Olá, olá, olá!
Peço desculpas a demora!
Muita coisa aconteceu nos dias seguintes e também precisei organizar o planejamento da história. Agora posso afirmar que temos cerca de nove a dez capítulos pela frente, sem contar esse.
Obrigada pelo feedback! Eu não gostaria de me tornar uma leitura pesada também, por que uma coisa que aconteceu nesses anos foi minha escrita ficar mais heavy no conteúdo, mas esses ainda vai ser uma história mais light - mas não vou fugir do que é necessário para os beats emocionais.Assim, a única coisa q me incomodou de leve foi a wall of text mais blocadinha... Se puder separar mais os parágrafos, fica show de pelota!
Tendo isso dito, boa leitura!
Spoiler: Capítulo VII - Vista Nublada
Capítulo VII - Vista Nublada
Em as visões de um passado distante os sons foram a primeira coisa a fazê-la despertar do sono profundo. Passos contra a terra dura e batida, misturada ao ocasional som de metal contra metal, e quanto mais buscava entender o que acontecia ao seu redor, mais a consciência dela tomava forma.
A primeira coisa que viu foi o tecido branco opaco que estava servindo de teto, e ao virar a cabeça para o lado notou que estava no chão, tendo somente um colchonete servindo para a proteger do chão frio.
Vendo onde estava, das “paredes” feitas do mesmo tecido do teto e a madeira que servia de apoio nas laterais e centro que estava em uma tenda, tendo em um dos lados da tenda um corte vertical, indicando a entrada que estava fechada, mal conseguindo abafar os sons que serviram para seu despertar, Maggy entendia onde ela estava: uma enfermaria de acampamento.
Apoiando as mãos do lado do corpo para tentar levantar o seu tronco para cima, sua cabeça rodopiou quando se elevou um pouco, ao ponto de acabar deitando de novo, ofegante ao sentir o peito doendo.
“Onde estou..?”
O mar de sonhos e memórias que estava antes agora se dissolveu em puro esquecimento.
“Eu estava… Fugindo. E então…”
Esperava que suas palavras servissem para reviver sua memória. Nessa hora o som de passos se aproximando da tenda a fez virar o rosto, e logo o corte vertical de antes se abriu. Um rapaz passou ali, de cabelo castanho e uma armadura leve, com o braço amarrado com um tecido branco que tinha um nó atrás do pescoço, apoiando o antebraço na altura do tronco.
Ao ver a garota acordada, ele abriu um sorriso aliviado e se apressou ao seu lado.
“Maggy! Você acordou..!”
Ao ouvir a voz dele, a garota voltou a si e fez uma nova tentativa de se sentar de novo, apenas para novamente precisar deitar, ao menos agora o recém chegado a ajudou a se deitar de novo, segurando seu ombro com o braço livre para suavizar sua queda.
“Opa, devagar ai…”
“Chris… O que aconteceu? Onde estamos..?”
Depois que Maggy estava deitada de volta em segurança, Chris se sentou de pernas cruzadas na frente dela, apoiando o braço enfaixado e imobilizado em um dos joelhos.
Os olhos claros dele se perderam por alguns segundos e ficou cabisbaixo ao reviver os últimos acontecimentos.
“Teve um desabamento na caverna, Maggy… Um grupo de Carlin estava passando quando ouviram o barulho e foram verificar. Você foi a primeira que eles acharam…”
“E quanto aos outros..?”
Chris desviou o olhar, apertando os lábios ao hesitar diante daquela indagação. Maggy podia quase ver o que passava pela cabeça do seu colega, o receio do que diria ou mesmo como sequer o que diria das palavras seguintes. Seu coração apertou no peito, sabendo bem da sua culpabilidade do desabamento, e num tempo que pareceu uma eternidade uma única perguntar surgiu em sua mente:
Se Crucis estivesse lá, ele saberia o que fazer? Maggy deitou a cabeça o colchonete novamente, suspirando.
“...Todos morreram, então…”
“Não. Sarah ainda vive.”
Maggy arregalou os olhos, seu olhar voltando novamente para o rapaz em que novamente fazia a intenção de levantar, dessa vez lutando contra a tontura, com Chris colocando seus braços ao redor da garota preparado para outro surto de fraqueza. Mas dessa vez ela lutou contra, ficando com um dos olhos fechados.
“Preciso ver ela. Preciso.”
“Ela vem e volta do coma, Maggy.” Pousando a mão nas costas da loira, Chris tentava passar um ar mais sereno. “Por favor, descanse…”
“Não, eu… Eu preciso, Chris.”
Sua vista nublou repentinamente, levando a mão ao rosto, Magdalena sentiu um soluço irromper da sua garganta.
“Eu preciso… Eu preciso pedir desculpas. É culpa minha… É tudo culpa minha…”
“Do que está falando..?”
Tão compenetrados estavam naquela conversa, que notaram somente da aproximação de mais uma figura quando o som do tecido se movendo se fez presente no ambiente acompanhado das botas de metal contra a terra. Chris virou o corpo em surpresa, vendo a líder daquele grupo de Carlin diante deles.
“Capitã Juventine…”
“Não precisa explicar, Cherr. Me contaram que você entrou aqui para ver a garota como sempre… Ela acordou então?”
“Sim.”
Chris levantava, dando espaço para a mulher se aproximar de Madgalena. A capitã tinha madeixas ruivas como alaranjadas que repousavam em seus ombros, olhos verdes finos e sagazes, coroados com aquele rosto branco recheado de sardas.
Sua armadura era em grande parte de couro, com uma única ombreira de ferro no ombro direito segurando a capa vermelha em suas costas. Magdalena lutava contras as lágrimas e o sentimento opressor no seu peito.
“Magdalena Stigma, certo? Eu sou Jowell Juventine, capitã do Décimo Primeiro grupo de Exploração de Carlin. Bom ver que acordou.”
Ela falava num tom rígido e estoico, se aproximando da garota que agora conseguiu controlar as lágrimas. Ainda sim, ela permaneceu de pé, sua mão direita repousando no pomo da espada que descansava em sua cintura. Sua sombra cobriu Magdalena, que finalmente levantou o olhar para a mulher.
“Preciso que me diga o que aconteceu. Sua versão dos eventos.”
“Capitã Juventine, ela acabou de acordar.” Se levantando apoiando a mão livre no joelho, Chris era um pouco mais alto que Jowell, fazendo a mulher o observar de baixo. “Não podemos deixar ela descansar um pouco?”
A ruiva ficou alguns segundos em silêncio o encarando antes de voltar a olhar para a loira que ainda estava no chão. Claro que ela podia notar as bochechas úmidas da mesma assim como aquele ar fraco que a permeava. Suspirando de leve, virava de costas, seus cabelos acompanhando o movimento da capa.
“Vou pedir para que tragam um pouco do caldo e água. Faça com que ela coma, mas vocês não vão sair sem se explicar, entenderam?”
Chris murmurava uma afirmação e Jowell se retirava da tenda, deixando a dupla a sós novamente. Se abaixando na altura de Magdalena, Chris voltava a atenção para a garota, suspirando de leve, colocando os cabelos loiros da mesma atrás da orelha quando estavam cobrindo seu rosto.
“O que… Você estava falando antes?”
“...Não era nada.”
Magdalena sentiu sua garganta ainda apertada para dizer isso, mas conseguiu fazer as palavras saírem. Desviando o rosto do toque do rapaz, seus cabelos loiros cairam novamente como uma cortina.
“...Quero ver a Sarah.”
“Certo, tudo bem.” Chris suspirava, finalmente cedendo aos pedidos da mesma. “Mas só depois de comer.”
Não demorou muito para a comida chegar conforme prometido. Era uma sopa rasa com carne seca que foi cozida junto de legumes e um pedaço de pão seco. Mantimentos básicos de viagem com um agregado do que conseguiram nos arredores, em resumo. A comida desceu sem ter gosto, quase amarga para Magdalena, mas seu estômago recebeu prontamente a refeição.
Demorou ainda meio dia para ela ter forças para levantar do colchonete e uma vez do lado de fora da tenda, viu todas as guerreiras de Carlin se organizando por ali. Grande parte estava mais em guarda, tendo duas posicionadas em uma tenda maior que tinha a entrada aberta e dava para ver Jowell conversando com uma batedora. O céu estava já no entardecer agora, então algumas guerreiras iam se responsabilizando pela iluminação, acendendo tochas e a fogueira no centro do acampamento.
Chris guiou Maggy até a tenda ao lado da dela, empurrando o tecido para o lado com o braço livre, deixando a loira passar e via no chão a guerreira que tanto queria ver.
Sarah estava deitada em um colchonete similar ao que estava antes, mas seu estado era ainda mais assustador de ver, com bandagens cobrindo o lado direito do seu rosto, fazendo seus cabelos negros escaparem por um lado, e tendo um lençol jogado por cima do seu corpo, mas do ombro que aparecia dava para ver mais curativos.
Maggy sentiu suas pernas virarem chumbo na entrada da tenda, estancando no lugar com uma sensação fria no seu estômago.
Pela primeira vez passava pela sua cabeça o quanto de dor seus amigos teriam passado com o desabamento. Seu olhar tentou encontrar mais volumes além do torso da Sarah, mas falhava quando notava a falta de braço e pernas.
Era um milagre ela sequer estar viva.
“Maggy?”
A voz de Chris a fazia estremecer, despertando do seu horror. Um toque gentil ofereceu conforto no seu ombro, e a loira abaixou o olhar.
“Podemos sair ainda…”
“..Não.” Maggy caminhou em frente, se desvencilhando do toque.
Abaixando-se do lado de Sarah, Maggy olhou melhor sua amiga. Lembrava bem da sua voz ainda, dos seus conselhos gentis e de como tentava ser sua amiga. Levando a mão esquerda até o ombro de Sarah, a loira passou o dedão na mesma.
Nesse momento os olhos de Sarah se abriram devagar, voltando para o lado que notava ter alguém ali
“Sarah..?!”
“...Mag…gy?”
A sua voz era fraca e seus olhos pareciam distantes agora, no fim sorriu de leve, seus ombros relaxando.
“Você… Está viva.”
Chris estava parado atrás de Magdalena enquanto a guerreira se curvou melhor diante da que estava acamada, sua mão segurando firme no ombro da outra.
“Sarah! Sarah me desculpa… Me desculpa.”
Sua voz quase não conseguia sair nos pedidos, mas Sarah apenas riu de leve.
“Bobinha… Não… Foi culpa sua… Foram aqueles… Rootworms… Eles deses…tabilizaram a caverna.” A mulher tentava acalmar a garota que agora resumia a chorar na sua frente. “Que bom… Que está bem…”
Sarah fechava os olhos novamente, a paz de ver a mais nova agora a salvo finalmente a permitindo descansar melhor, suspirava cansada.
“Estou cansada… Eu acho…” A realização do seu estado finalmente retornava a ela e sorria em melancolia, voltando a abrir os olhos para ver o rapaz que estava atrás da garota que soluçava inclinada para frente. “Chris… Minha espada… Leve de volta… Estou cansada…”
“Sarah, você pode levar depois..!”
O ar escapou do nariz da guerreira morena com um tom de riso, levando embora o último suspiro que tinha dentro do seu peito.
Nem mesmo o rapaz conseguiu deixar de sentir seus olhos marejaram e contra seu bom senso virou de costas e saiu da tenda, ficando com a mão no rosto em que sentiu seus olhos ficarem quentes e marejados, ouvindo Magdalena soluçando com a cabeça recostada no peito de Sarah.
Finalmente Jowell notava a situação não distante da sua tenda e cruzava o acampamento, estando livre agora. Não demorou a estar de frente para o rapaz.
“Cherr, o que aconteceu?”
“...Sarah… Ela… Ela morreu.”
“Entendi… Eu sinto muito, Cherr.”
“Não, obrigado… Por terem tentado.” Após tomar controle das suas emoções e limpar o rosto com a mão, o rapaz voltava para a capitã. “Ela pediu para levar a espada de volta. Acredito não ter um problema nisso, certo?”
“Claro que não, você sabe de onde ela é?”
“Sim, ela é de uma família humilde que mora nos arredores de Venore.”
“Tudo bem, irei pedir para minhas mulheres separarem os pertences. É nosso destino também agora… Podemos andar juntos até lá.”
“Certo…”
Chris suspirava, ouvindo os sons de dentro da cabana e dando uma olhada por cima do ombro, percebendo que os soluços de Magdalena começavam a diminuir.
“Vocês conseguiram recuperar os pertences dos Leaf também?”
“O outro rapaz? Sim, minha batedora acabou de dizer que conseguiram… Mas não o que restou do corpo não vai ter como fazer a viagem de volta.”
Os sons pararam na tenda, e não demorou muito para a entrada se abrir. A guerreira loira saia para fora com os olhos vermelhos e uma sombra recaindo no seu rosto, dando uma olhada de lado para a capitã e Chris.
“Minhas condolências.” Jowell falava, colocando a mão no ombro da guerreira.
“...Obrigada.”
E ainda sim, aquilo era da boca para fora de Magdalena. Se soubessem que ela era a culpada do desabamento, certamente ela iria ser julgada, e tinha certeza disso, mas na sua covardia se recolhia em segredo. Se fosse presa, se fosse julgada publicamente, como poderia olhar Crucis nos olhos?
Aquelas pessoas… Elas estavam mortas por sua culpa, e era somente isso que passava pela sua cabeça. Maggy se abraçava, apertando os cotovelos.
“Precisamos… Voltar para Venore.” Maggy falava, seu olhar baixo. “Preciso… Precisamos falar com Crucis sobre isso tudo.”
Chris e Jowell a observaram em silêncio, trocando olhares entre si.
“Quem é Crucis?” A capitã questionava primeiro.
“É um amigo de infância da Magdalena… Você deve o conhecer como Kruis Helbert.”
“Ah! O namorado da filha do Gabriol? Ouvi falar dele sim, apesar que é mais por que o pai da menina comentou sobre na última vez que esteve em Carlin.”
A dupla conversava entre si sobre o tópico, vozes que para Magdalena ficavam distantes, vendo somente o rosto de Sarah naqueles últimos segundos.
Será que Crucis a perdoaria? Será que sequer teria coragem para admitir sua culpa?
Maggy apertava o abraço em si mesma, sem conseguir falar o que a atormentava.
Próximo Capitulo VIII - Perigo À Espreita
Publicidade:
Jogue Tibia sem mensalidades!
Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR.
https://taleon.online







Curtir: 



Responder com Citação






Sei que minha escrita se beneficia muito quando releio e presto atenção no que to escrevendo, as vezes leio em voz alta para identificar problemas, então ter um feedback ajuda 