Calmera: Druida Amanra é uma bonita garota, jovem o suficiente para assim ser chamada. Ela é oriunda de Carlin e, apesar de amar a cidade, pouco fala sobre seu passado. Amanra possui aproximadamente 1,62 m de altura, um corpo um pouco frágil, porém uma mente pensante. Seus cabelos são tão negros quantos seus olhos, e sua pele morena-clara lhe foi herdada para camuflar-se com as árvores que adora. Para reconhecer Amanra, não há segredo: quando não está vestindo sua armadura, ela usa um longo vestido marrom e sapatos da mesma cor, que combinam com uma delicada echarpe verde, a qual acentua o ar de nobreza que a mesma possui — apesar dela querer, a qualquer custo, escondê-lo.
Amanra gosta muito de escrever e discutir sobre diversos assuntos. É atenta como uma caçadora e selvagem como seus irmãos de natureza. Por ter vivido muitos anos in natura, possui o hábito de cultivar seus instintos — o que nem sempre resulta em boas coisas. Seus principais interesses são assuntos referentes à Alquimia e a Natureza de Crunor. Ela ama profundamente Crunor, a Primeira Árvore, e prometeu cultivar seu nome todos os dias, tanto em sua mente, quanto em seu coração.
Amanra aos 16 anos.
Fragmento do Diário de Amanra
Eu não sei ao certo quando meus pais decidiram me ter. Só sei que nasci em uma época em que o Reino de Carlin prosperava e era tão habitado quanto o de Thais.
Nasci em meio ao luxo, ao desperdício e a avareza. Morei, durante alguns anos, em um grandioso castelo próximo às terras carlinenses e ia, semanalmente, às festas realizadas pela Rainha ao povo nobre. Eu nada daquilo gostava e muitas vezes repreendia meus pais com olhares silenciosos. Eles resmungavam alegando terem dado vida a uma filha indigna de suas riquezas. Eu só os escutava, afinal, não desejava nada daquilo.
Durante muito tempo, eu tentei fazê-los mudar. Todavia, foi tudo em vão. Então, eu percebi que o que os deuses haviam programado para mim não era uma vida de riqueza e luxo, mas, sim, uma vida muito... Muito diferente. Eu olhava para fora das grandes e bem arquitetadas janelas do castelo onde vivia e via animais, seres selvagens, vivendo harmonicamente. Eu via a Natureza vibrar, eu sentia cada fio de meus cabelos lisos e sedosos arrepiarem-se com a sua energia. E eu clamava, eu queria estar ali mais do que tudo e sabia que era aquele meu verdadeiro lar.
Eu tentei dizer isso aos meus pais sem ofender-lhes a honra, no entanto foi extremamente doloroso, tanto para mim quanto para eles. A eles, porque não aceitavam uma nobre vivendo na floresta, desprotegida e correndo riscos; a mim, porque apesar de tudo sempre os amei e me entristecia sua incompreensão. Após muito tempo discutindo, chegamos a um acordo e eu seria levada a Padreia, a líder dos Druidas de Carlin. Padreia é uma jovem senhora, que possui bonitos traços e um rosto extremamente delicado. Desde o que dia em que pisei em sua casa, amei-a profundamente. Ela se tornou minha tutora, apesar de meus pais ainda viverem naquela época. Desde então, eu nunca mais os vi. Só anos depois fiquei sabendo de sua morte.
Atualmente, encontro-me muito mais amadurecida. Aprendi muitas coisas, tanto a respeito da Criação quanto a respeito da Natureza de Crunor, das cidades, do comércio, das vocações. Eu estudei muito desde o dia em que cheguei à casa de Padreia e tudo o que sei é fruto dos ensinamentos da druidisa. Eu a amo e serei eternamente grata a ela por tudo. Porém, o que me deixa estarrecida é a forma como fala de meu turvo e sinuoso futuro. Quando lhe pergunto o porquê, ela simplesmente cala-se e me olha com preocupação, como se escondesse algo. É por isso que, hoje, eu estou em busca do meu futuro. Sei que Padreia não ficará contente com isso, mas eu preciso saber o que me aguarda. Seja como for... Sei que Crunor estará ao meu lado.
[L.T] - Swettie (Vinera) & Druida Amanra (Calmera)