Spoiler: Comentários passados
Bom dia a todos!
Bom, com a chegada do décimo capítulo estamos encerrando o primeiro "arco" da história; editarei o índice de capítulos no post principal para deixar tudo mais organizado. Quero agradecer a todos que leram até aqui, em especial aos que deixaram ao menos uma vez seus comentários: @Iridium , @CarlosLendario , @Larius , @Glauco , @Shirion , @Senhor das Botas , @Kaya Mithsay , @Lacerdinha , @lucas676 , @Thomazml e @Skunky .Sério, o apoio de todos vocês foi fundamental para eu ter conseguido escrever até agora. A história ainda está no início, portanto ainda tem muito água pra rolar! Espero contar com a presença de vocês novamente (e também quem ainda não comentou por aqui, sinta-se livre para fazer qualquer crítica, sugestão, elogio, ou o que você preferir) xD
Sem me estender mais, vamos ao capítulo. Boa leitura!
Capítulo X – O Legítimo
LEON
Quando a pequena embarcação aportou na costa de Rookgaard o clima entre os recém-chegados era de incredulidade. Não era para menos, já que os soldados da guarda Thaiana vieram para reforçar as defesas da vila contra uma possível ameaça de ataque, não para explorar uma ilha destruída. Um homem alto, vestido de prata dos pés a cabeça e que parecia ser o líder da tropa era o mais assustado entre eles, e, após uma breve pausa para olhar o cenário a sua frente, virou-se para mim e os outros sobreviventes.
— Pelo sangue dos deuses!!! O que aconteceu aqui??? — Perguntou ele, com os olhos muito arregalados.
Nós quatro simplesmente viramos o olhar para o chão, com dificuldades para encontrar palavras que explicassem tudo aquilo. Após alguns segundos, Hoppus decidiu se pronunciar.
— Como podem ver, vocês chegaram um pouco atrasados — Disse ele, apontando para os escombros da vila. — Os minotauros atacaram dois dias atrás, e apenas nós quatro sobrevivemos.
Assim que vimos o navio apontar no horizonte, Hoppus fizera um pedido, no mínimo, suspeito para nós: Ele não queria que contássemos sobre os reféns e de tudo que presenciamos no Inferno dos Minotauros para os guardas. Marlon protestou bastante, dizendo que, com a ajuda de Thais, seria mais fácil recuperar os cativos; precisei concordar com ele nessa, já que não há a mínima possibilidade de conseguir salvá-los se apenas eu e Marlon fôssemos lá... Jasmine acatou de imediato, afirmando que os reféns não eram da sua conta; depois de um tempo, Hoppus conseguiu nos convencer também a manter silêncio — repetindo várias vezes para que confiássemos nele —, até que Marlon cedeu e prometeu não dizer nada por enquanto.
Enquanto eu divagava sobre os possíveis motivos que Hoppus teria para nos pedir isso, o guarda a nossa frente parecia ter absorvido melhor as informações sobre o ataque à vila.
— Isso é inacreditável! — Exclamou o líder, que havia tirado seu elmo, revelando uma face completamente suada — Vamos ter que interrogá-los bastante ainda, queremos entender o que aconteceu... Mas, antes, precisamos sair daqui; esse lugar está condenado, não há o que fazer. Nenhum de vocês possui uma vocação ainda, certo?
— Eu já sou um cavaleiro formado, Senhor, só estava de passagem pela ilha. Aqui está minha identificação — Respondeu Hoppus, mostrando um pequeno broche prateado com o desenho de duas espadas cruzadas e um escudo ao fundo. — Porém, essas crianças aqui ainda não completaram o treinamento para iniciantes; os senhores poderiam deixá-los na Ilha do Destino, antes de seguirmos para Thais? Já que o oráculo foi destruído...
— Ilha do Destino? Aquele lugar ainda existe? — Respondeu o guarda, sem demonstrar ironia — Enfim, não temos tempo nem recursos pra dar uma volta tão grande, pretendíamos ficar na vila por um tempo... Vamos levá-los para Thais assim mesmo, quando chegarmos lá os enviaremos para os líderes das guildas; eles darão um jeito. A propósito, ainda não me apresentei: Sou Walter, Guarda Real a serviço de Vossa Majestade, Rei Tibianus III.
— Uma honra estar diante de sua presença, Senhor — Respondeu Hoppus, fazendo uma pequena reverência. — Sou Hoppus, apenas mais um cavaleiro simples. O cara-pálida ali se chama Marlon, e a princesinha com corpo de homem é Jasmine; o garoto mudo é... Leon, isso mesmo.
Jasmine não gostou nem um pouco da brincadeira; apesar de não ter feito nada, sua expressão fechada a denunciava. Eu já estava acostumado a não ser muito notado, portanto, até achei demais ele ter lembrado meu nome tão depressa; já Marlon não reagiu às palavras do homem — o garoto parecia muito sério e sem nenhum clima para brincadeiras.
— Então, não vamos perder mais tempo; preciso relatar tudo isso ao Rei... Que situação complicada — Disse Walter, enquanto se dirigia ao soldado mais próximo. — Você ouviu, não é? Vamos logo.
— Sim, Capitão! — Respondeu o soldado, batendo continência, enquanto já preparava as ordens para a tripulação — Suspender a âncora! Içar velas! Vamos voltar para Thais.
...
A viagem não foi muito agradável para mim. Nunca havia estado em uma embarcação antes, e a experiência acabou sendo bem traumática, pois passei grande parte do caminho com náuseas e vômitos. Em um dos raros momentos em que estava bem, fiquei na proa do navio, observando a movimentação da tripulação. O navio não era muito grande; para se ter uma ideia, ele estava tripulado por apenas dez soldados de Thais — incluindo Walter —, além de nós quatro de Rookgaard, e já estava praticamente com sua capacidade máxima. Ouvi um dos soldados comentar com Hoppus que o tamanho reduzido aumentava consideravelmente a velocidade da viagem, chegando a durar metade do tempo que um navio padrão de Thais levaria no mesmo trajeto. Enquanto olhava para o mar, pensando em que tipo de cidade seria Thais, Marlon se aproximou de mim, ainda com a cara fechada.
— Leon... O que você acha do Hoppus? — Perguntou-me o garoto, subitamente — Não sei se posso confiar nele ainda... Tudo bem que nos ajudou a chegar ao covil dos touros, mas ainda fico com um pé atrás. O que você pensa sobre isso?
— Também não sei o que pensar, Marlon — Respondi, sem muita convicção. — Não vejo motivo para esconder os fatos, isso não vai ajudar a salvar o Kyos e meu pai...
— Concordo, acho que precisamos de toda a ajuda possível para invadir o tal país dos minotauros — Disse ele, mostrando uma expressão um pouco mais aliviada. — Porém, vamos esperar até o fim da viagem; até lá poderemos tentar descobrir qual é a desse cara.
— Tudo certo então — Respondi, sentindo-me mais seguro. — A propósito, como está seu tornozelo?
— Olha... Não vou mentir pra você, está me incomodando bastante ainda — Marlon sussurrou, aparentando estar envergonhado. — Preciso procurar um curandeiro assim que chegarmos a Thais... Mas não se preocupe com isso agora; já decidiu qual vocação vai escolher?
A súbita pergunta me pegou de surpresa: Ainda não havia atentado para o fato de que precisaria escolher minha vocação agora. Obviamente nunca havia me preocupado com isso antes, já que não me imaginava nem saindo da vila de Rookgaard, muito menos em me transformar em um guerreiro. Pensei durante alguns segundos sobre minhas opções; um feiticeiro ou um druida pareciam complicados demais, apesar das magias de cura me interessarem um pouco. Um paladino parecia uma boa, mas minha mira para atirar lanças e flechas provavelmente seria horrível, já que não tenho muita firmeza nas mãos... Acabei dizendo a opção que parecia mais simples para alguém inexperiente.
— A-Acho que serei um cavaleiro mesmo... — Respondi, finalmente, gaguejando um pouco — E você?
— Hahaha, Quem diria que você seria um bravo cavaleiro salvador de donzelas, não é? — Zombou ele, enquanto dava um de seus sorrisos habituais — Eu? Acho que está óbvio: Um cavaleiro! Tenho certeza que Kyos também escolherá isso; assim que o salvarmos poderemos ser os três mosqueteiros, o que acha?
— Soa bastante imponente, mas eu estou mais perto de precisar ser salvo por donzelas do que de protegê-las... — Respondi, mais relaxado, ao notar o bom humor do garoto; será que já poderia dizer que somos amigos?
— Ora, não diga isso! — Marlon retrucou, ainda rindo — Vamos te ajudar a se tornar um cavaleiro tão bom quanto qualquer outro, pode apostar!
Enquanto ríamos com as brincadeiras, um dos soldados gritou alguma coisa do alto do mastro. Não precisamos ouvir novamente para entender o que ele disse; assim que olhamos para frente do navio vimos os primeiros sinais de terra no horizonte: Estávamos chegando à Thais.
...
MARKWIN
A viagem até Venore acabou acontecendo sem muitos problemas. O prisioneiro humano passou a maior parte do tempo desacordado, e dessa forma chegou até nosso destino: Novamente a imunda taverna de Venore...
O rapaz com quem eu negociava estava no lugar habitual dos nossos encontros, numa mesa afastada, bem nos fundos da taverna. Preferi não trazer o refém para dentro do lugar; como ele estava desacordado, poderia chamar atenção dos presentes se eu entrasse carregando ou arrastando uma pessoa, e certamente isso seria indesejado pelo comerciante. Decidi, então, me apresentar sozinho para o homem, enquanto Al Dee esperava na entrada da cidade com meus guardas.
Enquanto me aproximava da mesa em que ele se encontrava, pude notar que a taverna estava praticamente vazia, a exceção de três ou quatro moribundos que disputavam uma garrafa de vinho no balcão; a selvageria dos humanos nunca parava de me surpreender, é humilhante ter que abaixar a cabeça para um desses seres inferiores... Assim que cheguei próximo o suficiente para ouvi-lo, o homem não perdeu tempo com cortesias.
— E então, rei das vacas, onde está ele? — Perguntou o rapaz, aparentando ansiedade.
— Está lá fora, Senhor — Respondi, engolindo meu orgulho mais uma vez, o que era rotina nesses encontros. — Ele está desacordado, então pensei que poderia chamar uma atenção indesejada para seus negócios, caso o carregasse até aqui...
— Você consegue pensar racionalmente, estou surpreso — Retrucou o homem, sarcasticamente. — Vamos logo até lá, espero que ele não esteja ferido.
Sem me dar tempo para responder, o rapaz levantou-se com os seus guardas, indicando-me que deveria guiá-los até onde o refém estava.
...
Assim que confirmou que aquela pessoa era mesmo quem ele queria, o rapaz não parava de sorrir; se ele já parecia muito jovem quando estava sério, agora lembrava uma criança quando acaba de ganhar um doce — precisei me segurar para não rir.
— Ah, muito bom, Markwin! — Exclamou o rapaz, me olhando firmemente com seus olhos escuros bem abertos — Devo admitir que fizeram um bom trabalho, apesar da demora...
— Agradeço o reconhecimento — Respondi, cinicamente. — Se não tiver mais nenhum pedido, peço que cumpra sua parte do acordo agora.
— Vamos com calma, touro — Disse ele, sorrindo misteriosamente. — Sou um homem de palavra, então pode ter certeza de que amanhã cedo guardas chegarão para fechar o caminho até Mintwallin: Nenhum humano passará por lá sem a minha autorização.
Aguardei alguns segundos, esperando que o homem completasse suas palavras. Vendo que ele encerrara por ali, não pude ficar quieto.
— Só isso? — Respondi, tentando controlar a raiva — Você me fez destruir uma vila humana inteira, sacrificar vários dos meus súditos e ainda viajar várias vezes até essa cidade apenas para me dar um ou dois guardas na entrada de Mintwallin? E o dinheiro prometido? E os minotauros rebeldes?
— CALE-SE, TOURO! — Gritou ele, esquecendo-se da discrição — Eu prometi que ajudaria seu precioso país, e estou fazendo isso! Se você estiver insatisfeito, posso mandar soldados para ATACAREM seu reino ao invés de defendê-lo, o que acha?
— Não será necessário, senhor — Disse, completamente derrotado.
O homem não disse mais nada, e se virou para voltar a taverna, dessa vez com Al Dee; antes de me afastar desse humano desprezível para sempre, ainda restava uma pergunta a ser feita.
— Espere! — Disse, enquanto o rapaz se virava para mim novamente — Posso saber pelo menos qual é o seu nome?
— Hahaha, por que quer saber isso, touro? Que seja, seres primitivos e estúpidos como vocês não merecem saber meu verdadeiro nome. Por vocês, prefiro ser chamado apenas de O Legítimo.
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