E aí Edge, obrigado pelo comentário(finalmente algum) e pelos elogios.
Eu digo que você acertou que tem muitas pistas deixadas no capítulo, mas vejo que você realmente é lento por não sacar quais sãotanto que você nem percebeu que eu citei "Filho de Banor", algo de O Mundo Perdido! Isso mesmo, Bloodtrip se passa no mesmo universo que OMP. Eu já vinha dando pistas desde o capítulo 8, o pessoal que é lento e não notou. Mas, pra falar a verdade, isso não ajuda muito a compreender o mistério por trás da Irmandade.
A relação que a Irmandade tem com Tibiasula não vai ser explicada ainda e duvido muito que você entenda qual é. Vai levar mais uns capítulos. E você percebeu duas coisas: O que Borges quis dizer com a frase que você citou e que foi Sarutevo que falou no final. E sim, os dois lutarão entre si com suas táticas, então os próximos capítulos serão empolgantes.
Enfim, espero que goste desse capítulo, e não demore tanto pra comentar, poxa. Tava achando que o pessoal perdeu o interesse na história(Ainda acho).
Bom pessoal, estou sem teclado e estou usando uma tática pelo celular pra postar esse capítulo. Talvez eu fique um tempo afastado, mas por favor, tenham paciência! Logo tudo será resolvido e voltarei com Bloodtrip. No mais, fiquem com o capítulo!
Capítulo 20 – O Discurso
Parte 2
Passaram-se dois dias desde a reunião. É noite novamente, e uma sala próxima da de antes, usada também para reuniões, está sendo usada por várias pessoas. Esta sala possui a mesma mesa, mas com uma arte ilustrando dois yalahari enormes construindo Yalahar. Ela possui um estilo clássico, um tanto renascentista, e dá um belo contraste com a sala, iluminada por muitas velas, contando com paredes brancas com adornos dourados. Há seis guardas na sala.
Entre as pessoas está quatro inquisidores thaianos, um inquisidor yalahari, dois magos, dois ministros e um yalahari original. O original em questão está na cadeira da ponta, enquanto o restante está nas cadeiras próximas.
— A Irmandade... Não creio que ela esteja sendo tão temida ao ponto de tão pouca gente conseguir ter coragem de ir contra ela. — Comenta um dos ministros. Os dois ministros estão nas duas cadeiras mais próximas do original e vestem grandes capas amarelas — Felizmente, parece que estamos indo bem em conseguir pará-los, não é?
— De fato. — Disse o inquisidor yalahari. Ele veste um casaco negro com bordados de ouro, possui cabelos cor avelã bem claro, olhos azuis e aparenta ter trinta anos — Eu, David, estou muito esperançoso que saia algo amanhã. É o dia do plano do ambicioso, porém, inteligente Nightcrawler. Assumo que estou ansioso para ver o resultado daquilo, visando que realmente há membros da Irmandade aqui.
— Mas é um plano muito ousado, não faço ideia de como o governador aceitou. — Disse um dos magos, que traja uma roupa igual a de um, apesar de não ostentar uma barba branca e longa tampouco cabelos grandes e brancos, e sim um cabelo negro e baixo e nenhum pelo facial — É muito irresponsável, devo dizer. Colocar civis no meio disso será problemático. Não duvido da capacidade de meus magos, mas mesmo assim...
— Os magos thaianos são os melhores Wroth, não se preocupe. — Disse o outro mago, na outra ponta — Eles foram bem treinados para esse plano que já vem sendo trabalhado há meses por Nightcrawler. Creio que funcionará, mas estou incerto do que virá depois.
— Concordo. Digo, o que Nightcrawler espera fazer com a informação do líder, que é muito valiosa? Ele não entregará para nós de bandeja, ele não é assim. — Disse Wroth, despertando sentimentos mútuos a respeito do detetive nas pessoas da sala.
A sala fica em uma discussão crescente por um longo instante, até o yalahari agir, juntando as duas mãos e fazendo um poderoso som acompanhado de um vento poderoso. Ao verem aquilo, todos se calam.
— Não viemos discutir sobre impressões nossas a respeito do conde mascarado. — Disse o yalahari. Sua voz é forte e parece ressoar pela sala com poder — Viemos discutir sobre o futuro incerto que cerca esse plano, pelo bem de Vossa Majestade, Yalahari, e se iremos ajudá-lo de fato nessa alçada. Agora, vamos começar.
~*~
Dia do plano. Nightcrawler observa o norte da cidade pela janela do corredor. Agora ele está diferente, vestido de um smoking negro, usando botas e luvas negras, calças negras, uma camisa branca com uma bela gravata de cobalto, além de estar munido de um chapéu negro e sua máscara de teatro sorridente. Dentro do smoking está um cinto cheio de facas de arremesso gravadas com runas, que não estão forçadas contra a vestimenta. As armas estão distribuídas de forma a não fazer barulho.
Alguém o chama do começo do corredor. A hora chegou.
O começo de tarde na cidade é belo. O céu está limpo e Fafnar ilumina com todo o seu esplendor as terras da antiga raça de semideuses. Yalahar está animada naquele dia, pois é o aniversário do governador, que todos desconhecessem o nome, mas sabem sua importância e poder, consequentemente levando-o a ser venerado quase como um Deus.
Nightcrawler desce para o andar logo abaixo e vai em direção ao térreo. A estrutura do palácio é construída sobre quatro andares. O térreo possui uma sala no fundo onde o governador geralmente está, e possui um largo espaço com um palco, sem teto, mas cercado de uma amurada bem reforçada; o primeiro andar possui salões para festas belíssimos e bem decorados, por onde Nightcrawler passa para ir ao térreo; o segundo andar fica os aposentos; no terceiro está as salas de reuniões; e no quarto, está os aposentos dos yalahari originais.
Nightcrawler entra no salão maior, acompanhado por um soldado yalahari. Lá, ele encontra o Time da Noite, devidamente preparado para o plano, além de Palimuth e outros dois soldados. Ele para por um instante, com o soldado logo atrás, e coloca as mãos nas costas.
— Muito bem, logo serei chamado para o discurso. As pessoas estão se reunindo lá embaixo para ver o governador e desejar feliz aniversário. Geralmente, há sempre uma festa gigante nesse primeiro andar para a maioria dos moradores de Yalahar, mas não será o caso hoje. As pessoas vão ficar assustadas demais para festejar.
— Eu disse e continuo dizendo... Isso é muito arriscado. — Comenta Trevor, cruzando os braços. Na sua cintura, está sua nova espada: Uma Ceifadora de Dragões.
— Membros da Irmandade são atraídos por concentrações. Você pode notar que nunca houve um assassinato por parte deles longe de uma cidade.
— Bem, eu ainda concordo com o Sr. Trevor, mas não tem jeito. Precisamos capturar ao menos um membro e fazer o possível para arrancar informações dele. Precisamos saber onde fica a base deles e quem é Sarutevo. — Disse Palimuth, perplexo, apesar de focado.
Há uma escada ao leste do salão para o andar abaixo. Alguém surge de lá: Um rapaz usando uma camisa branca e um colete verde-escuro, com uma boina.
— Yalahari logo chegará, é o que dizem.
— Certo. Obrigado, Gizo.
Gizo assente e retorna. Nightcrawler volta o olhar para todos.
— Dividam-se conforme o plano. Borges e Zoe, vocês vão para a multidão. Alayen e Aika irão com os magos para a amurada logo acima da sala. Dartaul e Trevor, vocês devem ir para a amurada sul com os soldados locais. Palimuth irá comigo para o palco. Quando a confusão começar, Borges e Zoe devem ir para os cantos da sala e correr para o norte, os soldados reforçarão a saída e a amurada sul da entrada, os magos matarão todos os membros que virem. Entendido?
Todos concordam com a cabeça.
— Excelente. Vamos lá.
Nightcrawler dirige-se a escada com todos da sala logo atrás. Ao chegar no andar térreo, eles se dividem conforme planejado. Nightcrawler fica próximo do palco, com Palimuth e Lucius.
— Veja só, tá enchendo mais rápido do que imaginamos. — Disse Lucius, com uma voz grossa. Ele está vestido de um casaco negro com bordados vermelho-escuros, um chapéu com as mesmas cores e bordados, além de botas e luvas de mesma cor.
— E tem muita gente usando capuz, Crawler... Deveria ter sido mais especifico.
O detetive começa a reparar em várias pessoas encapuzadas ou usando capas. Elas possuem cores diversas e parecem comuns, não tentando esconder o rosto.
— Isso é mal... — Sussurra Nightcrawler, perplexo.
— Hm? O que foi? — Questiona Palimuth, crendo que ouviu algo.
— Hã? Nada. Estou só pensando sobre quantas pessoas relativamente pobres estão aqui.
— Yalahar é dominada pela classe mais rica e bem abastada de todo o Tibia. Esses poucos devem ser servos ou coisa assim. De qualquer forma, todos estão convidados para a festa. O salão já começou a ser organizado logo quando saímos de lá.
— Interessante. Bem, tanto faz, vamos continuar esperando.
Ao menos uma hora se passara desde que Nightcrawler e o restante do time se posicionou. Já há pessoas mais do que o suficiente, e elas já pediam o discurso do famoso conde mascarado. Finalmente, um conde surge, vestindo um belo blazer vermelho com um chapéu negro cobrindo seus cabelos loiros, subindo o palco com o objetivo de começar a cerimônia.
— Vivat Yalahari! Uma boa tarde a todos os habitantes de Yalahar, neste belíssimo e gracioso dia! Sou o Conde Fastras Agnivalli e introduzo vocês ao aniversário de Yalahari, o governante e espírito guardião desta cidade!
Uma grande comoção veio em seguida, com muitas palmas.
— Boa sorte, Nightcrawler. — Disse Lucius, um pouco preocupado.
— Ah, relaxa, Lucius. Você não é de se preocupar com essas coisas, ora. Vou falar umas merdas lá em cima até a hora de começar a ação, então fica tranquilo, certo?
— Sim. Mas não se esqueça do seu verdadeiro inimigo.
Nightcrawler ia contestar quando percebe que os guardas já o chamavam. Ele se despede do amigo e dirige-se até próximo do palco, seguido por um organizador, que veste uma camisa verde-mar e uma calça e botas brancas.
— Para começar o dia, vamos ouvir um pouco de um grande contribuidor para o esplendor de Yalahar, conhecido como O Conde Mascarado de Yalahar, Nightcrawler! — Pronuncia o conde, apontando para o detetive, que sobe os degraus para o palco sobre uma salva de palmas e muitos gritos de afeição.
O conde se afasta para dar espaço para o mascarado, enquanto Palimuth e alguns guardas ficam logo atrás. Aika e Alayen estão a metros de distância dele, na amurada, com um número de trinta magos distribuídos. Do outro lado, está Dartaul, usando um casaco vermelho escuro e calças negras, e Trevor, junto de vinte arqueiros e alguns soldados rasos yalahari.
Nightcrawler nota seu discurso sobre a mesa do palco. Ele respira fundo e começa.
— Vivat Yalahari. Bem vindos a este belo dia de Yalahar. Para alguns, pode ser apenas mais um dia, para outros, é o melhor dia do ano. Isso dá pano pra manga para muitas discussões a respeito do nível social de nossa cidade, bem como as opiniões de nossos cidadãos, mas este não é o foco hoje. Não é a parte importante, com o perdão da frase, desse dia. Hoje é o dia de Yalahari, o dia mais importante dessa cidade, queira vocês ou não. Mas não se enganem com minha leve agressividade, eu estou apenas... Animado.
Todos mantém seus sorrisos. O discurso de Nightcrawler ainda anima a todos.
— Vocês já repararam no quanto essa cidade é antiga? No quanto de conhecimento que ela guarda? Se parássemos pra ler todos os livros que existem aqui, ficaríamos loucos. Vocês também já repararam no quanto essa cidade é linda? No quanto que o mundo cobiça ela? Se os reis do mundo ganhassem um dia para ser o rei do mundo, escolheriam Yalahar como sua sagrada morada. Vocês já repararam no quanto essa cidade é poderosa? No quanto de invasões que nunca aconteceram? Se Yalahar decidisse pegar Edron para si, eles dariam para nós de bom grado, pois sabem que nas mãos de Yalahari, essa ilha triunfaria mais do que nunca.
As pessoas parecem mais animadas, mas os sentimentos começam a se divergir. Alguns perdem o sorriso e outros parecem abaixar mais a cabeça. Há outros abaixando os capuzes. Nightcrawler passa a reparar isso e começa a ficar mais afiado.
— Isso graças ao trabalho de séculos de Yalahari, bem como seus originais, antes da chegada de Variphor. Mas muitos locais foram salvos, mesmo aqueles atacados por criaturas como os lagartos de Zao, que, por muita coincidência, deixaram uma benção no Quarteirão 04 acreditando que tinham colonizado aquele lugar, quando ele já era habitado, apenas não por muita gente. Estão vendo? Mesmo que nossos inimigos tentem nos atingir, nós nos aproveitamos de sua indecência em nos atacar, salvando e protegendo nosso lar. Essa é nossa influência, não há como negar.
Alguns olhares carregados de ódio começam a surgir no meio da população. Nightcrawler começa a perceber que seu plano era esperado e que não correu como o planejado. Vendo que desviar um pouco o que ia falar buscando ser mais direto acabou dando frutos, e poderia agir melhor agora, no final de seu discurso.
— No nosso mundo, não existe beleza como a de Yalahar. Não existe conhecimento como o das nossas bibliotecas douradas. Não existe poder como o dos yalahari. E não existe povo como o nosso. E é por isso que estou aqui, servindo a esta cidade, mesmo após ter me afastado por anos e anos. Pois eu sei que não existe governador como Yalahari e não há raça como seus semelhantes originais. E é neste lugar que eu quero viver. E vocês?
Mais comoção é trazida pelas palavras de Nightcrawler, equilibrando positividade e negatividade. É o momento perfeito. Ele ajeita sua máscara, avisando que a hora está próxima.
— Aproveitem este dia, pois o único governante que é capaz de lhes oferecer algo parecido é nosso governador, Yalahari. Apreciem a comida, deliciem-se da bebida, divirtam-se essa noite, ela é para vocês e apenas para vocês. Pois, depois do meu discurso... — Disse, por fim, Nightcrawler, sorrindo e fechando os olhos aos poucos para a próxima frase — Profanatorum obstrepit et fidem in sanguine suo.*
Os olhos de Nightcrawler ficam negros, e um losango alaranjado se forma no centro. Trinta e duas pessoas são marcadas com auras alaranjadas ao redor de seu corpo, enquanto o detetive levanta a mão direita.
Os magos pegam runas de morte súbita e preparam magias de elementos enquanto os arqueiros munem seus arcos de flechas. É iniciada a chacina.
Próximo: Capítulo 20 – O Discurso III
Notas:
*A frase em latim significa “Os profanadores irão se afogar em seu próprio sangue e crença”. Obs: Vivat é a melhor palavra em latim para “Vida longa”.
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