
Postado originalmente por
Bob Joe
Poxa, tô lendo aqui, "nada demais" é o contrário do que as conversas sugerem. É preciso lembrar que o Moro não era a Lava-Jato, ele era apenas um dos juízes incumbidos de julgar os processos encaminhados pelo MP. Juiz e promotor são instâncias totalmente diferentes, bem como Juiz e advogados. O Moro aparece discutindo e cobrando prazos e antecipando decisões. Imagine se ele faz isso para os advogados de defesa?
Não sei qual impacto jurídico disso, afinal, parece que são provas obtidas ilegalmente. Mas é bem sério, ao meu ver. Compromete o próprio Moro, que já pode dar adeus à vaga do STF, se isso todo for verdade.
Sobre o impacto político, vai depender de como divulgarem esse material que dizem ter. Fotos e vídeos são muito mais impactantes para a opinião pública do que textos.
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Dizer que o Lula é inocente e que tudo foi uma grande conspiração é um claro non sequitur. Mas partir do princípio que o Lula é culpado para isentar uma relação promíscua entre juiz e acusador também é problemático.
O bicho vai pegar essa semana. Mais um capítulo da série política brasileira. Agora tem até hacker no meio, bem anos 90.
Apenas esclarecendo que não existe absolutamente nenhum problema em um representante do Ministério Público (procurador/promotor) trocar mensagem privada com juiz. Na área criminal, todos os pedidos de busca e apreensão, interceptação telefônica, prisão preventiva etc. dependem de parecer/requerimento do MP (escrita, no processo) e autorização/decretação (escrita, no processo) do juiz. Em quase todas essas situações, quando o caso é mais urgente, o MP entra em contato com o juiz ou assessoria e informa previamente a respeito da requisição. Isso não viola a identidade entre juiz e promotor. A sacanagem seria se houvesse prévio conluio já intencionado pra prejudicar alguém, que é o que a reportagem tenta fazer parecer que aconteceu na Lava Jato, e que claramente não aconteceu.
Sobre a decisão que o Moro "antecipou", pelo que eu entendi, porque a reportagem é bem obscura e não esclarece o contexto, foi só um indeferimento de oitiva de alguma testemunha. Se for isso mesmo, não tem absolutamente nenhum problema. Problema é antecipar resultado de sentença.
Em um contexto geral, pra mim ainda tá bastante claro que a reportagem foi bem sacana. Um ponto que pode preocupar, mas que também precisa ser esclarecido, é sobre a indicação de uma "testemunha" que lavrou escritura pública do filho do Lula. Foi indicada pelo Moro para ser usada de prova pelo MPF. Esse é um ponto complicado, mas não dá pra fazer um juízo de valor seguro com essa reportagem.
Imagine se ele faz isso para os advogados de defesa?
Obviamente que os advogados não iriam conversar com o Moro da mesma forma que o Dallagnol, até porque a estratégia da defesa era mais voltada a desmerecer o juiz do que enfrentar o mérito do processo e mostrar o porquê de os clientes serem inocentes. Em todo caso, nas instâncias superiores eles atuaram pessoalmente, e agora sim de forma promíscua, com alguns julgadores,
basta lembrar daquele caso do desembargador plantonista do TRF/4 que mandou soltar o Lula em um habeas corpus.