Citação Postado originalmente por Iridium Ver Post
Saudações!

Para motivos de controle (e por ter gostado de fato), estou distribuindo likes em seus capítulos que perdi. Engraçado que, mesmo com o curso dos eventos, continuo gostando bastante do Nightcrawler e do Borges, especialmente desse último. O cara é a definição de superação, meu deus.

Enfim, como li bastante, estou processando tudo ainda, e só tenho isso a dizer no momento: Dartaul tá f*dido e mal pago, coitado. Alguma hora o almofadinha do grupo tinha que se lascar com mais força kkkkk

No mais, o motivo da minha ausência foi mais uma questão de gostos e compromissos: comento em suas histórias pois, a despeito de não gostar de temáticas muito sangrentas e que são puxadas para o gore, você tem potencial e vale a pena apoiar. Da mesma forma que não gosto do movimento Naturalista da Literatura Brasileira (em especial O Cortiço e O Mulato, ambos de Álvares de Azevedo), por exemplo, preciso reconhecer o talento e o trabalho duro que foi feito por esses escritores --- e é o mesmo que faço com a sua pessoa. Você escreve bem ao ponto de eu conseguir passar por cima dessa "limitação" que eu tenho, por assim dizer.

No mais, aquele gosto de finalização de história é sempre bom, não é? Vai dar aquela tristeza básica, o banzo da saudade, mas a sensação de dever cumprido é recompensa o suficiente, ao meu ver.

Nightcrawler e Borges, melhores personagens.

Bom capítulo,
Boa narrativa,
Bom usuário,
Bom fórum.

Até o próximo

Precisando, é só chamar.




Abraço,
Iridium.
E aí Iri, obrigado pelo comentário e pelos elogios. FINALMENTE COMENTOU HEIM


Reparei que você gosta dos dois personagens, pena que um deles já partiu dessa pra melhor. Borges foi um personagem que eu quis me dedicar em criar uma história complicada, mas cheia de experiências para ele. Pode ver que algumas vezes, ele sempre pareceu meio cético reagindo a algumas notícias, mas é normal, considerando o que ele já viu.

Dartaul ainda precisa se fuder mais um pouquinho, simplesmente por ele ser o almofadinha do grupo e de eu não gostar de almofadinhas.

E bem, eu sempre imaginei que gore não fosse a sua praia. Pra falar a verdade, até tenho pegado um pouco leve, justamente para mais pessoas lerem e não se incomodarem com o que aparece na história. Também porque não vejo necessidade em tornar pior, diversas vezes vejo que já é o suficiente e não coloco mais nada. Acredito que funcione melhor assim, dá mais consistência pra história. e que caralhos é movimento naturalista vei

Por fim, final de história dá essa sensação mesmo. Engraçado é que é a primeira vez que tenho esse sentimento depois de quatro anos e uns onze meses de seção. É difícil terminar uma história, ainda mais quando você estabelece um vínculo com ela. Me sinto um pouco assim com OMP, mas não exatamente com Bloodtrip. Sinto necessidade de dar mais continuações a essa história, mas não tão cedo. Preciso terminar a minha primeira, e isso já levará um bom tempo e vários capítulos.

Bem Iri, obrigado por tudo e espero que não tarde a voltar aqui.







Creio que a hora de revelar algumas coisas chegou. Mas não será nesse capítulo ainda. Este será uma pequena introdução, digamos.

Mas não é tudo! Eu espero que esse capítulo faça vocês sentirem alguma coisa, assim como o anterior.





No capítulo anterior:
Borges conta sobre sua vida enquanto se recupera dos ferimentos causados pelos Sangues, mas é morto pouco tempo depois por uma habilidade de Redchain, que começa a persegui-los. Dartaul é um dos principais alvos dela.




Capítulo 21 – Hakugai
Parte 2




Alayen e Trevor se levantam, com um pouco de dor. A explosão por pouco não os atinge, deixando apenas algumas pedras os atingirem, mas eles conseguiram sair dali sem problemas.

Faz vários minutos que eles estão andando pelos corredores do esgoto, perdidos. Também perderam seu senso de direção por culpa do desvio que fizeram. Mas, na mente deles, eles estão na direção leste, acreditando conseguir achar a saída através de um bueiro ou algo do tipo.

— Pensando agora, eu acho que a explosão foi alguma armadilha plantada por Nightcrawler. Alguma antiga. — Disse Alayen, um pouco alheio de sua própria situação.
— Alguma que ele não desativou?
— Por aí. Ele é cheio de criar coisas assim.
— Bem, agora não faz mais diferença. Ainda estamos com nossas cabeças. Precisamos encontrar os outros dois e voltar para a superfície.
— É, mas a questão é: O que faremos quando voltarmos?
— Salvar Yalahar, óbvio.
— E como salvaremos?

Trevor engole em seco. Admite que não pensara nisso ainda.

— Bom, foda-se. Vamos só encontrar nosso caminho de volta. — Finaliza Alayen, colocando as mãos nos bolsos da calça.

O caminho volta a ser preenchido pelo silêncio. Em seguida, pela inquietação. Por fim, pelo medo. Eles param.

Redchain aparece numa espécie de encruzilhada, seguindo na direção sul, sem olhar para os lados. Apesar de ter ouvido passos, ela parece interessada em outra coisa. Mas a aparição dela confirma que eles estão seguindo na direção certa.


Dartaul fita o rosto de correntes. Ele possui olhos vermelhos e brilhantes. O rosto sabe que ele está ali. Sabe da sua presença. Do seu terror. Mas Dartaul resiste, pois sabe que é o melhor a se fazer. Ele não pode se entregar ao desespero. Ao menos, é assim que ele pensa.

Melancólico, o rosto busca algo.

— Minha irmã... — Disse, com uma voz metálica, mas doce e pura. — Você sabe onde está a minha irmã?

O investigador engole em seco. Mas não vê alternativa.

— N-Não. Mas eu também queria saber onde ela está agora.

Ele sente um aperto no coração. A morte de Aika foi tão abrupta e sem sentido que até mesmo naquele momento a ficha não caia completamente. E agora, as memórias dela ainda o perturbam. E continuarão a perturbá-lo daqui pra frente.

— Então... Por que não procuramos? Você procura de um lado, eu procuro do outro.

Sem rodeios, Dartaul concorda, usando a cabeça. As correntes vão embora pelo caminho do qual vieram. Ele respira fundo.

Ele realmente sentira outra personalidade dentro daquele amontoado de correntes. Não sabe o que pensar a respeito disso, afinal, Aika também sofria do mesmo efeito. Mas agora, ele sabe que, na verdade, era a irmã dela que tomava conta de vez em quando. E se era isso mesmo, quem estava por trás daquelas correntes?

Ele se levanta, passa as mãos por onde sentou e sai da sala. Toma o caminho oposto, em direção ao escuro, ainda ao leste. Usa a luz fraca em torno do seu corpo para se guiar melhor. Não sabe nem mesmo que horas são. Está perturbado e logo sua sanidade mental pode chegar ao fim, tornando-o um zumbi caminhando pelos corredores, esperando pela morte.

O escuro do corredor o guia para outro corredor, à sua esquerda. Ele entra apenas para dar de cara com Nightcrawler. Rapidamente ele volta a consciência, usando sua kukri para tentar desferir um golpe lateral no rosto do detetive. Mas este defende levando os dois punhos abaixo do punho de Dartaul, aparando o golpe.

— Ei. Não estou de vermelho, retardado.

Dartaul gira seu corpo e tenta um novo golpe lateral. Nightcrawler defende segurando o antebraço pelo lado direito e usando sua perna para tirar a de Dartaul do chão, forçando-o a cair. Mas ele consegue rapidamente sair daquilo, para em seguida jogar a arma para a outra mão e tentar uma estocada. O detetive segura sua mão com a direita, leva ela para a esquerda, avança sua mão direita para o ombro do oponente e por fim dá uma rasteira no rapaz, finalmente o derrubando, enquanto a mão com a faca se mantem sobre o controle do mascarado.

Ele coloca o pé sobre o ombro de Dartaul e visa deslocá-lo, mas fica quieto, enquanto nota que o rapaz nem mesmo está resistindo.

— Parece que você aprendeu a ficar quieto.

Ele solta o braço do jovem, que nem mesmo deixa que ele toque o chão, para a arma não fazer barulho. Ele rapidamente torna a levantar, com decepção e tristeza notável em seu rosto.

— Sei que está com raiva de mim, mas não posso ser babá de ninguém. E se você está vivo ainda, significa que você sabe se virar.

Dartaul limpa suas roupas e mantém a kukri em mãos. Não abre a boca para falar nada, apenas fita o vazio.

— Leu o que deixei contigo? Estamos num hakugai. Deixei para Trevor também, talvez eles estejam vivos ainda e tentando se virar. Mas não podemos encontrá-los, ao menos, não ainda. Temos que derrotar Redchain para sairmos daqui. As saídas estão bloqueadas.

Dartaul olha o corredor atrás de Nightcrawler. Não vê muita coisa, pois o escuro não permite.

— Dai você se pergunta: Como iremos derrotar alguém tão forte? Bom, do jeito clássico. Lembre-se que Redchain não é um deus ou algo assim. Ela é forte, mas não o bastante para nos parar.
— Então estamos esperando o quê? — Questiona Dartaul, virando-se e seguindo pelo corredor de onde estava.
— Um plano, talvez.
— Então monte.

Nightcrawler balança a cabeça negativamente. Moleque folgado, pensa ele.

O detetive segue-o pelo corredor e continua andando em frente. Seus passos combinados fazem um pouco de barulho, mas não ligam; enquanto não conversarem, não irão atrair a atenção de Redchain. Entretanto, o detetive sente que precisa falar alguma coisa.

— Você está lembrando um pouco a mim mesmo há pelo menos vinte anos atrás. — Comenta com voz baixa, colocando as mãos nos bolsos do sobretudo — O ódio consumindo seu corpo pouco a pouco, após perder pessoas queridas de forma injusta. Muitas perguntas brotam na sua cabeça. Você se pergunta se Deus existe, e porque ele permitiu que algo assim acontecesse contigo. Sabe que a resposta será algo como “Para torná-lo mais forte” e você sentirá vontade de estrangulá-lo e esfolá-lo vivo por isso. Pois não importa se ele é Deus. Ele tirou o que você tinha de importante e você tem o total direito de estar puto com isso.

Dartaul não responde. Nem mesmo reage ao que o detetive falou.

— Eu imagino seu ódio por mim e pela Irmandade. Mas eu sinto muito. Eu nunca pedi pra ser como eu sou. Eu nunca pedi por isso.

Dartaul para, vai até o detetive e agarra-o pelo colarinho. Ele não reage.

— Escute bem, Suzio. Eu NUNCA serei como você. Eu NUNCA sentirei o que você sente. Lembre-se que eu não planejo ser como você, pois você é um grande de um filho da puta. Um desgraçado sem coração, que faz o que quer, sem se importar com os outros. É como Miraya disse: Você não é muito diferente da escória do qual estamos lutando contra. E é por isso que eu te odeio, inclusive seus malditos discursos de moral ou o seu passado de merda. Entendeu?

O mascarado não responde. O rapaz solta ele e continua andando, sem olhar para trás. Ele abaixa um pouco a cabeça, como se sentisse um peso dentro de si.

— Eu entendo. É tudo culpa minha. Parece que eu não amadureci muito se comparado com doze anos atrás, quando larguei o cargo promissor de chefe de investigação para me tornar um detetive independente, fingindo que o antigo Nightcrawler morreu por causa de seu envolvimento com a Irmandade. Pra falar a verdade, eu estou realmente puto com o caminho que escolhi desde que percebi que eu não era nada se comparado a eles. Eu não era nada se comparado ao meu genial amigo que sozinho fez o mundo inteiro temê-lo. Deus... Eu sou ridículo.

Dartaul caminha mais devagar. Parece interessado.

— Sinceramente, Dartaul, eu não me importaria se você me matasse agora. Nessa altura, não sei mais se consigo parar a Irmandade. Eu matei a garota pelo qual você se apaixonou. Deixei uma das pouquíssimas mulheres puras de espírito desse mundo morrer por se envolver comigo. Deixei seu velho companheiro e um grandioso homem, não por ser gordo, mas sim pelo seu caráter, morrer de forma miserável. Eu causei uma lista gigante de mortes que não deviam ter acontecido. E agora, depois de tantos anos, eu finalmente sinto o peso delas. Pois eu coloquei um jovem como você no mesmo caminho que eu tomei.

Nightcrawler mantém a cabeça baixa. Dartaul segue sem responder, mantendo seu rosto direcionado para o caminho adiante. Como se fosse indiferente ao sofrimento do detetive.

— Errado, Suzio. Eu já estava nesse caminho muito antes de te conhecer.

Suzio levanta a cabeça e fita o jovem, que ainda não havia desviado seu olhar.

— Além disso, você tem gente te esperando quando terminar o caso da Irmandade. Lea e Rachel em Carlin, Lucius e Palimuth aqui em Yalahar. Não há ninguém me esperando quando eu voltar.

O detetive engole em seco. Nunca pensara nessa possibilidade.

O caminho é interceptado por várias rochas de grande porte. Parece uma das saídas que o detetive mencionara. Ele é escuro e parece esconder algo. Além disso, o próprio ar parece um pouco estranho, como se estivesse inundado por maldade, além de cheirar a sangue.

— Eu acho que é um dos limites do hakugai. Talvez se golpearmos com força essas rochas, poderemos escapar.
— Derrotar Redchain não era a única opção que tínhamos?
— E é. Você viu que eu sou um feiticeiro, mas não domino magias épicas. Minhas facas e chakrams não servem para fazer isso. E você é só um paladino, não há paladinos nesse mundo capazes de abrir caminho entre dezenas de rochas desse tamanho.

Dartaul parece ter uma ideia. Mas não possui tempo para contá-la, pois nota um movimento no escuro adiante.

— Cuidado. Acho que tem alguma coi-

Uma corrente enorme, embebida em sangue, atinge em cheio o peito de Dartaul e lança-o para bem longe. Nightcrawler percebe quem está ali e pensa nas opções. Nenhuma delas diz para ele que há como salvar o rapaz e fugir do inimigo ao mesmo tempo. Então, ele escolhe fugir para o corredor estreito à sua esquerda, em direção norte, proferindo magias de velocidade sem parar.

Desculpa. Pensa Nightcrawler, balançando a cabeça.

O detetive segue pelo pequeno corredor até encontrar outro, seguindo para o leste novamente. Surpreendentemente, ele vai parar em outro corredor, dessa vez bem mais aberto, com uma vala no meio correndo água e possuindo canos enferrujados nas paredes e no meio da vala. Então ele percebe que a saída bloqueada é, na verdade, uma armadilha, e Redchain não estava ali.

Ele soca sua mão direita na parede, em fúria.

— MERDA! — Grita Suzio.

Ele abaixa a cabeça, notando o que fez. Sente-se uma pessoa pior do que jamais foi. Ele pensa que apenas dois do seu time sobraram, já que a explosão não foi tão forte. Ou talvez tenham sido pegos de surpresa e mortos. De qualquer forma, ele sente-se culpado. Mais do que nunca. E isso o deixa se sentindo sozinho, impotente, um vilão que jamais planejou ser.

Essa culpa ofusca sua mente e tira-o da realidade, tornando-o um alvo fácil. E ele sente a consequência disso.

Um chute atinge ele pela esquerda. A força foi tamanha ao ponto de quebrar uma de suas costelas, jogando-o no chão. Ele volta a realidade e tenta se levantar as pressas, mas recebe outro chute exatamente onde levou o primeiro, perdendo outra costela. Ele cospe e geme de dor, ainda tentando escapar.

Redchain está na sua frente. Seu corpo possui várias áreas parecendo feitas de papel. Somente suas pernas que não são, pois estão reforçadas por um material lembrando uma cota de malha feita de anéis de ferro, todos embebidos em sangue. Elas aparecem por trás da saia larga a cada golpe que ela desfere no detetive.

Após um número de sete chutes e uma considerável quantidade de sangue derramada, ela pega Suzio pelo colarinho e o levanta, usando apenas uma mão. Sua força é realmente considerável.

— Eu não acredito que um covarde como você tenha matado a minha irmã.
— Tsc. E você lá se importava com ela?

Redchain joga-o para cima e consegue acertar um soco perfeito em sua barriga, lançando-o para longe. Sangue sai de sua boca enquanto seu corpo vai de encontro ao chão. Uma espécie de cópia de Redchain surge ao lado do detetive, feita de papel. Ela o levanta novamente, colocando-o de frente para a mulher. Ela faz um pulsante surgir na sua mão direita, parecendo mais pesado do que o normal.

— Já deve conhecer isso. Esse foi feito especialmente para você, Suzio. Para você ver que não conhece nada sobre nós.

Ela explode o pulsante, e dele surge uma adaga totalmente branca e brilhante. O homem arregala os olhos. A última frase do inimigo atinge-o em cheio.

— Ora... Que jeito simples de me matar.
— Tem razão. Mas você não é digno de viajar.

Redchain fica em frente dele. Posiciona-se para um golpe fatal na direção do seu coração. O detetive parece aceitar seu fim.

Mas alguém lembra-o que ainda não é a hora disso acontecer.

Ei.

Ei. Já é a hora de você usar isso. Não há outro jeito.

Ei. Você é um gênio das fugas, mas não de fugir de um hakugai. Use o que te dei. Use, de uma vez por todas. Não é a hora de você vir pra cá ainda.

Nightcrawler sorri.

Ok.

Cinco segundos se passam. Nesses cinco segundos, a adaga desce para golpeá-lo, mas quebra. A cópia tenta quebrar seu pescoço, mas desaparece. E Redchain recebe um dos socos mais poderosos que já recebeu na sua vida, lançando-a para a parede no outro lado e abrindo um buraco enorme nela.

E do outro lado, está Nightcrawler, cujos braços estão circundados por uma espécie de camada etérea, quase transparente, de cor laranja, com bordas negras nos lados. É possível notar que seu olho esquerdo, cujo é cego, está agora negro, com um losango no centro, cuja íris é laranja e o centro é escuro.

— E eu não sou digno de morrer.








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