Saudações, moçada do Fórum!
Estive um pouco mais ausente do que gostaria dessa história... Atualmente, estou coordenando a I Justas Tibianas, que é o novo Torneio aqui da Seção Roleplay. Você pode conferir as regras aqui. Então, estarei preparando as novidades de A Voz do Vento em paralelo nesse meio tempo entre uma rodada e outra.
Como já venho anunciando a alguns capítulos, o Segundo Pergaminho está, enfim, caminhando para a sua reta final. Foi um processo difícil, especialmente porque me afastei do Fórum por mais de um ano, o que atrasou consideravelmente meu planejamento. Minhas motivações para voltar foram muitas e, com isso, mantive-me por essas bandas para escrever.
Queria saber uma coisa de vocês: quais suas apostas para o fim desse Pergaminho? E como acham que a história acabará, em geral? Se possível, respondam-me essas perguntas junto ao seu feedback. Quero ver o quanto as apostas mudaram desde o Primeiro Pergaminho.
Spoiler: A Voz do Vento 2016, Extras #9
Spoiler: A Voz do Vento 2016, Extras #10 (05/04/2016)
Spoiler: Respostas aos Comentários
Sem mais delongas, o Capítulo de Hoje!
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Spoiler: Bônus Musical
Capítulo 45 — Esquecimento, a Eterna: A Nova Fronteira (Parte 1)
A Fronteira Final se aproxima...
(Narrado por Emulov Suv)
Leitor, qual o lugar que você mais gosta nesse mundo? Não precisa ser uma nação em específico... Talvez um local pequeno, onde você possa ser você mesmo sem parecer tão diferente do mundo que te cerca. Um lugar que você possa chamar de seu mesmo que ele não te pertença em termos de posse. Todo mundo tem esse lugar: inclusive eu. Quero que você pense a respeito disso, pois estou prestes a descrever o meu lugar favorito em todo esse mundo de Tibia.
O lugar aonde cresci e onde aprendi a fazer sempre o melhor que eu puder.
***
O portal foi aberto por Yami; Ireas o invocou assim que a luz se fez presente timidademente no horizonte, o Norsir sacou a lâmpada de sua mochila e usou um pouco de neve para esfregá-la. O Djinn materializou-se pouco depois, não muito contente por ter sido despertado tão cedo e de forma tão... Gélida. De toda forma, expliquei a ele o que deveria ser feito e ele me concedeu, através de Ireas, um único desejo para aquele dia em especial.
— Que se abra a porta para o Nordeste inóspito! — Yami falou, estalando os dedos logo em seguida.
Era um campo de força de raias púrpuras que se tornavam mais densas conforme aproximavam-se do centro, afundando levemente ao se aproximar da projeção etérea de um jardim de flores rosadas e árvores de troncos pálidos. Eu conseguia sentir o cheiro fresco de fruta-de-dragão e cereja vindo do vórtice dimensional. Entretanto, havia um outro rastro naquela cena — e certamente não era nostálgico para mim.
— É esse o local, Emulov? — Indagou Yami.
— É... — Fechei meus olhos e respirei fundo, inalando aquela fragância tão familiar — Esse mesmo.
O outro rastro olfativo continuava a me incomodar por algum motivo. Abri meus olhos lentamente em uma tentativa de desviar minha atenção daquilo. Olhei para o vórtice novamente e vi outro cenário familiar; um sorriso leve abriu-se em meu rosto, o qual fiz questão de disfarçar.
O outro rastro olfativo continuava a me incomodar por algum motivo. Abri meus olhos lentamente em uma tentativa de desviar minha atenção daquilo. Olhei para o vórtice novamente e vi outro cenário familiar; um sorriso leve abriu-se em meu rosto, o qual fiz questão de disfarçar.
— Sigam-me e fiquem sempre à vista. — Falei, decidido. — Eu saí de Zao alguns anos atrás... Meu pais não me veem há três anos, desde que fui à Ilha do Destino me tornar... Feiticeiro.
A minha última palavra soou baixa e surda até mesmo para os meus padrões. Estava preocupado... Três anos já haviam se passado desde aquele dia; perguntava-me como estariam eles... Se a cidade ainda estava como e me lembrava e se eles ainda mantiveram o ninho em que dormira um dia. Fechei meu semblante e comecei a caminhar em direção ao portal. Ouvi, aos poucos, os passos dos demais atrás de mim. Entrei no portal, fechei meus olhos e decidi confiar em meus outros sentidos...
***
(Narrado por Rei Jack Spider)
Recebi uma carta; a casa de Liive enfim foi comprada. Infelizmente, meus esforços não foram suficientes para impedir que as memórias terrenas de meu amigo fossem removidas de Svargrond como se nunca houvessem existido.
O novo dono garantiu-me que as coisas dele me seriam entregues muito em breve; pareceu-me uma pessoa muito gentil pelas cartas. Só havia uma coisinha que estava me causando estranhamento. Na realidade, não eram nem uma tampouco duas, senão três. Não tive muito mais tempo para analisar a carta, já que logo vi Emulov sumir em meio ao vórtice.
O papel de carta era bem antigo, muito alterado pela umidade.
Havia pequenas manchas de sangue nas laterais do envelope amarelado.
E o conjunto cheirava a rum recém-destilado.
***
(Narrado por Emulov Suv)
Abri meus olhos e lá estava minha terra natal a me esperar; meus pés tocaram o solo negro da montanha que separava os dragões de menor porte do restante de meu mundo. A luz estava lentamente esvaindo-se no horizonte, e o vento soprava dócil, um pouco mais ameno que a última vez que o sentira. Possivelmente estávamos perto da primavera, o que significava que meu aniversário estaria próximo.
— Para onde agora, Lagartinho? — Morzan tinha que se referir a mim por um apelido constrangedor.
— Err... Noroeste. — Falei, apontando para o horizonte. — Aqui onde estamos são os Picos das Chamas dos Dragões*... É a montanha que nos separa de Mina Distante** e de meu lar. Sigam-me, conheço um atalho que nos levará para baixo sem chamar a atenção deles...
Eles concordaram e puseram-se a me seguir; utilizando um canivete de cor vermelha***, removi uma pilha de pedras vermelhas de meu caminho, revelando um buraco por onde podíamos descer; guiei o caminho da companhia entre buracos e espaços para subir com o auxílio de cordas; sentia o ar ficando cada vez mais ralo e frio, e tinha certeza de que estávamos na trilha certa; comecei aos poucos a descender o caminho, fazendo-os atravessar a montanha no refúgio das paredes mornas em um caminho nunca mais utilizado pelos Dragões. Assim que abri o acesso ao último túnel descendente, senti uma lufada de vento primaveril atingir meu rosto; entretanto, havia, novamente, aquele cheiro estranho que senti quando adentramos no vórtice. Alguma coisa estava muito, muito errada em minha terra natal.
Fui o primeiro a saltar fora da passagem; a luz de Fafnar estava já quase se esvaindo, e eu podia sentir a queda na temperatura do ambiente. Semicerrei meus olhos e consegui perceber que havia um movimento ao longe; a mata alta e de tom amarelo escurecido começou a farfalhar lenta e constantemente; estávamos à vista de alguém.
— Sssh! Escondam-se. — Pedi, sussurrando com ímpeto. — Eu verei o que há ali.
O grupo se embrenhou na relva alta e eu mantive meus olhares fixos no farfalhar adiante; curvei um pouco, tentando disfarçar meu tamanho. Aos poucos, esgueirei-me para perto da mata.
— Parem osss invasoresss!
Junto ao grito, voou uma alabarda familiar em minha direção, da qual desviei com certo custo. O sol terminara de se pôr, mas eu conseguia ver o brilho da pouca armadura dos meus adversários.
Dois Lagartos Legionários.
—Tingzhi*! — Gritei, estendendo os braços para cima — Tingzhi!
Recebi em retorno outra alabarda voadora, que passou raspando por meu torso, abindo uma ferida em meu tronco. Comecei a ficar com raiva.
— Exori Gran Flam! — Urrei, mirando em um deles.
A bola de fogo o atingiu em cheio; o Lagarto começou a gritar de dor e e o vi cambalear em minha direção; foi quando as chamas que conjurei diminíram que eu vi os olhos amarelos do réptil se abrirem de forma abrupta e assustada, como se ele me reconhecesse. Uma outra alabarda voou, e esse réptil a segurou.
— Não me reconhece mais, Mosheng**?! — O Lagarto falou para mim e sua voz soou familiar; e jovem.
— Ren?! Meu irmão Ren?! — Exclamei, incrédulo.
— Ting Li, não atire mais! — Exclamou Ren. — Ele voltou!
Eu virei me rosto para trás e sinalizei para que meus companheiros saíssem das matas. Aquele Lagarto era, de fato, meu irmão. Melhor dizendo, ele era um dos meus irmãos – de ninhada.
— Emulov, é seu irmão de criação? — Indagou Ireas, apontando para Ren.
— Sim! — Repliquei. — Meu irmão de ninho...
Eu olhei para frente e fiquei pasmo; o outro Lagarto vinha trajando um pouco mais de armadura que meu irmão; as escamas da proteção para o peito e as pernas brilhavam em um tom de branco similar ao das pétalas das árvores de cereja que cresciam naquela região. Senti um nó na minha garganta, principalmente depois que vi a coroa feita de bronze entrelaçado e adornada com flores em sua cabeça; sua íris era verde com um halo amarelo próximo da pupila. Tive que me controlar muito para não deixar escapar a palavra de afeição que eu não poderia dizer.
— E aquele, quem é? — Yami indagou, cruzando os braços.
— Não é aquele... É “aquela”. — Eu corriji e andei para perto da outra Legionária. — Guanxin*** Ting Li! — Falei, levando minha mão direita cerrada de encontro à esquerda e reverenciando a Legionária à minha frente. — Faz três anos que não te vejo... Mamãe.
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(Narrado por Sírio Snow)
Meu queixo caiu; não era nenhuma surpresa que Emulov fosse adotado, tampouco que era de Zao e que havia sido criado por Lagartos, mas a recepção que foi dada a ele foi... Estranha para caralho, para dizer o mínimo; se minha mãe ainda fosse viva, eu teria corrido para o abraço! Em vez disso, o Lagartinho foi até ela e... Curvou-se, e nada mais. Ela, em retorno, curvou-se de volta, mas não parecia muito feliz. Se minha mãe estivesse viva e visse que eu e meu irmão ainda estávamos vivos, com verteza ela faria um bom bolo de Banana e e Erva-Estrela**** com Rum...
— Então... Você voltou. — Falou a Lagarto com um silvo gentil, porém firme. — Mas vejo que carrega o fogo dos Dragões com você. Xiao***** Emulov, você não conseguiu seguir o Caminho da Drakinata?
Vi Emulov sair da postura de curvado e ficar ainda bem tenso; a pergunta fora feita de forma tão gélida que parecia mais que Ireas havia conjurado um feitiço em um hora totalmente inoportuna. Emulov abaixou a cabeça, e a conversa parecia não ir tão bem assim.
— Terminaremos essa conversa em nosso ninho, Xiao Emulov. — Falou a Lagarto, que logo dirigiu seus olhares para nós. — Eu sou Ting Li, uma Legionária à serviço do verdadeiro povo de Zao. A julgar pelo cheiro de meu Xiao Emulov em vocês, devem ser aliados. Sigam-me; a noite está ficando densa e imagino que não vieram aqui à passeio.
Dito isso, Ting Li deu às costas a nós e seguiu seu caminho, e Ren fez o mesmo pouco depois, ainda muito desconfiado; Emulov nos olhou com um olhar melancólico e sinalizou para que seguissemos os parentes dele. Eu concordei e segui adiante; em meu caminho, vi Ireas e Yami trocarem sussurros e olhares de suspeita para a região.
Dei de ombros e segui viagem, sem entender muito do ocorrido.
****
(Narrado por Emulov Sun)
Guanxin já sabia... E ela não estava nem um pouco contente com o que eu decidira para minha vida, tinha plena certeza disso. Ela não trocou uma palavra sequer comigo durante a caminhada; meu irmão Ren, claro, ficou calado, pois é o que manda nossa tradição.
A noite já havia chegado, e logo vimos as estrelas despontando timidamente no céu; alguns vagalumes mais ousados passavam por nós com sua luz cálida e logo se escondiam na relva alta. Foram cerca de quarenta minutos de caminhada, sendo que Yami foi recolocado em sua Lâmpada pouco antes de eu conseguir ver a silhueta de meu Ninho.
Era um edifício de madeira de dois andares com uma pagoda de telhas azuis, com misulas****** em formato de cobra. Eu estava ouvindo o som de tambores e de Erhu******* quando chegamos; à luz fraca, distingui a silhueta de meus outros irmãos.
— Mosheng! Mosheng! — Eles silvavam enquanto vinham correndo.
Eram quatro Lagartos tranjando robes de cor avermelhada, onde apenas um deles era fêmea e que trajava um quimono de cor rosada. Eles vieram atémim e Ren com os braços abertos e de forma muito calorosa.
— Zala! Chen! Araz! Zula! — Falei com a respiração um pouco cortada em meio a tantos abraços. — Quanto tempo!
— É ótimo te ver, Mosheng! — Falou Zala, o mais velho, dando uns tapas em meu ombro. — E esse cetro aí? Não me diga que você...
— Ué, não era para ele ter se tornado Legionário? — Indagou Chen, confuso.
— Acho que sim... Ué... — Comentou Zula, igualmente consternado.
— Você não é Legionário, irmão? — A gentil Araz me perguntou, tristonha.
— Eu... — Comecei a abaixar a cabeça, envergonhado.
— Ele seguiu o Caminho do Cetro de Fogo, meus irmãos. — Ren intercedeu por mim. — Ele não conseguiu pegar em armas, então deve ter recorrido à magia, como aqueles Sacerdotes o fazem.
— Então... Nunca teremos um outro Alto Guarda no ninho? — Araz indagou, melancólica.
— Não necessariamente... — Tentei interceder, balbuciando além da minha vergonha. — Digo, Ren ainda pode se tornar Legionário! E a Guanxin, também...
— Chega desse assunto. — A voz de minha mãe soou alta e fria, e nos calamos. — Não é hora de discurtirmos isso, meus filhotes... Ren e Araz, guiem os convidados para dentro. Chen, Zula e Zala, vocês vão me ajudar com a janta. Vamos precisar de bastante comida para hoje.
Minha mãe se curvou e eu retribuí a reverência, deixando-a entrar. Aparentemente, ela estava muito, muito decepcionada comigo. Fiquei olhando para o chão, sem saber como reagir.
— Xiao Emulov. — Ting Li tornou a falar comigo.
— Sim? — Indaguei com certo receio.
— Além de tirar as botas, esconda esse cetro quando entrar em casa. Não quero que seu pai tenha uma surpresa desagradável ao se deparar com o seu filhote mais caçulinha.
Eu abaixei minha cabeça e a reverenciei, acatando seu pedido. Entretanto, em minha mente eu me perguntava: o que acontecera com meu pai? Estaria ele bem? E que história era aquela de “nunca teremos um Alto Guarda no Ninho”?
Estaria meu pai... Não, não estaria. Não poderia estar. Mas eu estava com medo do descobrir o estado de meu pai, fosse ele qual fosse.
Continua...
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Glossário:
(*): Tradução livre para Dragonblaze Peaks, a cordilheira que separa o Sul de Zao do Norte de Zao; "Tingzhi" significa "Pare!" em Mandarin.
(**): Tradução livre para Farmine; "Mosheng" é uma das sílabas que compõe a palavra "estranho" em Mandarin.
(***): Trata-se do Sneaky Stabber of Eliteness, canivete concedido como recompensa àqueles que se juntaram à AVIN na Secret Service ou que compraram esse item de membros da AVIN; "Guanxin" significa "cuidador" em Mandarin.
(****): Tradução livre de Star Herb, à qual é similar à baunilha, segundo Jean Pierre.
(*****): "Pequeno" em Mandarin.
(******): Ornamentos colocados em vigas que sustentam os telhados em casas.
(*******): Violino chinês; é composto de duas cordas e uma extremidade de madeira comprida, com uma pequena caixa acústica na base.
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O Capítulo demorou bastante, mas está aí! Aqui na Seção estamos envolvidos com a I Justas Tibianas! Dá uma conferida no calendário, pois as disputas serão postadas muito, muito em breve!
Aguardo o feedback de vocês aqui! Até a próxima!
Abraço,
Iridium.
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