Eu não gosto da ideia de "literatura obrigatória". Prevejo que serei fortemente criticado por alguns, mas, querendo ou não, são apenas histórias. É óbvio que muitas delas tem um valor histórico imenso e muitas outras são quase que essenciais para se entender algumas áreas de conhecimento. Pegue Shakespeare como exemplo; quem não o lê realmente fica por fora com as frequentes citações de suas obras em outras obras artísticas e pode ficar deslocado em alguma conversa sobre literatura. Mas mesmo assim não é uma "leitura obrigatória". Leia quem quer e quem estiver preparado para ler.
Voltando ao tema dos livros de escola, eu realmente acho que o vestibular está fazendo os jovens pararem de gostar de ler. Quando tinha 13 anos, minha professora me recomendou a leitura de Dom Casmurro. Porra, minha gente, Dom Casmurro pode ser um livro até fácil de se ler, mas seu conteúdo não é aproveitado nem um pouco por alguém que nunca sequer namorou. Sem contar que é apenas uma história sobre Bentinho e Capitu. Li com o puro interesse de me entreter, e encontrei nele uma das histórias mais bonitas que já li. Mas nada além disso. Me proporcionou grandes momentos de reflexão e debate com professores, mas, repito, não é nada mais do que uma história.
Não estou dizendo em nenhum minuto que não devemos ler esses livros, mas sim lê-los pois queremos. Seja Tolkien, Machado de Assis, Jorge Amado, Stephen King, Clarice Lispector ou Vladimir Nabokov, nada pode ser realmente aproveitado de capa a capa por pressão. Quem lê Felicidade Clandestina geralmente "lê por ler" e não aproveita nenhuma página. E o triste é que são contos tão bons, mas tão bons, que dá dó de ver sendo lidos por pressão, ao invés da paixão.
O que eu sou a favor nas escolas é criar a paixão de ler. Recomende a uma criança Harry Potter ou O Hobbit. Crie nelas a vontade de se ler, pois quem ama ler, não consegue parar. Li obras que cairão no vestibular, mas apenas me dei conta de que estavam nele após as terem lidas. Li porque gostava de ler. Li naturalmente. Li por paixão. E é essa paixão que devemos criar.