Saudações pessoal frequentador da Seção Roleplay!

Demorei, mas postei! Antes de mais nada, um agradecimento especial a todos e todas que leram e ainda leem essa história =D

Vcs me dão mais incentivo para escrever, então valeu galera!

Antes de mais nada, umas respostas rápidas aos feedbacks dados:


Spoiler: Respostas aos Comentários



Sem mais delongas, o Capítulo de Hoje!


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Capítulo 23 - Dois Oásis no Deserto: Por Ashta' Daramai, INVADIREMOS! (Parte 2)


E a Invasão à Rocha de Ulderek têm início.


A Rocha de Ulderek... Também conhecida pelo nome de Fortaleza Orc, lar dos Orcs, temidos seres de couro grosso e verde, formas horríveis, força sobre-humana e mentes terríveis, servas de seus desejos obscuros.

O lar dos Orcs é uma grande arena muralhada, onde os mais jovens se submentem a um treinamento rigoroso e selvagem por parte dos veteranos, com o objetivo de aniquilar totalmente suas vítimas e reconquistar o domínio supremo do mundo. Se suas lutas no passado foram todas travadas contra os belos e mágicos Elfos, hoje suas atenções se encontram divididas entre humanos, elfos e as demais criaturas que os ousaram desafiar no passado.

A Rocha era liderada por um Orc extremamente forte e temido, tão poderoso que foi capaz de forjar uma aliança com os Djinns. No entanto, esse mesmo rei se viu vítima de suas maquinações, e os Djinns replicaram alterando drasticamente sua forma, tornando-o nada além de uma massa borbulhante de limo e veneno , que desejar arduamente ter sua vingança...

Para isso, o Rei Orc manteve consigo o único item que poderia fazer os Djinns se dobrarem à sua vontade e retirar-lhe a maldição; valendo-se de sua esperteza, ele aceitou guardar essa preciosidade, a qual lhe fora conferida por um Djinn, e tal peça deveria ser usada apenas no dia em que fosse necessária.

Quisessem os Djinns que o Rei Orc não fosse tão esperto a ponto de virar esse jogo a seu favor...


***

(Narrado por Ireas Keras)

O dia enfim havia chegado. O dia da tomada, da invasão à Fortaleza Orc. Acordei muito cedo, antes mesmo do nascer do sol, e já havia notado algo diferente na cidade – chovia.

Chovia uma chuva estranha, triste eu até diria; as folhas das árvores me pareciam enferrujadas e seus caules, mais empalidecidos. O vento soprava suave e úmido em meu rosto, como se tentasse me despertar. E eis então que ouvi algo.

"Cuidado, criança..."

— Hã? — Indaguei, meneando a cabeça, como que saindo de um transe auto-imposto.

"Cuidado... Ele não é quem diz ser...". A voz retornou, trazida pelo vento. Era gentil, doce e um pouco envelhecida, lembrando-me do jeito de Cipfried de falar. "Você pode estar caminhando em direção à morte...".

— Quê? — Indaguei, ainda mais confuso. — Quem é você?

"Ouça minha voz, criança...". A voz continuou, soando mais forte na medida em que o vento ao meu redor passou a se mover com mais velocidade e força. "Ouça o que eu digo... Graças a Banor!".

A voz de repente se alterou, e meus olhos se arregalaram. Eu reconhecia aquela voz!

— Jack?! — Indaguei para o vento — É você?!

"Meu amigo está em perigo... Leve a ele essa mensagem... Faça-o ouvir minha voz... Ele precisa saber que nada é o que parece ser... Que ele está caminhando em direção à morte, e precisa de ajuda... Vento, se não pudermos ir até ele, ao menos dê-lhe nossas forças... Dê-lhe poder para aguentar os desafios que virão, e calma para perceber o que está ao seu redor..."

Sim, era ele! Pelos deuses, era ele! Mas, como? Como? O vento trazia até mim a voz dele, da mesma forma que fizera através de Broche Ornamentado! O Paladino estava se comunicando comigo de novo... E através do vento... E, de alguma forma, parecia que apenas nós éramos capazes de fazer isso.

Fechei meus olhos e me concentrei.

Exani Hur, Acima! — Murmurrei.

Meu corpo foi envolvido por minha mana, e a energia me levou à copa da árvore onde outrora dormi uma noite contubada. O vento soprava mais forte, e a mensagem ainda ecoava em meus ouvidos. Ainda de olhos fechados, senti minhas faces se abrirem em um sorriso. De alguma forma, Jack e os demais estavam vindo atrás de mim. Provavelmente, fosse o que os tivesse freado, já havia sido resolvido, e bem-resolvido.

Estendi minhas mãos aos céus e à chuva, e me lembrei de quando escolhi ser Druida; de quando vi Yandur manipular a água e a terra com a graça e destreza que o fizera. Eu foquei meus pensamentos e minha energia mágica em uma coisa apenas – em me comunicar através do vento.
Jack pedira ao vento que me desse suas forças e as dos outros para que eu triunfasse; eu retribuiria esse gesto de alguma forma, e o vento ajudar-me-ia com isso. Talvez eles, no fim das contas, precisassem mais de forças para me alcançar do que eu.

E essa foi minha proposta ao Vento – que levasse a eles parte de minha mana e restaurasse suas feridas onde quer que estivessem...

***

(Narrado por Andarilho do Vento)

Diazinho chuvoso... Não me parecia um bom começo para uma invasão. Quando acordei, me deparei com a visão de Emulov, Solstícia e outros membros da guilda amontoados em frente à porta e do lado de fora da enorme árvore, murmurrando em tom de fascínio e supresa. Todos estavam lá, exceto Ireas. Um misto de curiosidade com preocupação tomou conta de mim, e decidi, pois, me aproximar da porta para ver o que havia de tão diferente naquela cena.

Meus olhos se arregalaram em espanto; eu não pude creer em meus olhos. Era Ireas no topo daquela árvore, e sua mana parecia... Fluir para fora de seu corpo! Sim! Fluía como as luzes da Aurora Boreal das Ilhas de Gelo, só que brilhando em um único tom pálido e gélido de azul. A energia estava sendo levada pelo vento, mas não parecia ser fruto de um dreno de mana, tão doloroso e sofrido. Não... Era como se ele estivesse ofertando parte de sua mana para os céus.

A grande pergunta era: por quê?

Pouco depois de eu testemunhar essa cena, Ireas abaixou os braços e o fluxo cedeu, sumindo no ar.

Exani Hur, Abaixo! — Ouvi-o pronunciar, com a voz levemente enfraquecida.

Assim que seus pés tocaram o chão, suas pernas bambearam e ele se apoiou no tronco da frondosa árvore, e logo Solstícia correu para lhe amparar. Meu corpo estava travado; limitei-me a observar a cena. Aquele rapaz... Essa habilidade... Nunca vi ninguém fazer o que ele fez. Havia algo a mais nele além do que a filosofia druídica poderia fornecer.

Amparado por Solstícia, vi-o manter a consciência e rapidamente se equilibrar em suas pernas. Ele disse alguma coisa ou outra para ela mas nada que eu pude distinguir. Senti uma melancolia tomar conta de mim. Ireas tem outros amigos. Outros contatos. Outros aliados. Um poder próprio além da compreensão de outros de sua e de outras vocações. É óbvio que ele não precisa de mim.

Já não sou mais tão necessário assim.

— Está tudo bem com você?

Ergui meu olhar triste – era a voz de Ireas. Seu semblante estava sereno, e parecia confiante com o que viria a seguir. Endireitei meu tronco e pus-me mais altivo, meneando positivamente minha cabeça e tentando afastar de minha mente tais pensamentos. Emulov veio até nós pouco depois, com seu semblante tímido de sempre.

Os membros da guilda de Solstícia – um total de outras quinze pessoas bem-armadas e equipadas – se aproximaram de nós, entregando-nos Poções de Mana, Poções de Cura, runas e outros equipamentos em boa quantidade para que entrássemos com vida e saíssemos vivos de lá também.

— Muito bem... — Falou Solstícia, dona de uma voz gentil, porém firme — Senhores, hoje vamos a um local perigoso, onde os fracos não têm vez: Vamos à Rocha de Ulderek, auxiliando Ireas Keras e nosso ilustre amigo Emulov Suv em sua missão em nome dos Marid, os Djinns Azuis da fortaleza Ashta' Daramai de Kha'zeel. Nós já perfizemos um caminho similar dentro daquele terreno antes, e o faremos de novo. Vocês me seguirão novamente?

— Sim! — Os demais membros da guilda gritaram orgulhosamente em uníssono.

— Excelente! — Falou Solstícia, orgulhosa — Que Crunor esteja conosco! Vamos!

O espírito daquela guilda estava animado; eles de fato estavam prontos para comprar briga com os Orcs. Respirei fundo e fui com eles; alguns possuíam montarias, e outros, assim como eu e Ireas, locomoviam-se à pé, mas acelerados, movidos à magia e ânimo sem igual.

Quisera eu estar tão animado; costumava gostar dessas empreitadas, de caçar tudo com gosto com meus companheiros de batalha. Contudo, naqueles últimos dias eu vinha sentindo um... Grande vazio em minha alma. Poderia ser...? Não, não poderia. Ele já estava destruído.

E nós Yalahari também.


***

(Narrado por Ireas Keras)

Andarilho do Vento está mais fechado que de costume. Acho que pisei na bola de vez... Ou então talvez seja mais saudade dos amigos e da terra natal. Afinal de contas, ele é Yalahari, e já ouvi falar de muita coisa sinistra a respeito do passado e do presente dessa cidade-ilha. De toda a forma, eu espero que ao menos a invasão sirva como uma forma de animá-lo. Ainda gosto muito dele, mas não sei se posso confiar no Andarilho de novo.

Enfim, Solstícia nos dera o sinal de partida. Com a bênção e apoio de todos os Elfos pelos quais passamos, atravessamos o portão de entrada de Ab' Dendriel, prontos para o que estivesse diante de nós além das árvores podres que rodeavam a Fortaleza Orc.

Entretanto, um pensamento não deixava a minha mente em paz – aquela mensagem trazida pelo Vento. A voz de Jack. Ele já havia feito isso uma vez antes, me lembro bem. E eu também já havia dirigido minhas preces ao Vento mais vezes do que poderia me lembrar; não só desde que deixei Rookgaard e passei a habitar Ankrahmun, mas também muito antes, quando era apenas uma criança vivendo na abadia de Cipfried. Quando ainda acreditava apenas na bondade das pessoas. E quando achava que algum dia teria respostas para as perguntas que nunca ousei fazer em voz alta.

Utani Gran Hur! — Pronunciei minha feitiçaria em alto e bom som.

Estava ficando para trás; não podia ficar para trás. Possivelmente, era assim que eu me sentia na maior parte do tempo – perdido no tempo, jogado ao vento. Eu não poderia mais ficar assim. Muitas perguntas que ainda tinha não haviam sido completamente respondidas, e eu precisava dessas respostas mais que tudo. E, principalmente, encontrar quem detinha a maior parte delas.

Esquecimento Eterno, minha mãe.


***

A marcha até o maior covil dos Orcs transcorrera sem grandes problemas; não houve nenhuma resistência à nossa chegada, o que me parecera muito estranho. Nossa recepção fora feita por um pequeno grupo de Orcs de hierarquia menor, despreparados para enfrentar a comitiva de Solstícia. Sequer precisei usar minha mágica – Solstícia estava se encarregando de tudo.

Por fim, chegamos à primeira entrada da Fortaleza – uma pequena cadeia de serras feitas à mão, com pedras grandes, afiadas e lustrosas mantendo o monte de terra seguro. Acima dela, podíamos ver torres cheias de Orcs munidos de lanças afiadas, prontos para nos atingir ao primeiro comando. Naquele ponto, Solstícia sinlizou para que parássemos a marcha.

— Atenção! — Falou a moça com sua voz gentil e que denotava experiência — Nos estamos aqui apenas para abrir caminho até o castelo do Rei Orc e seu trono. Devemos manter Ireas, Emulov e Andarilho a salvo do perigo! Não se esqueçam – nosso objetivo é conseguir uma "audiência" com o Rei! Vamos!

Com isso, Solstícia brandiu suas armas, motivando sua comitiva inteira a seguir com ela; os urros de motivação e ânimo eram ensurdecedores. Aquele pessoal sabia como intimidar alguém.

Utamo Vita! — Pronunciamos eu e Emulov em uníssono.

E lá fomos nós; Solstícia e seu bando subiram a barricada primeiro, e logo ouvimos o estrondo de pequenos mísseis elemetais sendo arremessados contra os seres esverdeados. Andarilho sinalizou para que esperássemos um pouco; alguns segundos depois, ele nos deu sinal afirmativo para subirmos, e o seguimos.

A comitiva ainda estava lá, esperando por nós. Diante deles, vimos apenas destroços e sangue do que antes eram Orcs. Eles sinalizaram uma vez mais, e seguimos adiante. Eu e Emulov renovamos nosso escudo de mana, pois, dali em diante, não estaríamos mais tão seguros.

E, de fato, eu estava certo; tão logo quanto todos nós saímos da primeira entrada e nos aproximamos do portão principal, fomos recebidos por um batalhão de Orcs Berserkers e Cavaleiros, esse últimos montados em ferozes Lobos de Guerra, que vieram com tudo para cima de nós.

Solstícia fazia seu melhor para comandar as tropas, bradando feitiçarias e reorganizando toda sua estratégia a cada segundo. Eu e Emulov fazíamos o possível para ajudar, ora pronunciando nossas magias de ataque, ora renovando nossas forças mágicas e auxiliando aqueles que estavam mais feridos do que achávamos que ficariam.

Eram Orcs demais para contar. Primeiro, fomos recebidos por trinta; logo, o número aumento para cinquenta e, em pouco tempo, nos vimos cercados por mais Orcs que podíamos rapidamente contar. Eu comecei a entrar em pânico; não queria morrer ali. Ainda não estava pronto; eu queria viver.

Então, tive a brilhante ideia de usar uma das várias runas que me haviam sido fornecidas antes de partir de Ab' Dendriel – uma runa chamada "Chuva de Pedras", a qual nunca havia usado antes. Eu me concentrei e a joguei em direção a um dos maiores grupos de Orcs Berserkers.

Para a minha surpresa, funcionou; em um instante, o céus se fecharam e pedras enormes começaram a descer das nuvens, acertando em cheio cada um dos Orcs portadores de machados de duas lâminas, sepultando seus gritos patrióticos em uma tempestade de pedra.

KRAAAK OOORRRKKK! — Urraram muitos deles em agonia.

Eu continuei a atirar as runas, e logo vi que outros da comitiva passaram a fazer o mesmo; os Orcs mais fracos bateram em retirada assim que viram as pedras, temendo por suas frágeis vidas. Os mais fortes interpelaram esses desertores, ferindo-os de morte com suas almas e correndo de encontro a nós com fúria em seus olhares e ódio em seus corações. E nós persistimos, revidando com mais pedras e mais poder de fogo.
Notei, então, que a Terra parecia ferir brutalmente esses seres; lembrando-me das palavras de Yandur, ditas há tempos atrás, decidi abandonar as pedras e tentar uma outra abordagem das forças primitivas da Mãe Natureza.

Exevo Tera Hur! — Urrei.

Concentrei minha mana e fiz nascerem vinhas agressivas do fundo do solo encharcado de sangue, comandando-as a ferir os Orcs em seu caminho; elas envolveram cada um dos horríveis seres verdes em um abraço espinhoso e mortal, arrastando-os para debaixo da terra e soterrando-os violentamente. Eu acabei recuando; não sabia que poderia ser capaz de fazer um feitiço tão violento assim. Mas não havia tempo para recuar. Eu precisava continuar.

Utamo Vita! — Renovei meu escudo uma vez mais.

Ingeri rapidamente o maior número de Poções de Mana Fortes que pude antes de ficar levemente nauseado; arremessei algumas para Emulov, que parecia estar passando dificuldade. O único que parecia estar em uma situação confortável era Andarilho do Vento, que atingia a tantos Orcs de uma vez com suas lanças que parecia estar enrentando não Orcs Senhores de Guerra, senão pequenos ratos.

Não havia mais nada no ambiente senão o som de lâminas se chocando umas contra as outras, de fogo incendiando vivos os adversários, da própria terra se revirando em desgosto com as vis criaturas, e de seus gritos de agonia enquanto tombavam, uma a uma.

Eu e Emulov estávamos protegidos em meio à comitiva, e raramente víamos algum dos seres se aproximar de nós. Os que conseguiam escapar ao bloqueio dos mais poderosos geralmente estavam fracos demais para nos ferir, e nossas manas garantiam que nossos corpos continuariam intactos.

A cadência da troca de tiros e golpes aumentou; estámos conseguindo ganhar mais terreno, e o palácio parecia cada vez mais próximo. Usei minha mana para aumentar minha velocidade uma vez mais; estava começando a me sentir cansado pela jornada, ainda queeu estivesse apenas finalizando o serviço da comitiva.

O sol já estava se pondo no horizonte, e o castelo parecia cada vez mais perto. O time de solstícia já começava a dar sinais de cansaço, mas não havia outra alternativa para nós senão continuar avançando — se voltássemos, corríamos o risco de sermos emboscados por Orcs sem a menor chance de defesa. Ela nos guiou a um local um pouco menos hostil dentro da Fortaleza para que pudéssemos recobrar nosso fôlego. Despistamos todas as patrulhas e batalhões que pudemos, até encontrarmos um local seguro.

Sentamo-nos dentro de um antigo quartel abandonado, tomando todo o cuidado para não evidenciar ainda mais nossa presença no local. Todos deixamos nossos corpos cair no chão simultaneamente, de tão exaustos que estávamos; Solstícia se recostou na parede de pedra e abriu seu cantil, ingerindo água sofregamente.

Exevo Pan. — Pronunciei meu encanto, e fiz alguns nacos de carne, pedaços de presunto cru, rodas de queijo e algumas frutas aparecerem à minha frente.

Repeti o encanto mais algumas vezes, gerando mais comida para todos presentes, e fui passando para eles os excedentes por mim criados. Tal ação pareceu consumir mais da minha energia do que eu poderia imaginar, e acabei por recostar-me na parede fria de pedra, sem forças, a poucos palmos de distância de Andarilho do Vento.

— Dia cheio, não? — Falou o Yalahari para mim. — Aposto que poderemos chegar ao castelo em mais algumas horas...

— O difícil será voltar... — Respondi, quebrando o gelo.

— Pois é... — Suspirou o ruivo, visivelmente cansado — A última vez em que estive cercado por tantas criaturas antes foi em... Goroma.
Virei meu rosto em sua direção, sem dizer nada; deixei-o falar como tanto queria.

— Achei que não fosse voltar daquele inferno... — Andarilho continuou, com o olhar vazio voltado para o horizonte — Não era nem para eu estar ali... Eu, um Yalahari, compartilhando o campo de batalha com outros não-Yalahari, que parecerem ainda ter pelo quê lutar? — Um som de leve escárnio escapou de sua boca — Parece no mínimo errado...

Depois desse comentário, ficamos em silêncio por um bom tempo. Fiquei refletindo em cima das palavras do Yalahari, e de tudo o que havíamos passado juntos — e em cima de tudo o que fizemos cada um passar. Não sabia ao certo o que dizer e como dizer, mas Wind me parecia desolado, deprimido; era como se sua vontade de viver estivesse reduzida. Acho que ao menos cabia a mim, como rapaz que já nutrira, e talvez ainda nutrisse sentimentos fortes por ele dissesse algo para reverter esse sentimento ruim.

— Se você foi... — Comecei, meneando devagar a cabeça — É por que tinha um motivo, e ele não tem nada a ver com o lugar de onde você vem e onde vive.

Ele voltou seu olhar para mim, com um semblante interessado. Eu tinha sua atenção agora.

— Eu não sei muito sobre Yalahar, eu confesso. — Continuei, sereno — Assim como não sabia praticamente nada a respeito da minha terra natal, Svargrond. Ainda assim, eu fui até lá para lutar pelo que era meu, porque... Por que eu precisava daquilo. — Um sorriso sereno brotou em meu rosto — Por que eu tinha uma razão muito forte para isso. E certamente sei que você tinha um bom motivo para lutar lá em Goroma também.

Em troca de meu discurso, recebi um sorriso um pouco mais motivado. Bom, ao menos pude dar um incentivo a ele. Talvez pudéssemos ser apenas amigos... Isso facilitaria mais as coisas. De qualquer forma, essa questão poderia esperar. Tínhamos só mais algumas horas de descanso até chegarmos ao castelo. Depois disso... Chegaríamos ao Rei Orc e à Lâmpada.

E tudo estaria resolvido.

Continua...


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Bem, eis aí mais um capítulo xD

Estou voltando, e dessa vez espero terminar logo esse Pergaminho. Vamos, que vamos, pois A Voz do Vento está quase no fim!

Por favor, me deem seu feedback mais honesto! Comentem, se joguem!

Abração!