Capitulo XII – Vergonha da honra
Divinas intromissões não se fazem mais necessárias, os olhares estão cansados e o medo enxugado na alma. Já sentiu o poder da falta de medo? É incrível, é único e totalmente agradável. É um sentimento tão cheio que até parece que pode segurar o poder com as mãos, senti-lo ao pressionar os dedos no pulso, e a individualidade cresce.
Eu que antes me sentia deprimido e sozinho agora estava poderoso e sozinho. Ninguém do meu lado, nenhuma ajuda, todos do outro lado da linha de batalha e até Deus estava do lado de lá, mas eu me senti mais que aquilo tudo, venceria na vontade dos séculos. Derrubaria um por um até o fim do propósito, Bianca. Camilo, onde estás agora? Perguntava-me orgulhoso.
- Isaac... – disse numa voz baixa e meio condescendente – Sim, eu estou namorando a Bianca. Desculpas, mas...
Engraçado como as coisas mudam, de um momento mais que deus, de outro um apaixonado sem sua musa, escrevendo o que já não chora. Culparia a Deus se fosse necessário, sentiria um complô divinal, mas sabia que a culpa era minha e que eu devia ter feito algo.
Eu sabia, havia perdido a batalha. A guerra também, mas como se deve morrer? Morrer como vergonha, ou como honra? Desistir ou insistir até o final? O leitor acostumado a essas novelas deve imaginar que me perdi aí, porém o sagaz sabe que eu insistiria. E insisti, era obrigação. Acho que isso se deve a um fato antigo. Sim, sim, deve ser isto. Acho até que merece um capitulo.
Capitulo XIII – Você será insistente, Isaac.
Tinha próximo dos meus doze ou treze anos. Um dos meus tios por parte de pai andava comigo de carro. Eram comuns nessa época meus tios me levarem para conversarem comigo, acho que gostavam de opinar, aconselhar e enfim rir de alguma piada infame ou mulher que passasse na rua. Lembro-me que mesmo nesta idade já não achava tanta graça e até preferia (se pudesse) recusar tais incursões, mas acho que fora desta vez um desses dias onde não tinha opinião necessária nem cara para recusar o passeio.
Estávamos a caminho acho que do shopping. Ele falava talvez de mulheres, sim, deveríamos estar falando de mulheres e caiu numa daquelas outras frases que se guardam na nossa memória como pequenos mantras.
- Insistir é o necessário. Uma mulher pode não te achar bonito, rico ou inteligente, mas se insistir consegue a mulher que quiser. – disse ele pra depois pigarrear mais outra pilhéria de historias e enfim acabar insistindo. – Insistir é o necessário, Isaac.
Como mudam os casos. Para Bentinho ficou o “Você será feliz, Bentinho.”, porém a mim foi arrumado uma destas fadinhas modernas, com novas teorias de amor e me deu “Você será insistente, Isaac.”. Riu destas coisas porque no final de tudo continuam sendo uma verdade única. Insisto então como um dia meu tio e uma fadinha me informaram.