Só agora reparei que tu era o antigo Kyros. Bom te ver, falando nisso.
Vou devagar e no meu ritmo, porque seus ritmos de postagem estão bem rápidos para a minha disposição de tempo para o fórum.
Só espero que tu não se importe.
Eu fiquei com a mesma impressão que o Pernalonga teve sobre o capítulo também.
No momento em que comecei o capítulo II, pareceu-me bem estranho o fato. Lembra um relato, como se ele acabasse de lembrar de alguma coisa, ou sei lá. Está bem estranho, essa coisa de você não dar ligação às frases.
Um dos fatos que ele citou foi a pontuação. A quebra, logo no primeiro parágrafo já mostra o capítulo inteiro.
Água quente. John ficou por muito tempo embaixo do chuveiro, tentando esquecer do sonho que tivera há minutos atrás.
Gostava de água. Sentia-se calmo e renovado quando seu corpo a recebia; sempre foi assim. Quando pequeno, vivia brincando nas poças de água da pequena cidade do interior onde nasceu e cresceu; que já não visitava há anos.
Essas duas situações quebram o texto. É como uma pausa, e não soa legal. Não dá naturalidade à narrativa, fica com um aspecto meio que mecânico.
Além disso, você meio que sem assunto, partiu da água para cidade, sem ao menos de mudar de parágrafo.
(Sem contar, que eu lembrei de O Senhor da Chuva)
Enquanto dirigia, gostava de ouvir sua banda de rock favorita: “Guns N’ Roses”. Ouvia “Sweet Child O’ Mine”.
Aqui outro daqueles cortes estranhos na pontuação. Você está falando do mesmo assunto, mas mesmo assim não conseguiu conectar os assuntos, tendo que iniciar outra frase.
Beco
escuro. Cheiro de lixo e fezes, ambiente mal agradável; mas não para os dois estranhos homens que estavam ali, em um canto
escuro. Os dois estavam igualmente vestidos; blusa preta com capuz, tampando-lhes o rosto; calças pretas e velhas, e coturnos. Os dois conversavam discretamente sem chamar atenção de pessoas que passavam pela rua.
Aqui de novo. Parece realmente um redator escrevendo o boletim de ocorrência. Eles vão direto ao ponto, e você também.
Você deveria abusar das palavras, deixar o texto mais emotivo, menos mecânico.
Saca só.
"Era um beco escuro. O cheiro de lixo e fezes fazia do lugar um ambiente desagradável. Mas mesmo assim aqueles dois estranhos homens, em um canto cobertos pelas sombras, pareciam não se importar."
Fica muito melhor, bem menos mecânico, meio que dá uma sensação melhor ao texto, e não abusa das pausas, que fazem a leitura não andar.
- Há, há, há. Pode deixar, ela não passará de hoje. – O estranho homem de negro, começa a gargalhar, e se afasta do beco.
Eu semprei achei estranho retratar risadas no texto, dá um toque estranho, mas quem decide isso é você. Eu sempro penso que o personagem é um débil mental.
Anoitece. O trabalho foi corrido hoje, tão corrido que John nem viu o tempo passar.
Hora de ir embora. O frio lá fora estava congelante, um dos dias mais frios do mês.
De novo, a mesma situação daquele trecho de lá de cima que reescrevi. Parece que você não consegue conectar as coisas.
Caminhou para o estacionamento escuro e seguiu para sua Mercedes. Entrou; colocou o sinto e como de costume, ligou seu rádio no MP3. Ouvia novamente “Guns N’ Roses”.
Ruas desertas, poucos carros; era até bom assim, não tinha trânsito e quase não pegava um
farol vermelho. Em um desses raros
faróis vermelhos, olhou para o lado do seu vidro. Uma mulher caminhava sozinha pela calçada escura.
Aqui o fato que não me deu uma boa impressão foi que do estacionamento ele já estava nas ruas, e deu uma sensação de corte. Sem conexão.
O texto inteiro não tem muita ligação. E isso faz com que o texto fique bem mecânico. A chave para evitar o que você faz, é ligar as coisas, não colocando pausas daquela forma. Tente fazer como aquele trecho em que escrevi, e você conectará as coisas.
Mas, mesmo assim, você tem que deixar mais humanizado as coisas, e não da forma que você fez.
Além do que, eu demorei um bocado para ler o texto, porque a pontuação deixava o texto preso. Eu acho que o que está faltando para ti, é escrever o texto, e deixá-lo esfriar uma semana. Para então, relê-lo com calma, observar os erros e ver de uma forma que esqueça que o texto é teu, e veja como alguém que está lendo pela primeira vez.
Você notará mais facilmente que a leitura não flui. Além da falta de conexão.
Eu meio que fiquei preso aos erros, e não me atentei tanto ao capítulo, mas talvez eu tenha sentido uma sensação de clichê na parte em que ele tem a impressão de alguma coisa muito errada na história, mas não se atenta e continua...
Mas vamos ver até onde vai.
Em outra oportunidade, eu volto para ler o capítulo 3.
Obs: O nickname Claus viria bem à calhar para você. Soa melhor que Heart Attack. Tu meio que poderia mudar com os admins. Mas é apenas minha opinião.
Hovelst