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Eventos estranhos na cidade? Nenhum, após a estranha tentativa de execução de Lug. Sete anos haviam passado desde o episódio e, desde então, a única coisa peculiar em seu comportamento era a voracidade sobre-humana com que comprava papéis, pergaminhos, mapas e tintas, para depois se enclausurar em seu porão; às vezes por dias. Quando saía, trancava a porta e levava a chave em seu pescoço. Proibía quem quer que fosse de entrar no local. Quando perguntavam-no o que fazia lá em baixo, desconversava imediatamente. Estava extremamente lúcido, com uma postura que sempre impunha respeito, diferente do homem moribundo que inspirava medo na cidade alguns anos antes. Aliás, Lug já era mais aceito em Othialla e os olhares desconfiados iam aos poucos se dissipando. Sua esposa, por vezes com a ajuda de seu vizinho Wrebh, cuidava da casa, comprando e fazendo a comida e velando para que o marido tivesse a calma necessária para trabalhar no que quer que ele estivesse fazendo lá em baixo.
Era um dia de sol, com algumas poucas nuvens passeando no céu. Wrebh estava atarefado em sua padaria, que ele fechou naquela manhã, deixando seus clientes a ver navios com a inesperada porta cerrada. Era um dia muito especial e, ali na padaria, um delicioso bolo de frutas do bosque com a mais perfeita massa de trigo com sarraceno (receita secreta de Wrebh) estava sendo preparado com esmero. Naquele dia, Lome faria 15 anos.
A pequena menina havia se tornado uma adolescente razoavelmente alta, com um rosto e um corpo de beleza exótica. Era diferente da maioria das adolescentes da sua idade e gostava de usar adereços de metal e roupas extravagantes, chamando atenção por onde passasse. Seria sem dúvida uma mulher muito bonita, mas não tanto quanto sua tia Shirà. Ela ainda não havia acordado, mas seus parentes já estavam preparando uma grande festa. Seu pai, junto com Shirà havia confeccionado um adorno para usar sobre a cabeça, parecido com uma renda de finas correntes de prata, cravejadas de belíssimas pedras vermelhas nas partes onde as correntes se entrelaçavam. Nas extremidades, as correntes caíam com cristais azuis nas pontas, um pouco como gotas de chuva. Era uma verdadeira obra de arte. Mylla, por sua vez, havia feito para a filha um longo vestido se seda, colorido com tintas importadas de terras distantes.
Quando Lome acordou, seu amigo Bygudo a chamou para caminhar na praia até o farol. A desculpa foi aproveitar o dia ensolarado em seu aniversário. A verdade era a organização da festa surpresa em sua casa. Obviamente, Lome esperava por algo. Mas era um algo mais simples, provavelmente um jantar na casa de seu tio, como era de praxe. Qual não foi sua surpresa ao ver, voltando do farol e tendo aproveitado o sol até demais, todos reunidos em sua casa! O bolo de Wrebh estava um tanto vistoso e Shirà havia preparado vários salgadinhos para a ocasião. Bygudo e o pai dele trouxeram instrumentos musicais para animar a festa. Outros amigos de Lome iam chegando aos poucos na animada festa. Lug comeu, bebeu, mas não quis dançar. Conversou com algumas pessoas, mas passou a maior parte do tempo em um canto, sorrindo e fumando seu cachimbo. A festa dava sinais de estar terminando, quando Lug chamou sua sobrinha para um local mais calmo e afastado...
- Lome... Venha cá!
- O que houve tio?
- Eu não lhe trouxe nada para o seu aniversário.
- Ah, tio, sua presença é que importa. Não precisava trazer nada.
- Meu presente é outro, Lome. Lembra do que você me dizia quando era mais nova?
- Hum...
- Vou te levar para o MAR!
- Oh! Mas meu pai nunca vai deixar!
- ...O seu pai nunca vai saber - disse o velho lobo do mar, piscando para a menina.
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