Capítulo 41 - Entardecer pt. II
Citação:
Postado originalmente por
Iridium
Saudações!
Eeeeeita caralea... Que tenso! Um capítulo com mais pancada... Já fazia tempo que eu não via um capítulo desse naipe na sua história. Gostei bastante! :y:
Só notei um problema na última frase: ficou faltando uma chave após o nome Watson. E, quando o Lenhador se apresentou como Lokan, eu recomendaria você não ter mudado a identificação até a fala seguinte dele.
No mais, tudo certo e aguardando o próximo! :palmas:
Abraço,
Iridium.
Opa Iri, fico feliz que tenha gostado do capítulo. Realmente faz algum tempo que não consigo medir bem momento de conversa e momento de luta como fiz nesse capítulo. Ainda assim, ele foi um pouco tranquilo, eu diria.
Já corrigi o problema da chave, e creio que a identificação não seja de grande efeito, afinal, sempre fiz assim. Mas se o momento pedir, talvez eu reserve pra próxima fala.
Fique com o novo capítulo!
Citação:
Postado originalmente por
Kaya Mithsay
Oooh, fiquei morrendo de inveja que você consegue trabalhar tempo e hora na sua história, eu queria fazer isso no Diário de bordo, mas me dói os nervos ficar raciocinando cada tempo que se passa kkkk, prefiro ficar arredondando na história, a exatidão me traz dor de cabeça.
Estou curtindo sua história, me chama atenção a maneira como descreve as falas e alguns detalhes de movimento dos personagens, gostaria de escrever "aguardo o próximo capítulo" mas ainda estou no começo da história (apesar de ter bisbilhotado sua evolução ao longo dos capítulos)
Bem vindo, novo leitor. Obrigado pelos elogios.
Trabalhar com o tempo não é tão difícil assim. Eu ainda estou fazendo tudo exatamente do início de quando comecei a escrever a história, em 12 de Maio de 2012. Se é dia 20 lá, não passou muito tempo ainda. Planejo continuar assim, e, além disso, creio que seja a melhor forma de trabalhar com o tempo na história.
Fico curioso em saber em qual capítulo você parou, afinal, tem tantos. E olha que estamos próximos da metade ainda atualmente.
Espero vê-lo de novo aqui :)
Bem pessoal, neste novo capítulo, o trio agora procura pelo local correto para entrar na caverna do mito e se encontrar com a criatura, mas não será fácil.
Espero que gostem!
No capítulo anterior:
O trio começa a busca pelo lenhador e acaba descobrindo que existe alguém em Polerion que comanda os guardas de lá e não vai com a cara deles. Eles encontram o lenhador no fim da tarde, e após um pequeno conflito, ele revela o que sabia. Na saída do local, eles são parados por quatro guardas da nobreza de elite, mas Watson os mata sem muito esforço, obrigando-os a fugirem de lá.
Capítulo 41 – Entardecer pt. II
Já havia passado algum tempo desde que o trio deixou Polerion. Eles ainda se encontravam correndo para o norte, enquanto o pôr do sol tirava algumas de suas esperanças e iluminava seus rostos e semblantes temerosos. Eles temiam que não fosse mais possível voltar para a cidade depois do que fizeram – Ou melhor, do que Watson fez.
Eles pararam perto de um rio para respirar um pouco. Watson continuou andando.
[Watson] — Precisamos continuar. Temo que não poderemos mais entrar nessa caverna se a noite chegar.
[Polos] — Dá um tempo! Não temos todo o poder que você tem.
[Watson] — E nunca terão, espero.
Lokan estava ficando incomodado com Watson. Ele pegou o rosário de Agneir de uma pequena bolsa de sua mochila e colocou em um bolso. Enquanto isso, Polos lavava um pouco o rosto no rio, refletindo sobre os ocorridos. Após algumas levas de água no rosto, ele abre os olhos e vê um piso de pedra mal lapidado. Quando ele levantou o olhar, viu dezenas de criaturas esquisitas perambulando pra lá e pra cá em uma caverna que não possuía teto, e sim nuvens. Quando ele piscou os olhos rapidamente para saber se estava vendo algo real, ele voltou aos campos verdes de Polerion, em frente ao rio.
[Lokan] — Algum problema, Polos? — Indagou, notando Polos olhando para os lados, nitidamente assustado.
[Polos] — Eu... Eu acho que vi alguma coisa. Algo bem estranho. — Disse, enquanto levantava-se.
[Lokan] — O quê?
[Polos] — Acho que vi a caverna da criatura do mito.
Lokan arregalou os olhos. Ao longe, Watson parou e aguardou os dois.
[Lokan] — Impossível! Como?
[Polos] — Eu só estava lavando meu rosto e de repente me vi dentro da caverna... Tinha umas coisas andando lá.
[Lokan] — E o que eram?
[Polos] — Não faço ideia. Estavam escondidas na escuridão, só conseguia ver suas silhuetas.
Lokan ficou pensativo. Era muito estranho Polos ver algo assim, e de uma forma tão inesperada. Pensou que havia algo na água do rio, e avançou até ele. Frente a ele, se ajoelhou e lavou o rosto também, e mesmo após inúmeras tentativas, nada aconteceu.
[Lokan] — Não acontece nada! Tem certeza disso?
[Polos] — Absoluta!
Lokan se levantou e continuou se questionando. Seguiu andando com Polos até alcançar Watson e seguir viagem.
O sol estava próximo de se esconder abaixo do horizonte. Podia-se ver apenas as longas e quase intermináveis planícies verdes de Polerion, e bem ao fundo, uma colina imponente coberta por árvores se destacava em meio a região. Vendo aquilo, perceberam que poderia ser o destino final deles, e onde quem sabe encontrariam a tal caverna. Mas Lokan não se sentia bem quanto a isso; Ele sentia que algo estava errado ali, além de sentir uma sensação muito estranha no peito. Ela se fortalecia vendo a dupla andando ao seu lado. Ele apenas ignorava e seguia andando.
O caminho estava se tornando tedioso. Nada os perturbava mais que o sol se pondo ao longe. Enquanto Lokan fitava o sol e sua luz fraca se estendendo pelas planícies polerianas, ele tropeçou em uma pedra. Não chegou a cair, mas o que viu após piscar os olhos num reflexo foi um tanto pior.
Ele esbarrou em uma criatura gigante, dentro de uma caverna com paredes e chão de pedra e teto coberto por nuvens. Ela era muito musculosa e tinha a aparência de um gigante, mas com quatro pernas, um pescoço muito longo como o de um dragão, e dezenas de chifres em seus ombros e nas costas do pescoço. A criatura, que na sua frente apresentava-se só como uma sombra, rugiu para o alto e disparou um soco. Quando a musculosa mão ia atingir o rosto de Lokan, ele voltou a ver as planícies e o por do sol.
Ele ficou parado enquanto isso acontecia. Polos e Watson o fitavam, preocupados.
[Polos] — Tudo bem?
[Lokan] — Acho que vi aquela caverna...
A face de Polos foi coberta pela surpresa.
[Polos] — Tem certeza disso?
[Lokan] — Absoluta. E havia uma criatura estranha lá, não faço ideia do que seja...
[Polos] — Ela tinha um pescoço enorme e vários chifres pelo corpo?
[Lokan] — Sim... Além de quatro pernas.
Os dois estavam sendo tomados pelo medo, mas Watson continuou calmo. Parecia já saber do que se tratava.
[Watson] — O que vocês viram era um Juggernaut.
[Polos] — O que diabos é isso?
[Watson] — Só quem já esteve próximo do inferno ou dentro dele já viu um desses. É um demônio que funciona como um exército de um só, uma verdadeira máquina de matar. Avança por exércitos de humanos matando dezenas em um minuto. Se isso está lá, significa que não vai ser fácil chegar até a criatura.
Agora sim eles estavam com medo. Nunca enfrentaram um Juggernaut antes, mas o que acalmava-os um pouco era Watson e seus poderes. Ou então eles jamais passariam por ali. Disfarçando o medo, continuaram seguindo o caminho até a colina.
Metade do sol já estava abaixo do horizonte. Eles apertaram o passo, crendo que a noite seria mais difícil chegar lá ou a caverna não se abriria. Eles foram ficando mais receosos e nervosos.
Então alguns lobos se aproximaram do trio, planejando matá-los. Lokan tomou a frente apontando suas mãos claras, e Watson preparava suas chamas em suas mãos. Assim, quando o primeiro veio, Lokan simplesmente o acalmou usando uma magia própria, convencendo-o a lutar ao seu lado. O segundo pulou na direção de Watson, e o mesmo preparava-se para reagir. O problema veio quando o cenário ao seu redor começou a escurecer, paredes de pedra aparecerem ao seu lado e o céu ser coberto por nuvens e o lobo se transformar num cão infernal, completamente negro, com olhos negros e grandes conjuntos de dentes afiados.
Watson reagiu rápido e socou o cão, e rapidamente o puniu com suas chamas. Quando levantou o olhar, estava naquela caverna, com vários Juggernauts correndo em sua direção. Ele piscou algumas vezes e reapareceu nas planícies, com os lobos fugindo e deixando o companheiro morto pra trás.
[Lokan] — Watson, você estava um pouco diferente na luta... Aconteceu algo?
[Watson] — Essa foi a minha vez de ver a caverna.
O trio olhou um para o outro, buscando respostas ou entendimento.
[Polos] — E o que viu?
[Watson] — O lobo que pulou em mim se transformou num cão infernal e havia mais ou menos quinze Juggernauts correndo na minha direção antes de eu acordar da ilusão.
O queixo dos dois caiu e os músculos ao redor dos seus olhos doeram com o tanto que se abriram.
[Polos] — Isso é completamente insano! Como passaremos por tantos demônios?
[Lokan] — Isso não é mais importante. Como estamos vendo essas ilusões? E quem está fazendo isso?
O trio seguiu andando rapidamente. Lokan permaneceu pensando, já que os outros dois não sabiam o responder.
[Lokan] — Talvez essa criatura esteja nos pregando peças. Além disso, essas ilusões parecem ficar mais agressivas conforme nos aproximamos da colina...
[Polos] — Então estamos chegando! O entardecer está acabando, precisamos chegar logo na colina.
[Lokan] — Sim, de fato. Estou sentindo algo estranho conforme nos aproximamos...
O sol estava a apenas um fio. Todos estavam tensos, imaginando o que fariam ao chegar à caverna. Mas não era só isso; Eles também estavam começando a enxergar erros nos seus companheiros. Como se eles fossem culpados de tudo aquilo estar acontecendo.
[Polos] — Creio que não vamos conseguir chegar lá hoje...
[Lokan] — Estamos perto demais, não seja maricas!
[Polos] — Não chame um guerreiro nobre de maricas, padreco.
[Lokan] — Logo vista roupas decentes. Todos que olham pra você enxergam nada mais além de um bárbaro.
[Polos] — Assim como nós olhamos para sacerdotes e vemos cordeiros guiados por um deus inexistente.
Lokan tomou a frente de Polos, fitando-o com puro ódio nos olhos.
[Lokan] — Eu duvido você repetir isso mais uma vez, selvagem.
[Polos] — Estou com medo, cordeirinho, pare! — Gritou, com as mãos levantadas em escárnio e o rosto com um enorme sorriso zombeteiro.
[Lokan] — Você realmente não passa de um selvagem do norte. Admira-me que Fusia tenha aceitado homem tão imbecil e tão pouco provido de bons modos.
[Polos] — Existe algo chamado de dinheiro, que te coloca numa boa posição em um piscar de olhos. Nada que um sacerdote meia-boca que nem você consiga.
[Lokan] — Meia-boca? Eu garanto que você jamais conseguiria me vencer numa luta.
[Polos] — Cala a boca! Você não aguenta dez minutos de porrada comigo!
[Lokan] — Não mesmo, pois eu não ficaria dez minutos tocando num monte de merda empilhada falante e caminhante que nem você!
Watson sentia algo estranho vindo ao longe, da direção do monte, ao oeste. Sentia que aquela briga poderia culminar na falha da missão deles se continuassem naquilo.
[Watson] — Parem com isso! — Berrou, incendiando-se em suas chamas roxas, sem perder tempo — Essa briguinha estúpida entre vocês dois vai acabar nos prejudicando!
Lokan olhou com raiva para Watson. Seu ódio acabou o levando a puxar o rosário do bolso e apontar para Watson.
[Lokan] — Não me diga nada, demônio. O que fazer, o que não fazer, o que irá acontecer conosco, nada! Eu nem faço ideia do porque estou ao seu lado!
[Watson] — O que você pensa que está fazendo?
[Lokan] — É culpa sua eu estar aqui! Apareceu naquela torre convencendo a mim e aos meus amigos a seguir naquela missão suicida e acabei perdendo todos eles por causa daquela decisão estúpida! Perdi Walter, Magyer e Skinner, e nem tive chance de dizer adeus! Pior, nem tive como salvá-los! — Gritava, enquanto o rosário começava a irradiar numa luz clara — Maldito seja você e aquele outro demônio que te acompanha! Vocês três são demônios disfarçados que acreditam na utopia de que estão combatendo o mal, mas só criam mais e mais mal a cada coisa que fazem!
Lokan abaixou a cabeça, e suas chamas também diminuíram. De certa forma, Lokan estava certo. Pessoas morreram e coisas ruins aconteceram graças a eles. Tudo graças aos seus atos precipitados.
[Lokan] — Nessa madrugada, os espíritos deles gritaram nos meus sonhos, me odiando por não tê-los salvado. Eu estive me controlando para não ter que jogar tudo isso encima de você, mas não dá mais! Vou me livrar de vocês três por conta própria! EXECUTOR SAGRADO! — Berrou, invocando uma luz gigantesca sobre Watson. Naquele momento, o sol se pôs no horizonte e deixou apenas sua pouca claridade para trás.
No mesmo momento, parecia que luz e trevas se chocavam próximo da colina; As chamas de Watson tentavam suprimir o poder sagrado de Lokan. Polos naquele momento já tinha se afastado dos dois, com o machado em mãos. Ele se encontrava tão revoltado que o primeiro que ele conseguisse ver no meio daquela luz, ele lançaria seu machado duplo.
Dentro das luzes, os dois mantinham seus braços levantados, um na direção do outro, tentando um superar a força do outro. Quando finalmente houve um altíssimo choque entre as magias os lançando para longe, o cenário mudou.
Eles se viram no meio da mesma caverna novamente. Dessa vez, eles estavam cercados por um único Juggernaut. O trio se preparou para enfrentá-lo, olhando em seus olhos amarelos furiosos e sedentos por sangue. Até que a caverna começou a piscar, ora estando nas planícies de Polerion, ora estando na caverna. E o demônio continuava no mesmo lugar durante esse processo. E então, quando voltaram pra realidade, nas planícies, viram-se olhando para o Juggernaut, que era real. O trio se viu em desvantagem.
Eles correram na direção da colina, sem olhar para trás. A poderosa criatura correu a passos ágeis e furiosos até eles, berrando. O tempo já se fechava em noite e tudo parecia estar chegando ao fim. Mas se a caverna ainda dava seus sinais, talvez não fosse tão tarde. Com isso, continuaram correndo, aproximando-se cada vez mais da colina.
Quando finalmente chegaram, o Juggernaut os alcançou. Ele começou socando Polos pra longe e se dirigindo a Lokan. Watson jogou uma chama poderosa em sua cabeça, o irritando. Lokan disparou uma esfera de luz contra a cabeça dele, o tornando mais revoltado. Ele então continuou indo até o sacerdote, que passou a correr, e o mago, temendo o pior, explodiu em chamas roxas, pulando até a criatura e chegando nas suas costas. Ali ele começou a puxar a cabeça dela e a desequilibrá-la, enquanto queimava seu pescoço. Conseguiu fazer um estrago tão grande ao ponto da criatura berrar e agonizar, ajoelhando-se. Lokan finalizou lançando uma esfera de luz maior, colocando a criatura no chão.
Quando suspiraram aliviados após o termino da luta, eles viram que não podiam parar ainda. Abriram os olhos e se viram dentro da caverna, cercados por Juggernauts. Dessa vez, aquilo parecia mais real do que nunca.
Próximo: Capítulo 42 - Inferno Escuro.
Capítulo 42 - Inferno Escuro
Citação:
Postado originalmente por
Iridium
Isso, galera, vai pra PoI mesmo, vai... Sem orientação, low lvl... Tá certinho shaushausha
Brincadeiras à parte, gostei do capítulo! Você se focou mais na interação dos personagens (destaque pra discussão Polos x Lokan, me diverti pacas com isso), e ficou legal um capítulo com mais diálogos. A descrição do Juggernaut ficou ótima também... Quero é saber o que vai acontecer com o trio, já que, né... Estão cercados por uma renca dos capetas verdes e chifrudos...
No mais, aguardo o próximo.
Abraço,
Iridium.
Desde que você fez essa quest tu não para de falar nela, chega mulher
Agradeço os elogios, você já tinha falado que tinha gostado do capítulo. Não sei se esse aqui chegará no mesmo nível, mas espero que esteja do agrado.
Also, nenhum deles é low level, eu diria que o que tem o level menor ali é o Watson, mas como ele tem os poderes de semi-demônio filho de Pumin, ele não tem muitos problemas... Na verdade, ele não tem nenhum. nem é op
Espero que goste deste.
Sem demora, trago o novo capítulo. Nosso trio dinâmico se aventurará pelas cavernas da criatura do mito, que por hora não será revelada ainda.
Espero que gostem.
No capítulo anterior:
Watson, Lokan e Polos seguem pelas extensas planícies polerianas rumo ao norte, onde Lakad, O Lenhador, disse que estaria o lar da criatura. Conforme se aproximavam, mais aparições estranhas vinham as suas mentes, os enganando e os tragando para a caverna misteriosa. E conforme iam ficando mais próximos, mais possuídos pelo ódio dentro de si eles ficavam. Chegaram num ponto crítico, onde começaram a discutir e a brigar, e esse ato os distanciou da realidade e não permitiu ver um demônio, um Juggernaut, se aproximar deles. Tentaram fugir dele, mas acabaram sendo pegos por ele, e no processo Polos sumiu. Após vencerem a criatura, eles aparecem na caverna da criatura do mito, cercados por mais criaturas verdes.
Capítulo 42 – Inferno Escuro
Watson e Lokan tomaram uma distancia segura um do outro. Não sabiam onde Polos foi parar, apenas que tinham que continuar vivos. Em sua contagem, Watson distinguia 26 Juggernauts ali, todos sedentos por sangue e ansiando o momento de se deliciar com os corpos dos magos. Entretanto, eles não sabiam que não seria fácil conseguir isso.
Os demônios avançaram. Watson começou elevando seu nível as chamas púrpuras, ignorando o fato de ele poder deixar seu lado demoníaco tomar conta. Lokan não queria perder tempo, uma vez que não sabia o poder dos seus inimigos.
[Lokan] — Sannorien! — Disse, transformando seu corpo em algo próximo de um semideus, com a máscara dourada e o grande casaco branco e dourado que ia até os seus pés, lembrando um Yalahari original.
Algumas runas negras começaram a se formar dentro das chamas púrpuras de Watson, simbolizando algumas runas tibianas, como a Grande Bola de Fogo e a Morte Súbita. Watson trouxe a runa da Morte para a sua mão e apontou pro primeiro Juggernaut que chegou perto, estourando sua armadura e tocando seu coração, já o derrubando e matando. Uma enorme Ankh saiu da mão de Lokan, atingindo o peito de outro demônio, o derrubando. Watson seguiu disparando runas de morte uma atrás da outra, assim como Lokan.
Uma das criaturas ia atingir Watson com um soco, mas ele conseguiu ser mais rápido, saltando e pousando na sua mão. Dali ele pulou até a cabeça dela, explodindo-a com outra runa negra, uma Bola de Fogo. O corpo da criatura foi jogada para a parede por dois Juggernauts, e rapidamente um deles foi alvejado por Lokan. O outro tentou socar Watson, mas ele parou o soco com um escudo de fogo e explodiu sua armadura e seu peito com uma Morte Súbita negra e voltou ao chão.
Outro Juggernaut veio com um soco lateral ao mago, mas ele defendeu com uma cortina de fogo com o braço direito e lançou uma nova runa com a esquerda, mas outra criatura defendeu-o com a própria mão, desfazendo-a. Lokan alvejou-o e Watson defendeu outro golpe com uma nova cortina de fogo. Dali ele saltou e explodiu sua armadura, em seguida destruindo rapidamente seu peito e seu coração, matando-o. Lokan pegou seu cajado de sacerdote, girou-o rapidamente e lançou uma bola de luz, que explodiu na cabeça de outro demônio verde que estava próximo.
Os magos se posicionaram um ao lado do outro. Os demônios estavam preparando-se para uma nova investida.
[Lokan] — Não tem jeito! Essas criaturas são difíceis de matar e são numerosas demais!
[Watson] — Não é hora de reclamar. Ainda tem muito pela frente.
[Lokan] — E como planeja vencer tudo?
[Watson] — Do modo clássico.
Um Juggernaut veio a todo vapor. Watson fez várias estacas surgirem do chão e direcionou todas para a cabeça dele, o ferindo tão profundamente que ele veio a cair no chão, morto. Criou o mesmo campo de força de antes por fora do olho de outra criatura e o expandiu, desintegrando a cabeça dele. Mas o mago não quis parar e expandiu mais e mais, mas aquilo serviu apenas para empurrar os outros demônios e irritá-los. Assim, todos os Juggernauts vieram de uma vez só até a dupla, que se esforçava para derrubar cada demônio que chegava perto. Aos poucos eles foram sendo cercados e levaram socos e arranhões das criaturas, e assim iam caindo.
Watson não aceitava cair para essas criaturas e levou suas chamas muito além de seu corpo, expandindo elas pelo corredor e queimando vários demônios rapidamente. Ele as comprimiu e abaixou com força, explodindo toda a área coberta de criaturas verdes da região. Só alguns demônios sobreviveram, estes rapidamente alvejados por Lokan, agora em seu estado normal, com alguns arranhões na roupa e no rosto.
[Lokan] — Você deveria ter feito isso desde o começo...
[Watson] — Como se fosse tão fácil fazer. — Disse, ofegando um pouco.
Apesar do dito, Watson continuava mantendo suas chamas púrpuras num estado normal, com nada de incomum.
[Lokan] — Você me parece bem pra depois de um golpe desses.
Watson se zangou levemente, mas não respondeu. Em sua mente, as palavras de Lokan ainda ressoavam como tambores, e ele se perguntava porque o sacerdote não estava tão revoltado quanto antes.
Antes que tivessem tempo para recuperar-se, mais alguns Juggernauts apareceram. Watson não quis enrolar e tirou de suas chamas centenas de lanças. Quando eles estavam perto o suficiente, ele enviou todas em uníssono, perfurando e matando a maioria deles. Lokan tratou de matar o resto, com certa dificuldade. Passaram-se alguns minutos e nada mais vinha pelo corredor. A dupla então decidiu seguir adiante, devagar e com cuidado.
Após três minutos andando, eles ainda não encontraram nada ali. Como tinham visto antes, o céu era completamente nublado e fechado, e nenhum raio de luz passava por eles. Isso não tornava a caverna escura, mas a deixava sombria. O chão de pedra já estava banhado de sangue na entrada, além dos inúmeros corpos verdes. Demoraram um pouco para chegarem numa área onde não havia nenhuma gota, senão as de seus sapatos. Infelizmente, não demorou muito para eles verem mais sangue pelo chão. E não era de demônio.
Eles continuaram virando conforme o corredor, seguindo os rastros do liquido vermelho. Encontraram um Juggernaut socando alguém segurado por outros dois dele, e aquele ser era bem menor do que eles. Era um humano, um bárbaro – Polos.
[Watson] — VOCÊS! — Vociferou o mago, chamando a atenção dos demônios. O Juggernaut que estava socando Polos deu espaço para que ele pudesse ser visto, e ele se encontrava em um estado lastimável, com o corpo cheio de cortes profundos e muito, muito sangue. Ainda assim, ele estava acordado e resistindo. Era admirável. — Eu irei dar dez segundos para largarem o humano e irem embora daqui, ou eu garanto que duvidar de mim e do meu poder será o maior e o último erro da vida miserável de vocês.
Apesar da seriedade e força das ameaças de Watson, os Juggernauts não se sentiram tão intimidados e um deles, o que segurava Polos do lado esquerdo, começou a rir, e os outros dois abriam sorrisos malignos. Outras criaturas foram aparecendo pouco a pouco, e logo o local estava novamente tomado por aqueles demônios verdes. Lokan se posicionou ao lado do mago, que ainda permanecia calmo esperando, apesar de saber o que vem por ai.
[Watson] — Certo... Vocês pediram.
Watson traz algumas das runas de Grande Bola de Fogo para as suas mãos para matar todos ali. Lokan viu aquilo, e percebeu o perigo de usar daquele poder.
[Lokan] — Espera! E Polos?
[Watson] — No momento certo, vou lançar duas lanças contra os dois Juggernauts que estão segurando ele. Nesse momento, toque minhas chamas e puxe uma corrente, lançarei até Polos e você vai puxar. O resto é comigo. Entendeu?
[Lokan] — Sim. Espero que funcione...
Watson prepara todas as runas necessárias para uma grande explosão que tragaria os demônios ao redor deles. Os demônios preparam-se para o ataque, mas estavam deixando Polos vulnerável, exatamente como o feiticeiro queria. Após alguns instantes, eles investem.
[Watson] — Agora!
Watson lança suas runas o mais alto que pode, e ao mesmo tempo, duas lanças longas e flamejantes saem de suas chamas púrpuras e vão em alta velocidade até as duas criaturas que seguravam o bárbaro. As duas perfuraram profundamente as cabeças dos alvos, soltando Polos.
Rapidamente Lokan coloca a mão nas chamas e consegue puxar uma corrente flamejante, e ele vai puxando ela rapidamente. Ao ver isso, o homem de cabelos cinzentos joga a corrente até Polos e consegue amarrá-la ao corpo do bárbaro, o puxando com tudo. Quando ele chegou ao alcance deles, os demônios já estavam muito próximos e as runas também. Lokan criou uma bola dourada e brilhante ao redor do trio, enquanto o poder de Watson era desviado pelo mesmo para o chão, causando uma imensa explosão de fogo que corria pelos dois lados do corredor.
Quando a fumaça da explosão passou, todos os Juggernauts estavam no chão, com um vapor fraco saindo de seus corpos carbonizados.
[Lokan] — Incrível! Bom trabalho, Watson!
Watson abriu um sorriso, mas estranhava o elogio. Realmente não era culpa de Lokan tudo que ele falou, era da proximidade com aquele lugar infernal. Os dois se ajoelharam para ajudar Polos e ver sua condição.
[Lokan] — Com certeza ele não está bem. Levou muitos danos no corpo, vou demorar bastante pra curá-los... — Disse enquanto analisava os rasgos e feridas pelo corpo de Polos.
[Watson] — Bom, não podemos deixá-lo aqui. Mas pra tudo tem um jeito... Utevo Res “Bandit! — Pronunciou, originando um homem alto e um pouco magro na sua frente. Ele tem cabelos castanho-claros e veste uma armadura de bronze enferrujada, com um machado de mão na cintura.
[Lokan] — Não me parece uma boa escolha...
[Watson] — Não é porque ele é um bandido que não pode ser útil. Mas que preconceito, hein. — Disse, ordenando o bandido a levar Polos em seu ombro, mas Lokan o parou.
[Lokan] — Antes precisamos arrumar essas feridas, ele está sangrando muito pro meu gosto.
Watson ordenou o bandido a esperar do lado dele, enquanto Lokan convoca luzes douradas puras e vivas para curar as feridas do corpo de Polos. Ele conseguiu consertar os danos nos ombros, nas pernas, um pouco na barriga, na testa, dois no antebraço esquerdo e um no cotovelo, que estava a mostra em osso puro. Nesse, o sacerdote conseguiu recuperar os músculos, mas não a pele. Polos se contorcia a cada ferida fechada.
[Lokan] — Eu realmente não imaginava que os danos a ele tinham sido tão sérios...
[Watson] — Melhor irmos andando. E rápido. — Disse, apontando para três Juggernauts correndo a todo vapor atrás deles, vindo pela frente. De repente, três objetos estranhos cortam o ar e acertam as cabeças dos demônios ao mesmo tempo, os derrubando.
A dupla fica impressionada e vira rapidamente para trás para ver o responsável pela proeza, mas tudo que viram foi um pedaço de vidro com forte tonalidade de fogo caindo do ar.
[Lokan] — Mas o que por Lezario foi isso?
[Watson] — Quem sabe algum anjo da guarda. Vamos indo.
O bandido pegou Polos e o colocou em seu ombro. Antes de ele fazer isso, Lokan pegou ataduras de sua bolsa e tapou as feridas mais graves. Naquela altura, Polos já estava desacordado, e até então não tinha conseguido dizer uma palavra. O resto do trajeto foi quieto e tenso, com Lokan sempre preocupado e olhando para trás com frequência. O que mais o assustava era o fato de só um ou dois Juggernauts aparecerem durante o trajeto, e a facilidade que tinham para matá-los. Agora que sabiam seus pontos fracos, não tinham mais o que temer. Pelo menos por hora.
Já tinha passado um bom tempo desde que entraram na caverna. Longa, tensa e complicada a definiam bem, apesar de possuir apenas um caminho, e era sempre estranho andar lá, como se algo sombrio corresse acima e abaixo deles. Conforme avançavam, eles notavam que a maioria dos Juggernauts tinham alguns dardos em suas armaduras e cabeça, e o mesmo rastro de vidro de tom de fogo estava sempre presente. Não faziam ideia de quem pertencia aquilo e quem estava tentando matar os demônios, mas parecia com pressa. E possivelmente, tinha a mesma intenção do trio.
[Watson] — Pena que o bandido não consegue correr. Estamos ficando pra trás.
[Lokan] — Não nos falaram nada sobre a criatura ter um limite de pedidos por dia, então torça que seja isso mesmo.
[Watson] — Duvido muito...
Continuaram seguindo caverna adentro, matando todo e qualquer demônio que avistavam. Até que a caverna começou a subir de forma discreta, mas pouco a pouco ia se tornando mais notável que o caminho estava indo para cima. A caverna também estava ficando mais sombria, e alguns sons de bater de asas e gritos de ave podiam ser ouvidos ao longe. Só aquilo já conseguia despertar medo em seus corações. Além disso, a sensação de estarem sendo seguidos não passava, e piorava continuamente.
Então, durante um momento subindo a caverna, os sons estranhos nela subitamente pararam. Watson chegou a parar de andar, alertando Lokan.
[Lokan] — Algum problema?
[Watson] — Tá tudo quieto demais para um inferno escuro como esse.
O chão abaixo deles começava a dar uma sensação muito estranha. Pouco a pouco, ele tremia e esses tremores ficavam piores continuamente. De repente, o chão atrás deles cai, e dá lugar a centenas de Juggernauts, um subindo acima do outro, aparecendo sem parar. Watson e Lokan não conseguiram ocultar a surpresa e o desespero de ver aquilo acontecendo na frente deles. Agora, precisavam pensar rápido.
Lokan planejava enfrentá-los, mas de repente Watson mata o bandido que ele invocou e pega Polos, colocando seu corpo sobre seu ombro direito. Sem rodeios, começou a correr. Lokan também.
Era uma corrida pela vida. Dezenas de demônios verdes corriam com incrível fúria atrás deles, surgindo um atrás do outro, fechando completamente a via do corredor atrás deles. Alguns deles jogavam rochas contra o trio, outros jogavam espinhos e estalagmites, e a dupla se apressava para escapar das criaturas. A situação ainda tinha um certo controle, até chegarem no fim do caminho. Watson ficou tão surpreso e abismado ao ver aquela parede e aquela elevação estranha no fim que acabou soltando Polos no chão. Enquanto tentava ampará-lo, Lokan fez o melhor escudo na entrada do corredor que pôde para resistir ao ataque das criaturas.
Seguiu-se assim por alguns momentos, até os Juggernauts estranhamente pararem de se chocar com o escudo. Algo parecia ter despertado medo neles, os deixando quietos. Uma luz estranha surge atrás deles, brilhante, encantadora, sagrada, mas ao mesmo tempo sombria, cruel e enganadora. Ao virarem para trás, viram o que esperavam ver desde que saíram de Polerion. Ao invés de serem tomados pelo medo, foram tomados pela raiva, principalmente Watson, que deixou as chamas púrpuras tomarem seu corpo com mais força ainda.
Quem estava ali na elevação semelhante a um altar era Wadzar.
Próximo: Capítulo 43 - Invocação.
Capítulo 46 - Caverna Inóspita
Citação:
Postado originalmente por
Iridium
Saudações!
Vish... O Urgith, ele não tá feliz não :smile:
Dos Implacáveis, dois já foram -- eu me havia esquecido da morte da Tafariel :(
Gostei muito do capítulo; você está melhorando muito em quesito de tempos verbais. Lendo esse Capítulo, acho que compreendo de onde vem seu erro: você escreve em formato de texto teatral, ou seja, onde há as famosas rubricas (que são as manifestações psicológicas ou de trejeitos de personagens), você faz o correto para o formato teatral, que é usar o verbo no infinitivo. Entretanto, como sua narrativa é mista (possui descrições em discurso indireto e que requerem, portanto, o uso de tempos verbais no passado), você acaba se confundindo e mistura os dois tempos. Aqui eu já notei uma melhora, e vou pensar em uma maneira que fique mais fácil de você lidar com esse problema sem perder seu estilo.
No mais, o capítulo está ótimo e estou ansiosa para o próximo --- quero muito saber de onde que vem a sacolinha do mal e quem é esse novo adversário dessa tchurma que Eu Há MuItO cOnHeÇo E cUrTo PaKaS.
E boa sorte na tua Justa!
Abraço,
Iridium.
Opa Iri, obrigado pelo comentário e por solucionar meu problema. Vou continuar trabalhando pra tornar minha escrita pelo menos melhor para a leitura.
A morte da Tafariel foi uma das mais fodas até agora e você não lembra? Porra, Iri. Acho que estamos precisando de um capítulo pra relembrar todo mundo do que ocorreu até agora, pois nem eu lembro de tudo :lol:
E fique com esse capítulo, que espero que seja de seu agrado.
Este capítulo já é a reta final da primeira parte deste livro. A segunda provavelmente vai dar um foco mais direto na história, assim espero.
Espero que gostem!
No capítulo anterior:
O grupo encontra a criatura do mito, que era, na verdade, um grifo. Após uma boa conversa, eles descobrem como podem salvar George e o próximo passo a seguir. Também descobrem que Watson era, na verdade, um Alarstake, e originalmente primo de George e Jack. Urgith agora está irritado e manda um dos seus melhores servos atrás do grupo para acabar com os empecilhos de seu plano de uma vez por todas.
Capítulo 46 – Caverna Inóspita
Como esperado, o grupo consegue sair da Caverna do Grifo com sucesso, e agora se encontrava nas planícies claras de Polerion – Agora escuras, devido a noite. Pela altura da lua, já estaria próximo da meia-noite.
[Jack] — Já é bem tarde. Que tal voltarmos para a cidade e procurar a bruxa amanhã?
[Lokan] — Não será possível.
[Jack] — Ora, por quê? Pelo que eu soube, vocês fizeram um serviço bom ali expulsando Wadzar da cidade.
[Lokan] — Sim, só que na nossa saída, alguns soldados reais nos interceptaram. Talvez estivessem a mando do comandante, que não gosta de nós.
[Jack] — Quem é esse comandante?
[Polos] — Simplesmente a maior autoridade aqui, estando no mesmo nível que o governador. Ele é de Sensalia, e manda no exército da cidade.
[Lokan] — Deve ter sido ele quem jogou aqueles soldados contra nós. Bom, o resumo disso tudo é que ele mandou aqueles soldados e Watson os matou. Não podemos voltar pra cidade por causa disso.
[Jack] — Que ótimo... — Escarneia Jack, suspirando fundo. — Passaremos por aqui, então?
[Polos] — Por mim tudo bem. — Disse tranquilamente. Os outros concordam também.
O grupo vai até as árvores da colina e acomodam-se nas raízes, usando suas mochilas ou sacolas de travesseiros. Lokan possuía frutas boas ainda para comer, do qual repassa para os outros do grupo. Jack possui um cantil médio de água que ele compartilha com o grupo, ficando próximo do fim. Após algum tempo, adormecem.
Ao longe, um homem pálido com uma capa cinza escuro vigia o grupo. Em suas mãos, um pingente com uma mão fechada de metal pendurada oscilava entre um brilho azul claro e cinza. Ele baixa seu olhar por alguns instantes para observar o objeto em mãos.
[???] — Tão vulneráveis... Posso matá-los agora se eu quiser. Mas eu gostaria que fosse uma morte mais interessante e menos covarde. — Murmura, olhando fixamente para o pingente. — Sua hora de lutar chegará, meu servo. E eu espero que você não me decepcione.
O homem desaparece num pequeno tornado de almas e mistura-se com as sombras da noite, aguardando o despertar de suas presas.
~~**~~
O grupo desperta com fortes raios de sol batendo em seus rostos. A manhã chega cheia de incertezas para o grupo, principalmente dúvidas. Jack já se encontra de pé, observando a região abaixo da colina. Watson levanta e pega sua sacola vermelha, sua foice do qual coloca nas costas, e junta-se ao novo parente.
[Jack] — Bom dia! Tá menos do mal hoje? — Disse, com um sorriso zombeteiro no rosto.
[Watson] — Bom dia. Estou melhor, mas não dormi tão bem como esperava. Na verdade, eu nem esperava dormir. — Disse, sério e sombrio.
[Jack] — Como assim?
[Watson] — Sinto que algo estava nessas planícies nos observando essa noite. Mas creio que seja só impressão.
[Jack] — Bah, relaxa. É só impressão sua. — Disse, espreguiçando-se — O pessoal tá acordando?
[Watson] — Sim. Mas... Ainda tenho dúvidas quanto a você, Jack. Por onde você esteve? Você estava me matando de preocupação junto de George.
[Jack] — Ah, me desculpe. Eu não lembro direito do que eu fiz, mas lembro de ter recebido a ajuda de um homem estranho naquelas montanhas a oeste de Sensalia. Eu estava buscando a cura para George, e algo me dizia que eu iria encontrar naquelas montanhas, e achei.
[Watson] — O que era?
[Jack] — Um sábio que eu não sei o nome ainda, mas que parecia se comparar a um deus. Ele me colocou dentro de outra realidade e botou minha mente nos trilhos novamente lá, além de ter me passado um rápido treino de controle do meu poder. É graças a ele que eu posso fazer coisas como isso — Disse, fazendo uma espécie de um cilindro de vidro de fogo na sua mão esquerda — E isso — Com sua mão direita, ele gera um foco de fogo puro e brilhante.
[Watson] — Uau! Você parece mais um mago agora...
[Jack] — Longe disso — Murmura, quebrando o cilindro em vários pedacinhos e desfazendo o foco de fogo — Eu sou algo próximo de um demônio, mas ao mesmo tempo não sou. Ainda sou aquele besteiro maluco, irmão do aventureiro mais insano e poderoso de Tibia. Eu quero voltar a ouvir as piadinhas sem graça que ele solta as vezes. O modo engraçado que ele lida com mulheres e crianças. A alegria e carisma dele. Também quero sair logo desse mundo, pois desde que ele entrou aqui, ele foi ficando cada vez mais sombrio e sério. Pelo menos desde o momento em que o tutor dele morreu na nossa primeira ida ao inferno.
[Watson] — Já tinha esquecido daquilo. Acho que só vi uma vez ou outra aquele homem.
[Jack] — Eu tive uma tutora, e George sempre caçoou disso, e também me dava cartas coisas para eu entregar a ela pra tentar conquistá-la, mas eu nunca quis isso. Ela era apenas quatro anos mais velha do que eu, mas sempre que eu a olhava, eu via alguém inalcançável, muito além da minha compreensão. Um olhar de muita experiência, tanto boa quanto ruim. Eu jamais conseguia pensar que alguém como ela poderia ser minha, entende?
[Watson] — Ah, eu entendo isso. Era parecido com meu irmão.
[Jack] — Bom, desculpe encher seu saco com isso. — Disse, dando um tapa no ombro do mago — Bem, eles já estão levantando. Vamos em frente?
[Watson] — Você não explicou ainda sobre aquele saco e aquele pó que virou essa espada na sua cintura.
[Jack] — Foi esse sábio que me deu. Ele disse que esse pó viraria uma espada se energia arcana em alta quantidade fosse despejada sobre ele. Eu ia pedir pra você fazer isso, mas Wadzar foi um bom candidato. Não desvalorizando seus poderes, claro.
[Watson] — Acho que gostaria de conhecer esse sábio.
[Jack] — Ah, não queira. Ele é bem chatinho.
A dupla cumprimenta os outros membros do grupo e conversa rapidamente sobre os futuros planos. Mas ainda precisavam desenvolver um plano decente para lidar com a bruxa. Com isso, eles sentam no chão e formam uma roda para planejar os próximos passos.
[Lokan] — Muito bem. Eu sei onde fica a caverna, costumam chamá-la de Caverna Inóspita, por sua vista de fora ser muito desconfortável e sempre parecer que ela está envolta de coisas ruins.
[Polos] — Não nos ajuda em nada. Seja mais direto.
[Lokan] — Tá certo... — Disse, visivelmente incomodado — A caverna não é uma caverna exclusivamente de uma bruxa, mas é quase como uma pequena sociedade. Existe elfos malignos morando lá, além de goblins e orcs. Teremos que passar por eles para chegar na bruxa.
[Jack] — Sugere matar cada um deles?
[Lokan] — Claro que não! Passaremos disfarçadamente entre eles até encontrarmos a bruxa. Ela está no final da caverna, numa cabana.
[Watson] — Tenho uma ideia melhor. Chegamos lá e intimidamos todos eles, liberando espaço para chegarmos na bruxa. São seres malignos, mas não são idiotas.
[Jack] — Concordo. É pelo fato deles não serem idiotas que podemos ser descobertos quando tentarmos passar por eles. Notarão que somos forasteiros quando pisarmos lá com muita certeza.
Lokan fica pensativo por algum tempo, cogitando o plano.
[Lokan] — Ok, e o que faremos para intimidá-los?
[Jack] — Watson é um feiticeiro, tem a habilidade de se transformar em alguma criatura. Ou então podemos simplesmente expor nossos poderes, mas não num estágio avançado.
[Polos] — Péssimo. Ainda acho melhor entrar ali e matar todo mundo.
[Jack] — Não podemos chegar lá e botar o pau na mesa! Nem sabemos quantas criaturas vivem lá, é arriscado!
[Polos] — Não me venha com essa, Jack. Você matou todos aqueles Juggernauts para chegar onde estávamos. Aquelas criaturas são brincadeira de criança pra você.
[Lokan] — Tenho que concordar. Mas podemos fazer o seguinte: Entramos lá, intimidamo-los, e se não for o suficiente, matamos uma parte fazendo pouco, isso deve servir pra fazê-los fugir. Em seguida teremos que ir rápido até a cabana da bruxa, antes que ela tente fugir.
O grupo fica em silêncio, cogitando o plano. Aos poucos, eles vão concordando.
[Polos] — Vale tentar.
[Jack] — Sobre matar sem fazer muito, Watson é um feiticeiro, logo ele deve saber usar o Núcleo do Inferno, certo?
[Watson] — Posso fazer um com as minhas chamas roxas sem gastar um rastro de mana.
[Lokan] — Ótimo! Vamos lá então!
O grupo levanta-se e parte para o grande monte ao sudoeste. Esperavam algo ruim lá, mas estavam bem preparados.
Caminhando pelas planícies, eles atravessam dois rios, pequenos bosques e elevações. Próximo do monte, eles encontram alguns lobos que Lokan consegue convencer a irem embora sem precisar matá-los. E quanto mais se aproximavam, mais a aura sombria os envolve.
[Polos] — Esse lugar está um pouco mais estranho do que antes...
A própria luz do sol parecia mais ausente mesmo que não estivessem sob a sombra do monte. E quando a alcançaram, a luz quase se extingue, deixando-os próximo de uma escuridão total. Pouco a pouco, seus semblantes eram tomados pelo medo. A passos lentos, o grupo aproxima-se da entrada da caverna. A Caverna Inóspita, como era chamada, possui um grande arco feito de troncos secos, e sua entrada tinha algo em torno de dois a três metros de altura. Ela era realmente escura, e o ar próximo dela cheirava a uma mistura de queimado e podridão. A grama no chão já havia perdido parte de sua cor e um mato seco ia tomando conta do cenário em volta da caverna.
[Polos] — Chegamos. É tudo ou nada agora.
[Jack] — Não fale essas coisas. Vai ser fácil, vamos lá.
[Lokan] — Tem algo diferente aqui hoje. Tenho certeza.
[Polos] — Pare de ser medroso e vamos.
O grupo parte sem delongas para a caverna. Mas algo prende Lokan, como se ele estivesse sendo transportado pra outro lugar. Sua visão deixa a entrada da caverna e se projeta num local cujo céu era branco e o chão parecia ser feito de memórias e outras visões. Duas silhuetas, uma de um homem, aparentemente um cavaleiro, brandindo uma longa espada com espirais a cercando, e outro homem, este encapuzado e com uma roupa semelhante a de um cultista, encaravam-se naquele cenário peculiar e estranho. Sem rodeios, os dois disparam ao mesmo tempo um contra o outro, em uma altíssima velocidade. Quando ambos se chocam, Lokan volta a ver o monte, e o rosto preocupado de Polos.
[Polos] — Lokan? Lokan! — Grita, sacudindo o sacerdote com as duas mãos sobre seus braços.
[Lokan] — Calma! Vamos.
[Polos] — Você está bem? Por um momento, você pareceu ter deixado nossa realidade.
[Lokan] — Não, que isso. Estou ótimo, vamos.
Polos deixa-o, ainda em duvida sobre o que aconteceu, e ambos entram na caverna. Nela, há um grande caminho de terra, escuro e fétido. Após alguns minutos andando, eles chegam a uma escadaria, aparentemente longa e esculpida na terra.
[Watson] — Utevo Gran Lux! — Pronuncia, iluminando o caminho para o grupo.
Com a luz, eles podiam ficar mais atentos a armadilhas ou qualquer outro perigo. Eles também podiam observar manchas peculiares de sangue, desenhos e marcas estranhas nas paredes, mas felizmente, nenhuma armadilha.
Após algum tempo descendo as escadas, eles finalmente alcançam a luz — O interior da caverna. Um verdadeiro submundo se encontrava abaixo daquele monte; Muitos orcs e goblins andavam de lá pra cá, ocupados com suas vidas. Havia pelo menos dois andares, esculpidos na terra e reforçados com suportes de madeira. Casas, pontes ligando os andares e principalmente um local cheio de vida eram as maiores características, além das lojas e armazéns no térreo, cuja madeira usada na construção parecia de boa qualidade. O local tinha uma coloração alaranjada, devido as muitas tochas espalhadas em vários locais, com sua luz batendo nas paredes de madeira de cor marrom ou âmbar. Outra característica dali era o intenso som das criaturas que viviam lá, além do barulho de forjas ou coisas caindo.
O grupo entra no local e para pra observar toda a infraestrutura daquele lugar. Mas quando percebem, os muitos sons da caverna cessam. Ao olhar pra frente, notam que dezenas de criaturas os encaravam com cara de poucos amigos. Apesar da grande ameaça, o grupo permanece parado, encarando de volta os monstros.
[Jack] — Bom dia! — Disse, com um sorriso irônico no rosto — Meu nome é Jack. Vocês poderiam levar a mim e os meus amigos ao seu líder?
Pouco após terminar sua frase, uma enorme criatura salta do alto da caverna e pousa a alguns metros deles, levantando uma considerável quantidade de terra no impacto. O ser tem uma capa rasgada cobrindo parte de seu peitoral e costas, de cor bege. Seu corpo tem uma tonalidade de amarelo escuro, é alto e musculoso, possuindo em torno de 2 metros de altura. Ele usa uma grande espada curvada e rústica, consideravelmente rachada em algumas partes e mal acabada, mas podia desferir golpes fatais em humanos. O monstro em questão era um ogro, e bem forte.
[Ogro] — Não precisa, humano. Estou aqui. — Disse, usando de uma voz grossa e um pouco baixa.
[Jack] — Melhor ainda. — Disse, coçando o queixo — Vejo que tem educação por não me chamar de pele pálida. Talvez você possa me levar até a bruxa que vive nesse lugar, que tal?
O ogro fica em silêncio por alguns instantes, e logo cai na gargalhada junto de boa parte das criaturas no lugar.
[Ogro] — Vocês são realmente corajosos de chegarem até aqui, no nosso lar, sem nem ao menos um exército atrás de vocês para tentar nos subjugar! E ainda chegam querendo impor moral, pedindo coisas assim, do nada? HÁ! Vocês são todos iguais. E eu sozinho vou botar a moral de vocês abaixo!
O ogro prepara-se para avançar contra o grupo. Eles ainda se encontravam parados e despreocupados.
[Jack] — Quer fazer as honras? — Sussurra tranquilamente.
[Watson] — Não, vai você. Já tenho um serviço a fazer aqui.
[Jack] — Certo...
Jack dá alguns passos pra frente e faz uma posição com as mãos, lembrando a forma de empunhar um arco. A criatura dispara até Jack, deixando um rastro de poeira e terra para trás e uma expressão de fúria em seu rosto. O paladino, apenas com uma mão, começa a gerar uma forma do fogo, semelhante a um arco, e o cobre de vidro e reforça-o com um vidro mais endurecido, fazendo assim um vidro de fogo em formato de um arco. A criatura está a dez metros; Jack gera uma corda de cristal fino e brilhante, e aponta o arco para a criatura. Ela está a cinco metros; O rapaz agora puxa o fio e gera uma brilhante flecha de fogo. Quando ela está a dois metros, com a espada já levantada, o homem finalmente solta a corda, que choca-se com imensa força na cabeça do ogro e explode.
A fumaça toma o tronco da criatura por alguns momentos, e um cheiro de queimado começa a se alastrar. Quando ela finalmente se dissipa, nada mais há ali acima do tronco do ogro senão partes queimadas de seu quase inexistente pescoço. Ele ajoelha-se e tomba no chão, sem vida, fazendo o grupo vibrar de alegria, enquanto as criaturas que observavam o rápido combate olhavam o corpo sem vida de seu antigo líder, completamente chocadas.
[Polos] — É... Você fez o suficiente, eu acho.
[Jack] — Espero que sim, pois isso foi bem arriscado.
Mas não é o que acontece. As criaturas começaram a gritar e praguejar, dando pulos e socos no ar de pura raiva. Elas então começam a puxar suas armas e avançar contra o grupo numa massiva horda de inimigos. É então que Watson corre na direção da horda e irradia suas chamas púrpuras, levando sua mão direita para cima e estufando seu peito.
[Watson] — Exevo Gran Mas Flam! — Urra, e de uma simples brasa na sua mão surge uma explosão gigantesca que toma toda a caverna e inclusive os seus andares superiores, e as chamas roxas começam a perseguir qualquer ser vivo presente ali.
Ao dispersar da magia, praticamente nenhuma criatura se encontrava viva. Os únicos presentes ali era o grupo, que observava os estragos feitos por Watson. Logo eles percebem que a magia apenas matou o que estava vivo, mas não danificou nenhuma estrutura e nem ao menos queimou nada, senão os corpos. Eles ficam um pouco apreensivos desse poder, principalmente Jack.
[Jack] — Um pouco desnecessário, não?
[Watson] — Eram só criaturas quaisquer. E que queriam nos matar.
[Jack] — Certo, não vamos discutir sobre isso. — Disse, observando os arredores e fitando o andar logo acima deles — Se a bruxa está na parte mais afundo da caverna, ela deve estar por ali. — Disse, apontando para o local onde olhava.
[Polos] — Então estamos perdendo tempo. Vamos!
[???] — Daí vocês não sairão. — Murmura uma voz sinistra, que parecia ressoar por toda a caverna.
Tão logo começaram a procurar a origem da voz, uma sombra estranha aparece na frente de Watson, com um circulo mágico inteiramente desenhado em mãos.
[???] — Odioso. — Sussurra, lançando sua mão com o círculo até o coração do mago, pego de surpresa. Jack rapidamente nota o ato e se prepara para reagir, apontando sua mão na direção de Watson.
[Jack] — Imperdoável! — Pronuncia, fazendo as chamas de Watson ficarem brancas, rechaçando o golpe da sombra. Em seguida, Watson explode em chamas púrpuras e lança a sombra até uma loja de armaduras próxima. Eles então percebem que era a tal bruxa.
Watson pega sua foice de suas costas e gira-a rapidamente, posicionando-a para a luta.
[Watson] — Tentando me aplicar uma maldição, não é? Desculpe, mas eu não vou deixar mais nenhum ser da sua escória nojenta aplicar qualquer magia em mim de novo. Nunca mais! — Disse, tendo seu corpo coberto por dois grandes espirais negros.
Mal havia sido exorcizado e seus poderes já haviam retornado. Watson estava pronto para matar de novo.
Próximo: Capítulo 47 - Morte em Mãos
Capítulo 47 - Morte em Mãos
Citação:
Postado originalmente por
Iridium
Saudações!
Primeiramente, desculpe a demora em responder. Desse capítulo, gostei da justificativa para a sacolinha e a aparição do homem misterioso, que vai dar problemas pra turminha op kkkkk
Se é questão de confessar, as vezes tenho dificuldades em ter empatia pelos teus protagonistas. Seja pela força ou pelas atitudes, ou pelo fato de eu torcer por azarões, eles às vezes me parecem antipáticos. E isso não é uma crítica --- é apenas uma confissão minha, nada mais. E eu tô bolada pelo Ogro kkkkkkkk
No mais, gostei do capítulo e aguardo o próximo.
Abraço,
Iridium.
Opa Iri, que bom que gostou do capítulo e das explicações sobre a sacolinha, espero ter ficado convencível.
Bem, quanto ao teu problema em simpatizar com meus personagens... Eu ainda estou lutando para separar a personalidade de cada um e aplicar de uma forma que pareça mais única ou distinta. Mas sinto que daqui pra frente isso vai mudar e talvez você curta mais um personagem ou outro. No mais, OP não será uma coisa muito frequente de ser vista deste capítulo em diante, e você verá o porquê. E o ogro era só mais um terciário qualquer que apareceu só pra morrer, não fique bolada.
Espero que goste deste.
Capítulo grande, envolvendo duas lutas e algum realismo a mais na história. Espero que gostem.
No capítulo anterior:
Jack, Watson, Polos e Lokan chegam até o local onde vive a bruxa, chamado de "Caverna Inóspita". Eles foram mal-recebidos, mas se livraram dos mal-encarados sem dificuldades e rapidamente. Mas o ataque inesperado da bruxa começa a colocar preocupações sobre o fim daquela jornada.
Capítulo 47 – Morte em Mãos
A caverna tremia e as luzes eram grandiosas e fortes. No campo de batalha, a bruxa, cuja usa um vestido negro com um casaco cinzento que ia até a sua cintura, onde ela carregava diversas poções, runas, encantamentos, joias mágicas e outros objetos mágicos, defende-se o máximo que pode. Ela usa um chapéu negro e pontudo, possui cabelos negros e longos e seu rosto era coberto por runas desenhadas com algo pontudo, como uma adaga, assim sendo cicatrizes formando runas e ornamentos. Um grande círculo que cobre sua testa, bochechas e queixo, e runas dentro dele, sendo abaixo do olho, no nariz, na boca, abaixo do nariz, é, provavelmente, a fonte de seu poder. Ela consegue aguentar a maioria dos golpes de Watson, que eram, em sua maioria, golpes de sua foice.
Finalmente, Watson para um pouco e analisa. Sua foice não conseguia penetrar na defesa mágica da bruxa por algum motivo e algumas de suas magias também. Ele teoriza que o escudo apenas absorva os golpes, e decide testá-lo.
[Watson] — Utori Mort! — Pronuncia, lançando de sua mão um projétil escuro e redondo, com traços de podridão ao seu redor, até a bruxa. Como esperado, o golpe é absorvido pelo escudo.
Algo muda nele, aparentemente, o golpe agora faz o escudo se regenerar com frequência, já que ele tenta desfazer o mesmo o apodrecendo. A bruxa fica revoltada e coloca seu poder a prova.
[Bruxa] — Exevo Gran Mas Tera! — Grita, fazendo centenas de vinhas e raízes subirem do solo ao mesmo tempo em vários locais, com bastante violência. Watson não consegue escapar do golpe e é envolvido pelo mesmo. Apesar disso, o trio não se preocupa muito, sabendo do alto poder do rapaz.
Quando toda a vegetação volta para o chão, Watson está ajoelhado e envolvido pelas suas chamas. Ele encara a bruxa com desdém.
[Watson] — Descobri seu segredo, lixo.
Watson passa suas espirais negras para a foice, a fazendo aumentar o dobro de seu tamanho. Ele gera grandes asas de cristal e dá um salto até a inimiga, preparando-se para um golpe. Quando este golpe desce, a bruxa salta para o lado, assim atingindo o chão e causando um estrondo, seguido de muito pó de terra sendo levantado. Watson percebe que aquele é o melhor momento para destruir seu escudo. Percebendo o perigo, a bruxa começa a fugir, jogando várias runas de campo de fogo e atrasando o caminho do mago, que simplesmente começa a voar em alta velocidade para alcançar a mulher. Ao chegar perto, sua inimiga atira uma runa de Morte Súbita contra ele, que defende com as suas chamas. Em seguida, o homem consegue pegar ela e jogar ao outro andar, e é seguido pelos seus amigos, que atravessam devagar os campos de fogo no caminho, com alguns grunhidos de dor.
A bruxa corre o mais rápido que pode caverna adentro, tentando voltar para a sua casa. Watson começa a fazer várias runas de Morte Súbita das suas chamas púrpuras e atirá-las em direção do alvo. Elas golpeiam e fazem o escudo pouco a pouco fraquejar, enquanto uma perseguição voraz se inicia dentro daquele corredor, onde casas dentro de paredes e muitos corpos se encontravam no caminho, além de diversos objetos pelo chão, como cestos, armas, vegetais, potes cheios de bebida, caixotes com frutas espalhadas, entre outras coisas. A bruxa pula muitas vezes pela caverna, tentando não tropeçar nos corpos, e também tenta desviar dos golpes do seu inimigo. Assim, os dois seguem caverna adentro, em alta velocidade, até chegarem numa espécie de clareira, onde vários túneis acabam.
Esta caverna maior possuía uma cabana alta, de dois andares, feita de uma madeira de boa qualidade e um pouco escura também. O chão do local era de pedra, todo branco, e todo o local era enorme, além de iluminado por pedras brilhantes e flores estranhas, que ficavam em jardins ao lado das paredes. A bruxa para de correr, virando-se para o alvo e derrapando levemente no chão, tentando parar. Ela junta as mãos em prece, separa-as e revela dois outros selos em suas mãos, almejando invocar algo. Ela faz isso com um largo sorriso no rosto, crendo que Watson será derrotado por sua última artimanha. O mago prepara sua foice para um inesperado novo combate, mas vê-se mais surpreendido ainda quando uma mão pálida atravessa o pescoço da bruxa.
Muito sangue cai de seu pescoço. Na mão fechada, encontra-se algo que estava dentro dela, talvez sua faringe. O mesmo dono da mão explode-a, e em seguida uma aura cinzenta emana do corpo da mulher, passando para o do braço do ser misterioso. No fim, a bruxa desabou no chão, sem vida, deixando uma poça de sangue no chão limpo de pedra, e revelando um homem relativamente alto, vestido com uma capa negra envolvida pelo seu corpo e mostrando traços de uma calça cinzenta e longa e botas brancas. Ele está encapuzado, mas revelava alguns fios de cabelo brancos. Pouco do seu rosto era visível, boa parte se encontrava oculta pelo capuz.
Algum tempo depois, o trio chega à caverna, sendo pegos de surpresa com a bruxa morta e o homem com uma mão sangrenta. Enquanto Jack e Polos se posicionam ao lado de Watson, Lokan se apressa a procurar as flores de Poméria dos jardins pequenos nos cantos da caverna, aproveitando-se do tempo livre que tinham por hora.
[Watson] — Quem é você? — Indaga, enquanto o homem pega a bruxa pela cabeça e pega algo pendurado em seu pescoço, um amuleto negro, cuja forma era um livro deitado com um símbolo branco estranho no centro.
O homem larga a mulher no chão e observa o amuleto. Ele então o joga até o mago, que o pega no ar.
[Homem] — Olha só... Vocês são realmente todos iguais. — Disse, com uma voz sinistra e corroída, cruzando os braços — Perguntam o nome do inimigo ao invés de colocá-lo no chão e dominá-lo. Ridículo. Duvido que valham meu tempo.
[Watson] — Não só valho como farei ele acabar. — Vocifera, fazendo dois espirais negros correrem em volta de suas chamas. Jack e Polos se afastam um pouco, e o homem estranho se vê surpreso pela resposta.
[Homem] — HAHAHAHAHA! Ótimo, Wu’tkar! Você é realmente filho de Pumin! Palavras diretas e objetivas, como sempre! Falta apenas a psicopatia, que ele largou quando viu o poder daquele humano. George, não é? Quero lutar com ele, não com você.
[Watson] — Não me chame por esse nome! E como sabe dessas coisas?
[Homem] — Observei Pumin lutar com George e fiquei surpreso. Não imaginava que um humano sozinho pudesse dominar um Ruthless. Ou melhor, dois. Eu te entreguei esse amuleto pois eu quero lutar com aquele homem e ver se ele possui todo o poder que parece ter.
[Watson] — Você vai lutar COMIGO! — Ruge, jogando várias runas de Morte Súbita contra o inimigo, que ao ser atingido, nem ao menos se mexe.
[Lokan] — Imune... — Murmura, com uma sacola em mãos, provavelmente com as flores.
[Homem] — Terá que fazer melhor.
Watson pega um cristal provindo de sua foice e o carrega com suas chamas púrpuras, e então o lança com toda a força contra o inimigo. Mas antes de atingi-lo, uma mão relativamente grande, pálida e suja de terra sobe do chão e pega o cristal no ar, destruindo-o em seguida.
[Homem] — É por isso que eu disse que quero lutar com George.
Neste momento, Lokan novamente se vê sendo retirado da realidade novamente. Agora, ele vê a saída de uma caverna, e muitas e muitas mãos cobrindo tudo, inclusive sua visão. Ele volta novamente a ver o homem, agora bastante assustado.
Jack concentra seu olhar acima do encapuzado, projetando um fogo envidraçado acima dele. Ele consegue fazer um enorme cristal perfurante e deixa-o cair sob o oponente, mas dezenas de mãos semelhantes a anterior saem do chão para pegar o objeto pesado, e conseguem. Elas o soltam e ele cai de lado, fazendo uma explosão e queimando tanto elas quanto a capa do homem.
Após essa explosão se dissipar, revela-se a face do homem: Sua testa é carne podre, com diversos vermes correndo por ali. Sua pele é realmente pálida, seus olhos eram amarelos e seu cabelo é completamente branco. Trajava uma longa túnica negra e um colar com a figura de uma mão fechada de metal. Lokan fica com ânsia de ver aquilo na cabeça do ser.
[Homem] — Esperto, mas não o bastante.
[Watson] — Inferno Cruzado! — Grita com a mão esquerda espalmada, lançando uma grande cruz de fogo roxo na direção do homem.
Dezenas de mãos pálidas saem do chão, espalmadas de forma defensiva, formando uma parede. O ataque é facilmente refletido por elas, voltando um pouco mais fraco e desaparecendo depois.
[Homem] — Tsc. Grotesco. George é forte, mas vocês não.
Uma única mão surge do chão abaixo de Watson e soca-lhe o rosto. Outra surge da parede logo atrás dele e o puxa até ela. Polos se apressa com seu machado e corta ela, soltando-o. No processo, o braço vira cinzas e desaparece.
[Homem] — HAHAHA! Ridículo. Como você pode cair em algo tão infantil? Você realmente não vale o tempo do general dos mortos-vivos.
[Jack] — General... Dos mortos-vivos? — Gagueja Jack, temendo saber de quem se trata o inimigo.
[Homem] — Sim, mortal. Sou Ashfalor, a mão direita de Urgith.
Jack arregala os olhos, extremamente surpreso, Watson também. Lokan e Polos o desconheciam, mas temiam que fosse um inimigo muito poderoso. Rapidamente Jack rodeia sua espada em chamas e reforça sua pele com fogo envidraçado, e Watson flameja com mais intensidade, novamente retornando ao campo de combate com sua foice. Os dois avançam em conjunto contra o Ruthless, em alta velocidade.
A foice de Watson vem primeiro e tenta acertar o alvo, sem sucesso, já que o mesmo abaixa. Jack aparece em seguida e chuta seu rosto, tentando acertar um golpe com a lâmina, mas uma mão pálida sai do peito de Ashfalor e defende-o. Ele dá alguns passos para trás e lança alguns projeteis de morte, e o mago repele-os girando sua arma, enquanto Jack dá um salto, gira no ar e tenta novamente acertar outro golpe de espada, mas o homem salta para o lado, fazendo outra mão surgir do chão e socar o rosto do paladino no ar, jogando-o no chão.
[Ashfalor] — Eu tenho a MORTE EM MÃOS!
O chão fica completamente negro e centenas de raios negros saem do chão, golpeando o grupo inteiro. Muitos desses golpes acertam Lokan, ferindo-o de forma um pouco grave, assim como Polos, mas a dupla de parentes consegue aguentar os golpes. Ao dispersar da magia, a dupla mais fraca ajoelha-se, feridos por dentro, e Jack e Watson parecem mais cansados. Ashfalor põe-se a rir numa risada macabra, como se outras vozes malignas estivessem junto dela.
[Ashfalor] — Como eu disse, vocês são demais pra mim. É por isso que quero enfrentar George, e apenas ele! Não me importo com o que Urgith mandou-me fazer, eu quero ter uma batalha épica! Divina! Como as batalhas que eu tive contra as criaturas de Uman e Fardos! Como a grande luta que tive com Banor há séculos atrás! Quero ver isso de novo, e sei que terei isso quando eu lutar contra aquele mortal.
[Jack] — Por que você não cala a boca?
[Ashfalor] — Hm... Não. Vou fazer você calar a boca. — Disse, pegando seu colar e tirando-o do pescoço e jogando para cima — Vinde a mim, meu servo! PROCURE E DESTRUA!
O colar começa a se transformar. Primeiro a mão clareia, ficando num tom cinza maléfico, com alguns traços de preto e um azul bem claro; Surge, de trás dela, um grande e musculoso braço, seguidamente de um tronco, pernas, outro braço, uma cabeça, dois chifres longos e uma armadura cobrindo todo o corpo musculoso. A criatura logo volta ao chão, desfazendo-se rapidamente em gelo quando o toca, desfazendo suas pernas e fazendo um turbilhão de fagulhas de gelo logo abaixo dele para aguentar o dano da queda e passar irrelevante. Ele se move para frente junto do turbilhão, e logo toma altura o bastante para suas pernas retornarem. Ele inicia o combate socando Watson para a direção da parede da caverna e chutando Jack pra longe.
[Ashfalor] — Se vocês não podem contra mim... Quem sabe contra meu servo, Annihilon.
Annihilon corre em direção de Polos e Lokan, ajoelhados. Lokan rapidamente cura algumas partes de seu corpo e prepara-se para o combate.
[Lokan] — Defesa de Lezario! — Pronuncia, criando um grande escudo branco, pontudo embaixo e com dois ornamentos acima, que possui uma grande ankh dourada no centro.
A investida do demônio trinca o escudo, mas não o destrói. Ele arrasta seu pé direito para trás, levando traços de gelo, e começa a desferir sucessivos murros contra o escudo do sacerdote. O mesmo tenta resistir o máximo que pode, usando sua mana para regenerar o escudo.
[Lokan] — Eu... Não vou aguentar... Muito tempo! — Suplica, chamando a atenção dos caídos de volta para a luta.
Polos corre para salvar seu amigo e branda seu grande machado duplo para tentar um golpe no demônio, almejando acertar seu flanco direito.
[Polos] — Utito Tempo!
Quando o golpe estava próximo de acertá-lo, Annihilon bate o pé esquerdo no chão e faz ele tremer. Polos desfaz seu golpe e tenta se equilibrar, mas no meio do processo, o arquidemônio vira-se para ele e acerta um poderoso murro, lançando-o para longe. Ao cair no chão, ele acaba largando seu machado, que fica a alguns metros dele.
[Lokan] —Não!
Annihilon dá um pulo alto, carrega uma esfera transparente estranha e brilhante em uma das mãos e lança até Lokan. Ele defende com o escudo, mas pouco depois ele quebra e se desfaz.
[Lokan] — Minha... Mana...
O demônio desce com um pé pronto para acertar o sacerdote. Antes dele ser atingido, Watson o atinge com um golpe fraco para jogá-lo pra frente, assim fazendo o chute inútil. Ao chegar no chão, uma imensa bomba de morte, num formato de uma grande corrente de energia negra, se espalha a partir do pé da criatura. Ela alcança Watson e Lokan, golpeando-os de forma fatal.
Uma explosão negra atinge a cabeça de Annihilon: Era um dardo gigante da besta gigante de Jack. Ele a recarrega com outro dardo, mas uma dezena de mãos pálidas surge do chão, ameaçando sua besta. Ele dá um salto com ela em mãos e a transforma num cilindro novamente, e encara Ashfalor, próximo da cabana, com um sorriso amarelo no rosto. Ele volta ao chão e avança até o inimigo de azul. Enquanto isso, Watson pega a sua foice e projeta novas asas de cristal, e avança contra Annihilon. Ele desfere golpes de vários lados, todos ágeis, visando distrair a criatura, que defende com os braços. Jack saca sua espada novamente, cobre ela por chamas, salta e consegue acertar a cabeça do demônio, que ruge de dor. Ele pega impulso para tirar a espada botando sua própria força contra o corpo do monstro usando os pés, e consegue sair.
Annihilon urra com muita força, fazendo o chão, as paredes e o teto tremer. Estava enfurecido, tanto que sua armadura escureceu, tomando um aspecto de gelo mais escuro. Neste momento, Watson aproveita para tentar cortar um de seus chifres para fora, mas recebe um raio de gelo em troca, quase sendo paralisado.
[Watson] — Exevo Gran Mas Flam!
A magia de Watson toma seu próprio corpo como epicentro e se espalha para baixo, para cima e para os lados. Ela acerta em cheio o arquidemônio, mas não o machuca muito. Por fim, ele se aproxima o máximo que pode da criatura e, usando sua foice, consegue cortar parte de seu chifre direito. Ao dispersar das chamas, o demônio percebe o que aconteceu — E fica imensamente furioso.
Annihilon salta alto, chegando ao teto, e então desce até o chão com toda a sua força. Ao se chocar, um poderoso estrondo irrompe pela caverna, rachando severamente o chão ao seu redor e criando praticamente um terremoto. O que era um terremoto revela-se como a queda da caverna; Ela estava caindo devido ao ato do demônio. Enquanto os outros ficam inquietos, Ashfalor afunda sua cabeça em sua mão, decepcionado.
[Ashfalor] — Demônio retardado... Não era para fazer isso.
Annihilon, ao se levantar, congela e se quebra em vários pedaços de gelo, sobrando apenas sua grande mão direita fechada. Ela diminui de tamanho, fica negra e retorna ao Ruthless. Pedras começam a despencar do teto da caverna. Ao que parecia, ela não iria durar muito tempo.
[Ashfalor] — Não foi dessa vez que tivemos uma batalha empolgante, mas certamente na próxima teremos. Livrarei-me de vocês e chegarei até George, e enfim terei o que busco!
O grupo começa a correr para a saída, aos risos maléficos de Ashfalor. Eles correm em alta velocidade, usando magias e tentando não cair, mas conforme avançavam, mais pedras caiam. É então que atrás deles, dezenas de mãos pálidas e sujas de terra começam a surgir rapidamente, tapando a via de trás. Elas pareciam perseguir o grupo e querer esmagá-los contra as paredes.
[Jack] — Corram! Corram o mais rápido que puderem!
[Polos] — Não precisa nem dizer!
Eles chegam até o centro da caverna, onde se concentrava a maior parte das criaturas dali, agora mortas. No entanto, ainda era possível ver os tais elfos malignos, todos curvados, correndo para as saídas de cima da caverna, tentando escapar. Outros orcs e goblins apareceram tentando fugir também, mas as mãos também apareciam dos andares de cima, tapando as vias pouco a pouco.
Chegando à escadaria para a entrada da caverna, as mãos os alcançam e começam a pressionar mais sua corrida. Lokan vai ficando para trás, e resolve pegar sua sacola e dar para Watson, que já se encontrava com o amuleto da bruxa. O mago estranha o ato do rapaz.
[Watson] — Por que está me dando agora? É você que fará o líquido que precisamos!
[Lokan] — Desculpe, temo que não vou conseguir.
[Watson] — Porra, Lokan! — Grita, ofegando — O que você está dizendo? Quer se jogar pra morte?
[Lokan] — Eu já sei o que acontece aqui.
As mãos estavam bem próximas de Lokan. O próprio já sentia os pedaços de terra que voavam devido ao aparecimento das mãos atingindo seu rosto, e o vento intenso que lançavam para frente graças ao seu movimento rápido até a outra parede. Watson estava a três metros dele, já imaginando seu destino. Ele tenta queimar as mãos, mas não consegue, pois as queimadas são substituídas e defendidas rapidamente. Como em câmera lenta, o mago vê cada detalhe daquela cena; Os muitos rastros de terra sendo lançados para fora, as inúmeras mãos e braços pálidos e sujos logo atrás, surgindo um atrás do outro, sem parar, e o rosto triste, porém, de aceitação de Lokan. O destino já estava traçado.
As mãos pegam Lokan e em poucos segundos fazem-no desaparecer entre o meio de dezenas de outras. Polos e Jack também veem a cena e ficam chocados, mas não param de correr. Já estavam longe da escadaria e a luz de fora da caverna é a última esperança deles. Quando finalmente a alcançam, saltam direto para a grama seca, ouvindo seguidamente a entrada da caverna sendo fechada pelas inúmeras mãos de Ashfalor.
Jack olha para a entrada, sentado, com as pernas soltas e um olhar vazio. Polos estava com uma perna ajoelhada, ofegando fortemente. Já Watson estava deitado no chão, quase em posição fetal, gritando de raiva com a sacola cheia de flores em mãos.
Eles conseguiram o que queriam, mas a um preço muito, muito alto. Mas apenas uma coisa era o alento de seus espíritos: George estava próximo de ser salvo.
Próximo: Capítulo 48 - Dia Ruim
Capítulo 49 - O Sábio pt. 2
Citação:
Postado originalmente por
Iridium
Saudações!
Um capítulo mais curtinho, dessa vez... Achei bem interessante, de fato; gostei do cliffhanger, a vontade de ler mais. E esse final ficou um show à parte, viu? Essa tensão toda no ar me dá mais e mais vontade de saber se George será ou não salvo de seu destino cruel. E, caso ele venha a ser... Quando e como retornará?
Aguardando ansiosamente o próximo, na esperança de demorar muito menos a dar retorno aqui.
Abraço,
Iridium.
Salve Iri, agradeço os elogios. O final foi meio complicado de escrever, mas fico feliz em saber que foi do agrado - E claro, entendível.
Posso dizer que em breve ele retornará, e talvez um pouco diferente do comum. Mas o objetivo é deixar os personagens mais carismáticos e interessantes.
Espero que goste desse.
Demorou, mas chegou. Quase um mês depois, venho postar a segunda parte do penúltimo capítulo dessa parte do livro. Eu o dividirei em duas partes, e quando eu terminar esta primeira, começarei a reescrever os primeiros e, quem sabe, escrever alguns contos a parte para a seção.
Espero que gostem deste! Só aviso que não foi revisado, então, qualquer erro, comentem que posso vir a corrigir. Ou não. kek
Também aviso que ele está longo, no quesito parágrafos. Então prepare-se para ler bastante.
No capítulo anterior:
O trio, agora acompanhado da assassina Agatha, volta ao Adaga D'Água, onde se reúnem para discutir algumas coisas. No meio das tensões das conversas, Jack se lembra do que aconteceu antes de reencontrar Watson e companhia e explica ao grupo o que viu e fez.
Capítulo 49 – Sábio pt. II
Jack acorda. Sua mente está estranha, como se estivesse completamente embaralhada e estivesse tentando se organizar. Ele está deitado na grama, olhando para um céu incrivelmente azul. Temia que fosse um sonho, mas aquilo parecia real demais pra ser um.
O paladino senta-se. Não vestia nada além de uma camisa negra e calças vermelhas. Sua armadura havia desaparecido, assim como sua besta, sua peça de perna yalahari* e até mesmo sua besta gigante em forma de cilindro. Desarmado, confuso, sozinho, não sabia onde estava, tampouco o que faria.
Ele observa o cenário ao seu redor. Não havia nada além de um campo incrivelmente vasto, um gramado que se estendia até onde a vista podia alcançar. O céu era completamente azul, sem uma única nuvem. Pensava estar morto, mas na verdade, aquela era uma reprodução pouco fiel do último cenário bonito que Jack imaginou; O cenário onde estava acompanhado de George, ao norte de Carlin.
Ele então nota uma aproximação, mas antes que pudesse fazer algo, uma mão leve e fraca toca seu ombro. Ele olha para trás e vê um senhor de idade, mas não exatamente um homem e sim um anão. O ser pequeno usa um cajado de madeira com uma ponta um pouco circular, um manto longo cor de chumbo e um chapéu de aba redonda e bem velho, com uma cor bege desgastada. Seu olhar era sereno, mas cheio de coisas incompreensíveis.
[Jack] — Quem... É você? — Indaga, com uma voz um pouco desgastada pelos últimos ocorridos.
[Anão] — Alguém. Alguém que você veio correndo pedir ajuda, mesmo não estando no controle de si mesmo.
Jack o fita por alguns momentos, não compreendendo direito o que o homem queria dizer.
[Jack] — Você tem... A cura?
[Anão] — A cura para o seu irmão?
[Jack] — Sim! Isso! — Disse, eufórico e esperançoso.
[Anão] — É possível. Posso dar a você, no entanto, você precisa me ajudar com algo em troca.
[Jack] — E... O que seria? — Disse, com uma voz um pouco cansada.
[Anão] — Quero que me ajude a lembrar.
Jack fica calado, sem entender novamente o que o anão queria.
[Anão] — É bem simples, rapazinho. — Disse, dando alguns passos para frente e sentando-se a frente de Jack e repousando seu cajado ao seu lado. — Conte-me tudo que você sabe sobre a sua vida. Desde o início. Tudo que você lembra sobre você e seu irmão. Dessa forma, serei capaz de lembrar das minhas memórias também. E também poderei dizer onde está a cura.
O rapaz fica calado por alguns instantes. Ele tenta, a todo custo, revirar sua mente e suas memórias e tentar lembrar-se de tudo que já viveu com George. Felizmente – Ou infelizmente – ele conseguia se lembrar apenas do que viveu com seu irmão. Aquilo era estranho, mas era o ideal para a situação em que se encontra. Logo, o rapaz começa a se lembrar de tudo.
[Jack] — George... Ele sempre foi meu irmãozão. Eu nasci quando ele tinha quatro anos, e desde pequeno ele se importava com meu bem estar. Tínhamos uma vida complicada com nossa mãe, nosso pai morreu pouco antes de eu nascer, e ela se virava sozinha para nos sustentar. Não tínhamos tios, avôs ou parentes próximos, o que só piorava tudo. — Disse, de forma relativamente serena. O cenário ao seu redor começava a projetar as memórias de Jack no céu, e o anão observava tudo.
[Anão] — E como conviviam?
[Jack] — Bem... George era apaixonado por cavaleiros, espadas e coisas assim. Sempre que o exército aparecia na cidade, ele me chamava todo feliz pra ver com ele. Eu tinha só uns quatro anos, mas ele, com seus oito, sabia bastante sobre. Contava que mal esperava pelo dia em que ele poderia ir pra Rookgaard e treinar para se tornar um. Já eu tinha um gosto particular por projeteis e coisas assim, tanto que adorava pegar pedras e atirar em árvores quando ninguém estava olhando, e meu alcance e precisão eram grandes com apenas cinco anos.
No céu, projetava-se a cena onde Jack via ao lado de George o exército thaiano passando para o quartel, no sul de Thais. E também os dias onde Jack jogava pedras contra as árvores e fazia pássaros voarem de seus ninhos e até frutas caírem.
[Jack] — Um dia, a minha mãe me viu acertando algumas pedras que enfileirei numa cerca com outras menores, e as derrubando em sequência, sem esforço. Eu tinha seis anos. Quando eu a vi, achei que ela ficaria muito irritada e me daria uma surra, como fazia com o George algumas vezes com suas travessuras; No entanto, ela ficou feliz e abriu um sorriso, e me elogiou. Disse para continuar treinando e com o auxilio de George.
A cena se projeta. A mãe deles era ruiva, de cor escura, tinha um rosto relativamente largo e seus olhos eram estranhamente negros, com uma boca e lábios finos e poucos detalhes chamativos no rosto. Ela era magra, um pouco esguia, e era possível notar que seu rosto era um pouco cansado e deprimido.
[Jack] — Eu fiquei muito feliz. Alegrar a minha mãe era algo que George sempre tentava, mas não conseguia com certa frequência. E ela parecia estar satisfeita com o meu desempenho também, então, continuei treinando. Entretanto, tudo mudou quando eu tinha sete anos. Nos mudamos para Carlin, mas no meio do caminho, fomos atacados por larápios de floresta. George e um amigo da minha mãe lutaram contra eles, enquanto eu consegui roubar o arco e algumas flechas de um deles e atirei com precisão, apesar de nunca ter usado. Nossas habilidades eram notáveis, o que surpreendeu aquele cara e a nossa mãe.
A cena mostra o rapaz, que era um pouco gordo, com cabelos grandes, negros e um pouco espetados, pele morena, olhos negros, rosto grande. Ele usava uma espada espinhenta e brilhante, e atacava de uma forma um pouco bruta. George era mais gracioso e atacava com precisão usando uma espada comum. Jack usava o arco com eficiência, apesar de um pouco descuidado.
[Jack] — Algum tempo após nos estabelecemos lá, nossa mãe pediu para irmos com um homem misterioso até a casa onde ele vivia, em Northport. De inicio eu não gostei da ideia, mas George achou interessante, pois o mesmo era um tutor, experiente, sério e disciplinado. Ele também aceitou para darmos mais espaço para a nossa mãe. E assim, partimos, para o nordeste, onde passamos a viver em uma casa mediana em frente para o oceano. E atrás dela, treinávamos todos os dias, usando armaduras pesadas e tomando golpes todos os dias. Segundo o cara, era para aumentar nossa resistência. Ele se chamava Acrios e eu odiava-o.
Agora a cena era dos irmãos se despedindo de sua mãe e partindo com um homem peculiar. Ele tinha um cabelo grande, de cor castanho, preso num rabo de cavalo, era alto, com um corpo forte e olhos verdes. Trajava um longo manto vermelho com contornos dourados, e sua túnica e calças tinham cor de metal, bem escuro. Logo, era mostrado George com uma armadura pesada de bronze usando um escudo e espada de mesmo material, e Jack usando uma armadura de couro e jogando lanças e atirando com um arco de madeira clara.
[Jack] — Ficamos anos treinando e vivendo com ele. Eu não gostava da convivência, mas George facilitava as coisas e fazia tudo ficar melhor com suas brincadeiras e travessuras que sempre me faziam rir. É claro, ele recebia severas punições de Acrios, mas ele dizia que valia a pena. E então, quando ele fez quinze anos, foi enviado para Rookgaard, e eu fiquei para trás. Ele não saiu de lá por três anos, até eu ser enviado por Acrios. Ele não me disse nada sobre o paradeiro de George, nem como minha mãe estava. Sei é que quando cheguei ao centro da ilha, acabei reencontrando meu irmão, usando uma espada comum, rara ali, uma armadura de correntes, uma calça cravejada, botas de couro e um capacete estranho de chifres, além de usar uma katana de duas mãos, seu maior destaque. Ele me ajudou muito lá; Me deu um monte de lanças, uma armadura de couro, um elmo de bronze, um escudo de bronze e me mostrou incontáveis locais de lá.
Na cena, Jack aparecia cobrando explicações de Acrios, que o fitava em silencio sem lhe dizer uma palavra sequer. Depois, aparece ele, olhando para Carlin, olhando apoiado na mureta a cidade, sem saber onde sua mãe estava e se ela estava bem. E depois, suas primeiras missões em Rookgaard e a recepção calorosa de seu irmão, que também mostrava-o bons locais para caçar monstros e conseguir experiência de combate.
[Jack] — Um dia, eu, ele e mais cinco pessoas fomos para o famoso labirinto dos lobos. Ficamos muito tempo lá até acharmos seu limite, um buraco com uma escada para descer. Lá embaixo, encontramos orcs, trolls e um minotauro. Foi um dos momentos mais tensos da minha vida. Mesmo George à frente, me protegendo, com seus habilidosos golpes com a katana, não me parecia o suficiente. O lugar era cheio de estalagmites, partes pegando fogo aqui e ali e objetos destruídos. Eu cheguei a matar um lobo que quase pegou um de nós. E logo notei o cenário em que eu me encontrava.
Agora, Jack aparecia um pouco atrás de George. Ao seu lado havia outra pessoa, um rapaz loiro, de penteado curto e faces cobertas por terra por ter caído sucessivas vezes para golpes de orcs. Ele usava um arco e algumas flechas. Quatro pessoas, junto de George, lutavam contra os vários inimigos aparecendo. George usava a katana com as duas mãos, sem dispor de um escudo, mas defendia bem os golpes de porretes, machados e espadas dos orcs e trolls.
[Jack] — Foi então que descemos uma escada branca e demos de cara com o próprio inferno. Uns sete minotauros apareceram, eram criaturas humanoides com a cabeça de um touro, e tinham uma cor rubra. Avançaram com machados e maças em mãos, desarmando dois de nós e os derrubando. George lutou com muito afinco naquele dia, sem dar intervalo aos seus golpes uma única vez. Ele sozinho conseguiu matar três dos minotauros, e decepar um chifre de outro. Eu matei dois, e ajudei a matar os outros. Naquele dia, George mostrou um poder estranho... Ele parecia que estava brilhando numa cor azulada, e aquilo era muito estranho. Mas quando tudo terminou, coletamos nossas recompensas e partimos para nunca mais voltar. Os quatro guerreiros da frente estavam machucados demais, enquanto George estava até bem.
A cena agora era de George lutando com muita rapidez contra três minotauros ao mesmo tempo. Ele atacava e ao mesmo tempo defendia, girava, pulava e chutava. Os outros guerreiros tentavam resistir aos golpes dos minotauros sem muito sucesso, usando de seus escudos. O arqueiro ao lado de Jack atirava bem, assim como o próprio. Isso foi crucial para vencer os monstros. No fim, eles conseguiram uma espada carlinídea, flechas comuns e envenenadas e uma vara de pescar. A espada ficou para o guerreiro mais valente antes de George, este chamado de Nordemun, e partiram sem muitos questionamentos até a saída da caverna, levando também muito ouro conseguido das criaturas, assim como armas.
[Jack] — E, bem, após aquela missão, George estava aprovado para sair de Rookgaard e deveria ir o quanto antes. Mas ele preferiu me levar até uma caverna incendiada para conseguir algo interessante. Havia ursos nela, que ele venceu sem esforço, e depois seguimos para a direita, onde, atrás de uma pequena lagoa, descobrimos um buraco e abrimos. Lá embaixo, passamos por campos de fogo, que queimavam os nossos pés, mas no final, conseguimos achar o corpo do dragão morto que algumas lendas de lá contavam, e consegui um capacete de legião e um escudo de cobre. Após isso, eu e ele podemos partir de Rookgaard, e fomos até uma pequena ilha, onde conseguimos equipamentos novos, nossas respectivas vocações – cavaleiro para George e paladino para mim – e fomos para Carlin, onde Acrios nos aguardava. Teria sido um dia maravilhoso se ele não tivesse nos dito que nossa mãe morreu de uma doença que ela contraiu em Venore.
Agora é mostrado George e Jack entrando na caverna, vencendo os ursos, desenterrando a caverna e passando por pisos cercados de fogo até alcançar o corpo do dragão e abri-lo, conseguindo um saco contendo os equipamentos. Após isso, são mostradas várias cenas no céu ao mesmo tempo dos feitos dos irmãos na Ilha do Destino até saírem de lá, equipados para seu futuro como tibianos e aventureiros. E então, é mostrado os dois em Carlin, sentados num sofá, completamente arrasados pela notícia que receberam.
Jack para de falar por algum tempo, fazendo o céu voltar a ficar azul. O anão reflete sobre tudo o que ouviu e viu, percebendo a forte relação que os dois tinham desde o inicio de suas vidas.
[Anão] — São muitas coisas que vocês viveram em tão poucos anos de vida. Mas vocês permaneceram juntos, de qualquer maneira, como bons irmãos.
[Jack] — Sim, mas não pra sempre. Houve uma época — Enquanto Jack falava, o céu começa a tomar a forma da memória. — Alguns meses após voltarmos de Rookgaard, onde treinamos muito com Acrios e não fomos liberados. Mas algo pior ainda ocorreu, quando eu fui mandado para a tutela de outra pessoa, a irmã de Acrios, Ari. George ficou muito revoltado com isso, pois não queria se separar de mim, mas foi necessário, pois o nosso tutor não conhecia tudo sobre os paladinos e estava tendo trabalho com nós dois no nível em que estávamos, que era mais alto do que o normal.
O céu mostra Ari, a irmã de Acrios. Ela era uma mulher jovem, possuindo vinte e três anos, mas muito habilidosa na arte do combate a distância, do qual ela dedicou toda a sua vida. Ela também possuía cabelos castanhos, algumas poucas sardas no rosto, olhos verdes, lábios carnudos, nariz fino e uma peculiar cicatriz no lado direito da boca, além de um buraco na orelha esquerda. Seu corpo era magro e esguio, além da mesma ser uma usuária de bestas. Ela levando Jack embora deixou George abismado e muito irritado, mas este foi contido por seu tutor.
[Jack] — Eu fiquei dos quinze até os vinte e quatro anos com ela, com George me visitando de vez em quando. Ele me empurrava até ela, tentando fazer que eu me relacionasse com ela, mas eu não queria. Ela era minha tutora, e eu não a via nada mais do que como minha mestra. Além disso, ela possuía um olhar distante e maduro, como se ela soubesse de mais coisas do que aparentava, e como se conhecesse a vida mais do que qualquer um. Fiquei triste ao deixá-la, mas fiquei feliz por voltar a andar com George, principalmente porque viajaríamos pelo mundo em seguida.
Agora o céu mostrava Jack passando por um treinamento intensivo com Ari, fazendo vários testes complicados, como ficar dias isolado numa ilha ou numa floresta , acertar alvos em alta velocidade, resistência colocada a prova com testes com fogo, entre outros. Ainda mostrava Jack envergonhado por causa de George e suas tentativas de juntar os dois. E por fim, sua despedida e inicio de suas aventuras pelo mundo.
[Jack] — George tinha começado a explorar o mundo com vinte e três anos, cinco anos antes de eu estar pronto. Ele lidou com o céu e o inferno, conheceu inúmeras terras novas, matou criaturas fortes, conseguiu armaduras e armas valiosas das quais ele passou a usar, entre muitas outras coisas. Ele até tinha conseguido uma namorada, mas ela morreu dois anos antes de eu estar livre por causa de uma invasão de orcs a Ab’Dendriel. Ele ficou tão furioso que foi sozinho a Rocha de Ulderek, o forte dos orcs de Tibia, e matou quase todos os orcs que estavam lá. Mas seus atos estranhos não param por ai: Um ano após o inicio de nossas viagens, Morgaroth apareceu em Goroma e nós fomos com um exército derrotá-lo.
O céu mostrava a maioria dos feitos de George, além da armadura que usava, a Armadura Dourada, em todos os feitos. Também mostra o homem lamentando a morte de sua amada e seu genocídio sob os orcs, e por fim, a incursão ao lar de Morgaroth.
[Jack] — Foi nosso ultimo grande feito. Lutamos lado a lado contra aquele arquidemônio, mesmo eu estando com medo. Mas a cada golpe bem sucedido de George e a cada demônio servo de Morgaroth caindo, minha motivação só aumentava. Foi a maior luta da minha vida, e não creio que terei algo parecido algum dia. Não posso descrever com exatidão tudo que aconteceu, pois é daí que minhas memórias começam a ficar emboladas e confusas. Mas sei que apenas quatro de nós sobreviveram, sendo eu, George e dois poderosos homens que eram nossos amigos, mas desapareceram anos depois. Ele ganhou a armadura do próprio Morgaroth e eu A Operária de Ferro** que passei a usar pelos anos seguintes. E é tudo que eu me lembro com clareza.
O céu mostra a voraz luta contra Morgaroth, onde George e outros guerreiros lutaram na linha de frente com o grandioso arquidemônio, usando sua armadura de cor vermelho-escuro e sua arma, o Martelo do Trovão, além das explosões negras. Após muitas cenas, aparece a criatura tombando pela espada de George, a Vingadora. A criatura desaparece em cinzas e um baú estranho e marrom surge, com a recompensa pela morte do mesmo, partilhada entre os quatro. E por fim, o céu cessa, ficando azul e com várias nuvens.
O anão fita Jack, olhando fundo nos seus olhos. Após algum tempo, ele abre um sorriso, e dá uma gargalhada. O paladino se incomoda um pouco com isso.
[Jack] — Por que você está rindo? Não acredita em mim?
[Anão] — Me desculpe, me desculpe. É que você, mesmo não se lembrando de tudo, conseguiu contar uma verdadeira história para mim. Uma história de vida. Irmãos lutando lado a lado até o fim. Agora sim eu entendo você, Jack Alarstake, e sua busca pela cura pro irmão. Eu me lembro de minha vida agora, e agradeço a você por isso.
[Jack] — Então... Dê-me ela!
O anão toma uma expressão séria.
[Anão] — Não posso.
[Jack] — Como não? — Berra o paladino, levantando-se e encarando-o com raiva e dúvida. Quando isso acontece, o céu se fecha e fica nublado. O anão fica ligeiramente preocupado.
[Anão] — Não posso pois não a tenho. Mas sei onde você pode achá-la. Inclusive, já o preparei para a sua busca enquanto estávamos aqui.
Jack fica com uma extrema dúvida do ocorrido, mas o anão apenas sorri.
~~**~~
[Jack] — ...E foi isso. O anão me prendeu dentro de uma dimensão paralela e enquanto seu eu espiritual me ouvia, ele me preparava, dando-me a roupa que estou usando, diminuindo meus poderes, aplicando inúmeros selos no meu corpo e arrumando minha nova bagagem.
A cabine fica em silêncio. Polos, mesmo com uma face estranha, é o primeiro a quebrar o momento.
[Polos] — Você contou boa parte da sua vida pra um anão que você nem conhecia?
[Jack] — Não exatamente. Eu o chamo de sábio, pois parecia que eu o conhecia há muitos, muitos anos. Além disso, ele selou meus poderes, que eram poderosos demais, além de ter me ensinado a controlá-los da forma que vocês viram e aquela magia estranha que eu usei pra salvar Watson. Eu sei outras, e todas elas vem dos selos que tenho no meu corpo. Ele me mostrou onde eu poderia achar o Cajado do Primeiro Pecador, as flores de Poméria e me explicou que a criatura da caverna era um grifo. Também me passou aquele pó que virou a espada que eu uso, e ainda possuo outro saquinho contendo o mesmo pó pra caso ela se quebre, e me ensinou a controlar meus poderes. Ele me preparou de verdade.
O silêncio veio novamente. Tudo parecia muito estranho e difícil de acreditar, mas Polos parecia entender. O silêncio fora quebrado novamente.
[Agatha] — Eu acredito em você. Há muitos relatos sobre este sábio e seu conhecimento sobre Tibia. De alguma forma, seu espírito correu até ele simplesmente por ele ser um sábio e que, nesse caso, ele poderia lhe ajudar. É o suficiente para mim.
Eles foram surpreendidos pela fala inesperada da moça, cuja voz era madura e forte. Polos olhava-a com os olhos um pouco arregalados, mas logo volta a pose, fitando Jack.
[Polos] — Bem... Se ela acredita, eu acredito. Esse sábio da montanha conhece muito sobre Tibia, de fato, e por isso ele não estranhou sua história. Está explicado para mim, Jack.
[Watson] — Para mim, não o bastante.
Jack levanta-se apenas para olhar para o primo.
[Jack] — Adoraria saber o porquê.
[Watson] — Não sei dizer. Acho que preciso conhecê-lo pessoalmente. Mas tudo bem, Jack, se foi o que aconteceu, então, tudo certo.
Jack assente e sorri, pondo a mão no ombro de Watson. Ele segue para fora da cabine, sem que os outros o questionassem. No entanto, o mago vai junto, e os dois vão até o capitão do navio, subindo uma escada logo ao lado da entrada para a cabine. Dali, eles fitam o mar escuro, em silêncio, aguardando pela chegada em Veneraten, para curar George e descobrir o que os Sete Implacáveis*** planejam e os parar.
Próximo: Capítulo 50 - Levante-se, morto
*: Tradução livre para Yalahari Leg Piece.
**: Tradução livre para The Ironworker.
***: Tradução livre para Ruthless Seven.
Obs: Gostaria de saber de vocês: Na próxima parte do livro, vocês gostariam das palavras em inglês traduzidas ou em inglês mesmo? Comentem aí, é importante.
Capítulo 50 - Levante-se, morto
Citação:
Postado originalmente por
Skirt Underdome
Vixi 49 capitulos bem que eu gostaria de ler tudo la de tras mas cade a disposicao? kia kia kia :fckthat:
Poxa rapaz, garanto que muita gente já conseguiu ler tudo até aqui. Então, você deveria tentar também. Vamos lá, você consegue.
Citação:
Postado originalmente por
Iridium
Saudações!
Aos poucos, retorno à Seção e ao fórum... Como já havia comentado contigo via Facebook, eu lamento pela mancada homérica de ficar tanto tempo sem comentar. Achei o capítulo lindo; poucos erros eu vi, mas nenhum deles tirou o brilho dos meus olhos enquanto li essa narrativa. Você às vezes tem muita dificuldade em ser profundo quando o assunto é emocional e psicológico dos personagens, sem envolver um confronto físico direito. Nesse capítulo, no entanto, devo dizer que você fez algo muito bonito e muito honesto; consegui, novamente, rever o amor de irmãos entre Jack e George, e isso faz com que toda a jornada e todos os perrengues por eles passados se tornem ainda mais emocionantes e épicos de se acompanhar.
A forma como você fez para criar a parte visual das descrições ficou primorosa e mágica em muitos bons sentidos; apesar de você ser um coreógrafo de lutas muito mais exímio, você tem conseguido cada vez mais se soltar em termos de emoções individuais. Seus personagens parecem cada vez mais humanos em face de suas proporções heroicas. Você, com um único capítulo, reacendeu as motivações de todos os personagens restantes para perseguir os Ruthless Seven e pará-los de vez. Eu considero que esse é mais um arco em sua história que se inicie e espero que você continue nesse bom caminho. Dessa quase meia década para cá, você evoluiu demais, Carlos. Eu te saúdo e espero ansiosamente pelo próximo Capítulo. Acho que, para nós dois, 49 deve ser uma espécie de número da sorte.
Abraço,
Iridium.
Belo comentário, Iri. Obrigado por tudo, e por todos os elogios. Fico realmente feliz em ler tudo isso e que meu trabalho neste capítulo tenha atingido as expectativas. Eu realmente queria tentar melhorar as relações dentre os dois, e mostrar que esses irmãos fariam tudo que pudessem um pelo outro. No homo.
Eu espero que futuramente eu consiga fazer a história ficar mais humana e menos mecânica como antes, e tornar os personagens mais interessantes, assim como o enredo. Se eu conseguir bater esse objetivo, creio que estarei pronto para começar a escrever meu livro pra valer. Espero que acompanhe esse progresso Iri, assim como tem acompanhado minha evolução nesses quatro anos como escritor.
Fique com o novo capítulo!
Bem pessoal, este, por enquanto, é o fim da linha. É o último capítulo da primeira parte deste livro, e fecha também o arco da busca pela cura de George para começar um novo. Quando eu iniciarei a segunda parte, aí eu já não sei dizer. Mas creio que seja ainda nesse ano.
Espero que gostem deste capítulo.
No capítulo anterior:
Jack explica o que passou com o anão sábio, onde ele falou para o próprio sobre sua história com George. Tendo explicado tudo para o grupo, eles estão preparados para chegar a Veneraten e curar George.
Capítulo 50 – Levante-se, morto
O branco preenche completamente o cenário. Flores totalmente brancas cobrem o chão, e o céu parece inexplicavelmente inexistente. Sentado numa cadeira de madeira e ornamentada, Jack olha para sua frente, sem saber o que faz ali. Tenta e tenta se lembrar, mas não consegue. Em seu momento de perdição, uma mão toca o seu ombro.
[???] — Eu espero que não tenha esquecido.
Jack abaixa a cabeça. O que ele queria dizer? O que todos desejam dizer para ele do qual ele nunca se lembra?
A figura misteriosa aproxima-se mais e consequentemente aumenta o peso de sua mão em seu ombro.
[???] — Eu espero que você não tenha esquecido... Do demônio que você é.
Jack instantaneamente se levanta da cadeira e olha para trás, mas nada vê. Olha para os lados, procurando aquele ser, mas tudo que consegue é um calafrio subindo a sua espinha.
[???] — Você pode escapar, negar, espernear sua existência, mas não conseguirá. — Disse. Jack olha para trás, e vê ele mesmo, mas com o cabelo em cor escarlate e dezenas de veias grossas e vermelhas pelo seu rosto. Seu casaco vermelho está podre e despedaçado, mas ainda podia ser usado, e sua armadura está quebrada em vários locais. — Não importe o quanto tente, nunca deixará de ser... Um caído.
[Jack] —O quê...? O que está dizendo? Quem é você?
O ser avança contra Jack e coloca seus braços sobre seus ombros, o levando até a cadeira ornamentada. Com um sorriso psicótico no rosto e olhos arregalados, o suposto Jack fita profundamente os olhos do verdadeiro, o assustando e o marcando. Enquanto isso, as flores ao seu redor começavam a ficar vermelhas, assim como o céu.
[???] — Jack! Jack ALARSTAKE! Salvará seu irmão, o seu mundo e este mundo, mas conseguirá salvar a si mesmo? Conseguirá se salvar do caminho da perdição? Não! Pois nenhum demônio escapa de sua existência e do que ele realmente é! Lembre-se, Jack! Lembre-se do caído que você é!
Um soco atinge o seu rosto. Tudo fica escuro.
~*~
Jack salta da cadeira em que estava sentado e por pouco não cai no chão. Está no Adaga D’Água, sentado numa cadeira do escritório do capitão. Aparentemente, estava muito ansioso para chegar a Veneraten, mas acabou caindo no sono. Olhando para os lados enquanto coçava os olhos, encontra Polos em sua cadeira, logo atrás da mesa do escritório.
[Polos] — Ei... Tudo bem contigo?
[Jack] — Sim. Chegamos?
[Polos] — Praticamente já. O porto tá perto, então decidi sentar aqui e te chamar na hora certa. Mas você parecia estar tendo um sono ruim...
[Jack] — Não se preocupe. Não é nada. Vamos lá.
Jack levanta-se da cadeira, vai até a porta e a abre. Ele vê os vários marujos trabalhando para o navio chegar ao porto, aos gritos do capitão. Ele encontra Watson na mureta da esquerda, e decide ir até ele. Polos vem logo atrás, acompanhado de Agatha. Nenhum dos dois sabia de onde ela surgiu. Aos postos e em silêncio, eles observam o navio tomando a trajetória correta para aportar no porto.
Pelo menos dez minutos se passam até o navio finalmente chegar. Jack e Watson estavam a ponto de matar alguém de tanta ansiedade, e ao lançar da âncora e ao destravamento da portinhola da mureta por Polos, sendo a mesma lançada contra o piso de madeira clara, a dupla já anda rapidamente para fora do navio, sem nem mesmo se despedir do capitão ou dos marujos. Polos percebe a pressa e apenas se despede ao longe, acenando, e rapidamente os segue.
Eles param só fora do porto. Olhando para os lados, Watson parece tentar lembrar-se do caminho.
[Watson] — Certo. A casa do druida é por aqui. — Disse, determinado. Jack se apressa e lança uma magia de velocidade para segui-lo, assim como o mago. O bárbaro e a assassina também, mas o método de Agatha era diferente; Ela precisava se ferir para conseguir usar a magia que queria, logo, ela pega uma faca e faz uma ferida no dedo, e começa a correr em alta velocidade.
Finalmente, eles chegam até a casa do druida, ao sul da cidade. Jack bate na porta, mas Watson parecia não querer esperar e tenta abrir, surpreendentemente com sucesso. O grupo entra, e o mago começa a chamá-lo, mas não recebe resposta. Todos procuram pela casa por sinais do druida, mas descobrem que ele não está lá, tampouco George. Watson chega no quarto e encontra as três camas vazias e arrumadas.
[Watson] — Merda... Merda! — Disse, socando a parede acima da cama onde George deveria estar — Pra onde ele o levou?! E por quê?
[Jack] — Não era para ele estar aqui?
[Watson] — Lógico que era! Mas... Não está! Não acredito...
O grupo agora está na sala, sentado num dos sofás, exceto Agatha, que está de pé ao lado de Polos, cujo se encontra na extremidade direita.
[Polos] — O que faremos? — Indaga, desanimado.
[Jack] — Temos que procurar por informações desse druida. De alguém que o conheça. Senão...
[Watson] — Essa cidade deve ser cheia de druidas. E aquele nem parecia ser o nome verdadeiro dele.
[Polos] — É, amigo... Estamos fudidos.
Neste momento, alguém começa a tentar abrir a porta com uma chave. Os três se levantam e se posicionam para combate: Jack puxa sua espada ebúrnea*, Polos pega seu grande machado duplo do seu lado do sofá e Watson pega sua foice encostada no sofá e rodeia-se de chamas roxas. Agatha fica atrás, apenas observando. A pessoa nota que a porta já está aberta e trancou sem querer, então a destranca e finalmente abre. Quando vai para dentro, dá de cara com os três quase correndo como animais a sua direção, mas eles hesitam ao ver quem era: Uma criança com aproximadamente seis ou sete anos, usando um vestido branco de alças. A mesma solta um grito um pouco abafado de susto e cai no chão.
As expressões do trio se divergem. Polos mostra um rosto surpreendido, como se tivesse feito algo sem querer e se dado conta do que fez; Jack esboça surpresa, enquanto Watson esboça estranheza.
[Watson] — Uma criança?
[Polos] — O druida é... Uma criança?
[Jack] — Não, eu conheço ela! — Disse, guardando sua espada e saindo da posição — Abaixem as armas!
Polos desfaz a posição e coloca o machado nas costas, enquanto as chamas de Watson se extinguem e ele volta a uma posição normal, deixando sua foice em guarda. Jack aproxima-se devagar da menina, como se não quisesse assustá-la.
[Jack] — Ei, Luna! Lembra de mim? Sou eu, Jack!
Luna fica hesitante por alguns instantes, mas então ela lembra do mesmo: O desafiante da Torre Negra que venceu e destruiu ela, libertando a menina. Ela abre um grande sorriso ao reconhecê-lo e se levanta.
[Luna] — Jack! — Grita, avançando até o rapaz e o abraçando. Ela solta-se alguns momentos depois — Eu vim até aqui para deixar uma mensagem para vocês, caso chegassem e não achassem o tio Gor!
[Jack] — Tio Gor?
[Luna] — Sim, é como eu o chamo, pois seu nome é difícil de falar! Mas já que estão todos aqui, venham comigo!
Luna começa a correr, e o grupo segue-a. Em sua corrida, eles desviam de várias pessoas, quase esbarram em outras e tomam os caminhos mais fáceis. Estavam tão apressados em salvar George que não se importavam com nada ao seu redor; Nem mesmo notaram alguns assaltos ocorrendo nos cantos e becos da cidade.
Eles chegam no templo. O edifício possui três blocos largos de concreto, um em cima do outro, sendo o da base o maior, e os de cima os menores. No topo, estava uma estátua que representava Lezario, vestido de um grande casaco cobrindo seu corpo, com uma máscara curiosa no rosto e uma esfera flutuando em sua mão; Provavelmente era Sensaton. Ela era feita de mármore, enquanto os blocos eram completamente cobertos por vegetação, vinhas e cipós. No bloco base, havia um portão aberto dando acesso ao templo, do qual eles entraram apressadamente.
Dentro de lá, os pisos eram em xadrez, sendo pretos e brancos. Havia uma estátua grande de mármore no centro, dentro dela havia uma abertura do tamanho de uma porta, dando a uma escadaria para o andar inferior. Eles não pararam para reparar em mais nada lá dentro, apenas seguiram andando rapidamente para baixo. Uma vez lá, notam uma porta a cada quatro direções, como uma encruzilhada. Luna segue para a do norte, e eles a seguem. Abrindo-a, eles notam uma conversa descontraída entre várias pessoas, inclusive o próprio druida contava algo totalmente despreocupado. Eles vão entrando e ouvindo.
[Druida] — ...E o animal saiu pulando, que nem um retardado. Mas aí é que pergunto pra vocês: O cara era um animal pelo que ele fez ou só um retardado? Pra mim é os dois, pois esse mundo é insano, sério. — Disse humorado, enquanto os vários sacerdotes dentro da sala, sentados em dois sofás, cada um de um lado, encontram-se rindo com a fala dele.
Watson toma a frente do grupo e encara a todos, com cara de poucos amigos. Os sacerdotes se calam, dando noção da situação para o druida, que olha para trás e vê o grupo. Surpreso, ele se levanta e vai até o mago cumprimentá-lo.
[Druida] — Watson! Voltou são e salvo, e, ao que parece, com tudo que precisamos! — Disse, estendendo a mão para cumprimentá-lo, mas Watson continuou imóvel e o encarando. Percebendo o caso, ele afasta a mão.
[Watson] — Por que saiu da casa? E levando George, sem nem mesmo me comunicar?
[Druida] — Mas eu tentei me comunicar com vocês ontem! Usando o orbe que dei ao Lokan! Falando nisso, onde ele está?
A firmeza do olhar mal encarado de Watson cai levemente, mas ele se mantém em silêncio, assim como o grupo. Jack decide se aproximar e explicar no lugar.
[Jack] — Ele foi para um lugar melhor.
O druida o olhou com estranheza. Não só por não o conhecer, mas também por sentir algo estranho nele. Mas, no fundo, seu verdadeiro eu, Banor, reconhece o rapaz. Era seu filho caído que ganhou uma segunda chance. ”Então ele sobreviveu a manifestação e a personificação da corrupção e está aqui, de pé, sob controle de seu próprio poder.” Pensa Banor, enquanto fita o seu filho. ”Os dois são verdadeiros prodígios. Preciso me manter aqui e ajudá-los, só assim pararei Urgith.”
[Druida] — Ora, que pena... Deve estar bem nos Jardins de Lezario. Bem, quem seria você?
[Jack] — Meu nome é Jack. Jack Alarstake, irmão de George.
O sobrenome descoberta a curiosidade de alguns sacerdotes, inclusive do líder. Ele se levanta e se aproxima do grupo a passos lentos, analisando-os melhor.
[Druida] — Bem, sou Gormelegne. Lembrei do meu nome, viu, Watson? Não é ótimo? — Disse, olhando para Watson, mas ele não responde.
[Líder] — Peço meu sincero perdão pelo inconveniente. A ideia foi minha, pois assim como eu senti algo muito ruim dentro da casa de Gormelegne, também senti outras coisas ruins rondando a cidade e provavelmente buscando o rapaz, por isso pedi para que George fosse trazido para o templo. Meu nome é Danielle, líder dos sacerdotes e guardiã do templo, prazer em conhecê-los. — Disse a mulher de cabelos morenos, aparecendo ao lado de Gormelegne e cumprimentando Jack com um aperto de mãos, assim como Watson, que não recusou, e a dupla logo atrás.
[Jack] — Ficamos agradecidos.
[Danielle] — George precisa ser curado logo. Sinto que ele está lutando com unhas e dentes para voltar a ficar consciente, mas está começando a perder. Do jeito que está este mundo, é prioridade curá-lo para enfrentar o inimigo. Vocês possuem tudo?
Jack mostra o grande amuleto da bruxa no seu pescoço, enquanto Watson pega a foice nas costas e mostra o saco cheio de pomérias.
[Danielle] — Ótimo. Então, sigam-me, George está naquele quarto.
[Gormelegne] — Momento! Você trouxe uma foice, Watson, e não um cajado. Pensei ter sido claro no pedido.
[Watson] — Wadzar combinou a Espada de Fusia com o cajado e gerou essa foice.
Danielle arregala os olhos, enquanto os sacerdotes olham, inquietos.
[Danielle] — Então você tem uma arma de Lezario em suas mãos... Assim como George tem a Espada de Lezario. As chances do ritual dar certo agora são noventa e nove por cento! Vamos!
O grupo segue para dentro da porta na parede a frente deles, e ao abri-la, veem George deitado imóvel numa cama, com os olhos abertos e vazios, vestido de uma calça vermelha e uma camisa branca, enquanto a janela do quarto está semiaberta, deixando pouca luz entrar no quarto. O grupo chega primeiro, enquanto os sacerdotes vão para os cantos e trazem os objetos necessários para conduzir o ritual.
[Gormelegne] — Vamos, senhores! Baldes, água, bacia, vamos! É pra ontem!
Os sacerdotes, que trajavam mantos que cobriam seus corpos, cujos tinham tons de madeira com verde, apressam-se para fazer os preparativos. Eles trazem dois baldes cheios de água e colocam o conteúdo na bacia, deixam num balcão próximo e recolhem o saco com pomérias de Watson, colocando num pilão, jogando um pouco de água quente e esmagando-as. Elas se misturam com a água e deixam-na com uma tonalidade branca, parecida com leite. Os sacerdotes fazem isso com várias flores, levando-as a bacia, que não era tão grande, e tornando sua água cada vez mais branca.
Quando elas acabam, notam que a água não está perfeita ainda. Aquilo preocupa a todos.
[Jack] — E agora?
Danielle repara no amuleto em seu pescoço, e pede para ele. Ao pegá-lo, nota um pequeno feitiço o selando.
[Danielle] — A bruxa era poderosa, principalmente com maldições e selos, mas bloquear objetos assim não parecia ser a especialidade dela.
A líder apenas emite um brilho com suas mãos e destranca o amuleto, revelando bastante do líquido das pomérias. Admirados com a habilidade dela, dão caminho para ela espalhar todo o líquido na bacia, cuja água agora estava perfeitamente branca. Ela dá o objeto para um sacerdote próximo, que o guarda. Ela se levanta e fita Watson com seus olhos esverdeados, como se exigisse algo. Ele dá a ela a foice, e ela afunda a lâmina da arma na água da bacia.
[Danielle] — Esperemos um minuto. Enquanto isso, levantem George e segurem-no sentado.
George é levantado pelos sacerdotes, inclusive por Gorlemegne, enquanto a foice recebia a essência da poméria. Watson é chamado para perto da bacia, logo atrás de George.
[Danielle] — O portador da foice deve fazer este processo. Pegue a foice quando lhe for pedido.
Watson assentiu e aguarda o momento certo. A sala é tomada pela ansiedade, mas ninguém imagina que é Gorlemegne, ou Banor, o mais ansioso dali. A sala parece ter tremido levemente quando Danielle disse para retirar a foice da água, e lentamente Watson o fez.
[Danielle] — Levantem a camisa de George por trás. — Disse, e assim os sacerdotes o fizeram. — Agora, Watson, pegue a foice e leve a de encontro nessa região — Disse, colocando a mão na região dita, que parecia ser a direção do coração dele — E dessa forma, perfure-a.
A ideia perturba um pouco Watson, mas ele confia nela, assim como Jack também. Assim, Watson coloca a ponta da foice na região, entre os dedos de Danielle, e ela os retira devagar. De forma surpreendente, a foice perfura a carne de George e vai mais e mais fundo, mas quando eles percebem, não havia nenhum buraco ali, tampouco uma gota de sangue. É como se a foice fosse falsa, mas ela entrava perfeitamente lá. Danielle diz para diminuir o ritmo, e em alguns segundos, ela pede para parar.
[Danielle] — É a hora. Toque o coração dele, Watson, e você tocará e destruirá a maldição.
A sala fica em um silêncio mortal. Watson assente e mexe com a maior cautela possível a foice para frente, sentindo algo o parando lá dentro. Então, eles ouvem um altíssimo som semelhante a uma gota tocando a água, e subitamente, George começa a gritar. O grito é poderoso, como se fosse uma espécie de berro de dor de alguma criatura maligna. O som é ensurdecedor, fazendo alguns dos presentes ali taparem os ouvidos.
[Danielle] — Watson! — Grita, para o mago, chamando-lhe a atenção — Puxe a foice para fora! Rápido!
Watson não questiona e rapidamente puxa a foice, mas com dificuldade. É como se algo pesado estivesse ali dentro, lutando para não sair. É tanta a dificuldade que Watson se incendeia em chamas roxas para ter a força suficiente, conseguindo finalmente puxar o espírito ali dentro, algo etéreo e sem corpo físico, negro e estranho. Era como se bastante fumaça de um incenso tivesse se juntado e formado um corpo negro.
Watson ergue-o para cima, enquanto George para de gritar e seus olhos se fecham. O espírito agora está ali, urrando de dor e desespero e lutando para sair.
[Danielle] — DESTRUAM A MALDIÇÃO!
Gorlemegne deita George, liberando os sacerdotes que o carregavam, para que assim todos ficassem reunidos. E, em uníssono, uma esfera dourada é disparada da mão de cada um dos dez sacerdotes ali, atingindo o espírito e fazendo-o desaparecer. Watson coloca a foice em guarda. Está acabado.
24 de Maio de 1400, 13:10
Um dia se passou. George ainda está desacordado, e Danielle e Jack ficaram no quarto este tempo inteiro, vendo se ele finalmente desperta de seu devaneio sombrio.
[Jack] — Ele... Acordará?
Danielle fita o rosto de George, que já não estava mais pálido e parece mais saudável. Ela se levanta, olhando rapidamente para Jack, e então, voltando o olhar para o guerreiro, de forma sombria. Passando a mão pelo rosto do rapaz, ela parece convencida de que tudo dará certo e afasta a mão.
[Danielle] — Levante-se, morto.
George abre os olhos.
Próximo: A Nova Era - Parte II.
E aqui marco o fim da primeira parte do livro I de O Mundo Perdido. Depois de quatro anos, finalmente cheguei neste ponto. Não sei quanto tempo mais demorará para terminar definitivamente este livro, mas espero que não demore muito mais. :)
Até logo, pessoal.