

    — De novo esse sonho... — Sussurra Dartaul, voltando a fechar os olhos para tentar adormecer novamente.


    ~*~


    Já havia se passado pelo menos uma hora desde que todos debandaram e foram para seus quartos, com exceção da jornalista Zoe, que voltou para sua casa escoltada por alguns soldados. Na cozinha, em frente ao balcão, estão sentados Nightcrawler e Borges, bebendo. O lugar possui um balcão branco, onde por trás dele há vários armários pequenos na parede. Do outro lado, há algumas mesas com cadeiras, e na direita de onde estavam, estava dois fogões, uma pia com uma torneira e mais armários de madeira guardando comida.

    O detetive está usando bandagens pelo rosto, elas estão levemente sujas de sangue. Há apenas uma abertura para a região ao redor da sua boca até o pescoço, onde sua pele parece um pouco queimada e escura. Sua barba rala não foi feita ainda. Borges não parece curioso sobre isso, apenas está bebendo sua cerveja enquanto observa o prato onde comeu tempos atrás com o mascarado.

    — Ei, descobri umas coisas sobre o rapazinho que te acompanha. — Comenta Nightcrawler, quebrando o silêncio — Estou impressionado, de verdade.
    — Hm? Tipo o quê?
    — Tipo que ele era de uma guilda famosa quando esteve em Rookgaard e saiu nove anos atrás. O nome dela é Grimuar.

    Borges toma um semblante sério.

    — Grimuar não foi a guilda que virou Thais de cabeça pra baixo quando entrou em guerra com a Rosa Vermelha?
    — Essa mesma. Depois disso, eles venceram e a guilda perdedora se dividiu em várias. Uma delas era a Baltas, que causou problemas pros representantes de Grimuar em Rookgaard.
    — Porra... Pra ele ter sido parte dessa guilda, quer dizer que é verdade que ele é um paladino de mão cheia.
    — E se é. Ele lutou ao lado de Charlew Iyark Frotesis, que é conhecido por ser um dos mais habilidosos tibianos que já passou em Rookgaard. Eles eram amigos, creio eu. Mas essa briguinha entre grupos acabou quando alguém pegou a Espada da Fúria e 202 pessoas morreram no vilarejo. Isso seria 95% da população da ilha na época.

    Borges toma uma expressão de horror, mas a desfaz rapidamente e toma um gole longo de sua bebida.

    — Dartaul estava lá? Como ele sobreviveu?
    — Não faço ideia. Mas só o fato dele ter sobrevivido trouxe reputação forte para ele. Mas ele recusou a proposta de se tornar um paladino em serviço de Thais e se graduou na universidade de Fibula para entrar na perícia anos depois... Como investigador.
    — Entendo... Como descobriu essas coisas?
    — Tsc. Eu sou a noite, e ela é cheia de mistérios. — Disse o detetive, sorrindo.
    — Arrogante de merda.
    — Só não achei muita coisa sobre você, Borges. Está ocultando identidade também?
    — Lógico que não, senão eu nem seria chefe de escritório.

    O homem termina de beber sua cerveja e coloca-a no balcão. Então, cruza os braços sobre ele.

    — Mas se quiser, eu conto um pouco pra você.







    Próximo: Capítulo 18 – Pecado



    Notas:
    * Tradução livre para Studded Legs, bem como os outros itens mencionados da mesma forma.
    Última edição por CarlosLendario; 15-02-2017 às 12:13.



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    Carlos,

    Estou relativamente atrasado com relação à sua história. Veja só quem merece um negão agora. O jogo virou, não é mesmo?

    Prometo colocar a leitura em dia ainda hoje. Aí, faço uma edição nesta postagem tecendo minhas considerações.

    Abraços.

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