Well, as pessoas não apareceram, e que se dafo o double post. Aí vai, capítulo 3. Existe uma passagem neste capítulo que alguns de vocês poderão reconhecer de um filme, bem conhecido, diga-se de passagem, para os que não têm medo de filmes de terror. Eu assisti esse filme alguns dias atrás, e achei interessante a passagem.
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CAPÍTULO 3 – UM GRITO DE SOCORRO
A voz no telefone foi bem clara.
- Eu sugiro que você evacue a extensão inteira da Analítica. Você já deve saber, ou deveria saber, que nós tomamos o seu míssil de alcance nuclear da base de Budapeste, dois dias atrás. Está em nosso poder. Está em nossa base. Michael Jeric foi muito importante para nós.
- O que é que você quer, seu doente?
- Eu não sou doente, Jack Nicholas. Eu apenas luto por um ideal justo na Terra. O Míssil de Alcance Nuclear está voltado para a Analítica e será disparado em setenta e duas horas. Vocês têm o tempo necessário para evacuar o prédio, mas não o suficiente para salvar seus projetos ou sua empresa. Está acabado, Jack. A Analítica chegou ao fim.
- Por... – Jack tinha problemas para pronunciar as palavras – Por que você está agindo assim? Qual o intuito?
- Vocês favoreceram os Aliados na Segunda Guerra, com armamento e explosivos, e nos fizeram perder a guerra. Vai pagar, Jack Nicholas. Vai pagar.
* * *
Eu preciso, pelo amor de Deus, sair daqui e fazer alguma coisa! Este era o pensamento na cabeça de Leonardo Yami, o japonês responsável pelo sistema de câmeras do campo nazista. Michael estava ao seu lado, sentado no chão, tomando o energético com bolachas que o próprio Leonardo o havia dado ao acolhê-lo no campo de concentração.
- Você... É boa pessoa.
- Obrigado, Michael. Eu acho que nós devemos deixar o lugar e alertar as autoridades.
- Não podemos. A CNN divulgou aos quatro ventos que eu sou responsável pela morte do meu pai – uma lágrima correu o rosto de Michael, enquanto ele abaixava a cabeça disfarçando ligeiramente.
Leonardo avaliou as opções. Ele era alto, aproximadamente o tamanho de Michael, quase um e oitenta de altura. Os longos cabelos grisalhos caíam levemente sobre a face impecável. Era
hippie. Era forte e tinha os ombros largos. Havia uma marca com a letra S em seu pulso, semi-escondida sob o uniforme.
- O que significa? – Perguntou Michael, apontando para a marca.
- Samantha. É minha irmã. Foi morta na Segunda Guerra, na frente dos meus olhos.
- Como foi?
Leonardo passou a contar a história.
* * *
Leonardo e Samantha corriam intensamente pelo campo coberto de neve em Nova York, depois de terem fugido do Japão clandestinamente por um navio, quando foram pegos por oficiais norte-americanos, durante a Segunda Guerra.
O Padre Merrin estava de pé, ao lado de quatro oficiais. À sua frente estendia-se uma fila de quinze pessoas. Um dos oficiais dirigiu-se a ele.
- Padre, quais deles deverão morrer?
O Padre passou a rezar. Então, o oficial puxou Samantha para si.
- Rezando, padre?
- É só o que me resta. Que Deus esteja conosco.
O oficial riu.
- Deus? Sinto muito, padre Merrin, o seu Deus não está aqui hoje - e deu um tiro na cabeça da garota, que caiu dura em seguida. Depois, em estado de choque, Leonardo fugiu.
* * *
Michael e Leonardo corriam pela tubulação central do campo. Leonardo disse que sabia como sair, bastava que percorressem toda a tubulação até a fronte de ar principal, e então dobrassem à direita. Ele sabia como o prédio era construído, afinal, pelo ódio dos EUA, acabou auxiliando na construção do campo de concentração.
Chegaram à fronte central e dobraram à direita. Estavam quase do lado de fora. Havia quatro guardas de sentinela nos portões fechados à base de energia eólica transmutada.
- Como sairemos, Yami?
- Eu tenho isto - Leonardo mostrou-lhe um revólver com silenciador. - Mas eu acho que não confio muito na minha pontaria – disse Leonardo, entregando a pistola para Michael.
Michael deslizou pela tubulação com a arma na mão e desceu as escadas sorrateiramente. Estava no chão, mas certamente não seria notado, desde que estava fardado como os próprios soldados. Tudo que tinha de fazer era, com o silenciador, eliminar os quatro soldados. Nada de mal, afinal, segundo a
Cable News Network, ele já tinha matado até o próprio pai...
- Fique aqui. Eu distraio os guardas e elimino-os um por um.
- Certo. Quando tiver terminado, eu descerei.
Michael caminhou poucos passos até o portão e começou a conversar com um dos guardas, num alemão fluente sem nenhuma marca de sotaque.
- O que há? – a primeira vítima estava confusa.
- Os quatro guardas de sentinela – Michael não aparentava nervosismo algum. – Preciso de todos eles aqui, agora.
- Sob que fundamentos?
- Ordem do Führer.
- Temos um prisioneiro, soldado – o sentinela parecia desinclinado a aquecer à ordem.
- Eu espero não precisar falar novamente.
Os quatro soldados aproximaram-se, enquanto Leonardo estava quase vomitando o coração.
- Eu quero uma fila indiana. Sem demora, não tenho tempo a perder. Tirem os capacetes.
Os guardas obedeceram. Michael passou por trás da fila, mantendo-se atrás dos soldados. Empunhou a arma e apontou na cabeça do primeiro soldado da fila indiana perfeita que havia sido montada.
- Sinto muito, sentinelas.
The dream is over.
Os dois tiros acertaram a cabeça dos quatro soldados. Não havia nada mais a ser feito. Michael e Leonardo forçaram a abertura através do painel central e saíram do campo de concentração. Na saída, Michael não pôde deixar de notar. No meio do campo, na direção de Frankfurt, havia um enorme míssil de alcance nuclear com o emblema
EAI marcado na base.
* * *
- Como pode ver, senhor – Jack voltava a fita várias vezes -, ele nos ameaçou claramente. Há pouco, recebemos um fax com uma marca que eu não faço idéia do significado.
O tenente Dudley Clark estava parado em frente ao painel luminoso da sala do presidente. Lá fora, em formação perfeita de fila, havia cinco homens.
- Jack – o tenente pronunciava-se -, eu posso ajudá-lo munindo-o de arsenal poderoso. Talvez, alguns de meus homens possam se infiltrar no campo de concentração. Não acho que Michael esteja envolvido na morte de George, muito menos com a organização nazista. Se ele estivesse aqui, a ajuda dele faria toda a diferença.
Foi quando um clique veio da porta. Ela se abriu com um rangido. Parado, ao lado de um hippie japonês, estava um ruivo fardado. Jack quase teve uma parada cardíaca. A vontade que teve foi de empurrar o rapaz escada abaixo, mas conteve-se.
- O que é que você está fazendo aqui, seu desgraçado?
- Cala a boca, Jack. Eu já tive problemas demais por hoje. Se você quiser, eu explicarei. Se não, eu vou explicar da mesma forma. A partir daí, acreditar ou não é sob sua conta e risco.
Jack ouviu atentamente. Tudo se encaixava. Michael terminou a explicação, só depois pôde perceber o tenente Dudley Clark sentado na ponta da mesa de reunião, divertindo-se com a situação.
- Ah, ótimo, Michael. Sendo assim, eu posso entregar-lhes a munição.
Os outros três na sala se entreolharam. O bipe emitiu um ruído suave, em seguida, num marca-passo perfeito, cinco soldados de elite subiram as escadas e entraram na sala da presidência.
- Estes – o tenente falava, orgulhoso -, são os meus melhores soldados. Resistentes. Criativos. Fortes. Inteligentes. Não existe no mundo um esquadrão de filtragem como este.
- É... um batalhão – Jack balbuciava, estarrecido. – Um punhado de homens excepcionais.
- Sim, Jack. São todos seus – disse Clark, sorrindo.