Resultados da Enquete: Que Facção deveria Ireas Escolher?

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Enquete de Múltipla Escolha.
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Tópico: A Voz do Vento

  1. #351
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    Totalmente excelente, Iridium odalisca do planalto!

    Chuchu beleza, manda brasa!

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  2. #352
    Avatar de Edge Fencer
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    Eita, o negócio vai ficar sério agora

    Interessante a descrição da Esquecimento. Não estava esperando que ela tivesse uma aparência tão decadente assim; é um ingrediente a mais para apimentar a batalha contra o Ireas.

    Capítulo muito bem feito, como de costume, pena que foi pequeno. Porém, acho válido, já que até hoje não deu pra superar o último :s

    Curioso pela sequência, a história tá realmente chegando em seu clímax.

    Abraço!
    Son of a submariner!

  3. #353
    Avatar de Senhor das Botas
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    Bom, depois de vários capítulos, venho comentar.

    Você já sabe meu feedback dos capítulos anteriores, já que eu os mencionei antes, em conversas. Agora, sobre esse capítulo...

    Um bom capítulo, mesmo sendo só de apresentações. Não digo mais pois este fora um capítulo de transição, já que nos fora apresentada a motivação de Ireas... Desde o primeiro capítulo, quando Esquecimento entregou seu bebê para Cipfriend, e todo esse caminho que nosso druida percorreu, procurando por todos estes tomos, e agora o encontro com sua mãe, logo após a morte do Wind...

    Enfim, a cereja do bolo foi oferecida, mas não chegamos ao propriamente dito bolo. Creio que talvez Ireas e Yami cheguem perto da morte em um confronto contra Esquecimento, mas o grupo intervirá e Esquecimento terá de fugir.

    E é isso fefê. No aguardo do próximo capítulo xD.


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  4. #354
    Avatar de Kinahked
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    Perfeito como sempre! Posta logo o próximo se n quiser andar na prancha...

    (Rum... a melhor poção de cura!)
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  5. #355
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Segundo Pergaminho, Capítulo 57

    Saudações!

    Peço desculpas pela demora! Com o início da II Justas Tibianas e um fim de ano mais corrido no trabalho, acabei ficando mais cansada e sem tempo de postar. Tentarei apressar os capítulos, já que dei um prazo mais largo para os competidores e tenho uma Disputa e outro texto livre para acabar

    Vamos aos comentários:

    Spoiler: Respostas aos Comentários



    Agora, sem mais delongas, o Capítulo de Hoje!

    -----

    Spoiler: Bônus Musical


    Capítulo 57 — A Insanidade Persiste no Esquecimento (Parte 2)

    E todos me amarão e hão de se desesperar!*

    (Narrado por Esquecimento Eterno)


    Acertaria em cheio aquele menino se não fosse por Yami; o Djinn fora mais rápido e levantara um escudo de pura energia para socorrer aquele que agora era seu novo amo. Ireas logo recobrou o fôlego e ficou de pé, com um machado feito de gelo em mãos. Sorri. Essa seria uma boa briga.

    Exevo Gran Vis Lux!

    Minha linha de energia foi em direção a eles com violência; Yami desviou rapidamente e Ireas recebeu uma parte do impacto, caindo no chão com parte da perna eletrocutada; Yami sacou sua cimitarra e logo assumiu sua verdadeira forma de Efreet.

    Meu filho levantou com dor enquanto e Efreet avançou em minha direção, com a espada banhada em chamas; consegui desviar uma vez, e levantei um véu negro para me defender das espadadas.

    — Exori Gran Frigo!

    O impacto veio certeiro, quebrando meu escudo e dando a oportunidade para Yami me acertar; não esperava por uma reação tão bruta; caí no chão com um corte aberto em meu tronco. Bati minhas mãos com força no chão e chamei reforços.

    — Venham, servos do além! — Gritei.

    Uma junção de ossos veio à minha frente e repeliu io Djinn; Levantei-me amparada por dois servos feitos de ossos vermelhos, enquanto quatro Liches tomaram a frente por mim.

    — É inútil lutar contra o Esquecimento. — Falei, com um sorriso sinistro.


    *****


    (Narrado por Kinahked)

    Estávamos perdidos. Oficialmente perdidos.

    Já fazia tempos que andávamos em círculos em meio àquele sistema de cavernas; Sírio, o irmão pirralho de Morzan, já estava recuperado e andando sem ajuda. Bebi mais um gole de Rum enquanto aguardava por instruções de alguém.

    Ninguém sabia por onde ir.

    — Jack, nada? — Brand indagou, ofegante. — Já estamos andando em círculos faz muito tempo!

    — Eu… Eu não sei ao certo. — Replicou o Paladino de olhos verdes. — Digo… eu sinto o rastro do Ireas aqui, mas…

    De repente, o rapaz parou e fechou os olhos. Ele murmurou coisas para si e voltou seus olhares para uma passagem que, até então, nenhum de nós havia visto. Logo notamos o ar ficar morno e primaveril, correndo em fachos discretamente dourados, que indicavam a entrada da passagem e mudavam de cor e temperatura na medida que entravam no local.

    O Paladino entrou na caverna enquanto ainda murmurava coisas para si em uma linguagem que não entendia por nada nesse mundo. Intrigados, seguimos Jack passagem adentro. Assim que dei meu primeiro passo, parei. Havia algo diferente no chão. Voltei meus olhos para baixo e logo vi do que se tratava.

    Grama. Pura. Livre de Corrupção. Viva.


    ****


    (Narrado por Yami, o Primeiro)


    — Cuidado!

    Conjurei um feixe de energia que obliterou o Lich que se aproximava de Ireas; o Norsir lutava contra um deles, enquanto eu tentava manter a atenção dos outros dois em mim; suas risadas sinistras, somadas às Bestas Ósseas que começaram a conjurar eram minha maior preocupação.

    — Utamo Vita! — Ouvi o druida gritar. — Exevo Gran Frigo!

    Golpeei um dos Liches com a minha cimitarra em chamas, e a criatura se afastou de mim aos berros; o outro se aproveitou de minha distração e mordeu meu ombro; berrei de dor e logo incinerei seu crânio com minha mão livre; eu conseguiu sentir a decadência e a corrupção tentando se alastrar pelas minhas veias.

    Recuei, ofegante; coloquei a mão em minhas feridas, queimando-as. Respirei fundo para não sentir mais dor. Guardei minha cimitarra e envolvi meus punhos em chamas; as Bestas rugiram para mim, e um total de seis delas vieram em minha direção. Pelo bem de Ireas, e de mim mesmo, precisava conseguir segurá-las. O Druida precisava sobreviver.


    *****


    (Narrado por Esquecimento Eterno)


    Tudo exatamente como eu havia planejado; separados, Ireas e Yami me trariam muito menos problemas. Sentia, entretanto, algo errado comigo. Meu corpo estava fraco. Muito fraco.

    Logo vi Ireas superando o Lich que mantinha sua atenção, congelando e esmigalhando seu corpo com o machado que tinha em mãos; Yami atracou-se com as seis Bestas de uma vez, incinerando seus ossos com chutes e socos potentes. Meu filho, no entanto, estava livre e me atacou diretamente.

    — Exevo Gran Frigo!

    A estaca singrou veloz em minha direção; levantei o muro de escuridão e o projétil espatifou-se contra ele. Abaixei minha proteção e atirei uma esfera de energia contra ele; para minha surpresa, Ireas usou seu escudo de Mana para absorver o impacto e continuou a avançar.

    — Exevo Gran Tera!

    Em um instante, vinhas, folhas e espinhos surgiram do chão antes estéril; levantei minha defesa de sombras novamente, e furiosa, decidi revidar.

    — Exevo Gran Mort!

    Converti minha defesa em ataque, e as sombras atravessaram as vinhas, matando-as; a magia atingiu o druida em cheio, arremessando-o longe. Ele caiu gritando de dor, e eu podia sentir a corrupção querendo entrar na pele do garoto. Por fora, eu sorria. Por dentro… Eu sofria.

    — Você não estaria passando por isso se escutasse a sua mãe! — Falei quase que instintivamente, sem pensar na situação. — Se você não tivesse mexido com aquilo que não era da sua conta, não estaria passando por isso.

    — Keras! — A voz de Yami me interrompeu. Virei a cabeça em sua direção e vi-o jogar longe o corpo da última Besta Óssea que o enfrentara.

    — Exura… Vita! — Ouvi o encantamento de cura como resposta.

    Yami atirou uma enorme bola de fogo em minha direção, e eu a defendi, recuando; senti um de meus dedos chamuscar de leve. Quando olhei novamente, Ireas estava de pé, com o machado em mãos e em pleno movimento, disposto a me cortar no meio. Notei que sua pele exibia algumas feridas características da Corrupção.

    — Nada disso estaria acontecendo… SE VOCÊ NÃO TIVESSE ARRUINADO TUDO!

    O garoto rugiu para mim e eu desviei com muita dificuldade; meu corpo sangrava, e minha ferida não se fechava. Eu estava muito fraca. O que estava acontecendo comigo?


    ****


    (Narrado por Rei Jack Spider)


    Dah’ra Nia Imen Athra**. “Pelo Vento nos Encontramos”. Eram essas as palavras em minha mente; as palavras de Nornur. Na medida em que recitava isso, fechei meus olhos, e foi como se eu pudesse ver melhor que antes.

    “Siga o caminho dos Sonhos. Sonhe acordado, Vento do Sul… E achará seu irmão.”

    Através dos meus olhos fechados, eu conseguia ver o túnel em sua forma original: um caminho antes com vinhas e raízes vivas, e que era mais claro do que atualmente. Eu conseguia ver a silhueta de Ireas passando por lá, em contorno azulado, bem como a essência de Yami, em cor verde escura, ambos parados ali.

    Comecei a correr, e outros passos ecoaram atrás de mim; a silhueta dos dois mudou de forma, transformando-se em feixes de luz, os quais se deslocaram rapidamente em outra direção. Não me importei com isso: apenas segui seu rastro, dizendo as palavras “Dah’ra Nia Imen Athra” e torcendo para que Nornur estivesse me guiando corretamente.


    ****


    (Narrado por Ireas Keras)


    Soprei em direção a Esquecimento Eterno o mais gelado dos Ventos; ela levantou uma muralha de ossos, que congelaram ao contato com o ar frio que eu havia expelido. Yami quebrou a muralha com um soco flamejante, apenas para vermos que ela havia desaparecido.

    — Mas o que… — Yami resmungou.

    Uma sombra se projetou acima de nossas cabeças; olhamos para o alto. Era uma enorme pedra vindo em nossa direção. Yami pensou mais rápido e criou uma redoma de fogo para nos proteger; ele ajoelhou com o impacto, tamanha a velocidade da pedra.

    — Argh! — Reclamou o Djinn, ainda em sua forma verdadeira, com as mãos acima da cabeça e os cotovelos dobrados, segurando a redoma de fogo.

    — Ah, merda! — Resmunguei, olhando para cima. — Deixe de ser covarde, Esquecimento!

    Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, mais uma pedra veio à redoma, que foi desfeita com o impacto; a pedra fora destruída pelas chamas, mas eu e Yami caímos. Eu estava muito tonto, mas o gênio ficou desfalecido no chão, retornando à sua forma humana. As vestes que lhe cobriam o torso estavam rasgadas, e eu pude enfim ver o que deixara Yami tão fraco: algumas de suas veias exibiam um tom de um púrpura brilhante, e sua pele estava empalidecendo na região. Ele estava infectado.

    — Exura Sio: Yami. — Falei, encostando em seu ombro esquerdo descoberto. — Vai ter que ser o suficiente por agora…

    Vi o brilho diminuir, mas as veias ainda estavam escurecidas. Tive que torcer para que a cura fosse o bastante. Dos escombros, não via nada além da neblina causada pelas pedras fumegantes; segurei firme meu machado e soprei em cima dele, reforçando a camada de gelo que o moldava.

    Da fumaça, vi sair um casco animalesco, parecido com o de um cavalo, mas com uma fenda que o partia ao meio. O ser que saiu de lá tinha a pele negra coberta pela pestilência, um par de asas decrépitas e as vestes e o olhar perverso de minha mãe.

    — Eu não preciso de magias para te derrotar. Eu tenho a Morte como força!

    Engoli em seco, mas respirei fundo. Eu tinha que estar preparado para o que estava por vir.



    Continua...

    ----


    Glossário:

    (*): Excerto de uma das falas de Galadriel, no livro O Senhor dos Aneis: A Sociedade do Anel, onde ela quase é corrompida pelo poder do Um Anel, quando Frodo o oferece a ela. Quando ela diz essa frase, está temporariamente possuída, exibindo sua face mais obscura, a qual é superada por sua diligência.

    (**): Uma língua fictícia, não canônica, a qual será futuramente explicada na narrativa.


    ----

    E por hoje é só, pessoal! Consegui minha meta do lvl 100 ainda em 2016! Faltam 3 Capítulos para fechar esse Pergaminho! Vamos ver se consigo fechá-lo a tempo xD

    Aos que sempre me acompanham, obrigada por tudo! Hoje, às 22h, em Luminera, estarei fazendo minha SS de comemoração do Lvl 100 em Svargrond (Nibelor, no stonehenge à frente do NPC Hjaern). Espero vocês!



    Abraço,
    Iridium.




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    Última edição por Iridium; 24-12-2016 às 05:47.

  6. #356
    Avatar de Edge Fencer
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    Excelente capítulo, Iridium!

    Estava imaginando uma luta menos parelha entre os rapazes e a Esquecimento, mas ela acabou passando por problemas ali... Será que a corrupção se voltou contra a danada? Ou o Ireas era mais forte do que ela pensava? Tô curioso pra descobrir.

    Yami foi contaminado também... Não acho que uma magia de cura simples o purificará. Bom, espero que ele se livre da corrupção, é meu personagem favorito :s

    Bom, expectativa com o final do pergaminho está bem alta, Esquecimento deve ter muitas cartas na manga ainda... Estarei esperando ansiosamente pela continuação!

    Ah, e parabéns pelo lv 100 xD Espero um dia tbm chegar lá, mas tá difícil encontrar ânimo pra upar :x

    Abraço!
    Son of a submariner!

  7. #357
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Segundo Pergaminho, Capítulo 58

    Saudações!

    A segunda fase das Justas Tibianas começa em breve! Fiquem atentos!

    Bom, inicialmente, feliz 2017 a todos, que seja um ano MARA para todos nós! O Segundo Pergaminho tá QUAAAAAASE no fim (é sério!) e esse ano a saga acaba de vez. Vamos ao comentário do @Edge Fencer, que foi o único dessa vez.


    Spoiler: Respostas aos Comentários


    Sem mais delongas, o Capítulo de hoje!


    -----

    Spoiler: Bônus Musical


    Capítulo 58 — A Insanidade Persiste no Esquecimento (Parte 3)

    A luta continua… A escuridão persiste.

    (Narrado por Esquecimento Eterno)


    Esmurrei a parede com minhas garras fechadas; um buraco se abriu e meu filho havia desviado de meu golpe. O Efreet estava inconsciente: converti uma de minhas mãos em lanças, pronta para matá-lo.

    — NÃO! EXORI GRAN FRIGO!

    Uma estaca de gelo desferida por meu filho veio certeira em meu flanco, me desestabilizando; rugi e abri as asas para não perder o equilíbrio, e soprei fogo púrpura em sua direção. Ele gritou de agonia, recuando. Sorri, satisfeita.

    — Vocês não sairão daqui vivos, meu filho! — Rugi, indo em sua direção — Não enquanto não deixarem a Escuridão tomar conta!


    *****

    (Narrado por Rei Jack Spider)

    Nimen Aman’tharan Khor*
    ... “O Vento vê um dos seus”. Os vultos se moviam rápido, e eu corria para alcançá-los; mal conseguia ouvir os passos dos demais que me seguiam: eu só tinha olhos e ouvidos para o Vento.

    Olhei para o lado: Nornur estava ali em sua forma de aracnídeo, quase etéreo, correndo ao meu lado.

    — Criança… Tenha cuidado… — Sussurrou o frágil deus — Esquecimento Eterno… Foi uma de nós um dia…

    Assenti, continuando a correr.

    — Dê a ela… Um descanso final. — Sussurrou novamente Nornur, cuja forma começava a desaparecer no ar — O Vento do Norte… Está cego de ódio. Assim como a mãe dele.

    Assim que ele disse isso, a enorme aranha transformou-se em pequenas correntes de vento prateadas, as quais foram à minha frente, freando-me em frente a um portão. Naquele instante, senti que a trilha do rastro de Ireas e Yami parava ali.

    — Eles estão aqui. — Falei, determinado, apontando para o bloqueio à frente. — Ireas e Yami estão aqui! Precisamos derrubar essa porta!


    ****


    (Narrado por Ireas Keras)

    Uma chicoteada; recebi o golpe em minha perna e caí.

    — Exevo Gran Frigo!

    Conjurei um cone de gelo contra Esquecimento Eterno, e pude retardar seus movimentos; a segunda chicotada veio, e ao menos pude desviar; a ferida ardia muito, e estava com sinais de corrupção. A mulher corrupta abriu suas asas, preparando-se para uma investida

    — Droga… Exura Gran! EXEVO GRAN FRIGO!

    — Experimente isso, moleque atrevido… EXEVO GRAN MAS VIS!

    Arremessei mais um cone de gelo em sua direção, o qual foi retribuído com uma linha de energia; o disparo viera com muita força; meu escudo de mana se quebrou e eu fui arremessado longe. Agora, meu peito também ardia, e a marca de flor que eu tinha resumia-se a uma cicatriz leve e disforme.

    Eu não tinha mais bênção alguma. Fiquei de joelhos, com o sangue saindo de minha boca e minhas feridas, tentando pensar em algo para contra atacá-la; dois tentáculos sombrios vieram em minha direção, segurando meu corpo já muito ferido com força muito superior à minha. As projeções sombrias, então, me trouxeram para perto de Esquecimento.

    — Argh… — Protestei em meio à minha dor, tentando me mexer.

    Ela cruzou os braços. Seu corpo, agora muito mais voluptuoso e constituído que antes, metade sombras, metade forças demoníacas, mostrava quase nenhuma ferida. Seus olhos vermelhos brilhavam com mais fogo, e ela estava com os braços cruzados, me olhando.

    — Você se tornou mais um escravo desse tormento. — Falou a mulher, exibindo os dentes afiados. — Nornur. Ele te enganou também.

    — Não… Quem foi enganada… Foi… Você! — Protestei em meio ao sangue que saía de minha boca e atrapalhava minha dicção.

    Ela soltou um suspiro ressabiado.

    — Estou desapontada. Achei que depois de todo esse tempo, entenderia… — Replicou a mulher, cujo abraço de sombras começou a me apertar ainda mais. — Nornur é um deus que não tem mais lugar nesse mundo. Sua promessa de união é tão fútil quanto o Caminho dos Sonhos como os Teshial queriam…

    Tossi novamente, e mais sangue saiu de minha; estava com pouca Mana em meu corpo, e podia sentir minha consciência escorregando; manter-me desperto estava se tornando um suplício crescente.

    — Esse mundo é escuro, frio e cruel como o Pesadelo…

    Respirava com dificuldade: estaria minha vida acabando? Pisquei os olhos devagar, e notei um movimento atrás de Esquecimento Eterno. Era possível que, talvez, alguém estivesse prestes a acordar.

    — Talvez, minha doce criança… Seja melhor que você vá para outro plano… E descanse lá.

    Tudo ficou embaçado; fechei os olhos e tudo escureceu; a voz de Esquecimento estava cada vez mais distante. Na escuridão, no entanto, eu comecei a ver algo: Nornur e um povo alto, cujas peles reluziam em mil tons, e todos exibiam uma aura que só testemunhei uma vez: no Caminho dos Sonhos.

    — Os Sonhos moldam o mundo… E unem todas as almas. — A voz de Nornur soou sublime. — Sua força reside na Natureza e nos Sonhos, Vento do Norte. Não se esqueça disso!

    Em meio aos elfos, vi rostos familiares: vi o rosto de Khaftos, sem as marcas da doença que o levara tanto tempo atrás; ele sorria e parecia em paz. Vi a tez pálida e eternamente linda de Annika, sem as marcas das feridas que ceifaram sua vida naquele covil funesto dos Minotauros. Ela sorria para mim e seus olhos e seu sorriso nunca foram tão belos aos meus olhos. Vi Liive com o porte que tinha em vida, olhando-me com expectativa.

    — Todos nós nos sacrificamos para que você pudesse fazer justiça, garoto. — A voz do Norsir ruivo soou viva e familiar. — Trata de voltar pro mundo dos vivos!

    — Ireas… — Annika, sempre tão tímida, voltou a falar; havia se passado mais de dois anos que eu não ouvia sua voz, e meu coração pulou ao ouvi-la novamente. — Os Sonhos são tudo que mantém o passado vivo, o presente sustentável e o futuro cheio de esperança! Não deixe isso morrer!

    As palavras deles me enchiam de coragem, mas meu coração começou a sentir todas as dúvidas do mundo: seria eu o mais indicado? Não seria melhor deixar Jack assumir tudo isso?

    — Eu… Eu não sei… Se consigo. Eu… — Balbuciei, duvidando de mim mesmo. — Eu falhei com tantas pessoas… Não sou… Tão digno dessa força toda que eu tenho! Se eu não sei usá-la…

    — Sabe sim.

    Em meio à luz e às cores, um vulto permeado por sombras apareceu e tomou forma; meus olhos se encheram de água ao ver que se tratava de Wind Walker, o Andarilho do Vento.

    — Você é mais capaz que imagina, Ireas. — Falou o Yalahari em bom tom, como se ainda estivesse vivo. — Eu vi em primeira mão o que você consegue fazer… Todos vimos. Não duvide de si mesmo… E não se culpe pelo que nos aconteceu. — Ele sorriu. — Vidas vem e vão… O que importa é se foram ou não bem vividas. E nós as vivemos bem, graças a você!

    Senti, de repente, como se minha alma estivesse sendo dragada para outro lugar; entretanto, eu não estava com medo. Sentia como se minhas forças estivessem sendo renovadas.

    — Vá lá de novo, Ireas. — Annika falou, serena. — Volte lá e acabe com ela! Acabe com esse pesadelo!

    Concordei com um aceno de cabeça, fechei os olhos e me entreguei à sensação; estava voltando ao mundo dos vivos.

    — Sua busca por luz… Acaba AQUI!

    Abri meus olhos rapidamente e vi a mão de Esquecimento, convertida em uma lança, vindo em minha direção; soprei o mais frio dos ventos que consegui em seu rosto, congelando-o e quebrando sua concentração; no entanto, sua mão transformada conseguiu me atingir.

    — AAAAAAH! — Berrei de dor, recuando vários passos após tê-la atacado. — MEU OLHO!

    Senti, então, o calor de chamas perto de mim; no entanto, eu não fui ferido por elas. Tapei meu olho ferido com a mão e tentei olhar à frente. Arregalei meus olhos ao ver o ocorrido.

    — Yami… — Balbuciei.

    Ele parecia mais poderoso — e mais enraivecido que nunca; a Corrupção sumira de seu corpo como uma ferida rapidamente cauterizada; seu corpo brilhava em meio às chamas, e minha mãe gritava de dor em sua forma demoníaca. Ele conjurou um enorme chicote de fogo, açoitando-a sem piedade.

    — Isso é pela minha família! — Urrou o Efreet de voz grave. — Isso é por tudo que você me forçou a fazer!

    — TRAIDOR! — Gritava Esquecimento Eterno.

    Foi, literalmente, fogo contra fogo: ela soltou uma baforada de fogo púrpura em uma tentativa de queimar a pele de Yami, que simplesmente sorriu com escárnio.

    — Sou imune a fogo, esqueceu?

    Yami continuou a avançar e atacar, tirando a atenção de Esquecimento Eterno de mim. Respirei fundo e consegui conjurar uma magia de cura, suficiente para ao menos estancar meu sangramento; no entanto, comecei a sentir a Corrupção se alastrando por minhas veias. Respirei fundo e me preparei para atacar novamente.

    EXORI MAX FRIGO!


    ****


    (Narrado por Maximus Meridius)

    — Que merda, não abre!

    Era Sírio reclamando; o rapaz tinha tentado de tudo: procurar chaves, ferrolhos e até mesmo incendiar a madeira. Nada.

    — É… Vamos ter que recorrer à força bruta. — Resmunguei. — Ked, passa esse rum pra cá.

    O pirata me obedeceu, intrigado; bebi três grandes goles e devolvi a garrafa para o amigo de longa data, que também repetiu o gesto, finalizando mais uma garrafa.

    — Morzan, Ked, me deem seus braços. — Instruí, sério. — Vamos arregaçar essa porta na base do chute.

    — Até parece que isso vai dar certo! — Icel e Sírio protestaram.

    — Acho que não vai dar…. — Falou Jack, inseguro.

    — QUE NÃO VAI DAR, O QUÊ! — Repliquei, sentindo o efeito da bebida após um longo período de jejum. — QUEM NÃO FOR CAVALEIRO, SAIA DA FRENTE! Morzan, Ked, COMIGO!

    De braços dados, respiramos fundo e nos preparamos para acabar com aquela palhaçada de caminho bloqueado.

    — UTITO TEMPO HUR! — Gritamos em uníssono.

    Corremos em direção à porta com força, velocidade e fúria; os demais, tomando-nos por loucos, saíram de nosso caminho. Demos um salto e apontamos nossas pernas mais fortes para a porta, arrebentando-a de uma só vez; os estilhaços de madeira voaram em todas as direções, e pousamos no chão com brutalidade, quebrando o assoalho aos nossos pés.

    — BOA! — Gritou Morzan, também alto da bebida. — ISSO QUE É A FORÇA DE UM CAVALEIRO!

    Batemos nossas mãos no ar, parabenizando a nós mesmos pelo feito; no entanto, para a nossa tristeza, o cômodo estava vazio, sem sinal algum de Ireas, Wind ou Yami.

    — Ah, caramba… — Falei, soltando um suspiro ressabiado. — E agora? Jack… Ideias?

    Vi o Paladino se concentrar, fechando os olhos para captar alguma coisa, mas logo ele abriu os olhos e me olhou com o mais triste dos semblantes. Ele não tivera sucesso em rastrear Ireas.

    — Bom… E o Tomo, Brand? Alguma pista?

    — Deixe-me ver… — Falou o Thaiano de olhos vermelhos, abrindo o espesso livro. — Eu não sei… Está em uma língua que desconheço… Mas parece que há um mapa aqui.

    — Alguma pista para, sei lá, abrir outra sala ou coisa do tipo? — Indaguei, ansioso.

    — Não sei ao certo… Vamos precisar investigar isso. — Falou Brand, também frustrado.

    Soltei outro suspiro ressabiado; não teríamos alternativa senão ficarmos sentados, tentando decifrar um enigma criado por uma feiticeira ensandecida e esclerosada na esperança de salvarmos nossos amigos dela. Que bela merda.

    — Vamos então. Tempo é precioso aqui.


    *****



    (Narrado por Yami, o Primeiro)

    Ireas foi rápido e certeiro; sua estaca acertou Esquecimento em suas costas, fazendo-a cambalear; o gelo parecia ter um efeito maior sobre ela, já que o vapor que saía de suas feridas permanecia muito tempo após o ataque.

    — Enfrente-me se for capaz… EXETA RES! — Chamei a atenção de Esquecimento de uma outra forma.

    A feiticeira veio com tudo, com as mãos em forma de lanças; usei minha espada para defletir seus ataques.

    — EXEVO GRAN TERA! — Ireas gritou ao longe.

    — Quê?!

    Esquecimento Eterno fora envolvida pelas vinhas; ela começou a se contorcer e a rugir. Eu respirei fundo, e Ireas fez o mesmo.

    EXEVO GRAN MAS FLAM**!

    — EXEVO GRAN MAS FRIGO!


    *****


    (Narrado por Rei Jack Spider)

    Meu coração deu um pulo, e sentimos o chão tremer; sequer tivemos tempo de reagir. O assoalho aos nossos pés quebrou e caímos… Muito fundo. Com dificuldade, achei uma forma de usar o vento para nos desacelerar e fazer com que caíssemos com mais leveza.

    Ao chegarmos lá, praticamente desacordados, vimos Yami e Ireas ensanguentados, no limite de suas forças, em frente a uma mulher empalada por uma estaca de gelo em seu ventre; ela tinha uma aparência decadente que, estranhamente, estava começando a se recuperar.

    E eu sabia que era ação de Ireas. De alguma forma, eu sabia que era obra dele.


    Continua…

    -----

    Glossário:

    (*): Mais um excerto da língua desconhecida, que significa “O Vento vê um dos seus”.
    (**): Apesar de ser um Cavaleiro, Yami é um Efreet e, portanto, tem acesso a magias avançadas de fogo que seriam naturais a Feiticeiros.

    -----

    E é isso aí, povo e pova! Continua no próximo capítulo. E agora? Até o próximo!

    Não esqueçam de deixar o feedback de vocês, por favor!


    Abraço,
    Iridium.
    Última edição por Iridium; 04-01-2017 às 07:45.

  8. #358
    Avatar de Edge Fencer
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    Eita, quando o Yami parece estar por baixo ele reaparece desse jeito

    Ficou demais esse capítulo! A porrada comeu solta pra cima da Esquecimento e do Ireas também, acho que ninguém vai sair inteiro dessa kkkk

    Também gostei dos caras derrubando o portão no melhor estilo bodybuilder, foi um alívio cômico certeiro em um capítulo tão intenso e dramático como esse.

    Comentávamos mais cedo sobre a dificuldade de não deixar pontas soltas na história, mas esse problema não acontece de forma alguma aqui. Foi muito bom ver uma "aparição" da Annika mesmo após tanto tempo, faz a gente pensar em quantas coisa aconteceram na vida do Ireas desde o começo lá em Rook... Excelente.

    A trilha sonora foi ótima, como de costume xD

    É isso aí, final do pergaminho tá pegando fogo! Tô aqui ansioso pra ler o próximo.

    Abraço!
    Son of a submariner!

  9. #359
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    E ae Iririri, sumi da sua história mas já tô de volta.


    Todos os capítulos que perdi, desde antes de entrarem no Templo do Equilíbrio, são excelentes. Você disse que ia ter muitas lutas e acabou tendo mesmo, rolou até a vingança do Don(Que foi surpreendente ele entrar na sua história, sempre aguardei o término do conto dele), a entrada épica do Kinahked com seu fodendo navio planador e suas infinitas garrafas de Rum(Me pergunto se rum é tão bom assim, quero provar um dia) e ainda teve esse final épico com Wind morrendo e Ireas finalmente derrotando sua mãe com a surpreendente ajuda do Yami. No fim, minha previsão de que ele viraria o Gaz'Haragoth pra pegar todo mundo de surpresa não se concretizou.

    Enfim, você fez um excelente trabalho nesse Segundo Pergaminho. Me pergunto o que aguarda Ireas no terceiro, e se ele revelará um poder ainda maior do que o atual nele. Vai que ele vira um tipo de senhor do gelo graças a herança da sua mãe e também por ser o Vento do Norte, a esperança de Nurnor em Tibia. Mas veremos.

    E me pergunto se Ankrahmun está bem sem o seu grão-vizir(Pois que eu me lembre, ele ainda é um dos maiorais de lá) e que voltem pra lá para alguma aventura. Mas o mais provável é que a história vá para Svargrond, nesse ritmo.

    Perdão pelo sumiço, mas voltarei a acompanhar a história, até porque quero saber como será o desfecho de tudo agora que Esquecimento Eterno foi finalmente derrotada e inúmeros mortos finalmente vingados. E se o Ireas vai arrumar uma paladina coxuda agora que Wind bateu as botas.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ YouTube ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  10. #360
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Segundo Pergaminho, Capítulo 59

    Saudações!

    Dando continuidade ao final do Segundo Pergaminho, trago a vocês o novo capítulo da vez! A II Justas Tibianas já está em nova fase, e vocês podem conferir os tópicos na minha Assinatura, bem como no Facebook (farei a divulgação ainda hoje ou amanhã de manhã).

    Vamos aos comentários!

    Spoiler: Respostas aos Comentários


    Sem mais delongas, o Capítulo de Hoje!

    -----

    Spoiler: Bônus Musical


    Capítulo 59 — A Insanidade Persiste no Esquecimento (Final)

    Você procura o Sonho? Ele te procura também…*

    (Narrado por Yami, o Primeiro)


    Eu sangrava como nunca antes; nem mesmo quando Keras chegou ao ponto de quase mandar-me ao Inferno sangrei tanto. Respirava com dificuldade, pois as chamas corruptas de Esquecimento haviam maculado o ar. Keras sangrava muito, e parecia estar tapando uma ferida em seu rosto.

    O rapaz ofegava, e eu também. Minha irmã e os demais também estavam na sala, feridos; como chegaram ali, só o vão no telhado poderia me dizer. Ela se aproximou de mim e me tocou o ombro, curando minhas feridas, mas não disse uma palavra sequer.

    — Ireas...

    Esquecimento Eterno ainda vivia, mas não por muito mais tempo; seu corpo estava empalado por uma estaca de gelo. Estranhamente, seu semblante decrépito parecia estar se… Restaurando. Olhei para Ireas e notei algo estranho: o Vento ao seu redor parecia estar ajudando Esquecimento a se recuperar.

    Parado, o Norsir ficou lá, apenas observando os últimos momentos de sua maior algoz, daquela que havia feito ele atravessar o mundo em meio à tanto tormento apenas para encontrar respostas para algumas perguntas.


    *****


    (Narrado por Ireas Keras)


    Seu corpo estava menos decrépito; os cabelos negros haviam ganhado vida novamente, e a pele apresentava um tom pálido mais compatível com o mundo dos vivos. Seus olhos ainda estavam vermelhos, mas agora o tom parecia menos demoníaco e agressivo.

    O Vento se movia ao redor dela, curando-a; mas, não era por ação de Jack. E não tinha certeza, àquela altura, se era por minha vontade ou de Nornur em pessoa.

    — Por que, Seline? — Por algum motivo, minha voz soava distante e eu era incapaz de chamar de “mãe” a mulher à minha frente. — Por que fez tudo isso?

    — Liberdade. O sonho de liberdade. — Replicou Seline fracamente, com um filete de sangue saindo de sua boca. — Achei que… A Irmandade… Poderia trazer isso.

    Eu meneei negativamente a cabeça.

    — A Irmandade é o completo oposto disso… Seline. — Repliquei, distante e incerto dos meus sentimentos.

    — Queria que você ficasse fora disso… — Ela continuou, cada vez mais fraca. — Eu… Eu nunca quis isso. Eu nunca quis ser alguém importante. Eu só queria… Existir.

    Aquela frase fez com que eu arregalasse meus olhos; estranhamente… Havia uma conexão ali. Uma identificação.

    — Eu não pedi para nascer em meio a uma elite religiosa, mesmo que fosse de um deus… Leve em seus pedidos… Eu nunca pedi para ter uma vida quase tão restrita quanto a de uma princesa, além de ser incubida de lidar com poderes acima de mim…

    — Mas isso não justifica… — Balbuciei, crescentemente enfurecido. — Isso não justifica NADA! — Rugi, com as lágrimas presas em meus olhos.

    — Eu… Sei. — Para a minha surpresa, ela concordou comigo, também com lágrimas nos olhos. — Eu me tornei… Um monstro. Tudo aquilo que eu nunca quis ser… Tudo que nunca achei que seria.

    Engasguei com aquilo. Ela estava lúcida, afinal!

    — Passei… Anos… Com esse véu de sombras em minha mente e meu corpo. — Ela continuou a dizer. — Forçando outros às minhas vontades como uma… — Ela tossiu uma tosse rouca, deixando sair mais sangue de sua boca, escorrendo pelo seu queixo e pescoço — Pirralha mimada que eu sempre tinha sido, e que nunca quis enxergar.

    — Não há perdão para o que você fez… — Murmurrei, em choque. — Não há perdão para as mortes que você causou...

    — Eu sei. — Ela replicou, e eu me calei. — Eu não espero perdão de ninguém, por mais… Que eu quisesse. Queria tanto… Que seu pai… Tivesse me freado e me trazido à razão… — Ela piscou os olhos e lágrimas escorreram deles.

    Cerrei meu punho livre, furioso.

    — Por que justo ele?! — Indaguei, raivoso. — Com tantos miseráveis e malfeitores no mundo, tinha que ter escolhido um xamã bom e justo como vítima?!

    Ela sorria um sorriso triste — e estranhamente bonito. Ela piscou devagar, sentindo a própria alma já deixando aquele corpo cansado e surrado, maltratado pelos anos dedicados à magia negra e aos pesadelos de sangue da Irmandade dos Ossos.

    — Porque ele lembrava minha mãe e a Sociedade. — Ela replicou com a voz embargada pelo sangue e pelas lágrimas. — Ele me lembrava… O código de conduta… Mas ele… Era livre, era pleno… Era um bom homem, o melhor… Em todos os sentidos. Ele era tão perfeito que… Eu me sentia… Imperfeita. — Ela respirou fundo uma vez mais. — Eu me sentia incompleta… E não queria me sentir. A Escuridão me fez tão forte que eu… Fui incapaz de me controlar. Eu queria apenas recomeçar… Esquecer. Mas eu não poderia… Não da forma como tinha que ser… Você não podia… Vir a esse mundo… Com uma mãe tão ruim e sem um pai pra te guiar.

    — Se te consola… Eu tive um bom pai. — Não sei como consegui forças para replicar. — Eu tive… Uma boa criação… Meus amigos… Viraram minha família.

    Ela assentiu com a cabeça.

    — Fico… Feliz em saber. Foi a escolha mais acertada da minha vida, dentre tantos erros… Deixar você com Cipfried… Foi a melhor coisa que eu fiz… Como mãe. A coisa mais irônica da minha morte é que meu ventre foi ferido por aquele que veio dele… Uma vida por outras. A marca da Irmandade… Está em você, mas… Você pode ser mais forte que eu… Você é mais forte que eu, Ireas… O Vento… E você mesmo… Te fizeram assim. Nunca… Se esqueça disso.

    Eu concordei com a cabeça, incapaz de controlar as lágrimas que, por alguma carga d’água de razão, decidiram sair de meus olhos. Ela inspirou pela última vez.

    — Minha dívida… Está paga. Eu sonhei… O sonho. E agora… — Ela fechou os olhos com um esplêndido sorriso. — Eu acordei**.

    Ela, por fim, expirou. Esquecimento Eterno estava morta. Ela jazia naquele chão corrupto, suspensa pela estaca de gelo em seu ventre. Ela morrera com um sorriso e o corpo livre de máculas. Eu senti minhas forças falharem e caí de joelhos. Olhei novamente para Seline… E senti que algo em mim estava mudado. Sentia que algo havia… Morrido dentro de mim.

    — Jack. — Falei, com o tom de voz mais firme que podia ter.

    — Sim? — O Paladino de olhos verdes indagou, ainda atordoado pelos acontecimentos mais recentes.

    — Nós vamos reconstruir a Sociedade das Teias Infindas. — Declarei, determinado. — Do zero. Vamos reerguer o culto de Nornur e dar uma segunda chance à União das raças e povos. Vamos ficar longe da mácula dos políticos mas não vamos abandonar a política. Vamos estender a mão para aqueles que precisarem e dar o tornado e a tormenta àqueles que ousarem nos ferir novamente.

    — Ireas… — Jack começou, mas logo respirou fundo para pensar no que falaria. — Está bem, Vento do Norte. Faremos isso.

    — Ótimo. — Repliquei a tom baixo. — Yami!

    — Keras? — Ele indagou.

    — Você nos transportará para fora daqui. — Falei, levantando-me aos poucos, mas sem olhar ninguém. — Você vai nos ajudar nessa missão. Você será responsável por erguer os construtos que precisaremos… E garantir a segurança arcana que queremos. — Rasguei um pedaço da minha blusa e improvisei uma atadura em meu olho ferido. — Depois disso… Você será livre para fazer o que quiser da sua vida. Minha palavra vale ouro e a promessa permanece.

    — Certo, Keras… — Replicou o Efreet.

    Eu me virei para encarar a multidão. Eu estava sério; sentia meu interior frio como a morte. De fato… Algo morrera dentro de mim, e eu não conseguiu saber o que era.

    — Quero que queime esse lugar, Yami. — Falei. — E tire-nos daqui. Vamos a Nibelor e, de lá… Para Yalahar.

    O Djinn assentiu com um semblante melancólico. Brand me entregou os últimos Tomos de minha mãe, cujas palavras profanas subiram aos céus como poeira ao vento quando foram abertos; os escritos, aos poucos, estavam sendo purificados. Yami criou uma barreira de proteção para nos cobrir enquanto os aposentos e o corpo de Esquecimento Eterno ardiam em meio ao fogo.

    Enquanto a barreira começava a atuar como um vórtice para nos tirar de lá, aproveitei para ver aquela cena com atenção; a corrupção misturada com o fogo, criando aquela nuvem tóxica de morte e pesadelos. Meu sangue começou a ferver, apesar de sentir meu coração gelado como a nevasca. Enquanto estávamos naquele limbo no espaço, eu falei a frase que mudaria minha vida para sempre.

    — A Irmandade tirou tudo de mim e muitos outros… E eu vou tirar TUDO da Irmandade dos Ossos… Eu vou levá-la ao pó… Destruí-la de dentro para fora!

    E Yami havia de me ajudar naquela tarefa… Fosse essa a vontade dele ou não.


    Continua...

    -----

    Glossário:

    (*): Referência à Nythendra (You seek the Dream? It seeks you too!”), uma dragão fêmea que é a primeira boss da raid Emerald Nightmare (Pesadelo Esmeralda) de World of Warcraft. Ela foi convertida em uma criatura da corrupção e pesadelo quando a árvore onde dormia foi acometida pelo pesadelo de Xavius. Ela se tornou um fóssil ambulante e decrépito, sedenta por vingança.
    (**): Outra referência à Nythendra (“I dreamed the dream; and now I awake”); especificamente à sua fala final, quando é morta na Raid pelos jogadores.

    -----

    E por hoje é só galera! Até o próximo!



    Abraço,
    Iridium.

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    Última edição por Iridium; 08-01-2017 às 20:43.



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