Postado originalmente por
Bob Joe
Não vi o vídeo mas acredito que o argumento deve ser parecido porque a linha de pensamento liberal é parecida. Ao meu ver, esse é um problema que o pensamento de esquerda não resolve definitivamente em um regime democrático.
Veja, para resolver esse problema de forma definitiva e respeitar ideais de liberdade, você tem que aceitar um dos predicados máximos do pensamento liberal, que é a Lei da Oferta e Procura. Por essa ótica, o problema é simples: se você tem poucos médicos, eles vão ter mais oportunidade de empregos e salários bons em regiões centrais e não vão precisar ir para o interior. Se aumenta o número de médicos, os empregos nas regiões centrais ficam mais disputados e os salários abaixam, o que obriga alguns desses médicos a buscarem oportunidade no interior. Seria a lógica fundamental de mercado para definição de preços e salários, que precisa ser seguida por quem quer jogar o jogo, inclusive pelo Estado.
O problema é que a linha de pensamento de esquerda não raciocina economia dessa forma. Nessa linha de pensamento, todo problema é tratado como um problema de alocação de recursos e distribuição dos mesmos. Ou seja, se você tem mais recursos da capital, pega alguns deles e distribui onde não tem. Só que essa solução em um regime democrático seria extremamente autoritária, já que o recurso são pessoas, que possuem direitos individuais, como o de livre associação e direito de ir e vir. Então a solução dada pelo governo do PT foi pegar esses recursos de outro Estado que também trata pessoas como tal, nos deixando dependente desse outro Estado.
Perceber que o mercado é a manifestação da liberdade das pessoas foi o que me tirou de uma linha de centro-esquerda no passado e me colocou na linha de pensamento mais libertário. A minha diferença para o Bolsonaro e os liberais conservadores cristãos que ele diz representar é que eu não acredito em meia-liberdade. Se o Estado não deve gerenciar o mercado, por ser a manifestação da liberdade do indivíduo, menos ainda tem direito de gerenciar a vida privada das pessoas, que é indissociável do indivíduo.