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Tópico: Bloodtrip

Visão do Encadeamento

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    Padrão Capítulo 21 - Hakugai I

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Ótimo último capítulo. Pelo visto, nossas queridas personagens, que você demorou tantos capítulos para construir identidades e personalidades, começaram a ser mortas, e de forma bem impiedosa pela Irmandande.

    No mais, não há muito o que comentar, haja visto que este foi mais um "capítulo de transição", indo pros rumos finais. Não creio que permanecerá por isso só, e acho que no mínimo a Redchain ou Soulslayer irão morrer nos próximos capítulos; embora eu ache que vc tenha que trabalhar mais o Soulslayer, uma p*ta personagem badass, você confirmou algo que não tinha prestado atenção antes:



    Uma relação "de carinho" na Irmandade... Mostrou um lado mais humano da Irmandade. (que ja fora mostrado antes, vide o ódio de perder seus membros... Me referindo aos seus companheiros é claro, não aos seus membros anatômicos .-. )

    Oh well, no aguardo dos próximos capítulos, e do desfecho dessa "saga de Yalahar".
    E aí Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios. Veio até aqui sem eu precisar chamar na Steam ou no Facebook. Excelente, continue assim.

    Apesar de eu ter demorado para trabalhar nos personagens e levado diversos capítulos, eu já estava preparado para me desfazer deles. Não foi difícil, pra falar a verdade, apesar de que pesa não poder pensar mais neles entre o grupo. Mas, fazer o que, eu criei essa história pra ter sangue e violência, não dá pra deixar de tornar personagens principais alvos do inimigo.

    Posso confirmar que mais mortes ocorrerão no futuro. Muita merda está pra rolar ainda e se você já estiver impressionado e surpreso, cuidado: Vai ficar mais ainda. Isso é só o começo.

    Soulslayer é um personagem que eu investi e pensei bastante, espere um foco melhor nele daqui pra frente.

    E, como de costume, obrigado pela sua presença e espero que goste desse novo capítulo.







    Bom pessoal, estamos caminhando para os rumos finais. Garanto buscar o melhor para o que está por vir e garantir capítulos bem escritos. Esse, particularmente, eu gostei. Eu espero que vocês gostem também.


    No capítulo anterior:
    A Irmandade invade o Arsenal dos Ratos, revela que Aika foi, de fato, assassinada, e que Redchain é a verdadeira culpada das suspeitas sobre ela, além de seu nome ser Miraya. Para finalizar, Zoe é morta e Borges está gravemente ferido, mas apesar disso, o time consegue fugir.




    Capítulo 21 – Hakugai
    Parte 1





    Com pouca satisfação e muitos pensamentos, o grupo foge. Estavam nos esgotos abaixo do Quarteirão 04, dirigindo-se na direção norte. Trevor carrega Borges nas costas e Dartaul está correndo logo atrás, enquanto Alayen e Nightcrawler seguem em frente guiando o caminho pelos corredores de paredes de alumínio presas por fortes parafusos de ferro. O caminho é um pouco iluminado por diversas lamparinas dispostas a cada duzentos metros. Parece que o responsável por aquilo é o próprio detetive, para facilitar um pouco sua própria fuga. Mas também pode acabar complicando ela mais ainda.

    Nightcrawler pensa no que aconteceu logo atrás. Aproveitou-se rapidamente do ataque de fúria de Alayen para jogar bombas de fumaça. Magias soltas ao ar nunca deixam rastros, tampouco fumaça, e os Sangues sabiam disso. Todavia, aquilo lhes daria tempo para escapar e pensar no que fariam para salvar Yalahar.

    O mascarado vira para a direita, seguindo o rumo leste. Aquilo poderia lhes deixar um pouco mais próximos do mar para escaparem. Mas o Arsenal fica a mais de dois mil metros do mar, então teriam que andar consideravelmente. Ele olha para trás e vê a dificuldade no rosto de Trevor, bem como seu medo. Vê Borges quase desacordado, mas um pouco melhor após Alayen usar rapidamente algumas runas de cura emergenciais nele e fechar um pouco suas feridas com bandagens mal colocadas, deixando um pouco de sangue sair e manchar a capa do capitão. Também vê o rosto desacreditado e sem esperança de Dartaul, que viu mais mortes do que esperava naquele dia. O detetive se lembra de uma das falas de Lucius. Já é seguro dizer que o seu plano deu certo, Crawler?

    Não. Não é. Pensa ele.

    Ao chegarem numa sala que dá para caminhos ao oeste e leste, com uma vala correndo água podre e cheirando mal, eles percebem que já é hora de parar. O grupo cruza uma pequena ponte para o outro lado sem correr e Trevor coloca Borges contra a parede, sentado. Ele não parece muito bem, mas ainda está acordado.

    — Você é duro na queda, hein, campeão. — Comenta Trevor, colocando as mãos na cintura.
    — T-Tenho que ser... Né? Temos um jovem aqui. Tenho que ser... Um exemplo. — Responde Borges, com esforço. Ele parece sentir dor, mas ignora ela.

    Dartaul senta-se ao lado dele e observa-o, atento. Todos estão vendo a condição de Borges, preocupados com não ter mais uma baixa.

    — Você já é um exemplo para mim, Borges. Acredite nisso.

    Borges sorri. Todos se mantêm calados, atentos e com medo. Mas nada podia ser ouvido além do som da água correndo pelas tubulações e valas.

    — Relaxem. Borges já está fora da condição de perigo. O que ele precisava é de um descanso. E a Irmandade não virá aqui se estivermos próximos do Arsenal. A lógica deles é que eu vou estar sempre o mais longe possível. — Disse Nightcrawler, despreocupado.
    — É. Basicamente, te consideram um fujão. Nada honroso. — Comenta Trevor, pegando algo de uma bolsinha na cintura. Mais bandagens.
    — Eu não tô nem aí pro que pensam de mim. Enquanto eu estiver vivo, melhor.

    Trevor se agacha e arruma as bandagens no abdômen de Borges, além de passar novas. Com menos de um minuto, ele já está pronto e se sentindo melhor.

    — Sempre rápido com essas coisas... — Disse Borges, sorrindo.
    — Pois é, amigão. A guerra sempre pede agilidade.
    — E você precisa me ver te superar. — Disse Dartaul.
    — Heh. Com pouco mais da sua idade, eu já era chefe de escritório... Então, boa sorte com isso.
    — Mas você não era tão inteligente quanto eu.
    — Realmente... Eu não era. Afinal, venho da miserável de Thais. Meu pai morreu num assalto e minha mãe foi violentada e morta um ano depois. Tive que virar servente de pedreiro com nove anos, sempre pensando na minha mãe, afinal, meu pai era um grande de um filho da puta e eu tava pouco me fodendo pra morte dele. Batia na minha mãe, adorava encher o caneco. E aí minha mãe morreu daquele jeito no mesmo ano. Trabalhei que nem um ordinário, dormindo na construção, comendo um pão velho todo dia. Dá nem pra acreditar que já fui uma vara de cutucar tigre um dia vendo como estou agora.

    “Mas falando sério, aquela cidade era um lixo. Mesmo sendo um merdinha sem-teto de dez anos, eu gostava de saber das coisas, investigar, ler. Quando eu era mais novo, minha mãe de vez em quando trazia uns livros pra mim. E eu tinha uma curiosidade grande em ser detetive, daqueles que solucionam os casos mais malucos possíveis, de filho atirar no pai e acertar na mãe e depois um molusco aparecer na janela e tirar os olhos dele pra vender no mercado negro, fazendo o pai virar um travesti depois. Então eu juntava sempre um dinheirinho escondido pra eu pudesse viajar pra Venore, simplesmente para estudar um pouco.

    Outro dia eu fiz um serviço ótimo e eu acabei conseguindo o que precisava. Catei minha trouxa e fugi pra área das carroças no leste da cidade pra viajar pra Venore. É lógico que o cara lá suspeitou de mim, mas quando viu o dinheiro, deixou eu subir e viajar com um pessoal mequetrefe pra lá. Se incomodaram comigo, mas ao invés de eu me incomodar com eles, eu contava umas piadas e falava umas histórias que eu conhecia. Eles gostaram. Sabe, aquilo até fez uma mocinha que estava lá gostar de mim, ela era mais velha e tava viajando sozinha. Ofereceu ajuda. Teto. Comida. Fui trabalhar ajudando a carregar mercadoria numa farmácia da mãe dela em Venore e de vez em quando eu estudava nos cantos ou de noite na casa dela. Fiquei alfabetizado e conhecendo cada vez mais do mundo dos detetives, enquanto vivia aquela vida estranha, mas tranquila.

    Renata era o nome dela. E se estiver se perguntando, sim, eu perdi com ela. Uns dois anos depois. Acho que ela gostava de ser papa-anjo. De qualquer forma, aquela garota me ajudou pra caralho. Consegui até fazer de brincadeira uma prova da AVIN para se tornar um agente ou investigador, e a brincadeira virou realidade. Me tornei estagiário. Comemoramos muito aquele dia, mas nem tudo é rosas. Teve um dia em que ela demorou muito pra voltar pra casa. Quando fui atrás dela, tudo que encontrei foi a guarnição mandando manterem distância de um corpo com a garganta rasgada estirada no chão. Seu ex-namorado a matou à sangue frio. Eu fiquei puto como nunca e, com as habilidades de investigação que consegui, descobri sozinho onde o sem pinto morava, arrombei a casa dele, meti uma faca na garganta dele e botei fogo em tudo. Depois daquilo, fugi pra Thais.

    Tantas provas foram deixadas pra trás quando fiz aquilo, mas ninguém descobriu que fui eu. Claro que ela nunca iria ficar orgulhosa do que eu fiz. Daquela vingança. Nem de que eu estava bebendo com quatorze anos. Mas eu consegui entrar na Universidade de Fibula com dezesseis anos, e a partir daí, minha vida se amenizou um pouco. Passei a viver nos dormitórios de lá e trabalhar lá dentro, então, foi tranquilo. Me tornei investigador-chefe com vinte e quatro anos e chefe de escritório com vinte e nove. Lidei com casos como o Eclipse na Baía da Liberdade onde um monte de mortos-vivos tomaram a cidade do nada, dos Ciclopes Crucificados onde três subordinados meus morreram, da Bolha de Sangue onde um pequeno amigo meu morreu em Rookgaard.

    Enfim, resumindo, minha vida foi um lixo. Eu realmente não iria me importar se eu morresse aqui e agora, pois eu só me fodi. Acho até irônico que eu ainda acredite em deuses. Mas sabe como é, se tu estiver totalmente sozinho na sua jornada, capaz que um dia você se pergunte se pular da janela do quinto andar vai doer.”

    O silencio prevaleceu por um minuto. Borges não chora, mas sente um peso forte na sua mente e um aperto no coração. Sua cabeça está abaixada, e ele reflete sobre o que contou.

    — Agora eu sei porque seus registros eram tão simples. — Disse finalmente Nightcrawler, quebrando o silencio.
    — Um mistério que você não conseguiu solucionar. — Comenta Borges, sorrindo e levantando a cabeça.

    A água parece fazer alguns sons diferentes. Nightcrawler olha para a vala, sem entender. Parece tudo nos conformes.

    Mas um som diferente nem sempre diz que tudo está nos conformes.

    Ele vê sangue vindo pela água e finalmente repara na grade da vala, na parede virada para o norte. Há treze cabeças humanas ali.

    Ao virar-se para trás, vê Borges olhando para um pedaço de papiro. Um brilho roxo desperta sua atenção, mas não atrai a dos outros membros ao redor, que estão distraídos. Percebe que é tarde demais.

    — Ei!

    Os olhos de Borges se abrem de forma crescente. Num instante, ele solta um grito horrendo, parecendo o de um animal. Ele se levanta e tenta correr, mas tropeça e cai na vala, colocando as mãos no peito e começando a agonizar. Todos olham para a cena sem saber como reagir. Quando vira-se para os lados, procurando algo, Nightcrawler consegue ver um membro se aproximando pelo corredor de onde vieram a passos lentos. Está cercado por papéis voando ao seu redor, mostrando que sua identidade é Redchain.

    — Corram!

    Trevor rapidamente levanta Dartaul e joga ele pra frente, forçando-o a se equilibrar e correr. O grupo dispara até um corredor que segue ao leste, com os gritos de Borges ao fundo. Dartaul para com a intenção de ajudar seu companheiro, mas parece perder as esperanças ao ver cinco espécies de tentáculos, mais parecidos com patas de aranha cobertas por um sangue grosso e escuro, saírem de seu peito, deixando seus gritos ainda mais brutais. Nightcrawler volta e puxa-o pelo colarinho, jogando-o de volta pro corredor.

    — Vê se corre, caralho!
    — Mas... Borges...
    — Borges já era! Vai!

    Dartaul segue o grupo, sem contestar muito, mas com lágrimas nos olhos. Sem perceber, eles se separam, incentivados pelo desespero e pela falta de coordenação. Alayen e Trevor vão para o lado esquerdo enquanto Nightcrawler e Dartaul vão para o direito, mas quando percebem, não possuem coragem suficiente pra voltar. Somente correm.

    O caminho faz algumas curvas para a esquerda e para a direita, todos com corredores iguais, mas com uma iluminação cada vez mais fraca. O caminho de Trevor e Alayen leva até uma sala escura e sem saída. Ao tentarem voltar, a sala explode e parte dela desaba. A outra dupla acaba se separando, pois Dartaul estava parando de correr. Ele toma outro caminho e percebe que Nightcrawler nem mesmo tentou segui-lo. Filho da puta criado em orfanato, pensa.

    Ele chega até uma sala parecida com a que estavam antes. Sem disposição, ele senta-se ao lado da parede com um olhar pesado. As lágrimas pararam de cair. Ele repara num buraco na parede ao lado dele e num outro corredor do outro lado da vala. Não sabe bem o que fazer, nem se conseguiria fugir. A questão é que eles estavam sendo perseguidos como se fossem galinhas fugindo do homem faminto.

    Ele fecha os olhos e concentra-se nos sons. É uma atividade comum na guarnição de onde veio para casos parecidos, onde eles não podem contar com a visão. Afinal, aquela sala está mal iluminada e ele pode ser um alvo fácil. Logo, reação rápida será mais que necessário.

    Aos poucos, ele traça um cenário sonoro. Ouve sons próximos. Uma goteira que cai direto pra vala, cuja está sem água. Alguns insetos movendo-se pelos canos próximos. Talvez sejam baratas, pensa ele. Ele lembra-se do seu primeiro desafio em Rookgaard, que era de se esgueirar no escuro do esgoto abaixo do porão de Santiago para matar baratas. Mas elas eram maiores do que o normal, o que o assustava.

    Não posso me deixar levar por nostalgias, pensa ele. O investigador se esforça em afastar os sentimentos ruins e se concentra. Ainda ouve a goteira. Também ouve a água correndo em alguns locais. Ela toca alguns objetos. Sacolas de lixo, restos, objetos velhos, um sofá. Está cheio de formigas e baratas. Jamais imaginou que sua audição fosse tão boa. Ele então continua, agora ignorando a goteira. Mas ela parece ficar mais forte, atraindo a audição de Dartaul. Ele não queria isso, mas parece um instinto. Um instinto que puxa sua audição embora para ficar atento a outros locais. E ele estava certo.

    — Você é retardado.

    Dartaul dá um pulo de susto ao ouvir a voz de Nightcrawler. Ele não está na sua frente, só após alguns instantes que o jovem entende que o mascarado está na parede atrás dele.

    — Desculpe por ter te deixado pra trás. Estou começando a pensar que será melhor se nos separarmos e confundirmos ela. Aparentemente, só ela está aqui.
    — Não ligo por ter me deixado pra trás. Ligo pela vida de Borges.
    — Sinto muito. Por incrível que pareça, eu me comovi um pouco com o gordo. Ele teve uma vida de merda, parecida com a minha. E encontrou um fim pra ela. Podia ter sido bem melhor, mas a vida não costuma nos dar o que desejamos. Se bem que, no caso dele...
    — Cala a boca, Suzio.
    — Ora. Quem lhe deu permissão pra me chamar pelo meu nome?
    — Falei pra calar a boca. Estou tentando ouvir os sons.
    — Ah.

    Dartaul fecha os olhos e concentra-se nos sons novamente. Agora, ele ouve sua própria respiração e batimentos, bem como os de Nightcrawler, o que tornará as coisas um pouco mais difíceis. Ele volta a ouvir a goteira, bem como sons ao redor. Ouve pequenos pedregulhos caindo ao longe. A água trazendo algo pesado. Algo se mexendo pelos cantos de um corredor.

    Ele se concentra mais. Mas ao ouvir um grunhido familiar, ele percebe que é só um rato. Então, volta sua atenção para o que há ao redor. Outro rato próximo, no corredor a frente dele. O bicho corre para outro corredor à esquerda, então só há um lado para ir ali. Ele continua ouvindo a goteira. Ouve um bater de asas, possivelmente de um morcego. Mas as chances de ser um morcego parecem cair um pouco quando ele não ouve a goteira cair na vala por um segundo. Ela volta a cair de novo.

    Quae est ante in. — Murmura para si mesmo Nightcrawler.

    Dartaul ia protestar novamente, mas percebe algo estranho. Ele sabe moderadamente latim, uma língua muito usada em Yalahar. Ele também sabe sentir o ar, que é forte em Yalahar desde que ele chegou lá. Mesmo nos esgotos, ele tem força. Mas onde ele está, o ar falha um pouco. Especialmente do corredor de onde ele vem ou quando ele tenta atingir seus pés. Como se algo o impedisse. E então, ele entende o que o detetive disse.

    Ela está na sua frente.

    Ele abre os olhos e vê uma figura na sua frente. Ela usa uma saia longa e escura e sapatos. Não possui cheiro. Talvez nem mesmo alma. Ele levanta devagar a cabeça, imaginando que sua hora chegou, mas ele queria olhar no rosto daquela que iria ceifá-lo. Mas ela está olhando para os lados, como se não percebesse que há alguém em frente a ela.

    Ela então para, enquanto fita a parede na sua frente. Parece ter ouvido algo. Dartaul fecha os olhos e cessa sua respiração, que está ficando mais rápida. Ele se concentra e tenta fazer o possível para parar a tensão no seu corpo, talvez seu pulso, ou até mesmo seu coração. Ele espera por segundos, que mais parecem uma eternidade, enquanto seu corpo se esforça para não fazer um som sequer e parecer apenas um simples saco de lixo jogado. Ele espera, com um mínimo de esperança no peito de que sairá daquela situação, enquanto ouve correntes caírem de dentro das mangas dos braços de Redchain.

    Mas tudo o que ele ouve em seguida é uma gota cair na vala e ela responder com uma pequena quantidade de liquido se movendo.

    Ele abre os olhos e nota que não há mais ninguém ali. Não sabe se o que viu era sua mente lhe pregando peças ou se era real. Mas ao ver aquilo, ele respira fundo, com bastante alivio.

    — Ouvir os sons não nos ajudará muito. Vamos ter que nos virar no escuro. — Disse Dartaul, esperando que Nightcrawler concordasse.

    Mas ele não ouve uma resposta.

    Ele examina o buraco e nota que não há ninguém ali. A sala está vazia, mal iluminada e não conta nem mesmo com insetos correndo pelo chão. Com estranheza, ele tira seu rosto dali e se levanta, visando seguir caminho. Na sua mente, o detetive passou a não ser mais de confiança. Ao mesmo tempo, passou a ser um inimigo.

    Dartaul se sente sozinho. Ele escutou o som de explosão do lado de Trevor e Alayen. Seu olhar pesado e seus movimentos desanimados indicam que ele não sente mais esperança, e acredita firmemente que foi abandonado naqueles esgotos. Seus pensamentos destroem sua sanidade aos poucos enquanto ele se locomove pelos corredores escuros dos esgotos, sem rumo.

    Ele nota que aquilo é um labirinto. É pior do que o Inferno dos Minotauros. Na verdade, nada do que ele já experimentou na sua curta vida de aventureiro se iguala a aquilo. Ele coloca a mão no bolso e sente algo. É um pedaço de papel. Sente medo de olhar, achando que poderia ser uma armadilha colocada por Redchain, uma vez que ele viu que a Sangue domina habilidades envolvendo papiro e papel. Mas lembra que o mascarado pode ter colocado algo no seu bolso durante a fuga.

    Chegando perto de uma luz falha, ele vê algo escrito. Tem a letra de Nightcrawler e foi escrito há bastante tempo.

    Hakugai. Uma espécie de perseguição onde um membro ganha duas vezes o seu poder, mas perde outras coisas, como a capacidade de escutar os corações de seres vivos e vê-los através de suas máscaras. Geralmente só os mais poderosos ativam esse estado, pois sabem que podem ser capazes de se sair bem nessa situação. Como usam máscaras, eles não possuem visão, mas em troca, possuem boa audição, tato e olfato. Então, é preciso ter cuidado redobrado quando você cai em algo assim.”

    Dartaul não se surpreende, mas entende a condição em que se encontra. Ele guarda o papel e examina o que possui. Seu cinto ainda possui algumas bolsas com facas. Está com um casaco vermelho, com camisa e calça negras, e sapatos cinzas. Dentro do casaco, há uma kukri*. Ele pega ela, enquanto pisca os olhos. Redchain possui uma habilidade que parece enlouquecer os outros com um pedaço de papel, então ele deve ficar atento.

    Utevo Lux. — Pronuncia ele, com voz baixa.

    Ele afasta seus próprios pensamentos. Percebe que Nightcrawler não o abandonou, apenas acredita que ele pode se virar sozinho. Mas não deixa de sentir ódio do homem pelo que ele já fez. Então, ele se move adiante, num corredor que talvez siga para o leste, não tem ideia. Perdeu seu senso de direção há algum tempo. Ele se vira para entrar numa continuação à esquerda do corredor, talvez dando para o sul ou para o norte.

    Entrando ali, nota que é uma pequena sala. Surpreende-se ao ver algo a sua frente. Uma figura. O inimigo, encapuzado.

    Ele para. Não sabe o que fará em seguida, mas sabe que esteve se movendo fazendo o mínimo de som. Ela está apenas olhando pra dentro da sala, e logo irá sair dali. O investigador engole em seco, e ela parece ter ouvido. Redchain torce seu pescoço para trás, imaginando ter escutado algo. Mas tudo que escutara foi o que esteve sempre escutando desde que chegou ali embaixo: Água.

    Ela dá meia volta e volta a passos lentos. Dartaul sai do caminho dela, colocando-se contra a parede, de costas. Ela sai dali, e segue pelo caminho de onde o rapaz veio. Finalmente, o jovem respira um pouco melhor e entra na sala, virando-se para a direita. Toca em algumas correntes distribuídas pelas paredes como se fossem teias, fazendo barulho. Elas são vermelhas e pingam sangue. Os passos no corredor cessam.

    Dartaul senta-se no outro canto da sala com sua arma na mão. Vê a figura retornar para a sala, que está muito mal iluminada. Ela tenta procurar alguém por sons, mas novamente ela não encontra nada. Sente-se levemente frustrada, batendo a mão na parede à direita e voltando. O rapaz sente como se seu coração estivesse sendo pressionado por mãos frias, tamanha a tensão que sente ali embaixo.

    Ele encosta melhor na parede. Reflete a respeito das suas condições por algum tempo, sem saber como irá escapar dali, sem saber se encontrará alguém. Sem saber se será aceito na Guarnição Thaiana de novo. Ele puxa o nariz, tentando conter um eventual choro.

    Mas nota que não está seguro quando percebe que não foi ele que fez aquilo.

    Ele olha pra frente e vê um grupo de correntes embebidas em sangue entrando na sala. Elas examinam os arredores, sentindo uma presença ali, como se fossem cobras. Dartaul não se mexe, ainda respira, porém, sem muito peso ou velocidade. Seus olhos não parecem transmitir um sentimento forte quando algumas das correntes se posicionam próximas dele, parecendo mirar o seu rosto.

    A tensão abaixa quando elas se movem para outro lado. Continua sem se mexer, começando a prender a respiração de novo. Ele já está suando, com o coração voltando a bater rápido. Mas sente-se melhor por elas não estarem mais parecendo ver sua presença.

    — Irmã...

    Uma voz doce, porém, pesada, volta a assustar Dartaul. Ele vira seu rosto devagar com pavor quando nota que a voz veio das correntes.

    — Irmã... Por favor... Foi tudo por nós...

    As correntes começam a se juntar e formam um rosto na extremidade direita. Este rosto é quase igual ao de Miraya.

    — Eu sinto seu cheiro, irmã... Você está viva...? Por que não volta pra mim?

    O rosto feito de correntes vira-se para o de Dartaul. Ele tem certeza absoluta de que foi encontrado.








    Próximo: Capítulo 21 – Hakugai II




    Notas:

    *Kukri é um tipo de faca de origem grega, de uso amplificado no Nepal antes de se espalhar pelo mundo, sendo usada principalmente pelos ingleses.

    Imagem:


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    Última edição por CarlosLendario; 04-04-2017 às 08:06.



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