Este capítulo ficou um tanto quanto forçado. Eu me inspirei no final de Fortaleza Digital para construir o algoritmo enviado pelos Nazistas. Já estou avisando, porque não quero ser hostilizado. Está, realmente, inspirado no livro. Eu já tinha visto O Enigma, quando pesquisei sobre a Segunda Guerra para construir o roleplay, mas não pretendia usá-lo até que o vi no Fortaleza Digital. Acredito ter ficado apropriado. Obrigado a todos.CAPÍTULO 5 – FANÁTICO, RELIGIOSO, SEJA O QUE FOR
Abriu os olhos lentamente. Não sabia onde estava. Levantou-se, deitado em uma rede feita de grandes folhas de bananeira. Que diabo é isso? Tentou lembrar-se do que aconteceu. Uma luta no ar. Fora jogado para fora do jatinho. A suástica brilhava. Afogamento. Escuridão. Fim.
Levantou-se assustada e vagarosamente. O domo onde estava era completamente antiquado, lembrava muito as cidades da América Central. Mas era totalmente branco. Incolor. Salvo pela rede em que estava deitado, que era selvagem. Havia uma porta. Locomoveu-se até ela, e então a abriu. Um clarão invadiu os seus olhos. Estou no céu?
A voz de Deus era clara ao coração do homem. Estou no céu. Pensou se teria feito tudo que podia. Pensou se os hostis atos cometidos devido ao nazismo o tirariam a vaga no céu. Pensou. Sonhou. Clarão novamente, e novamente a escuridão. Apagou.
* * *
As florestas nos arredores de Frankfurt estavam calmas como sempre. A Alemanha vivia um grande momento, em breve tomaria o lugar dos EUA na Primeira Colocação em Economia Mundial. O avanço do país era espantoso. A formação nuclear de suas empresas era assustadora, o avanço tecnológico, incomparável. Há tempos, o Japão havia se convencido de que a Alemanha tomara seu posto. Um turbilhão de idéias do tipo passava pela cabeça de Dudley Clark, quando avançou com seus Commandos em meio à floresta. Michael estava no grupo. Leonardo Yami ficara na Analítica, desenvolvendo sistemas junto de empreendedores. Jack fora para casa, precisava descansar. Havia 57 horas para agir. Pouco menos de três dias.
A fila indiana era perfeita, apesar de a formação ser condenada pelo próprio tenente. Não tem cara de esquadrão especial, por Deus! Michael era o cabeça do grupo. Caminharam por exaustivas centenas de metros, quando o tenente ordenou a parada.
- Meus Commandos – trazia uma emoção desconhecida na voz. – A operação está em suas mãos. Confio em vocês. Eu voltarei até a base da EAI e vou tentar quebrar o código que chegou da organização deles.
Green Beret olhou para o horizonte. Os primeiros raios do amanhecer pairavam sobre Frankfurt. Quem quer que olhasse para Green no momento não reconheceria o soldado. Estava compenetrado. Mas a emoção era visível nos olhos do contingente. Pensou que talvez fosse sua última missão à frente dos Commandos.
- Boa sorte, amigos.
A forma de tratamento do tenente chamou a atenção de todos, especialmente de Driver. Amigos? Nunca foram chamados assim. Driver entendeu. O tenente não acreditou que os Commandos voltariam do campo de batalha.
- Sentido.
Todos os Commandos bateram continência. O comandante, então, sumiu às costas dos comandados.
- Grande homem – Green Beret surpreendera pelo comentário. Michael, à frente do pelotão, avaliou todas as opções. Segundo o relógio rolex de pulso, eram seis da manhã, em ponto. Observou o céu, calmamente. Em seguida, postou-se de frente aos Commandos.
- Senhores – sua voz trazia determinação, o que tranqüilizou seus soldados -, temos um cerco em mãos e temos que fechá-lo. Nenhum de nós morrerá. Eu garanto. E não hesitem em sacar a pistola e abrir fogo. Tentem ser o mais discretos quanto possível. Infiltraremos-nos vagarosa e pacientemente.
Todos os Commandos tinham olhares determinados. Nenhum estava disposto a sair derrotado. Michael entendeu porque o tenente dissera que era o melhor pelotão que detinha na sua base.
- Senhores... caminhando.
* * *
O tenente Dudley Clark entrou na sala do banco de dados da EAI. A balbúrdia era incrível. Homens com jalecos brancos desfilavam para lá e para cá, operando computadores e tentando quebrar a mensagem codificada que chegara da base nazista. Jack Nicholas estava ausente. Apenas um rosto conhecido: Leonardo Yami estava sentado na cadeira de honra da sala, em frente a um enorme painel de nove metros de altura por quatorze de largura. O painel lembrou ao tenente o filme Matrix, onde os computadores exibiam letras verticalmente dispostas em cor verde num painel preto. Yami estava compenetradíssimo, e Clark decidiu que não o iria interromper.
A sala era retangular, gigantesca. Clark jamais vira qualquer base de operações tão espaçosa, nem mesmo nas próprias instalações do FBI. Os computadores certamente deixariam quaisquer outros do mundo obsoletos. Ninguém notou a presença do tenente ali. Ele caminhou vagarosamente até chocar-se contra algo inesperado. Havia uma parede invisível. Clark estava atrás de um vidro, e a porta pedia uma senha manual, com análise de retina e um espaço para inserir a mão, certamente um reconhecedor de digitais. Retirou o celular do bolso, mas nada pôde fazer, não havia rede. Da primeira porta ele havia passado, mas estava preso entre a primeira e a última. Um ruído estridente ressoou na porta atrás. Clark virou-se. Deu de frente com Natasha.
- Você não deveria estar com o pelotão, #6?
- E quem vai cuidar de você, capitão? – a recruta deu uma piscadela para o tenente.
Inseriu a mão no leitor inferior, ao passo de que alinhou o olho no superior. A porta se abriu com um estalo, e o som invadiu os ouvidos do tenente. Isso explica muita coisa...
Yami virou-se instantaneamente. Fez um sinal para que os dois visitantes se aproximassem.
- Enfim, pessoas – Yami estava compenetrado -, eles nos mandaram uma mensagem codificada. Mas a construção apresenta algumas falhas. Existem algumas letras dispostas aleatoriamente pelo circuito. Não sei o que significa, necessariamente. Muito me surpreende que a mensagem tenha chegado inteira.
Natasha observou atentamente o painel.
- Senhor Yami, o senhor já verificou quantos grupos de palavras aleatórias aparecem na mensagem?
- Bem, Natasha – Yami analisou alguns relatórios manuais que levava consigo. - São quatro letras aleatórias em cada parte do código. Se quiser, podemos tirar várias cópias para distribuir nos departamentos de criptografia das grandes empresas dos EUA. Mas eu não acho que encontrarão significados. As letras são totalmente aleatórias.
Natasha tomou o relatório e passou a observá-lo.
- Por favor, senhor Yami, eu preciso que você redija todas as letras aleatórias dispostas pelo código. Eu imagino o que pode significar.
Clark olhou para ela, surpreso.
- Você imagina o que pode significar? Pelo jeito o FBI fez bem à sua cabeça, Natasha.
- Obrigado comandante.
Leonardo começou a trabalhar. Manualmente, redigiu todas as letras aleatórias num pedaço de papel. Depois, passou-as para o computador à sua frente, num bloco de notas do Windows. Ainda não faziam qualquer sentido para Leonardo e Clark, mas Natasha já sabia o que significava.
Leonardo apresentou-lhe as letras.
SHUE AVRO OOMM ZAIR LSBN SIMC DDOO NSEO AEDS IEIS DCEE PRRN IHIM EOOF NUXP RPPC
Para Leonardo ainda soava totalmente aleatório.
- Senhores – Natasha estava empolgada -, apresento-lhes o Enigma!
* * *
O pelotão avançou. Já tinham caminhado por um bom tempo. Michael reconheceu a árvore que marcara com um tiro quando escapara. A concentração nazista estava próxima. Green sentiu um calafrio subir-lhe a espinha.
Avançaram mais alguns metros. Estavam tão compenetrados que nem sequer perceberam o nazista sobre a árvore marcada, com uma HK em punho, pronto para atirar. Seu ponto eletrônico soava na orelha. Ainda não era a hora. O próprio Führer estava no comando da operação, agora. As palavras eram claras. Um dos Commandos morrerá primeiro. Mandaremos outra mensagem criptografada para os “analíticos”, depois da morte do mesmo. Não se preocupe. Está tudo sob controle. Quando o primeiro morrer, o grupo recuará.
Era brilhante. O soldado sorria pela oportunidade que lhe fora dada. Eu subirei rapidamente na hierarquia do campo. Mais feliz impossível.
Era ágil e leve. Saltou por entre as árvores silenciosamente. Já estava seguindo os Commandos há um bom tempo sem ter sido notado. Apenas aguardava a ordem para fuzilar um deles. O escolhido do Führer.
* * *
- TEM RAZÃO!
Clark estava estupefato. O Enigma foi o modo pelo qual os soldados nazistas enviavam mensagens na Segunda Guerra. Eram sempre grupos de quatro letras. Nunca seriam interceptados. Nunca seriam descobertos. Era perfeito.
- E os nazistas nos dão... – Natasha deixou ferver dentro de si curiosidade acadêmica. – O Quadrado de Julio César!
Leonardo entendeu instantaneamente. Havia dezesseis grupos de quatro letras. Quatro vezes dezesseis, sessenta e quatro. Um quadrado perfeito. O quadrado de César apenas ordenava que as letras fossem dispostas num 8x8, de forma a ler o que está escrito na vertical, ao invés da horizontal. Natasha tomou um pedaço de papel e começou a decriptografar a mensagem.
S H U E A V R O
O O M M Z A I R
L S B N S I M C
D D O O N S E O
A E D S I E I S
D C E E P R R N
I H I M E O O F
N U X P R P P C
A mensagem era cruel. Natasha rapidamente tomou outro pedaço de papel e ordenou a frase do modo que imaginou que ela tivesse sido montada.
SOLDADINHOS DE CHUMBO, DEIXEM-NOS EM PAZ. SNIPER VAI SER O PRIMEIRO, PORCOS! NFC.
- NFC. Nazist Force Corporation – o queixo de Natasha caiu no chão.
* * *
- Vá, Will. É a hora – o ponto eletrônico vibrou no ouvido do soldado nazista.
William Charlie continuou saltando as árvores, sem ser notado. Era silencioso demais. Treinado para aquilo. Vagarosamente, posicionou-se e esqueceu-se da HK. A mira que tinha era muito boa, mas tinha medo de acertar o soldado errado. Sacou a 9 mm com silenciador. Desceu no chão. Caminhou com tranqüilidade a bons 20 metros de distância do pelotão, pelo lado direito do mesmo. Não perceberam. Mas era tarde. Will ajustou a mira e, sorridente, proferiu baixas palavras ao vento.
- Adeus, Sniper.
O tiro acertou em cheio nas costas do Commando. Sem hesitar, disparou mais duas vezes. Pulmões perfurados. Perfeito. Voltou para a copa alta das árvores, como esconderijo, e observou o que aconteceu a seguir. Contendo o grito, Michael tomou Sniper nos braços. Estava morto. O primeiro soldado do batalhão de inteligência morrera.
O walkie-talkie de Sniper ressoou. Era Natasha. Mas era tarde.
- Michael... – Sniper, com esforço, proferiu as últimas palavras. – Pegue-os. Confio em... você. – Escuridão. Acabara. O corpo de Sniper jazia no terreno hostil da floresta.
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