Capítulo 4 – Reunião.
Narrado por Natalia Azimov.
Outro dia, o mesmo quarto, a mesma rotina infernal, pois bem, o que eu poderia fazer se escolhi esse caminho? Defender a metrópole desses idealistas de bar, que nasceram sem a noção de o quão importante é ter um centralizador, para nos dar um norte, mediar nossos conflitos, e principalmente manter a paz e a ordem. O estranho é que tenho sonhos aonde eu era uma dessas pessoas, inclusive apoiava as causas, e era a fundadora de um hospital. Minha vida era salvar as demais, porém sempre acordo no meio de uma explosão, na minha frente entra um homem encapuzado, pronunciando praticamente colado a mim: “exori gran”. Eu sinto uma dor imensurável, e me vejo indo ao chão com diversos ossos quebrados, assim tudo se escurece e eu acordo suando frio novamente.
Sem tempo para perder coloco meu manto zaoano, armadura me dada depois de meu êxito, em frear sozinha uma tentativa desesperada de alguns piratas em tomar a baia da liberdade. Coloco uma calça azul, que na verdade é mais curta em relação às demais e tão leve quanto o meu manto. Agora pronta saio do meu quarto, que não tem nada além do honroso emblema da metrópole na parede, uma cama, uma mesa e uma cadeira. Pois bem chegando à arena, encontro os mesmos rostos de sempre: Keylor, Naomi, Magnus, Timothy. Cumprimento a todos, que posteriormente retribuem a gentileza mesmo continuando na posição de sentido, e é então que aparece um rosto que não me é familiar, um novo membro? Talvez?
Ele se apresenta como Wilson, fala pouco e tem um jeito tão estranho quanto à aparência, mas por algum motivo me sinto intrigada quanto à presença dele aqui, será que aqueles sonhos estão mesmo afetando meu julgamento de tal forma?
Outra vez meu questionamento é interrompido, agora pelo nosso líder: O comandante Leon. Que nos ordena o inicio de nossos treinamentos em combate, e então as duplas se formam como sempre: Eu contra Keylor, Timothy contra Magnus e a que antes apenas carregava pedras Naomi, contra o novato Wilson. Por mais que me interesse observar as habilidades do rapaz, não posso me desligar do meu combate. Que como sempre é o primeiro seguido do embate entre Magnus e Timothy.
Keylor surge na minha frente se apresentando jogando a longa franja dourada para trás, e ainda tirando o capuz me diz: “Pronta? Minha pimentinha!” Aquele escroto insiste em me insultar dessa forma, mas não perderei o controle dessa vez. E assim espero ele ter o primeiro movimento, e o insuportável começa o embate pronunciando “utani hur” e se aproximando de mim com sua clava de guerra. Já conhecendo esse movimento espero ele chegar o mais perto possível, e pronuncio repentinamente “exevo gran mas tera”, “exevo gran mas flam”, “exori mort”, “utori flam”.
A arenosa arena começa a tremer, e algumas fendas se abrem dando passagem a longas vinhas recheadas de espinhos, as mesmas "abraçam" Keylor que sem se mover foi alvejado por uma gigantesca bola de chamas que o envolveu. Se isso não fosse o bastante meu míssil de morte o acerta sem muito efeito, não satisfeita o incendiei por inteiro. Mesmo depois dessa repentina e massiva quantidade de dano recebido ele se levanta, e logo começa a me fitar ainda em chamas, então acontece o de sempre Keylor bagunça minha cabeça e os sonhos voltam a me atormentar. Meu medo começar a aflorar ao vê-lo andando em minha direção, enquanto eu observava o girar de sua clava tentava me libertar do transe. Até que no ultimo momento eu consigo ver o fim, e sou eu chegando totalmente destruída numa instalação subterrânea da capital, sendo recepcionada pelo comandante.
Liberta do transe, me vejo sem alternativas já que a clava de Keylor estava prestes a acertar minha cabeça, desesperada ando para trás tentando sair do raio de alcance sem sucesso, e apenas observo sua arma rasgar meu manto, que sem maior utilidade rapidamente o retiro, assim ficando apenas com meu casaco cinza protegendo meu torso.
Então depois desse agitado inicio, ele novamente tenta bagunçar minha cabeça sem sucesso, vendo que só a força bruta iria resolver nosso embate. Keylor corre novamente em minha direção já arremessando sua clava, eu ainda um pouco travada fixo meus olhos no objeto que se aproxima com incrível força e rapidez, os deuses foram bondosos comigo e me ajudaram a segurar aquela clava, porém a força "puxou" meu corpo para trás, enquanto Keylor estava extremamente próximo preparando o seu golpe final. Mas então eu uso a força que me levou para trás, e giro o artefato que cai com o dobro de força na cabeça do meu oponente. Querendo mais que tudo terminar com aquilo, pronuncio: "Exevo gran mas vis" "Exevo gran vis lux" "exevo vis hur" "utori vis". Uma sombria nuvem se forma emanando um estrondoso trovão, que junto as minhas rajadas elétricas eletrizam a clava, e dessa vez a descarga ainda mais potencializada pelo ferro contido na clava, meu companheiro de treino caiu desacordado, e então com a vitória garantida utilizo meu conhecimento druída e o "trago de volta".
Meu êxito é confirmado quando o sorridente e estranho Keylor acorda, contudo tenta se levantar com dificuldade, o que parecia ser um convite para que eu o ajudasse, mas durante o caminho até o fim da arena, ele se atreve a repetir a mesma frase do inicio do nosso embate. Como toda pessoa que se dá o respeito, não me atrevi a escutar aquilo de novo e o soltei do apoio em meu ombro, entretanto não me satisfiz em apenas o ver bambear, foi justamente o momento onde passei uma rasteira no infeliz, e calmamente voltei para aonde estavam os demais.
Narrado por Wilson Harth.
O confinamento começa a me prejudicar, não que eu nunca fui confinado, se conhece minha história sabe que estou acostumado com tal. Porém agora passo grande parte do tempo sem contato algum, diferente de antes a solidão começa a me desgastar, e agora sendo usado pelos meus próprios algozes talvez até contra meu povo, me deixa a cada dia mais descontente, o que me leva a de novo negar que conheça o contrário.
Demorei a ter coragem e sair do meu cárcere, e quando saio vejo outras cinco pessoas na arena, que anteriormente foi palco do bizarro acontecimento envolvendo eu e Naomi. Ela está entre esses cinco em posição de sentido, junto a uma ruiva de cabelos longos, e pele branca como a neve com algumas sardas que a mim são tão estranhas, quanto o seu olhar de esmeraldas a minha pessoa. Sua altura poderia confirmar sua vocação para se tornar cavaleira, mas seu corpo esguio nega totalmente isso.
Ainda deu para reparar durante minha caminhada em direção a fila o que vinha a ser seu oponente, um sujeito alto com uma franja loira cobrindo todo o rosto, mas não parecia estar para brincadeira, com um porte avantajado mostrando que era uma pedreira enfrentá-lo. Em poucos instantes começou a luta da ruiva que mencionei, e essa estranha alma que mal deu para descrever. O embate em si foi rápido, mas uma demonstração de poder que me deixou no mínimo assustado, não quero de forma alguma trombar com esses dois.
Depois de um momento no mínimo cômico entre os supracitados, vão ao centro dois sujeitos que até então não consegui prestar atenção. O primeiro utilizava uma armadura negra com detalhes dourados, e uma capa vermelha que contrastava com seu arco verde e marrom. O segundo parecia mais descontraído que o primeiro, e mais jovem também talvez pela ausência de cavanhaque que o primeiro esbanjava, contudo pelo primeiro estar um tanto quanto curvado preparando um tiro, esse que chamam de Timothy parecia ser mais alto, porém menos musculoso que seu adversário. A diferença também se via nos trajes, Timothy utilizava os mesmos trajes da maga que lutou anteriormente.
Agora no centro começava a movimentação, o arqueiro desfere três tiros de uma vez contra seu adversário, que estranhamente desaparece e do mesmo jeito volta. A fácil esquiva de Timothy gera uma piada do mesmo: "Magnus a idade está deixando seus tiros mais lentos, ou os olhos já não estão vendo com tanta clareza?" A resposta de seu oponente vem após o mesmo puxar uma fina linha, que estava amarrada as flechas disparadas, e assim voltando e amarrando de surpresa o mago tagarela: "A idade nem sempre é um problema, quando se enfrenta alguém despreparado." Sorriu Magnus engatilhando o tiro final, mas para seu azar Timothy firmemente segurou a linha e com o "grande feixe de energia" eletrocutou-o.
O choque foi o suficiente para que Magnus se sentisse ameaçado, todavia o arqueiro "recarregou" seu arco e uma troca franca de disparos de energia e flechas começava, o chão arenoso se enchia de munições gerando uma estranha gargalhada de Timothy, que não demorou a fazer valer a sua reação conjurando: "exevo gran mas vis." Um estrondoso trovão cai sobre Magnus, que por sua vez foi rápido o suficiente para ainda desferir um tiro no mago, enquanto a flecha perfurava o ombro de Timothy que começava a sangrar, Magnus sofreu a descarga do último golpe de seu oponente. Mas o arqueiro já previa que isso iria acontecer, e amarrou em sua flecha a mesma linha que havia utilizado no inicio da luta, fazendo com que a descarga também chegasse a seu conjurador. O golpe foi efetivo o suficiente para que ambos caíssem confirmando o empate, e por fim a ruiva que atendia pelo nome de Natalia se prontificou de recuperar os dois combatentes, que sem muitas cerimônias haviam beijado a areia da arena.
Agora o momento que eu não desejava chegou, eu contra a mesma brutamontes de outrora. Esqueci de mencionar que eu havia ganhado aquela espada de ferro negro, e que ainda era minha esperança de sair com vida desse embate. Naomi agora parecia mais "normal", nos certificamos que estávamos preparados e começamos o combate, e logo ela veio para cima de mim com tudo. Seu primeiro chute levantou uma "onda" de areia que quase me cegou, mas o travei fincando minha espada no chão e a usando de ancora na areia, o que funcionou mesmo eu tendo recuado dois metros mais ou menos.
Mas a minha adversária não parou por ai, e tentou encaixar um soco por traz da minha espada, em meio ao susto saltei e segurando minha arma girei e acertei um chute em seu pescoço, ela parecia não ter gostado muito mesmo não sofrendo nenhum dano. Foi então que segurando minha perna ela me gira no ar, e me arremessa para longe da minha espada. Ainda decolando me protejo do impacto ao me chocar com o chão, removo um pouco da areia que ficou em minha roupa, mas logo a Naomi volta a me atacar, ela tenta uma rajada de socos que tento defender sem nenhum sucesso. Os golpes começam a entrar mesmo com minha guarda ainda armada, por pouco tempo, pois sinto uma imensa dor nos meus dois antebraços, era simplesmente a confirmação junto à “roxidão” que eles haviam sido quebrados, porém a brutamontes ainda não estava satisfeita e pisou com toda a força na minha coxa, então me deixando no chão e saindo insatisfeita com a vitória tranquila.