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Tópico: Bloodtrip

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    Padrão Capítulo 23 - Negado

    Spoiler: Respostas aos Comentários




    Botei os comentários num Spoiler de novo. Parabéns aos envolvidos. E eu acho é pouco.



    Agradeço por todo o apoio do pessoal. Estou continuando a história mesmo com meus deveres de jornalista. Espero que não surta nenhum efeito negativo nela.

    E se tudo correr nos conformes, falta 10 capítulos (sem contar partes) pra terminar a história. Então, daqui em diante, a história só ficará mais interessante.


    Espero que gostem!




    No capítulo anterior:
    No flashbeck de Suzio, ele e seu grupo entram no trono de Infernatil, e passam sem grandes problemas; porém, algo parece dar errado no trono, um sino começa a tocar no fundo e demônios novos entram na sala para atacar os aventureiros. Todos eles são mortos exceto Suzio. Os únicos vivos ali eram ele e um demônio, que é salvo pelo rapaz. O demônio, então, leva-o para outra dimensão usando poderes desconhecidos, explica sua história, como o inferno é e dá uma proposta ao mago. Ele aceita, firmando um pacto com Varmuda.




    Capítulo 23 – Negado




    Fafnar sumiu no horizonte e a noite veio sombria e penetrante. Após alguma indagação enquanto andavam pelo comércio local, Trevor e Alayen, assim como Dartaul, que chegara há pouco tempo no alto da colina do distrito, decidiram partir para o Arsenal de Ratos.

    Ao entrarem, pegam o elevador para ir para o andar dos documentos. A estrutura daquela torre é estranha; a parte da entrada só possui a prisão e o elevador que vai para os outros andares, e nos outros andares, há escadarias que levam para outros cantos da torre, inclusive a sala das plataformas, onde o trio dirige-se. Ao chegarem, não veem ninguém na sala dos documentos, que estava estranhamente arrumada. E a sala também está arrumada. Sem corpos, sem sangue, nem rastros de queimado. Tudo limpo.

    Notam passos numa plataforma acima, e estes são de Nightcrawler. Parece ter ficado ocupado nas últimas horas.

    — Nightcrawler... — Disse Dartaul, adiantando-se — Parece que não deixei você nas melhores condições, não é? Eu peç-
    — Cala a boca e vá preparar suas coisas. Temos que sair de Yalahar. Eu tenho um plano.

    Novamente Dartaul se impressiona com a sua frieza, mas concorda. Afinal, ele próprio adotou um pouco dela também.


    ~*~


    Ao saírem do Quarteirão 04, notam que a cidade está bastante turbulenta. No entanto, a atividade é militar. As pessoas parecem já ter sido mandadas para as suas casas, uma vez que é mais seguro que ficar nas ruas após o que aconteceu. A Irmandade também pode ter atacado durante esse meio tempo. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu, até porque o responsável por aquilo tudo ainda está indo para o palácio do governador.

    Nightcrawler e os outros se esgueiram pelas ruelas e esquinas da cidade para chegar até o palácio. A atividade militar na cidade está imensa. Se os lagartos de Zao tentassem atacar Yalahar de novo, conseguiriam, já que não há soldados no distrito com acesso mais rápido à cidade. Mas o fato de que vários assassinos de vermelho estão escondidos na cidade para matar pessoas e usar o coração delas para rituais parece ser bem mais assustador, mesmo para o evoluído e pensador povo yalahari.

    O palácio está próximo. O trio vê o banco e o ferreiro ao longe. O ciclope que acompanhava o anão na loja está do lado de fora, morto e estirado no chão. Até seu martelo fora roubado. Há lixo pelas ruas e sangue.

    Finalmente, no palácio, eles veem o que já esperavam: Dezenas de soldados ao redor da construção, armados com escudos dourados e lanças, justamente para conter qualquer avanço. Os soldados usam capacetes com máscaras douradas e armaduras e calças brancas com linhas e traços de cor de ouro. Todos parecem atentos a qualquer coisa que venha a acontecer.

    — E aí, já planejou como vamos passar ou não esperava por isso também? — Questiona Alayen, inquieto.
    — Lógico que já. Até parece que não me conhece, moleque.
    — Então vamos logo! O que temos que fazer?
    — Fica tranquilo. Já providenciei.

    Uma dúzia de explosões em sequência cercam Yalahar e assustam os soldados. Eles correm para saber o que aconteceu e se há feridos. No fim, grande parte deles foi embora, deixando a entrada livre.

    — Como você fez aquilo? — Pergunta Trevor, perplexo.
    — Contatos.
    — Desse mundo? — Pergunta Dartaul, de forma provocativa. O homem ignora.
    — Certo. Alayen, sabe o que fazer.
    — Aham... Que chatice.

    Nightcrawler se lança em direção da entrada, correndo o mais rápido que pode. Os outros o acompanham no susto, ficando um pouco pra trás, e Alayen toma o caminho contrário, indo em direção de outro distrito. Eles passam pela recepção, onde não há ninguém, e vão até o pátio, do outro lado. Também não veem ninguém, apesar da bagunça. Ainda há lixo por todo o chão, sapatos, bolsas, carteiras, chapéus, rastros de queimado e sangue. As amuradas são iluminadas por tochas e os cantos do térreo por archotes. Eles andam a passos lentos por ali.

    — Não me conformo que essa merda de plano não deu certo. — Comenta Nightcrawler, olhando para os lados com frustração. — Estive planejando ele há anos. Não foi fácil.
    — Devia ter feito num lugar menos movimentado, como te sugeri. Fazer isso no meio do dia do governador seria uma loucura sem precedentes. E foi. — Disse Trevor.
    — Meh. De qualquer maneira, se a Irmandade não conseguiu chegar até aqui, significa que os malucos que eu prendi estão lá ainda. Devemos ir.
    — Ainda não entendi direito porque estamos fugindo direto para a toca do lobo. Pode me explicar de novo, Nightcrawler? — Questiona Dartaul, com os braços cruzados.
    — Se nos verem, nos levarão para a cadeia. O exército não é conectado ao governador, é independente. É uma decisão tomada pelo próprio Conselho Militar há mais de cinquenta anos. Ir direto para os governantes não nos dará cadeia, mas sim questionamentos que terminarão com um simples pedido de desculpas e uma passagem pra casa.
    — Não acha que a culpa de estarmos assim é sua?
    — Claro que acho. Mas iremos resolver isso.

    Holofotes ofuscam a visão do grupo. Quando conseguem olhar de novo, percebem que estão cercados por dezenas de inquisidores thaianos, que estão em cima das amuradas. Duas figuras aproximam-se do centro, sendo uma vestida como um nobre yalahari, vestindo um culote branco, um casaco branco com oito botões dourados com apenas um desabotoado e usando uma faixa amarela no braço direito, contendo um símbolo semelhante ao rosto de Yalahari em preto e branco, além de uma capa amarela. Ao lado, uma mulher, com um chapéu negro, um casaco pequeno que vai até alguns centímetros abaixo do busto e uma blusa, de cores igualmente negras. Um ministro e uma inquisidora.

    Os inquisidores apontam suas arbalests* na direção do trio. Eles não esboçam reação; já esperavam isso.

    — Ora, ora. Se o coelhinho não foi direto pra arapuca. — Disse o ministro, com as mãos na cintura.
    — Não sei o que pensa que está fazendo, mas não sou um criminoso.
    — HÁ! Você realmente disse isso? Que nunca cometeu um crime sequer?
    — É inegável que eu tenha cometido. Mas-
    — Exato! E você cometeu um hoje! Ou melhor, já tem mais de anos desde o inicio desse crime! Manipulou toda a classe política yalahari para que acreditassem que seu plano daria certo! Pelos antigos, quem em sã consciência pensaria em colocar quase metade da população de Yalahar no meio do fogo cruzado como você fez?!
    — Não seja estúpido. Tudo estava planejado. Cada uma das armas foi projetada de forma a acertar apenas seres manipulando sangue. E foi o que aconteceu. Senão, me diga quantas baixas de civis tivemos hoje.
    — 137 baixas.

    Nightcrawler parece surpreso.

    — De onde tirou esse número?
    — Das guarnições que mandaram o número para cá, e aparentemente ele cresce a cada hora que passa! Pessoas pisoteadas, assassinadas, atingidas no fogo cruzado fora do palácio, ataques de fúria! Tudo que você pode imaginar aconteceu hoje e foi graças a você e ao seu plano mal feito!

    O detetive não responde. O buraco que ele sentia estar presente no seu plano era esse.

    — Mostrou-se ineficiente no final então, Nightcrawler. Como esperado. — Disse a inquisidora, com um sorriso maldoso.
    — Magalea... — Murmura Nightcrawler, com ódio visível.
    — Não adianta se fazer de cãozinho raivoso. Sabe do que fez. E vai parar, pois você, Nightcrawler, está preso por ser o cérebro por trás do caso da “Arapuca de Yalahar”.

    Os guardas que vigiavam a entrada antes voltaram, e mostraram seu retorno batendo seus escudos no chão. Como voltaram tão rápido? Pensa o detetive.

    — Além disso, irá passar seus últimos dias na prisão sozinho. Não terá companheiros para compartilhar suas dores.
    — Irá livrar os dois?
    — Não é necessário.

    Trevor desembainha sua espada e Dartaul tira sua kukri de dentro do casaco, e ambos apontam para o pescoço do detetive. Ele se assusta com essa atitude.

    — Desculpe, Crawler. — Disse Trevor, com o olhar baixo.
    — Traidores do caralho!

    Magalea gargalha. As mãos do detetive estão cerradas. Sua expressão é de ódio, apesar da máscara sorridente.

    — Ir contra um inquisidor, para um militar thaiano, é suicídio! Todos eles sabem que os inquisidores tem informações de cada soldado ou perito do reino, e se algum deles foder com a gente, podemos ir atrás deles ou de quem for próximo deles pra acertar as contas. E ainda são expurgados pelo templo do reino. Parece ruim, não? E eles não querem isso. Por isso você está vendo essa cena neste exato momento.

    Nightcrawler abaixa a cabeça. Ainda não sabe como irá fugir sem usar coisas desnecessárias.

    — Você é o rei das fugas, mascarado. A Irmandade jamais te pegou. Mas isso porque eles não conhecem sua personalidade. Sua arrogância. Sua confiança no governador o levou a essa situação. Veja onde você está agora. No fim, meros humanos tiraram sua liberdade! E este é o final de qualquer indivíduo heroico demais. Ele sempre tem o fim mais humilhante.

    Ou faz parecer que não sabe.

    — A corte de Yalahar irá te julgar e te executar. Mas antes, faremos questão de tirar essa máscara e ver como seu rosto é. Sempre tive curiosidade em saber o que tem atrás dessa máscara de teatro barata.
    — Vai continuar sem saber.

    Nightcrawler dá um passo pra trás e puxa o braço de Dartaul para o lado direito, em seguida conseguindo envolver seu pescoço com seu braço esquerdo. Na mão direita, está uma faca. Tudo isso foi feito em menos de um segundo, sem que Trevor ou os inquisidores conseguissem reagir a tempo.

    Os olhos do detetive escurecem aos poucos. A expressão de Dartaul é de medo.

    — Sabe por que não saberá o que está atrás dessa máscara? Pois eu sou Nightcrawler! Não existe alguém por trás dela, existe uma personalidade mesquinha, arrogante e orgulhosa, mas plenamente capaz de virar o mundo de cabeça pra baixo pra conseguir o que quer!

    Um braço etéreo e transparente, de cor alaranjada, vai até Trevor, agarra-o e puxa pra trás, jogando ele no chão. O braço transforma-se numa lâmina bastante afiada, assustando não só o capitão como também os inquisidores. Magalea olha para aquilo sem entender, assim como o ministro.

    —Entenda, sua vadia desgraçada. Não há nada capaz de me capturar nesse mundo. O próprio demônio me garantiu que eu jamais seria capturado. E assim será!

    Uma explosão cerca o trio. Algum tempo depois, os guardas do lado de fora vão verificar, mas não havia mais ninguém ali.

    — Pelos Yalahari! O que aconteceu aqui? — Grita o ministro, crendo que Magalea soubesse de algo.
    — Não sei de nada, Sr. Yaredal. — Disse ela, ajeitando o chapéu — Mas de algo eu sei: Nightcrawler agora é um alvo oficial da Inquisição Thaiana. Ele fugiu pra algum lugar, precisamos ir atrás.
    — Certo, então peça para os seus soldados fecharem o porto principal e o Arsenal dos Ratos! Impeça que alguém entre ou saia de lá e mande os inquisidores invadirem em seguida!
    — Considere feito. Ele não vai escapar de Yalahar!



    ~*~



    Nightcrawler observa o mar a partir de um navio. Ainda é noite, e está longe de amanhecer. Atrás dele, está o porto do Quarteirão de Comércio, onde há um navio ancorado do outro lado.

    O capitão Harlow está próximo do mastro, aguardando as coisas do detetive serem trazidas para o navio. Dartaul, Trevor, Alayen e Lucius ajudam os marujos.

    — Mais uma vez você faz outro plano arriscado. Agora você definitivamente não pode mais pisar em Thais. — Disse Lucius, levando uma caixa marrom com ele. Ele a deixa no convés e volta para ouvir o detetive.
    — Mas deu certo, no fim. Contento-me com a perca do meu esconderijo aqui, mas não faz diferença. Nunca vão conseguir entrar nele, e também não é uma opção derrubá-lo. Vai ficar lá até que eu consiga voltar algum dia.
    — Então você acredita que voltará aqui quando destruir a Irmandade?

    Nightcrawler demora mais para responder. Parece pensar mais sobre a sua resposta.

    — Bem, já me disseram que a esperança é a última que morre. Mas no caso, a minha esperança já morreu. Apenas a loucura e a insanidade restam. E é por isso que estamos indo para Carlin, e depois para Thais.
    — É, você disse que achou o corpo da rainha. Isso vai ser turbulento, ainda mais que a nova rainha foi coroada tem duas semanas. Uma das três herdeiras dela, a mais próxima de Carlin, que vivia em Ab’Dendriel. Seria até bom se você a conhecesse, quem sabe você não justificaria seus atos a tempo. — Disse Lucius, parando perto do mastro. Parece que Dartaul e Trevor terminaram.
    — Também espero que você baixe mais a bola na próxima. Quase quebra minha armadura, retardado. — Comenta Trevor, cruzando os braços.
    — É, mas o plano deu certo. Agora, só nos resta partir e ver o que fazer. Espero que aqueles dois membros consigam se matar.

    Lucius vai até a saída do mastro e puxa a pequena ponte de volta para a mureta. Nightcrawler fita-o com desdém.

    — Desejo sorte, Crawler. Espero que consiga, ao menos, voltar. Caso seja louco o bastante.
    — Pode apostar que voltarei. E tomaremos uma juntos, como nos velhos tempos.
    — É isso aí. Até mais, parceiro.

    Harlow e os seis marujos que estavam no convés preparam o navio para a viagem. Puxam a ancora, içam as velas e atentam-se ao vento. O capitão toma o mastro. E as preocupações tomam o grupo. Conforme o navio se afasta do porto, Suzio sente um aperto em seu peito. Não sente que está fazendo a coisa certa, apesar de tudo. Apenas sente que está fugindo, como sempre sentiu.

    A embarcação afasta-se de Yalahar. O aperto torna-se uma preocupação. Realmente, algo está errado para o detetive. Algo naquela situação. Na forma de como saíram. Eles enganaram os inquisidores e os militares, de fato, mas parece que não enganaram todo mundo.

    Algo está errado no navio. Duas movimentações estranhas são sentidas embaixo de seus pés.

    — Merda.







    Próximo: Capítulo 24 – Decadência



    Notas:

    *: Decidi manter a versão em inglês pois não tem uma tradução correta pro português que fale exatamente do que se trata a arma.

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    Última edição por CarlosLendario; 19-05-2017 às 17:12.



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  2. #2
    Avatar de Neal Caffrey
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    Padrão

    Capítulo de mão cheia, uma vez mais. Sem entrar no mérito sobre a gramática, que evoluiu muito com relação ao último episódio, este foi um capítulo que considero caprichoso.

    Citação Postado originalmente por Trecho
    Harlow e os seis marujos que estavam no convés preparam o navio para a viagem. Puxam a ancora, içam as velas e atentam-se ao vento. O capitão toma o mastro. E as preocupações tomam o grupo. Conforme o navio se afasta do porto, Suzio sente um aperto em seu peito. Não sente que está fazendo a coisa certa, apesar de tudo. Apenas sente que está fugindo, como sempre sentiu.
    Vantagem e ponto na narrativa, uma vez mais, Carlos. Esse é o seu primor, e creio que você deva explorar ainda mais esse aspecto das suas histórias. Ainda que os diálogos sejam inteligentes e envolventes, sua narrativa continua sendo o aspecto mais interessante dentre as suas muitas habilidades. Vou sugerir uma vez mais que você encoraje a circunstância nos próximos capítulos e em todos os demais que você puder.

    Em tempo: seu modo de escrita me lembra muito o de Victora Aveyard, que escreveu A Rainha Vermelha e suas continuações. E, por favor, tome isso como um absoluto elogio; Aveyard é primorosa em tudo que faz, e o envolvimento dos seus temas é muito semelhante ao que ela própria cria.

    Conte comigo, continuamente.

    Abraços!
    Jason Walker e o Retorno do Príncipe
    Sexta história da série de Jason Walker e contando. Quem sabe não serão dez?

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