O Lobo
Era um vez, na pequena ilha de Rookgaard, um jovem mago desastrado. O nome dele era Ivirn. Isso foi há muito tempo, no reinado de Tibianus I, quando a magia ainda podia ser encontrada em abundância na ilha.
Nesses tempos remotos, Ivirn, o mago parvo, passeava pela floresta de Drimwood. Estava de noite, e Ivirn seguia andando, tentando encontrar flores da lua para fazer sua poção malfadada. Colhia uma erva, errada, por sinal, quando foi atacado por uma alcatéia de lobos ferozes.
Apesar de estúpido, Ivirn tinha magia abundante e seu controle sobre a mesma era absoluto. Assim, segundo depois, quase toda a alcatéia estava morta, aos pés do parvo feiticeiro. Só uma loba conseguiu escapar, embora tivesse sido atingida gravemente pela poderosa magia de Ivirn. Estava esperando filhotes.
Vendo isso, Crunor apiedou-se da loba, e cuidou dela. Poucos meses depois, no final da gestação, a loba adoeceu. Vendo que os filhotes morreriam, o deus insuflou vida de novo no animal. A loba conseguiu sobreviver até dar a luz, mas morreu logo após.
Talvez tenha sido pela divindade de Crunor, ou pela magia tresloucada de Ivirn, mas só nasceu um filhote. Um grande filhote. A provável causa da morte da mãe, já que a cria tinha o tamanho de um lobo de sete meses. Mas o lobo não parou de crescer, alimentado pelo deus.
Logo, atingiu o tamanho de uma pequena casa. Tinha garras afiadas e mortais, dentes terríveis e um rosnado que assustava tudo e todos. Em seus grandes olhos, uma chama vermelha queimava, resquício do feitiço que matara a mãe. Era dotado também de uma espantosa inteligência, fazendo-o ascender rapidamente por entre as castas dos lobos.
Contudo, logo foi expulso pelos elfos que ainda viviam em Drimwood. Eles mataram toda a recém formada alcatéia do lobo e o caçaram até o rio Brasguer. Sendo enorme, o animal conseguiu atravessar sem muito desafio. Os elfos deixaram o lobo para trás e voltaram para suas casas, no coração da floresta.
Com ódio no coração, o lobo começou a dominar as alcatéias esparsas que viviam na parte oeste da ilha. Esses lobos andavam solitários, pois os orcs tinham desbaratado todas as grandes alcatéias que não juraram servi-los. Vendo uma oportunidade, O Lobo começou a juntar ao seu entorno uma enorme alcatéia. Com seus planos astutos, conseguia matar os rivais, e logo se tornou chefe supremo de todos os lobos de toda a parte oeste da ilha.
Os orcs não se deram conta, e continuaram a viver sua era dourada. Havia extensas vilas e diversos acampamentos ao longo do Vale dos Ventos. Na Montanha da Nevoa, os Orcs da Montanha escavaram seus salões e ali seu povo era forte e numeroso. Naquela época, grandes patrulhas permanentes vagavam pelo território. Os orcs não ousavam entrar no Pântano, mas tinham construído uma torre de sentinela perto.
Vendo que as defesas órquicas estavam baixas, O Lobo fez um plano malévolo. Atacou todas as tribos do Vale dos Ventos na mesma noite de lua cheia. Tal era o poder d'O Lobo, que nenhum orc do vale sobreviveu para ver a luz do dia. Os orcs da montanha, vendo que a planíce estava tomada, fugiram para a caverna dos seus irmãos, que levavam ao lado leste da ilha.
Em seu covil, O Lobo ria, com seus pensamentos malévolos agora voltados para os elfos que um dia haviam expulsado-o. Mas nem todos os orcs haviam fugido. Um pequeno clã da tribo da Montanha, os Ferreiros, ainda viviam ali, desesperados. Não queriam deixar todo o trabalho para trás nem podiam sobreviver ali. Assim, foram rapidamente diminuindo de número. Até que sobrou um somente.
Esse ferreiro era especial, sabia como ninguém fazer malhas, elmos e broqueis. Fez centenas e centenas, pensando na guerra que provavelmente viria. Armas, sabres curvados e machados, além de lanças, ele fez também. Depois de longos anos vivendo sozinho, ele encontrou um outro orc, que viera das cavernas para ver o que restava da sua tribo.
Vendo o ferreiro vivo e o imenso arsenal por ele preparado, esse orc chamou os líderes do povo orc na ilha. Debates foram travados e todos concordaram que deviam atacar os lobos o quanto antes. Os orcs se reuniram.
Enquanto isso, sem suspeitar de nada, O Lobo planejava invadir o lado leste da ilha num assalto terrível. Por isso, reunia seu povo em silêncio, perto da margem oeste. Todo o seu pensamento se concentrava nisso.
Foi quando os orcs atacaram. Eles saíram das cavernas fazendo barulho, gritando. Eram muitos, e preenchiam a planice como uma plantação de fungos. Estavam bem paramentados e vinham acompanhados de trolls e lobos. Seguiram em direção ao extremo oeste, sem saber que o principal exército lupino estava perto da margem oeste do Brasguer. Estavam andando já fazia um tempo e a noite já tinha caído quando os lobos atacaram. Vieram silenciosamente e só depois de muitos mortos é que os orcs entenderam que estavam sendo atacados.
A batalha foi ferrenha, mas os orcs estavam muito bem armados. Por mais que mordessem, os lobos não conseguiam atravessar a malhar órquica. A balança estava pendendo para o lado dos orcs quando o exército oculto lupino atacou pela retaguarda. Foi um caos. Os lobos aliados aos orcs foram mortos pelos mesmos, por engano.
Mas mesmo assim os orcs estavam com vantagem e a batalha estava quase decidida quando O Lobo entrou nela. Todos os orcs fugiram dele, todos menos um. Ele era justamente o último do clã dos Ferreiros. Desejoso de vingar a morte do seu clã, o ferreiro atacou o animal.
Foi uma luta medonha. No final, o ferreiro teve que pular dentro da bocarra d'O Lobo e cortar o céu da boca do mesmo. Contudo, a criatura conseguiu fincar os dentes entre as proteções do elmo, cegando imediatamente o ferreiro. Nos seus suspiros finais, da carcaça do Lobo, uma voz irada surgiu.
"Eu amaldiçôo todos vocês, criaturas miseráveis. Os elfos se extinguirão rapidamente. Quando os Três vierem, os orcs irão perder sua força e se tornarão escravos para sempre."
Dizem que foi o próprio Crunor, em sua ira, que falou por entre a garganta d'O Lobo. O que aconteceu foi que os Três vieram, e a maldição do Lobo se completou.
Espero que tenham gostado...
Bem, o primeiro post foi editado... peço apenas para um moderador mudar o nome do tópico, para "Os contos de Tobi, o Bardo".
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