Eu tinha um amigo muito próximo desde o ensino fundamental. De ir todo dia na casa dele, a gente brincar na rua, ir nas festa de família da família dele. Ele começou a treinar karatê comigo e eu comecei a treinar futebol com ele, que eram nossos respectivos esportes que praticavamos formalmente em uma escolinha própria antes de nos conhecer. Até gostávamos da mesma garota, embora em momentos diferentes (eu no fundamental e não sei se ele sabia, ele no médio). Ensino médio estudamos em escolas diferentes, mas foi quando mais nos aproximamos. Aí acabou o ensino médio, cada um pra sua faculdade, não tínhamos muito como nos encontrar, mas malhavamos juntos, era meu parceiro de treino, então perdurou por mais uns anos, até que não conseguíamos mais bater horários e fomos nos afastando. Aí eram raras saídas pra dar uns rolês, comer um sanduíche, botar o papo em dia. Isso já estava espassado em meses, e nos intervalos desses meses nem tínhamos contato. Virou ano. Aí um dia o irmão dele me chamou pra despedida de solteiro dele. Fui na despedida de solteiro, mas não fui no casamento. Eu tava no fim da faculdade, não tinha grana pro presente e nem vontade de ir, e tinha plantão no dia (o qual não tentei trocar). E aí depois disso nunca mais trocamos uma palavra. Nunca mais vi ele. Foi a pessoa mais importante na minha vida fora a minha família. Eu teria doado um rim pra ele, hoje não sei se emprestaria dinheiro. Mas é assim que as coisas são.
Hoje quando encontro velhos amigos ainda tem um certo sentimento de conforto e de se sentir a vontade em estar por perto, mas não rola mais. Esses dias encontrei na academia um cara que era amigo também na escola. Trocamos poucos minutos de conversa entre uma série e outra. Tinha conforto suficiente pra brincar com ele, fazer piada. Mas o assunto morreu.
Ao mesmo tempo tenho alguns amigos da faculdade que não vejo há anos, mas converso diariamente pelo whatsapp (sem ser por grupos), simplesmente pq temos assuntos do dia a dia em comum.
E quanto amigos da internet, bem... Tenho grupos e contato diário pelo zap e telegram com amigos que fiz aqui no fórum há 15 anos, além da galerinha do shout ali muito brasa, bicho. Não consigo dizer que eles não são meus amigos por não conhecê-los pessoalmente, sentir o cheiro, dar uma fungada no cangote, apertar as bolas (ou as peitcholas). Compreendo que sao importantes essas características, mas talvez não seriamos amigos se tivéssemos tido esse tipo de contato. Tempos diferentes exigem conceitos diferentes. É foda que favorece um abandono afetivo, mas meio que faz parte do pacote desses desprendimento da internet, não dá pra cobrar. Talvez bagunçar no perfil do Facebook da família do sujeito abandonador, enfim...