Capitulo VII – As conversas
E o encarte estava logo ali à frente, estampado no sorriso vagabundo de Camilo enquanto eu sentava para participar da conversa. Senti-me encurralado, no canto e com medo, pois conheci os mitos de Camilo muitos antes de conhecê-lo. Sim, ele era famoso no instituto. Muito mais famoso do que imaginam e sem duvida isso me preocupava, porém algo me fazia confiar que ainda podia investir naquilo, que ainda havia esperanças. Pobre de mim. E lá estavam, meus inimigos primordiais em redor daquela mesa de plástico.
Se vivêssemos há alguns anos atrás, mais ou menos uns 4000 anos atrás sem duvida teriam ganhado uma briga facilmente com os dois, mas nos dias de hoje minha força não me ajudaria nessa situação, a inteligência e esperteza superam quase tudo nessas horas, e eu realmente ganhava em inteligência, porém não tinha esperteza para usá-la. E realmente eles não eram tolos, como já havia dito, Carlyle é inteligentíssimo além de metido em poesias. Conversamos nós quatro como se nos conhecêssemos há muito tempo. Filmes, livros, computadores, peculiaridades, incrível como me pareciam agora mais amigos que trigueiros.
- Mulheres se apaixonam, homens amam. – disse Carlyle. Esse fora a minha maldição, meu encarte eterno que se estampa até hoje no meu rosto. Eu e Bianca nos entreolhamos e engolimos seco aquelas palavras, porque se para mim fora uma maldição para ela fora uma liminar divina, da qual ela também não se esquecerá enquanto viver.
Engraçado como instintivamente falando eu deveria ter arrancado os seus órgãos de seus corpos e lançá-los em Bianca numa forma brutal e animal de chamar sua atenção, mas o lado humano e moderno deu a mim sorrisos. Não que eu os odiasse, ao contrário, achei-os melhor do que imaginei. Não tive ódio deles, apenas senti temor da parte de Camilo, como até hoje eu tenho quando ele bebe um pouco. E os tempos passam.
Passou-se uma semana e nem sinal de Carlyle e o famoso Camilo. Sentiria-me até mais tranqüilo se não ocorre-se que naquele dia eu e Bianca brigássemos pela manhã, e essas brigas começaram a se afunilar, tornando os golpes mais doloridos e as feridas mais abertas. Já estava cansado, cansado de tudo e de todos. Queria ficar sozinho e perto ao mesmo tempo, mas perto de quem? Sozinho de quem? Não conseguia pensar em nada até o professor nos dispensar ao meio dia. Sai triste, cansado e confuso da aula enquanto andava pelos corredores largos.
- Isaac! – ouço ao longe uma voz. Olho confuso e enxergo a ultima pessoa que gostaria de ver naquele dia, Carlyle Wilde. – Vamos conversar com a Bianca no refeitório?
Outra palavra que não queria nem ouvir naquele momento. Só pude tentar balbuciar algo, fazer uma chispa por não conseguir pensar em nada, erguer o braço num sinal de desaprovação e resmungar um “Ah!” em alto e bom som. Fora o suficiente para Carlyle entender tudo o que se passava, e logo estava me convidando para uma conversa a sós.
Carlyle era um garoto romântico e que já havia sofrido. Conversamos até que durante um bom tempo sobre todas as coisas e me conformei que ele enfim largará mão da Bianca, eram muitas pessoas em jogo, não seria ele que se meteria nisso. Entretanto ele confirmou-me, Camilo não abriria mão e tinha forças suficientes para conseguir o que queria. Todas aquelas informações, confiança e amizade me fez olhar aqueles dois com outros olhos, e então começou a amizade quase fraternal entre eu e Carlyle.