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Tópico: Bloodtrip

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  1. #1
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    Voilà mas um capítulo a la Charles the legendary

    Um verdadeiro frenesi, um autêntico capítulo ninja, naruteiro.

    Uma lástima a morte da coisinha. Coisinhas acabam sempre se tornado a atração das histórias. Aquele algo a mais.

    Crawler é um cara mau, muito mau.

    E o Dartaul? Como é que fica agora, sem a coisinha?

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  2. #2
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    Ótimo capítulo.

    Embora haja MUITO o que comentar, me absterei de longos comentários neste post. Apenas devo dizer que fez um bom trabalho com o capítulo, com MUITAS reviravoltas ocorrendo a todos os instantes do texto. É "Aliança" começando na vantagem, depois há Soulslayer da um contra-golpe, há reação, há porrada, depois desespero, depois fuga, depois Nightcrawler confuso (mostrando o seu lado mais humano), E O FUCKIN ENDING. Tipo, MUITO na cara que o Nightcrawler fez cagada ali com a Aika, você deixou isso bem claro, e acredito que isso pode até estar nos planos da Irmandade (o Nightcrawler fazendo algo "dark side").

    Enfim, aguardo o desenrolar dos próximos capítulos. Estarei acompanhando ansiosamente, e se eu não comentar, pode ter certeza que em algum final de semana o comentário vai sair


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  3. #3
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    Padrão Capítulo 20 - O Discurso IV

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post


    Excelente capítulo, Carlos. Como esperado, a ação e as lutas sanguinárias voltaram com tudo, e o resultado ficou bem legal.

    De início, parecia que o plano do Nightcrawler estava dando certo (até demais), mas depois o caldo começou a azedar pra ele. Tanto é que ele ficou putaço a ponto de fazer aquilo com a Aika na frente de todo mundo. Pesado.

    Bom, ele nunca deixou de desconfiar da Aika, e vendo o rosto dela no corpo do Redchain dá pra entender o motivo dele matá-la pra não deixar margem pra dúvidas. Mas, sei lá, achei uma ação meio precipitada. Enfim, o Dartaul com ctz vai tomar um ódio mortal pelo Crawler e deve buscar se vingar de alguma forma. Curioso pra ver como os outros membros do grupo reagirão.

    Não notei muitos erros de português dessa vez, ficou muito bem escrito o capítulo. Só reparei mesmo num errinho de formatação:


    É isso aí, gostei bastante do capítulo. Aguardo pela sequência.

    Abraço!
    Diga aí, Edge. Obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    O ato de Nightcrawler trará consequências irreparáveis para o time, mas ele não pensou na hora nisso justamente por ele estar puto. E isso o perseguirá pelo resto da história, pode ter certeza.

    Eu posso dizer que a morte de Aika foi algo parecido com quando você toma uma decisão importante num jogo do tipo, como Life is Strange ou até mesmo Fate/Stay Night(A visual novel). Ela decidirá a trilha que todos tomarão daqui pra frente e mudará algumas coisas. Dartaul provavelmente sentirá muito bem isso.

    Arrumei o errinho. Obrigado por ter lido e espero que goste deste capítulo também!

    Citação Postado originalmente por Skirt Underdome Ver Post
    Voilà mas um capítulo a la Charles the legendary

    Um verdadeiro frenesi, um autêntico capítulo ninja, naruteiro.

    Uma lástima a morte da coisinha. Coisinhas acabam sempre se tornado a atração das histórias. Aquele algo a mais.

    Crawler é um cara mau, muito mau.

    E o Dartaul? Como é que fica agora, sem a coisinha?
    Opa Skirt, obrigado pelo comentário e pelos elogios. pode continuar chamando de naruteiro, agora não ligo mais, já que o anime acabou e eu to bem sad

    A "coisinha" tinha importância na história e também foi meio que o atrativo dela por algum tempo. Agora veremos como isso pesará sobre Nightcrawler, bem como sobre Dartaul.

    Não sei como ele ficará sem certas coisas, mas ele supera.

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Ótimo capítulo.

    Embora haja MUITO o que comentar, me absterei de longos comentários neste post. Apenas devo dizer que fez um bom trabalho com o capítulo, com MUITAS reviravoltas ocorrendo a todos os instantes do texto. É "Aliança" começando na vantagem, depois há Soulslayer da um contra-golpe, há reação, há porrada, depois desespero, depois fuga, depois Nightcrawler confuso (mostrando o seu lado mais humano), E O FUCKIN ENDING. Tipo, MUITO na cara que o Nightcrawler fez cagada ali com a Aika, você deixou isso bem claro, e acredito que isso pode até estar nos planos da Irmandade (o Nightcrawler fazendo algo "dark side").

    Enfim, aguardo o desenrolar dos próximos capítulos. Estarei acompanhando ansiosamente, e se eu não comentar, pode ter certeza que em algum final de semana o comentário vai sair
    Grande Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    O time realmente começou com a vantagem, mas quem nesse mundo consegue vantagem por muito tempo contra a Irmandade?

    E sim, quis deixar o capítulo bem dinâmico, pois ele teria muita importância na história. Já o planejava desde o começo dela, e estou feliz pelo pessoal estar curtindo as partes. Não sei se ninguém reparou, mas eu troquei a cor do título de um vermelho escuro para o normal, e isso significa que muita merda vai rolar daqui pra frente. Então, prepare-se.

    E também, eu realmente espero que ninguém esteja se frustrando com nada, inclusive depois desse capítulo aqui.

    E rapaz, o fim nem se compara com o resto da história. Fique ligado.








    Galera, Naruto acabou, tô sad. Não imaginei que ficaria assim, pois até uns anos atrás eu nem ligava mais pro anime, mas ele fez parte da minha infância como Dragon Ball, e me fez sentir quase a mesma coisa que senti quando vi o final do DBGT. Deixou a questão "Esse é o final?" e com motivos. Pois porra, devia ter mostrado mais coisas, né?

    Talvez até a lua-de-mel tenho um doujão dela, interessados chamem no privado

    Mas bem, estou dizendo isso pois a primeira comparação que fizeram com essa história foi à Naruto. E pouco tempo depois de eu ter começado a escrevê-la, eu retomei Naruto a partir da luta dos três sannins e demorou dois meses pra eu terminar tudo. É, rushei bastante, mas valeu a pena.

    Por fim, eu espero que gostem desse capítulo. Não esperem coisa boa nele.




    No capítulo anterior:
    O plano do discurso começa, com os membros sendo atacados por uma forte guarda organizada nas amuradas do pátio próximo da sala do trono. Tudo parece estar correndo bem, até o momento em que Soulslayer aparece e faz um contra-ataque voraz, virando a maré a favor da Irmandade. No final, o rosto de Redchain é visto por Nightcrawler, e para a surpresa dele, era o rosto de Aika. Sua reação acaba sendo o assassinato da feiticeira.




    Capítulo 20 – O Discurso
    Parte 4



    Alguns momentos de silencio seguem-se após o corpo de Aika desabar no chão e cobri-lo de sangue. Momentos esses que ninguém ali, de fato, entendeu. Parecia uma simples ilusão projetada por alguém da Irmandade, mas eles finalmente perceberam que não, pelo simples fato de não ter mais alguém daquele grupo ali.

    Quem interrompe o silencio é Dartaul, com um grito altíssimo e cheio de sofrimento. Enquanto grita, ele ajoelha-se no chão e coloca as mãos na cabeça. Zoe vira a cabeça para o lado, Borges fecha os olhos e mexe a cabeça negativamente, Trevor coloca a mão no rosto e Alayen observa boquiaberto. De alguma forma, todos sabiam que aquilo aconteceria, apenas acreditavam do fundo de seus corações que algo assim não iria acontecer.

    — Por quê... POR QUÊ? POR QUE VOCÊ FEZ ISSO? — Grita Dartaul, chorando com ódio.
    — E por que não fazer? Eu nunca vi alguém ter a voz apagada falando o nome da Irmandade tantas vezes seguidas. Não sei nem se ela era um membro ou algo diferente que eles fizeram.
    — E DAÍ? POR QUE MATÁ-LA DESSA FORMA? ELA ERA NOSSA AMIGA!
    — “Nossa” é muita gente. Concordei em deixá-la sair pra ficar nos seus cuidados por muito pouco. Eu precisava do máximo de gente para o meu plano. Ela se mostrou problemática, então precisei dar um jeito nela.
    — “Dar um jeito”? É assim que você vê os outros, Nightcrawler? É ASSIM QUE VOCÊ VÊ QUEM TE AJUDA?
    — É assim que eu vejo quem é perigoso demais para estar no meu time.

    Os olhos de Dartaul ficam arregalados e as lágrimas recusam-se a parar de cair. Ele abaixa a cabeça aos poucos, enquanto nota algo fraco saindo do pescoço de Aika. Parece um tipo de vapor vermelho, bem espalhado, mas visível.

    — Além disso, eu vi o rosto de Aika num membro da Irmandade no andar acima do nosso, quando ela deveria estar na amurada. Eu não a vi ali naquele momento. Não sei o que ela era, não sei do que ela era capaz, é possível que ela tivesse alguém por trás dela a controlando. As possibilidades eram muitas. E até eu descobrir exatamente o que era, já estaríamos mortos.
    — Mas você não pode negar que foi um ato totalmente precipitado, Crawler. — Disse Trevor, com desaprovação no olhar. — Eu não acho que ela deveria ter sido morta e sim presa. Matar ela quando ela tem relação com os vermelhos só irá atrair coisas ruins para nós.
    — Foi tudo calculado, Trevor. Eu não cometeria um erro desse.

    — Claro que cometeria.

    A voz de Soulslayer passa pelos ouvidos de todos os presentes ali como uma facada. Em instantes, eles viram-se para confrontá-lo, mas apenas o pior acontece: Outros membros surgem, pegando Zoe, Borges e Dartaul. Em seguida, Trevor e Alayen se afastam e ficam próximos de Nightcrawler. Ambos se armam para o combate.

    Ao lado de Soulslayer está Redchain. A garota está sem sua máscara, usando apenas o seu capuz vermelho. Ela olha para o corpo de Aika sem reagir.

    — Nem mesmo sua sorte é capaz de te salvar, Nuito. Você é precipitado e arrogante demais para se salvar pra sempre.
    — Pare de me chamar de Nuito, seu miserável. Meu nome é Nightcrawler!
    — Não se esqueça do seu nome, Suzio. Posso ter esquecido muitas coisas a seu respeito, mas não o seu nome.

    Ao menos doze membros estão ali. Alguns dos classificados oito melhores estão ali, como o homem grande de uniforme preto e cobertura de manequim vermelha, o homem de cachecol, o que possui o uniforme feito de sangue e um último uniformizado normalmente, usando um machado duplo e com reproduções de asas no capuz e nas costas. Os volumes na região do tórax, bem como algumas curvas detalhadas em seu corpo, indicam que é uma mulher.

    — Você é estúpido demais em achar que magias de runa simples conseguiriam matar um membro poderoso como eu, Suzio! Nem feriu meu parceiro! — Comenta o membro de cachecol. Ele prende Dartaul com duas adagas brancas, uma nas costas e outra no pescoço dele.
    — Você trouxe Adumo, Lalori, Onni’aw e Bryca pra cá só pra me pegar? Devo ser muito importante pra você, mesmo.
    — Lógico que é. Você é problemático, Suzio, muito problemático. Faz anos que você vai contra nós e reúne informações que não deveria. Faz anos que você nos irrita e mata membros preciosos para nós. Você é o único capaz disso. E quando você morrer, eu saberei que estarei mais próximo de terminar o objetivo da Irmandade.
    — Que é...?

    Soulslayer ri.

    — Acha que explicarei meu plano pra você, como numa história para crianças? Pra eu ser impedido no último segundo? Por favor, Suzio. Meu plano já começou há dez anos. Sem muito mais enrolações, matem todos. Sem prisioneiros. Logo iremos resgatar os que foram capturados.
    — Dê-me um momento antes, meu mestre. Eu imploro. — Suplica Redchain. Seu rosto não esboça reação, apesar do pedido ter uma carga sentimental.
    — Está dado.

    Redchain agradece e se aproxima de Nightcrawler. Ele possui duas facas nas suas mãos, ambas de prata, prontas para explodir tudo.

    — Apenas queria dizer que você é horrível no mesmo nível do qual você nos considera. Você não é uma boa pessoa, Suzio, e nem pode se considerar um herói.
    — Isso vindo de uma assassina... Que irônico.
    — Eu ser assassina não muda o fato de você ter assassinado uma companheira de time na frente deles. Nem eu faria algo assim. Há decência no que eu faço, e não mato deliberadamente.
    — Entendo. Você é igual aquela Aika que falou comigo na primeira noite, discutindo sobre guerra. Havia as mesmas palavras afiadas que você usa contra mim agora.
    — É. Era eu sim. A irmã gêmea de Aika, Miraya.

    Nightcrawler arregala os olhos e engole em seco. Nunca pensara que cometeria um erro daqueles e assassinaria alguém inocente. O restante do time também parece surpreso, especialmente Dartaul, que sentia o ódio queimar dentro de si.

    — Tá brincando comigo... Não é? Como você assumia o controle dela dessa maneira?
    — Quando entrei para a Irmandade, minha irmã foi atingida por um pulsante pouco tempo depois. A partir dali, eu passei a ter contato com ela quase que sempre, podendo trocar a consciência dela com a minha. Eu usava isso para observar vocês. Mas parece que você sempre estava um passo a frente, já que diversas coisas foram planejadas sem eu saber.

    As peças começam a se encaixar. Zoe também nota que até mesmo sua sugestão estava correta. Pulsantes podem ser usados dessa maneira e eu nem fazia ideia. Pensa Nightcrawler, colocando uma mão no rosto. E ela tinha três irmãos, eu nem cogitei que elas poderiam ser gêmeas...

    — Você matou minha irmã, Suzio. Eu jamais perdoarei você.
    — A culpa é toda sua por deixá-la vir sozinha para Yalahar. Um dos seus veio atrás dela por esse motivo.
    — Ele foi atrás dela para usar o pulsante nela após minha entrada. Não planejava matá-la.
    — E aí você diz que eu sou tão ruim quanto você quando VOCÊ manda um MONSTRO atrás da SUA irmã para jogar ela no meio do grupo inimigo como uma espiã, sendo que ela nem fazia ideia do seu paradeiro nem do porque se meteu no meio deles? — Disse Nightcrawler, rindo em seguida por deboche. — Céus, você é patética.
    — Mandei Aika para Yalahar por um único motivo, que era protegê-la. Meus irmãos foram atrás de você e seus aliados em Thais e eu os ataquei com medo. Sai em direção de Venore e no caminho fui emboscada por thaianos que estavam me seguindo e fui violentada no meio do nada, simplesmente porque eu os ataquei. Diziam que aquele ataque atrairia os Sangues para Thais pra destruí-la e eu era a culpada. Quem planejava ir para Venore era Aika, e eu fui no lugar dela. Esse foi o meu fim, antes de me juntar à Irmandade.

    Todos ficam em silencio, inclusive Nightcrawler, que não sabe o que dizer. Dartaul para de chorar e abaixa a cabeça.

    Entretanto, algo vem à cabeça de Nightcrawler. O quebra-cabeça continua se montando.

    — Então Chaur fica perto de Venore?

    Todos os membros da Irmandade olham para o detetive, aparentemente surpresos, bem como Redchain, cujo rosto é visível e confirma sua surpresa. Formas se desenham na máscara de Soulslayer; dentes cerrados e sobrancelhas baixas. Raiva.

    — Comecem.

    Zoe é ajoelhada pelo membro atrás dela, cujo é Bryca, com o machado. Numa fração de segundos, sem ela conseguir falar alguma coisa, com um olhar aterrorizado, sua cabeça é separada do seu corpo. Ela tomba no chão primeiro, seguida de seu corpo, jorrando sangue adiante.

    Nightcrawler olha para a cabeça de Zoe próxima de seus pés, com um olhar sem vida e espalhando mais sangue do que deveria. Trevor e Alayen também olham, apavorados, bem como Borges e Dartaul. O jovem se encontra paralisado, sem saber como reagir ou como sentir, com um olhar quase petrificado. Suas pernas tremem e seu corpo está frio.

    — Exatamente, Nightcrawler. Chaur fica perto de Venore. O custo da veridicidade dessa informação foi a vida da albina da Ordem dos Espíritos Claros, mas não pense que isso acabou.

    Borges olha apavorado e tenso para Soulslayer, enquanto sente um movimento estranho do membro atrás dele, cujo é Onni’aw. O sangue que compõe seu uniforme forma uma lâmina afiada no seu braço direito, e ele usa para, em seguida, perfurar as costas do investigador-chefe, chegando até o abdômen e saindo por ali. Seu rosto exibe pavor, sua boca busca por ar, seus olhos estão assustados.

    Vendo aquilo, Dartaul consegue retomar a consciência e se encher de ódio. Ele pretende se soltar do membro que o segurava. Borges ainda pode ser salvo, ele ainda não havia morrido. Mas não precisaria fazer muito mais, já que o sentimento foi transmitido para aqueles que estavam soltos.

    — Chega! Exevo Gran Mas Flam! — Grita Alayen, fazendo uma explosão poderosa tomar conta de toda a área em que estavam.

    A explosão dura apenas alguns segundos. Ao passar, muita fumaça se levanta, e entre ela, está os membros, protegidos por uma dezena de escudos que protegem toda a área de seus corpos. Bryca está com a mão levantada, e aparentemente, foi ela que fez aquilo. A fumaça demora a se dissipar, e quando isso acontece, nenhum dos capturados está ali. O corpo de Zoe e de Aika viraram cinzas e até mesmo Borges havia sumido.

    — Suzio e suas fugas... — Disse Soulslayer, cruzando os braços, enquanto os escudos são desfeitos.
    — Nunca vi essa magia acompanhada de fumaça. A decência e elegância dela nunca necessitaram de um acompanhamento tão rústico. Este detetive é certamente um bárbaro. — Comenta Lalori, cruzando os braços.

    Há uma escotilha aberta no meio da sala. Eles entendem o que aconteceu.

    — Um de vocês terá que persegui-lo. Quem se habilita?
    — Eu, por favor. — Disse Redchain, levantando o braço.

    Soulslayer fita-a. Ele já esperava isso.

    — Pois bem. Venha até aqui.

    A garota se aproxima. Olhando por trás do capuz, é possível dizer que ela é igual a sua irmã, Aika, portanto, são gêmeas legítimas. Entretanto, o corpo de Miraya parece ter menos curvas que o da sua igual, sendo mais bruto e preparado para lutar. Ela também exibe seios menores por trás de seu uniforme, mas braços e pernas maiores.

    Ela se põe a frente de seu mestre. Ele coloca a mão direita no peito dela, exatamente onde está o coração. Em instantes, veias artificiais começam a surgir da axila de Soulslayer, bem como do seu ombro, envolvem seu braço por completo e chegam até a região do coração de Redchain, por fim, penetrando a região. Essas veias são escuras e transferem uma quantidade de sangue alta. A jovem resiste a dor com bastante resistência e força.

    Algum tempo se passa nesta cena, até as veias saírem, se quebrarem e desaparecerem. O homem retira sua mão dali e leva-a até o queixo dela, seguindo devagar pelo seu rosto, enquanto as veias do corpo dela borbulham e se acostumam com a transfusão à força. Ela fita o membro com seriedade.

    — Esta é a sua terceira natureza do sangue. Use-a bem, meu amor.

    Um hexagrama roxo e brilhante se forma nos olhos dela, e ela sorri. Em seguida, explode em sangue, visando procurar os fugitivos.

    — Muito bem. A perseguição está iniciada. Vamos atrás de Stanni’al e os outros para dar um jeito em Yalahar.






    Próximo: Capitulo 21 – Hakugai
    Última edição por CarlosLendario; 03-04-2017 às 14:31.



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  4. #4
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    Ótimo último capítulo. Pelo visto, nossas queridas personagens, que você demorou tantos capítulos para construir identidades e personalidades, começaram a ser mortas, e de forma bem impiedosa pela Irmandande.

    No mais, não há muito o que comentar, haja visto que este foi mais um "capítulo de transição", indo pros rumos finais. Não creio que permanecerá por isso só, e acho que no mínimo a Redchain ou Soulslayer irão morrer nos próximos capítulos; embora eu ache que vc tenha que trabalhar mais o Soulslayer, uma p*ta personagem badass, você confirmou algo que não tinha prestado atenção antes:

    — Esta é a sua terceira natureza do sangue. Use-a bem, meu amor.
    Uma relação "de carinho" na Irmandade... Mostrou um lado mais humano da Irmandade. (que ja fora mostrado antes, vide o ódio de perder seus membros... Me referindo aos seus companheiros é claro, não aos seus membros anatômicos .-. )

    Oh well, no aguardo dos próximos capítulos, e do desfecho dessa "saga de Yalahar".


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  5. #5
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    Padrão Capítulo 21 - Hakugai I

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Ótimo último capítulo. Pelo visto, nossas queridas personagens, que você demorou tantos capítulos para construir identidades e personalidades, começaram a ser mortas, e de forma bem impiedosa pela Irmandande.

    No mais, não há muito o que comentar, haja visto que este foi mais um "capítulo de transição", indo pros rumos finais. Não creio que permanecerá por isso só, e acho que no mínimo a Redchain ou Soulslayer irão morrer nos próximos capítulos; embora eu ache que vc tenha que trabalhar mais o Soulslayer, uma p*ta personagem badass, você confirmou algo que não tinha prestado atenção antes:



    Uma relação "de carinho" na Irmandade... Mostrou um lado mais humano da Irmandade. (que ja fora mostrado antes, vide o ódio de perder seus membros... Me referindo aos seus companheiros é claro, não aos seus membros anatômicos .-. )

    Oh well, no aguardo dos próximos capítulos, e do desfecho dessa "saga de Yalahar".
    E aí Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios. Veio até aqui sem eu precisar chamar na Steam ou no Facebook. Excelente, continue assim.

    Apesar de eu ter demorado para trabalhar nos personagens e levado diversos capítulos, eu já estava preparado para me desfazer deles. Não foi difícil, pra falar a verdade, apesar de que pesa não poder pensar mais neles entre o grupo. Mas, fazer o que, eu criei essa história pra ter sangue e violência, não dá pra deixar de tornar personagens principais alvos do inimigo.

    Posso confirmar que mais mortes ocorrerão no futuro. Muita merda está pra rolar ainda e se você já estiver impressionado e surpreso, cuidado: Vai ficar mais ainda. Isso é só o começo.

    Soulslayer é um personagem que eu investi e pensei bastante, espere um foco melhor nele daqui pra frente.

    E, como de costume, obrigado pela sua presença e espero que goste desse novo capítulo.







    Bom pessoal, estamos caminhando para os rumos finais. Garanto buscar o melhor para o que está por vir e garantir capítulos bem escritos. Esse, particularmente, eu gostei. Eu espero que vocês gostem também.


    No capítulo anterior:
    A Irmandade invade o Arsenal dos Ratos, revela que Aika foi, de fato, assassinada, e que Redchain é a verdadeira culpada das suspeitas sobre ela, além de seu nome ser Miraya. Para finalizar, Zoe é morta e Borges está gravemente ferido, mas apesar disso, o time consegue fugir.




    Capítulo 21 – Hakugai
    Parte 1





    Com pouca satisfação e muitos pensamentos, o grupo foge. Estavam nos esgotos abaixo do Quarteirão 04, dirigindo-se na direção norte. Trevor carrega Borges nas costas e Dartaul está correndo logo atrás, enquanto Alayen e Nightcrawler seguem em frente guiando o caminho pelos corredores de paredes de alumínio presas por fortes parafusos de ferro. O caminho é um pouco iluminado por diversas lamparinas dispostas a cada duzentos metros. Parece que o responsável por aquilo é o próprio detetive, para facilitar um pouco sua própria fuga. Mas também pode acabar complicando ela mais ainda.

    Nightcrawler pensa no que aconteceu logo atrás. Aproveitou-se rapidamente do ataque de fúria de Alayen para jogar bombas de fumaça. Magias soltas ao ar nunca deixam rastros, tampouco fumaça, e os Sangues sabiam disso. Todavia, aquilo lhes daria tempo para escapar e pensar no que fariam para salvar Yalahar.

    O mascarado vira para a direita, seguindo o rumo leste. Aquilo poderia lhes deixar um pouco mais próximos do mar para escaparem. Mas o Arsenal fica a mais de dois mil metros do mar, então teriam que andar consideravelmente. Ele olha para trás e vê a dificuldade no rosto de Trevor, bem como seu medo. Vê Borges quase desacordado, mas um pouco melhor após Alayen usar rapidamente algumas runas de cura emergenciais nele e fechar um pouco suas feridas com bandagens mal colocadas, deixando um pouco de sangue sair e manchar a capa do capitão. Também vê o rosto desacreditado e sem esperança de Dartaul, que viu mais mortes do que esperava naquele dia. O detetive se lembra de uma das falas de Lucius. Já é seguro dizer que o seu plano deu certo, Crawler?

    Não. Não é. Pensa ele.

    Ao chegarem numa sala que dá para caminhos ao oeste e leste, com uma vala correndo água podre e cheirando mal, eles percebem que já é hora de parar. O grupo cruza uma pequena ponte para o outro lado sem correr e Trevor coloca Borges contra a parede, sentado. Ele não parece muito bem, mas ainda está acordado.

    — Você é duro na queda, hein, campeão. — Comenta Trevor, colocando as mãos na cintura.
    — T-Tenho que ser... Né? Temos um jovem aqui. Tenho que ser... Um exemplo. — Responde Borges, com esforço. Ele parece sentir dor, mas ignora ela.

    Dartaul senta-se ao lado dele e observa-o, atento. Todos estão vendo a condição de Borges, preocupados com não ter mais uma baixa.

    — Você já é um exemplo para mim, Borges. Acredite nisso.

    Borges sorri. Todos se mantêm calados, atentos e com medo. Mas nada podia ser ouvido além do som da água correndo pelas tubulações e valas.

    — Relaxem. Borges já está fora da condição de perigo. O que ele precisava é de um descanso. E a Irmandade não virá aqui se estivermos próximos do Arsenal. A lógica deles é que eu vou estar sempre o mais longe possível. — Disse Nightcrawler, despreocupado.
    — É. Basicamente, te consideram um fujão. Nada honroso. — Comenta Trevor, pegando algo de uma bolsinha na cintura. Mais bandagens.
    — Eu não tô nem aí pro que pensam de mim. Enquanto eu estiver vivo, melhor.

    Trevor se agacha e arruma as bandagens no abdômen de Borges, além de passar novas. Com menos de um minuto, ele já está pronto e se sentindo melhor.

    — Sempre rápido com essas coisas... — Disse Borges, sorrindo.
    — Pois é, amigão. A guerra sempre pede agilidade.
    — E você precisa me ver te superar. — Disse Dartaul.
    — Heh. Com pouco mais da sua idade, eu já era chefe de escritório... Então, boa sorte com isso.
    — Mas você não era tão inteligente quanto eu.
    — Realmente... Eu não era. Afinal, venho da miserável de Thais. Meu pai morreu num assalto e minha mãe foi violentada e morta um ano depois. Tive que virar servente de pedreiro com nove anos, sempre pensando na minha mãe, afinal, meu pai era um grande de um filho da puta e eu tava pouco me fodendo pra morte dele. Batia na minha mãe, adorava encher o caneco. E aí minha mãe morreu daquele jeito no mesmo ano. Trabalhei que nem um ordinário, dormindo na construção, comendo um pão velho todo dia. Dá nem pra acreditar que já fui uma vara de cutucar tigre um dia vendo como estou agora.

    “Mas falando sério, aquela cidade era um lixo. Mesmo sendo um merdinha sem-teto de dez anos, eu gostava de saber das coisas, investigar, ler. Quando eu era mais novo, minha mãe de vez em quando trazia uns livros pra mim. E eu tinha uma curiosidade grande em ser detetive, daqueles que solucionam os casos mais malucos possíveis, de filho atirar no pai e acertar na mãe e depois um molusco aparecer na janela e tirar os olhos dele pra vender no mercado negro, fazendo o pai virar um travesti depois. Então eu juntava sempre um dinheirinho escondido pra eu pudesse viajar pra Venore, simplesmente para estudar um pouco.

    Outro dia eu fiz um serviço ótimo e eu acabei conseguindo o que precisava. Catei minha trouxa e fugi pra área das carroças no leste da cidade pra viajar pra Venore. É lógico que o cara lá suspeitou de mim, mas quando viu o dinheiro, deixou eu subir e viajar com um pessoal mequetrefe pra lá. Se incomodaram comigo, mas ao invés de eu me incomodar com eles, eu contava umas piadas e falava umas histórias que eu conhecia. Eles gostaram. Sabe, aquilo até fez uma mocinha que estava lá gostar de mim, ela era mais velha e tava viajando sozinha. Ofereceu ajuda. Teto. Comida. Fui trabalhar ajudando a carregar mercadoria numa farmácia da mãe dela em Venore e de vez em quando eu estudava nos cantos ou de noite na casa dela. Fiquei alfabetizado e conhecendo cada vez mais do mundo dos detetives, enquanto vivia aquela vida estranha, mas tranquila.

    Renata era o nome dela. E se estiver se perguntando, sim, eu perdi com ela. Uns dois anos depois. Acho que ela gostava de ser papa-anjo. De qualquer forma, aquela garota me ajudou pra caralho. Consegui até fazer de brincadeira uma prova da AVIN para se tornar um agente ou investigador, e a brincadeira virou realidade. Me tornei estagiário. Comemoramos muito aquele dia, mas nem tudo é rosas. Teve um dia em que ela demorou muito pra voltar pra casa. Quando fui atrás dela, tudo que encontrei foi a guarnição mandando manterem distância de um corpo com a garganta rasgada estirada no chão. Seu ex-namorado a matou à sangue frio. Eu fiquei puto como nunca e, com as habilidades de investigação que consegui, descobri sozinho onde o sem pinto morava, arrombei a casa dele, meti uma faca na garganta dele e botei fogo em tudo. Depois daquilo, fugi pra Thais.

    Tantas provas foram deixadas pra trás quando fiz aquilo, mas ninguém descobriu que fui eu. Claro que ela nunca iria ficar orgulhosa do que eu fiz. Daquela vingança. Nem de que eu estava bebendo com quatorze anos. Mas eu consegui entrar na Universidade de Fibula com dezesseis anos, e a partir daí, minha vida se amenizou um pouco. Passei a viver nos dormitórios de lá e trabalhar lá dentro, então, foi tranquilo. Me tornei investigador-chefe com vinte e quatro anos e chefe de escritório com vinte e nove. Lidei com casos como o Eclipse na Baía da Liberdade onde um monte de mortos-vivos tomaram a cidade do nada, dos Ciclopes Crucificados onde três subordinados meus morreram, da Bolha de Sangue onde um pequeno amigo meu morreu em Rookgaard.

    Enfim, resumindo, minha vida foi um lixo. Eu realmente não iria me importar se eu morresse aqui e agora, pois eu só me fodi. Acho até irônico que eu ainda acredite em deuses. Mas sabe como é, se tu estiver totalmente sozinho na sua jornada, capaz que um dia você se pergunte se pular da janela do quinto andar vai doer.”

    O silencio prevaleceu por um minuto. Borges não chora, mas sente um peso forte na sua mente e um aperto no coração. Sua cabeça está abaixada, e ele reflete sobre o que contou.

    — Agora eu sei porque seus registros eram tão simples. — Disse finalmente Nightcrawler, quebrando o silencio.
    — Um mistério que você não conseguiu solucionar. — Comenta Borges, sorrindo e levantando a cabeça.

    A água parece fazer alguns sons diferentes. Nightcrawler olha para a vala, sem entender. Parece tudo nos conformes.

    Mas um som diferente nem sempre diz que tudo está nos conformes.

    Ele vê sangue vindo pela água e finalmente repara na grade da vala, na parede virada para o norte. Há treze cabeças humanas ali.

    Ao virar-se para trás, vê Borges olhando para um pedaço de papiro. Um brilho roxo desperta sua atenção, mas não atrai a dos outros membros ao redor, que estão distraídos. Percebe que é tarde demais.

    — Ei!

    Os olhos de Borges se abrem de forma crescente. Num instante, ele solta um grito horrendo, parecendo o de um animal. Ele se levanta e tenta correr, mas tropeça e cai na vala, colocando as mãos no peito e começando a agonizar. Todos olham para a cena sem saber como reagir. Quando vira-se para os lados, procurando algo, Nightcrawler consegue ver um membro se aproximando pelo corredor de onde vieram a passos lentos. Está cercado por papéis voando ao seu redor, mostrando que sua identidade é Redchain.

    — Corram!

    Trevor rapidamente levanta Dartaul e joga ele pra frente, forçando-o a se equilibrar e correr. O grupo dispara até um corredor que segue ao leste, com os gritos de Borges ao fundo. Dartaul para com a intenção de ajudar seu companheiro, mas parece perder as esperanças ao ver cinco espécies de tentáculos, mais parecidos com patas de aranha cobertas por um sangue grosso e escuro, saírem de seu peito, deixando seus gritos ainda mais brutais. Nightcrawler volta e puxa-o pelo colarinho, jogando-o de volta pro corredor.

    — Vê se corre, caralho!
    — Mas... Borges...
    — Borges já era! Vai!

    Dartaul segue o grupo, sem contestar muito, mas com lágrimas nos olhos. Sem perceber, eles se separam, incentivados pelo desespero e pela falta de coordenação. Alayen e Trevor vão para o lado esquerdo enquanto Nightcrawler e Dartaul vão para o direito, mas quando percebem, não possuem coragem suficiente pra voltar. Somente correm.

    O caminho faz algumas curvas para a esquerda e para a direita, todos com corredores iguais, mas com uma iluminação cada vez mais fraca. O caminho de Trevor e Alayen leva até uma sala escura e sem saída. Ao tentarem voltar, a sala explode e parte dela desaba. A outra dupla acaba se separando, pois Dartaul estava parando de correr. Ele toma outro caminho e percebe que Nightcrawler nem mesmo tentou segui-lo. Filho da puta criado em orfanato, pensa.

    Ele chega até uma sala parecida com a que estavam antes. Sem disposição, ele senta-se ao lado da parede com um olhar pesado. As lágrimas pararam de cair. Ele repara num buraco na parede ao lado dele e num outro corredor do outro lado da vala. Não sabe bem o que fazer, nem se conseguiria fugir. A questão é que eles estavam sendo perseguidos como se fossem galinhas fugindo do homem faminto.

    Ele fecha os olhos e concentra-se nos sons. É uma atividade comum na guarnição de onde veio para casos parecidos, onde eles não podem contar com a visão. Afinal, aquela sala está mal iluminada e ele pode ser um alvo fácil. Logo, reação rápida será mais que necessário.

    Aos poucos, ele traça um cenário sonoro. Ouve sons próximos. Uma goteira que cai direto pra vala, cuja está sem água. Alguns insetos movendo-se pelos canos próximos. Talvez sejam baratas, pensa ele. Ele lembra-se do seu primeiro desafio em Rookgaard, que era de se esgueirar no escuro do esgoto abaixo do porão de Santiago para matar baratas. Mas elas eram maiores do que o normal, o que o assustava.

    Não posso me deixar levar por nostalgias, pensa ele. O investigador se esforça em afastar os sentimentos ruins e se concentra. Ainda ouve a goteira. Também ouve a água correndo em alguns locais. Ela toca alguns objetos. Sacolas de lixo, restos, objetos velhos, um sofá. Está cheio de formigas e baratas. Jamais imaginou que sua audição fosse tão boa. Ele então continua, agora ignorando a goteira. Mas ela parece ficar mais forte, atraindo a audição de Dartaul. Ele não queria isso, mas parece um instinto. Um instinto que puxa sua audição embora para ficar atento a outros locais. E ele estava certo.

    — Você é retardado.

    Dartaul dá um pulo de susto ao ouvir a voz de Nightcrawler. Ele não está na sua frente, só após alguns instantes que o jovem entende que o mascarado está na parede atrás dele.

    — Desculpe por ter te deixado pra trás. Estou começando a pensar que será melhor se nos separarmos e confundirmos ela. Aparentemente, só ela está aqui.
    — Não ligo por ter me deixado pra trás. Ligo pela vida de Borges.
    — Sinto muito. Por incrível que pareça, eu me comovi um pouco com o gordo. Ele teve uma vida de merda, parecida com a minha. E encontrou um fim pra ela. Podia ter sido bem melhor, mas a vida não costuma nos dar o que desejamos. Se bem que, no caso dele...
    — Cala a boca, Suzio.
    — Ora. Quem lhe deu permissão pra me chamar pelo meu nome?
    — Falei pra calar a boca. Estou tentando ouvir os sons.
    — Ah.

    Dartaul fecha os olhos e concentra-se nos sons novamente. Agora, ele ouve sua própria respiração e batimentos, bem como os de Nightcrawler, o que tornará as coisas um pouco mais difíceis. Ele volta a ouvir a goteira, bem como sons ao redor. Ouve pequenos pedregulhos caindo ao longe. A água trazendo algo pesado. Algo se mexendo pelos cantos de um corredor.

    Ele se concentra mais. Mas ao ouvir um grunhido familiar, ele percebe que é só um rato. Então, volta sua atenção para o que há ao redor. Outro rato próximo, no corredor a frente dele. O bicho corre para outro corredor à esquerda, então só há um lado para ir ali. Ele continua ouvindo a goteira. Ouve um bater de asas, possivelmente de um morcego. Mas as chances de ser um morcego parecem cair um pouco quando ele não ouve a goteira cair na vala por um segundo. Ela volta a cair de novo.

    Quae est ante in. — Murmura para si mesmo Nightcrawler.

    Dartaul ia protestar novamente, mas percebe algo estranho. Ele sabe moderadamente latim, uma língua muito usada em Yalahar. Ele também sabe sentir o ar, que é forte em Yalahar desde que ele chegou lá. Mesmo nos esgotos, ele tem força. Mas onde ele está, o ar falha um pouco. Especialmente do corredor de onde ele vem ou quando ele tenta atingir seus pés. Como se algo o impedisse. E então, ele entende o que o detetive disse.

    Ela está na sua frente.

    Ele abre os olhos e vê uma figura na sua frente. Ela usa uma saia longa e escura e sapatos. Não possui cheiro. Talvez nem mesmo alma. Ele levanta devagar a cabeça, imaginando que sua hora chegou, mas ele queria olhar no rosto daquela que iria ceifá-lo. Mas ela está olhando para os lados, como se não percebesse que há alguém em frente a ela.

    Ela então para, enquanto fita a parede na sua frente. Parece ter ouvido algo. Dartaul fecha os olhos e cessa sua respiração, que está ficando mais rápida. Ele se concentra e tenta fazer o possível para parar a tensão no seu corpo, talvez seu pulso, ou até mesmo seu coração. Ele espera por segundos, que mais parecem uma eternidade, enquanto seu corpo se esforça para não fazer um som sequer e parecer apenas um simples saco de lixo jogado. Ele espera, com um mínimo de esperança no peito de que sairá daquela situação, enquanto ouve correntes caírem de dentro das mangas dos braços de Redchain.

    Mas tudo o que ele ouve em seguida é uma gota cair na vala e ela responder com uma pequena quantidade de liquido se movendo.

    Ele abre os olhos e nota que não há mais ninguém ali. Não sabe se o que viu era sua mente lhe pregando peças ou se era real. Mas ao ver aquilo, ele respira fundo, com bastante alivio.

    — Ouvir os sons não nos ajudará muito. Vamos ter que nos virar no escuro. — Disse Dartaul, esperando que Nightcrawler concordasse.

    Mas ele não ouve uma resposta.

    Ele examina o buraco e nota que não há ninguém ali. A sala está vazia, mal iluminada e não conta nem mesmo com insetos correndo pelo chão. Com estranheza, ele tira seu rosto dali e se levanta, visando seguir caminho. Na sua mente, o detetive passou a não ser mais de confiança. Ao mesmo tempo, passou a ser um inimigo.

    Dartaul se sente sozinho. Ele escutou o som de explosão do lado de Trevor e Alayen. Seu olhar pesado e seus movimentos desanimados indicam que ele não sente mais esperança, e acredita firmemente que foi abandonado naqueles esgotos. Seus pensamentos destroem sua sanidade aos poucos enquanto ele se locomove pelos corredores escuros dos esgotos, sem rumo.

    Ele nota que aquilo é um labirinto. É pior do que o Inferno dos Minotauros. Na verdade, nada do que ele já experimentou na sua curta vida de aventureiro se iguala a aquilo. Ele coloca a mão no bolso e sente algo. É um pedaço de papel. Sente medo de olhar, achando que poderia ser uma armadilha colocada por Redchain, uma vez que ele viu que a Sangue domina habilidades envolvendo papiro e papel. Mas lembra que o mascarado pode ter colocado algo no seu bolso durante a fuga.

    Chegando perto de uma luz falha, ele vê algo escrito. Tem a letra de Nightcrawler e foi escrito há bastante tempo.

    Hakugai. Uma espécie de perseguição onde um membro ganha duas vezes o seu poder, mas perde outras coisas, como a capacidade de escutar os corações de seres vivos e vê-los através de suas máscaras. Geralmente só os mais poderosos ativam esse estado, pois sabem que podem ser capazes de se sair bem nessa situação. Como usam máscaras, eles não possuem visão, mas em troca, possuem boa audição, tato e olfato. Então, é preciso ter cuidado redobrado quando você cai em algo assim.”

    Dartaul não se surpreende, mas entende a condição em que se encontra. Ele guarda o papel e examina o que possui. Seu cinto ainda possui algumas bolsas com facas. Está com um casaco vermelho, com camisa e calça negras, e sapatos cinzas. Dentro do casaco, há uma kukri*. Ele pega ela, enquanto pisca os olhos. Redchain possui uma habilidade que parece enlouquecer os outros com um pedaço de papel, então ele deve ficar atento.

    Utevo Lux. — Pronuncia ele, com voz baixa.

    Ele afasta seus próprios pensamentos. Percebe que Nightcrawler não o abandonou, apenas acredita que ele pode se virar sozinho. Mas não deixa de sentir ódio do homem pelo que ele já fez. Então, ele se move adiante, num corredor que talvez siga para o leste, não tem ideia. Perdeu seu senso de direção há algum tempo. Ele se vira para entrar numa continuação à esquerda do corredor, talvez dando para o sul ou para o norte.

    Entrando ali, nota que é uma pequena sala. Surpreende-se ao ver algo a sua frente. Uma figura. O inimigo, encapuzado.

    Ele para. Não sabe o que fará em seguida, mas sabe que esteve se movendo fazendo o mínimo de som. Ela está apenas olhando pra dentro da sala, e logo irá sair dali. O investigador engole em seco, e ela parece ter ouvido. Redchain torce seu pescoço para trás, imaginando ter escutado algo. Mas tudo que escutara foi o que esteve sempre escutando desde que chegou ali embaixo: Água.

    Ela dá meia volta e volta a passos lentos. Dartaul sai do caminho dela, colocando-se contra a parede, de costas. Ela sai dali, e segue pelo caminho de onde o rapaz veio. Finalmente, o jovem respira um pouco melhor e entra na sala, virando-se para a direita. Toca em algumas correntes distribuídas pelas paredes como se fossem teias, fazendo barulho. Elas são vermelhas e pingam sangue. Os passos no corredor cessam.

    Dartaul senta-se no outro canto da sala com sua arma na mão. Vê a figura retornar para a sala, que está muito mal iluminada. Ela tenta procurar alguém por sons, mas novamente ela não encontra nada. Sente-se levemente frustrada, batendo a mão na parede à direita e voltando. O rapaz sente como se seu coração estivesse sendo pressionado por mãos frias, tamanha a tensão que sente ali embaixo.

    Ele encosta melhor na parede. Reflete a respeito das suas condições por algum tempo, sem saber como irá escapar dali, sem saber se encontrará alguém. Sem saber se será aceito na Guarnição Thaiana de novo. Ele puxa o nariz, tentando conter um eventual choro.

    Mas nota que não está seguro quando percebe que não foi ele que fez aquilo.

    Ele olha pra frente e vê um grupo de correntes embebidas em sangue entrando na sala. Elas examinam os arredores, sentindo uma presença ali, como se fossem cobras. Dartaul não se mexe, ainda respira, porém, sem muito peso ou velocidade. Seus olhos não parecem transmitir um sentimento forte quando algumas das correntes se posicionam próximas dele, parecendo mirar o seu rosto.

    A tensão abaixa quando elas se movem para outro lado. Continua sem se mexer, começando a prender a respiração de novo. Ele já está suando, com o coração voltando a bater rápido. Mas sente-se melhor por elas não estarem mais parecendo ver sua presença.

    — Irmã...

    Uma voz doce, porém, pesada, volta a assustar Dartaul. Ele vira seu rosto devagar com pavor quando nota que a voz veio das correntes.

    — Irmã... Por favor... Foi tudo por nós...

    As correntes começam a se juntar e formam um rosto na extremidade direita. Este rosto é quase igual ao de Miraya.

    — Eu sinto seu cheiro, irmã... Você está viva...? Por que não volta pra mim?

    O rosto feito de correntes vira-se para o de Dartaul. Ele tem certeza absoluta de que foi encontrado.








    Próximo: Capítulo 21 – Hakugai II




    Notas:

    *Kukri é um tipo de faca de origem grega, de uso amplificado no Nepal antes de se espalhar pelo mundo, sendo usada principalmente pelos ingleses.

    Imagem:





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  6. #6
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    Saudações!

    Para motivos de controle (e por ter gostado de fato), estou distribuindo likes em seus capítulos que perdi. Engraçado que, mesmo com o curso dos eventos, continuo gostando bastante do Nightcrawler e do Borges, especialmente desse último. O cara é a definição de superação, meu deus.

    Enfim, como li bastante, estou processando tudo ainda, e só tenho isso a dizer no momento: Dartaul tá f*dido e mal pago, coitado. Alguma hora o almofadinha do grupo tinha que se lascar com mais força kkkkk

    No mais, o motivo da minha ausência foi mais uma questão de gostos e compromissos: comento em suas histórias pois, a despeito de não gostar de temáticas muito sangrentas e que são puxadas para o gore, você tem potencial e vale a pena apoiar. Da mesma forma que não gosto do movimento Naturalista da Literatura Brasileira (em especial O Cortiço e O Mulato, ambos de Álvares de Azevedo), por exemplo, preciso reconhecer o talento e o trabalho duro que foi feito por esses escritores --- e é o mesmo que faço com a sua pessoa. Você escreve bem ao ponto de eu conseguir passar por cima dessa "limitação" que eu tenho, por assim dizer.

    No mais, aquele gosto de finalização de história é sempre bom, não é? Vai dar aquela tristeza básica, o banzo da saudade, mas a sensação de dever cumprido é recompensa o suficiente, ao meu ver.

    Nightcrawler e Borges, melhores personagens.

    Bom capítulo,
    Boa narrativa,
    Bom usuário,
    Bom fórum.

    Até o próximo

    Precisando, é só chamar.




    Abraço,
    Iridium.

  7. #7
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    Padrão Capítulo 21 - Hakugai II

    Citação Postado originalmente por Iridium Ver Post
    Saudações!

    Para motivos de controle (e por ter gostado de fato), estou distribuindo likes em seus capítulos que perdi. Engraçado que, mesmo com o curso dos eventos, continuo gostando bastante do Nightcrawler e do Borges, especialmente desse último. O cara é a definição de superação, meu deus.

    Enfim, como li bastante, estou processando tudo ainda, e só tenho isso a dizer no momento: Dartaul tá f*dido e mal pago, coitado. Alguma hora o almofadinha do grupo tinha que se lascar com mais força kkkkk

    No mais, o motivo da minha ausência foi mais uma questão de gostos e compromissos: comento em suas histórias pois, a despeito de não gostar de temáticas muito sangrentas e que são puxadas para o gore, você tem potencial e vale a pena apoiar. Da mesma forma que não gosto do movimento Naturalista da Literatura Brasileira (em especial O Cortiço e O Mulato, ambos de Álvares de Azevedo), por exemplo, preciso reconhecer o talento e o trabalho duro que foi feito por esses escritores --- e é o mesmo que faço com a sua pessoa. Você escreve bem ao ponto de eu conseguir passar por cima dessa "limitação" que eu tenho, por assim dizer.

    No mais, aquele gosto de finalização de história é sempre bom, não é? Vai dar aquela tristeza básica, o banzo da saudade, mas a sensação de dever cumprido é recompensa o suficiente, ao meu ver.

    Nightcrawler e Borges, melhores personagens.

    Bom capítulo,
    Boa narrativa,
    Bom usuário,
    Bom fórum.

    Até o próximo

    Precisando, é só chamar.




    Abraço,
    Iridium.
    E aí Iri, obrigado pelo comentário e pelos elogios. FINALMENTE COMENTOU HEIM


    Reparei que você gosta dos dois personagens, pena que um deles já partiu dessa pra melhor. Borges foi um personagem que eu quis me dedicar em criar uma história complicada, mas cheia de experiências para ele. Pode ver que algumas vezes, ele sempre pareceu meio cético reagindo a algumas notícias, mas é normal, considerando o que ele já viu.

    Dartaul ainda precisa se fuder mais um pouquinho, simplesmente por ele ser o almofadinha do grupo e de eu não gostar de almofadinhas.

    E bem, eu sempre imaginei que gore não fosse a sua praia. Pra falar a verdade, até tenho pegado um pouco leve, justamente para mais pessoas lerem e não se incomodarem com o que aparece na história. Também porque não vejo necessidade em tornar pior, diversas vezes vejo que já é o suficiente e não coloco mais nada. Acredito que funcione melhor assim, dá mais consistência pra história. e que caralhos é movimento naturalista vei

    Por fim, final de história dá essa sensação mesmo. Engraçado é que é a primeira vez que tenho esse sentimento depois de quatro anos e uns onze meses de seção. É difícil terminar uma história, ainda mais quando você estabelece um vínculo com ela. Me sinto um pouco assim com OMP, mas não exatamente com Bloodtrip. Sinto necessidade de dar mais continuações a essa história, mas não tão cedo. Preciso terminar a minha primeira, e isso já levará um bom tempo e vários capítulos.

    Bem Iri, obrigado por tudo e espero que não tarde a voltar aqui.







    Creio que a hora de revelar algumas coisas chegou. Mas não será nesse capítulo ainda. Este será uma pequena introdução, digamos.

    Mas não é tudo! Eu espero que esse capítulo faça vocês sentirem alguma coisa, assim como o anterior.





    No capítulo anterior:
    Borges conta sobre sua vida enquanto se recupera dos ferimentos causados pelos Sangues, mas é morto pouco tempo depois por uma habilidade de Redchain, que começa a persegui-los. Dartaul é um dos principais alvos dela.




    Capítulo 21 – Hakugai
    Parte 2




    Alayen e Trevor se levantam, com um pouco de dor. A explosão por pouco não os atinge, deixando apenas algumas pedras os atingirem, mas eles conseguiram sair dali sem problemas.

    Faz vários minutos que eles estão andando pelos corredores do esgoto, perdidos. Também perderam seu senso de direção por culpa do desvio que fizeram. Mas, na mente deles, eles estão na direção leste, acreditando conseguir achar a saída através de um bueiro ou algo do tipo.

    — Pensando agora, eu acho que a explosão foi alguma armadilha plantada por Nightcrawler. Alguma antiga. — Disse Alayen, um pouco alheio de sua própria situação.
    — Alguma que ele não desativou?
    — Por aí. Ele é cheio de criar coisas assim.
    — Bem, agora não faz mais diferença. Ainda estamos com nossas cabeças. Precisamos encontrar os outros dois e voltar para a superfície.
    — É, mas a questão é: O que faremos quando voltarmos?
    — Salvar Yalahar, óbvio.
    — E como salvaremos?

    Trevor engole em seco. Admite que não pensara nisso ainda.

    — Bom, foda-se. Vamos só encontrar nosso caminho de volta. — Finaliza Alayen, colocando as mãos nos bolsos da calça.

    O caminho volta a ser preenchido pelo silêncio. Em seguida, pela inquietação. Por fim, pelo medo. Eles param.

    Redchain aparece numa espécie de encruzilhada, seguindo na direção sul, sem olhar para os lados. Apesar de ter ouvido passos, ela parece interessada em outra coisa. Mas a aparição dela confirma que eles estão seguindo na direção certa.


    Dartaul fita o rosto de correntes. Ele possui olhos vermelhos e brilhantes. O rosto sabe que ele está ali. Sabe da sua presença. Do seu terror. Mas Dartaul resiste, pois sabe que é o melhor a se fazer. Ele não pode se entregar ao desespero. Ao menos, é assim que ele pensa.

    Melancólico, o rosto busca algo.

    — Minha irmã... — Disse, com uma voz metálica, mas doce e pura. — Você sabe onde está a minha irmã?

    O investigador engole em seco. Mas não vê alternativa.

    — N-Não. Mas eu também queria saber onde ela está agora.

    Ele sente um aperto no coração. A morte de Aika foi tão abrupta e sem sentido que até mesmo naquele momento a ficha não caia completamente. E agora, as memórias dela ainda o perturbam. E continuarão a perturbá-lo daqui pra frente.

    — Então... Por que não procuramos? Você procura de um lado, eu procuro do outro.

    Sem rodeios, Dartaul concorda, usando a cabeça. As correntes vão embora pelo caminho do qual vieram. Ele respira fundo.

    Ele realmente sentira outra personalidade dentro daquele amontoado de correntes. Não sabe o que pensar a respeito disso, afinal, Aika também sofria do mesmo efeito. Mas agora, ele sabe que, na verdade, era a irmã dela que tomava conta de vez em quando. E se era isso mesmo, quem estava por trás daquelas correntes?

    Ele se levanta, passa as mãos por onde sentou e sai da sala. Toma o caminho oposto, em direção ao escuro, ainda ao leste. Usa a luz fraca em torno do seu corpo para se guiar melhor. Não sabe nem mesmo que horas são. Está perturbado e logo sua sanidade mental pode chegar ao fim, tornando-o um zumbi caminhando pelos corredores, esperando pela morte.

    O escuro do corredor o guia para outro corredor, à sua esquerda. Ele entra apenas para dar de cara com Nightcrawler. Rapidamente ele volta a consciência, usando sua kukri para tentar desferir um golpe lateral no rosto do detetive. Mas este defende levando os dois punhos abaixo do punho de Dartaul, aparando o golpe.

    — Ei. Não estou de vermelho, retardado.

    Dartaul gira seu corpo e tenta um novo golpe lateral. Nightcrawler defende segurando o antebraço pelo lado direito e usando sua perna para tirar a de Dartaul do chão, forçando-o a cair. Mas ele consegue rapidamente sair daquilo, para em seguida jogar a arma para a outra mão e tentar uma estocada. O detetive segura sua mão com a direita, leva ela para a esquerda, avança sua mão direita para o ombro do oponente e por fim dá uma rasteira no rapaz, finalmente o derrubando, enquanto a mão com a faca se mantem sobre o controle do mascarado.

    Ele coloca o pé sobre o ombro de Dartaul e visa deslocá-lo, mas fica quieto, enquanto nota que o rapaz nem mesmo está resistindo.

    — Parece que você aprendeu a ficar quieto.

    Ele solta o braço do jovem, que nem mesmo deixa que ele toque o chão, para a arma não fazer barulho. Ele rapidamente torna a levantar, com decepção e tristeza notável em seu rosto.

    — Sei que está com raiva de mim, mas não posso ser babá de ninguém. E se você está vivo ainda, significa que você sabe se virar.

    Dartaul limpa suas roupas e mantém a kukri em mãos. Não abre a boca para falar nada, apenas fita o vazio.

    — Leu o que deixei contigo? Estamos num hakugai. Deixei para Trevor também, talvez eles estejam vivos ainda e tentando se virar. Mas não podemos encontrá-los, ao menos, não ainda. Temos que derrotar Redchain para sairmos daqui. As saídas estão bloqueadas.

    Dartaul olha o corredor atrás de Nightcrawler. Não vê muita coisa, pois o escuro não permite.

    — Dai você se pergunta: Como iremos derrotar alguém tão forte? Bom, do jeito clássico. Lembre-se que Redchain não é um deus ou algo assim. Ela é forte, mas não o bastante para nos parar.
    — Então estamos esperando o quê? — Questiona Dartaul, virando-se e seguindo pelo corredor de onde estava.
    — Um plano, talvez.
    — Então monte.

    Nightcrawler balança a cabeça negativamente. Moleque folgado, pensa ele.

    O detetive segue-o pelo corredor e continua andando em frente. Seus passos combinados fazem um pouco de barulho, mas não ligam; enquanto não conversarem, não irão atrair a atenção de Redchain. Entretanto, o detetive sente que precisa falar alguma coisa.

    — Você está lembrando um pouco a mim mesmo há pelo menos vinte anos atrás. — Comenta com voz baixa, colocando as mãos nos bolsos do sobretudo — O ódio consumindo seu corpo pouco a pouco, após perder pessoas queridas de forma injusta. Muitas perguntas brotam na sua cabeça. Você se pergunta se Deus existe, e porque ele permitiu que algo assim acontecesse contigo. Sabe que a resposta será algo como “Para torná-lo mais forte” e você sentirá vontade de estrangulá-lo e esfolá-lo vivo por isso. Pois não importa se ele é Deus. Ele tirou o que você tinha de importante e você tem o total direito de estar puto com isso.

    Dartaul não responde. Nem mesmo reage ao que o detetive falou.

    — Eu imagino seu ódio por mim e pela Irmandade. Mas eu sinto muito. Eu nunca pedi pra ser como eu sou. Eu nunca pedi por isso.

    Dartaul para, vai até o detetive e agarra-o pelo colarinho. Ele não reage.

    — Escute bem, Suzio. Eu NUNCA serei como você. Eu NUNCA sentirei o que você sente. Lembre-se que eu não planejo ser como você, pois você é um grande de um filho da puta. Um desgraçado sem coração, que faz o que quer, sem se importar com os outros. É como Miraya disse: Você não é muito diferente da escória do qual estamos lutando contra. E é por isso que eu te odeio, inclusive seus malditos discursos de moral ou o seu passado de merda. Entendeu?

    O mascarado não responde. O rapaz solta ele e continua andando, sem olhar para trás. Ele abaixa um pouco a cabeça, como se sentisse um peso dentro de si.

    — Eu entendo. É tudo culpa minha. Parece que eu não amadureci muito se comparado com doze anos atrás, quando larguei o cargo promissor de chefe de investigação para me tornar um detetive independente, fingindo que o antigo Nightcrawler morreu por causa de seu envolvimento com a Irmandade. Pra falar a verdade, eu estou realmente puto com o caminho que escolhi desde que percebi que eu não era nada se comparado a eles. Eu não era nada se comparado ao meu genial amigo que sozinho fez o mundo inteiro temê-lo. Deus... Eu sou ridículo.

    Dartaul caminha mais devagar. Parece interessado.

    — Sinceramente, Dartaul, eu não me importaria se você me matasse agora. Nessa altura, não sei mais se consigo parar a Irmandade. Eu matei a garota pelo qual você se apaixonou. Deixei uma das pouquíssimas mulheres puras de espírito desse mundo morrer por se envolver comigo. Deixei seu velho companheiro e um grandioso homem, não por ser gordo, mas sim pelo seu caráter, morrer de forma miserável. Eu causei uma lista gigante de mortes que não deviam ter acontecido. E agora, depois de tantos anos, eu finalmente sinto o peso delas. Pois eu coloquei um jovem como você no mesmo caminho que eu tomei.

    Nightcrawler mantém a cabeça baixa. Dartaul segue sem responder, mantendo seu rosto direcionado para o caminho adiante. Como se fosse indiferente ao sofrimento do detetive.

    — Errado, Suzio. Eu já estava nesse caminho muito antes de te conhecer.

    Suzio levanta a cabeça e fita o jovem, que ainda não havia desviado seu olhar.

    — Além disso, você tem gente te esperando quando terminar o caso da Irmandade. Lea e Rachel em Carlin, Lucius e Palimuth aqui em Yalahar. Não há ninguém me esperando quando eu voltar.

    O detetive engole em seco. Nunca pensara nessa possibilidade.

    O caminho é interceptado por várias rochas de grande porte. Parece uma das saídas que o detetive mencionara. Ele é escuro e parece esconder algo. Além disso, o próprio ar parece um pouco estranho, como se estivesse inundado por maldade, além de cheirar a sangue.

    — Eu acho que é um dos limites do hakugai. Talvez se golpearmos com força essas rochas, poderemos escapar.
    — Derrotar Redchain não era a única opção que tínhamos?
    — E é. Você viu que eu sou um feiticeiro, mas não domino magias épicas. Minhas facas e chakrams não servem para fazer isso. E você é só um paladino, não há paladinos nesse mundo capazes de abrir caminho entre dezenas de rochas desse tamanho.

    Dartaul parece ter uma ideia. Mas não possui tempo para contá-la, pois nota um movimento no escuro adiante.

    — Cuidado. Acho que tem alguma coi-

    Uma corrente enorme, embebida em sangue, atinge em cheio o peito de Dartaul e lança-o para bem longe. Nightcrawler percebe quem está ali e pensa nas opções. Nenhuma delas diz para ele que há como salvar o rapaz e fugir do inimigo ao mesmo tempo. Então, ele escolhe fugir para o corredor estreito à sua esquerda, em direção norte, proferindo magias de velocidade sem parar.

    Desculpa. Pensa Nightcrawler, balançando a cabeça.

    O detetive segue pelo pequeno corredor até encontrar outro, seguindo para o leste novamente. Surpreendentemente, ele vai parar em outro corredor, dessa vez bem mais aberto, com uma vala no meio correndo água e possuindo canos enferrujados nas paredes e no meio da vala. Então ele percebe que a saída bloqueada é, na verdade, uma armadilha, e Redchain não estava ali.

    Ele soca sua mão direita na parede, em fúria.

    — MERDA! — Grita Suzio.

    Ele abaixa a cabeça, notando o que fez. Sente-se uma pessoa pior do que jamais foi. Ele pensa que apenas dois do seu time sobraram, já que a explosão não foi tão forte. Ou talvez tenham sido pegos de surpresa e mortos. De qualquer forma, ele sente-se culpado. Mais do que nunca. E isso o deixa se sentindo sozinho, impotente, um vilão que jamais planejou ser.

    Essa culpa ofusca sua mente e tira-o da realidade, tornando-o um alvo fácil. E ele sente a consequência disso.

    Um chute atinge ele pela esquerda. A força foi tamanha ao ponto de quebrar uma de suas costelas, jogando-o no chão. Ele volta a realidade e tenta se levantar as pressas, mas recebe outro chute exatamente onde levou o primeiro, perdendo outra costela. Ele cospe e geme de dor, ainda tentando escapar.

    Redchain está na sua frente. Seu corpo possui várias áreas parecendo feitas de papel. Somente suas pernas que não são, pois estão reforçadas por um material lembrando uma cota de malha feita de anéis de ferro, todos embebidos em sangue. Elas aparecem por trás da saia larga a cada golpe que ela desfere no detetive.

    Após um número de sete chutes e uma considerável quantidade de sangue derramada, ela pega Suzio pelo colarinho e o levanta, usando apenas uma mão. Sua força é realmente considerável.

    — Eu não acredito que um covarde como você tenha matado a minha irmã.
    — Tsc. E você lá se importava com ela?

    Redchain joga-o para cima e consegue acertar um soco perfeito em sua barriga, lançando-o para longe. Sangue sai de sua boca enquanto seu corpo vai de encontro ao chão. Uma espécie de cópia de Redchain surge ao lado do detetive, feita de papel. Ela o levanta novamente, colocando-o de frente para a mulher. Ela faz um pulsante surgir na sua mão direita, parecendo mais pesado do que o normal.

    — Já deve conhecer isso. Esse foi feito especialmente para você, Suzio. Para você ver que não conhece nada sobre nós.

    Ela explode o pulsante, e dele surge uma adaga totalmente branca e brilhante. O homem arregala os olhos. A última frase do inimigo atinge-o em cheio.

    — Ora... Que jeito simples de me matar.
    — Tem razão. Mas você não é digno de viajar.

    Redchain fica em frente dele. Posiciona-se para um golpe fatal na direção do seu coração. O detetive parece aceitar seu fim.

    Mas alguém lembra-o que ainda não é a hora disso acontecer.

    Ei.

    Ei. Já é a hora de você usar isso. Não há outro jeito.

    Ei. Você é um gênio das fugas, mas não de fugir de um hakugai. Use o que te dei. Use, de uma vez por todas. Não é a hora de você vir pra cá ainda.

    Nightcrawler sorri.

    Ok.

    Cinco segundos se passam. Nesses cinco segundos, a adaga desce para golpeá-lo, mas quebra. A cópia tenta quebrar seu pescoço, mas desaparece. E Redchain recebe um dos socos mais poderosos que já recebeu na sua vida, lançando-a para a parede no outro lado e abrindo um buraco enorme nela.

    E do outro lado, está Nightcrawler, cujos braços estão circundados por uma espécie de camada etérea, quase transparente, de cor laranja, com bordas negras nos lados. É possível notar que seu olho esquerdo, cujo é cego, está agora negro, com um losango no centro, cuja íris é laranja e o centro é escuro.

    — E eu não sou digno de morrer.








    Próximo: Capítulo 22 – Nightcrawler



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  8. #8
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    É ou não é uma fic naruteira?

    Essa luta nos esgotos é Naruto puro, cheia de inversões e surpresas.

    Parabéns Charles, voce foi realmente legendary nesta treta subterrânea, esta ficando muito boa.

  9. #9
    Avatar de Senhor das Botas
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    QUE CAPÍTULOS CARLÃO.

    Desculpa a demora a comentar. Mas, estou adorando a perseguição de Redchain no esgoto... Que pode ter se encerrado?

    Cinco segundos se passam. Nesses cinco segundos, a adaga desce para golpeá-lo, mas quebra. A cópia tenta quebrar seu pescoço, mas desaparece. E Redchain recebe um dos socos mais poderosos que já recebeu na sua vida, lançando-a para a parede no outro lado e abrindo um buraco enorme nela.

    E do outro lado, está Nightcrawler, cujos braços estão circundados por uma espécie de camada etérea, quase transparente, de cor laranja, com bordas negras nos lados. É possível notar que seu olho esquerdo, cujo é cego, está agora negro, com um losango no centro, cuja íris é laranja e o centro é escuro.

    — E eu não sou digno de morrer.
    Ativou o Sharingan, e é um Sharingan do outro mundo pelo visto, que nem o do Kakashi

    Brincadeiras a parte, pelo visto se trata de alguém importante, do outro, que Nightcrawler perdeu durante sua vida, e que deseja o fim da Irmandade tão intensamente quanto Suzio... Ou simplesmente se trata de Zoe.


    Enfim, no aguardo dos próximos capítulos.


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  10. #10
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    Vou comentar logo antes que você poste novamente, @CarlosLendario! Adorei o capítulo, está fantástico. Finalmente vi o Dartaul menos "passivo" diante das grandes figuras que o cercavam (r.i.p. Borges) e tomando as rédeas do combate com o potencial que sempre teve. Mas, tem Nightcrawler. E Nightcrawler semprerouba a cena <3

    Aguardo o próximo!


    Abraço,
    Iridium.

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