Time skip de 7 anos... Natural que muita coisa tenha mudado.
Parece que a Sociedade das Teias Infindas vai muito bem, assim como todos que sobreviveram aos eventos anteriores. Foi um alívio ver que o Ireas, ainda que meio melancólico, conseguiu seguir em frente após tantas perdas. O danado até achou uma namoradinha. Se isso é estar na pior... kkkk
O capítulo foi, no geral, bem tranquilo. Achei bom, os capítulos finais do Segundo Pergaminho deixaram o clima muito pesado, importante dar essa amenizada. Entretanto, como nada é fácil na vida do pobre Keras, já veio esse sonho estranho aí. Crianças do Sonho... Não tenho muita ideia do que isso pode significar, vamos ver o que acontecerá na sequência.
A escrita foi ótima, como sempre. Só estranhei uma coisa:
"Um resquício de uma batalha que custara a vida de Liive, Wind, Hjaern, Sinbeard, Yami e vários civis de Svargrond, Edron, Ankrahmun. Além de ter quase custado a minha própria vida."
Era pro Yami estar aí nesse obituário?
Foi um bom começo de Pergaminho; diferente do que imaginei, mas muito bom. Continue contando com a minha presença nessa reta final.
Abraço!
Ah, e se sair um livro, compro fácil!
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Como alguém que simplesmente não conhecia a história por completo, as retrospectivas ajudaram bastante pra eu me situar. A única coisa que eu tenho a dizer sobre o Ireas é: coitado IHAOIEUHAKJHALK. Atou, desatou, grudou, desgrudou, e no final perdeu o Wind (além dos outros amigos e um dos olhos). Fico feliz por ele ter encontrado uma nova paquerinha agora pro terceiro pergaminho.
Sobre o capítulo: bem escrito e com diálogos leves. Ver o Ireas conversando com o Emulov daquela forma me fez relacionar bastante com a realidade, onde esse nervosismo é a coisa mais natural do mundo em casamentos. O final também foi bastante curioso. Eu caí direitinho naquele loop de parágrafos no final. Fiquei com a sensação de "eu acho que eu já li isso", e é exatamente isso que acontece em se tratando de sonhos.
Próximo capítulo a gente descobre o que diabos foi aquilo
ENTÃO O IREAS ARRUMOU UMA PALADINA COXUDA NO FINAL HEIN Knight mas foda-se
Ótimo capítulo, Iri. Muitos anos se passaram e parece que muitas coisas mudaram também. Isso ai me lembrou o sentimento do filme do Boruto, todo mundo crescido, com mulher e filho(Menos o Kiba e o Shino, esses vão morrer sozinhos) e veja só, até o Emulov já vai ter filho. E o Brand? Vai ficar paradão de braços cruzados com olhar MAD por quanto tempo?
O final foi intrigante. Quem será essa nova ameaça e que relação tem com Nornur? Treta grande vem vindo por aí, ao que parece.
Ireias, primeiro me desculpe por não comentar nos outros capítulos e apenas ler os mesmos, to numa correria que vc não faria ideia nem em seus piores pesadelos (se é que entendeu a referência huehuehue).
Bom, Como sempre adorando a história!
Quero uma copia do livro autografada e com dedicatória personalizada! E uma garrafa de Rum!
Demorou, mas um capítulo novo chegou! Queria agradecer a todos pelos comentários e por sempre acompanharem. Vocês fazem tudo isso valer à pena
Vamos aos comentários:
Spoiler: Respostas aos Comentários
Postado originalmente por Edge Fencer
E aí, Iridium!
Time skip de 7 anos... Natural que muita coisa tenha mudado.
Parece que a Sociedade das Teias Infindas vai muito bem, assim como todos que sobreviveram aos eventos anteriores. Foi um alívio ver que o Ireas, ainda que meio melancólico, conseguiu seguir em frente após tantas perdas. O danado até achou uma namoradinha. Se isso é estar na pior... kkkk
O capítulo foi, no geral, bem tranquilo. Achei bom, os capítulos finais do Segundo Pergaminho deixaram o clima muito pesado, importante dar essa amenizada. Entretanto, como nada é fácil na vida do pobre Keras, já veio esse sonho estranho aí. Crianças do Sonho... Não tenho muita ideia do que isso pode significar, vamos ver o que acontecerá na sequência.
A escrita foi ótima, como sempre. Só estranhei uma coisa:
Era pro Yami estar aí nesse obituário?
Foi um bom começo de Pergaminho; diferente do que imaginei, mas muito bom. Continue contando com a minha presença nessa reta final.
Abraço!
Ah, e se sair um livro, compro fácil!
Faala, Edge! Tu sumiu de lumi, volte pra nós HAUEHUAEHUAH
Então, n era pra ele estar lá já editei HAUEHAUEAHUEHUAHE
Pois é... Quem diria, as coisas mudaram muito! HAHAHAHAHA (não se desespere, vai que tem chance pro Yami!)
Vamos ver o que mais o futuro reserva ao menino Ireas. Obrigada pelos comentários, pela presença, por tudo!
Abração!
Postado originalmente por Lacerdinha
Quem disse que eu não apareceria por aqui, hein?
Como alguém que simplesmente não conhecia a história por completo, as retrospectivas ajudaram bastante pra eu me situar. A única coisa que eu tenho a dizer sobre o Ireas é: coitado IHAOIEUHAKJHALK. Atou, desatou, grudou, desgrudou, e no final perdeu o Wind (além dos outros amigos e um dos olhos). Fico feliz por ele ter encontrado uma nova paquerinha agora pro terceiro pergaminho.
Sobre o capítulo: bem escrito e com diálogos leves. Ver o Ireas conversando com o Emulov daquela forma me fez relacionar bastante com a realidade, onde esse nervosismo é a coisa mais natural do mundo em casamentos. O final também foi bastante curioso. Eu caí direitinho naquele loop de parágrafos no final. Fiquei com a sensação de "eu acho que eu já li isso", e é exatamente isso que acontece em se tratando de sonhos.
Próximo capítulo a gente descobre o que diabos foi aquilo
ALELUIA TE ARRASTEI PRA CÁ hauehauehauehuhau (falta só transferir canico e me dou pro satisfeita HAUEHAUEHUE)
Coitado mesmo... Eu judio muito do menino Ireas
Fico muito feliz com os teus comentários e por ter gostado espero que goste desses próximos capítulos também e que fique até o final
Abração!
Postado originalmente por CarlosLendario
ENTÃO O IREAS ARRUMOU UMA PALADINA COXUDA NO FINAL HEIN Knight mas foda-se
Ótimo capítulo, Iri. Muitos anos se passaram e parece que muitas coisas mudaram também. Isso ai me lembrou o sentimento do filme do Boruto, todo mundo crescido, com mulher e filho(Menos o Kiba e o Shino, esses vão morrer sozinhos) e veja só, até o Emulov já vai ter filho. E o Brand? Vai ficar paradão de braços cruzados com olhar MAD por quanto tempo?
O final foi intrigante. Quem será essa nova ameaça e que relação tem com Nornur? Treta grande vem vindo por aí, ao que parece.
Bem, aguardo o próximo capítulo.
NARUTO NUNCA MERECEU A HINATA. Pronto falei. Pra mim aquele puto devia morrer sozinho.
Quanto ao Brand... Vc vai ver, só n queria q fosse o destaque daquele capítulo AEHAUEHUEHUAHUHEHU
O que eu achei mais engraçado é que, mesmo o pessoal lendo o Segundo Pergaminho, ninguém tinha se perguntado se ele teria morrido ou não HAUEHAUEHUAEH
A treta vem e volta. A vida é feita de treta, meu querido Carlos. Obrigada pelos comentários e pela companhia, sempre.
Abração!
Postado originalmente por Kinahked
Ireias, primeiro me desculpe por não comentar nos outros capítulos e apenas ler os mesmos, to numa correria que vc não faria ideia nem em seus piores pesadelos (se é que entendeu a referência huehuehue).
Bom, Como sempre adorando a história!
Quero uma copia do livro autografada e com dedicatória personalizada! E uma garrafa de Rum!
Ked! Que saudade de ti!
Vish, entendo perfeitamente! (ooolha a referência HAUEHAUEHUHUAE)
Fico muito feliz que tenha gostado, e espero que tenha gostado da representação da Unna aí xD
Espero que goste desse cap também!
Abração!
Postado originalmente por Shirion
Ii que legal começou mais um pergaminho.
O Ireas com uma namoradinha gostei (ela é paladina? )
Mas nao sei eu acho que tem um trecho ali que indica que a moça sofreu ou vai sofrer alguma coisa no futuro tomara que eu esteja errado.
Ô Iridium, não maltrata o coitado, arre. Já teve que matar a mãe agora vai perder a namorada?
Faaala, Shirion!
Não, ela não é paladina é knight! xD
Fico feliz que tenha gostado, e seu palpite TALVEZ esteja certo AUEHUEHAUEUHUHUHEU
Vamo ver o que vai acontecer, n posso prometer nada :x
Abração!
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Spoiler: Bônus Musical
Para esse capítulo, a tia recomenda:
Capítulo 02 — Me Chame de “Don”
E me ofereça a sua amizade antes de pedir um favor.
(Narrado por Yami, o Primeiro)
Eu estava escondido atrás de uma pilastra, vendo Ireas trabalhar em seus aposentos na Sociedade; ele analisava e escrevia documentos com marasmo, sentimento aquele que já o dominava anos a fio. Ele arrumava a papelada lentamente, entediado e amuado.
— Tsc… — Reclamava o druida de cabelos azuis, ressabiado. — Eu resolvo um problema… E outros mil surgem de volta. Inferno.
Nesses sete anos, muita coisa mudou na vida de Ireas, e não apenas na dele: a vida dos demais também mudou. Após o casamento de Solstícia e o breve retorno de Lisette a Nibelor, a pirata logo partiu novamente, para mais uma de suas expedições no Caçador de Almas. Após sua partida, Ireas retomou seu comportamento agora habitual: soturno, recluso, pouco aberto a falar. Ou sorrir. Ou olhar nos olhos de alguém.
— Hm… — Ireas comentou, sussurrando e analisando aquele anexo de papeis em particular. — Isso é mal… Tsc… Vou precisar de mais suprimentos… Acho que Thais vai tentar fechar cerco…
Franzi o cenho enquanto o observava; era péssimo vê-lo assim. Por mais estranho que esse pensamento fosse, por mais que não fosse de meu feitio… Eu não podia deixar de sentir meu coração apertado ao vê-lo daquela forma. O sorriso, a alegria… A curiosidade, a certa infantilidade… Pareciam ter morrido muito tempo atrás, e apenas quando Lisette voltava… Ele parecia voltar a ter seus dezenove anos, mas por alguns dias. Apenas alguns dias.
E tal situação me enchia de desgosto.
— Yami! — Ireas me chamou, com o tom de voz dominado pelo enfado e frustração.
— Pois não, Keras? — Respondi, engolindo em seco.
— A Sociedade está com um probleminha… — Falou ele, sem sequer voltar seu olhar para mim. — Os adeptos estão falando de um problema com provisões. Aparentemente, as Pontes dos Sonhos estão recebendo pouco alimento e receio que seja obra de um bloqueio de Thais.
— Acha que eles descobriram algo sobre nossa… Digo, sua aliança com Maximus?
— Talvez… Harkath pode ser passado, mas não é de todo burro. — Dessa vez, ele voltou seu olhar para mim, amuado como se estivesse dizendo obviedades. — De qualquer forma… É com ele que temos que falar. Se alguém consegue arranjar mais provisões seguras, mesmo em vias clandestinas, é o Don.
— Ugh… Não consigo me acostumar com esse… Título novo dele. — Falei, cruzando os braços.
— Mas acostume-se, meu caro. — Replicou Ireas, novamente ríspido. — Maximus fez por onde… Eu infelizmente não queria pedir favores, mas… Terei que passar lá. Você quer vir ou prefere um dia de folga?
Engoli em seco; depois de todos aqueles anos, eu naturalmente havia passado a servir Ireas por minha livre e espontânea vontade. Ele já havia estourado a cota de desejos dele, incluindo o último, que foi de me libertar da servidão eterna. Claro, fiquei muito grato, mas não era como se eu, de fato, tivesse um local para ir. Não é como se eu fosse bem quisto por mais ninguém.
— Yami? — Ireas chamou minha atenção, levemente impaciente. — O que vai ser?
— Vou com você. — Respondi, meneando a cabeça e saindo do transe de meus pensamentos. — A Sociedade está bem, e Jack está segurando tudo como devido. Não vai ser necessário se preocupar…
Ireas concordou com a cabeça, separando alguns papeis. Naquele meio tempo, fiquei olhando para o nada, pensativo. Era incrível como Lisette conseguiu trazer alegria para o Norsir na mesma velocidade e facilidade com a qual conseguiu arrancá-la dele: o que era, naturalmente, um dos motivos pelos quais eu assumidamente desgostava e ainda desgosto dela. E muito.
— Muito bem. Vamos a Venore ao amanhecer. Esteja preparado.
Assenti e me retirei a passos lentos; antes de Lisette aparecer, provavelmente ele teria me impedido de sumir e teria ficado conversando comigo horas a fio sobre assuntos quaisquer, de fúteis a profundos em natureza; ele parecia sair mais calmo e leve depois de nossas conversas e conseguiu lidar melhor com todas as suas amarguras e dores. No entanto, desde que aquela pirata apareceu, até aquilo eu havia perdido. Eu não fazia a menor ideia de como recuperar aquele espaço novamente, que, até então, eu não dava muito valor.
Suspirei profundamente, e olhei para a minha Lâmpada; ela, cujo interior era sempre imenso para me conter, parecia ainda menor do que de fato era. Eu me sentia, pela primeira vez em anos, sozinho. Terrivelmente sozinho.
Entrei na Lämpada, resignado; seria eu apenas um servo para Keras? Afinal, o que eu ainda significava para ele? Isso é, será que eu algum dia signifiquei algo? Ou será que o sentimento de vingança que ele teve por mim, uma vez aplacado, fazia minha existência já não ser mais útil ou… Valiosa de qualquer forma?
*****
(Narrado por Ireas Keras)
Fomos a Venore assim que o Sol começou a raiar; usando a Ponte dos Sonhos mais próxima, logo chegamos à cidade suspensa sob o Pântano da Garra Verde. Yami estava estranhamente quieto: não ouvia dele nenhum comentário sobre o ambiente, a viagem ou qualquer outra coisa.
Estava trajando roupas similares às de Icel, com a diferença dos detalhes de meu sobretudo serem índigo nos ombros, da mesma cor de minhas botas, e azuis-claros nos botões e nos detalhes da gola. O chapéu em minha cabeça fazia com que a penumbra escondesse minha cicatriz, assim como o desalinhamento de meus cabelos.
Passamos rapidamente pelos corredores de pedra escovados da cidade, chegando ao mais novo dos armazéns de lá: a sede dos Bastardos Inglórios, que atuava sob a fachada de um grande teatro. No andar de cima, estaria a pessoa com quem teria que tratar. Um rapaz alto, de pele bem pálida, loiro e muito bem vestido.
Alinhei meu sobretudo preto e tirei o chapéu, ajeitando meus cabelos com os dedos. Yami manteve a espada escondida em sua bainha e entrou no ambiente ao meu lado. O homem loiro logo veio até mim.
— Sr. Keras? — Indagou o sujeito, estendendo a mão para me cumprimentar. — Que surpresa! Vaporetozin, muito prazer. Também conhecido como Vaporeto.
Yami abafou um riso e olhou para o lado; eu retribuí o cumprimento, e Vaporetozin abriu o caminho, mostrando uma passagem secreta para o segundo andar. Olhei para o ambiente e percebi uma grande agitação: membros correndo para lá e para cá com panos, pedaços de madeira e figurinos.
— Vai ter algo aqui hoje? — Indaguei antes de subir as escadas.
— Vai! Oh se vai! — Ele replicou, animado. — Haverá uma apresentação de dançarinas aqui e caras… Caras, elas são lindas. Gostosas. As gostosas dentre as mais gostosas. Sério. Não percam!
Sorri de canto, sentindo-me um tanto culpado por gostar da ideia, por estar com Lisette; Yami também se sentiu atraído, mas achei que ele de fato se manifestaria sobre ir. Em vez disso, ambos nos vimos deixando Vaporeto em suspenso quanto à nossa presença. Naquela altura do campeonato, de todos meus amigos, apenas Sírio, Morzan, Icel e Yami poderiam frequentar tais lugares sem culpa no cartório ou peso na consciência.
— Bom, a passagem pra sala do Don está aberta; ele vai saber que vocês estão vindo. — Falou Vaporeto, sorridente. — Caso mudem de ideia quanto ao nosso show, venham mais à noite e falem com o Sir Catarina, o segurança. Ele é gente boa. Gordo miserável, mas gente boa.
Concordamos com a cabeça, um riso abafado e seguimos adiante; a escada estava a baixa iluminação, criando um clima mais sério: tal era a forma como Don administrava seus negócios. Sem brincadeiras, com clareza onde precisava e sombras onde queria. Assim que terminamos de subir as escadas, havia um portão à nossa frente, feito de madeira escura e muito bem trabalhado.
Bati uma vez e as portas logo se abriram.
— Pode entrar, eu já sabia que você vinha.
Detrás das portas, um enorme escritório bem decorado com o melhor da movelaria de Venore e de Zao; havia uma larga mesa de madeira escura, atrás da qual estava sentado um homem de quarenta e cinco anos, cabelos já grisalhos, com uma blusa preta de algodão e um casaco vermelho grosso, mas bem costurado por cima, e uma cartola preta muito bem cuidada. Ele estava segurando um charuto aceso na mão direta e alguns papeis em sua mão esquerda. Assim que me viu, abriu um sorriso e soltou os papeis.
— Menino Ireas. — Falou o homem com um sorriso. — Bem vindo à minha humilde residência!
— Don. — Falei, aproximando-me para apertar sua mão livre.
— Meridius. — Yami falou, fazendo uma reverência.
— Efreet. — Don Maximus replicou sem perder a postura e retribuindo meu aperto de mão.
— Venho oferecer minha amizade, Don, e pedir um favor. — Falei, recuando um pouco.
Don Maximus meneou a cabeça, ponderando, com um sorriso. Ele levou o charuto à boca e deu uma tragada.
— Fale. — Disse, por fim, soltando a fumaça pela boca em meio à palavra dita.
— A Sociedade das Teias Infindas precisa de mais suprimentos; de uma linha nova, para ser mais exato. — Falei, cruzando os braços. — A rota que passava por Greenshore começou a ser fortemente inspecionada. Acredito que Harkath possa ter algo a ver com isso.
— Ah, aquele imbecil... — Don comentou, rindo, enquanto preparava para tragar do charuto uma vez mais. — Ele não aprende mesmo. — Don completou, soltando a fumaça grossa do charuto. — Relaxa, menino. Eu dou um jeito. Pedirei a dois dos meus rapazes para cuidar disso. Conseguirei adquirir alimentos e outros equipamentos básicos muito facilmente para vocês. Com uma condição.
— Qual seria? — Indaguei não muito surpreso.
— Bem… — Don começou, mas sério e apagando o charuto em um cinzeiro simples, mas muito bem-trabalhado. — O meu pedido é mais… Emocional do que qualquer outra coisa. O Ano-novo segundo o calendário adotado por meu mestre* está quase chegando e, como sou o último de seu dojo vivo… Gostaria de manter a tradição. No entanto, não posso sair daqui e deixar minhas funções…
— Você quer que a Sociedade adote esse costume dentro dos ritos que já temos? — Indaguei, já me adiantando ao pedido de Don.
— Precisamente. — Replicou Don Maximus, sorrindo. — Espero que não seja um problema. Eu de fato gostaria de ver o monastério do meu mestre de pé novamente, e acho que tanto sua Sociedade quanto o meu antigo Dojo tem muito em comum. O que me diz?
Yami me olhou com certa reprovação. No entanto, não havia, ao meu ver, nada de errado com o pedido de Don: era um pedido totalmente razoável e justo, considerando tudo que ele havia passado e feito nos últimos anos.
— Bom… Acho um pedido totalmente justo. — Repliquei com um meio sorriso.
— Perfeito, menino Ireas. — Replicou Don Maximus com um sorriso. — Temos um acordo então.
— Obrigado, Don. — Repliquei, apertando sua mão novamente. — Abrirei uma Ponte dos Sonhos o quanto antes.
— Perfeito, menino. — Replicou Don Maximus, agora de pé em frente à sua mesa. — Antes que saiam: gostariam de ficar para ver o show de hoje? Não vão se arrepender.
— Adoraria, Don, mas se eu fizer isso a patroa vai me cortar ao meio: literalmente. — Repliquei com um riso fraco.
Don riu e Yami continuou estranhamente quieto. Despedimo-nos dele e o ex-cavaleiro Thaiano me entregou um pedaço de papel indicando o local onde queria que eu abrisse a Ponte para os suprimentos passarem. Peguei o papel e rumei para seguir as demais instruções, deixando Don com seus afazeres.
****
(Narrado por Don Maximus Meridius)
Uma vez que Ireas e seu Efreet saíram de meus aposentos, fechei as portas; soltei um largo suspiro. O Ano-Novo oriental… Essa data me trazia muitas lembranças; muitas felizes, mas todas cobertas pelo manto de luto e tristeza. Muitos anos se passaram desde a morte de Xiao e de meu sensei, e mais alguns se passaram desde que os vinguei.
Fui até os fundos de meu aposento, a um enorme quadro com a minha imagem; afastei-o para revelar uma singela e simples porta, aos moldes daquelas de meu antigo Dojo. Abri a porta lentamente e descalcei minhas botas. Tirei meu chapéu.
Havia um pequeno altar à minha frente; um altar com a pintura do rosto de Xiao: um dos únicos desenhos dela que havia sobrado daquele dia funesto. Um dos primeiros desenhos que fiz de alguém. O retrato estava em uma moldura de madeira, com duas velas vermelhas distantes cerca de vinte centímetros dele, e uma de cada lado, de forma que o retrato ficava no meio; à frente dele, havia uma pequena tigela do tamanho de um cinzeiro, que servia como depósito de oferendas. Havia uma almofada à frente do altar e um pequeno gongo à minha esquerda.
Ajoelhei-me na frente da almofada; peguei uma caixinha com palha e pedra de fogo e usei os materiais para acender uma pequena fagulha, com a qual acendi as duas velas. Guardei a caixinha e peguei uma erva azulada, de cheiro mais doce e suave e a depositei na tigelinha, colocando o restante da fagulha ali. O rosto de Xiao estava mais iluminado pelas velas, e seu sorriso parecia aquecer meu coração. Fechei os olhos, juntei as mãos e fiquei ali, em silêncio.
Fiz as minhas preces pela alma de Xiao, de meu sensei e de tantos outros que caíram nas mãos dos servos do Imperador. Fiz isso e, aos poucos, comecei a sentir meu coração e minha alma leves com todas as decisões que tomei… E até mesmo com as falhas que cometi ao longo de todos esses anos…
****
(Narrado por Ireas Keras)
Uma vez que tudo havia sido concluído, retornei à Sociedade das Teias Infindas através da Ponte dos Sonhos de Nibelor; assim que cheguei, senti meu corpo paralisar e minha mente ir a outro lugar.
— Keras? — A voz grave de Yami parecia cada vez mais distante. — Keras!
Tudo escureceu; abri meus olhos novamente e não estava mais na Sociedade. Yami não estava lá. Em vez disso, estava em um local verdejante, mas de aura divina, em uma clareira cercada por árvores douradas. Jack estava ao meu lado, tão confuso quanto eu. À nossa frente havia uma terceira pessoa.
Um elfo. Com pele de brilho dourado e olhos de íris muito claras e cabelos acobreados. Ele olhava para nós com um misto de alívio, surpresa e contento.
— Finalmente! Encontrei as Vozes de nosso bom deus! — Falou o elfo em um tom de voz estranhamente andrógino, onde não consegui distinguir se tratava de um homem ou uma mulher. — Meu nome é Tameran, e eu sou um Teshial. Eu e os que restaram de nós precisam de ajuda para voltar ao outro Reino. Há uma calamidade chegando, e nós precisamos ajudar! Não podemos mais nos esconder nos Sonhos!
— Eita… — Jack falou, pasmo, logo em seguida olhando para mim. — Ireas…
— O Sonho. — Falei, igualmente surpreso. — As Crianças do Sonho. Elas realmente estavam chegando. — Olhei para Tameran de volta, ainda intrigado e surpreso.
Continua...
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Glossário:
(*): Referência ao Ano-Novo lunar, que é adotado na China e alguns outros países do Oriente. Nesse caso, Zao seria o único local em Tibia a adotá-lo oficialmente.
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Demorou, mas chegou! Espero que tenham gostado! Recomendem aos amekinhos por favor, a tia vai ficar muito feliz!
E aí? Quem tinha pensado que os Teshial reapareceriam?
Você querendo mostrar esse Ireas rabugento, puto, cheio de cicatrizes, marcas e feridas profundas de seus últimos anos foi muito bom. Claro, tentou dar uma amenizada com Lisette, com o Ireas cuidando do culto de Nurnor, Yami... Mas todos sabemos que a dualidade do lado "bom" e do lado "mau" de Ireas vai ser posto a prova. Nos resta saber como você vai fazer isso. SE for fazer isso realmente.
No mais, bom capítulo. Só fiquei em dúvida se a Sociedade das Teias é "clandestina" ou não. Parece que em Thais Ireas e seus amigos não são lá muito bem vindos, mas enfim, descobriremos isso ao decorrer da história xD.
Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...
Muito bom o capítulo, como de costume. Ver o Ireas nessa situação, meio indiferente a tudo e infeliz, é um pouco... Angustiante. A mágoa e o rancor de fato mudaram muito a personalidade dele; pensei que, talvez, os amigos pudessem trazer um pouco de luz pra vida do rapaz, mas parece que nem isso tá funcionando
O Yami, por tabela, também está de um jeito digno de pena. É difícil ter esperança de que esse panorama mude, já que vc adora judiar do Keras kkkkk, mas quem sabe ainda haja salvação...
O final do capítulo realmente me surpreendeu, não estava esperando que os Teshial teriam a ver com o sonho do Ireas. E ainda vieram com essa história de "calamidade"
Bom, o negócio é aguardar pela sequência e ver o que vai acontecer.
Quanto à questão de luminera, é... Eu acabei me ausentando um pouco e fiquei perdido no rumo que o rp tomou... Porém, eu não desisti de lá, tentarei voltar aos poucos
Muito bom!
Apesar de ter trocado o teatro de Don Maximus Meridius o Magnata de cidade kk.
(Entendo seus motivos... e sei que isso faz parte da história... hehe)
@Don Maximus Meridius
Porra Don, lhe mando o melhor Rum de todas as terras tibianas e você fica servindo Vinho em seu teatro? Onde está a Garrafa de RUM adornada de madeira escura do Caçador de Almas em cima de sua mesa!
Aguardando novos capitulos
Escreva rápido ou vais andar na prancha Ireas!