Página 6 de 19 PrimeiroPrimeiro ... 4567816 ... ÚltimoÚltimo
Resultados 51 a 60 de 185

Tópico: Bloodtrip

Hybrid View

Post Anterior Post Anterior   Próximo Post Próximo Post
  1. #1
    Avatar de Senhor das Botas
    Registro
    14-02-2011
    Posts
    2.320
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Quando eu ia comentar sobre o "novo" capítulo, o capítulo 9, eis que nosso Carlão, em seu estado "maquininha de escrever", nos surpreende com um rápido capítulo logo depois, surpreendendo inclusive nosso amigo @Edge Fencer. Enfim, sem mais delongas, vamos ao comentário.

    Não irei falar do 9, pois acho que tudo que tinha para falar, foi muito bem apontado, principalmente no comentário da Iridium; só venho deixar o meu elogio... Possíveis comentários do enredo do 9 eu farei junto do cap. 10, pra não ficar muito longo.


    Agora, vamos ao cap. 10...

    Parece que você deixou o fodão Nightcrawler de lado, e resolveu trazer as "personagens secundárias" um pouco mais pra ação; surpreendente capítulo neste quesito, eu NÃO ESPERAVA aquilo do Dartaul, peitando um membro da Irmandade... Sozinho? Tudo bem que foi usando o armamento do Nightcrawler, mas Dartaul com certeza teve Inhuman Reactions, e não surpreendeu somente Nightcrawler e os outros; surpreendeu o leitor também haha. Gostei do combate, foi bem trabalhado e parte da ação foi bem descrita.

    Minha única ressalva mesmo foi essa súbita mudança no Dartaul. Tudo bem que ele não é aquele gordo do Borges, mas subitamente alguém, "sumido" na história, demonstrar tamanha destreza e proeza, e peitar o membro Canino... Membro todo pimpão, fodão, único representante da Irmandade em Yalahar, e provavelmente o único homem que a Irmandade realmente precisava em Yalahar... Enfim, não chegou a ser nada Deus ex Machina, mas tome cuidado com essas súbitas mudanças e focos, querendo fazer com que uma personagem apareça mais na história... Foi bem trabalhada a luta, mas chegou razoavelmente perto da tênue linha da apelação.

    Agora, pode ser encheção de saco da minha parte, mas vamos lá... Eu achei a parte depois da luta um pouquinho mal trabalhada, principalmente nos diálogos; a euforia do Dartaul eu entendo, ele "atacando" o Nightcrawler, nada fora do normal. Porém:

    — Me mostre uma prova ou um documento de que os pulsantes não são os responsáveis pelas pessoas ficarem ocas por dentro, tamanha a perca de sangue delas após a passagem da Irmandade pelo lugar em que estavam, que não são responsáveis pelas pessoas enlouquecerem e começarem a matar umas as outras como se todos ao seu redor fossem monstros. Quando você me mostrar isso, e então eu pegar a merda desse documento e examinar, vulgo usar de papel higiênico pra limpar a merda na minha bunda pra que depois eu vá atrás de um vermelho e veja com os meus próprios olhos o que esses filhos da puta fazem com os pulsantes pra saber se você fala a verdade, daí sim eu irei soltar ela e você faz A MERDA QUE QUISER COM ELA, POIS ELA NÃO VAI SER MAIS PROBLEMA MEU! Entendido?
    Além de ter sido forçado... Não foi natural! Sério, dificilmente você consegue encaixar um diálogo com mais de três linhas sem todo um contexto por trás (personagem relatando algo, descrevendo algo, etc etc), quiça 5! Tudo bem que foi uma bronca, e merecida, pra cima do infantil do Dartaul... Mas eu achei meio forçado, ainda mais vindo de um cara como o Nightcrawler. Enfim, pode ser birra minha, mas fique um pouco mais atento nesse aspecto.

    Fique atento com a ambiguidade criada em alguns trechos. Exemplo:

    Papéis de papiro são lançados com força contra um boneco para treino, que lembra um manequim, porém, mais resistente. Os papéis retangulares acertam os braços e a cabeça, uma mira perfeita, usada por um membro da Irmandade.
    Pera aí, o que acerta os braços e a cabeça? Pelo contexto, é ÓBVIO que se trata dos fuckins papéis retangulares, isso pode muito bem ser visto, mas a palavra "usada" parece que está se referindo a mira... Mesmo eu não podendo usar "uma mira" para atingir um boneco, substituir esse "usada" por um "usados" ficaria bem melhor, não criando a ambiguidade. É um exemplo de ambiguidade que peguei neste ultimo capítulo, mas não é a primeira vez que noto isso. Fique mais atento nisso também, pois embora o leitor consiga muito bem saber do que o escritor está falando, ambiguidade as vezes frusta e é meio chatinho de se ler.




    Pra finalizar o post, mesmo com o Dartaul subitamente acabando com um membro, com certeza você não vai deixar barato, vide final de capítulo. A relação do novo membro da Irmandade com a druidesa que todos estavam atrás, Aika... Eu fiquei MUITO CURIOSO, e acho que rola possessão heim, vide esse trecho:

    A presença abandona a sala. Soulslayer fita Redchain, aproxima-se dela e coloca uma mão sobre seu ombro.

    — Ainda há o que aprender antes de partir para sua jornada. Venha
    Redchain deve "aprender" muitas coisas... Ainda mais possuir uma druidesa indefesa que ficou contaminada com o sangue do coração da Irmandade; Canino está morto, mas sua breve aparição com certeza não irá ser esquecida, já que um simples golpe do coração... EU NÃO ME ESQUECI DESTE TRECHO, NO FINAL DO CAPÍTULO ANTERIOR:

    Todos assistem, em câmera lenta, o golpe desferido por um homem de uniforme vermelho e sem rosto. Uma espécie de coração explode nas costas da garota, fazendo uma feição de horror e agonia em seu rosto e seu corpo se contorcer. O objeto parece o mesmo objeto pulsante dos membros da Irmandade do Caminho de Sangue. Entretanto, não se sabe o que ele poderia fazer contra Aika, nem como curar aquilo.
    O que o coração que os membros usam faz em alguém será revelado agora. Todos assistem, em câmera lenta, o golpe desferido por um homem de uniforme vermelho e sem rosto. Uma espécie de coração explode nas costas da garota, fazendo uma feição de horror e agonia em seu rosto e seu corpo se contorcer. O objeto parece o mesmo objeto pulsante dos membros da Irmandade do Caminho de Sangue. Entretanto, não se sabe o que ele poderia fazer contra Aika, nem como curar aquilo.

    O que o coração que os membros usam faz em alguém será revelado agora.
    Você não revelou o que o coração faz, só fez uma breve e vaga menção através do Nightcrawler; é 99% de certeza de possessão, ou algum tipo de controle que a Irmandade vai exercer na druidesa, e eu estou no aguardo riariariar.

    Publicidade:


    Jogue Tibia sem mensalidades!
    Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR.
    https://taleon.online
    Última edição por Senhor das Botas; 10-01-2017 às 01:56.


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  2. #2
    Avatar de Edge Fencer
    Registro
    06-09-2016
    Localização
    Vitória
    Posts
    342
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Bom, deixa eu comentar aqui antes que vc poste mais um capítulo

    O que eu poderia dizer sobre a parte técnica da escrita já foi muito bem apontado pelo @Senhor das Botas; apenas assino em baixo do comentário dele.

    Quanto à história em si, gostei de ver o Dartaul descendo a lenha no Canino. Dá até pra perdoar a imaturidade dele ao não desconfiar do que pode ter acontecido com a Aika. A bronca do Nightcrawler foi bem contundente, não imagino que isso acabará por aí mesmo; prevejo tretas entre os dois na sequência.

    Também espero entender melhor esse ataque do coração aí, o retrato inicial pareceu bem interessante.

    É isso aí, espero que os capítulos continuem saindo com frequência e cada vez melhores!

    Abraço!
    Son of a submariner!

  3. #3
    desespero full Avatar de Iridium
    Registro
    27-08-2011
    Localização
    Brasília
    Idade
    31
    Posts
    3.372
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Saudações!

    Perdoe a demora; bom, como o Senhor das Botas e o Edge chegaram antes de mim, e já pontuaram tudo o que iria pontuar, devo dizer que gostei do Capítulo maaaas esperava um pouco mais dele; o coração, que você havia colocado como ponto de suspense do capítulo anterior, foi explicado de uma forma muito abrupta, já que Nightcrawler correu para neutralizá-lo. Apesar de ser mais que coerente o personagem fazer isso, não consigo deixar de sentir uma leve decepção pela descrição dos efeitos do coração terem se dado dessa forma em vez de terem sido vivenciados pelo grupo como um todo.

    O cliffhang desse último capítulo já me deixou mais animada, mas ainda estou digerindo esse capítulo como um todo. Foi bom, mas poderia ter sido melhor.



    Abraço,
    Iridium.

  4. #4
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.387
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão Capítulo 11 - Quem é você, Rastreador da Noite?

    Spoiler: Respostas aos Comentários



    Precisei colocar em spoiler os comentários, parabéns aos envolvidos.



    Muito bem, agora vem um capítulo interessante. Eu espero que gostem dele, eu gostei de escrevê-lo e dei várias arrumadas. Tirei até umas coisinhas que achei que não precisava falar agora. Pode me processar depois por isso.


    Obs: Guarnições são como a Polícia nas minhas obras, olhem pra elas dessa forma. Elas juntam tanto as forças civis quanto as militares.




    No capítulo anterior:

    Dartaul derrota Canino, o único membro da Irmandade do Caminho de Sangue em Yalahar, tirando o domínio deles da cidade dourada. Aika é capturada por Nightcrawler, entretanto, Dartaul protesta, gerando um certo conflito entre os dois. Enquanto isso, a Irmandade nota o que fizeram e pretende agir.




    Capítulo 11 – Quem é você, Rastreador da Noite?




    O monstro etéreo observa-o, com um sorriso sombrio. Sentado no fundo da sala, com apenas os contornos de seu corpo visíveis em cor laranja e quase seis metros de altura, ele vê o rapaz se preparar para partir.

    — Não será a última vez em que nos veremos, não é, S****? — Disse o monstro, observando ele colocar uma máscara yalahari no rosto. Seu nome não consegue ser pronunciado, é apenas um som vazio.
    — Eu espero que seja.

    Ele toma sua capa, de cores púrpuras e negras, veste-a e encobre seu corpo. A criatura sorri ainda mais.

    — E não me chame por esse nome. Passe a me chamar de Nightcrawler.


    ~*~


    Yalahar. Um prédio, aparentemente um complexo de moradores, está cercado por guardas. Um caso para a Guarnição Yalahari, que ao que tudo aponta, é de sequestro.

    Uma pequena base para os oficiais e sargentos foi montada nas redondezas. Há duas mesas no centro com muitos cadernos e documentos, duas cadeiras em cada lado, muitas luzes em pequenos orbes criados com magia e quatro carroças brancas nos arredores, cobertas e reforçadas em determinadas regiões com ferro, de onde os guardas vieram, assim como as coisas que formam aquela base. Há cavalos presos nas carroças, alguns a frente delas e posicionados, outros presos em rédeas ao lado delas. Pertencem aos sargentos e aos oficiais.

    Os sargentos estão sentados nas cadeiras e os oficiais estão em volta, mas há uma cadeira mais especial usada por alguém com uma jaqueta e camisa negra, uma calça azul escura, usando um capuz negro e uma Máscara Yalahari*. Ele é responsável pela montagem da operação, liderando os detetives e contingentes de guardas espalhados ao redor do prédio, localizado no norte da cidade.

    Este comandante é chamado de Nightcrawler.

    Com trinta anos, ele assumiu um alto cargo dentro da perícia yalahari e poderia escolher o caminho que quisesse. Podia se tornar um delegado, talvez um major, um líder de guarnição menor, e, claro, seu sonhado cargo de detetive, mesmo que este fosse abaixo do cargo que possuía. Mas, por enquanto, ele gostaria de resolver alguns problemas particulares e outros dentro da perícia.

    Nesse período, até mesmo a guarnição não possuía muitas informações do homem, e ele andava sempre pelas sombras, evitando que descobrissem de fato quem ele é. Está sempre usando aquela máscara dourada, que conduz perfeitamente seus poderes de feiticeiro, mas que pouco usa. Seus casos podiam ser resolvidos sem que ele precisasse apelar para a violência.

    Exceto por aquele. Nem mesmo o genial mascarado saberia como resolver aquilo sem colocar as forças especiais em ação. Mas ele não tinha escolha.

    O Disco de Comunicação apita. Como o nome sugere, é um disco usado para projetar imagens magicamente e é usado largamente pelos cidadãos yalahari. Como Nightcrawler somente opera na cidade, ele está acostumado a usar aquilo, mesmo que não exista em mais nenhum outro lugar.

    Ele está posicionado no centro da mesa, possui cor branca e bordas azuis, cujas brilham fortemente. O mascarado toma o disco e coloca a sua frente, atraindo a atenção dos outros oficiais.

    — Mandem chamar o comandante operativo. A Brigada Dourada terá que entrar. — Disse Nightcrawler, rígido e firme.

    Os sargentos parecem tensos. Ele aperta o botão no centro, reproduzindo a imagem do criminoso do qual estão atrás. Ele é careca, tem olhos verdes, uma barba rala e mal feita, usa uma camisa verde e tem uma faca na mão cuja cor frequentemente brilha e para de brilhar, semelhante a lava. Ela está ao lado da sua cabeça, em forma ameaçadora.

    — Boa noite. — Começa Nightcrawler, calmo, com as mãos juntas em frente ao queixo.

    O olhar do criminoso parece perturbado. Seus olhos estão arregalados e sua mão treme levemente.

    — Boa noite...? — Indaga o rapaz, parecendo não acreditar na forma que o homem age — Boa noite É O CARALHO! Eu não quero enrolação, mascarado de merda! Eu quero que ouçam o que eu quero e é pra agora, senão eu boto esse prédio pra baixo junto de todos dentro dele!
    — Ah. Suas... Exigências. Estou certo?
    — É, babaca! Ouça bem! Quero 100 moedas de cristal, ‘tendeu? E um cavalo pra fuga prontinho atrás do prédio! Além di-
    — Você não quer nada e não terá nada.

    O homem parece surpreso.

    — A Brigada Dourada já chegou e está posicionada dentro dos prédios e já desarmou 60% das bombas que você colocou e a rota para chegar até você sem precisar ativar nenhuma bomba está 90% pronta, idealizada pela Agência de Inteligência da Perícia, comandada por mim. Você não tem saída, então eu recomendo que você se renda. Pois logo eu mesmo estarei aí dentro colocando algemas em você.

    O criminoso não só está surpreso, como também parece desesperado. No entanto, ele começa a rir, sem parar.

    — Como se chama, mascarado?
    — Lembre-se de mim como Nightcrawler.
    — Nightcrawler, é? Você pensa que me derrotou? Logo você, um covarde mascarado de merda que nem é capaz de revelar seu próprio nome?
    — Eu não tenho rosto e nem nome. Logo, não tenho nada para revelar.
    — Sim... Você tem. E eu farei você revelar assim que eu começar a matar todos os reféns, um por um! Quer me ameaçar mesmo com vidas em perigo aqui? Você pensa, pelo menos?!

    Nightcrawler parece rir um pouco.

    — Não vou continuar essa conversa. Você está acabado e eu estou indo atrás de você agora mesmo.
    — Eu tenho REFÉNS! Tenho um amigo seu aqui que não para de falar de você! Vai matá-lo mesmo?
    — Eu não tenho amigos. Eu não tenho vidas a salvar. Esse não é o meu dever. Meu dever é examinar corpos e montar operações pra isso e eu estou indo aí para examinar o seu. — Termina Nightcrawler, desligando o dispositivo.

    Os sargentos estão com as mãos juntas, tensos e surpresos pela forma fria que o capitão agiu. Estes sargentos vestem capas brancas que cobrem seus corpos, com bordados dourados no centro delas indo do pescoço até seus pés. Possuem boinas brancas nas cabeças, com um símbolo de bronze com duas estrelas, demonstrando seus postos. Os oficiais logo atrás vestem apenas camisas brancas e calças negras, com boinas brancas o mesmo símbolo, mas com apenas uma estrela.

    — Quando você disse que ia fazer uma pressão psicológica, não imaginei que você faria dessa forma. — Comenta um dos sargentos, um homem já na casa dos cinquenta anos. Tem uma barba muito rala e um bigode grisalho.
    — É necessário que seja o pior possível, mas com um limite. Senão, eles enlouquecerão e começarão a fazer merda atrás de merda apenas pra nos atrapalhar. De qualquer forma, a operação está iniciada, vamos recapitulá-la.

    O comandante se levanta e abre um caderno próximo dele, com uma foto dentro. Ela pertence ao mesmo sujeito da reprodução do disco.

    — O nome do homem é Lebrine Aghars. Ele entrou no prédio escondido distribuindo panfletos de um suposto evento que iria acontecer no Quarteirão 04. Cada um dos panfletos possui uma bomba, isto é, uma inscrição de uma runa de Grande Bola de Fogo. O prédio possui cinco andares, cada um tem quatro apartamentos, o quinto andar é constituído por flats, então tem oito apartamentos. Por algum motivo maldito, todos os donos das casas estavam nelas e pegaram os panfletos, agora eles são reféns dele, que provavelmente começou a se mexer.
    — Começou não, já está se mexendo. — Disse alguém próximo do mascarado. Possui uma voz grossa e firme.

    Ele se vira para ver quem é. O indivíduo em questão é Julius, o comandante operativo da Brigada Dourada. Usa uma armadura Yalahari, além de uma capa branca e Calças negras com bordas laranjas nos lados e nos joelhos. Calça duas botas de aço, boas para um cavaleiro por vocação como ele. Seus longos cabelos negros estão cobertos por um elmo branco, com bordas douradas.

    Atrás dele há dois soldados especiais, usando máscaras Yalahari diferentes, estas são douradas e parecem mais resistentes, além de usarem uma armadura branca mais leve e usarem, cada um, Peças de Calça Yalahari**. Ao lado de Julius está Palimuth, mais jovem, com uma pose nas mãos – Dois dos dedos iniciais juntos, assim como os polegares. Ele está concentrado e possui uma aura levemente branca ao seu redor.

    — Está com um rastreador de caminhos também, Julius? Excelente.
    — Estou com dois agora. Você também é um rastreador.
    — É... Mas dos mais fracos. Enfim, mande o comando para as tropas, iremos invadir.
    — Já tem algo terminado?
    — Recebi informações dos meus investigadores e dos agentes, a rota está praticamente terminada. Podemos ir.
    — Precisamos dela completamente terminada, Nightcrawler.

    Um homem usando um casaco e calça azul escura surge ao lado do capitão, entregando-lhe uma pasta com alguns papéis. Ele pega-a sem olhar para o sujeito e entrega para Julius, que abre e olha o conteúdo. É a rota segura até o quinto andar.

    — Ótimo. Acompanhe-me, comandante investigativo. E prepare suas magias, de preferência.

    Um grupo é formado com Nightcrawler, Julius, Palimuth e os dois agentes da Brigada. Eles seguem até o prédio, passando pela defesa montada na entrada, usando duas carroças brancas da perícia e escudos de até dois metros feitos inteiramente de madeira maciça para protegê-la, com soldados usando bestas atrás delas. Nightcrawler manda um comando para eles cercarem todo o prédio e evitarem que o alvo escape.

    Logo no hall de entrada, o grupo encontra dois agentes, e conforme sobem os andares usando a rota, conduzida por Julius, outros agentes se reúnem e se espalham, desarmando as bombas secundárias – que eram runas de Grande Bola de Fogo dentro das paredes – usando um dispositivo para tal: Uma caixinha de vidro com uma parte de uma escama de Dragão Congelado*** nela.

    Para desarmar uma bomba do tipo, basta usar um contra-encanto nela, algo que reduziria o poder da runa a quase zero, geralmente produto de uma criatura que é imune ao elemento usado pela runa. Naquele caso, estavam usando uma parte de um dragão, desativando as bombas e tornando-as pedras comuns.

    Os panfletos na mão das pessoas não podem ser jogados pra fora do apartamento, então eles entram devagar nos locais e desativam-los nas mãos de quem pegou, usando as mesmas caixinhas com escamas. Usando a rota segura, eles descobrem melhor os locais que estão em perigo, tornando o lugar seguro e retirando os reféns pouco a pouco.

    Finalmente, no ultimo andar, eles não encontram Lebrine. Ao invés disso, encontram um complexo de fios no corredor, todos ligados a várias runas vermelhas do mesmo tipo de sempre.

    — Tsc. Poderia ter trazido o Esquadrão Anti-Bombas da Brigada juntos também. — Balbucia Julius, frustrado.

    Um vento estranho dá calafrios em todos os presentes ali. Em alguns instantes, todos os fios caem. Tudo está desarmado. Todos parecem surpresos e levemente assustados, exceto o comandante investigativo.

    — Ora, ora. Acho que podemos seguir em frente. — Disse Nightcrawler, confiante, dando passos à frente.

    Devagar, eles seguem até uma porta que os levaria as escadas, e também ao terraço. Nightcrawler, Julius e Palimuth ficam encostados numa parede próxima, enquanto os soldados ficam ao lado da porta, aguardando o rastreador confirmar a localização de Lebrine e das bombas. Ele encontra o criminoso no terraço, mas nenhuma bomba no caminho.

    — Eu e Julius iremos sozinhos. Vocês devem chamar os outros da Brigada e coloquem a área em segurança. Palimuth, quer ir também?
    — Agradeço, mas não. Esse é o limite para mim. — Disse ele, com uma voz serena e jovial.

    Nightcrawler assente e abre a porta, seguindo rapidamente escadaria acima com Julius atrás. Ao abrir a porta do terraço, ele vê uma cena anormal; Algo que certamente ficaria marcado na sua mente para sempre.

    O criminoso está morto, segurado pelo colarinho na mão de alguém envolto em uma capa vermelha. Ele é pálido, possui uma tatuagem tribal azul no olho direito, além de seus olhos serem totalmente brancos, e cabelos negros, longos, lisos e bem penteados. Ao seu redor, há pelo menos quinze corpos, pertencentes a todas as pessoas que moravam no quinto andar. Há sangue para todos os lados, e alguns dos corpos estão abertos; suas barrigas, suas pernas ou suas cabeças estão internamente expostas, com mais sangue saindo.

    O homem de capa joga uma faca para Nightcrawler, que a pega no ar. É a faca que Lebrine estava usando.

    — Su***. — Diz o homem da capa vermelha, tentando dizer o nome do investigador, mas tendo a mesma reação que o monstro — Essa faca possui poder demoníaco. Este homem, Lebrine Aghars... Ele não era normal.
    — SENZO! O QUE VOCÊ FEZ? — Urra Nightcrawler, com certo descontrole de personalidade. Julius está travado e chocado, sem saber o que fazer.
    — Acalme-se! Os moradores deste andar já foram evacuados. Estes corpos eram cópias deles, em formas demoníacas. Elas iam explodir junto das bombas do quinto andar e botar o prédio inteiro abaixo. Era o plano B deste homem. Um pleno terrorista.
    — Evacuados para onde, Senzo...? Subimos pela rota segura, todas as outras estão bloqueadas pela Brigada.

    O homem não responde, apenas fita-o com um olhar frio e sereno.

    — SENZO!
    — Eles... Estão dentro dos apartamentos. Mas nem todos estão vivos.

    Nightcrawler fica parado por alguns instantes, chocado com todos os eventos recentes jogados de uma vez só contra ele. Mas decide agir, pois perder tempo não é uma opção.

    — Julius. Notifique os sargentos. Diga que a operação está concluída e o prédio seguro. Chame a Agência e notifique Brian para trazer os homens mais confiáveis possíveis pra sumir com essa bagunça. Se souberem dos corpos, não sei o que pode acontecer comigo.

    Julius apenas assente e vai embora. Nightcrawler tira a máscara e revela um rosto mais jovem, de seus trinta anos, mas com a mesma cicatriz e o mesmo olho cego. Ele se aproxima de Senzo, mas fica distante, devido aos corpos e ao muito sangue no local. Senzo olha para ele e larga o corpo. Os olhos antes brancos dele agora eram negros e tem um losango laranja-escuro no centro, com um quadrado invertido dentro, este também negro, e a pupila, de cor também laranja-escuro.

    — Está no limite de novo, Nightcrawler? Voltou a essa lembrança de novo? — Disse Senzo, mas ele parece outra pessoa. Sua voz está mudada, parece mais demoníaca, porém, zombeteira.
    — Eu não sei porque isso aconteceu. As coisas estão indo longe demais de novo e não estou conseguindo controlar tudo.
    — Longe demais? Você está no meio do caminho e quer desistir?
    — Cale a boca, demônio. Eu não irei desistir.

    Ele cai na gargalhada. A aparência de Senzo só parece mais assustadora ainda.

    — Ótimo! Pois eu digo, não volte mais para essa maldita lembrança! Pegue Sarutevo de uma vez por todas!
    — Sarutevo? Quem é... Ah... Lembrei.
    — Isso. Sua mente está uma bagunça, hein? Está a um passo de enlouquecer. Mas eu sei que você irá aguentar muito ainda. Pelo menos até o final. Você irá acabar com esse circulo vicioso.

    Nightcrawler não responde, apenas abaixa a cabeça.

    — Sabe o que fazer quando as coisas saírem do controle.
    — Não. Não irei usar nunca mais.
    — Será? Eu sei o seu futuro, Su***. Sei como você morrerá. E se você não parar esse filho da puta do qual eu estou encarnado agora — Dá alguns socos no peito de Senzo — Você vai acabar chegando ao ponto de morrer de verdade. Você tem mais duas chances. Se perder, acabou, já era! Vai acabar no inferno me ajudando com meus planos, como você temia lá nos Poços do Inferno.
    — É? Pois bem, seu demônio desgraçado. Assista eu fazendo picadinho da Irmandade do Caminho de Sangue. Altruísmo nunca foi algo que eu aceitei na minha personalidade. Portanto, não terei piedade de nenhum deles. — Disse Nightcrawler, aumentando o som da sua voz e ficando mais determinado.

    O possuído abre um sorriso de orelha a orelha.

    — Esse é o espírito! Quero só ver.
    — Você verá. No final, será muito engraçado, pois eu terei terminado minha missão e você ainda continuará virgem! — Disse Nightcrawler, caindo na risada.

    O demônio olha pra ele com uma mistura de choque e um sorriso contido. Ele serra as mãos e fica cada vez mais furioso.

    — Quando você for parar no inferno e eu tiver que mandar você de volta pra terra, que seja como uma garota virgem. Aí quero ver se você também achará divertido perder a virgindade.

    Nightcrawler sorri e vira as costas, colocando sua máscara de volta.

    — Vou continuar na minha missão, capetinha. Obrigado por tudo.
    — De nada, mascarado. Só mais uma coisa.
    — Hm? O quê?
    — Não esqueça do seu nome... Suzio.

    O cenário muda completamente, agora Nightcrawler está no Arsenal de Ratos, com Aika dormindo na cela da mesma sala das plataformas, e ele de frente pra ela. Está com seu chapéu largo, seu sobretudo e de braços cruzados.

    — Eu já falei... Não me chame por esse nome. Me chame de Nightcrawler.






    Próximo: Capítulo 12 – Estrada de Incertezas


    Notas:

    * Tradução livre para Yalahari Mask.
    ** Tradução livre para Yalahari Leg Piece.
    *** Tradução livre para Frost Dragon.
    Última edição por CarlosLendario; 18-01-2017 às 15:51.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ YouTube ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  5. #5
    Avatar de Manteiga
    Registro
    07-05-2006
    Localização
    Porto Alegre
    Idade
    32
    Posts
    2.877
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Putz, dei uma hibernada legal e perdi três capítulos numa tacada só.

    Bom, os comentários e apontamentos que eu tinha a fazer sobre os capítulos nove e dez já foram feitos pelo pessoal, vou apenas concordar com o que eles disseram lol. Vou dedicar esse post a algumas observações gerais sobre o capítulo onze: coloquei ali no spoiler alguns apontamentos sobre a escrita, principalmente. Como é bastante coisa, preferi deixar assim para o post não ficar muito grande =P

    Spoiler: Coisinhas


    Enfim, apanhado geral do que eu disse no spoiler:
    1 - Atente mais para o tempo verbal que você está usando na narrativa. Eu sei que às vezes a gente se empolga e acabam trocando o tempo sem perceber; acontece. Mas procura revisar o texto algumas vezes e deixar os verbos no mesmo tempo!
    2 - Dá uma cuidada com os pronomes relativos. Eles são meio chatinhos e muitas vezes parece preferível tacar um "que" e deixar batido, mas "que" não serve pra tudo e às vezes as frases ficam estranhas ou com o sentido comprometido quando você usa ele ao invés de um pronome mais adequado.
    3 - Essa não é propriamente um erro, então você tá no teu direito de ignorar isso, mas pensa no que eu comentei sobre as traduções literais do inglês. De vez em quando funciona, mas quase sempre não soa legal.

    ~~

    Mas isso foi a análise técnica. Vamos ao juri artístico x)! Eu gostei bastante desse capítulo, de verdade. Foi muito bom conhecer mais sobre o passado do Crawler, e tu optou por nos mostrar isso num momento bastante fortuito da tua história, então eu diria que o capítulo caiu como uma luva. Os teus diálogos ficaram muito bons e demonstram bastante bem o teu estilo: mais rápido, dinâmico, com pouca enrolação. Neste capítulo, mais do que nos outros, tu soube usar essa tua característica muito bem, parabéns! No geral, é um dos melhores capítulos, eu diria, mesmo que não tenha tido tanta ação. Eu só fiquei um pouco confuso com os acontecimentos finais... Como tu optou por descrever pouco do que estava acontecendo, eu me senti meio perdido no vácuo ali. Vou ter que ler o final mais algumas vezes para ter certeza que eu entendi quem é o sujeito que estava segurando o criminoso, qual era o teor do diálogo deles e o que aconteceu no finalzinho.

    EDIT: Esqueci de comentar isso e lembrei depois quando estava lendo o comentário do Edge HAHAHAH mas então: sendo bem sincero, à princípio eu tinha ficado um pouquinho incomodado com as extrapolações ao "canon" do universo tibiano que tu conduz na trama, já que muitas delas nem de longe fazem sentido num mundo medieval. Entretanto, depois que eu parei pra pensar, eu me dei conta que Tibia não é medieval; é fantasia (tem relógio de pulso lá, puta merda) e depois disso eu comecei a apreciar muito mais a tua história. Agora, eu pessoalmente estou adorando isso que você está fazendo de incorporar esses elementos alheios ao medieval no universo tibiano e acho que é um lembrete para os muitos de nós (como este que te escreve) que esquecem que Tibia não é medieval. Acho que essa é justamente uma das maiores qualidades da tua história até o momento, e espero ver mais disso no futuro!

    Enfim, ótimo capítulo, veio numa hora muito boa. No aguardo dos próximos!
    Abraços!




    Publicidade:


    Jogue Tibia sem mensalidades!
    Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR.
    https://taleon.online
    Última edição por Manteiga; 16-01-2017 às 19:27.
    Dezesseis anos depois, estamos em paz.

  6. #6
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.387
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão Capítulo 12 - Estrada de Incertezas

    Spoiler: Respostas aos Comentários



    E outra vez colocando as respostas num spoiler. Parabéns aos envolvidos.




    Bom, trago-lhes mais um capítulo, e devo avisar que os próximos - 13 e 14 - já estão ficando prontos. Sim, to me adiantando demais, mas eu estou muito focado nessa história e quero finalizá-la o quanto antes. Ainda tem outra, meu carro-chefe na seção, O Mundo Perdido, que está há muito tempo parada e nem pude remasterizar os capítulos dela ainda. Deixei isso pra depois que eu terminar essa daqui.

    Por fim pessoal, pergunto a vocês: Querem mais um capítulo essa semana? Querem o capítulo 13 sendo postado antes de domingo? Digam nos comentários!



    No capítulo anterior:
    Nightcrawler lembra-se de um caso do seu passado envolvendo um sequestro e um final inesperado e chocante. Neste período, ele ainda empregava sua mente genial para um estado e alguns chefes, mas já sentia vontade de se afastar de tudo isso.



    Capítulo 12 – Estrada de Incertezas




    Suon não estava muito distante do meio do céu escuro quando Alayen saiu do Quarteirão de Comércio e foi para a Cidade Interna*.

    Ele observa a vista de cima da muralha, a frente do portão de bronze que separa as duas regiões. Então, desce as escadas e segue para o Depósito, por onde passa, visando chegar na taverna das proximidades. Provavelmente, sua intenção é se juntar a Borges, mesmo que o próprio talvez já estivesse bêbado.

    Ao chegar lá, ele nota várias pessoas nas muitas mesas do local. Ignorando-as por não ver nenhum homem grande dentre elas, ele vai ao balcão, onde o encontra com sua jaqueta negra no ombro. Há seis lugares, três da esquerda ocupados, no terceiro está Borges. Alayen se junta a ele, onde surpreendentemente percebe que o homem ainda se encontra sóbrio.

    — Ora, ora. Tá desanimado, homem? — Indaga Alayen, observando-o apenas com um copo de madeira de tamanho mediano com cerveja. O olhar de Borges era distante até notar o rapaz ao seu lado.
    — Ah... É, estou. Desde que entrei aqui pensei que esse lugar não tinha muita cerveja e veja só, não tem. Só um barril grandinho. — Responde Borges, apontando com a cabeça para um barril numa das três prateleiras atrás do balcão. Há muitos tipos de bebidas neles, mas não havia cerveja.
    — Tsc.
    — E nem é a pior coisa daqui. Já notou quem está servindo?
    — Bom, não me surpreendo. Até porque eu já vivi em Yalahar.

    Servindo uma bebida peculiar para um elfo na ponta do balcão, o ser vai até Alayen para saber o que ele queria. É incrivelmente baixinho, por isso há muitas mesas juntas atrás do balcão onde a criatura anda para que ele alcance os clientes.

    Um dworc.

    — Olá, senhor! — Começa a criaturinha com uma voz aguda, cruzando os braços — O que vai querer?

    O dworc possui uma máscara de caveira, seu cabelo é preso num osso e possui uma tanga, deixando o resto exposto.

    — Só cerveja, por enquanto. Soube que o estoque está limitado, então será mais caro?
    — Será o mesmo preço de sempre. Três moedas de ouro por copo.
    — Entendo... Você vende algo mais?
    — Vinho, hidromel, rum, vodca, uísque. Preparo algumas bebidas também.
    — Só cerveja mesmo.

    Borges estranha todo o diálogo, não achando natural de um dworc ser tão educado e direto. O mais estranho para ele é olhar para as mesas e notar outros seis dworcs servindo as pessoas, sendo estes fêmeas, usando tangas e sutiãs de madeira, além de possuírem um penteado de rabo de cavalo. São gentis e nada selvagens, também conseguem compreender a linguagem humana. Elas entram por uma porta para dentro da taverna para pegar outras bebidas e preparar as comidas.

    Um copo de cerveja cheio foi dado para Alayen, que se adianta e começa a beber. Borges fica de braços cruzados sobre o balcão, pensando. O mago espadachim parece notar certa preocupação no semblante do homem.

    — Preocupado sobre seu subordinado ou essa Irmandade já te perturbou bastante?
    — Os dois. — Disse Borges, um pouco rouco — Eu não esperava que Dartaul fizesse aquilo, tampouco que aquele sujeito lobisomem reagiria daquela maneira. Na verdade, ele provavelmente estava tão surpreso quanto a gente.
    — Pois é... Aquelas habilidades de faca são incomuns para um investigador como ele. Ele já contou algo parecido?
    — Creio que ele falava sobre treinar com facas na época que viveu com o pai. Disse também que já passou por Rookgaard e lá aprendeu a usar lanças, mas ele evita falar sobre esse lugar. Até porque quando ele veio pra Thais, ele desistiu de ser um paladino logo depois que ganhou a benção.
    — Que hilário. — Comenta Alayen, tomando um grande gole do copo — Bem, provavelmente alguma merda aconteceu quando ele esteve em Rookgaard. Isso costuma acontecer bastante. Aquela ilha é uma maluquice.
    — Bem, você já tava dando o fora de lá quando ele chegou, não é?
    — Talvez. Eu tenho vinte e sete anos. Os novatos geralmente ficam uns quatro anos lá, pelo menos foi assim comigo.
    — Dartaul saiu em dois anos de lá.

    Alayen fita-o, surpreso.

    — Mesmo que ele não tenha demorado lá, ele não se orgulha disso e não gosta de falar sobre. Até entendo, tem certas coisas que nem mesmo eu gosto de falar, mas essa de Rookgaard... Parece um tabu pra ele.
    — Cara, se isso for verdade, Dartaul é insanamente habilidoso. E mesmo sabendo disso, ele decidiu se tornar um investigador?
    — Pois é. — Disse Borges, tomando outro gole da sua bebida — Não preciso nem falar no que senti quando vi aquele imbecil tacando facas pra lá e pra cá, juntando as mãos e fazendo prece pra Deus eliminar o mal.
    — Acha que ele continuará lutando contra a Irmandade mesmo depois daquilo?
    — Tenho certeza. Depois que aquele moleque puxa uma arma, usa e acerta, ele começa a ficar bem irritante, falando coisas sobre justiça e bondade. Quero ver se o mascaradinho vai aguentar a chatice dele.
    — Todo paladino que se preze fala sobre justiça e bondade. E falando sobre o Nightcrawler — Levanta o braço e vê seu relógio, notando que já são dez horas da noite — Vamos voltar. Outro dia o estoque de cerveja daqui vai estar cheio e aí sim você fode a sua conta bancária.
    — Pode crer. — Disse Borges, dando uma risada e terminando de beber seu copo. Ele coloca vinte e quatro moedas de ouro sobre a mesa, enquanto Alayen coloca apenas três moedas e termina seu copo, deixando-o sobre a mesa e acompanhando o investigador até seu destino.


    ~*~


    Thais. Uma casa no sudeste da cidade está sobre a vigia de dois soldados do lado de fora, e outros três dentro dela, jogando cartas na sala. Num dos quartos, está Trevor, com uma túnica verde comum e lendo um livro. Está cheio de bandagens nos braços e nas mãos, assim como no rosto, parte dela por cima de seus cabelos negros e baixos, mas muitos locais estão melhores e logo ele estará pronto para a ação de novo.

    Alguém se aproxima da casa. Usa uma armadura semelhante a dos guardas thaianos, mas possui uma faixa vermelha no braço direito com quatro estrelas de bronze: É um general. Os soldados o saúdam com uma reverência e deixam que ele entre na casa. Ele dispensa saudações dos outros homens na sala e dirige-se rapidamente para o quarto onde está Trevor.

    Ao chegar lá, o rapaz rapidamente nota sua aproximação, apesar de estar concentrado no livro. Ele não saúda seu superior, pois o próprio mostra em seu olhar que não deseja isso.

    — Trevor Van Aknimathas. Tenente de Guarda, um dos principais guerreiros da 1º Guarnição Thaiana. Estou certo?
    — Sim, senhor. — Responde o tenente, com uma voz um pouco rouca, porém, forte.
    — Estou admirado com o seu serviço aos nossos cidadãos e seu compromisso com Sua Majestade, o Rei Tibianus II. Enfrentou seis membros da famigerada Irmandade do Caminho de Sangue sozinho para proteger os cidadãos e seus próprios companheiros, quase morreu no processo, mas está aí, inteiro, vivo e reforçando seu conhecimento. É raro ver soldados gastando seu tempo lendo livros.
    — Ah... É um que eu gosto bastante. Conta sobre a guerra entre os Macacos de Banuta e os Baixos Lagartos** de Chor. Certamente o senhor gostaria de ler.
    — Dispenso. Hoje vim pessoalmente lhe comunicar que você agora é um Capitão de Guarda, pulando um cargo anterior a este, de Sargento. Preciso de você para uma missão importante e esse cargo requer este posto. E, é claro, é o que você merece pelo seu admirável serviço.

    Trevor, antes com uma cara levemente desanimada, agora parece mais animado. Ele sorri com a notícia e fecha o livro, colocando-o ao seu lado.

    — Muito obrigado, Sr. Bloodblade.
    — Me chame de Harkath deste dia em diante, Trevor. Serei rápido quanto a sua missão.


    ~*~


    Alayen, Borges, Dartaul e Nightcrawler se encontram no Arsenal dos Ratos, na sala das celas especiais, mesmo lugar onde pegaram os armamentos para enfrentar Canino. Eles observam Aika, que permanece dormindo desde que chegou.

    — Afinal, o que vai acontecer com ela? — Questiona Borges, olhando com certo desinteresse para a jaula.
    — A manterei presa por um mês. Durante esse período eu vou observar o que ela vai fazer. Vocês podem ajudar, também.
    — Vai ficar entocado por um mês? — Indaga Alayen, cruzando os braços.
    — Lógico que não. Conversarei com alguns contatos e prepararei minha própria defesa em Yalahar. Preciso aproveitar enquanto a cidade está livre deles, pois não há como chegarem rapidamente aqui. Também irei pesquisar sobre algumas coisas que apareceram no nosso caminho durante esse período, como o que podem fazer nos locais onde eles cometeram seus massacres e principalmente o que o pulsante fará com a garota. — Disse Nightcrawler, suspirando. — Bem, vou resolver umas coisas aqui dentro, lembrem-se que os quartos estão lá no terceiro andar. Escolham o que quiserem, botem umas plaquinhas com seus nomes na porta e durmam.

    Nightcrawler vira-se e vai embora até a porta que leva a sala dos documentos, onde está o elevador, desaparecendo rapidamente. O trio fica de novo ali, sozinho.

    — Vou lá também. Usarei as escadas, então, até mais. — Disse Alayen, dirigindo-se as escadarias e subindo-as rapidamente.

    Borges observa Dartaul. O rapaz parece distante olhando para a garota dentro da cela, com um olhar relativamente triste. Parece mais calmo do que antes, quando lutou contra Canino.

    — Dartaul...
    — Sim?

    Borges fica em silencio por alguns instantes. Então, cruza os braços e faz uma careta.

    — Mas que porra foi aquela que você fez lá atrás? Enfrentar um membro de uma seita poderosa daquele jeito, sozinho? Estava sobre o efeito de alguma droga? Além disso, você próprio não falou pra mim que não faria mais essas coisas?

    Dartaul fica cabisbaixo. Seu olhar mostra que ele não sabe como responder.

    — Não adianta ficar tristinho não! Está traindo seus princípios? Quebrando o que prometeu a sua mãe?

    Dartaul permanece do mesmo jeito por alguns instantes. Entretanto, não por muito tempo. Quando ele levanta sua cabeça novamente, seu olhar é sério e sombrio.

    — Estou. — Sibila Dartaul, fitando friamente os olhos de Borges — E eu não darei a mínima pro que você falar.

    Borges para por alguns instantes, um tanto assustado com a reação do rapaz. Entretanto, ele volta a si, acertando um tapa no rosto do jovem. Ele leva a mão ao rosto, devido a dor.

    — E eu não darei a mínima se você se fuder depois. Mas antes disso, eu vou te parar, te dar quantos tapas for preciso e te acordar pra realidade e pro que você decidiu seguir pouco depois de entrar na Guarnição. Não desista, Dartaul. Estamos só começando, não é hora de agir feito um herói. Seja o Dartaul de sempre, certo?

    Dartaul abaixa a mão e seu olhar fica triste novamente. Entretanto, ele concorda com a cabeça, apesar de tudo.

    — Agora, vamos lá. Soube pelo Alayen que tem uma cozinha no segundo andar. Vamos ver o que tem de bom?
    — Claro. Espero que tenha umas carnes boas lá.
    — É! Espero que tenha mesmo, vou fazer um belo cozido à lá Suzano!

    Dartaul ri e eles sobem as escadas. A terceira plataforma os levaria para uma outra escada para o andar de entrada, onde há uma prisão. Este é o ponto de partida para os andares de cima, e é onde Alayen está.

    Subindo as escadas, ele passa perto da luz e nota algo na sua mão esquerda. Algumas pequenas bolhas vermelhas, parecidas com sangue, parecem estourar uma a uma em seu indicador. Rapidamente elas somem no ar, deixando um rastro parecido com pó, e todos aqueles sinais vermelhos em suas mãos desaparecem também. O mago olha com estranheza para aquilo, enquanto uma dúvida martela sua mente.

    O que um pulsante faz?




    Próximo: Capítulo 13 – Uma Estranha na Casa


    Notas:

    * Tradução livre para Inner City.
    ** Tradução livre para Low Lizards.
    Última edição por CarlosLendario; 20-01-2017 às 17:42.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ YouTube ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  7. #7
    Avatar de Edge Fencer
    Registro
    06-09-2016
    Localização
    Vitória
    Posts
    342
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    E aí, Carlos!

    Que capítulo interessante, cara. Finalmente ficamos sabendo mais um pouco sobre o passado obscuro do Crawler, você conseguiu fazer isso de uma ótima forma. Gostei muito da maneira como você transportou a realidade para o Tibia, com o sequestro, os "policiais" e até um esquadrão anti-bombas! Inclusive, não sei se você já viu One Piece, mas esse disco de comunicação me lembrou bastante os dials de Skypiea, bem bacana.

    Suzio... Então nosso amigo mascarado tem problemas com sua identidade. Fiquei bem curioso pra saber mais sobre isso, e também sobre Senzo, Sarutevo e a relação de Aika com esse flashback do Nightcrawler.

    A escrita ficou bacana, vi poucos erros. O que mais me incomodou foram algumas expressões estranhas, como "a operação está começada", mas não foi nada demais.

    Continue nesse ritmo, tá muito interessante a história!

    Ah, e quanto ao seu ritmo de escrita, eu pude perceber um pouco isso lendo O Mundo Perdido
    Falando nisso, já li uns 20 capítulos dela, vou fazer uma força pra terminar de ler até o atual em breve, e deixo meus comentários por lá xD

    Abraço!
    Son of a submariner!

  8. #8
    desespero full Avatar de Iridium
    Registro
    27-08-2011
    Localização
    Brasília
    Idade
    31
    Posts
    3.372
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Saudações!

    Como o @Manteiga e o @Edge Fencer disseram o que eu comentaria sobre o capítulo 11, devo dizer que ele me deixou mais contente: Nightcrawler é um personagem que eu gosto muito (Lea x Nightcrawler <3 brinks n vou shippar chares), e foi bacana finalmente ver mais sobre o passado dele (principalmente pq tem Julius e Palimuth no meio. Onde tem Julius e Palimuth, é sucesso sempre). AMEI a descrição do bar de Yalahar (morrendo de rir com as Dworcs) e estou curiosa com o passado do Dartaul: que promessa? E ainda quero ver o que o pulsante faz: e não apenas uma resposta exaltada de Nightcrawler sobre isso.

    No mais, a revisão desse capítulo ficou melhor, mas ainda há uns errinhos bobos. Fora isso, muito bom. GG.



    Abraço,
    Iridium.

  9. #9
    Avatar de Edge Fencer
    Registro
    06-09-2016
    Localização
    Vitória
    Posts
    342
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Gostei do Borges triste pq tinha pouca cerveja no bar

    Bom capítulo, Carlos. Mais calmo, em comparação com o que você costuma fazer, mas com a mesma qualidade.

    Acho que dei uma moscada na história do Trevor, tinha certeza que ele tinha morrido... Que bom que eu estava errado. Com certeza ele ainda tem muito o que oferecer na sequência da história.

    Cada vez mais eu fico curioso com o Dartaul, esse passado misterioso aí só fortaleceu isso. Como pensei, ele não é um zero à esquerda, e parece que está incorporando uma personalidade diferente da sua por alguma razão... Não tenho muita ideia do que pode ser isso, espero ser surpreendido

    Também espero entender melhor como funciona esse pulsante, acho que com a observação da Aika isso vai ficar um pouco mais esclarecido.

    Quanto à frequência dos capítulos, eu tô achando bacana assim. Sinto uma pontinha de inveja também, já que não estou conseguindo escrever com uma frequência maior ultimamente... Enfim, por mim tá ótimo você lançar o próxima ainda essa semana.

    É isso, gostei desse capítulo e estarei aguardando pelo próximo.

    Abraço!
    Son of a submariner!

  10. #10
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.387
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão Capítulo 13 - Uma Estranha em Casa

    Citação Postado originalmente por Iridium Ver Post
    Saudações!

    Como o @Manteiga e o @Edge Fencer disseram o que eu comentaria sobre o capítulo 11, devo dizer que ele me deixou mais contente: Nightcrawler é um personagem que eu gosto muito (Lea x Nightcrawler <3 brinks n vou shippar chares), e foi bacana finalmente ver mais sobre o passado dele (principalmente pq tem Julius e Palimuth no meio. Onde tem Julius e Palimuth, é sucesso sempre). AMEI a descrição do bar de Yalahar (morrendo de rir com as Dworcs) e estou curiosa com o passado do Dartaul: que promessa? E ainda quero ver o que o pulsante faz: e não apenas uma resposta exaltada de Nightcrawler sobre isso.

    No mais, a revisão desse capítulo ficou melhor, mas ainda há uns errinhos bobos. Fora isso, muito bom. GG.



    Abraço,
    Iridium.
    E aí Iri, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    A descrição do bar de Yalahar foi pra fazer graça com o fato de ter um dworc como dono dele, dai improvisei. Quanto ao passado do Dartaul, falarei mais dele nos próximos capítulos, assim espero. Quanto aos pulsantes, talvez demore um pouco mais, mas as dúvidas serão respondidas.

    E pode shippar a vontade, nem ligo mais pra isso. mas yaoi não né pelo amor de deus

    Espero que este seja do seu agrado.

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    Gostei do Borges triste pq tinha pouca cerveja no bar

    Bom capítulo, Carlos. Mais calmo, em comparação com o que você costuma fazer, mas com a mesma qualidade.

    Acho que dei uma moscada na história do Trevor, tinha certeza que ele tinha morrido... Que bom que eu estava errado. Com certeza ele ainda tem muito o que oferecer na sequência da história.

    Cada vez mais eu fico curioso com o Dartaul, esse passado misterioso aí só fortaleceu isso. Como pensei, ele não é um zero à esquerda, e parece que está incorporando uma personalidade diferente da sua por alguma razão... Não tenho muita ideia do que pode ser isso, espero ser surpreendido

    Também espero entender melhor como funciona esse pulsante, acho que com a observação da Aika isso vai ficar um pouco mais esclarecido.

    Quanto à frequência dos capítulos, eu tô achando bacana assim. Sinto uma pontinha de inveja também, já que não estou conseguindo escrever com uma frequência maior ultimamente... Enfim, por mim tá ótimo você lançar o próxima ainda essa semana.

    É isso, gostei desse capítulo e estarei aguardando pelo próximo.

    Abraço!
    E aí Edge. Obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    O Trevor não morreu, eu errei na revisão de um dos capítulos, acho que coloquei "Trevor" no lugar de "Gregor" em algum ponto. Irei resolver isso logo. Mas, fique feliz, pois ele está de volta e com sangue nos olhos.

    Dartaul será melhor tratado nos próximos capítulos, assim como o pulsante e sua relação com Aika.

    Espero que goste desse capítulo, e que você consiga mais vontade pra escrever com frequência! Inclusive seu comentário permitiu que este capítulo viesse hoje, então aproveite ele.







    Muito bem pessoal, dois capítulos numa semana de novo. Quem sabe essa frequência não seja mantida e venha dois capítulos por semana? Eu espero que sim.


    Bem, vamos ao novo capítulo!




    No capítulo anterior:
    O passado de Dartaul é discutido entre Borges e Alayen. Borges dá uma lição de moral em Dartaul, enquanto Alayen descobre algo relacionado aos pulsantes na sua própria pele.




    Capítulo 13 – Uma Estranha em Casa




    O Arsenal de Ratos está em pura escuridão. Todos os cômodos estão envoltos pelas trevas, enquanto a maioria dos presentes ali se encontra dormindo. Apenas Nightcrawler e Aika estão acordados, olhando um para o outro, ambos de pé.

    O detetive está com ambas mãos nos bolsos de seu sobretudo bege. A luz branda de Suon ilumina levemente o recinto e lhe dá um aspecto sombrio. Aika fita o mascarado, sem expressão, por trás das grades de sua cela. Há um painel branco à esquerda, do outro lado da cela, com dois botões, um azul e outro vermelho.

    — Imagino que já tenha dormido muito, não é?

    A moça não o responde, deixando alguns instantes de silencio.

    — Entendo. Não gosta de falar... Bem, tanto faz. Mas, pelo menos, diga o que veio fazer aqui em Yalahar. Eu sei que você tem um objetivo aqui.
    — Tenho. Fugir. — Disse Aika, com uma voz baixa e fraca, um tanto abafada.
    — Fugir de quê?
    — Dos vermelhos.

    Nightcrawler observa-a por um tempo, pensando.

    — Da Irmandade, você diz? De onde a conhece?
    — Todos conhecem... A Irmandade do Caminho de Sangue.
    — Sinto em dizer que não. Eles não são muito conhecidos, apesar de tudo que já fizeram. Seus estilos variam, então algumas guarnições locais costumam entender que os massacres são feitos por outros grupos, e não por eles. Logo estarão falando que o caso em Carlin foi um ataque de Thais, pra servir de estopim para uma guerra.
    — Guerra...? Ninguém mais quer guerrear, detetive Nightcrawler...
    — É o que você pensa, garota. Guerra movimenta dinheiro. Negócios. Produção. Empregos. Guerra é apenas negócios, devo dizer. Nossa realidade é assim, atualmente.
    — Isso é o que eu ouço de você. Não vejo mais ninguém falando algo parecido.
    — Pois eles vivem essa realidade. Como explicar algo que você está tão acostumado que nem percebe? É fácil dizer que minha afirmação está errada quando você já está nessa vida.
    — As pessoas não precisam entender a realidade em que vivem, pois sabem que é a certa e ninguém pode negar. Nem mesmo você.

    Nightcrawler soca o botão azul, eletrocutando Aika. Ele aperta de novo cinco segundos depois, fazendo parar. Aika falha e quase cai no chão, segurando-se nas barras.

    — O choque é pra refrescar sua mente. Sua afirmação é estúpida. Diga-me, se as pessoas estiverem sendo governadas por um rei tirano, numa verdadeira ditadura, elas de bom grado aceitariam serem assoladas por aquele rei simplesmente porque acham certo?
    — Não... Você entendeu errado. Está partindo para o sentido social e não da realidade em si. Se as pessoas não reclamam da realidade em que vivem, é porque estão satisfeitas, logo não precisam nem mesmo entender. Mas no sentido social, na ditadura que você mencionou, até mesmo um porco pode entender quando está sendo oprimido e se sentirá insatisfeito. Sua afirmação não faz sentido e quem precisa refrescar a mente é você.

    O detetive abre um sorriso de orelha a orelha por trás da máscara. Lembra o sorriso marcado nela.

    — Afiada. Muito afiada. Estou ficando cada vez mais interessado em você, Aika. Por sinal, irei fazer algumas pesquisas a seu respeito e ver se encontro algo. — Disse o detetive, enquanto a garota o ignora e retorna para as sombras.

    Nightcrawler vai embora da sala e deixa a moça sozinha. Ele se dirige a sala do lado, tomando o elevador para ir até os quartos. Ao chegar no local, ele segue por um pequeno corredor que dá a outro, com várias portas em ambos os lados. As paredes são brancas e as portas marrons.

    Ele segue até o seu, no fundo do corredor, mas antes que chegasse lá, uma das portas se abre e alguém sai de lá. Este alguém é Alayen.

    — E aí tio, desculpa te incomodar, mas tem algo na minha cabeça que está me incomodando.
    — Hm. Tem um caroço nela?

    Alayen parece irritado.

    — Papo sério, cara.
    — Ok, ok. Fale.
    — Eu estava perto da Aika quando aquele... Pulsante, né? Bem, quando aquela coisa lá explodiu nas costas dela. Mas assim como ela, eu não senti nada, nenhuma mudança, sabe? Notei isso quando tava subindo pra cá e tinha uns rastros parecidos com sangue na minha mão e eles sumiram no ar.

    O mascarado cruza os braços, indicando para que ele continue.

    — Bem, e se isso não funcionar com feiticeiros?
    — Druidesa, você quer dizer.
    — Na verdade, ela é os dois. Ela é habilidosa o suficiente pra ter magias e feitiços de ambas vocações, pelo que me falaram.
    — Bem... — Disse Nightcrawler, colocando uma mão no queixo — Você tem um ponto. Vou pensar nisso com mais calma depois. Até mais.

    O homem vira-se e parte até seu quarto. Alayen não parece muito satisfeito, porém, decide voltar pro seu quarto, fechando a porta e inundando-se em seus devaneios novamente.


    ~*~

    O dia iluminava o Arsenal dos Ratos. Alayen, que dormiu rapidamente e de forma pesada, acordou e se arrumou para ir de encontro aos outros e planejar os próximos passos.

    Ele se dirige a sala das prisões especiais, descendo as plataformas até o térreo. Ao chegar, nota Nightcrawler sentado de frente para Aika, da qual se encontra sentada em sua cama, porém, calada e cabisbaixa. O detetive come uma espécie de massa fina em um pote de vidro, usando um garfo, além de não estar usando sua máscara. Entretanto, ele está no escuro, dessa forma sua face não é muito visível.

    — Café da manhã belo e saudável, hein? — Comenta Alayen, de cima da primeira plataforma.
    — Estou praticamente morto, garoto. Não faz mais diferença.
    — Mas que papo mais boiola.

    Alayen desce as escadas e chega ao térreo. Entretanto, ao pisar nele, sente algo estranho; Uma presença. Ao virar a cabeça para seu lado direito, ele nota alguém nos fundos, sentado, também comendo a mesma coisa que Nightcrawler. É Dartaul.

    O rapaz está com uma camisa vermelha e calças negras, além de estar usando sapatos de cor bege. Ele não parece triste ou irritado, apenas tem cara de quem quer ficar sozinho.

    — Dartaul? Tá bem, cara? — Indaga Alayen, mas ele não recebe resposta.
    — Deixe-o em paz, Alayen.
    — Hm? Qual foi?
    — Acordei cedo e o rapaz aí também. Viemos pra cá e a maluca sentada ali no fundo — Disse Nightcrawler, apontando com a cabeça para Aika — Começou a falar com uma voz bizarra, dura. Cada palavra dela parecia que estava drenando um pouco das nossas vidas.
    — Espera aí... Possessão? Alguém falou por ela?
    — Não tenho certeza... — Disse Nightcrawler, dando uma garfada da comida no pote — Hoje eu vou falar com Palimuth e uns sacerdotes da cidade. Ele também vai me ajudar a preparar as defesas ao redor desse Quarteirão e na cidade toda. Vou dominar tudo, e você vai assistir de camarote.
    — Pensei que dominar não fosse a sua praia...
    — Não é. Mas agora virou questão de honra.
    — Beleza, campeão. — Caçoa Alayen, aproximando-se da cela e fitando Aika — Bom, o que ela falou?
    — Ela falou cinco frases num intervalo de cinco minutos. — Disse Nightcrawler, pegando um caderno no chão ao lado do seu pé direito — A primeira frase foi “Os oprimidos sangrarão em fúria”. A segunda foi “Mas sua opressora cega também sangrará”. Depois, a terceira, foi “O formoso monte, o capitólio humano, antes cinza, será vermelho”.

    Alayen engole em seco.

    — E as duas últimas foram as piores. A quarta frase foi “Assim o ciclo das manchas mundiais terminará, e assim Máquina ressuscitará”. E a quinta é “Todavia, o desafiante precisará viajar”.

    Todos ficam em silencio por pelo menos um minuto. Todo tipo de pensamentos começa a inundar a mente dos presentes.

    — Eu não entendi nenhuma das frases, por isso irei consultar Palimuth, pois ele entende mais dessas coisas do que eu. Por fim, alguém precisará ficar de olho nela, e não tenho escolha senão deixar o Dartaul fazer isso.
    — Porra, peraí! O Dartaul? Sem ofensas, mas, porra, não era você quem deu um puta esporro nele como se ele fosse o maior irresponsável do mundo? Até tirou sua máscara! E eu nunca vi a merda do seu rosto sendo que te conheço a mais tempo que ele!

    Nightcrawler estala os dedos e uma luz branca começa a cercá-lo. Seu rosto, com uma pele levemente escura, rugas, o olho cego com a cicatriz, uma cicatriz enorme na boca do lado direito indo até próximo da orelha, uma barba mal feita e pouco grisalha e um olhar morto, sinistro e sério compõem o rosto do detetive. Alayen olha-o completamente pego de surpresa, com um semblante de medo e terror.

    — Satisfeito? Eu não sei o que a Irmandade será capaz de fazer no futuro, então é bom que você saiba como meu rosto é para que me reconheça caso alguém tentar se passar por mim. Lembre-se bem dele, pois é a primeira e a última vez que o verá. — Disse o detetive, estalando os dedos de novo e fazendo a luz sumir.
    — Meu Banor que estás no céu, você é horrível. Como a mestra Lea gosta de um cara como você?
    — Lábia, garoto, lábia. E ela sempre foi solteirona por nunca achar homens bons o bastante pra ela e achar que todos são frouxos. Nem preciso detalhar a surpresa dela quando me conheceu de verdade.

    Alayen balança a cabeça negativamente, voltando a fitar Aika.

    — Bem, então vai deixar o Dartaul olhando pra ela?
    — Sim, entramos num acordo. O garoto está determinado de verdade, nem parece aquele investigador bunda mole que eu conheci em Greenshore. Além disso, ele tentou defender Aika, então meu palpite é que ele se dê melhor com ela. — Disse Nightcrawler, dando outra garfada. Alayen ri baixo e sorri.
    — E Borges?
    — Foi pro bar. E eu to indo até Palimuth, até mais. — Disse, levantando-se do banco, colocando o pote sobre uma mesa próxima, pegando sua máscara e partindo até a sala de documentos. Mais uma vez, ele desaparece rapidamente.

    Alayen observa mais uma vez a maga e então olha Dartaul, sentado no chão, distante. Parece sentir um pouco de dó por vê-lo daquele jeito.

    — E aí, Dartaul? Vai ficar bem cuidando dela?

    O investigador parece surpreso com a pergunta.

    — Ah... Bem, acho que sim.

    Alayen se aproxima do rapaz, que segue do mesmo jeito. Agora sua feição parece melhor: Ele está com medo.

    — Devo te perguntar, Dartaul... Você parece ter alguma fixação nela. — Balbucia o mago, cruzando os braços. Novamente o rapaz parece surpreso, mas compreende a pergunta.
    — Bem... Ela me lembra alguém importante pra mim. Talvez por isso ela esteja me fazendo perder o controle.
    — Ah, entendo... Mulher é assim mesmo. Elas costumam sempre despertar algo em nós que nem sabíamos que existia. Mas fica tranquilo, irei te ajudar.

    Dartaul sorri e agradece com o olhar, voltando a atenção para o pote em sua mão, comendo a massa dentro dele com certo gosto.

    — Então... Que coisa é essa aí que você está comendo?
    — Macarrão.

    ~*~


    Uma semana depois, Aika está sentada em sua cama na mesma cela, lendo um livro. Dartaul está sentado do outro lado no fundo de uma sala, numa cadeira, observando-a, usando a luz da noite e um abajur do lado dela para tal.

    O restante do trio, assim como Zoe, está na sala dos documentos, próximos das muitas estantes de alumínio do local. Nightcrawler está sentado numa cadeira da mesma mesa em frente do elevador, ela está encostada na parede e o mascarado concentrado num caderno sobre suas pernas, que estão cruzadas. Os outros rapazes estão encostados nas estantes, esperando ele começar a falar.

    — Pois bem. O nome da garota é Aika Danguian, nascida em Porto Esperança*. Ela tem vinte anos, mas é um prodígio sem precedentes, pois sabe a maioria das magias de feiticeiros e druidas e combina-as bem. Entretanto, pelo que fiquei sabendo por um contato em Venore, a garota possuía outro nome originalmente, mas mudou quando foi para... Chor. Acredita-se que ela viveu com os lagartos, aprendeu sua cultura, sua língua e adotou alguns costumes deles. Não achei nenhuma informação sobre a sua família, mas dizem que a mãe dela teve quatro filhos, incluindo ela.

    Todos ficam em silêncio, sem saber o que dizer. Nightcrawler decide continuar e pigarreia.

    — Pra finalizar, ela não estava em Thais quando relataram que uma garota parecida com ela atacou um membro da Irmandade. Ela já estava a caminho de Yalahar. Além disso, ninguém sabia sobre os irmãos dela ou se recusavam a falar.

    Zoe está pensativa, com uma mão no queixo e o olhar distante. Quando ela volta para a realidade, seu semblante parece claro como água.

    — Nightcrawler... E se ela tiver uma irmã gêmea?

    Todos olham para Zoe com surpresa.

    — Você tem um ponto, Zoe. — Disse Nightcrawler, balançando o dedo indicador direito — Vou me lembrar disso. Porém, precisamos achar os irmãos dela, quem sabe informações sobre os pais dela, sobre parentes, qualquer coisa. A vida dessa garota é muito escondida, como se ela não existisse até a Irmandade atacar Carlin.
    — Eu apoio a ideia dela ter uma doppelgänger. — Comenta Borges, cruzando os braços e olhando pro chão. Alayen olha pra ele com desprezo por achar sua ideia estúpida.
    — Seja lá o que ela for ou o que ela ter, já temos informações, isso é bom. Além disso... Tem uma semana desde que Palimuth a examinou e não achou merda nenhuma. Nem os sacerdotes. Porra, nem mesmo aquele yalahari original cedido pelo próprio governador da cidade achou alguma coisa nela. — Disse Nightcrawler, com frustração, jogando o caderno na mesa e cruzando os braços.
    — Então o pulsante não funcionou nela?
    — Tenho certeza que funcionou, mas enquanto eu não souber o que um pulsante faz, eu não saberei dizer se ela está segura ou não. De qualquer forma, ela tem uma conexão com os vermelhos, visto aquelas frases que ela falou. Mas, bem... Só podemos ficar de olho.

    Na sala de plataformas e celas, Dartaul está de pé na escuridão, olhando para algo do lado da cela de Aika. O abajur ao lado está apagado. Ao lado, surge um espírito vermelho no ar, que desaparece rapidamente do mesmo jeito que surgiu. A moça olha para o investigador, assustada, e se ajoelha no chão, parecendo mais fraca e pálida.

    — Me ajude...





    Próximo: Capítulo 14 – Manchas


    * Tradução livre para Port Hope.
    ** Doppelgänger é uma lenda germânica sobre uma criatura capaz de tomar uma aparência igual a uma pessoa, como se fosse sua reprodução num espelho.



    Publicidade:


    Jogue Tibia sem mensalidades!
    Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR.
    https://taleon.online



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ YouTube ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉



Permissões de Postagem

  • Você não pode iniciar novos tópicos
  • Você não pode enviar respostas
  • Você não pode enviar anexos
  • Você não pode editar suas mensagens
  •