
Postado originalmente por
Iridium
De toda a forma, eu sou do time que gosto de ver algo sendo finalizado, mesmo q n tenha mais público ou que não seja escrito 100% do jeito q teria sido uns anos atrás. Eu me disponho a ler e aparecer por aqui, para incentivar o final de uma narrativa inacabada <3
Forte abraço,
Iridium.
Fico feliz que esteja disposto a ler e prometo dar meu melhor para entregar uma narrativa interessante!

Meu sonho ainda é me tornar uma escritora e nunca parei de escrever, mesmo que a maioria das minhas obras agora nunca tenham visto a luz do dia.
- - - Atualizado - - -
Avisos da autora:
- O estilo de escrita mudou consideravelmente. Eu aboli a escrita em primeira pessoa desde 2011-2012, e também estou com a tendência de escrever algo mais maduro e com temas com mais nuance. Edit: De maduro eu me refiro a tipo... Não vou escrever "romance" como eu escrevia antigamente, não tenho mais a capacidade de escrever aquilo tudo do jeito que eu escrevia.
- Eu analisei e verifiquei todos os posts que fiz anteriormente para estabelecer meus problemas e os plot points a serem respondidos que deixei em aberto, então eventualmente vou chegar neles.
- Boa leitura!
Edit: Resumo da história até esse ponto adicionado na primeira página!
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Intermission
Ondas suaves batiam no cais que se estendia além da ilha, tendo alguns barcos de madeira amarrados a ele, com a vista paradisíaca sendo completada com crianças e adolescentes que pulavam nas águas azuis cristalinas para brincar. Próximo daquele caís tinham algumas casas simples, com sua estrutura principal feita com os troncos da madeira local com placas retas para suas paredes, no centro da vila estava bem destacado uma parte de um navio antigo que foi utilizado para fazer uma construção central, com sua ponta apontando para o céu e a vela dianteira derrubada, servindo de apoio para a metade de embarcação que foi reaproveitada e que agora parecia estar perfurando a ilhote de baixo para cima.
De onde estavam, dava para ter uma visão boa do continente como também da ilha do destino. Era uma ilha pequena que nem aparecia no mapa de Tibia, com apenas algumas infelizes ou felizes pessoas conseguindo cair por ali ao acaso.
Aquela ilhota teve sua série de problemas ao longo dos anos, mas sendo formada inicialmente por piratas que queriam ter um lugar seguro para ficar, era até irônico como agora se tornou um oásis de paz e segurança, ainda que saísse dali muitos futuros criminosos pela ligação natural que tinham.
Mas até a vida do crime os alcançar, sua profissão principal era como pescadores.
Na vila as famílias tinham uma grande casa para dividir, eram poucas crianças, mais adolescentes, velhos e algumas mulheres assim como homens que em grande parte tinham alguma deficiência que permaneciam ali enquanto os mais capazes estavam fora.
Os infelizes felizardos de encontrarem aquela ilha eram como o jovem Crucis que passou por ali anos antes, mas que assim que teve uma idade aceitável pela comunidade embarcou com uma das embarcações maiores e foi para Rookgaard.
Eram raros rostos novos ali, e mais ainda os que permaneciam, então não foi uma surpresa para ninguém o que aconteceu.
Mas o legado que ficou para trás foi representado pela garota Magdalena, ou Maggy.
Enquanto aqueles que tinham sua idade estavam do lado de fora brincando na água, dentro da estrutura de navio no centro da vila estavam mais os adultos que conversavam e distribuiam as tarefas de cuidar da pesca do dia e atender as plantações pequenas, cuidavam da educação dos adolescentes e se preocupavam com a segurança da ilha.
A quantia de adolescentes interessados na educação era mínima, afinal uma vez que a criança sabia ler não havia nenhum reforço para que fosse estudar, então havia apenas os mais ambiciosos e curiosos na pequena sala que tinham quatro das dez carteiras ocupadas, com Maggy sendo a menor entre eles.
A luz do sol atravessava a cortina branca da sala, feita pelo pedaço do tecido dos mastros da embarcação caída. Maggy tinha seus treze anos de idade e olhava para o professor sem focar direito no que dizia. Era um senhor de idade, um velho marinheiro que agora mais se divertia fazendo atividades físicas com as crianças do que dando aula propriamente dita - mas os adultos mais responsáveis sempre reforçaram de fazer essa atividade.
“...Então conseguiram entender isso?”
Havia um certo silêncio na sala, no fim um ou dois dos presentes deu uma resposta, com Maggy sendo um deles em que confirmava, mas era óbvio que os olhos animados estavam ansiosos. O velho educador suspirou de leve e sorriu aliviado pelo fim da aula obrigatória, satisfação que era partilhada pelos seus jovens alunos.
“Muito bem, vamos terminar por aqui. Deve estar na hora do almoço e vocês precisam da sua nutrição.” Três já estavam se levantando e fechando seus cadernos enquanto o velho marinheiro dava sua lição de moral, já acostumado com aquela atitude não se importou e continuou falando. “Comam suas pimentas e laranjas para que o escorbuto não pegue vocês!”
Mas uma menina, Maggy obviamente, sempre permanecia e olhava para o velho educador com olhos que brilhavam de ansiedade. O marinheiro grunhiu de leve, virando o corpo com o apoio da sua bengala que o ajudava pela falta de equilíbrio pela falta de um pé.
“Fedelha, vai brincar.”
“Eu não quero brincar.”
“...Claro que não…”
Era sempre a mesma coisa. O velho grunhiu, passando a mão na cabeça onde sua calvície já tinha alcançado seus cabelos brancos até metade da sua cabeça. Olhando aqueles olhos claros cheio de energia e ânimo, achava uma óbvia besteira como uma menina como aquela queria perder a juventude dela com um outro que foi embora - e talvez já estivesse morto. Mas, afinal, o que ele podia fazer? Era seu dever como educador ensinar crianças, inclusive no que ela sempre insistia.
Sorrindo de canto, o velho senhor balançou a bengala entre as mesas, movendo da esquerda para a direita.
“Já sabe o que fazer então. Afaste as mesas e pegue sua espada.”
E assim Magdalena fez prontamente, arrastando as mesas para os cantos da sala e correu para perto da porta onde uma espada de madeira estava encostada. O professor ficou parado no centro da sala e a menina na sua frente.
“Postura de ataque.”
Imediatamente a garota segurou a espada com as duas mãos e afastou os pés sutilmente, com o educador caminhando na sua direção mancando e então a contornando, seus olhos perceptivos analisando a postura da menina. Logo sua bengala encostou de leve nos pés dela e afastaram sutilmente, depois para os braços e mãos, a fazendo levantar a arma e corrigir a inclinação da lâmina pela ponta da espada.
“Está melhor do que da última vez, mas ainda precisa melhorar. Você tem treinado como eu disse?”
“Sim! Todo dia ao acordar, toda noite antes de dormir!”
“...Que… Bom.” Até ele dizia meio hesitante essas palavras, mas cedia o elogio. “Certo. Vamos começar com o movimento de aquecimento.”
As ordens eram ditas e logo o treinamento começava. Maggy era uma anomalia e um orgulho ao mesmo tempo. Havia uma esperança dela se tornar uma das futuras piratas entre eles, mas os mais sensatos sabiam que o que ela faria seria ir atrás de Crucis assim que tivesse idade o suficiente.
Mas o que poderiam fazer? Ao menos treinada ela teria chance de sobreviver quando fosse ao continente. Sentindo o calor do suor na sua testa, suas madeixas coladas na testa enquanto aqueles da sua idade se divertiam na água, seu corpo e mente era impulsionado somente por um destino e objetivo.
A obstinação infantil que a levaria para fora daquele mundo, a engenhosidade que aprendeu nos anos da sua ilha…
…Ainda conseguia lembrar o gosto salgado da maresia na sua boca quando o gosto de ferro chegou na sua língua. Teria sido da vez que treinou com o seu velho professor, Maximiliam, que mordeu a língua? Suas mãos apertaram ao seu redor e conseguiu sentir a dureza do cabo da sua espada com a palma da mão e os seus dedos tocaram a terra.
Seu peito subiu buscando ar, fazendo aquele gosto acre descer na sua garganta e forçar que tossisse, seus olhos se abrindo e lutando contra a escuridão que queria a arrastar de volta para as memórias antigas da ilha de onde veio, das ondas e do treino diário que teve anos atrás.
Ela ouviu passos se aproximando, vozes… Magdalena soltou da espada e levantou a mão, vendo o céu tingido por tons de laranja e as primeiras entrelas na abertura entre seus dedos que estavam cobertos por lama, mas pela escuridão nem ao menos sabia discernir se aquilo era terra ou seu sangue.
Seu corpo doía tanto que era difícil respirar ou tossir.
O que aconteceu? Sua memória lutava para surgir dos vãos das memórias antigas da sua infância, de rostos familiares que pulavam na sua frente e vozes que chamavam por ela.
Finalmente lembrou da mão que segurou a dela e tentou a salvar, Chris, que talvez estivesse debaixo dela naquele monte de terra. Lembrou dos gritos dos seus companheiros, Leaf e Sarah. E se perguntava: o que aconteceu com Lloyd..?
A sua última urgência voltava para ela. Eles estariam a salvo? Seu plano de desabar a terra teria funcionado? Mas agora que pensava, talvez foi uma infantil esperança de que derrubar terra em vermes que viviam na terra fosse funcionar. Seu peito se contraiu com seus lábios se torcendo para cima, mas nem conseguiu exprimir uma risada com a dor que apertou no seu peito, ainda sim, sentiu algo quente escorrendo pelas suas bochechas e seus olhos ardendo.
“Eu… Estou morrendo..?”
O pensamento que cruzou sua mente gelou seu coração e o fez acelerar ao mesmo tempo. Uma força irradiou pelos seus braços e pernas, a forçando
para fazer seu corpo virar para o lado, grunhindo e expelindo o ar pelos seus pulmões rompidos.
“Não… Não… Não agora… Por favor… Não…”
Fechando os punhos e puxando seu corpo pela terra, seus olhos então finalmente olhando ao redor, procurando um meio de subir. Ainda ouvia vozes, mas não sabia onde estavam. Vinham e voltavam, como ondas do mar.
“Me tirem… Me tirem daqui…”
Seus braços lhe faltaram força e caiu com o rosto no chão. Ofegava sofridamente, partículas de terra e lama agora se misturando ao gosto de sangue na sua boca. Ouviu um baque próximo dela seguido de passos acelerados na sua direção. Seu rosto se virou no último esforço, sua visão escurecendo de novo.
Não sabia dizer quem estava vindo, mas assim que viu aquela pessoa se abaixar ao seu lado e sua cabeça sendo levantada pelo toque amaciado, ouviu uma voz que não lhe era familiar gritando.
“Achei uma! Está viva!”
Exaustão, dor e cansaço ganharam ela e ofegou uma última vez antes de sentir seus olhos ficando pesados.
“Ei! Espera aí! Garota, acorde!”
Maggy sabia que iria acordar, talvez não agora porque realmente se sentia cansada… Mas como alguém a achou, ela tinha certeza que iria acordar.
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Espero que tenham curtido!
Como eu disse anteriormente, vou responder plot points. Eu demorei um tempo extra pois vida adulta é complicado e eu também voltei a jogar tibia para tentar passar melhor a vibe do jogo no que eu escrevo, então ainda deve ter um tempo entre cada postagem.