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Tópico: Bloodtrip

Visão do Encadeamento

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    Padrão Capítulo 12 - Estrada de Incertezas

    Spoiler: Respostas aos Comentários



    E outra vez colocando as respostas num spoiler. Parabéns aos envolvidos.




    Bom, trago-lhes mais um capítulo, e devo avisar que os próximos - 13 e 14 - já estão ficando prontos. Sim, to me adiantando demais, mas eu estou muito focado nessa história e quero finalizá-la o quanto antes. Ainda tem outra, meu carro-chefe na seção, O Mundo Perdido, que está há muito tempo parada e nem pude remasterizar os capítulos dela ainda. Deixei isso pra depois que eu terminar essa daqui.

    Por fim pessoal, pergunto a vocês: Querem mais um capítulo essa semana? Querem o capítulo 13 sendo postado antes de domingo? Digam nos comentários!



    No capítulo anterior:
    Nightcrawler lembra-se de um caso do seu passado envolvendo um sequestro e um final inesperado e chocante. Neste período, ele ainda empregava sua mente genial para um estado e alguns chefes, mas já sentia vontade de se afastar de tudo isso.



    Capítulo 12 – Estrada de Incertezas




    Suon não estava muito distante do meio do céu escuro quando Alayen saiu do Quarteirão de Comércio e foi para a Cidade Interna*.

    Ele observa a vista de cima da muralha, a frente do portão de bronze que separa as duas regiões. Então, desce as escadas e segue para o Depósito, por onde passa, visando chegar na taverna das proximidades. Provavelmente, sua intenção é se juntar a Borges, mesmo que o próprio talvez já estivesse bêbado.

    Ao chegar lá, ele nota várias pessoas nas muitas mesas do local. Ignorando-as por não ver nenhum homem grande dentre elas, ele vai ao balcão, onde o encontra com sua jaqueta negra no ombro. Há seis lugares, três da esquerda ocupados, no terceiro está Borges. Alayen se junta a ele, onde surpreendentemente percebe que o homem ainda se encontra sóbrio.

    — Ora, ora. Tá desanimado, homem? — Indaga Alayen, observando-o apenas com um copo de madeira de tamanho mediano com cerveja. O olhar de Borges era distante até notar o rapaz ao seu lado.
    — Ah... É, estou. Desde que entrei aqui pensei que esse lugar não tinha muita cerveja e veja só, não tem. Só um barril grandinho. — Responde Borges, apontando com a cabeça para um barril numa das três prateleiras atrás do balcão. Há muitos tipos de bebidas neles, mas não havia cerveja.
    — Tsc.
    — E nem é a pior coisa daqui. Já notou quem está servindo?
    — Bom, não me surpreendo. Até porque eu já vivi em Yalahar.

    Servindo uma bebida peculiar para um elfo na ponta do balcão, o ser vai até Alayen para saber o que ele queria. É incrivelmente baixinho, por isso há muitas mesas juntas atrás do balcão onde a criatura anda para que ele alcance os clientes.

    Um dworc.

    — Olá, senhor! — Começa a criaturinha com uma voz aguda, cruzando os braços — O que vai querer?

    O dworc possui uma máscara de caveira, seu cabelo é preso num osso e possui uma tanga, deixando o resto exposto.

    — Só cerveja, por enquanto. Soube que o estoque está limitado, então será mais caro?
    — Será o mesmo preço de sempre. Três moedas de ouro por copo.
    — Entendo... Você vende algo mais?
    — Vinho, hidromel, rum, vodca, uísque. Preparo algumas bebidas também.
    — Só cerveja mesmo.

    Borges estranha todo o diálogo, não achando natural de um dworc ser tão educado e direto. O mais estranho para ele é olhar para as mesas e notar outros seis dworcs servindo as pessoas, sendo estes fêmeas, usando tangas e sutiãs de madeira, além de possuírem um penteado de rabo de cavalo. São gentis e nada selvagens, também conseguem compreender a linguagem humana. Elas entram por uma porta para dentro da taverna para pegar outras bebidas e preparar as comidas.

    Um copo de cerveja cheio foi dado para Alayen, que se adianta e começa a beber. Borges fica de braços cruzados sobre o balcão, pensando. O mago espadachim parece notar certa preocupação no semblante do homem.

    — Preocupado sobre seu subordinado ou essa Irmandade já te perturbou bastante?
    — Os dois. — Disse Borges, um pouco rouco — Eu não esperava que Dartaul fizesse aquilo, tampouco que aquele sujeito lobisomem reagiria daquela maneira. Na verdade, ele provavelmente estava tão surpreso quanto a gente.
    — Pois é... Aquelas habilidades de faca são incomuns para um investigador como ele. Ele já contou algo parecido?
    — Creio que ele falava sobre treinar com facas na época que viveu com o pai. Disse também que já passou por Rookgaard e lá aprendeu a usar lanças, mas ele evita falar sobre esse lugar. Até porque quando ele veio pra Thais, ele desistiu de ser um paladino logo depois que ganhou a benção.
    — Que hilário. — Comenta Alayen, tomando um grande gole do copo — Bem, provavelmente alguma merda aconteceu quando ele esteve em Rookgaard. Isso costuma acontecer bastante. Aquela ilha é uma maluquice.
    — Bem, você já tava dando o fora de lá quando ele chegou, não é?
    — Talvez. Eu tenho vinte e sete anos. Os novatos geralmente ficam uns quatro anos lá, pelo menos foi assim comigo.
    — Dartaul saiu em dois anos de lá.

    Alayen fita-o, surpreso.

    — Mesmo que ele não tenha demorado lá, ele não se orgulha disso e não gosta de falar sobre. Até entendo, tem certas coisas que nem mesmo eu gosto de falar, mas essa de Rookgaard... Parece um tabu pra ele.
    — Cara, se isso for verdade, Dartaul é insanamente habilidoso. E mesmo sabendo disso, ele decidiu se tornar um investigador?
    — Pois é. — Disse Borges, tomando outro gole da sua bebida — Não preciso nem falar no que senti quando vi aquele imbecil tacando facas pra lá e pra cá, juntando as mãos e fazendo prece pra Deus eliminar o mal.
    — Acha que ele continuará lutando contra a Irmandade mesmo depois daquilo?
    — Tenho certeza. Depois que aquele moleque puxa uma arma, usa e acerta, ele começa a ficar bem irritante, falando coisas sobre justiça e bondade. Quero ver se o mascaradinho vai aguentar a chatice dele.
    — Todo paladino que se preze fala sobre justiça e bondade. E falando sobre o Nightcrawler — Levanta o braço e vê seu relógio, notando que já são dez horas da noite — Vamos voltar. Outro dia o estoque de cerveja daqui vai estar cheio e aí sim você fode a sua conta bancária.
    — Pode crer. — Disse Borges, dando uma risada e terminando de beber seu copo. Ele coloca vinte e quatro moedas de ouro sobre a mesa, enquanto Alayen coloca apenas três moedas e termina seu copo, deixando-o sobre a mesa e acompanhando o investigador até seu destino.


    ~*~


    Thais. Uma casa no sudeste da cidade está sobre a vigia de dois soldados do lado de fora, e outros três dentro dela, jogando cartas na sala. Num dos quartos, está Trevor, com uma túnica verde comum e lendo um livro. Está cheio de bandagens nos braços e nas mãos, assim como no rosto, parte dela por cima de seus cabelos negros e baixos, mas muitos locais estão melhores e logo ele estará pronto para a ação de novo.

    Alguém se aproxima da casa. Usa uma armadura semelhante a dos guardas thaianos, mas possui uma faixa vermelha no braço direito com quatro estrelas de bronze: É um general. Os soldados o saúdam com uma reverência e deixam que ele entre na casa. Ele dispensa saudações dos outros homens na sala e dirige-se rapidamente para o quarto onde está Trevor.

    Ao chegar lá, o rapaz rapidamente nota sua aproximação, apesar de estar concentrado no livro. Ele não saúda seu superior, pois o próprio mostra em seu olhar que não deseja isso.

    — Trevor Van Aknimathas. Tenente de Guarda, um dos principais guerreiros da 1º Guarnição Thaiana. Estou certo?
    — Sim, senhor. — Responde o tenente, com uma voz um pouco rouca, porém, forte.
    — Estou admirado com o seu serviço aos nossos cidadãos e seu compromisso com Sua Majestade, o Rei Tibianus II. Enfrentou seis membros da famigerada Irmandade do Caminho de Sangue sozinho para proteger os cidadãos e seus próprios companheiros, quase morreu no processo, mas está aí, inteiro, vivo e reforçando seu conhecimento. É raro ver soldados gastando seu tempo lendo livros.
    — Ah... É um que eu gosto bastante. Conta sobre a guerra entre os Macacos de Banuta e os Baixos Lagartos** de Chor. Certamente o senhor gostaria de ler.
    — Dispenso. Hoje vim pessoalmente lhe comunicar que você agora é um Capitão de Guarda, pulando um cargo anterior a este, de Sargento. Preciso de você para uma missão importante e esse cargo requer este posto. E, é claro, é o que você merece pelo seu admirável serviço.

    Trevor, antes com uma cara levemente desanimada, agora parece mais animado. Ele sorri com a notícia e fecha o livro, colocando-o ao seu lado.

    — Muito obrigado, Sr. Bloodblade.
    — Me chame de Harkath deste dia em diante, Trevor. Serei rápido quanto a sua missão.


    ~*~


    Alayen, Borges, Dartaul e Nightcrawler se encontram no Arsenal dos Ratos, na sala das celas especiais, mesmo lugar onde pegaram os armamentos para enfrentar Canino. Eles observam Aika, que permanece dormindo desde que chegou.

    — Afinal, o que vai acontecer com ela? — Questiona Borges, olhando com certo desinteresse para a jaula.
    — A manterei presa por um mês. Durante esse período eu vou observar o que ela vai fazer. Vocês podem ajudar, também.
    — Vai ficar entocado por um mês? — Indaga Alayen, cruzando os braços.
    — Lógico que não. Conversarei com alguns contatos e prepararei minha própria defesa em Yalahar. Preciso aproveitar enquanto a cidade está livre deles, pois não há como chegarem rapidamente aqui. Também irei pesquisar sobre algumas coisas que apareceram no nosso caminho durante esse período, como o que podem fazer nos locais onde eles cometeram seus massacres e principalmente o que o pulsante fará com a garota. — Disse Nightcrawler, suspirando. — Bem, vou resolver umas coisas aqui dentro, lembrem-se que os quartos estão lá no terceiro andar. Escolham o que quiserem, botem umas plaquinhas com seus nomes na porta e durmam.

    Nightcrawler vira-se e vai embora até a porta que leva a sala dos documentos, onde está o elevador, desaparecendo rapidamente. O trio fica de novo ali, sozinho.

    — Vou lá também. Usarei as escadas, então, até mais. — Disse Alayen, dirigindo-se as escadarias e subindo-as rapidamente.

    Borges observa Dartaul. O rapaz parece distante olhando para a garota dentro da cela, com um olhar relativamente triste. Parece mais calmo do que antes, quando lutou contra Canino.

    — Dartaul...
    — Sim?

    Borges fica em silencio por alguns instantes. Então, cruza os braços e faz uma careta.

    — Mas que porra foi aquela que você fez lá atrás? Enfrentar um membro de uma seita poderosa daquele jeito, sozinho? Estava sobre o efeito de alguma droga? Além disso, você próprio não falou pra mim que não faria mais essas coisas?

    Dartaul fica cabisbaixo. Seu olhar mostra que ele não sabe como responder.

    — Não adianta ficar tristinho não! Está traindo seus princípios? Quebrando o que prometeu a sua mãe?

    Dartaul permanece do mesmo jeito por alguns instantes. Entretanto, não por muito tempo. Quando ele levanta sua cabeça novamente, seu olhar é sério e sombrio.

    — Estou. — Sibila Dartaul, fitando friamente os olhos de Borges — E eu não darei a mínima pro que você falar.

    Borges para por alguns instantes, um tanto assustado com a reação do rapaz. Entretanto, ele volta a si, acertando um tapa no rosto do jovem. Ele leva a mão ao rosto, devido a dor.

    — E eu não darei a mínima se você se fuder depois. Mas antes disso, eu vou te parar, te dar quantos tapas for preciso e te acordar pra realidade e pro que você decidiu seguir pouco depois de entrar na Guarnição. Não desista, Dartaul. Estamos só começando, não é hora de agir feito um herói. Seja o Dartaul de sempre, certo?

    Dartaul abaixa a mão e seu olhar fica triste novamente. Entretanto, ele concorda com a cabeça, apesar de tudo.

    — Agora, vamos lá. Soube pelo Alayen que tem uma cozinha no segundo andar. Vamos ver o que tem de bom?
    — Claro. Espero que tenha umas carnes boas lá.
    — É! Espero que tenha mesmo, vou fazer um belo cozido à lá Suzano!

    Dartaul ri e eles sobem as escadas. A terceira plataforma os levaria para uma outra escada para o andar de entrada, onde há uma prisão. Este é o ponto de partida para os andares de cima, e é onde Alayen está.

    Subindo as escadas, ele passa perto da luz e nota algo na sua mão esquerda. Algumas pequenas bolhas vermelhas, parecidas com sangue, parecem estourar uma a uma em seu indicador. Rapidamente elas somem no ar, deixando um rastro parecido com pó, e todos aqueles sinais vermelhos em suas mãos desaparecem também. O mago olha com estranheza para aquilo, enquanto uma dúvida martela sua mente.

    O que um pulsante faz?




    Próximo: Capítulo 13 – Uma Estranha na Casa


    Notas:

    * Tradução livre para Inner City.
    ** Tradução livre para Low Lizards.

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    Última edição por CarlosLendario; 20-01-2017 às 17:42.



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