Já que o Gabriellk~ não pode escrever seu texto, irei publicar o texto do Sir Winterfell aqui mesmo. Por favor, não deixem de ler e dar sua opinião sobre o texto.
Gabriellk~ x Sir Winterfell
Tema: O TibianicSpoiler: Sir WinterfellTic-Tac
O Vilarejo
Um grande navio estava ancorado graciosamente sobre as amenas águas de Costa Verde. Esse pequeno povoado era conhecido por quem buscasse um recanto de paz e tranquilidade. Pode-se dizer que os problemas tendiam a desaguar da fonte preocupante e ser levada pela corrente marítima até perder-se no meio do oceano.
Olhos desatentos apenas enxergariam essa paz tão envolvente. Contudo, com um pouco mais de sensibilidade e talvez até de uma forma mais racional, ver-se-ia um homem dormindo no convés do grande navio. Ele não estava ali à procura de paz. Muito menos de tranquilidade. Era um estudioso. Um matemático.
Estava ali por um motivo: curiosidade. Sempre quisera saber o objetivo pelo qual aquele incrível gigante fora construído, e acabara adormecendo enquanto analisava a angulação da popa.
A lua virou no céu, e com ela as pálpebras do matemático. Ao abrirem, a primeira coisa que o homem fez foi esfregar os olhos que estavam um tanto embaçados. No entanto, não chegou a completar o ato. Mesmo com a visão enevoada, notou algo um tanto estranho. Havia uma marca em seu pulso, e ela parecia alterar-se a cada segundo.
Eram números. Uma sequência de seis dígitos, sendo que o último alterava-se a cada instante. Ora! Ele era um amante dos números, mas mesmo assim demorou a assimilar a ideia.
— Por quanto tempo dormi? O que fizeram comigo? — disse em voz alta. Um lampejo de lucidez então invadiu sua mente. — O tempo! É isso que vejo em meu pulso. Um cronômetro. Mas... o que acontece quando ele chegar ao fim?
Marcava apenas doze horas restantes.
O mundo cinzento
Avançou vagarosamente, ainda zonzo pelo sono pesado em que caíra. Sua aparência comum dava a impressão de que era um homem igualmente comum. Porém, quem pensasse assim estava absolutamente errado. O Matemático gostava de pensar que esse era seu disfarce, as pessoas o subestimavam por sua aparência.
Sob seus pés não havia sequer um movimento, o que era incomum, pois o navio nunca ficava totalmente imóvel, ainda mais com o mar agitado daqueles dias.
O mundo estava cinzento, era isso. E havia um silêncio perturbador, pior do que qualquer barulho. Não era a ausência de pessoas que incomodava ao Matemático, mas sim de vida. Pássaros costumavam tangenciar as águas enquanto cantavam seus hinos de caça, o farfalhar das folhas deveria ser uma canção de fundo contínua. O próprio som do mar! Por Fardos, as águas estão estagnadas! E o vento? Porque ele não assobia em meus ouvidos?
Tudo parecia ter parado no tempo. E não havia cor em nada. A água que devia ser de um azul reluzente estava cinza. O céu sem nuvens estava cinzento. Tudo, absolutamente tudo, havia perdido as cores, menos o próprio Matemático e o navio que estava sob seus pés.
Correu, procurando um brilho, uma vida, um movimento. Nada. A agonia começou a apoderar-se dele. Uma sensação de desamparo, de perda, de solidão. Passou por uma árvore, e um menino olhava alegremente de cima dela. Um sorriso brotava de sua boca, e parecia estar se divertindo com alguma coisa. Estava travado, parado, era uma estátua viva, cinzenta como todas as outras.
Os irmãos
Havia passado por dezenas de camponeses, todos imóveis. Lavravam seus campos, alimentavam seus gados e até crianças brincavam. Todos interrompidos no momento que realizavam suas rotinas.
Porém, nada era tão assustador quanto no centro da cidade de Thais.
Dezenas de amontoados de mercadores em frente ao depósito olhavam fixamente, com expressões vazias, para inúmeros pontos imaginários.
Foi desviando pelo labirinto humano. Pessoas alegres outras tristes, algumas indiferentes. Bocas fechadas e abertas. Olhos fitando o nada ou entreabertos. Imaginou o porquê dele não estar como todos os outros. Não havia a menor lógica.
As únicas coisas que pareciam estar vivas até o momento era ele próprio e o maldito navio. Estavam coloridos e, de uma forma ou de outra, cor sempre é vida. Contudo, isso estava prestes a mudar. A uma boa distância de onde estava havia dois vultos, um ao lado do outro, movendo-se no horizonte. Estavam distantes e não se distinguiam, mas naquele mundo incolor era difícil não percebê-los.
O Matemático não hesitou nem um segundo, e gritou:
— Ei! Aqui!
De qualquer forma os gritos foram desnecessários, pois os dois homens vinham exatamente em sua direção, parecendo saber exatamente que deveriam estar naquele lugar e naquela hora.
Um tinha uma careca tão lisa que chegava até mesmo a brilhar, já o outro um cabelo que ia quase aos pés. Um usava roupas pretas, o outro brancas. Com os olhos acontecia a mesma coisa. Até mesmo as armas pareciam ser complementares, uma espada e a outra um arbaleste.
— Quem são vocês? — perguntou com objetividade o homem dos números, já que essa era uma de suas principais características. — Por que ninguém se mexe? O que tá acontecendo?
A resposta foi ditada por ambos os homens, com cada palavra sendo intercalada por suas bocas.
—Somos os responsáveis pelo movimento de tudo. Somos o tempo personificado em forma humana. Uma coisa eu posso dizer-lhe, caro amigo, você nos agradecerá por termos feito isso.
Correndo contra o tempo
Seu pulso marcava 10 horas quando enfim algumas das respostas vieram à tona.
Os irmão intitularam-se Tic e Tac e, na maior parte do tempo, o Matemático não conseguiu prestar atenção em toda a história, mas alguns trechos fundamentais fixaram-se em sua mente. Os trechos: “viagem do Tibianic”, “Fim do mundo”, “Quando zerar seu cronômetro” e “Carlin” pareceu dar-lhe um banho de adrenalina.
Ele sabia exatamente para onde ir: Carlin. E correu, correu e correu. Olhou para trás e os irmãos corriam próximos logo atrás, segurando suas armas, um destro outro canhoto.
Num determinado instante encontraram um empecilho. Enquanto corriam uma enorme criatura destacou-se com sua coloração. Era hediondamente verde que os olhos chegavam a doer. Parecia estar em estado de dormência, até sua respiração era aparentemente imperceptível.
— É um Juggernaut. — cochicharam Tic e Tac — Criaturas fortes podem ser imunes à paralisação do tempo e podem ser teletransportadas acidentalmente nestas situações. Mantenha a calma e passe sem fazer barulho.
Mas não adiantou. A criatura já havia virado, e olhava atentamente para o Matemático com seus olhos minúsculos em comparação ao corpo. Foi uma correria generalizada. Matemático mirou a estrada em direção a Carlin, que ainda estava distante. Tic foi pra esquerda, Tac pra direita.
Tudo ficou confuso e o mundo para Matemático resumiu-se aos barulhos que vinham de trás dele. Passos que tremiam o chão. Em uma probabilidade de 33,3%, o Juggernaut o tinha escolhido.
Não olhou para trás, não havia tempo nem coragem. Os irmãos gritavam e os barulhos de flechas zumbindo e espadas raspando em algo parecido com pedra pareciam encher o ar de tensão. Eles o estavam distraindo. O Juggernaut havia mudado seu alvo.
— O que acontece se o tempo morrer? —pensou Matemático em meio à turbulência de sua mente. Não quis mais pensar sobre isso. Parecia imaginar qual seria a resposta.
Continuou correndo sem parar. Tropeçou uma, duas, três vezes. Suas pernas estavam com cãibras, seus músculos implorando por um descanso. Não era nenhum atleta. Depois de alguns quilômetros finalmente desabou. Suor por todo lado, olhos ardendo, pernas tremendo. É o fim, pensou, encostando a cabeça sob a relva. Os gritos ainda permaneciam lá, ao longe, diminuindo enquanto sua consciência esmaecia.
Enquanto isso, o cronômetro corria. Agora eram apenas 6 horas.
E como se não bastasse, uma aranha gigante vinha se esgueirando em direção ao corpo imóvel, que parecia pedir para ser devorado.
Lembranças
Em dois minutos o aracnídeo chegaria ao corpo do Matemático, fazendo-o em pedaços.
Porém, o pobre coitado não sabia disso e, nesse breve instante, teve um sonho de exatamente dois minutos.
Foi uma reorganização de tantas informações. Uma lembrança da conversa que tivera há poucas horas atrás. Era como se o cérebro precisasse daquilo para processar tantos fatos de forma tão rápida. O raciocínio e a lógica eram seus alimentos.
Viu dois irmãos.
Eles lhe contaram que havia um grupo de dezesseis homens, os mais ricos e arrogantes de todo o continente, que financiaram a construção do maior e mais luxuoso meio de transporte do mundo. Um imenso navio chamado Tibianic. Passaram-se anos, e nada dele ser utilizado. Sempre se manteve no mesmo local, esperando por sua função predestinada: serviria de fuga para esses homens.
— Mas fuga do quê? — havia perguntado o Matemático.
— Eles desenterraram uma magia antiga, que os traz poderes inimagináveis. Ela requer um número de sacrifícios numa escala monstruosa. Tão grande que para alcançá-lo necessita-se da destruição de todo o continente do Tibia. E claro, eles não querem estar por aqui quando isso acontecer, para isso o Tibianic serve. Eles irão em direção a terras misteriosas.
— Por que vocês simplesmente não vão lá e estragam a magia deles? Por que eu?
— Nós não podemos interferir em tamanho grau nas reações humanas. Há uma linha tênue que divide nossas ações. Você foi escolhido por estar em um ambiente-chave, o Tibianic. Fardos e Uman coloriram regiões consideradas fundamentais ao destino de Tibia. Você foi uma delas. Talvez seja seu destino.
Informaram também que ao término do cronômetro, o tempo voltaria a seguir seu rumo, e no segundo seguinte a magia dos conspiradores estaria sedimentada para sempre.
Os dezesseis homens estavam em Carlin, junto com aquela magia que dizimaria tudo o que ele já conhecera.
Voltando ao Caos
Muitos olhos o fitavam. Eram cristalinos e aquosos, com uma espécie de intensa voracidade. O aracnídeo abriu a boca, avançando lentamente à cabeça do Matemático. Era uma espécie de ritual da aranha. Ela devia gostar de sentir o último sibilo da vítima.
O chão tremeu. Enfim, o mundo está desabando, pensou Matemático, os irmãos devem ter morrido para aquele monstro.
Mas então, eis que surge o gigantesco Juggernaut, com uma única diferença, agora Tic-Tac estavam montados sobre ele.
A aranha hesitou e um segundo depois estava morta, esmagada sob o enorme peso da criatura verde.
— Venha, suba, rápido! — Gritaram eles.
Após chegar lá em cima, o Matemático perguntou:
— Mas como é possível? O quê vocês fizeram?
— Sabemos de muitos segredos e dos pontos fracos de cada criatura. Olha aquela espada. — disseram, apontando, estava cravada bem na testa da criatura. — Ali fica situada a estrutura que dá a fúria dos Juggernauts. Nós a destruímos. Agora ele é tão dócil quanto um cão.
Enquanto o gigante percorria a uma velocidade quase galopante, o Matemático aproveitou para aliviar um pouco as dores e, além disso, tinha uma dúvida que o estava deixando de cabelo em pé.
— Se vocês pensam sempre de forma complementar ao outro, então se o Tic gostar de donzelas, o Tac vai gostar do quê?
Cores vivas e alegres
Finalmente chegaram à cidade de Carlin. Deixaram o Juggernaut a uma distância segura das casas, pois estavam povoadas, e das próprias pessoas das redondezas, e começaram a procurar o local de reunião daquela irmandade sombria.
Faltavam três horas.
— Vocês não sabem onde eles estão? Como?! — disse Matemático, com os olhos arregalados, surpresos. — O tempo é onipresente, está em todo lugar, como podem não saber?
— Nós sabíamos, mas agora que estamos próximos, a memória parece ter se esvaído. Talvez seja a mágica. Precisamos encontrar entrando de casa em casa.
E foi o que fizeram. Eram muitos lugares a se procurar, e a esperança do Matemático acompanhava o passar do cronômetro de seu pulso, cada vez menor.
Porém, quando faltava apenas uma hora, um dos irmãos encontrou numa das casas que checava, uma pista no mínimo curiosa.
Era o seguinte: uma pequena casa aparentemente vazia, que em seu único cômodo continha um tapete lustroso que nada combinava com a aparência humilde do local. E, para concluir a suspeita, o tapete estava pintado com cores vivas e alegres.
O desenho era um imenso navio flutuando serenamente nas águas enquanto cinzas choviam do céu.
A vingança é doce
Imediatamente o tapete foi puxado do chão, revelando-se uma alça que também tinha cor.
Um porão surgiu.
Tudo lá dentro brilhava. As cores eram mais vivas do que nunca.
O tempo e o Matemático desceram.
O que se viu lá foi espantoso, até mesmo para Tic-Tac. Uma mesa reunia quinze pessoas, sentadas enfileiradas uma ao lado das outras, sendo que duas delas sentavam-se em cada uma das cabeceiras. O Matemático reconheceu que uma delas era o Rashid, aquele falso moralista dos infernos.
A décima sexta pessoa estava desenhando na parede. Parecia uma língua desconhecida com alguns números entrepostos por palavras.
Porém, o mais interessante é que o indivíduo que escrevia as antigas palavras na parede havia sido interrompido com a paralisação do tempo, logo após iniciar a letra final da antiga inscrição.
Quarenta minutos era o que restava. Tempo de sobra para dar uma boa lição em todos eles, pensou o Matemático.
Aproximou-se de onde Rashid estava sentado e levantou-o. Após isso, rapidamente desceu as calças do pobre miserável e o que viu foi uma cueca banhada a ouro. Puxou-a na parte das nádegas e cravou-a bem entre elas.
Enquanto Tic-Tac reuniam todo o material de viagem dos dezesseis integrantes, incluindo seus bens mais valiosos, o Matemático segurou a lata de tinta que estava sendo utilizada para pintar as runas e derramou-a por inteiro nas inscrições. Sobre o pequeno espaço vazio em que faltava a última letra ser escrita ele desenhou um velho gesto mal educado que aprendera quando criança: um punho fechado com somente o dedo médio levantado.
Encontrou o livro que continha as etapas daquela antiga magia e queimou-o com quase todas as outras coisas, menos a enorme quantia em ouro que aqueles homens pretendiam levar. Essa última foi levada à cidade e jogada nas ruas.
Ao olhar para o cronômetro, estava nos segundos finais. Tic e Tac aproximaram-se e, cada um, simultaneamente, apertou uma de suas mãos e disseram:
— Você sempre esteve destinado. Mas agora é hora de acordar.
Amigos
Abriu os olhos. Estava no Tibianic.
O céu e o mar confundiam-se em sua imensidão e coloração. Eram de um azul profundo. Enfim tudo normal. Os pássaros, o sol, as próprias nuvens moviam-se!
— Que pesadelo horrível! Foi tão real!
Após uns trinta minutos de reflexão junto ao leme, gritos começaram a serem ouvidos vindos das proximidades. Depois de passado mais algum tempo, alguém próximo alertou:
— Tem um Juggernaut vindo pra cá! Saiam todos de suas casas!
E era isso mesmo. O enorme monstro parou bem em frente ao navio e o empurrou com toda a sua força. O navio primeiramente cedeu, mas não por muito tempo. Estava finalmente indo em direção ao mar! A criatura verde, não perdeu a oportunidade e saltou rapidamente a bordo.
Um matemático aventureiro, um Juggernaut bonzinho e um navio inteiro para eles.
Esse foi o último presente dos irmãos Tic-Tac.
Com isso, o competidor Sir Winterfell já está na semi-final.
Abraços!
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