@Cavaleiro Calmo

Obrigado por ter aparecido por aqui, foi bom ver um comentador a mais para me estimular. E quanto ao Leviatã, isso vai depender muito: Dan Brown chamou de Leviatã os Illuminati; Jerry Bruckheimer, produtor d'O Piratas do Caribe, chamou de Leivatã o Craken; Thomas Hobbes chamou de Leviatã o Estado Absoluto, na pós-Idade Média.

Eu sempre vi o Leviatã como um monstro implacável, porque é como os autores, atores e produtores que eu conheço o designam. Optei por chamar o monstro de Leviatã pelo fato de que há muitas distinções entre as interpretações sobre o que é e qual é sua origem! =)

@Topic

Estive um pouco afastado e um tanto quanto desmotivado, mas vamos tentar prosseguir. Este capítulo é muito, mas muito curto em face aos demais. Vocês entenderão na sequência.

CAPÍTULO 10 – TERONUS, O MAGO

Logo se viu que a ideia do grupo não tinha dado certo. A câmara era um emaranhado ímpar passagens fechadas, antessalas enganosas e caminhos em círculo. O grupo logo se perdeu, e não conseguiu encontrar, novamente, o caminho do retorno.

Jacob raciocinou. O que poderiam fazer para terem um guia?

Repentinamente, uma voz soou-lhe na mente: o centro é a resposta. Jacob olhou para os lados, procurando o dono dela, mas não havia ninguém, fora os amigos estupefatos olhando para ele.

- Essa voz – murmurou ele, pensativo. – Já a ouvi antes.
- Que voz? – Jack parecia assustado.
- Deu-me uma direção. Disse que o centro é a resposta.

Selena sorriu.

- Foi Ares, menino Jacob. Ele o orientou a buscar o centro do labirinto.
Jacob evitou revirar os olhos.
- Onde estamos, exatamente?
- Acho que a leste – murmurou Jack, um pouco perdido.
- Neste caso, seguimos naquela direção.

O grupo, a partir de então, esforçou-se para buscar o centro do labirinto, na direção contrária de onde seguiam. O local causava arrepios nos braços dois dois rapazes, mas Selena aparentava a mesma tranquilidade de sempre. Jacob, entretanto, não conseguia esquecer da voz que recém-ouvira – teria sido Ares, o pai de quem Selena tanto insistia em falar?

Logo à frente, a passagem dobrava à esquerda e, no fim, havia um conjunto de escadarias de pedra que descia de forma bastante íngreme.

- Viu? Ares o guiou, Filho da Guerra.

Jacob achou melhor não contrariar. Parecia, enfim, estar confiando nos instintos da garota, mas algo sobre ela a deixava ligeiramente nervoso. Era estupendamente bonita, mas parecia emanar uma aura estranha.

O rapaz tentou afastar seus pensamentos, centrando-se em sua missão.

- Arma em punho – disse, liderando o grupo à frente.

O andar de baixo da caverna era muito mais simples e muito menor. Terminava, logo à frente, num corredor único de porta fechada. Entretanto, logo que o alívio invadiu o grupo, ele se dissipou – pesadíssimos esqueletos, um para cada membro do grupo, saltaram à frente, bloqueando a passagem.

- Vocês não resolveram o enigma – sentenciou um dos esqueletos, armado fortemente com uma espada serrilhada. Sua voz parecia ter vindo direto das profundezas do inferno.

Jacob, com o coração aos saltos, baixou a espada.

- Que enigma? – sua voz falhou duas vezes.
- Vocês não resolveram o enigma – sentenciaram, desta vez, os três juntos, sem mais nada dizer. Suas órbitas vazias não revelavam nada.

Desesperado, Jacob olhou para os amigos. Jack tinha o mesmo tom branco de sua pele, mas Selena, curiosa, olhava para uma outra cavidade a leste da sala.

- O que é aquilo?
- O Desafio de Anúbis – disse o esqueleto e, se é que era possível, sorria. – Resolvam o desafio de Anúbis, e deixaremos vocês passarem.
- Mas que merda – ralhou Jacob, irritado. – Não temos tempo para uma merda de um enigma. Travers vai estourar esta porcaria inteira a qualquer momento!

Selena, entretanto, olhou para a estátua, que revelava um lobo amamentando duas crianças. Curiosa, ela avaliou cada um dos detalhes. No centro, uma inscrição em latim dizia algo que os garotos não conseguiram entender.

- É simples – disse ela, sorrindo. – Eles querem que desvendemos o conteúdo da estátua. Óbvio.

Os rapazes se olharam, mas os esqueletos não se moveram.

- Trata-se da deusa Lupa, amamentando Rômulo e Remo, os fundadores da cidade de Roma.

De forma repentina, os esqueletos desintegraram-se, restando, apenas, uma porção de ossos jogados ao chão. Suas armas haviam desaparecido, e eles não aparentavam apresentar mais qualquer ameaça.

Selena sorriu, radiante, e fez sinal para que eles a acompanhassem. Ao fim do corredor, a porta se dissolveu e revelou uma escadaria ampla, sem corrimão, que terminava numa clareira gigantesca, de chão revestido de linóleo preto e branco, sem passagens ou portas.

Apenas a parede nua circuncidava a clareira.

Ao fim, havia um baú azul marinho, sem fechaduras. Seu brilho resplandecia, e ele era extremamente valoroso, à distância.

- As Relíquias do Olimpo – murmurou Jack, assombrado.
- Está... muito fácil, não acha? – perguntou Jacob, desconfiado. – Onde está Teronus? Quem guarda o baú? Não é ele?

Selena abaixou a cabeça e fez uma prece muito rápida. Nada aconteceu. Ela beijou seu colar de contas e escondeu-o novamente por baixo da roupa, olhando para todos os cantos da sala.

- Espada em riste – ordenou Jake, ao que Jack sacou sua espada e Selena, seu arco.

Dois passos adiante, entretanto, toda a estrutura da caverna tremeu. O terremoto foi tão intenso que jogou o grupo todo no chão, e eles cobriram suas cabeças, receando que uma rocha lhes atingisse.

Enfim, perceberam.

Havia uma quarta pessoa na sala, entre eles e o baú.