Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
Bom, vamos ao capítulo.

Não há muito o que acrescentar. Ok, p*tas revelações, Senzo aparecendo maluco querendo o Nuito( provavelmente foi a figura sombria que brincou com o nosso biólogo). Ember firme e forte com o Nuito, e incrivelmente, você não matou nenhum dos dois, lol. Matou uma vila inteira no lugar, mas o que é uma vila perto desse casal que daria inveja até no Ratinho

No mais, estou MUITO ansioso pelo que vai ocorrer. Provavelmente os dois morrerão, mas deixarão um p*ta legado que permitirá certas pessoas, no futuro, combater o Akanancore... E a Irmandade.

E na boa, mal vejo a hora de voltar pro presente. Não que esteja ruim o passado do Senzo, muito longe disso( foi a personagem na qual você mais trabalhou e encaixou o passado e background). Mas simplesmente eu quero ver a mente por trás de tudo, que aproveitou-se do Akanancore...

Sério, te conhecendo, vou tomar um verdadeiro Mindblast em breve.

EDIT

O próximo capítulo tem o nome da história. Naun faz içu comigo não, nem JoJo nem One Punch Man conseguem criar tanto hype assim.
Opa Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


Cara, não matei a Ember pois não vi necessidade, juro mesmo. Todas as mortes até então tiveram um motivo e elas influenciaram diretamente na história e nos personagens. Por exemplo, a morte de Borges tornou Dartaul mais maduro e sério, a da Zoe (Que nem chegou a ser uma morte mesmo, futuramente vou explicar o que aconteceu com ela) também chocou o time todo e os desanimou mais, já que né, é a Zoe. Eu queria poder ilustrá-la, ela foi criada pra ser aquele tipo de pessoa que você olha quando tá frustrado e toda a sua frustração vai embora, só de ver ela sendo ela mesma. Enfim, todas as mortes tiveram algum sentido nessa história, logo, nem só de mortes vive sr. carlos.

Há diversas coisas a se explicar sobre como esse poder caiu nas mãos da Irmandade, mas já estamos chegando lá; Logo as explicações serão postas na mesa. Acredito que depois do 32 já chegaremos no presente de novo, para dar resumo a história. E provavelmente te dar um mindblast, mesmo. Ao menos, é o que eu espero.


Agradeço a presença frequente, Botas.

Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
Missão dada é missão cumprida, parceiro.

Concordo em partes com a opinião do @Senhor das Botas. Com um quê de apreensão, estava aguardando pela morte de Ember no decorrer do capítulo, e acho engraçado que tenha não somente poupado o personagem, como tenha decidido criar tanta destruição neste capítulo. Esses flashbacks são interessantes pra qualquer história, também. Já disse isso em outras oportunidades, mas não custa reforçar: o personagem de Senzo é peculiar, e até agradável, mesmo que seja meio mal educado. Me lembra um pouco de Leonard, se quer saber.

Pegando o gancho no comentário do colega: causa-me certa apreensão o fato de que o próximo capítulo tenha o nome da história. Espero que você não seja um vacilão de encerrá-la agora, sob pena de ter seu rosto desfigurado. Não me importa onde você mora. Eu farei esse deslocamento.

No mais, Carlos, peço perdão pela ausência constante. Se pá que você percebeu os problemas recentes que enfrentei aqui, mas isso fica no passado. Aproveitei a oportunidade pra colocar em dia a leitura de Bloodtrip e não me arrependi; os últimos episódios foram cintilantes, e gosto muito dessa viagem para trás e para frente na história. Não deixa de ser um primor, como sempre foi.

Um abraço!
Grande Neal, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


Mas e aí, vocês pensam que eu só mato meus personagens a toa? Como eu disse pro Botas, todas as mortes tem sentido, e mesmo que eu ache interessante me comportar como um Martin da vida de vez em quando, não posso ser assim o tempo todo, até porque não escrevo nada semelhante a um Game of Thrones. Mas, como eu disse, é interessante me comportar como ele, então se não matei nenhum deles agora, não significa que eles não vão se fuder gostoso no futuro, né?

Sobre o título desse capítulo, não é nada tão grandioso assim. Conforme o capítulo avança, vocês vão entender a escolha desse título.

E sim, percebi os problemas e já comentei sobre lá na sua história. Novamente, cuidado na próxima.


E agradeço a presença, Neal!













Esse capítulo servirá para finalmente entendermos melhor a Irmandade. Esse primeiro aqui é meio grande, mas o próximo será bem maior, com o objetivo de conseguir chegar logo no presente. Estive planejando a sequência de Bloodtrip há tempos e estou ansioso para começar a escrevê-la logo. Planejei inúmeras coisas boas que espero que vocês gostem! Por enquanto, vamos continuar desvendando o passado de Senzo.





No capítulo anterior:
Nuito encontra Ember e explica o que o levou para Edron e o que estava acontecendo com aquele lugar infectado, mas sem querer acaba revelando que foi ele que infectou aquele lugar com o Akonancore que Senzo lhe deu no passado. Ember ia se preparar para deixá-lo para sempre, quando Senzo surge e tenta atrair ambos para seu plano insano. Sem sucesso, ele tenta matá-los, mas ambos fogem para Stonehome, onde encontram todos os aldeões mortos.






Capítulo 32 – Re: Bloodtrip
Parte 1






Não há lugar em Edron para alguém que cometeu crimes contra a segurança da ilha. Por isso, Nuito e Ember foram para Cormaya.

Uma ilha pequena, mas nem um pouco pacata; Assim era o lar dos anões, que possivelmente vieram do continente principal, sendo descendentes de uma das famílias da época de Durin. Trabalhando ativamente nas minas do sul, a aldeia na ponta do norte serve mais como um local para os anões dormirem e se alimentarem, já que eles não possuíam tantas noções de higiene, e consideravam as minas os seus lares. Dessa forma, as tardes naquele lugar eram tranquilas o suficiente para Nuito se concentrar.

Os dois conseguiram uma casa razoável, no oeste da aldeia, onde não há tantos anões. Ainda assim, Ember ocupa suas tardes vigiando acima do telhado qualquer atividade suspeita. Isso porque ela não consegue ficar muito tempo dentro de uma habitação, devido aos seus instintos élficos que buscam liberdade a todo custo; e aos seus instintos femininos, que sentem constrangimento quando ela pensa em ficar sobre o mesmo teto que Nuito.

Bobagens a parte, Nuito concentrou-se na sua pesquisa sobre o peixe Alterorganis que encontrou no lago do terreno Musenki. O peixe negro possui também um sangue negro, e de forma chocante, ele notou que o peixe possuía escamas feitas do próprio sangue, e que o resto do corpo era formado pelo seu próprio sangue endurecido de alguma forma pelo lago. O peixe parece estar lá há menos de um ano, alimentando-se de larvas, afastado dos outros e da luz. Ele não parecia ser rápido, mas não havia necessidade para ser, já que ele vivia em um lago. Além disso, mesmo que ele tenha sido criado dentro do Musenki em pouquíssimo tempo, seus órgãos são bem desenvolvidos. Ele parece ter nascido de outro peixe, porém, algum que por algum milagre não foi atingido pela maldição do Akonancore.

Nuito passou seis meses fazendo testes com seus órgãos ou ao menos tentando reproduzir o que o peixe fez para transformar seu sangue em sua pele e escamas. Seu objetivo era criar uma mistura que tivesse uma leitura semelhante a um Alteroganis artificial, algo totalmente oposto a um Akonancore. E que conseguisse espalhar suas células pelo elemento oposto, com o objetivo de destruí-lo. Ele só conseguiu um resultado satisfatório após esses exatos seis meses.

No fim, lá estava, na sua frente, uma caixa contendo vários blocos diferentes com um líquido misturado a um líquido que ele recolheu de uma lula mutante do Musenki, que mais parecia um polvo. O líquido é absolutamente escuro. Nada que ele tentou misturar, sendo água ou tinta, conseguiu mudar a cor. Simplesmente o fazia aumentar sua massa.

É quase como o Nancore, mas a única coisa que aquilo faz é destruir o Nancore.

Ember está ao seu lado, impressionada. A caixa de madeira pintada de azul e branco parece ter um objetivo claro.

— Eu irei levar isso para um lugar bem frio. E sei de alguém que pode me ajudar com isso.
— Planeja congelar o que criou?
— É. Deixarei ela lá por um ano. É minha melhor previsão para que todos os blocos com o líquido Alterorganis sejam congelados com sucesso.
— E se não congelar?

A expressão de Nuito muda um pouco por um tempo.

— Vai congelar, não se preocupe. O lugar que levarei é bem frio.
— Certo... E quem irá levar?
— Uma amiga minha que está em Edron.

As palavras “Edron” e “amiga” incomodam Ember, quase trazendo calafrios para ela.

— Eu irei com você. E não adianta protestar.
— Tudo bem. Estava esperando te chamar, de qualquer maneira.

A elfa fica mais tranquila ao ouvir isso.


~*~


Nuito e Ember entram disfarçados em Edron. Nuito mais parece um mercante gordo e moribundo e Ember parece exatamente o que deve parecer: Um guarda-costas. Está usando uma armadura para paladinos e um capacete de aço, bem como um arco diferente nas costas, e lutando tanto para se acostumar tanto com aquela armadura quanto com o fato de que ela precisa parecer um homem. Um mudo, por sinal.

O disfarce recebeu ajuda de alguns anões de Cormaya para ser realizado, inclusive a barriga parece perfeitamente real, bem como a aparência gorda dele.

A dupla entra na Academia Noodles de Magia de Edron, já que é o ponto de encontro deles. Ember leva a caixa com os blocos – só para piorar sua situação. E enquanto avançam pelas pontes das torres de mármore brancas, esforçando-se em seus papéis, observam diversos magos diferentes andando aqui e ali, eventualmente pousando seus olhares nos dois. Mas Ember não responde a nenhum dos olhares, e Nuito parece perfeitamente normal, eventualmente cumprimentando as pessoas que passam por ele, tentando ser mais simpático do que costuma ser.

Ao chegarem ao seu destino, a torre central, notam um mago iniciante, um possível aspirante a bibliotecário, conversando com uma mulher mais velha, que já parece estar na casa dos quarenta anos. O rapaz de cabelos negros tem três livros debaixo do braço e usa um longo robe azul claro com losangos cinza próximo do pescoço e nos braços. A mulher está com um vestido branco, com um grosso cinto vermelho. Usa um chapéu pontudo de mago de cor roxa, com alguns rubis presos nele, e seus cabelos são negros como os do rapaz.

Ao notar Nuito aproximando-se com o desconhecido guarda-costas logo atrás, ela cessa a conversa e coloca sua atenção nos dois.

— Bem vindos. Precisam de alguma coisa?

Nuito prepara-se para a voz mais ridícula que usará na sua vida.

— Negócios com a Academia, madame. Gostaria de conversar a sós, já que é a mestra desta associação, presumo? — Responde Nuito, com uma voz mais parecida com a de alguém inchado, com um forte sotaque darashiano.
— Ora, entendo. Imagino que trouxe algo do nosso interesse. — Disse a moça, virando-se para o rapaz ao seu lado e pondo a mão em seu ombro — Wyrdin, poderia vir mais tarde? Isso me manterá ocupada por algum tempo.
— Se assim quiser, senhora. Tenham uma boa tarde!
— Igualmente.

O jovem Wyrdin sai de cena alegremente, indo para a ponte branca à direita. Aquela parece ter sido uma das únicas vezes que a mulher o tocou, o que o deixou bem feliz.

De volta aos assuntos principais, a mulher fita Nuito sabendo perfeitamente de quem se trata. Mas não consegue identificar o guarda-costas.

— Sigam-me.

Os três se dirigem até a escada de mármore que leva ao andar superior, onde se localiza a biblioteca do mestre da Academia. Ember demora um pouco para subir devido ao peso da armadura e da caixa. Ao chegar lá, ela deixa a caixa sobre a mesa do centro da sala e fica próxima dela, fitando com olhos ativos Nuito e a tal mestra da Academia.

— Você realmente merece meus parabéns por vir com um disfarce mágico de baixo nível para a Academia e ainda conseguir enganar todos que passaram por você.
— E como anda, Morgana? — Pergunta Nuito, com um sorriso.
— Com os pés. Mas se pergunta se estou bem, sim, estou.

Morgana aproxima-se da caixa que fora trazida por Nuito, na tentativa de tentar identificar a figura que está com ele, mas sem sucesso.

— Então era isso que você queria que eu cuidasse?
— Sim. Ou melhor, é o que eu quero que você leve para Svargrond. Pro lugar mais frio que você souber de lá.
— Eu?
— É uma das poucas pessoas que confio agora, Morgana. Sei que tem as habilidades para isso.
— De fato, tenho. Exceto a paciência de enfrentar o frio daquele lugar.
— Pense, Morgana. Isso lhe livrará dos problemas e denuncias a respeito do-
— Eu sei, eu sei. Se quer que eu leve pessoalmente, eu levarei. Mas tem certeza que conseguirá o que precisa a tempo?
— O que quer dizer?
— Como você ficou um bom tempo afastado da civilização, irei te informar das novidades: Edron esteve movendo tropas para um acampamento ao lado do que você nomeou como “Musenki”. Há generais e capitães do regimento Steelsoul e aventureiros nesse acampamento, tibianos de todos os níveis, interessados nas centenas de criaturas que estão andando por aquela região. Aparentemente, desde que Senzo chegou lá, quase todo o noroeste de Edron foi consumido pela maldição do Akonancore. Ouso dizer que há milhares de criaturas naquele lugar, não só na superfície, como também nas cavernas ao redor, e dentro das colinas e montes da região.

Nuito põe a mão no rosto, incrédulo.

— Será questão de tempo até eles começarem a invadir aquele lugar e irem atrás de Senzo, não importa quantas criaturas estiverem na frente deles. Mas, claro, Senzo também está movendo suas peças. Há urros sendo ouvidos do subterrâneo o tempo inteiro e a terra parece se mover todas as noites. O formato da terra ficou tão agressivo que até as árvores estão saindo do lugar e começando a andar sobre a terra maculada, com bocas gigantes nos troncos e milhares de insetos e vermes entre o que eram as suas folhas, provavelmente com doenças. Já tem inúmeros soldados sendo trazidos para Edron com doenças que nunca vimos antes.
— Então a situação atual é essa?
— É, meu caro Nuito. O que fará? Esperará um ano ou fará o possível para congelar em pouco tempo essa mistura que criou?
— É impossível congelar ela com magia! O processo precisa ser natural!
— Aria Ahrabaal virá para cá em dois meses.

Nuito engole em seco.

— Eu... Não tenho opções... — Balbucia Nuito, lutando contra a pressão e a ansiedade — Só eu posso salvar meu amigo. Eu tenho o necessário para pará-lo. Precisam deixar isso para mim!
— Acontece que ninguém irá esperar a boa vontade da sua coisa congelar, Nuito Resgakr. É isso que precisa entender.
— Morgana, se for preciso, eu mesmo paro Aria. Ela irá entender.

Morgana respira fundo.

— Tudo bem, não irei mais argumentar contigo a respeito. Levarei o Alterorganis do Akonancore para Helheim, a ilha mais gelada de Svargrond. Em um ano, recolherei eu mesma e deixarei na sua casa em Cormaya. Enquanto isso, mexa suas peças para evitar que Senzo seja morto.
— Muito obrigado, Morgana. De verdade.
— Irá me agradecer quando eu mesmo convencer Aria a deixar a minha ilha. Pode ser que os magos pensem que o apocalipse começou quando nós duas começarmos a discutir, mas não será nada parecido. — Disse, sorrindo e dando alguns leves tapas no braço direito de Nuito.
— Então estou indo. Até a próxima, Morgana.
— Fique bem, Nuito Resgakr. A Academia pode não estar de braços abertos para você, mas eu estou. Mas sem segundas intenções.

Nuito ri e vai embora do andar. O guarda-costas segue ele, ainda sem falar uma palavra sequer. Apenas quando ele vira de costas para seguir o falso mercante que ela finalmente reconhece quem está seguindo ele.

Guarda nenhum teria um bumbum tão redondo e feminino.



~*~



A terra maculada pelo Akonancore recebe seu quarto contingente de soldados edronianos em um mês. Senzo e seus Inexpressivos e Ordinários derrotam eles em pouco tempo. Os inúmeros besouros e mariposas enormes que caçam carne humana também ajudaram bastante, mesmo que Senzo fosse capaz de cuidar sozinho com seus poderes de criação e sua Célula de Ferro que agora reforça inteiramente seu braço esquerdo.

Há vinte Inexpressivos próximos dele e cinquenta Ordinários cercando os arredores. De cima de um monte, acompanhada de inúmeras mariposas, e usando correntes feitas de carne que ajudam a proteger seus braços e pernas, Miraya observa os movimentos das fronteiras. Desde que absorveu o Akonancore, ela focou em melhorar sua visão, com o objetivo de dar suporte ao seu marido. Suas habilidades físicas melhoraram, mas ela não é tão experiente com combates ainda.

Ela salta de cima do monte e pousa com o auxilio das mariposas gigantes, com corpos carmesins, mas asas brancas e extremamente pálidas. Para ao lado de Senzo, que observa os inúmeros corpos ao seu redor. Mas antes que ele começasse a se incomodar, bocas monstruosas surgem do chão e tragam os corpos para dentro de sua imensidão, limpando a terra para seu mestre e deus. Ele sorri, satisfeito.

— É uma pena que vidas que viveram tantas histórias, tiveram tantos sentimentos e ideias, que tanto lutaram e se esforçaram, tenham esse fim deplorável. — Disse Miraya, melancólica.
— Elas automaticamente se tornam vazias quando obedecem a comandantes covardes. — Responde Senzo, sem alterar sua expressão. — Além disso, eu lhes dei o mesmo fim que teriam em circunstâncias comuns. Enterrados debaixo da terra, devorados por ela a cada ano, até não sobrar mais nada de sua carne e dos seus ossos.
— Isso foi profundo.

Senzo não tem tempo para elogios. Um Ordinário começou a lutar com alguém próximo de um amontoado de pedras que lembram apenas órgãos atualmente. Ele lança sua Célula de Ferro adiante, na direção da luta, e acerta aquele que tentou atacar sua criação. Ele o traz até a sua frente sem esforço, levando nada mais do que alguns segundos.

Na sua frente, está um jovem, de talvez vinte anos. Um Cavaleiro, usando uma cota de malha escura com bordas laranja, assim como a calça. Usa um Machado Nobre como arma, e está sem capacete, o que revela seu rosto aterrorizado. Seus cabelos são ruivos e não há nada que se destaque no seu rosto, que parece normal para um edroniano.

— Por favor, não me mate! E-Eu não tinha a intenção de vir matar você ou qualquer uma de suas criações! Me escute, por favor!

Senzo parecia estar mais ouvindo grunhidos de dor de um porco que não foi abatido corretamente. Entretanto, para a sorte do rapaz, Miraya parece ter tido sua atenção atraída. Seu marido cria uma lança com uma ponta bem afiada para matá-lo e a joga direto para o peito do cavaleiro, mas uma mariposa gigante surge na frente e leva o golpe no lugar dele.

— Ora ora, Senzo. Parece que você matou uma das minhas queridas. Isso certamente terá volta.
— ...Mas o que diabo você está fazendo?
— Pense. Com mais jovens como esse do nosso lado, contendo Akonancore em seus corpos, formaremos nosso próprio reino. Teremos gente mais que o suficiente para tomar essa ilha inteira. Nosso sonho será concluído com mais rapidez. Poucos serão os que conseguirão fazer frente contra nós.

Por um momento, parece realmente uma boa ideia. O Akonancore que ele possui é exagerado. Há muito escondido nas profundezas de Edron, e bastante no norte de Darashia, embora a terra não tenha sido maculada ainda, e estes reservas podem ser usados. Isso inclusive traz de volta a memória de ver vários navios lotados de minotauros atacando o vilarejo no norte de Darashia, o que obrigou ambos a correrem, pois, na condição em que estavam, jamais montariam defesas rápido o suficiente para conter as criaturas, que já se apossaram do lugar, e transformaram-no em ruínas.

Isso lembra perfeitamente de como seres vivos são. A sobrevivência sempre será seu maior objetivo, sua diretriz. Frente a perigos que consigam lhes dirigir ao fim de suas vidas, eles lutam para continuarem vivos, não importa em quem tenham que pisar para tal. Mas Senzo não era assim. Ao invés de sua diretriz ser sua sobrevivência, ela era cumprir seu objetivo. Não importava em quem tivesse que pisar para tal.

E vendo que aquele jovem não era daquele jeito, e que eventualmente poderia desertar, trair, ou até mesmo revelar aos inimigos a sua fraqueza, apenas para continuar vivo e não ser morto pelos inimigos por algo que ele praticamente não entende, Senzo percebe que a ideia é boa apenas por um momento.

O chão se abre, acompanhado dos numerosos dentes afiados, que devoram o pobre jovem cavaleiro. Este, que se vai berrando aos prantos, mostra a Miraya que Senzo não tinha a intenção de ter amigos ao seu lado. Afinal, os únicos que ele tinha o traíram. Quem mais entenderia seus planos senão ele mesmo e sua esposa, aquela que o entendia desde o começo? Eles estavam sozinhos. Mas, ainda assim, isso não deixa de ser atraente.

O céu está escurecendo a cada dia que se passa. Os desafios para que seu sonho se realize estão apenas começando.



No porto de Edron, Aria Ahrabaal acaba de chegar num navio especial, cuja madeira fora pintada com cores semelhantes ao azul e as velas com algo parecido com verde. Junto a ela, cinquenta magos thaianos e venorianos a seguem.

Não tão longe do portão principal para dentro da cidade, Morgana, junto de cento e vinte magos edronianos, aguarda para dar as boas vindas. E, com alguma sorte, firmar um acordo.






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