Saudações!
Dando continuidade ao final do Segundo Pergaminho, trago a vocês o novo capítulo da vez! A II Justas Tibianas já está em nova fase, e vocês podem conferir os tópicos na minha Assinatura, bem como no Facebook (farei a divulgação ainda hoje ou amanhã de manhã).
Vamos aos comentários!
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Sem mais delongas, o Capítulo de Hoje!
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Spoiler: Bônus Musical
Capítulo 59 — A Insanidade Persiste no Esquecimento (Final)
Você procura o Sonho? Ele te procura também…*
(Narrado por Yami, o Primeiro)
Eu sangrava como nunca antes; nem mesmo quando Keras chegou ao ponto de quase mandar-me ao Inferno sangrei tanto. Respirava com dificuldade, pois as chamas corruptas de Esquecimento haviam maculado o ar. Keras sangrava muito, e parecia estar tapando uma ferida em seu rosto.
O rapaz ofegava, e eu também. Minha irmã e os demais também estavam na sala, feridos; como chegaram ali, só o vão no telhado poderia me dizer. Ela se aproximou de mim e me tocou o ombro, curando minhas feridas, mas não disse uma palavra sequer.
— Ireas...
Esquecimento Eterno ainda vivia, mas não por muito mais tempo; seu corpo estava empalado por uma estaca de gelo. Estranhamente, seu semblante decrépito parecia estar se… Restaurando. Olhei para Ireas e notei algo estranho: o Vento ao seu redor parecia estar ajudando Esquecimento a se recuperar.
Parado, o Norsir ficou lá, apenas observando os últimos momentos de sua maior algoz, daquela que havia feito ele atravessar o mundo em meio à tanto tormento apenas para encontrar respostas para algumas perguntas.
*****
(Narrado por Ireas Keras)
Seu corpo estava menos decrépito; os cabelos negros haviam ganhado vida novamente, e a pele apresentava um tom pálido mais compatível com o mundo dos vivos. Seus olhos ainda estavam vermelhos, mas agora o tom parecia menos demoníaco e agressivo.
O Vento se movia ao redor dela, curando-a; mas, não era por ação de Jack. E não tinha certeza, àquela altura, se era por minha vontade ou de Nornur em pessoa.
— Por que, Seline? — Por algum motivo, minha voz soava distante e eu era incapaz de chamar de “mãe” a mulher à minha frente. — Por que fez tudo isso?
— Liberdade. O sonho de liberdade. — Replicou Seline fracamente, com um filete de sangue saindo de sua boca. — Achei que… A Irmandade… Poderia trazer isso.
Eu meneei negativamente a cabeça.
— A Irmandade é o completo oposto disso… Seline. — Repliquei, distante e incerto dos meus sentimentos.
— Queria que você ficasse fora disso… — Ela continuou, cada vez mais fraca. — Eu… Eu nunca quis isso. Eu nunca quis ser alguém importante. Eu só queria… Existir.
Aquela frase fez com que eu arregalasse meus olhos; estranhamente… Havia uma conexão ali. Uma identificação.
— Eu não pedi para nascer em meio a uma elite religiosa, mesmo que fosse de um deus… Leve em seus pedidos… Eu nunca pedi para ter uma vida quase tão restrita quanto a de uma princesa, além de ser incubida de lidar com poderes acima de mim…
— Mas isso não justifica… — Balbuciei, crescentemente enfurecido. — Isso não justifica NADA! — Rugi, com as lágrimas presas em meus olhos.
— Eu… Sei. — Para a minha surpresa, ela concordou comigo, também com lágrimas nos olhos. — Eu me tornei… Um monstro. Tudo aquilo que eu nunca quis ser… Tudo que nunca achei que seria.
Engasguei com aquilo. Ela estava lúcida, afinal!
— Passei… Anos… Com esse véu de sombras em minha mente e meu corpo. — Ela continuou a dizer. — Forçando outros às minhas vontades como uma… — Ela tossiu uma tosse rouca, deixando sair mais sangue de sua boca, escorrendo pelo seu queixo e pescoço — Pirralha mimada que eu sempre tinha sido, e que nunca quis enxergar.
— Não há perdão para o que você fez… — Murmurrei, em choque. — Não há perdão para as mortes que você causou...
— Eu sei. — Ela replicou, e eu me calei. — Eu não espero perdão de ninguém, por mais… Que eu quisesse. Queria tanto… Que seu pai… Tivesse me freado e me trazido à razão… — Ela piscou os olhos e lágrimas escorreram deles.
Cerrei meu punho livre, furioso.
— Por que justo ele?! — Indaguei, raivoso. — Com tantos miseráveis e malfeitores no mundo, tinha que ter escolhido um xamã bom e justo como vítima?!
Ela sorria um sorriso triste — e estranhamente bonito. Ela piscou devagar, sentindo a própria alma já deixando aquele corpo cansado e surrado, maltratado pelos anos dedicados à magia negra e aos pesadelos de sangue da Irmandade dos Ossos.
— Porque ele lembrava minha mãe e a Sociedade. — Ela replicou com a voz embargada pelo sangue e pelas lágrimas. — Ele me lembrava… O código de conduta… Mas ele… Era livre, era pleno… Era um bom homem, o melhor… Em todos os sentidos. Ele era tão perfeito que… Eu me sentia… Imperfeita. — Ela respirou fundo uma vez mais. — Eu me sentia incompleta… E não queria me sentir. A Escuridão me fez tão forte que eu… Fui incapaz de me controlar. Eu queria apenas recomeçar… Esquecer. Mas eu não poderia… Não da forma como tinha que ser… Você não podia… Vir a esse mundo… Com uma mãe tão ruim e sem um pai pra te guiar.
— Se te consola… Eu tive um bom pai. — Não sei como consegui forças para replicar. — Eu tive… Uma boa criação… Meus amigos… Viraram minha família.
Ela assentiu com a cabeça.
— Fico… Feliz em saber. Foi a escolha mais acertada da minha vida, dentre tantos erros… Deixar você com Cipfried… Foi a melhor coisa que eu fiz… Como mãe. A coisa mais irônica da minha morte é que meu ventre foi ferido por aquele que veio dele… Uma vida por outras. A marca da Irmandade… Está em você, mas… Você pode ser mais forte que eu… Você é mais forte que eu, Ireas… O Vento… E você mesmo… Te fizeram assim. Nunca… Se esqueça disso.
Eu concordei com a cabeça, incapaz de controlar as lágrimas que, por alguma carga d’água de razão, decidiram sair de meus olhos. Ela inspirou pela última vez.
— Minha dívida… Está paga. Eu sonhei… O sonho. E agora… — Ela fechou os olhos com um esplêndido sorriso. — Eu acordei**.
Ela, por fim, expirou. Esquecimento Eterno estava morta. Ela jazia naquele chão corrupto, suspensa pela estaca de gelo em seu ventre. Ela morrera com um sorriso e o corpo livre de máculas. Eu senti minhas forças falharem e caí de joelhos. Olhei novamente para Seline… E senti que algo em mim estava mudado. Sentia que algo havia… Morrido dentro de mim.
— Jack. — Falei, com o tom de voz mais firme que podia ter.
— Sim? — O Paladino de olhos verdes indagou, ainda atordoado pelos acontecimentos mais recentes.
— Nós vamos reconstruir a Sociedade das Teias Infindas. — Declarei, determinado. — Do zero. Vamos reerguer o culto de Nornur e dar uma segunda chance à União das raças e povos. Vamos ficar longe da mácula dos políticos mas não vamos abandonar a política. Vamos estender a mão para aqueles que precisarem e dar o tornado e a tormenta àqueles que ousarem nos ferir novamente.
— Ireas… — Jack começou, mas logo respirou fundo para pensar no que falaria. — Está bem, Vento do Norte. Faremos isso.
— Ótimo. — Repliquei a tom baixo. — Yami!
— Keras? — Ele indagou.
— Você nos transportará para fora daqui. — Falei, levantando-me aos poucos, mas sem olhar ninguém. — Você vai nos ajudar nessa missão. Você será responsável por erguer os construtos que precisaremos… E garantir a segurança arcana que queremos. — Rasguei um pedaço da minha blusa e improvisei uma atadura em meu olho ferido. — Depois disso… Você será livre para fazer o que quiser da sua vida. Minha palavra vale ouro e a promessa permanece.
— Certo, Keras… — Replicou o Efreet.
Eu me virei para encarar a multidão. Eu estava sério; sentia meu interior frio como a morte. De fato… Algo morrera dentro de mim, e eu não conseguiu saber o que era.
— Quero que queime esse lugar, Yami. — Falei. — E tire-nos daqui. Vamos a Nibelor e, de lá… Para Yalahar.
O Djinn assentiu com um semblante melancólico. Brand me entregou os últimos Tomos de minha mãe, cujas palavras profanas subiram aos céus como poeira ao vento quando foram abertos; os escritos, aos poucos, estavam sendo purificados. Yami criou uma barreira de proteção para nos cobrir enquanto os aposentos e o corpo de Esquecimento Eterno ardiam em meio ao fogo.
Enquanto a barreira começava a atuar como um vórtice para nos tirar de lá, aproveitei para ver aquela cena com atenção; a corrupção misturada com o fogo, criando aquela nuvem tóxica de morte e pesadelos. Meu sangue começou a ferver, apesar de sentir meu coração gelado como a nevasca. Enquanto estávamos naquele limbo no espaço, eu falei a frase que mudaria minha vida para sempre.
— A Irmandade tirou tudo de mim e muitos outros… E eu vou tirar TUDO da Irmandade dos Ossos… Eu vou levá-la ao pó… Destruí-la de dentro para fora!
E Yami havia de me ajudar naquela tarefa… Fosse essa a vontade dele ou não.
Continua...
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Glossário:
(*): Referência à Nythendra (You seek the Dream? It seeks you too!”), uma dragão fêmea que é a primeira boss da raid Emerald Nightmare (Pesadelo Esmeralda) de World of Warcraft. Ela foi convertida em uma criatura da corrupção e pesadelo quando a árvore onde dormia foi acometida pelo pesadelo de Xavius. Ela se tornou um fóssil ambulante e decrépito, sedenta por vingança.
(**): Outra referência à Nythendra (“I dreamed the dream; and now I awake”); especificamente à sua fala final, quando é morta na Raid pelos jogadores.
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E por hoje é só galera! Até o próximo!
Abraço,
Iridium.
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