Citação Postado originalmente por Iridium Ver Post
Saudações!

Como o @Manteiga e o @Edge Fencer disseram o que eu comentaria sobre o capítulo 11, devo dizer que ele me deixou mais contente: Nightcrawler é um personagem que eu gosto muito (Lea x Nightcrawler <3 brinks n vou shippar chares), e foi bacana finalmente ver mais sobre o passado dele (principalmente pq tem Julius e Palimuth no meio. Onde tem Julius e Palimuth, é sucesso sempre). AMEI a descrição do bar de Yalahar (morrendo de rir com as Dworcs) e estou curiosa com o passado do Dartaul: que promessa? E ainda quero ver o que o pulsante faz: e não apenas uma resposta exaltada de Nightcrawler sobre isso.

No mais, a revisão desse capítulo ficou melhor, mas ainda há uns errinhos bobos. Fora isso, muito bom. GG.



Abraço,
Iridium.
E aí Iri, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

A descrição do bar de Yalahar foi pra fazer graça com o fato de ter um dworc como dono dele, dai improvisei. Quanto ao passado do Dartaul, falarei mais dele nos próximos capítulos, assim espero. Quanto aos pulsantes, talvez demore um pouco mais, mas as dúvidas serão respondidas.

E pode shippar a vontade, nem ligo mais pra isso. mas yaoi não né pelo amor de deus

Espero que este seja do seu agrado.

Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
Gostei do Borges triste pq tinha pouca cerveja no bar

Bom capítulo, Carlos. Mais calmo, em comparação com o que você costuma fazer, mas com a mesma qualidade.

Acho que dei uma moscada na história do Trevor, tinha certeza que ele tinha morrido... Que bom que eu estava errado. Com certeza ele ainda tem muito o que oferecer na sequência da história.

Cada vez mais eu fico curioso com o Dartaul, esse passado misterioso aí só fortaleceu isso. Como pensei, ele não é um zero à esquerda, e parece que está incorporando uma personalidade diferente da sua por alguma razão... Não tenho muita ideia do que pode ser isso, espero ser surpreendido

Também espero entender melhor como funciona esse pulsante, acho que com a observação da Aika isso vai ficar um pouco mais esclarecido.

Quanto à frequência dos capítulos, eu tô achando bacana assim. Sinto uma pontinha de inveja também, já que não estou conseguindo escrever com uma frequência maior ultimamente... Enfim, por mim tá ótimo você lançar o próxima ainda essa semana.

É isso, gostei desse capítulo e estarei aguardando pelo próximo.

Abraço!
E aí Edge. Obrigado pelo comentário e pelos elogios.

O Trevor não morreu, eu errei na revisão de um dos capítulos, acho que coloquei "Trevor" no lugar de "Gregor" em algum ponto. Irei resolver isso logo. Mas, fique feliz, pois ele está de volta e com sangue nos olhos.

Dartaul será melhor tratado nos próximos capítulos, assim como o pulsante e sua relação com Aika.

Espero que goste desse capítulo, e que você consiga mais vontade pra escrever com frequência! Inclusive seu comentário permitiu que este capítulo viesse hoje, então aproveite ele.







Muito bem pessoal, dois capítulos numa semana de novo. Quem sabe essa frequência não seja mantida e venha dois capítulos por semana? Eu espero que sim.


Bem, vamos ao novo capítulo!




No capítulo anterior:
O passado de Dartaul é discutido entre Borges e Alayen. Borges dá uma lição de moral em Dartaul, enquanto Alayen descobre algo relacionado aos pulsantes na sua própria pele.




Capítulo 13 – Uma Estranha em Casa




O Arsenal de Ratos está em pura escuridão. Todos os cômodos estão envoltos pelas trevas, enquanto a maioria dos presentes ali se encontra dormindo. Apenas Nightcrawler e Aika estão acordados, olhando um para o outro, ambos de pé.

O detetive está com ambas mãos nos bolsos de seu sobretudo bege. A luz branda de Suon ilumina levemente o recinto e lhe dá um aspecto sombrio. Aika fita o mascarado, sem expressão, por trás das grades de sua cela. Há um painel branco à esquerda, do outro lado da cela, com dois botões, um azul e outro vermelho.

— Imagino que já tenha dormido muito, não é?

A moça não o responde, deixando alguns instantes de silencio.

— Entendo. Não gosta de falar... Bem, tanto faz. Mas, pelo menos, diga o que veio fazer aqui em Yalahar. Eu sei que você tem um objetivo aqui.
— Tenho. Fugir. — Disse Aika, com uma voz baixa e fraca, um tanto abafada.
— Fugir de quê?
— Dos vermelhos.

Nightcrawler observa-a por um tempo, pensando.

— Da Irmandade, você diz? De onde a conhece?
— Todos conhecem... A Irmandade do Caminho de Sangue.
— Sinto em dizer que não. Eles não são muito conhecidos, apesar de tudo que já fizeram. Seus estilos variam, então algumas guarnições locais costumam entender que os massacres são feitos por outros grupos, e não por eles. Logo estarão falando que o caso em Carlin foi um ataque de Thais, pra servir de estopim para uma guerra.
— Guerra...? Ninguém mais quer guerrear, detetive Nightcrawler...
— É o que você pensa, garota. Guerra movimenta dinheiro. Negócios. Produção. Empregos. Guerra é apenas negócios, devo dizer. Nossa realidade é assim, atualmente.
— Isso é o que eu ouço de você. Não vejo mais ninguém falando algo parecido.
— Pois eles vivem essa realidade. Como explicar algo que você está tão acostumado que nem percebe? É fácil dizer que minha afirmação está errada quando você já está nessa vida.
— As pessoas não precisam entender a realidade em que vivem, pois sabem que é a certa e ninguém pode negar. Nem mesmo você.

Nightcrawler soca o botão azul, eletrocutando Aika. Ele aperta de novo cinco segundos depois, fazendo parar. Aika falha e quase cai no chão, segurando-se nas barras.

— O choque é pra refrescar sua mente. Sua afirmação é estúpida. Diga-me, se as pessoas estiverem sendo governadas por um rei tirano, numa verdadeira ditadura, elas de bom grado aceitariam serem assoladas por aquele rei simplesmente porque acham certo?
— Não... Você entendeu errado. Está partindo para o sentido social e não da realidade em si. Se as pessoas não reclamam da realidade em que vivem, é porque estão satisfeitas, logo não precisam nem mesmo entender. Mas no sentido social, na ditadura que você mencionou, até mesmo um porco pode entender quando está sendo oprimido e se sentirá insatisfeito. Sua afirmação não faz sentido e quem precisa refrescar a mente é você.

O detetive abre um sorriso de orelha a orelha por trás da máscara. Lembra o sorriso marcado nela.

— Afiada. Muito afiada. Estou ficando cada vez mais interessado em você, Aika. Por sinal, irei fazer algumas pesquisas a seu respeito e ver se encontro algo. — Disse o detetive, enquanto a garota o ignora e retorna para as sombras.

Nightcrawler vai embora da sala e deixa a moça sozinha. Ele se dirige a sala do lado, tomando o elevador para ir até os quartos. Ao chegar no local, ele segue por um pequeno corredor que dá a outro, com várias portas em ambos os lados. As paredes são brancas e as portas marrons.

Ele segue até o seu, no fundo do corredor, mas antes que chegasse lá, uma das portas se abre e alguém sai de lá. Este alguém é Alayen.

— E aí tio, desculpa te incomodar, mas tem algo na minha cabeça que está me incomodando.
— Hm. Tem um caroço nela?

Alayen parece irritado.

— Papo sério, cara.
— Ok, ok. Fale.
— Eu estava perto da Aika quando aquele... Pulsante, né? Bem, quando aquela coisa lá explodiu nas costas dela. Mas assim como ela, eu não senti nada, nenhuma mudança, sabe? Notei isso quando tava subindo pra cá e tinha uns rastros parecidos com sangue na minha mão e eles sumiram no ar.

O mascarado cruza os braços, indicando para que ele continue.

— Bem, e se isso não funcionar com feiticeiros?
— Druidesa, você quer dizer.
— Na verdade, ela é os dois. Ela é habilidosa o suficiente pra ter magias e feitiços de ambas vocações, pelo que me falaram.
— Bem... — Disse Nightcrawler, colocando uma mão no queixo — Você tem um ponto. Vou pensar nisso com mais calma depois. Até mais.

O homem vira-se e parte até seu quarto. Alayen não parece muito satisfeito, porém, decide voltar pro seu quarto, fechando a porta e inundando-se em seus devaneios novamente.


~*~

O dia iluminava o Arsenal dos Ratos. Alayen, que dormiu rapidamente e de forma pesada, acordou e se arrumou para ir de encontro aos outros e planejar os próximos passos.

Ele se dirige a sala das prisões especiais, descendo as plataformas até o térreo. Ao chegar, nota Nightcrawler sentado de frente para Aika, da qual se encontra sentada em sua cama, porém, calada e cabisbaixa. O detetive come uma espécie de massa fina em um pote de vidro, usando um garfo, além de não estar usando sua máscara. Entretanto, ele está no escuro, dessa forma sua face não é muito visível.

— Café da manhã belo e saudável, hein? — Comenta Alayen, de cima da primeira plataforma.
— Estou praticamente morto, garoto. Não faz mais diferença.
— Mas que papo mais boiola.

Alayen desce as escadas e chega ao térreo. Entretanto, ao pisar nele, sente algo estranho; Uma presença. Ao virar a cabeça para seu lado direito, ele nota alguém nos fundos, sentado, também comendo a mesma coisa que Nightcrawler. É Dartaul.

O rapaz está com uma camisa vermelha e calças negras, além de estar usando sapatos de cor bege. Ele não parece triste ou irritado, apenas tem cara de quem quer ficar sozinho.

— Dartaul? Tá bem, cara? — Indaga Alayen, mas ele não recebe resposta.
— Deixe-o em paz, Alayen.
— Hm? Qual foi?
— Acordei cedo e o rapaz aí também. Viemos pra cá e a maluca sentada ali no fundo — Disse Nightcrawler, apontando com a cabeça para Aika — Começou a falar com uma voz bizarra, dura. Cada palavra dela parecia que estava drenando um pouco das nossas vidas.
— Espera aí... Possessão? Alguém falou por ela?
— Não tenho certeza... — Disse Nightcrawler, dando uma garfada da comida no pote — Hoje eu vou falar com Palimuth e uns sacerdotes da cidade. Ele também vai me ajudar a preparar as defesas ao redor desse Quarteirão e na cidade toda. Vou dominar tudo, e você vai assistir de camarote.
— Pensei que dominar não fosse a sua praia...
— Não é. Mas agora virou questão de honra.
— Beleza, campeão. — Caçoa Alayen, aproximando-se da cela e fitando Aika — Bom, o que ela falou?
— Ela falou cinco frases num intervalo de cinco minutos. — Disse Nightcrawler, pegando um caderno no chão ao lado do seu pé direito — A primeira frase foi “Os oprimidos sangrarão em fúria”. A segunda foi “Mas sua opressora cega também sangrará”. Depois, a terceira, foi “O formoso monte, o capitólio humano, antes cinza, será vermelho”.

Alayen engole em seco.

— E as duas últimas foram as piores. A quarta frase foi “Assim o ciclo das manchas mundiais terminará, e assim Máquina ressuscitará”. E a quinta é “Todavia, o desafiante precisará viajar”.

Todos ficam em silencio por pelo menos um minuto. Todo tipo de pensamentos começa a inundar a mente dos presentes.

— Eu não entendi nenhuma das frases, por isso irei consultar Palimuth, pois ele entende mais dessas coisas do que eu. Por fim, alguém precisará ficar de olho nela, e não tenho escolha senão deixar o Dartaul fazer isso.
— Porra, peraí! O Dartaul? Sem ofensas, mas, porra, não era você quem deu um puta esporro nele como se ele fosse o maior irresponsável do mundo? Até tirou sua máscara! E eu nunca vi a merda do seu rosto sendo que te conheço a mais tempo que ele!

Nightcrawler estala os dedos e uma luz branca começa a cercá-lo. Seu rosto, com uma pele levemente escura, rugas, o olho cego com a cicatriz, uma cicatriz enorme na boca do lado direito indo até próximo da orelha, uma barba mal feita e pouco grisalha e um olhar morto, sinistro e sério compõem o rosto do detetive. Alayen olha-o completamente pego de surpresa, com um semblante de medo e terror.

— Satisfeito? Eu não sei o que a Irmandade será capaz de fazer no futuro, então é bom que você saiba como meu rosto é para que me reconheça caso alguém tentar se passar por mim. Lembre-se bem dele, pois é a primeira e a última vez que o verá. — Disse o detetive, estalando os dedos de novo e fazendo a luz sumir.
— Meu Banor que estás no céu, você é horrível. Como a mestra Lea gosta de um cara como você?
— Lábia, garoto, lábia. E ela sempre foi solteirona por nunca achar homens bons o bastante pra ela e achar que todos são frouxos. Nem preciso detalhar a surpresa dela quando me conheceu de verdade.

Alayen balança a cabeça negativamente, voltando a fitar Aika.

— Bem, então vai deixar o Dartaul olhando pra ela?
— Sim, entramos num acordo. O garoto está determinado de verdade, nem parece aquele investigador bunda mole que eu conheci em Greenshore. Além disso, ele tentou defender Aika, então meu palpite é que ele se dê melhor com ela. — Disse Nightcrawler, dando outra garfada. Alayen ri baixo e sorri.
— E Borges?
— Foi pro bar. E eu to indo até Palimuth, até mais. — Disse, levantando-se do banco, colocando o pote sobre uma mesa próxima, pegando sua máscara e partindo até a sala de documentos. Mais uma vez, ele desaparece rapidamente.

Alayen observa mais uma vez a maga e então olha Dartaul, sentado no chão, distante. Parece sentir um pouco de dó por vê-lo daquele jeito.

— E aí, Dartaul? Vai ficar bem cuidando dela?

O investigador parece surpreso com a pergunta.

— Ah... Bem, acho que sim.

Alayen se aproxima do rapaz, que segue do mesmo jeito. Agora sua feição parece melhor: Ele está com medo.

— Devo te perguntar, Dartaul... Você parece ter alguma fixação nela. — Balbucia o mago, cruzando os braços. Novamente o rapaz parece surpreso, mas compreende a pergunta.
— Bem... Ela me lembra alguém importante pra mim. Talvez por isso ela esteja me fazendo perder o controle.
— Ah, entendo... Mulher é assim mesmo. Elas costumam sempre despertar algo em nós que nem sabíamos que existia. Mas fica tranquilo, irei te ajudar.

Dartaul sorri e agradece com o olhar, voltando a atenção para o pote em sua mão, comendo a massa dentro dele com certo gosto.

— Então... Que coisa é essa aí que você está comendo?
— Macarrão.

~*~


Uma semana depois, Aika está sentada em sua cama na mesma cela, lendo um livro. Dartaul está sentado do outro lado no fundo de uma sala, numa cadeira, observando-a, usando a luz da noite e um abajur do lado dela para tal.

O restante do trio, assim como Zoe, está na sala dos documentos, próximos das muitas estantes de alumínio do local. Nightcrawler está sentado numa cadeira da mesma mesa em frente do elevador, ela está encostada na parede e o mascarado concentrado num caderno sobre suas pernas, que estão cruzadas. Os outros rapazes estão encostados nas estantes, esperando ele começar a falar.

— Pois bem. O nome da garota é Aika Danguian, nascida em Porto Esperança*. Ela tem vinte anos, mas é um prodígio sem precedentes, pois sabe a maioria das magias de feiticeiros e druidas e combina-as bem. Entretanto, pelo que fiquei sabendo por um contato em Venore, a garota possuía outro nome originalmente, mas mudou quando foi para... Chor. Acredita-se que ela viveu com os lagartos, aprendeu sua cultura, sua língua e adotou alguns costumes deles. Não achei nenhuma informação sobre a sua família, mas dizem que a mãe dela teve quatro filhos, incluindo ela.

Todos ficam em silêncio, sem saber o que dizer. Nightcrawler decide continuar e pigarreia.

— Pra finalizar, ela não estava em Thais quando relataram que uma garota parecida com ela atacou um membro da Irmandade. Ela já estava a caminho de Yalahar. Além disso, ninguém sabia sobre os irmãos dela ou se recusavam a falar.

Zoe está pensativa, com uma mão no queixo e o olhar distante. Quando ela volta para a realidade, seu semblante parece claro como água.

— Nightcrawler... E se ela tiver uma irmã gêmea?

Todos olham para Zoe com surpresa.

— Você tem um ponto, Zoe. — Disse Nightcrawler, balançando o dedo indicador direito — Vou me lembrar disso. Porém, precisamos achar os irmãos dela, quem sabe informações sobre os pais dela, sobre parentes, qualquer coisa. A vida dessa garota é muito escondida, como se ela não existisse até a Irmandade atacar Carlin.
— Eu apoio a ideia dela ter uma doppelgänger. — Comenta Borges, cruzando os braços e olhando pro chão. Alayen olha pra ele com desprezo por achar sua ideia estúpida.
— Seja lá o que ela for ou o que ela ter, já temos informações, isso é bom. Além disso... Tem uma semana desde que Palimuth a examinou e não achou merda nenhuma. Nem os sacerdotes. Porra, nem mesmo aquele yalahari original cedido pelo próprio governador da cidade achou alguma coisa nela. — Disse Nightcrawler, com frustração, jogando o caderno na mesa e cruzando os braços.
— Então o pulsante não funcionou nela?
— Tenho certeza que funcionou, mas enquanto eu não souber o que um pulsante faz, eu não saberei dizer se ela está segura ou não. De qualquer forma, ela tem uma conexão com os vermelhos, visto aquelas frases que ela falou. Mas, bem... Só podemos ficar de olho.

Na sala de plataformas e celas, Dartaul está de pé na escuridão, olhando para algo do lado da cela de Aika. O abajur ao lado está apagado. Ao lado, surge um espírito vermelho no ar, que desaparece rapidamente do mesmo jeito que surgiu. A moça olha para o investigador, assustada, e se ajoelha no chão, parecendo mais fraca e pálida.

— Me ajude...





Próximo: Capítulo 14 – Manchas


* Tradução livre para Port Hope.
** Doppelgänger é uma lenda germânica sobre uma criatura capaz de tomar uma aparência igual a uma pessoa, como se fosse sua reprodução num espelho.