Saudações!
Bem, passando aqui, como de praxe, para deixá-los com mais um Capítulo. Tenho pensado, por conta do tamanho desse Pergaminho, em dividi-lo em duas partes na página inicial, a fim de que fique mais fácil para vocês, leitores, se encontrarem em meio à busca de capítulos. Gostaria, ao final dessa postagem, de ler seus pensamentos a respeito dessa ideia: divido ou não o Pergaminho em duas partes?
Ah! A I Justas Tibianas ainda está acontecendo! Caso você não tenha tido a chance de ler os textos da rodada atual, basta clicar aqui e aqui.
Agora, antes de mais nada, Respostas aos Comentários caem muito bem:
Spoiler: Respostas aos Comentários
Spoiler: A Voz do Vento 2016, Extras #12
Sem maiores delongas, o Capítulo de Hoje!
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Spoiler: Bônus Musical
Capítulo 48 — As Cerejeiras e as Drakinatas
Até que a Morte os Separe.
(Narrado por Yumi Yami)
— Sssinto falta de meuss irmãosss e irmãss… O Imperador tirou muitasss coisass de nósss… E eu quero revanche… Querem me ajudar com isssso? Querem ser participantess da Revolução que libertará osss Lagartoss de Zao?
Aquele plano todo parecia uma grande loucura; Emulov estava determinado a usar os irmãos e Ireas concordava com aquilo! Quanto mais eu parava para refletir, mais insana a situação parecia… Quisera eu, na realidade, não me importar com aquilo tudo. Eles que pusessem suas mãos no fogo! Mas, não! Esquecimento Eterno também afetou a minha vida… Graças ao meu irmão.
Eu ainda estava com muita raiva dele… Especialmente agora, enquanto falávamos com Zalamon. O Lagarto de escamas verdes e vestes cerimoniais parecia desolado; era outra figura triste de Zao: um revolucionário que estava cada vez mais desprovido de ajuda e companhia; suas vestes estavam puídas e gastas pelo tempo, e sua gruta era silenciosa como uma tumba. Emulov e Ireas conversavam com ele, tentando obter informações acerca de Esquecimento Eterno e toda a questão da Corrupção. Eu, por outro lado, tinha algo diferente em mente.
Talvez aquele fosse o último momento com todos juntos; desde a partida de Liive, senti que a Morte, pouco a pouco, estaria nos alcançando. Mesmo sendo de uma raça tecnicamente imortal, não gostaria de ver essas pessoas, às quais me afeiçoei tanto, morrerem muito antes de seu tempo.
E foi naquele instante, quando estávamos saindo da habitação de Zalamon, que tive a ideia mais doida que podia ter naquelas circunstâncias.
— Vamos nos casar, Brand.
— Que? Claro que vamos! — Respondeu meu noivo, sem entender. — Não fechamos data ainda, mas…
— Não, você não me entendeu… — Repliquei, decidida. — Vamos nos casar hoje. Aqui.
Os demais voltaram suas atenções para nós; Brand estava com os olhos arregalados em um misto de surpresa, alegria e consternação.
— Acho que talvez essa seja a última vez em que estaremos todos juntos. — Falei. — Ácredito que, depois de tudo o que vier a acontecer, vamos trilhar rotas separadas. E isso não será por que desgostaremos uns dos outros, senão que a vida segue. Eu espero realmente que não venhamos a perder mais ninguém para Esquecimento Eterno, e, diante de todas essas pessoas queridas que tenho, quero ter a certeza de que o homem que escolhi para amar estará comigo até que a morte nos separe. — Olhei para Brand, dando uma piscadela. — E quero que ele tenha certeza que estarei com ele para o que der e vier.
Icel começou a bater palmas; Morzan logo o seguiu, e não demorou muito até todos, inclusive meu irmão, estarem nos aplaudindo de pé. Brand passou um de seus braços por meus ombros e me abraçou, completando com um beijo em meus cabelos.
Propus aquilo também para ser um momento feliz entre nós, visto que há tempos precisávamos daquilo; estávamos enfrentando muitas desgraças, e aquele seria provavelmente o único momento livre que ainda teríamos…
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O céu estava nublado, e devia ser por volta de três e meia que eu havia, após um banho bem tomado, conjurado meu vestido; era uma peça única em tom marfim, com um cinturão de cor azul escura bordado com pequenas turquesas, e a saia adornada por uma renda de tom azul bem claro; os sapatos eram brancos e com um salto não muito alto, e um buquê de flores de cerejeira. Não me preocupei com grandes detalhes para o cenário — Zao por si só era linda o suficiente para render-me o casamento dos sonhos.
Vesti as roupas com a ajuda de Araz e Ting Li; de alguma forma, ter outra fêmea por perto deixou-as animadas, e fizeram questão de me ajudar com meus preparativos. Trançaram meus cabelos; adornaram minha cabeça com uma coroa igual às que ostentavam em suas cabeças; pintaram meu rosto de forma similar à maquiagem que usavam em dias de festa, tão longes naqueles tempos que enfrentavam: lábios vermelhos em tom fechado, olhos bem marcados em tom preto e sombra dourada, sem adição de pó de arroz.
Araz me entregou o buquê e Ting Li atou uma fita de cor rosa ao meu punho direito, em um sinal de bom olhado para meu casamento. Coloquei meus sapatos, respirei fundo e, acompanhada por elas, comecei a caminhar em direção ao meu futuro, na esperança de que ele durasse o máximo possível.
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(Narrado por Jovem Brand, o Terceiro)
Eu sou o filho da mãe mais sortudo do mundo.
O terno sob medida foi conjurado por Yami; Ireas e os demais fizeram de tudo para que eu não visse Yumi antes da hora. Chen, um Lagarto tímido para sua estatura, entregou-me um par de aneis feitos de cobre trançado, feitos para mim e Yumi; era um presente do estrangeiro para celebrar o casamento. Estava suando frio, nervoso para caramba… Não podia imaginar que eu, que outrora enfrentara Morgaroth sem hesitação, ver-me-ia naquela situação, com as pernas bambas ante meu próprio casamento! Deixar de ser solteiro era, de fato, assustador para mim. Ainda assim, queria aquilo mais que tudo. Queria uma prova concreta de que aquela mulher era minha e de ninguém mais, principalmente em um momento tão crítico para o nosso círculo.
— Bem… É isso aí… — Falei, soltando um suspiro. — O último momento feliz antes de nos jogarmos à corrupção de Esquecimento Eterno…
Dito isso, guardei os aneis dentro do bolso interno de meu terno, abri a porta de correr e segui para o jardim, à espera do começo de uma nova fase na minha vida. Emulov, que era o único Sacerdote local, presidiria a cerimônia; ao meu lado direito estavam Ireas, Wind, Morzan, Sírio e Icel. Do lado esquerdo, começaram a chegar Araz, Ting Li e os gêmeos, que ainda não haviam sido despachados para o Exército Imperial; Yami havia voltado para o início do corredor, e não demorou muito até ele aparecer de braços dados com a minha noiva. A mulher mais linda do mundo…
Eles vieram em uma caminhada lenta, que me parecia eterna; sentia o ar faltar em meus pulmões e a felicidade transbordar de meu corpo; vinte e oito anos de vida solo convicta estavam prestes a acabar naquele momento: e eu estava aceitando tranquilamente aquele meu destino.
Yami me confiou sua irmã e apertou minha mão com respeito, e foi para o lado esquerdo do altar; Emulov pigarreou e começou, enfim, a cerimônia; fizemos nossos votos, eu e Yumi, firmando um compromisso na felicidade e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias do resto de nossas vidas até o dia em que a morte nos separasse…
— Pelos poderes a mim concedidos em tão curto tempo, eu os declaro marido e mulher! Brand, pode beijar a noiva.
E, com um beijo, selamos nosso contrato. Para o melhor e para o pior dos cenários.
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(Narrado por Ireas Keras)
O plano de Emulov foi executado na calada da noite, com Zula e Zala sendo mandados para o Quartel Imperial mais próximo. A nós coube ir ao campo rebelde mais ao leste do Ninho Suv, onde corremos contra o tempo para buscarmos o mapa que Zalamon precisava. Foi quando se iniciaram os combates.
Tropas ferozes de Lagartos fanáticos pelo Imperador, serventes de sua vontade; éramos nós contra cinco vezes o nosso número na ida, e três vezes na volta; lanças voavam nos céus contra a magia que tínhamos; martelos contra a cimitarra de Yami e a alabarda de Wind, e senti a falta da precisão do machado de Liive naquele instante; os manguais vieram ferozes para quebrar as flechas, virotes e lanças de Jack, Icel e Brand, e eu e Yumi nos desdobrávamos para dar conta das nossas feridas e às de nossos companheiros de batalha, e o reforço de Drakinatas parecia não acabar nunca.
Dois Legionários e um Alto Guarda voltaram suas atenções para mim; seus silvos violentos eram uma advertência que antecedia a investida.
— Exevo Gran Frigo! — Conjurei, espetando-os com o frio de minha mana.
Eu corria, atirava e, consequentemente, me afastava da multidão; ouvi as vozes de meus companheiros ao longe, e por pouco não fui acertado pelo mangual segurado pelo Alto Guarda; com dificuldade, revezei minhas magias em cura e ataque, bebendo poções rapidamente para me recuperar.
— Exeta Res…! Droga! — Yami, em vão, gritou ao longe, e sua voz parecia abafada para mim. — Keras atraiu a atenção do trio!
Naquele transe, o Vento começou a falar comigo; ouvi sussurros de uma voz nada familiar, que parecia perto dali. A voz de um homem que não era livre. Acabei me distraindo, e o mangual acertou-me com tudo em minha barriga, e eu caí no chão.
Quase apagando, tive a visão de um templo com mais Lagartos, uma sala escura e um homem musculoso e de cabelos grisalhos acorrentado, tentando soltar seus grilhões na marra, transformando em força a sua vontade, a fim de dobrar o metal escuro.
— Ireas, cuidado! — A voz de Wind fez-se ouvir em um instante.
Balancei a cabeça e a visão sumiu; os Lagartos estavam prontos para me dar o golpe final, e eu joguei uma runa azul de simbologia agressiva no chão, fazendo gelo surgir ao meu redor e empalar com vontade aquele trio problemático. Eu me levantei com dificuldade, e minha batalha inicial estava acabada.
— Exura Gran Mas Res! — Falei, conjurando uma magia para recuperar as feridas de todos os que estavam perto de mim.
O alcance do meu desejo de cura foi maior que eu pensava, e dei conta das feridas de todos; as mais graves, sofridas por Wind e Yami, foram reduzidas a cicatrizes leves, porém marcadas. Estranhamente, Jack pareceu ter sido mais afetado, com suas feridas recusando-se a fechar, ainda que não sangrassem.
— Quem pegou o mapa?! — Indaguei, ofegante.
— Eu! — Yumi falou, erguendo o mapa no ar. — Posso entregá-lo a Zalamon, não se preocupe! Segurem a posição por alguns segundos, que logo volto! — Com isso, estalou os dedos e sumiu no ar.
Mais uma bateria veio; sete vezes o nosso número. Zaoguns ensandecidos vinham diretamente para Emulov, ultrajados com o fato de ele usar uma armadura de Lagartos sendo um Humano. Icel e Jack combinaram lanças e flechas em um esforço de frear a multidão sedenta por sangue. Eu, o único curandeiro disponível, mantinha-me próximo de Yami enquanto concentrava-me em manter todos vivos.
Criava avalanches e fazia chover estacas de gelo enquanto meus amigos mantinham-se atacando as tropas.
Comecei a me cansar, e Yumi logo apareceu para me dar reforço nas artes da cura. Ofegante, comecei a piscar lentamente; sentia-me estranhamente mais cansado, especialmente ao inalar aquele ar com cheiro metálico e corrupto. Notei, também, que Jack estava começando a vacilar, e apresentava os mesmos sintomas que eu.
“Meus filhos, tenham cuidado… Vocês caminham em terras maculadas pela maldição…”
Era a voz de Nurnor que vinha falar conosco. Estava ainda mais fraca; ainda mais frágil e pouco audível, mas forte o suficiente para nos manter ainda presentes naquele cenário de batalha.
“Há um espírito livre que pode ajudá-los… Mas está preso, e vocês têm que libertá-lo… É um guerreiro atormentado, que deseja a liberdade… Encontrem-no, minhas Vozes…”
Voltamos a nós mesmo quando o Vento soprou rápido em nossos ouvidos, forçando-nos a acordar daquele quase sonho. As tropas haviam morrido, e tínhamos a tarefa de investigar a construção conhecida como “Templo do Equilíbrio”. Começamos a nos dirigir para lá quando, para a minha infeliz surpresa, Jack começou a desfalecer.
— Jack! — Gritei, segurando-o antes que ele fosse ao chão.
— A Corrupção… Queima! — Jack urrou com dor. — Que diabos... É… É isso?! — Ele desfaleceu logo em seguida, com a pele queimando de febre.
— Keras, precisamos avançar! — Yami interveio, agitado. — Haverão mais Lagartos guardando esse lugar, e outros tantos em nosso caminho. Essa aldeia está lotada, e não poderemos nos manter aqui por muito tempo!
Comecei a ouvir as passadas marciais do próximo batalhão, e tomei a decisão de colocar Jack em minhas costas e carregá-lo para longe. Sua pele ficou mais pálida e escorregadia, e não demorou muito para que, em nossa corrida, os Lagartos nos encontrassem de novo — e em maior número.
— Para onde, Yumi?! — Urrei, tentando colocar Jack em um local seguro.
— Noroeste! — Falou a Djinn Druida, prendendo em vinhas os Lagartos que vinham em minha direção. — O que aconteceu com Jack?!
A condição do Vento do Sul piorou ainda mais; seu coração começou a desacelerar, e sua respiração ficou cada vez mais difícil. Yami e Wind revezaram-se em combate, derrubando os Lagartos que se aproximavam demais de mim e Jack. Icel, Emulov e Brand faziam o que podiam para se adiantar às tropas que vinham mais atrás.
— Não… Não! — Gritei, analisando os sinais vitais do Paladino. — Estamos perdendo ele!
“E seja sábio quanto à sua dádiva... Você só tem mais uma, talvez duas chances de usá-la.”
A voz de Variphor logo veio à minha mente. Abri minha Capa da Concentração e toquei a rosa azul estampada em meu peito; a Última-Bênção que Yami me havia concedido, e que me salvara um dia da morte. Agora, essa bênção, de alguma forma, salvaria Jack da partida prematura. Seus olhos estavam perdendo o brilho, e sua respiração havia cessado de vez. Eu tinha que fazer algo, e rápido.
— Que a dádiva que foi a mim dada… Seja passada a quem precisa. Exana Vita*!
Fiz o conjúrio colocando a mão sobre o peitoral de Jack; aquela magia, que não me fora ensinada por ninguém, veio naturalmente; a marca em meu peitoral começou a brilhar e senti o coração de Jack voltar a bater. Em dois segundos, Jack arregalou os olhos e deu uma grande lufada, voltando a respirar. Por muito pouco, quase perdi meu irmão de alma.
Ajudei-o a levantar, e logo vi Lagartos diferentes em meio à multidão de Legionários e Altos Guardas; eles carregavam consigo cajados de ouro com rubis, e trajavam capas longas de cor alaranjada e mantos que imitavam o fogo. Um deles sussurrou algo em um dialeto incompreensível e asqueroso, criou duas chamas douradas no chão e logo dois Filhotes de Dragão surgiram do fogo mágico.
— Sacerdote de Dragões! — Advertiu Emulov. — Tomem cuidado!
— Beba quantas poções puder, Jack… — Sussurrei ao Vento do Sul, decidido. — Teremos uma longa luta à frente!
Ele concordou com a cabeça e tirou de sua mochila uma Grande Poção de Espírito, tomando-a em poucos e grandes goles. Em pouco tempo, conseguiu ficar de pé sozinho, e eu decidi avançar contra os outros Lagartos, atirando runas que geravam avalanches contra eles.
Começávamos a diminuir cada vez mais seus números na medida em que nos aproximávamos do Templo do Equilíbrio; era uma construção magnífica, medindo cerca de trinta metros e formando uma estrutura de cone, ornada por pagodas de lajes avermelhadas com detalhes em dourado. As paredes, que pareciam ser brancas, ostentavam manchas negras e borbulhantes, bem como o cheiro de corrupção ostensivo. Havia algo de errado lá.
— Esperem… — Emulov falou, sinalizando para que parássemos. — Melhor recuperarmos nossas forças… Está anoitecendo muito rapidamente aqui.
— Isso é bom ou ruim? — Indagou Morzan.
— Bom para os Lagartos; péssimo para nós. — Replicou o Zaoano sem hesitação. — No entanto… Parece que as luzes do Templo estão acesas…
— Teremos companhia, então. — Falou Wind. — O que faremos?
Emulov cruzou os braços, pensativo; ele ficou de costas para nós, olhando para o Templo. A luz de Suon já havia alcançado seu zênite no horizonte quando o Feiticeiro Zaoano voltou seus olhares para nós novamente, sério e decidido.
— Um andar de cada vez, esse é meu comando. Ninguém entra, ninguém sai; nós entraremos juntos e sairemos juntos. E vamos contar a Zalamon o que testemunhamos lá, seja o que for.
Continua...
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Glossário:
(*): Magia de autoria de Ireas, seria uma contraparte ao Exana Mort dos Feiticeiros, tendo dupla ação: remover o efeito de Maldição e curar as feridas do afetado com alcance entre Exura Gran e Exura Vita, dependendo do Magic Level.
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E é isso aí, pessoas!
Não se esqueçam de comentar, pfvr. Ah, e deem uma passada da I JT também! Tem textos bem bacanas, sei que vão gostar
Até o próximo!
Abraço,
Iridium.
EDIT IMPORTANTE!
O post inicial foi editado! Agora, o Segundo Pergaminho está disponível em duas partes; do Prólogo e Capítulo 01 ao Capítulo 31 configura a primeira parte; a Segunda se estende do Capítulo 32 em diante.
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