Saudações!

Gostaria de agradecer uma vez mais pelos comentários e pelos bons votos; isso significa muito para mim. De verdade. Foi f*da essa última semana... E tá tendo greve dos vigilantes no meu trampo, então as coisas vão ficar tensas nas minhas manhãs kkkkk

Enfim, vamos ao que interessa: o capítulo novo. Com esse postado, o mini-arco final se inicia e ficam faltando 5 capítulos para o adieu final. Espero que ainda estejam comigo para a hora final.

Vamos aos Comentários:

Spoiler: Respostas aos Comentários



Agora, sem mais delongas, o Capítulo de Hoje!


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Spoiler: Bônus Musical


Capítulo 10 — Segredos e Enganos (Mentiras não Duram para Sempre)

O amor que um nutre pode dar poder o suficiente para construir… Ou destruir. E um coração partido, o que ele traz?

(Narrado por Ireas Keras)



— Keras?

Eu não deveria ter brigado.

Eu não deveria ter acusado.

Eu não deveria ter dito nem metade das coisas que eu havia dito.

Principalmente com a situação da forma como estava… Especialmente com a condição em que ela se encontrava…

— Keras? — A voz grave insistia em me chamar, e senti uma mão encostar em meu ombro.

Até quando eu continuaria a sabotar a minha própria sorte? Por que eu insistia em agir daquela maneira? Por que eu insistia em ser um grandioso imbecil? Respirei fundo e lentamente virei na direção da mão que me segurava.

Era Yami, e seu olhar parecia demais com o mesmo que ele me dera anos atrás quando estávamos a caminho de Yalahar. Seus olhos dourados estavam fixos em mim, aguardando algum tipo de reação de minha parte. Qualquer uma que fosse.

— Você não tem culpa, Keras. — Falou o Efreet em tom baixo.

— Não sei se posso concordar. — Falei vagarosamente, tentando controlar o turbilhão de emoções ruins que eu estava sentindo. — Eu estraguei tudo. Eu sempre faço isso.

Olhei rapidamente para Yami, que parecia ter engolido em seco e voltado seus olhares para o horizonte.

— Keras, ela passou mal e gritou por socorro… — Relatou o Djinn calmamente, certamente preocupado com a minha reação — E depois daquilo…

Respirei fundo; aquela situação toda era frustrante demais para aguentar. Eu não conseguia, pela primeira vez em anos, entender o que os deuses queriam de minha vida. Especialmente, naquele momento, não conseguiu entender o que Nornur, Crunor e provavelmente Bastesh queriam de mim para continuar a me dar nada além de sofrimento e tristezas.

Esquecimento Eterno já havia sido eliminada pela minha mão: eu já não havia sofrido o suficiente?

— Você sabia. — Repliquei, ríspido, com as palavras dele passando longe de minha mente. — Você sabia que Lisette era uma Sereia e não me contou.

— Se eu contasse, você não acreditaria. — Yami replicou e eu senti que ele engoliu parte de sua frustração para dirigir-me a palavra. — Você acharia que eu estava falando tais coisas por maldade e ciúme. É o que você normalmente assume que eu faço.

— Não comece com essa palhaçada! — Virei em sua direção, com fúria em meu semblante.

— Estou mentindo? — Yami me encarou de volta, igualmente raivoso. — Olhe-me nos olhos e diga que sou mentiroso! Desde o dia que vocês começaram a ficar juntos, foi como se um feitiço tivesse caído sobre você e nada mais interessasse! Você voltou a me olhar com descrença, da mesma forma como costumava ser anos atrás!

— Com razão, pelo visto! — Esbravejei, frustrado — Porra, Yami! Por que você me escondeu isso?

— Porque você sabotaria tudo! — Explodiu Yami. — Já te conheço há tempos, Keras! Você a largaria por medo e confusão! Você deixaria de experimentar algo por medo de conhecer a felicidade de novo e perder! E você ficaria nesse teu lenga-lenga, já que você já tinha feito sua escolha e alegaria “estar confuso”! — Ele fez sinais de aspas com os dedos, chateado. — E eu preferiria a morte a te ver infeliz daquele jeito de novo!

Engoli em seco, ainda fitando Yami com raiva, mas não ódio. Em outras circunstâncias, eu o teria odiado. Provavelmente eu o teria matado por uma traição daquelas; por ter me feito viver um relacionamento baseado em uma mentira e por ter perdido a possibilidade de ter uma família de forma apropriada. No entanto, já havíamos vivido muitas situações juntos, e eu não podia ignorar o fato de que Yami, em outros tempos e na atualidade, vinha me ajudando e apoiando em vez de me fazer mal.

Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, Yami saiu do recinto apressado. Suspirei e voltei a olhar para o horizonte, melancólico, deixando a minha mente, mesmo ali no Reino dos Sonhos, levar-me a um local mais distante do que eu já estava….


****

Dois Meses Antes…


Eu olhava para Kinahked incapaz de acreditar no que ele havia acabado de me dizer; comecei a andar de um lado para outro, com a mente fervilhando com as informações recém-adquiridas.

Lisette não era humana. Era uma Sereia, tal qual Marina.

Entretanto, ela não era viva: Lisette havia morrido no mar e foi convertida em Sereia por Bastesh, a deusa do Mar.

E estava, assim como o Mortalheiro, atrelada a ela.

E estava procurando por uma forma de se libertar: e eu era, no fim das contas, a chave.

— Ireas, eu sinto muito… — Falou o pirata após beber um grande gole de rum. — Sinto muito mesmo…

— Ela é não-viva… E não me contou! — Resmungava, dando pouca atenção às palavras de Kinahked. — Ela mentiu… Ela me disse que era humana e…

— Ireas, não tinha como você saber. — Kinahked falou, pousando a mão em meu ombro. — Achei que, quando ela tinha te falado que era pirata, anos atrás, eu realmente achava que ela já tivesse te contado… Unna também é uma Sereia, mas….

— Ela é viva e nasceu Sereia, é diferente! — Repliquei, frustrado e de orgulho ferido. — Lisette não, ela foi… Transformada, ela… Ela morreu… E não morreu… Ela mentiu pra mim!

— Tenta se acalmar e entender, Ireas… — Falou Kinahked. — Lisette nunca quis mentir para você, mas ela não podia te contar! Além disso, ela te ama de verdade, tenho certeza disso! Ela não estava te usando para se libertar, pode ter certeza!

— Então por que ela não me contou nada?! — Esbravejei, desnorteado e furioso — Nós perdemos duas crianças, Ked! A primeira… A primeira se chamaria Aslaug e… — Rugi de fúria e corri até uma parede, golpeando-a com os punhos nus — Era por isso! Esse tempo todo, era por isso!

As cenas de meus momentos com Lisette, tanto bons quanto ruins, começaram a passar em minha mente; desde a primeira vez que nos vimos aos primeiros desentendimentos sérios que passei a ter com Yami por causa dela, nunca eu havia suspeitado que havia algo diferente nela; quando nos aproximamos em uma festa em Nargor, sequer suspeitei que sua pele e seu cheiro eram diferentes de outras mulheres, no sentido de revelar que ela não mais pertencia à superfície.

Soquei a parede de pedra com raiva. Eu a conheci por cinco anos e a amei por três… E ela nunca havia me dado a mesma confiança que eu a dei.

— Ireas, calma! — Kinahked protestou após um grande gole de rum. — Entenda: Lisette tinha pouco tempo de terra firme quando te conheceu e teria menos ainda! Bastesh não é mais uma deusa bondosa como já foi um dia! Ela quase matou a Lisette de vez e a criança de vocês junto!

— Eu fui usado! — Rugi, com os punhos cerrados, virando em direção a Kinahked, espumando de raiva — Três anos, Ked! Três anos que estamos juntos, cara! Passamos por uma porrada de coisa e… Desde o Wind, eu… Eu confiava nela! Eu…

— Você deixou de amá-la? — O pirata de Nargor me indagou, sério como nunca o vi antes.

— Claro que não! — Repliquei, insultado. — Eu amo Lisette! Eu não deixei de amá-la, mas… Mas, porra, Ked! Como ela pode não confiar em mim?! Como ela pode fazer isso comigo e me matar de preocupação?!

Furioso como estava, não deixei Kinahked tentar explicar mais: fui correndo até onde Lisette estava descansando para tirar satisfação. Mal sabia eu que me arrependeria depois.

— LISETTE! — Urrei quase ao mesmo tempo que abri a porta de meus aposentos.

— Ireas?! — A pirata morena de sardas douradas arregalou seus olhos, assustada.

— Como pode?! — Esbravejei, completamente fora de mim. — Como pode me enganar assim?! Eu não passo de um peão, de um objeto para você?!

— C-como assim?! — Ela indagou, assustada com minha reação. — Ireas, isso não é do seu feitio! Você não é assim!

— Eu sei como sou! E você, sabe como você é?! — Continuei a destilar a minha fúria, com o olhar fixo nela. — Você me usou!

— Ireas, eu posso explicar! — Lisette replicou, levantando da cama de sopetão. — Eu juro que queria te contar, mas…

— Mas o quê?! Você teve inúmeras chances ao longo de todos esses anos, Lis! — Repliquei, frustrado e ainda furioso. — Isso é traição, Lis! Eu fui cem por cento honesto com você todo esse tempo! Eu nem sei o que pensar nesse momento!

— Eu tinha medo que isso viesse a acontecer! — Lisette estava já com a voz embargada, acuada e afetada pelo tom que eu empreguei. — Ireas, eu nunca quis mentir para você, mas entenda: eu tinha… Eu tenho muito medo da deusa que me salvou! Eu tenho medo dela… Eu não quero morrer! Eu morri dez anos atrás e ela cobrou um preço altíssimo pela minha segunda chance! Eu me apaixonei perdidamente por você, ireas, e vi em nós dois a chance para eu ter um lugar na superfície de novo! Por favor, me perdoe! Eu queria te proteger da fúria do Mar! Me perdoe!

— Você podia ter confiado em mim. — Falei entre os dentes, engolindo gradativamente a minha fúria. — Lisette, eu te amo, mas te perdoar… Vai ser difícil. Para não dizer impossível.

Saí de meu recinto furioso, espumando de raiva; abri um portal dentro do Reino dos Sonhos e entrei lá para ficar sozinho com minha fúria e pensamentos negativos.


****


Tempo Atual.

(Narrado por Yami, o Primeiro)



Longe dos aposentos de Ireas, fui até o outro pátio que ainda estava em construção; havia alguns adeptos convertendo a força de seus sonhos em matéria etérea, em longos e grossos fios de um material frágil e ao mesmo tempo resistente como os fios de teias de aranhas; entre eles, havia seres mais altos, que lembravam elfos, mas com peles amareladas e que brilhavam em tons distintos quando a luz incidia sobre suas peles, como se houvesse uma fina camada de cristal sobre elas. Seus cabelos eram esbranquiçados, mas não de velhice, e sim por escolha própria. Suas roupas mudavam de cor conforme a sua vontade, e seus olhos volta e meia exibiam brilhos distintos conforme o humor do corpo ao qual pertenciam.

Eram parte do povo de Tameran. Eram os Teshial de que Ireas tanto falara tempos atrás. O elfo me vira andando a esmo e sinalizou para que eu parasse. Ele veio em minha direção, agitado.

— Yami! Yami! — Chamou o Teshial, correndo. — Viu Ireas por aí?

— Ele está em sua residência. — Falei, aéreo, apontando para a edificação sem muita vontade de conversar. — Ele não está conversando com ninguém no momento. E acho que nem vai querer falar com alguém.

— Aconteceu algo? — Indagou Tameran, preocupado.

— Sim… — Repliquei com um suspiro. — Lisette teve… Ela perdeu o bebê que esperava. — Calei-me com um gosto amargo na boca, sem saber porque diabos falei o que havia acabado de falar.

— Oh… — O elfo deixou o semblante ser tomado pela compaixão e notei suas orelhas descerem um pouco, abalado. — Nossa…

— É a vida. Acontece. — Repliquei, cruzando os braços e odiando aquela parte da conversa como um todo. — Faz parte, suponho.

— De fato… — Suspirou Tameran, que pigarreou logo em seguida em uma tentativa de mudar de assunto. — Queria falar sobre a Ponte que Ireas e Jack estão construindo. Ela está indo bem, mas…

— Mas? — Já havia percebido, àquela altura, que nada de bom viria do uso daquele advérbio.

— Não sei se dará tempo. — Falou o elfo, preocupado. — Digo… Estou tendo dificuldades em trazer todos para cá… O nosso esconderijo aqui… É em uma parte muito densa e… Alguns de nós estão presos… De certa forma, no mar etéreo daqui.

Cruzei meus braços e ergui uma de minhas sobrancelhas.

— Bastesh está… Impedindo o avanço de algumas das barcas. — Falou Tameran por fim, engolindo em seco logo em seguida. — Não sabemos ao certo o porquê disso, e nem sabíamos que ela também tinha acesso a esse Reino…

— De certa forma, fomos todos sonhos ou pesadelos dos deuses algum dia. — Falei, reflexivo e levemente frustrado. — Seria estranho se não tivessem acesso a esse plano de existência.

— Faz sentido… — Replicou Tameran com um suspiro frustrado e preocupado. — Ainda assim, são dois problemas… A situação com os mares e Roshamuul…

Engoli em seco; a lembrança daquela cidade ainda estava fresca em minha memória. Roshamuul foi um dos poucos locais que me deu arrepios do início ao fim de minha estada, fazendo eu repensar sobre meu aprendizado do Caminhar dos Sonhos: considerando a existência de um local tão nefasto e perturbador, talvez a Criação tivesse sido sábia eras atrás ao negar aos Djinns a habilidade de sonhar.

— De fato… — Falei, desconfortável. — Bom, como o segundo não pode ser resolvido a duas mãos apenas, acho que seria melhor você focar na questão das barcas com Ireas. Talvez seja mais fácil pensar em uma solução para esse problema, e rápido.

O Teshial concordou comigo e retirou-se com uma reverência. Eu, por outro lado, aproveitei para me aproximar do local de construção.

Era a maior das Pontes que Ireas e Jack haviam planejado; naquele momento que eu observava, ela era um andaime grande que já se estendia por quinze metros acima de uma grossa camada de nuvens que escondiam o chão e o que quer que houvesse abaixo dela.

Parei para observar, com os olhos semicerrados e o olhar distante, pensando nas últimas horas que passaram. Eu estava exausto; estava sendo um péssimo dia. Aliás, as últimas 14 horas haviam sido péssimas como um todo. Pisquei devagar enquanto via alguns sacerdotes auxiliados por minha irmã continuarem com seu árduo, intrincado e delicado trabalho criativo, deixando meus pensamentos tomarem conta de minha mente já bem exausta.


****


Quatorze Horas Antes…

Estava tudo tranquilo; tudo quieto. As tochas iluminavam os corredores do palácio de Ireas a meia luz. Dirigia-me até uma das salas de banho construídas pelo Vento do Norte, onde Lisette se banhava. A moça morena e sardenta passava a água perfumada por seus braços nus e deteve-se quando me viu entrar com algumas toalhas à mão.

— Boa noite, Yami. — Falou a sereia com um semblante amistoso, sorrindo para mim.

— Boa noite, Lisette. — Repliquei com um sorriso de canto, mexendo as toalhas em meus braços. — Aceita?

A pirata fez que sim com a cabeça e sinalizou para que eu deixasse as toalhas perto de sua cabeça, onde ela estava. Deixei as toalhas no local pedido e sentei perto dela, um pouco sem graça.

— Então… Trinta e quatro semanas. — Tentei puxar assunto, olhando de soslaio para ela.

— Trinta e quatro semanas. — Sorriu Lisette, contente. — Conseguimos passar a marca do primeiro trimestre.

— Então… Dessa vez você acha que vai nascer? — Falei da maneira mais casual que eu podia.

— Estou confiante que sim. — Replicou a moça, virando em minha direção e colocando os braços sobre a beirada da piscina de banho. — Por que a pergunta?

Soltei um largo suspiro; a conversa casual havia acabado ali.

— Lisette, quando você e o Ireas começaram a sair sério, eu descobri que você era Sereia sem fazer muito esforço. — Falei, sério, com o olhar fixo nela. — Percebi, também, que sua condição era diferente da de uma Sereia convencional, e, mesmo não gostando do fato de vocês estarem juntos, eu ocultei isso de Ireas para que ele pudesse ser feliz. Por algum acaso você pretende contar a ele de sua condição?

Apontei para as pernas dela, que haviam se convertido em um grande rabo de peixe com belas escamas brilhantes. Ela mexeu a cauda e exibiu um pedaço da barbatana com uma feição melancólica.

— Ainda não… — Suspirou Lisette, voltando seu olhar para mim logo em seguida. — Contarei na hora mais oportuna. A forma como virei sereia não foi convencional e Ireas não precisa ser envolvido nisso.

— Bom, vocês vão ter um filho juntos, acho que ele já está envolvido independente do que você opte por ocultar dele. — Repliquei, irritado.

— Qual seu problema, Yami? — Lisette indagou, irritada. — Desde a primeira vez que conversamos, você já demonstrou desgostar de mim. Eu sei do histórico anterior do Ireas e não me incomoda nem um pouco. No entanto, essa sua atitude me incomoda e muito. Tire os olhos do meu namorado.

Engoli em seco. Além de petulante, estava tentando me dar ordens. Um absurdo. Absurdo!

— Não se trata disso. — Me inclinei para perto dela, irritado e insultado — Ireas sofreu muito por enganos e erros de comunicação perfeitamente evitáveis. E, se você diz saber tanto sobre a vida amorosa dele, sabe que a razão pela qual o relacionamento dele com Wind desandou. E, para sua informação, eu respeitava muito o cara. E não, eu não estou de olho no Ireas, se é que a sua absurda hipótese possui algum fundamento.

Não era tão absurda a possibilidade. Mesmo depois de tanto tempo. Eu sabia. E possivelmente ela também.

— Tsc. Que seja. — Replicou Lisette, estalando a língua, irritada. — Pode me ajudar a sair?

— Claro. — Repliquei, respirando fundo e oferecendo minhas mãos para ela.

Assim que eu ajudei a gestante a se levantar e se cobrir com os panos, tudo ocorreu muito rapidamente. Em um momento, após nossa conversa cheia de farpas e diretas-indiretas, estávamos conversando mais amigavelmente; em cinco minutos, tudo mudou. Ela começou a sentir dor. Muita dor. A bolsa de água dela estourou, e eu vi o líquido incolor e grosso escorrer por suas pernas, cujas escamas ainda estavam em evidência; coube a mim carregá-la em meus braços e levá-la ao quarto mais próximo.

As dores aumentaram; logo os gritos começaram a vir. Ela estava em sofrimento. A criança provavelmente estava também. Ireas não estava no palácio, e tive que achar alguma outra pessoa para ajudar. Estava tudo indo rápido demais; trinta e quatro semanas eram muito pouco para uma criança sobreviver, até onde eu sabia. Tentei aliviar sua dor com magia; conjurei medicamentos, chás, pomadas, para poder aliviar sua dor e tentar retardar o processo. Houve efeito, mas pouco.

Quando consegui alguém, Lisette estava quase parindo sozinha; conjurei um portal à Ankrahmun e tirei minha irmã de seu sono. Ela assumiu por mim e eu fui ao encalço de Ireas, que estava cuidando de refugiados Teshial que sobreviveram às torturas infligidas pelos Bichos-Papões; contei do sofrimento de Lisette. “Seu filho está chegando”, foi o que eu disse. “Lisette precisa de você e Yumi está com ela”, lembro de ter completado.

Chegamos à porção Norte da Sociedade das Teias Infindas com pressa; Ireas entrou no quarto e eu ouvi um urro de tristeza e dor; eu entrei no quarto e vi Yumi, Ireas e Lisette arrasados. A criança viera ao mundo dormindo. Ela jamais abriu os olhos. Ela nunca chorou. Era um menino. E era perfeito. Mas nunca chegou a respirar.

Atrás de Lisette, eu vi a figura do Mortalheiro segurando o que parecia ser uma ampulheta d’água brilhando com uma matéria etérea dentro dele. Senti uma mão forte me segurar o ombro. Era Kinahked.

— A Deusa reclamou mais um. — Falou o pirata em tom fúnebre. — Eu não pude fazer nada. Eu não sei o que vai ser dessas almas, Yami.

— Bastesh… É cruel. — Sibilei, furioso. — Tudo o que Ireas sempre quis… Foi uma família. Ter alguém para dividir a cama e talvez ter filhos com essa pessoa. O que ele fez para merecer tamanha crueldade?! Ireas por acaso precisa sofrer pelos pecados da mãe?!

— Não… Mas Lisette cometeu um erro achando que poderia fugir da deusa do mar. — Replicou Kinahked, com os olhos marejados. — Talvez haja uma forma de recuperar as almas das crianças que Ireas perdeu, mas… Eu não sei como ele vai fazer.


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Tempo Atual.


Senti uma mão encostar em meu ombro com certa força. Virei em direção a ela e encontrei Ireas lá, sério e determinado.

— Vou precisar da sua ajuda. — Falou o druida. — Eu não esqueci da ajuda que você prestou a Lisette naquela hora tão horrível. Estou determinado a acabar com o jugo de Bastesh sobre ela e sobre os Teshial que estão vindo. Preciso ir até o coração das águas aqui do Reino dos Sonhos, e eu quero que você venha comigo. Mais do que nunca, para salvar a mulher que eu amo e talvez as almas dos filhos que perdi, eu vou precisar de você.



Continua.

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E é isso aí, galera! Espero que gostem e aguardo ansiosamente pelo feedback de todos!

Até o próximo capítulo!



Abraço,
Iridium.