CAPÍTULO 4 – RECONHECIMENTO DE TERRENO
O Führer falava sozinho, dentro do seu jato particular. Ele mesmo o pilotava. Sentado numa das cadeiras da aeronave, estava Johnson, o agente moreno que ajudou a capturar George. Algo estava errado. O agente estava amordaçado, preso a cordas, e desacordado. O Führer deu-lhe uma rápida olhada pelo retrovisor, amaldiçoando cada minuto que perdeu com aquele homem. Eu não acredito que confiei nessa peste. Negro maldito.
Johnson pensou rápido. Havia uma mochila na parte traseira do avião. Por sorte, o Führer não ativara o piloto automático e ele mesmo não o matara. O plano nazista tinha diversas falhas. Johnson sabia que o Führer não era tão inteligente assim. Era apenas mais um louco. Arrependeu-se drasticamente de ter assassinado George.
Ágil, Johnson atirou-se ao chão e fingiu ainda estar em transe. O Führer o vigiou novamente através do retrovisor. O maldito do negro ainda está sob efeitos do clorofórmio. Preciso decidir logo o que eu vou fazer com esse desgraçado! Deitado de barriga para cima, com as mãos presas atrás das costas, Johnson vagarosamente conseguiu soltar uma delas. Alcançou o rádio que pertencera a George, e mandou uma mensagem criptografada para o walkie-talkie do outro lado, provavelmente de algum membro da Analítica. Mas era tarde. O piloto automático estava ativado, e o Führer estava parado ao lado dele.
- Ah, negro miserável. Eu deveria saber. Você é um desgraçado, seu maldito – Johnson começou a debater-se, na tentativa de falar algo, amordaçado. O Führer aliviou a mordaça.
- Vá se foder, filho de prostituta.
Os olhos do Führer se encheram de fúria, o que culminou num forte golpe com o pé direito contra o estômago dele.
- Qual é o seu problema, desgraçado?
- O meu problema – falou, tossindo rispidamente -, é que você não é o Führer de verdade. É apenas um fantoche, assim como eu fui. O verdadeiro Führer jamais se exporia como você se expõe. Não passa de um idiota.
- Do que é que você está falando, seu macaco? – estava visivelmente nervoso, o suficiente para causar-lhe pânico dependendo do próximo movimento.
- Macaco costumava ser a sua mãe, aquela piranha.
O Führer não perdoou, e abriu a porta do pequeno jato. Chutou Johnson na direção da porta. O ex-agente nazista só teve tempo de puxar a mochila que vira antes, antes de desaparecer no mar de nuvens abaixo do jato.
- Coitado. Mal sabe ele que vai ser comida de tubarão.
Piscando instintivamente, Johnson mal pode ler o que estava gravado no braço do Führer. Parecia as letras NFC.
* * *
Jack Nicholas olhava para os cinco homens à sua frente. Cada um com uma característica diferente. Não saberia, com certeza, distinguir qual era especialidade de cada um.
- Deixe que eu os apresente, Jack – Dudley Clark caminhou alguns passos e postou-se em formação militar à frente do seu pelotão. – Esses são os Commandos. Green Beret, por favor, dê um passo à frente.
O primeiro homem era alto. Sua pele, ligeiramente queimada pelo sol. Extremamente musculoso, a face firme e um olhar assustador feito a morte, deu um passo à frente. Visivelmente, era o soldado mais forte do grupo. O cinto trazia uma pistola desert eagle, um punhal e um pequeno rádio junto de um controle.
- Jack, este é Green Beret. É o líder dos Commandos. Saiba que é um prazer ter um soldado como este em meu batalhão. Sua inteligência excede alguns padrões – Dudley divertia-se com as descrições. – Recue, Green – o soldado voltou à sua posição original. – Driver, um passo à frente, meu querido.
O segundo homem, alto, porém magro, de musculatura visivelmente fraca, tinha um rosto determinado. No peito, uma pequena plaquinha de metal cintilava, dizendo CIA. Tinha uma arma como a de Green, uma escopeta de cano serrado e um punhal, também.
- Este é Driver. Inteligente, demais até, diga-se de passagem. Arrisco-me a dizer que é o mais pensante do grupo. Não há ninguém que dirija como ele. Suas habilidades manuais com qualquer tipo de armas e bombas são notáveis. É uma grande adição ao grupo. Por favor, Driver, volte ao seu posto – Driver obedeceu, voltando à posição. – Sniper, um passo à frente.
O terceiro soldado era forte, mas baixo. Bem mais baixo que os dois primeiros. Mal lidava com o peso do rifle de precisão nas costas. Lembrava um guerreiro da Segunda Guerra, com duas linhas de balas cruzando-lhe o peito. O mesmo punhal e a desert eagle conhecidos brilhavam no cinto.
- Este é Sniper. Atirador de elite, não existe nenhum outro que atire como ele. É um dom nato. Também é muito rápido, principalmente ao sacar uma arma. Sniper, volte ao seu posto – o Commando obedeceu. – Por favor, Marine, um passo à frente.
O quarto homem, abarrotado de acessórios, deu um passo à frente. Usava uma toca camuflada, própria para mergulhadores. Era realmente um mergulhador. Seu traje era igual ao dos outros, mas a bomba de oxigênio ao lado da mochila não deixava dúvidas. Havia um arpão no cinto, junto do punhal e da desert eagle.
- Apresento-lhe Marine. Ele trata de coisas como vocês, mexe com bombas – o tenente sorriu. – Suas habilidades com o arpão e seus treinamentos de pesca são formidáveis. Mergulha muito bem. Não há nada que o detenha dentro d’água. Fugiu de um tubarão, certa vez. Volte, Marine – o Commando, assim como todos os outros, obedeceu à ordem. – Um passo à frente, Spy.
O último homem era o mais estranho de todos. Alto e corpulento, aparentemente antipático, diferente dos outros, destacava-se primeiramente pela vestimenta. Não era nenhum uniforme camuflado, ou qualquer coisa do tipo. Pelo contrário. Era uma camisa de linho impecável, sob um paletó marrom. A calça era jeans comum, claramente inapta para a ocasião. Usava sapatos comuns também, bem vagabundos, diga-se de passagem, pretos.
- Este é Spy. É auto-explicativo, imagino. A inteligência dele só não excede a de Driver, mas sabe agir bem nos momentos de crise. Tem calma para pensar. Não existe no mundo servidor melhor que este determinado homem.
Jack observou o batalhão, estupefato. Cada soldado tinha uma peculiaridade. O que mais lhe chamou a atenção foi Green Beret. Parecia um monstro emergido das sombras, pelos seus enormes bíceps.
- Onde está o sexto soldado?
- Aqui, tenente Dudley Clark.
Uma mulher entrou pela porta. Todos os homens ficaram embaraçados, com exceção dos Commandos. Michael mal acreditava no que via.
* * *
Johnson caía a uma velocidade impressionante. Nunca fora tão difícil colocar uma mochila nas costas. Descendo cada vez mais, Johnson entendeu as últimas palavras do Führer. Mal sabe ele que vai ser comida de tubarão. Ia cair em alto mar. Maldição. Maldito Führer, maldita organização!
Johnson achou que era a hora. Puxou a corda da mochila, mas nada aconteceu. O pára-quedas falhou. Desesperadamente, buscou pela corda de emergência. Quando a achou, ao puxar, seu corpo deu um tranco no ar e uma força puxou-o para cima. Olhou para o céu, mas o que viu foi um pedaço de pano acinzentado com a suástica bem no meio. Como se eu já não imaginasse...
Lentamente, caiu na água. Soltou-se da mochila e retirou o paletó nazista o mais rápido quanto foi possível. Inutilmente, nadou contra a maré. Seu corpo sucumbiu diante da força da água que apertava-lhe o mesmo. Cada vez mais, perdia os sentidos, e a água entrava pelo nariz e boca. No fim, escuridão. O corpo de Johnson jazia boiando no mar.
* * *
- Algum problema, Michael Jeric?
Michael estava paralisado. A visão em sua frente era estonteante. Ousada, visivelmente. A mulher de aproximadamente 1,80m, ruiva, dos seios fartos e um estilo de se vestir provocante, entrou lentamente na sala. O quadril e a bunda eram perfeitos. Nenhuma celulite sequer, Jesus amado, pensava Michael, em seus devaneios. A mulher repetiu a pergunta, quando, enfim, ganhou um olhar intimidador.
- Algum problema?
- Todos os possíveis. Você perturba a ala dos Commandos – Michael respondeu, boquiaberto.
- Não estou perturbado – Green Beret abrira a boca pela primeira vez. – A presença da senhorita Turner nos tranqüiliza bem mais.
Michael olhou confuso para o líder Commando.
- Permissão para explicar, senhor.
- Concedida, sargento – o tenente se divertiu ao dar essa resposta a Green.
- Senhor Michael, Natasha Turner é a nossa melhor guerreira. Digamos que uma junção de todos nós numa só mulher. Nunca ficamos intimidados pelo fato da mulher ser a mais cabeça do grupo, e ter N formas de se mostrar valorosa. É uma adição e tanto, senhor.
Michael observou as palavras de Green, estarrecido. A mulher é o ponto forte do grupo. Lutou contra o próprio machismo, naquele momento.
* * *
- Está tudo completo, mestre. Johnson está eliminado. Só há o problema: Michael e Leonardo, inacreditavelmente, fugiram do nosso campo de concentração.
O outro homem observou silenciosamente a silhueta desenhada à sua frente. Não posso confiar em ninguém. Que merda.
- E quanto aos soldados eliminados – a voz era fria, firme -, Capitão?
- Eu não sei dizer, mestre – o homem estava abalado visivelmente -, não sei dizer. Minha teoria é a de que Michael os assassinou para fugir.
O outro homem virou de costas. Encarou freneticamente a rua mal-iluminada pela janela, de dentro da sala, que tinha suas luzes apagadas. Remexeu numa gaveta por alguns segundos, e em seguida virou-se para o Capitão.
- Well done, Capitão. Obrigado por sua serventia. Foi, com certeza, uma mais-valia na nossa equipe.
- Ah, obrigado, mestre – a preocupação do homem, de repente, foi-se embora -, obrigado mesmo. Tudo pelo nosso ideal.
- Mas... – o outro homem virou de costas novamente. – Você é um risco. Assumo. Digo mais, até, você quase pôs todo nosso plano a perder.
O sorriso desapareceu dos lábios do Capitão instantaneamente.
- Não posso confiar em você, Capitão. Seu modo de resolver as coisas tem diversas falhas. É um risco para mim. Sua participação com nosso ideal termina aqui.
Rapidamente, sacou a pistola 9 mm com silenciador e estourou a cabeça do Capitão com um tiro. Enquanto guardava novamente a pistola, pôde jurar ter visto uma inscrição “NFC” no braço do defunto, antes de atirá-lo pela janela do outro lado da sala, que ficava de frente para o mar.
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Obrigado a todos que leram. Se quiserem, há uma foto dos Commandos.
Da esquerda para a direita: Marine, Driver, Green Beret e Natasha em pé, Sniper no chão. O outro soldado, eu retirei da foto porque não faz parte do roleplay. Este é Spy.
Abraços!
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